Daemon Summoner (Sony Playstation 2)

Depois de uma longa ausência relacionada com picos de trabalho e um longo e merecido período de férias, é tempo de voltar à carga e vamos recomeçar as escritas com um jogo que não é lá muito bom, mas eu já deveria saber disso antes de o ter comprado pois é um dos muitos jogos que a Midas publicou para este sistema. Ao menos seguramente o comprei bastante barato, embora já não me recorde quando e onde o terei feito.

Jogo com caixa e manual

Este é um first person shooter que decorre em Londres em plena época Victoriana no ano de 1888, onde nós encarnamos numa espécie de caçador de vampiros que procura vingança pela sua esposa ter sido transformada num vampiro. Iremos então percorrer as ruas de Londres (e não só) em busca dos vampiros que a tornaram nessa abominação, mas vamos também enfrentar várias outras criaturas como lobisomens, zombies ou outras criaturas demoníacas.

Esta besta é a nossa primeira arma, pena que demore 5 segundos entre cada disparo! Mas ao menos, se continuarmos a andar para trás não sofremos dano.

Os controlos não são assim tão maus quanto isso, com os analógicos a servirem para controlar o movimento e a câmara, sendo que o L3 e R3 servem para agachar e ampliar a mira, respectivamente. O R1 serve para disparar, R2 para atirar lanternas como se fossem cocktails Molotov, já os restantes botões de cabeceira têm usos mais particulares e alguns sinceramente nem entendi bem (até o manual não é claro neste aspecto). Os botões faciais servem para ataques corpo-a-corpo (triângulo), recarregar a arma equipada (quadrado), mudar de arma (circulo) e interagir com objectos ou escalar certos obstáculos (X).

Infelizmente não há uma grande variedade de criaturas, mas os lobisomens são das mais perigosas.

Infelizmente no entanto a jogabilidade é francamente má. O sistema de detecção de colisões é péssimo, com inimigos exactamente iguais a precisarem de um número diferente de tiros na mesma zona do corpo para serem derrotados. Mas o que leva a cereja no topo do bolo é o facto de os inimigos não nos conseguirem atacar enquanto nós andamos para trás. Tendo em conta que os níveis são grandes, com espaços amplos ou inúmeros corredores idênticos, conseguimos passar uma grande parte do combate sem sofrer qualquer dano se utilizarmos este truque. Para além de ser muito habitual os inimigos ficarem também presos em esquinas ou outros obstáculos. O segundo nível é uma excepção, na medida em que o temos de completar sem sermos detectados, pelo que o combate aí está completamente fora de questão, resultando num game over imediato. Mas mesmo aí o jogo é bastante inconsistente, pois podemos passar muito perto de alguns inimigos sem que nada aconteça, ou não termos ninguém próximo de nós e mesmo assim sermos descobertos, obrigando-nos a repetir o nível. É de longe a parte mais frustrante do jogo, mas uma vez ultrapassado esse obstáculo, mais umas 2 horinhas em cima e temos o jogo terminado. Sim, Daemon Summoner é muito curto.

O detalhe gráfico de alguns inimigos até que está bastante bom!

A nível audiovisual o jogo até tem os seus méritos. Os inimigos, apesar de não serem muito variados, estão muito bem detalhados para um jogo da PS2. Já os níveis, apesar de alguns efeitos de luz ou meteorológicos interessantes, não são nada de especial. Isto porque dentro dos mesmos níveis, não há uma grande variedade nas texturas, muitas vezes temos corredores labirínticos intermináveis e dois dos níveis até se repetem em fases distintas do jogo. A música título até é bastante boa, orquestral e com uns toques que se adequam perfeitamente ao clima mais de “terror” que o jogo tenta transparecer. O voice acting é bastante competente, mas pena que fora das cutscenes, a voz da nossa personagem esteja a um volume bastante baixo quando comparado com o do ruído ambiente, pelo que nem sempre se entende bem o que o homem está para ali a dizer.

Portanto este Daemon Summoner é um jogo com imensos problemas e que dá mesmo a sensação de ser um produto inacabado e apressado para sair para o mercado. E aparentemente, depois de alguma investigação na internet, parece que foi mesmo esse o caso, com o mesmo a ter sido desenvolvido por um estúdio independente britânico e que atravessou sérias dificuldades financeiras. O que aqui temos é um produto com 3 meses de desenvolvimento e com uma equipa de elevada rotação. O pouco que se conseguiu fazer nesse período de tempo já me parece bastante bom e o que aqui temos é um jogo que tinha potencial para ser bastante superior.

SNK 40th Anniversary Collection (Sony Playstation 4)

No seguimento da Sega Mega Drive Ultimate Collection, apeteceu-me ir jogando mais uma compilação retro e a escolhida acabou mesmo por ser esta colectânea lançada originalmente na Nintendo Switch em 2018 e no ano seguinte para os restantes sistemas. Foi uma colectânea trabalhada pela Digital Eclipse (que acabei de saber que era a mesma Backbone que trabalhou na compilação da Sega acima mencionada) tendo eles trabalhado também na excelente TMNT: The Cowabunga Collection que já cá trouxe no passado. O meu exemplar foi comprado numa loja cá no norte do país há uns bons meses atrás.

Compilação com disco. Podia ter vindo com mais qualquer coisa!

A compilação foi lançada originalmente para a Switch com suporte a 14 jogos no total, com o lançamento noutros sistemas a introduzir 11 novos jogos (cujos poderiam ser descarregados sem custos para os donos da versão switch) trazendo o total para 25 jogos sendo que a versão Xbox traz ainda um outro jogo exclusivo para essa versão, o Baseball Stars da NES. Sinceramente não acho que se tenha perdido grande coisa. Desses 25 jogos, 2 deles são exclusivos da NES/Famicom, os restantes são arcade mas alguns deles possuem também versões NES / Famicom para serem jogadas. Todos os jogos aqui presentes suportam save states, rewind e algumas customizações adicionais, desde várias opções de vídeo ou mesmo alterar algumas das opções de jogo no caso dos títulos arcade. Para além de todos estes jogos temos também uma secção de museu, onde poderemos ver pequenas apresentações sobre todos os jogos da SNK lançados entre 1979 e 1990, excepto claro os jogos do sistema Neo Geo. Para além disso temos também acesso a vários scans de folhetos arcade e artwork e outros materiais promocionais da SNK dessa geração. Por fim temos também acesso a umas quantas banda sonoras de jogos desta compilação.

Se há coisa que eu acho que a Digital Dreams acertou, foi na maneira como a arte dos jogos SNK está integrada com todos os menus

Falando um bocadinho de todos os jogos aqui presentes e irei mencioná-los por order alfabética, visto que é a única opção de ordenação que temos disponível, infelizmente. Começamos então pelo Alpha Mission, que é um shmup de 1985 e que vai buscar muitas inspirações ao Xevious, nomeadamente a possibilidade de dispararmos projécteis ar-ar para atacar outros inimigos aéreos e ar-terra para alvos terrestres. À medida que vamos avançando poderemos apanhar toda uma série de power ups que nos melhoram as armas existentes ou aumentam a nossa barra de energia que surge no fundo do ecrã. Temos também outros power ups que nos permitem transformar a nossa nave, que por sua vez contém armas super poderosas que vão consumindo essa barra de energia. Existem várias transformações diferentes com diferentes habilidades associadas e como devem calcular é um jogo bastante desafiante por todos os inimigos no ecrã que se tornam cada vez mais agressivos e numerosos à medida que vamos avançando no jogo. Visualmente é um jogo repetitivo, pois não há grande variedade de cenários. A versão NES está também aqui presente mas não perdi muito tempo com a mesma, sendo uma adaptação bem mais modesta do original arcade. Uma vantagem da versão NES é o facto de termos de pausar o jogo e seleccionar qual das transformações que queiramos activar, logo que as tenhamos coleccionado. Na versão arcade teremos de fazer isso em tempo real, o que é mais desafiante.

Os extras incluem pequenas apresentações de todos os jogos da SNK pré-Neo Geo, alguns documentos adicionais e bandas sonoras para ouvir

O Athena é um jogo de plataformas de 1986 onde controlamos uma princesa de mesmo nome. Começamos por jogar de bikini e apenas munidos de um pontapé, mas à medida que vamos explorando, derrotando inimigos e apanhar diversos power ups, poderemos equipar diferentes armas e armaduras que Athena passa a usar. Os níveis vão sendo variados, atravessando diferentes florestas, montanhas, cavernas ou até zonas subaquáticas onde Athena se transforma em sereia para melhor as atravessar. Não é um jogo do outro mundo, mas até que é um platformer interessante quanto mais não seja por oferecer alguma não linearidade na exploração, o que não era muito usual para a data. É bem melhor que a versão NES que está aqui também incluída, embora essa seja uma versão que gostaria um dia destes de arranjar para a colecção.

Em cada jogo podemos optar pela versão ocidental ou japonesa, assim como as suas versões NES, caso existam.

Segue-se o Beast Busters de 1989. Este é um light-gun shooter algo parecido com o Operation Wolf, com a distinção de sermos nós contra várias hostes de zombies e outras criaturas mutantes, assim como ser um jogo que suportava multiplayer para até 3 jogadores em simultâneo. Tal como o Operation Wolf no entanto, é um jogo bastante desafiante na medida em que vamos ser atacados constantemente e é practicamente impossível não sofrer dano. Para além disso as munições são limitadas, pelo que teremos também de ir apanhando power ups para as restabelecer (balas de metralhadora e diversos tipos de granadas). Bem mais raros são no entanto os itens que nos regeneram a barra de vida, pelo que esperem por perder uns quantos créditos aqui. No entanto é um jogo que ganha pontos pela sua violência extrema e pelo design original de várias das criaturas que vamos combater. Infelizmente a banda sonora não é grande coisa e embora eu não o tenha referido até agora, tal é comum em todos os jogos que já mencionei aqui até agora.

Cada jogo pode ser jogado com diversos filtros visuais e resoluções

O título seguinte é o Bermuda Triangle de 1987, mais um shmup vertical exclusivo das arcadas mas com um conceito interessante. É um jogo onde vamos viajando para trás no tempo, começando por combater no algures no século XVI, regredindo nível após nível até ao ano de 981 em pleno antigo Egipto. De qualquer das formas as mudanças de época apenas se reflectem nos cenários, pois todos os inimigos são naves futuristas. É também um jogo com mecânicas fora do comum na medida em que é um twin-stick shooter, com ambos os analógicos a serem utilizados para controlar a nossa nave e a direcção de disparo respectivamente. Os restantes botões servem para disparar ou para alterar a disposição das naves satélite que vamos apanhando. O jogo possui uma barra de energia que quanto maior estiver, mais forte se torna a nossa nave, por outro lado esta é também bastante grande, tornando-se difícil esquivar de todo o fogo inimigo. É também um jogo curioso na medida em que todos os níveis começamos por seguir em frente, para depois andar o caminho todo de marcha-atrás, seguindo em frente novamente até ao boss.

Segue-se o Chopper I de 1988 e até ver nunca houve nenhum Chopper II, portanto o nome do jogo é algo curioso. É mais um shmup vertical, embora este seja mais simples nas suas mecânicas. Tal como o nome indica, controlamos um helicóptero militar e o objectivo é o de derrotar todo um exército inimigo sendo que vamos tendo uma série de power-ups para apanhar que nos auxiliarão nesse desafio. Uns aumentam o nosso poder de fogo e dão-nos ainda o extra de ter mísseis teleguiados, enquanto podemos também acumular um máximo de 4 specials que poderão ter efeitos diferentes entre si e que podem ser usados com um botão próprio. De resto é um jogo com gráficos coloridos e bem detalhados e uma banda sonora que apesar de algo discreta não me pareceu nada má de todo.

O Beast Busters foi a primeira grande surpresa desta compilação, sendo um light gun shooter bastante violento e bem detalhado

O Crystalis é para mim um dos maiores destaques desta compilação, visto ser um dos poucos exclusivos de NES que a SNK produziu. É também um jogo de 1990, lançado originalmente no Japão meras semanas antes da Neo Geo, plataforma sobre a qual a SNK se passou a focar inteiramente desde então. É também o jogo mais recente desta compilação. E este Crystalis é nada mais nada menos que um RPG de acção que até é bastante competente no que faz. Decorre num mundo pós-apocalíptico, embora já deva ter passado tanto tempo que os vestígios da “nossa” civilização já nem são visíveis. Nós encarnamos numa personagem anónima, um suposto cientista que acorda do seu “crio-sono” 100 anos após a tragédia e à medida que vamos explorando, vamo-nos apercebendo que um vilão anseia novamente dominar o mundo. A nível de mecânicas este é um RPG de acção onde vamos ganhando experiência e dinheiro à medida que vamos derrotando inimigos. A primeira faz com que subamos de nível e assim possamos ficar mais fortes, enquanto o dinheiro serve para ser gasto em lojas, sejam em itens como equipamento diverso. As espadas que vamos coleccionando dão dano elementar e adquirindo certos itens mágicos permitem-nos também desencadear alguns ataques mágicos capazes de causar bem mais dano, bem como abrir certas passagens no mapa. Os controlos são simples com um botão para atacar e outro para utilizar algum item que tenhamos eventualmente equipado. É um jogo bastante competente nas suas mecânicas, gráficos e possui uma banda sonora bastante boa para um jogo 8bit. A única coisa que me chateou um pouco é o facto de existirem inimigos com resistência total a certos elementos, o que nos obriga, em certas dungeons, a estar constantemente a mudar de espada.

Uma óptima maneira de termos o Crystalis na colecção sem ter de pagar com órgãos

Depois do Crystalis segue-se um dos jogos mais antigos desta compilação, o Fantasy de 1981. É um jogo arcade extremamente simples nas suas mecânicas pois apenas temos o joystick para controlar a nossa personagem que procura resgatar a sua namorada. E o jogo tem 8 níveis, muitos deles eles com jogabilidades bem distintas entre si, onde ora teremos de escapar de certos inimigos ou obstáculos durante algum tempo/distância, escalar plataformas num nível que certamente terá sido influenciado pelo Donkey Kong ou outros níveis onde teremos de derrotar certos inimigos para resgatar a Cherri. De acordo com o “museu” desta compilação, este é dos primeiros jogos arcade a ter um fim, o que é uma curiosidade interessante. Ah, e tem várias vozes digitalizadas, o que também não deveria ser assim tão comum para 1981.

Um jogo com Che Guevara e Fidel Castro como protagonista nunca poderia ser chamado assim nos Estados Unidos. Mas foi mais uma boa surpresa!

Depois viajamos novamente para 1987 para este Guerilla War e escrever sobre este jogo antes do Ikari Warriors é uma injustiça pois foi seguramente influenciado pelo mesmo. É então um shooter com uma perspectiva vista de cima onde sozinhos (ou com um amigo) teremos um autêntico exército para combater, assim como resgatar uns quantos reféns para pontos de bónus adicionais (ou subtraídos caso os matemos por acidente). Tal como o Ikari Warriors este é um twin stick shooter, na medida em que um dos analógicos controla o movimento enquanto o outro controla a direcção de fogo. É um jogo curto, porém repleto de acção e violência e até podemos conduzir tanques! Um detalhe curioso sobre este jogo é que o mesmo é conhecido como Guevara no seu lançamento original nipónico e controlamos nada mais nada menos que Che Guevara ou Fidel Castro. Compreende-se o porquê do nome do jogo ter sido alterado no território americano. De resto a versão NES está aqui também incluída e esta, ao contrário do Ikari Warriors, até que é uma conversão bem competente no sistema da Nintendo!

A introdução de várias versões NES sempre que aplicável (e variantes Famicom) foi uma boa adição… mas ali o Time Soldiers de Master System sentiu-se discriminado.

O jogo que se segue é então o famoso Ikari Warriors de 1986, um dos muitos clones de Commando que foram surgindo ao longo dos anos. É um daqueles jogos inspirados em filmes como o Rambo II onde sozinhos (ou com um amigo) teremos uma selva para atravessar e um autêntico exército inimigo para enfrentar. É também um twin stick shooter, onde poderemos disparar a nossa metralhadora ou atirar granadas. Para além disso, poderemos também conduzir tanques que esses já têm uma barra de vida que poderá ser restabelecida ao apanhar itens com gasolina. Usar os tanques com perícia é chave para o sucesso, visto que os inimigos surgem às dezenas, explosões por todo o lado e ter a capacidade de sofrer algum dano é imprescindível. Temos também a versão NES que infelizmente é uma conversão não muito bem sucedida.

O segundo Ikari Warriors é bastante diferente do seu predecessor a nível estético!

O Ikari Warriors II (também conhecido por Victory Road) é também um jogo de 1986 e apesar de se manter um twin stick shooter onde enfrentaremos dezenas de inimigos, muda radicalmente na sua apresentação e conceito. Isto porque iremos combater criaturas fantasiosas e os próprios cenários são bastante diferentes do habitual. Em vez de tanques temos armaduras e desta vez teremos também diferentes armas que poderemos vir a usar, incluindo uma grande espada que é também capaz de deflectir os projécteis inimigos. Sinceramente não gostei tanto deste jogo, apesar de algumas novidades terem sindo benvindas. A versão NES está também aqui disponível mas pouco a joguei. Felizmente nesta versão podemos “trancar” a nossa direcção de disparo ao manter o botão pressionado, o que já é uma grande ajuda perante a adaptação da prequela.

O Ikari Warriors III é um jogo de 1989, pelo que corre num hardware mais capaz e de certa forma é um regresso às origens, pelo menos a nível de ambiente. Uma ou duas pessoas numa selva e a defrontar um enorme exército! No entanto a jogabilidade é também bastante diferente dos anteriores, pois este jogo foca-se muito mais no combate corpo a corpo, como se um beat ‘em up se tratasse (embora seja jogado numa resolução vertical). Socos e pontapés, ocasionalmente lá poderemos encontrar facas ou metralhadoras (com munições muito limitadas), assim como poderemos tirar partido de alguns explosivos como barris de combustível ou simplesmente granadas que os inimigos nos atiram e poderemos devolver o presente se formos rápidos o suficiente. Visualmente o jogo é muito superior aos seus predecessores com sprites grandes e bem detalhadas, não estando nada longe daquilo que os primeiros jogos da NeoGeo nos ofereceram. Como tem sido habitual temos também uma versão NES aqui presente que é muito mais simplificada, embora tenha um nível extra.

Já o terceiro Ikari é mais beat ‘em up do que shooter mas gostei bem mais do que o segundo.

Segue-se o Iron Tank, o segundo jogo exclusivo da NES/Famicom desta compilação, também originalmente lançado em 1988. Este jogo é influenciado pelo TNK III das arcadas, que por sua vez é um precursor do primeiro Ikari Warriors (seria muito mais fácil manter uma linha condutora se a compilação permitisse ordenar os jogos por ano de lançamento…). Ora o jogo em si até não é mau, mas os seus controlos requerem habituação. Isto porque o direccional controla o tanque e os botões A e B controlam as suas armas (metralhadora e canhões, respectivamente). Mas ao pressionar o botão A em simultâneo com uma direcção, passamos a disparar exclusivamente nessa direcção, enquanto poderemos movimentar o tanque noutra direcção totalmente diferente. Visto que iremos atravessar vários segmentos onde seremos atacados de todos os lados, isto é uma técnica que teremos rapidamente de dominar. De resto temos vários power ups para apanhar sob várias letras. Os mais comuns são os E, que nos restabelecem energia. V é rapid fire, F são munições capazes de atravessarem superfícies, B são munições explosivas e L de longo alcance. R são reservas de combustível e por fim temos o ponto de interrogação, uma super arma capaz de destruir todos os inimigos no ecrã. Todas estas funcionalidades possuem usos limitados e podem ser activadas/desactivadas num menu próprio. Alguns outros detalhes interessantes deste jogo é a sua não linearidade repleta de caminhos alternativos e as comunicações por rádio, onde frequentemente nos chamam de “Snake”.

O jogo que se segue é o Munch Mobile de 1983. É um jogo bastante original na medida em que controlamos um carro com olhos e braços. Em níveis de scrolling automático a ideia é a de percorrermos o percurso em segurança, sem sair da estrada e evitar todos os obstáculos que iremos cada vez mais encontrar. Os braços servem para apanhar itens como comida, dinheiro ou combustível que se encontram espalhados nas bermas da estrada. O dinheiro apenas nos dá pontos, a comida também mas se conseguirmos depositar os restos em caixotes do lixo também espalhados pela estrada mais pontos ganhamos ainda. O combustível é para nos permitir continuar a jogar, visto que teremos de ir reabastecendo várias vezes ao longo de cada nível.

No meio de tanto (twin stick) shooter, não se pode dizer que a SNK não tenha aqui alguns jogos bastante originais no seu conceito. O Munch Mobile é um deles.

O Ozma Wars é o jogo mais antigo desta compilação, tendo sido lançado em 1979! Como muitos jogos arcade dessa época, não existe qualquer final, pelo que o objectivo é mesmo o de sobreviver o máximo que conseguirmos e fazer a melhor pontuação possível. E este é um shooter como muitos jogos o eram depois do sucesso do Space Invaders da Taito. Mas os inimigos são bem mais móveis e dinâmicos. A nossa vida é representada por um número com energia que vai diminuindo constantemente e ainda mais de cada vez que somos atingidos. Ocasionalmente lá aparece a nossa nave mãe para nos reabastecer de energia. E é isto, um jogo simples nas suas mecânicas.

Segue-se o Paddle Mania de 1988, sendo este mais um jogo bastante original no seu conceito. Inicialmente parece um jogo de ténis, mas na verdade é muito mais que isso. Apesar de controlarmos um tenista, o objectivo é na verdade o de marcar golos na baliza inimiga e evitarmos sofrermos golos também. No final do tempo, quem tiver marcado mais avança para a fase seguinte. E o curioso deste jogo é que não vamos só enfrentar outros tenistas, mas também adversários curiosos como equipas de vólei, lutadores de Sumo, surfistas ou até atletas de natação sincronizada! É bastante engraçado!

Apesar de a imagem não lhe fazer justiça, o Paddle Mania até é um jogo bem engraçado. Afinal não é qualquer um que mistura ténis, futebol e nos coloca a competir contra lutadores de sumo ou equipas de natação sincronizada!

O jogo que se segue é o P.O.W.: Prisoners of War, um beat ‘em up de 1988. Como o nome do jogo indica nós somos um prisioneiro de guerra e, depois de escaparmo-nos da nossa cela, lá teremos de enfrentar todo um exército uma vez mais, até que consigamos finalmente escapar e evacuados para segurança. Apesar de não ser um jogo que reinventa a roda, tem bonitos visuais e os controlos ainda nos permitem fazer umas quantas coisas. Originalmente apenas teríamos 3 botões de acção para socos, pontapés e saltos, mas nesta versão conseguimos assignar botões para acções que originalmente requeriam mais que um botão pressionado em simultâneo, como é o caso das cabeçadas ou socos para trás. Também temos uma versão NES que é apenas single player, não nos permite executar todo o tipo de golpes, mas possui novos inimigos, bosses, armas e power ups.

Prehistoric Isle, o boss final é qualquer coisa a nível de detalhe! Passava facilmente por um jogo Neo Geo.

O Prehistoric Isle é mais um shmup, embora este seja horizontal. É um jogo lançado em 1989 e controlamos um pequeno avião que explora uma ilha perdida no triângulo das Bermudas. Ilha essa que está pejada de dinossauros e homens das cavernas que nos atacam incessantemente. A mecânica interessante aqui é a de podermos equipar um satélite que voa à nossa volta e manipular a posição em que o mesmo nos acompanha, para além de podermos apanhar toda uma série de power ups que tornam o nosso avião mais poderoso ou mais rápido. É um jogo com gráficos bem competentes (como é o caso de todos os títulos de 1989 que joguei nesta compilação) e uma banda sonora também muito agradável. Um dos melhores desta compilação, sinceramente.

Foi bom descansar um pouco de shmups e twin stick shooters com este beat ‘em up!

A letra P termina com o Psycho Soldier de 1987, uma sequela espiritual do Athena lançado um ano antes. Isto porque uma das protagonistas é também chamada Athena, embora seja uma descendente da protagonista do primeiro jogo. É a mesma Athena da série King of Fighters, que neste jogo está também acompanhada pelo Sie Kensou, uma outra personagem do KOF. E este jogo é bastante diferente do seu predecessor, na medida em que é bem mais linear, o ecrã tem auto scrolling e frequentemente vamos atravessando áreas com 3 níveis de plataformas onde poderemos caminhar. Existem imensos power ups, com itens que nos melhoram os ataques normais e outras esferas que uma vez apanhadas começam a orbitar à nossa volta. Essas podem-nos proteger de algum dano inimigo, mas podem também serem utilizadas para ataque, consumindo uma barra de energia que vemos no fundo do ecrã. Outros itens podem-nos permitir transformar numa fénix com um ataque poderoso. Muitos power ups estão escondidos em paredes destrutíveis, uma das poucas coisas que este Psycho Soldier herda do Athena original. De resto, naturalmente que é um jogo bastante desafiante, mas confesso que não gostei tanto do jogo quanto isso. É também um lançamento notável por ter algumas músicas cantadas com vozes reais, bem como outras amostras de vozes digitalizadas com boa qualidade. E isso, para um jogo de 1987 há-de ter sido realmente impressionante.

Apesar de achar o Psycho Soldier mais aborrecido que o Athena, o engrish é real (e está longe de ser caso único nesta compilação). Terá também impressionado pelas vozes cantadas, embora quem tenha cantado em inglês não é fluente. Nem cantora.

Segue-se o SAR: Search and Rescue, mais um título de 1990 e mais um twin stick shooter que até achei bastante interessante. Fez-me lembrar o Alien Syndrome da Sega, embora muito mais sangrento e com criaturas bem mais diversas que iremos enfrentar, como aliens, zombies ou máquinas. No entanto ao contrário do que o seu nome indica, não andamos aqui a salvar ninguém… parece que se ficaram pela procura. O objectivo é então o de ir percorrendo uma série de níveis, enfrentando inimigos cada vez mais agressivos e numerosos, com bosses à nossa espera no final de cada área. Os controlos são simples, com um botão para disparar e outro para nos desviarmos, sendo que teremos à nossa disposição várias armas diferentes para coleccionar. Mais uma boa surpresa desta compilação, é um jogo que desconhecia completamente.

Search and Rescue, mais um twin stick shooter violento e uma boa surpresa

Em seguida voltamos ao ano de 1980 para o Sasuke vs Commander. Como devem calcular, este é um jogo bastante primitivo e eu diria que algo influenciado por títulos como Space Invaders ou Galaxian. Mas em vez de lutarmos contra naves inimigas, atacamos ninjas que se atiram do alto do ecrã na nossa direcção e também nos teremos de desviar dos seus projécteis. No final do nível somos levados para um nível de bónus onde teremos um inimigo mais poderoso para enfrentar dentro de um tempo limite. Se o conseguirmos derrotar, óptimo, caso contrário apenas não recebemos pontos extra e seguimos para o nível seguinte, onde todo este processo se repete, com a dificuldade a tornar-se cada vez maior.

Apesar de serem jogos bem mais simples, é muito interessante poder experimentar estes títulos do início dos anos 80/finais de 70.

Depois é altura de voltarmos ao ano de 1989 para o Street Smart, um jogo de luta da SNK bastante peculiar nas suas mecânicas. Basicamente pensem num jogo de lutas de rua como se um beat ‘em up se tratasse onde nos podemos movimentar livremente pelo cenário, mas com combates de um contra um. Temos botões de socos, pontapés e saltos, assim como a possibilidade de encadear os golpes uns nos outros com combos. Não é de longe um Street Fighter II ou mesmo um Fatal Fury, mas é um jogo interessante. De notar que a nossa barra de vida não é regenerada entre combates, assim como não vermos a barra de vida dos nossos oponentes. Apenas quando eles piscam a vermelho é que sabemos que estão próximos de serem derrotados.

Street Smart, talvez o primeiro jogo de luta de 1 contra 1 da SNK, embora seja muito diferente do que nos viria a habituar num futuro próximo

O jogo que se segue é um título de 1987, o Time Soldiers, que já cá trouxe no passado a sua versão de Master System. Esta versão é notoriamente bem melhor a nível audiovisual, estando muito melhor detalhada, embora a banda sonora não seja nada do outro mundo. É um twin stick shooter, controlando-se então muito melhor dessa forma e onde teremos de viajar no tempo para resgatar uns quantos colegas nossos. É um jogo com progresso não-linear, o que era também algo original para a época.

A versão arcade do Time Soldiers é bem superior à da Master System mas seria interessante ter cá essa versão também.

Depois regressamos ao ano de 1985 para o TNK III, mais um twin stick shooter e um predecessor da série Ikari Warriors, pois apesar de controlarmos um tanque, esse é conduzido nada mais nada menos pelo Ralf Jones, uma das personagens de Ikari Warriors. É também o jogo que inspirou o Iron Tank da NES, já aqui acima mencionado. A maior parte dos power ups mencionados na versão da NES também aqui existem, embora a sua utilização seja directa. É no entanto um jogo mais repetitivo pois os inimigos e cenários não são muito variados entre si, nem muito detalhados. A banda sonora é practicamente não existente.

Vanguard, um jogo de 1981 com scrolling horizontal, vertical e diagonal!

O próximo (e penúltimo) jogo desta compilação é o Vanguard de 1981, mais um shmup que acredito que tenha sido bastante interessante para a altura. É um jogo onde percorremos uma série de cavernas pejadas de inimigos e onde podemos disparar em 4 direcções, cada uma com um botão próprio. É quase um twin stick shooter portanto! Algumas vozes digitalizadas, mas muito simples a nível audiovisual como seria de esperar para um título de 1981. E como muitos jogos da época, não tinha qualquer final.

Por fim, a compilação termina com o World Wars, que é nada mais nada menos que uma sequela do Bermuda Triangle acima referido, e também lançada no mesmo ano de 1987. E claro, é na mesma um shmup vertical que mantém as mesmas mecânicas de jogo, mas em vez de viajarmos no tempo vamos viajando pelo mundo e derrotando inimigos. É também um twin stick shooter onde podemos direccionar o nosso fogo independentemente do movimento da nossa nave, que por sua vez é consideravelmente mais pequena, tornando a tarefa de esquivar do fogo inimigo mais fácil dessa forma.

O “documentário” da SNK mostra-nos mais alguns jogos que seriam interessantes de ter também nesta compilação. O Mechanized Attack é seguramente um deles. Quaisquer semelhanças com o Terminator são mera coincidência. Ou não.

E pronto, chegamos finalmente ao fim de uma óptima compilação que me deu a conhecer muito do trabalho que a SNK produziu nos seus anos pré-Neo Geo. Alguns já conhecia ou tinha jogado como é o caso do Athena, Crystalis ou o primeiro Ikari Warriors. Já outros foram completas e agradáveis surpresas, como é o caso do Beast Busters, Paddle Mania ou Search and Rescue. A emulação está fantástica e o conteúdo extra é satisfatório, embora sinta que se esta compilação tivesse sido produzida originalmente por um estúdio nipónico iriamos ter acesso a muito mais conteúdo bónus. Pena que nalguns jogos não tenham incluído também versões para outros sistemas, embora compreenda que isso já possa ter estado fora do orçamento. Em suma um bom trabalho da Digital Eclipse e um óptimo ensaio para o excelente trabalho que fizeram mais tarde com a TMNT: The Cowabunga Collection.

The King of Fighters XI (Sony Playstation 2)

Vamos voltar à PS2, desta vez para o décimo-primeiro título da série The King of Fighters (não contando com o Neowave) e o primeiro jogo da série a deixar de lado o seu ano de lançamento no titulo. Tal como o já referido KoF Neowave e o NeoGeo Battle Coliseum é um jogo lançado originalmente nas arcades em 2005, sob o sistema Atomiswave da Sammy, que por sua vez era muito semelhante ao Naomi da Sega e por conseguinte à Dreamcast. Não foi por acaso que não há muitos anos atrás, um grupo de fãs se decidiu a modificar muitos destes jogos Atomiswave e torná-los compatíveis com a consola da Sega! O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters algures em Março de 2015 por 3€.

Jogo com caixa, manual e um autocolante bem chato da Cash Converters no disco

No que diz respeito à história, este jogo segue os acontecimentos introduzidos pelo KoF 2003, com o personagem Ash Crimson como protagonista principal e uma vez mais os poderes dos Orochi metidos ao barulho. Na verdade a história não interessa muito, mas é sempre interessante ver as cut-scenes finais que vão sendo distintas entre si consoante a equipa de lutadores que seleccionamos. E as equipas pré-definidas nesta edição por vezes são algo estranhas. Por exemplo, a equipa do Fatal Fury consiste no Terry Bogard (com a sua vestimenta do Mark of the Wolves), Kim Kaphwan (que antes tinha uma equipa própria) e Duck King, uma das personagens do Fatal Fury 2 que marca aqui a sua estreia nos KOF. Ou a equipa do Art of Fighting que tem a King a fazer companhia aos irmãos Ryo e Yuri Sakazaki. Para além do Duck temos mais algumas personagens a estrear-se na série e umas outras tantas completamente novas. Naturalmente muitas das caras conhecidas (como é o caso do Robert Garcia ou Mai Shiranui) podem ser desbloqueadas posteriormente.

Apesar do elenco extenso, há várias personagens habituais que não estão cá. Algumas poderão no entanto serem desbloqueadas. Pena é pela arte dos seus retratos, que não é do meu agrado.

E este é então mais um jogo de luta entre equipas de 3 lutadores onde muitas das mecânicas de jogo introduzidas em títulos anteriores aqui se mantêm. De destaque nas novidades temos os quick shift, que nos permitem trocar de lutador a meio de um ataque ou os saving shift, que nos permitem fazer o mesmo enquanto estamos a ser atacados, sem que soframos mais dano durante as animações de troca das personagens. O dream cancel é outra das novidades, que nos permite executar certos golpes poderosos enquanto cancelamos outros (mas apenas o líder da nossa equipa pode fazer isto, aparentemente). A última novidade aqui introduzida a nível de mecânicas de jogo é a introdução da barra de skill, uma outra barra de energia para além dos specials e que é necessária para muitas destas técnicas acima mencionadas. Outra das novidades é, caso um combate termine o seu tempo, já não vence quem tem mais vida, mas sim para quem tenha lutado melhor.

Os cenários são em 2D mas com muito mais detalhe, já as sprites são ao mesmo estilo das Neo Geo. Há um contraste claro, mas não consigo deixar de gostar destas sprites assim!

Já no que diz respeito aos modos de jogo temos vários, começando pelo arcade que dispensa apresentações. O team play e o single play são variações que nos permitem participar em combates de 3 contra 3 (sem possibilidade de trocar de lutador) ou 1 contra 1. Todos estes modos de jogo podem também serem jogados como versus para 2 jogadores. O Endless é uma espécie de survivor com combates de 1 contra 1 onde a nossa vida será apenas parcialmente restabelecida entre combates. O modo challenge coloca-nos vários desafios cada vez mais complexos como executar uma série de técnicas especiais no mesmo combate. Terminar o modo challenge irá desbloquear tudo o que o jogo nos tem para oferecer, embora vários dos desbloqueáveis possam também ser desbloqueados de outras formas. Por fim temos um modo treino que é sempre bastante útil para practicar todas estas técnicas mais complexas.

Posso não ser muito bom nestes jogos, mas adoro a sua arte!

A nível audiovisual devo dizer que gostei bastante desta entrada na série. As personagens continuam muito bem detalhadas e com animações incríveis, mas mantendo o mesmo espírito pixel art das personagens que nos habituamos na NeoGeo. Mesmo as personagens novas foram desenhadas neste estilo e ficaram muito bem! Os cenários apesar de por vezes terem um aspecto um pouco mais realista, são completamente em 2D também, mas com uma qualidade bem superior ao que a velhinha NeoGeo conseguiria representar. A única coisa que já não gostei tanto, e isto é uma vez mais uma mera questão de gosto pessoal, é a diferença gritante entre a arte das personagens no jogo propriamente dito, e a que vemos nos menus e cutscenes. Estas últimas têm um aspecto bem mais anime e por vezes com feições bastante diferentes das personagens que controlamos. Esta arte é também utilizada nos retratos das personagens que estão actualmente a lutar e infelizmente sem nenhuma menção do seu nome. Portanto quando lutava contra alguma personagem nova, continuava sem saber quem era. De resto o som está muito bom e a banda sonora é bastante eclética e agradável.

O modo arcade possui 8 combates sendo que os últimos dois são bosses. O quarto combate é também um boss mas a personagem que enfrentamos depende da nossa performance nos combates anteriores.

Portanto esta é mais uma entrada bastante sólida da série King of Fighters. A versão PS2 inclui vários modos de jogo adicionais e muitas personagens desbloqueáveis, várias delas presenças assíduas na série mas que no seu lançamento original arcade ficaram de fora, como é o caso da Mai, por exemplo. Este King of Fighters XI é também o último jogo que tem um estilo gráfico que nos faz lembrar a Neo Geo, com os que lhe sucederam a terem visuais mais modernos.

SEGA Mega Drive Ultimate Collection (Sony Playstation 3)

Tempo para o que seria mais uma rapidinha, embora este seja um artigo que estará seguramente carregado de hiperligações a outros de cá do blogue. Isto porque o artigo de hoje é uma das várias compilações de jogos da Mega Drive que acabaram por ir saindo para os mais variadíssimos sistemas. Esta “Ultimate Collection” acabou por ultrapassada pela SEGA Mega Drive Classics, lançada para as consolas da geração seguinte, embora existam alguns títulos desta compilação que não estão incluídos na colectânea mais recente. Este artigo irá então focar-se no que esta compilação oferece como um todo, já os jogos em si, visto que a larga maioria já escrevi sobre eles algures no passado, terão apenas uma breve menção. Os que ainda não possuo na colecção para o sistema original tentarei ser um pouco mais abrangente. De resto, sinceramente já não me recordo quando nem onde comprei isto, mas foi seguramente muito barato.

Compilação com caixa, manual e papelada

Esta é uma compilação desenvolvida pela Backbone Entertainment, que por sua vez já havia trabalhado noutras compilações no passado (como por exemplo a Midway Arcade Treasures 2 que teima em não me aparecer), bem como convertido jogos retro (incluindo alguns da Sega) para lojas digitais e foram também os criadores de ambos os Sonic Rivals da PSP. Aqui temos ao nosso dispor nada mais nada menos que 40 jogos de Mega Drive para jogar logo de início e acesso a algumas funcionalidades de melhoria de qualidade de vida como é o caso dos save states, bem como customizar controlos, efeitos gráficos, entre outros. Cada jogo tem direito a um pequeno “museu” com uma breve descrição do mesmo e scans da sua capa e cartucho. Infelizmente apenas as versões norte-americanas são mostradas, poderiam perfeitamente também ter incluído as variantes japonesas e europeias, assim como os seus manuais completos. Seguramente que haveria espaço para tudo no bluray. Não deixa de ser estranho ter um jogo listado como “Story of Thor” para depois jogarmos um “Beyond Oasis”… De resto como seria de esperar temos também toda uma série de extras como vários jogos arcade, uma dupla de jogos Master System que pessoalmente apreciei bastante e uma série de pequenas entrevistas a vários criadores da Sega que trabalharam em muitos dos jogos aqui incluídos, assim como outros a trabalhar em projectos mais recentes, como é o caso do Sonic 06 ou Phantasy Star Universe e que aproveitaram para publicitar os seus mais recentes trabalhos. Adoro este tipo de extras, mas gostava que as entrevistas tivessem sido um pouco mais extensas! Todos estes extras terão no entanto de ser desbloqueados ao cumprir uma série de desafios ao jogar os jogos principais, como apanhar uma esmeralda no primeiro Sonic, fazer mais do que X pontos no Flicky, gastar X magias no Golden Axe, entre muitos outros exemplos.

Infelizmente a secção do museu apenas inclui a arte das versões norte-americanas e algum texto de trivia. Eu adoro este tipo de conteúdo, mas poderiam ter incluindo muito mais coisa. Seguramente haveria espaço suficiente no disco e a Sega facilmente poderia ter cedido mais material.

Mas que jogos temos então aqui nesta compilação? Temos o Alex Kidd in the Enchanted Castle, o único jogo da ex-mascote da Sega neste sistema, assim como o Alien Storm, uma espécie de beat ‘em up futurista, embora tenha também outros subgéneros misturados. Segue-se o Altered Beast, mais um clássico do início de vida da consola e o Bonanza Bros., um jogo que sempre achei bastante divertido mas que nunca teve a mesma fama que outros títulos. O Columns (cuja versão Mega Drive ainda apenas tenho em várias compilações Mega Games) é um dos dois jogos puzzle aqui presentes e o clássico Comix Zone também (e o quão bom foi poder jogá-lo novamente!). O Decap Attack é outro dos títulos aqui presente e o Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine é o segundo jogo de puzzle desta compilação (até à data, este é um título que apenas tenho na Mega Drive na compilação Sonic Compilation). Este jogo tem talvez o achievement mais exigente da compilação, visto que nos obriga a terminar o modo história e o Robotnik é um oponente temível. O Dynamite Headdy é infelizmente o único jogo da Treasure da compilação mas não deixa de ser um clássico. Temos também a dupla Ecco the Dolphin e Ecco: The Tides of Time, ambos jogos únicos, marcantes e o último com uma banda sonora incrível.

Save states, os melhores amigos do homem. Ou pelo menos dos adultos com vidas ocupadas.

O E-Swat sempre achei um interessante jogo de acção e que me fazia lembrar títulos como Shinobi ou Rolling Thunder. O Fatal Labyrinth é um roguelike simples mas é um dos mais antigos exemplos de um jogo digital numa consola (saiu originalmente no serviço online MegaNet no Japão) e o Flicky é um exemplo de um jogo arcade bastante antigo, mas que não deixa de ser divertido e desafiante (este é mais um dos que até à data apenas o tenho numa outra compilação). O Gain Ground é mais um exemplo de um jogo bastante original da Sega e que acaba por cair um pouco na obscuridade (até ver, apenas tenho a versão da Master System que é bem mais simples). A trilogia Golden Axe para a Mega Drive está aqui representada, o que é uma óptima notícia! O primeiro é um clássico absoluto das arcades e o segundo, apesar de não ter a mesma “magia” para mim, não deixa de ser um óptimo beat ‘em up.

Para além de save states podemos customizar vários aspectos da imagem. Se quisermos jogar com o aspect ratio original, geralmente temos uma imagem de fundo condizente com o jogo.

A inclusão do Golden Axe III é para mim outro dos pontos altos desta compilação. Sempre foi um jogo que me fascinou e lembro-me de gastar muitas horas a jogá-lo em emulação há mais de 20 anos atrás. Apesar de muitas das revistas ocidentais que o analisaram não terem gostado muito do jogo, para mim sempre foi o contrário: mais personagens, maior variedade de golpes a executar, mais níveis (incluindo caminhos alternativos) e os gráficos não são nada maus na minha opinião. Não entendo como é que este jogo apenas se ficou pela Ásia em formato físico! Talvez os fãs quisessem um Revenge of Death Adder? Também eu, mas a pobre Mega Drive não lhe conseguiria fazer justiça! Enfim… é um jogo que um dia destes me esforçarei para ter na colecção.

Ristar, um dos melhores jogos de plataforma da Mega Drive!

Segue-se o Kid Chameleon, um jogo de plataformas repleto de níveis e power-ups (e que teve o Mark Cerny, um dos manda-chuva da Sony Computer Entertainment actualmente, no seu desenvolvimento). Os Phantasy Star da Mega Drive estão também aqui presentes! O segundo é um jogo que aprecio bastante, embora seja consideravemente desafiante. O terceiro apesar de ser considerado uma ovelha negra na família, tem os seus méritos e a equipa que o desenvolveu, não tendo muita experiência em RPGs, até que teve algumas ideias interessantes. O Phantasy Star IV é só um dos melhores RPGs de sempre. A sério, joguem-no. O Ristar é um excelente jogo de plataformas que só não teve mais sucesso a meu ver por já ter saído no final de vida da Mega Drive. A trilogia Shining está também aqui presente nesta compilação, com ambos os Shining Force (excelentes RPGs tácticos da Camelot) e o Shining in the Darkness (um dungeon crawler simples porém bastante desafiante). Outro grande clássico aqui incluído é o Shinobi III, um dos melhores jogos de acção da geração e absolutamente recomendado.

Felizmente que temos também vários desbloqueáveis, incluindo versões arcade de clássicos também emuladas.

Como não poderia deixar de ser, temos jogos do Sonic aqui. Na verdade, temos todos os jogos do Sonic que saíram para a Mega Drive! Sonic the Hedgehog, Sonic 2 (sequela perfeita), Sonic 3, Sonic & Knuckles (infelizmente acho que não dá para jogar ambos “juntos”), bem como o Sonic Spinball e Sonic 3D (que me deu um certo sabor agridoce ao voltar a jogá-lo). O The Story of Thor é o último jogo algo “RPG” aqui incluído e mais um com banda sonora de Yuzo Koshiro. E claro, a série Streets of Rage não poderia faltar e temos aqui a trilogia da Mega Drive na sua plenitude. O primeiro é outro dos jogos que me enche de nostalgia de cada vez que o jogo, o segundo é mais uma daquelas sequelas perfeitas e o Streets of Rage 3 também é um óptimo jogo, pecando no entanto por algum conteúdo cortado face ao lançamento japonês. O Super Thunder Blade é outro dos jogos do início de vida da consola e sinceramente não acho que tenha envelhecido tão bem. Por fim temos ambos os Vectorman, com destaque especial para a sequela que, apesar de não ser tão boa quanto o primeiro jogo, é mais um daqueles que infelizmente nunca chegou a sair em solo Europeu.

Dois jogos de Master System também podem ser desbloqueados, incluindo o primeiro Phantasy Star, ficando a quadrologia assim disponível nesta compilação.

No que diz respeito aos extras, podemos desbloquear a versão arcade do Alien Syndrome (cuja versão Master System ainda teima em fugir-me), a versão arcade do Altered Beast (sinceramente preferia um jogo diferente visto termos cá a versão MD), o Congo Bongo (Tip Top nesta versão) é um jogo de arcade de 1983 e a resposta da Sega ao Donkey Kong da Nintendo. É quase um jogo 3D devido à sua perspectiva e apesar de não ser tão bom quanto o original da Nintendo (pela sua simplicidade), é de longe uma versão melhor que aquela que a própria Sega converteu para a sua SG-1000. A versão arcade do Fantasy Zone também marca a sua presença e é claramente superior à da Master System. A dupla de jogos da Master System que podemos desbloquear é o Golden Axe Warrior e o primeiro Phantasy Star. O Golden Axe Warrior é um clone de Zelda e um dos jogos que mais anseio ter um dia destes para a consola, mas os seus preços estão cada vez mais proibitivos. Já o Phantasy Star é outro clássico, apesar de actualmente existirem melhores versões para o jogarmos. Por fim temos também para desbloquear as versões arcade de mais 3 clássicos: Shinobi, o primeiríssimo jogo da série, o Space Harrier (versão bem melhor que a Master System viria a receber) e o Zaxxon, um shmup isométrico que teria sido bastante impressionante na sua altura. É o jogo mais antigo de toda a compilação, tendo sido lançado originalmente em 1982.

As entrevistas são outro dos desbloqueáveis e que eu tanto adoro! Pena que sejam curtas!

Portanto esta é uma óptima colecção, repleta de vários clássicos da Mega Drive e ainda faltam uns quantos essenciais que foram produzidos/publicados pela Sega, como é o caso do Revenge of Shinobi, Gunstar Heroes, Shadow Dancer ou mesmo os Wonder Boy. Facilmente trocava o Super Thunder Blade por qualquer um desses! Ainda assim temos aqui bastante conteúdo, incluindo todos os Golden Axe, Phantasy Star, Shining, Sonic e muitos outros excelentes títulos como o Shinobi III ou Comix Zone. Tendo em conta os preços cada vez mais proibitivos do retrogaming actualmente, esta compilação é uma óptima alternativa a quem quiser poder jogar de forma legítima alguns destes títulos que simplesmente encareceram bastante nos últimos anos, ou lançamentos de difícil acesso no mercado europeu. Do tempo que joguei cada um dos títulos a emulação pareceu-me bem decente também, mas tenho pena que não se tenham esforçado um pouco mais no conteúdo de “museu” ao incluirem apenas a arte das versões norte-americanas e mais nada. De resto, e para fechar, a Sega lança uns anos mais tarde a Sega Mega Drive Classics para sistemas da geração seguinte e essa também é uma compilação repleta de jogos e que inclui muitos dos clássicos que estão aqui em falta e já os mencionei, para além do Alien Soldier, outro dos jogos que no sistema original custa um balúrdio. No entanto alguns títulos como o primeiro Phantasy Star, Golden Axe Warrior ou alguns dos Sonics não estão lá presentes, pelo que tenham também isso em consideração.

Prince of Persia: The Forgotten Sands (Sony Playstation 3 / PC)

Vamos voltar uma vez mais à série Prince of Persia para este The Forgotten Sands, lançado para uma série de diferentes sistemas algures do ano de 2010. Depois do flop comercial que foi o reboot Prince of Persia a Ubisoft lá decidiu tentar uma vez mais, desta vez voltando à trilogia The Sands of Time para um jogo que decorre entre o Sands of Time e o Warrior Within. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado por 1£, tendo sido trazido do UK uma vez mais por um amigo meu. A versão PC já a tinha há mais tempo em formato digital, tendo sido oferecida pela própria Ubisoft na sua loja digital. Acabei no entanto por optar jogar a versão PS3.

Jogo com caixa e manual

Ora a história decorre então entre os eventos do Sands of Time e Warrior within, onde o príncipe decide visitar o reino do seu irmão mais velho Malik. No entanto quando lá chega apercebe-se que o seu irmão está em apuros, pois a sua nação está a ser invadida por um exército vizinho. Encurralado, Malik decide libertar um antigo e mágico exército de areia que se encontrava aprisionado algures nas entranhas do seu palácio. Pois bem, esse exército não é o que Malik esperava, tendo libertado toda uma série de forças demoníacas e que colocam o mundo em perigo. Caber-nos -á a nós então por um fim a esta ameaça e a nossa personagem irá eventualmente ter a ajuda de uma djinn, que lhe irá conferir alguns poderes mágicos.

Tal como é habitual na série o que não faltam são momentos de platforming desafiantes

A fórmula deste jogo é então muito similar à da trilogia original Sands of Time, na medida em que mistura platforming cheio de acrobacias e armadilhas à espreita, combate e ocasionalmente alguns puzzles para resolver. À medida que vamos avançando na história, o príncipe irá receber toda uma série de novos poderes e habilidades, começando com a possibilidade de, por algumas vezes, poder voltar o tempo atrás (botão R1), seja para corrigir algum salto mal calculado ou algum dano que possamos ter sofrido desnecessariamente. Em seguida ganhamos o poder de poder congelar a água (botão L2), algo que será necessário fazer em muitas das sequências de platforming e alguns puzzles. O poder seguinte é o de podermos fazer um ataque aéreo poderoso (X seguido de círculo), o que uma vez mais terá de ser utilizado em certos desafios de platforming mas pode ser usado no combate também. O último poder que ganhamos será utilizado apenas numa área específica já perto do final do jogo, umas ruínas muito antigas. Este permite-nos lembrar de certas plataformas, pilares ou outras superfícies que existiam no passado, ficando materializadas assim que pressionemos o botão L1. Tendo em conta que o R2 é o botão para correr em paredes, durante os desafios de platforming já perto do final do jogo onde precisaremos de utilizar todas estas habilidades, irão requerer uma grande destreza, pois precisaremos de pressionar em todos estes botões num timing exacto.

O sistema de combate é bastante dinâmico e os poderes que eventualmente aprendemos irão dar muito jeito

O combate é fluído, sendo que temos uma série de diferentes combos que podemos utilizar e todos os botões faciais são necessários. Quadrado ataca, triângulo serve para dar pontapés, especialmente útil para atordoar inimigos que tenham escudos, círculo serve para nos desviarmos e o X para saltar. Os inimigos que derrotamos vão-nos dando pontos de experiência que por sua vez poderão ser utilizados para fortalecer o príncipe (aumentar a barra de vida, de tempo ou simplesmente fortalecer os nossos ataques) ou ganhar (e evoluir) mais habilidades mágicas de uso exclusivo no combate. Essas habilidades são também elementais, com a terra a gerar um escudo que durante alguns segundos nos protegem de dano, o poder de fogo envolve-nos em chamas que queimam os inimigos à nossa volta, o poder de água (gelo) lança vectores gelados que causam dano a todos os inimigos na mesma linha e por fim o poder do vento despoleta um pequeno tornado à nossa volta que causa dano em todos os inimigos que nos rodeiam. Todas estas habilidades de combate ao serem utilizadas gastam o mesmo poder mágico que nos permite voltar atrás no tempo. Espalhados pelos cenários vão estar também toda uma série de objectos destrutíveis como barris ou ânforas que nos permitem regenerar um pouco da nossa vida e os poderes mágicos também.

Os inimigos do exército de areia estão muito bem representados

Visualmente acho o jogo muito bem conseguido, com gráficos bem detalhados para as consolas daquela geração, voice acting competente e uma banda sonora orquestral que resulta muito bem em representar aquela atmosfera algo mágica dos contos das 1001 noites que a série tão bem nos habituou. Não existe no entanto uma grande variedade de cenários em si, visto que iremos estar constantemente a visitar um palácio gigante e umas ruínas subterrâneas de uma outra cidade de outra era. No entanto existe uma variedade considerável de cenários interiores e exteriores em ambos os casos. Os inimigos e as suas animações estão também bem conseguidos.

Portanto este é um bom jogo do Prince of Persia e que recomendo vivamente a quem tenha gostado da trilogia Sands of Time, visto que este jogo utiliza muitas das mesmas mecânicas, adicionando no entanto outros elementos interessantes da sua jogabilidade. A versão PS3, PC e Xbox 360 são semelhantes entre si, pelo que joguem a que mais jeito vos der. No entanto, tal como já referi acima o jogo saiu também para outros sistemas como é o caso da Nintendo DS, Playstation Portable e Wii, sendo todas essas versões distintas entre si, tanto a nível de história como de mecânicas de jogo. Dessas outras versões apenas possuo a da Wii que irei jogar eventualmente.