Capcom Fighting Jam (Sony Playstation 2)

Vamos voltar à Playstation 2 para mais uma adaptação de um jogo de luta em 2D, desta vez um título da Capcom que passou despercebido a muita gente. Lançado originalmente nas arcades em 2004, o jogo acabou por receber conversões para a Playstation 2 e Xbox, no mesmo ano ou em 2005, dependendo da plataforma e região. O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters algures em 2018, mas já não me recordo de todo quanto terá custado, mas seguramente não foi um jogo caro.

Jogo com caixa, manual e papelada

A ideia deste jogo é, uma vez mais, a de misturar lutadores de vários jogos da Capcom, mas ao contrário de outros títulos como a série Marvel vs Capcom, aqui cada lutador herda as mesmas mecânicas de jogo do título de onde se insere. Poderemos então jogar com personagens retiradas do Street Fighter II, Street Fighter III, Street Fighter Alpha, Darkstalkers e do Red Earth, um interessante beat ‘em up exclusivo arcade do qual sinceramente eu nunca tinha ouvido falar. Apesar de vários jogos aqui envolvidos, o elenco até que é algo reduzido com 4 personagens de cada título. Do SF II temos Ryu, Guile, M. Bison e Zanguief, enquanto que do SF Alpha temos o Guy (do Final Fight também), bem como as meninas Karen, Rose e Sakura. Do Darkstalkers temos o Anakaris, Demitri, Felicia e Jedah. O Street Fighter III traz-nos Alex, Chun-Li, Urien e Yun (que precisa urgentemente de uma roupa interior melhor). Por fim o Red Earth traz-nos Leo, um leão antropormófico, Hauzer, um réptil gigante, Hydron, uma estranha criatura marítima e Kenji, um ninja. Sim, ficaram de fora personagens como Sagat, Ken ou Morrigan, se bem que muitas delas aparecem em plano de fundo nas arenas. Ingrid é uma personagem inteiramente nova e que costuma surgir como um boss intermédio e como bosses temos o Pyron de Darkstalkers e o Shin Akuma como boss secreto. A nível de modos de jogo as coisas são super simples, com o arcade, versus para dois jogadores e um modo de treino.

O elenco de personagens (incluindo as 3 desbloqueáveis) é mais pequeno do que se imaginaria

Convém também mencionar que os combates são sempre de dois contra dois, mas sem mecânicas de tag, o objectivo é o de derrotar ambos os oponentes. Mas então a nível de mecânicas como é que isto funciona mesmo? Ao contrário de títulos como os Capcom vs SNK onde todas as personagens poderiam assumir estilos de jogabilidade distintos, aqui estão mesmo presas ao seu jogo de origem. As personagens do Street Fighter II possuem mecânicas baseadas no Super Street Fighter II Turbo, onde os personagens possuem apenas um nível da barra de special, podendo executar Supers quando a mesma estiver no máximo e não podem bloquear golpes aéreos nem usar dash. As personagens do Darkstalkers podem acumular 3 níveis na sua barra de special e executar diversos tipos de combos e golpes poderosos (sinceramente nunca explorei muito esta série). No caso das personagens retiradas do universo Street Fighter Alpha, parecem herdar mecânicas similares às do SFA2 com os seus custom combos. As personagens de Street Fighter III herdam os super arts e a habilidade de parry, já as de Red Earth usam mecânicas novas. Basicamente a sua barra de special assim que estiver cheia pode ser usada para evoluir as personagens e torná-las mais fortes, para além de poderem também serem utilizadas para despoletar alguns golpes especiais. Estas personagens têm também uns blocks poderosos que não consomem energia. Bom, sinceramente eu apenas jogo estes jogos de forma mais casual e todas estas diferentes mecânicas não me fizeram grande diferença, mas compreendo a frustração de fãs que achem o jogo pouco balanceado neste aspecto.

As personagens de Red Earth são gigantes e muito bem detalhadas

A nível audiovisual este jogo é também um saco cheio de misturas. Os cenários são variados entre si, todos eles 2D embora por vezes com um aspecto mais realista e repletos de personagens da Capcom a assistir às lutas, já que não tiveram lugar no elenco final. Já as personagens em si, o resultado final é misto, algo que já se viu várias vezes nos jogos versus da Capcom. As sprites das personagens do Dark Stalkers, Street Fighter Alpha e algumas do Street Fighter II são de menor resolução, com a excepção do Ryu que usa a sprite do Capcom vs SNK 2. Já as do Street Fighter III e Red Earth, jogos desenvolvidos originalmente num hardware superior apresentam muito melhor detalhe. Não que as outras sejam más, mas há uma notória diferença de qualidade. Outra pequena coisa que não gosto muito e a Capcom já o fez antes é o facto de alguns dos projécteis de energia ou explosões já não serem sprites 2D como nos títulos originais, mas sim efeitos gráficos. A banda sonora é no entanto bastante agradável, contendo várias músicas com uma toada mais rock como eu bem gosto!

As diferentes barras de special não é por acaso. As personagens de cada jogo/série possuem diferentes mecânicas!

Portanto este Capcom Fighting Jam é um interessante jogo de luta da Capcom que junta várias personagens de diferentes universos dentro da gigante nipónica. Mas para além de juntar personagens de diferentes séries/jogos, as mesmas herdam também exclusivamente mecânicas dessa série. Essa decisão foi algo que não agradou aos fãs pois deixaram várias personagens muito pouco balanceadas entre si, para além do facto de o elenco de personagens jogáveis (e desbloqueáveis) ser consideravelmente curto quando comparado com outros jogos versus da mesma época.

Kurohyou 2: Ryu ga Gotoku Ashura Hen (Sony Playstation Portable)

Na minha demanda para reduzir drasticamente o meu backlog da série Yakuza/Like a Dragon, ao longo do último mês e meio fui jogando aos poucos este Kurohyou 2 (Yakuza Black Panther 2), um spin-off da série principal e exclusivo da portátil da Sony. Tal como o seu antecessor, este é um exclusivo PSP e nipónico também, onde controlamos o mesmo protagonista e herda muitas das particularidades do lançamento original. A mesma equipa que traduziu o primeiro jogo lançou também um patch de tradução deste segundo, embora infelizmente ainda não esteja perfeito, nem finalizado, pelo que acabei por me focar mais na história principal e apenas algumas das sidequests. O meu exemplar foi comprado no eBay algures em Abril de 2021, tendo-me custado algo à volta dos 15€.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

A narrativa coloca-nos uma vez mais no papel de Tatsuya Ukyo, que havia passado um ano a lutar no estrangeiro, voltando uma vez mais a Kamurocho e prestes a assinar um contrato profissional. No entanto, acaba por se envolver uma vez mais no Dragon Heat, a tal arena de lutas ilegais que foi tema central da narrativa do primeiro jogo. Sob uma nova gestão, o Dragon Heat agora emprega jovens adolescentes dos quais Tatsuya acaba por simpatizar. No entanto, surgem outros rufias da zona de Kansai que começam a causar imensos problemas em Kamurocho e causam também problemas para os jovens lutadores do dragon heat. Tatsyua decide então abdicar da sua carreira profissional de lutador para ajudar os miúdos do novo dragon heat a ultrapassarem este novo desafio. Infelizmente uma vez mais não acho a narrativa deste jogo tão boa como na série principal, no entanto acaba por ser ligeiramente melhor que no jogo anterior, na minha opinião. Mas por exemplo, a maneira como apresentaram o líder da empresa para a qual Tatsuya iria trabalhar, dava a entender que ele seria uma pessoa perigosa e nos daria problemas mais tarde, mas desde que Tatsuya decidiu abandonar a sua carreira profissional, nunca mais ouvimos falar no homem…

As cut-scenes são todas narradas com voice acting e mantêm o mesmo estilo artístico do seu antecessor

A nível de jogabilidade este é também um jogo que vai buscar muita coisa ao seu antecessor. Por um lado mantém a mesma vertente de exploração de Kamurocho da série principal, com todas as diferentes sidequests e actividades que nos podemos envolver (incluindo os diferentes empregos part time com mini-jogos associados). A maior diferença aqui é que podemos também explorar a zona de Sotenbori. De resto, no combate o jogo já tem várias diferenças consideráveis face à série principal, com os combates a serem muito mais focados no 1 contra 1 (embora por vezes possamos lutar contra 2 ou 3 adversários em simultâneo) e aí o jogo herda todos os controlos e mecânicas do seu antecessor directo da PSP. Ou seja, poderemos direccionar os nossos golpes para diferentes zonas do corpo do adversário e temos também de ter atenção a eventuais lesões que podemos sofrer, para além da nossa barra de vida. Combater, comer ou concluir sidequests dão-nos pontos de experiência que podem posteriormente serem utilizados para melhorar vários stats da nossa personagem. Para além disso, vamos poder desbloquear e alternar entre diversos estilos de luta, cujos também podem ser evoluídos com base em experiência de combate apenas e esse processo aqui até foi mais simplificado. De resto contem também com ocasionais sequências de perseguição (que se bem me recordo foram introduzidas no Yakuza 3), assim como encontros fortuitos para salvar civis de serem assaltados ou meninas molestadas.

Também tal como no seu antecessor, temos de ter em atenção ao dano sofrido em certas zonas do corpo

A nível audiovisual esta sequela segue também o mesmo estilo do seu antecessor, com os cenários a serem todos pré-renderizados, excepto durante os combates, onde as “arenas” já são todas renderizadas em 3D poligonal, com a desvantagem de serem poucas. Ou seja, dependendo da zona do mapa onde estivermos quando o combate é iniciado, iremos para uma arena específica. De resto as personagens como um todo vão tendo um nível de detalhe interessante para uma PSP, sendo especialmente bem detalhadas precisamente durante os combates. A narrativa vai sendo avançada com cut-scenes do estilo banda desenhada idêntico ao do primeiro jogo, sendo também muitas vezes mais longas do que eu gostaria. O voice acting no entanto parece-me bastante competente. A banda sonora vai tendo alguns temas mais electrónica e rock nalguns combates, mas está com um foco bem maior no hip-hop desta vez, o que eu sinceramente dispensaria, mas de certa forma compreende-se.

Há um novo mini jogo nas arcades, inspirado pelo Yakuza Dead Souls!

Portanto para quem gostou do primeiro Kurohyou irá certamente gostar desta sequela visto que herda todas as mecânicas do original, melhorando certos aspectos e introduzindo também algumas coisas novas. Eu pessoalmente acho ambos os jogos da PSP uns bons furos abaixo da série principal, principalmente pela narrativa não ser tão envolvente. De resto, devo também sublinhar que apesar do conteúdo principal ter sido completamente traduzido, o patch de tradução em si ainda está longe de ser o final. Para além de algum conteúdo opcional ainda não ter sido traduzido (actividades relacionadas com clubes nocturnos uma vez mais), existem também alguns problemas que poderão levar a crashes após certas lutas. No caso de o jogarem com o emulador PSPP ainda poderão ter outras limitações, pelo que recomendo uma leitura atenta ao readme incluído com o patch.

Ghostwire Tokyo (Sony Playstation 5)

Depois do Astro’s Playroom, pequeno jogo que vem incluído em todas as Playstation 5 e que decidi experimentar devido ao sucesso que Astrobot está a ter, foi tempo de estrear a mais recente consola da Sony com um jogo “a sério”. E dos jogos que já tenho na colecção para este sistema, poucos são os que não têm quaisquer ligações com outros títulos anteriores, pelo que decidi então optar pelo Ghostwire Tokyo, um jogo da Tango Gameworks, outrora fundada por Shinji Mikami. O meu exemplar foi comprado em Setembro do ano passado numa das promoções da Worten de “leve 3 pague 2”, com o seu preço final a ter ficado próximo dos 20€.

Jogo com caixa e folheto com as instruções básicas

Este Ghostwire Tokyo é então um jogo bastante original, na medida em que é um open world e todo ele é jogado na primeira pessoa. Até aqui nada de completamente original, mas digamos que o jogo tem uma fortíssima ligação à cultura japonesa. Não só porque exploramos toda a zona de Shibuya em Tóquio, mas também porque iremos lidar com imenso folclore sobrenatural próprio da cultura japonesa. Isto porque nós controlamos um jovem rapaz (de nome Akito) que estava a caminho de visitar a sua irmã mais nova no hospital, quando se vê envolvido num acidente e estava prestes a morrer. Entretanto um espírito sobrevoa a zona do acidente e decide possuir Akito. Nessa altura também surge um espesso nevoeiro que envolve toda a cidade, todas as pessoas desaparecem misteriosamente, sendo transformadas em espíritos, para depois serem capturadas por bizarras criaturas. Acontece que quem possui Akito é o espírito de um antigo detective que estava a investigar o vilão por detrás deste acontecimento e lá acabaremos então por explorar Tóquio em busca de respostas.

É ao libertar estes templos que iremos desbloquear mais áreas para explorar

Mas tal como em outros jogos de acção open world, o mundo vai ser aberto à medida em que vamos progredindo. O nevoeiro é-nos nocivo, pelo que teremos de libertar pequenos templos shinto que estão espalhados ao longo de toda a cidade. Sempre que o fizermos, parte do nevoeiro é dissipado, permitindo-nos assim explorar um pouco mais. E tal como muitos jogos open world o fazem, o que não faltam aqui são coleccionáveis para apanhar (a sério, há mesmo muitos), assim como várias outras missões opcionais que poderemos ir desbloqueando. A exploração e combate é todo na primeira pessoa, mas ao contrário de outros videojogos recentes aqui não há grandes armas. O que iremos utilizar quase sempre são as nossas mãos, pois ganhamos o poder de disparar raios de energia. À medida que vamos avançando no jogo iremos desbloquear “armas” de outros elementos, tendo começado com o vento, para desbloquear em seguida a água e fogo. A única arma a sério que iremos eventualmente desbloquear é um arco e flecha e iremos também obter vários talismãs que poderemos utilizar em combate, seja para temporariamente paralizar os inimigos, seja para nos ajudar a fugir de algum combate, entre muitos outros efeitos diferentes.

O design dos inimigos é bastante original!

Os combates e missões recompensam-nos com experiência que por sua vez nos vai fazendo subir de nível como num RPG. Sempre que isso acontece ganhamos também skill points que poderemos posteriormente utilizar em várias skills distintas, tanto de combate, como exploração. Coleccionar certos objectos ou capturar yokai (criaturas místicas do folclore nipónico) podem-nos também trazer skill points adicionais ou pedras magatama, que por sua vez nos podem desbloquear certas skills da árvore. Ou seja, algum do conteúdo opcional e coleccionável é mesmo necessário para que consigamos eventualmente evoluir a nossa personagem ao máximo. Os coleccionáveis mais abundantes são espíritos de pessoas que podem também ser capturados e libertados em cabines telefónicas (não me perguntem como é que isso funcionaria no mundo real) e são também uma óptima maneira de obter experiência e dinheiro sempre que o fizermos. Ora eu não completei o jogo a 100% embora tenha apanhado todos os coleccionáveis “importantes” e mesmo assim gastei mais de 40 horas neste jogo, o que não estava mesmo à espera.

Adoro o facto das luzes da rua mudarem de cor consoante o grau de “alerta” dos inimigos

Mas a verdade é que o jogo foi sempre bastante agradável de se jogar porque tanto a exploração e combate estão bem feitos. Por exemplo, desde cedo que ganhamos a habilidade de planar pelo ar, o que nos irá permitir explorar os telhados da cidade de forma rápida. Já no combate, temos várias maneiras de abordar os mesmos, seja com furtividade, seja com agressividade e mesmo assim o tipo de “armas” e habilidades que temos à nossa disposição é consideravelmente vasto. Confesso que, como tenho apanhado todos os coleccionáveis nos Assassin’s Creed que tenho jogado até à data, também me senti tentado em apanhar os restantes que me faltaram no final da aventura, mas acabei por não o fazer porque o meu backlog é gigante. De resto, com o lançamento deste jogo na Xbox um ano após o lançamento original, a Tango Gameworks decidiu incluir algum conteúdo adicional na forma de um DLC chamado “The Spiders Thread“. Felizmente na PS5 isso é também conteúdo gratuito e mesmo sem querer, acabei por o experimentar em parte. Isto porque o DLC é dividido entre duas categorias: novos inimigos, missões, áreas a explorar e habilidades para desbloquear no mapa de jogo normal (e claro, mais coleccionáveis ainda) e um modo de jogo completamente distinto. Desse conteúdo novo para o mapa normal destaco mesmo as missões opcionais, que são consideravelmente diferentes das restantes. O novo modo de jogo confesso que não o cheguei a experimentar porque sinceramente não me interessou muito. Pelo que li, é um modo roguelike, onde temos uma dungeon repleta de níveis aleatórios, inimigos e itens aleatórios e missões para cumprir.

A imensidão de coisas que temos para fazer se o desejarmos. Felizmente dá para customizar muitos dos ícones que queremos que apareçam, assim como limpar o mapa de objectivos já cumpridos.

A nível audiovisual devo dizer que gostei do jogo, embora sinceramente não tenha visto ali nenhum motivo pelo qual justificasse que este fosse um exclusivo da geração actual de consolas. Acho que a PS4 o conseguiria correr sem problema, mesmo que se tivesse de sacrificar algumas pequenas coisas. Dito isto, e como tenho um certo fascínio pela cultura japonesa, foi fantástico poder percorrer as ruas de Shibuya! No entanto, para os que quiserem explorar tudo ao detalhe, vai ser um pouco complicado conseguir discernir entre as ruas que já visitamos e as que não, dadas todas as suas semelhanças. O design dos inimigos está muito bom e de resto só tenho mesmo a queixar-me de o jogo ser demasiado escuro, mas isso também pode ser problema das definições de HDR da minha TV. Confesso que a música me passou completamente despercebida ao longo do jogo, visto que a banda sonora é muito ambiental, o que até resulta bem tendo em conta o contexto. Já o voice acting é excelente e apesar de termos a opção de vozes em inglês, obviamente que preferi ouvir o elenco original. Até porque é um jogo que se passa no Japão, pelo que não faria sentido nenhum se fosse de outra forma! De relevante também dizer que este jogo utiliza bem a coluna do dualsense. A voz de KK tanto sai do comando como da TV e sempre que nos aproximamos de algum inimigo começa a soar o ruído de estática, o que resulta bastante bem para uma maior tensão!

É com estes passarinhos de papel que podemos absorver os espíritos para os depois libertar em cabines telefónicas. São apenas 240000 (não me enganei no número de zeros) ao todo!

Portanto, e apesar de ter gasto bem mais horas neste jogo do que o que estava inicialmente a prever (minha culpa por não me ter apercebido antes que este é um open world), acabei por me divertir bastante com este jogo, mesmo que por vezes possa ter sido um pouco repetitivo dada a imensidão de território a explorar. Ainda assim a sua história e mecânicas de jogo aliadas ao folclore nipónico ficaram muito bem conseguidas, pelo que dou as minhas mais de 40h neste Ghostwire Tokyo muito bem empregues. Por fim devo também salientar que se encontra disponível, para download gratuíto, uma pequeníssima visual novel que serve de prequela ao jogo, intitulada de Ghostwire: Tokyo – Prelude. É mesmo uma VN muito pequena e apesar de ser interessante mostrar um pouco do contexto do KK e seu grupo de amigos, poderiam ter ido um pouco mais longe e expandir mais a história. Mas é gratuito, não nos podemos queixar.

Astro’s Playroom (Sony Playstation 5)

Recentemente comprei uma Playstation 5 e antes de começar a jogar algo que já tinha em backlog para esse sistema, resolvi espreitar o Astro’s Playroom, muito devido ao sucesso que a personagem está a ter dentro da comunidade com o seu mais recente jogo, lançado há algumas semanas atrás. E ainda bem que o fiz, pois apesar deste ser um jogo curto, é uma excelente demo técnica que demonstra todas as capacidades do comando Dual Sense e é também um óptimo jogo de plataformas em 3D.

O Astro não é uma personagem nova, pois o mesmo já havia sido introduzido no Astro Bot Rescue Mission, um jogo exclusivo para o PS4 VR, portanto acabou por me passar completamente despercebido. Por outro lado, todos estes tipos de robots já haviam antes sido introduzidos no The Playroom, um outro pequeno jogo gratuito e incluído em todas as Playstation 4 e que uma vez mais me acabou também por passar completamente ao lado.

Como rapidamente poderemos observar, o jogo está repleto de referências a personagens de videojogos da Sony, ou de outrora exclusivos da plataforma, como é o caso do Solid Snake

Este Astro’s Playroom é então um jogo de plataformas em 3D, onde teremos de visitar 4 mundos distintos, cada um representativo de um elemento de hardware presente em qualquer computador/consola, como o CPU, GPU, RAM e armazenamento. Cada um desses mundos está dividido em 4 níveis, onde poderemos também encontrar uma série de coleccionáveis, sejam peças de puzzle, ou artefactos especiais, que são nada mais nada menos que consolas da Sony ou alguns dos seus periféricos oficiais, como os comandos, cartões de memória, entre outros. Os níveis vão então sendo divididos entre puros níveis de plataforma em 3D, ou níveis onde iremos conduzir diversos tipos de robots diferentes, cada qual com diferentes mecânicas.

Como em bons jogos de plataformas em 3D, existem vários caminhos secretos para descobrir que geralmente nos recompensam com algum coleccionável

Um desses robots enrola-nos numa bola e conduzimos o Astro ao usar o touchpad do comando, outro é um macaco que é usado para escalar paredes e devemos utilizar os sensores de movimento do comando em conjunto com os triggers para fazer com que Astro se vá agarrando às diferentes superfícies. Outra é um sapo que também usa o sensor de movimento para mudar a direcção dos saltos e por fim temos um outro robot que é um foguetão. Os triggers controlam a propulsão, enquanto que o sensor de movimento orienta o foguetão. Ocasionalmente teremos também alguns bosses para derrotar e uma vez completos todos os níveis, é-nos revelado um nível extra onde iremos enfrentar um boss final.

Ocasionalmente teremos alguns bosses para enfrentar e neste nível em particular dão-nos um arco e flecha, o que acrescenta sempre algumas novas mecânicas de jogo

Para além de tudo isto, vamos tendo também a possibilidade de jogar certos desafios de speedrun, bem como visitar um museu (Sony Labo) onde todas as consolas da Sony e respectivos artefactos que desbloqueamos vão sendo apresentadas. As peças dos puzzles vão preenchendo grandes murais que estão nas paredes e como se não fosse suficiente, nesse museu temos ainda um minijogo do estilo gatcha, onde poderemos gastar as moedas que vamos coleccionando ao longo do jogo para comprar cápsulas coloridas que nos podem oferecer as restantes peças do puzzle, outros artefactos ou figuras coleccionáveis.

Quatro robots a jogarem as suas PSVita… o jogo está repleto de pequenos detalhes como este!

Visualmente o jogo está muito bom, com mundos bastante diversificados entre si, super coloridos e muito bem detalhados. E é precisamente em toda a atenção ao detalhe que me deixou fascinado, pois ao longo de todo o jogo iremos ver muitos outros robots amigáveis espalhados pelos níveis, muitas vezes representando personagens de outros videojogos, tanto da Sony (como Horizon, God of War, etc) como de muitas outras empresas que lançaram clássicos nos sistemas da Sony, como é o caso do Final Fantasy VII, Silent Hill ou Tekken. Os mundos estão também repletos de outros detalhes da Sony, sejam flores com as formas dos botões faciais dos comandos da Playstation (X, O, quadrado e triângulo), bem como ocasionalmente teremos plataformas na forma de cartões de memória, comandos Sony ou até CDs. A banda sonora também vai sendo bastante diversificada e com músicas bastante orelhudas e que ficam no ouvido.

Ocasionalmente o jogo obriga-nos a controlar diferentes mechas, cada qual com diferentes mecânicas de jogo e que requerem ou o touchpad, ou o sensor de movimento

Em suma, todo este jogo é uma homenagem à marca Playstation, desde a primeira Playstation lançada originalmente em 1994 até à Playstation 5. Tudo isto acompanhado com um jogo de plataformas em 3D super interessante e repleto de coleccionáveis para ir apanhando. No entanto, apesar de ser uma sólida demo técnica que demonstra as capacidades do Dual Sense, continuo a não ser um grande fã das mecânicas que requerem o sensor de movimento ou o touchpad.

Dark Cloud (Sony Playstation 2)

Recentemente fui desafiado pelos meus colegas do TheGamesTome a jogar mais um título da minha colecção, que já estava em backlog há muitos anos. A escolha foi nada mais nada menos que este Dark Cloud, um action RPG muito peculiar e lançado também ainda no início do ciclo de vida desta consola. É também o primeiro jogo da Level 5, que viria a desenvolver mais uns quantos RPGs e outros jogos não só na PS2, mas em muitos outros sistemas até aos dias de hoje. O meu exemplar foi comprado numa CeX algures em Novembro de 2016, aquando de uma longa viagem de trabalho à cidade de Belfast, na Irlanda do Norte. Custou-me 18 libras. E como sempre quando trago cá um artigo da rubrica Backlog Battlers do nosso podcast, deixo-vos cá o vídeo dessa mesma edição, onde me poderão ouvir a falar deste jogo.

O jogo leva-nos então a encarnar no jovem Toan, habitante da aldeia de Norune que havia sido destruída por um poderoso e maléfico génio, que por sua vez havia sido libertado por um grande império distante que ambicionava controlar o mundo. No entanto, Toan encontra o Fairy King, que lhe diz ter poderes para restaurar a sua aldeia e os seus habitantes, mas para isso teremos de recolher toda uma série de esferas mágicas espalhadas numa caverna ao lado da sua aldeia. E iremos ter de fazer o mesmo nas aldeias/cidades vizinhas, o que nos irá também fazer avançar na narrativa e eventualmente lá teremos de enfrentar o tal génio.

Jogo com caixa, manual e papelada

Dark Cloud é um jogo muito peculiar, com elementos ligeiros de RPG e de um roguelike, mas também de “city builder” visto que vamos ter bastante liberdade de restaurar as diferentes localizações que vamos encontrando. Mas vamos por partes e focarmo-nos primeiramente na exploração e combate. Ora as dungeons que exploramos são aleatórias e o objectivo principal é sempre o de encontrar uma chave que nos permita desbloquear a saída para o nível seguinte, sendo que entre níveis temos sempre a possibilidade de regressar à aldeia/cidade mais próxima para gravar o progresso no jogo ou comprar reabastecer os nossos mantimentos e retomar a exploração da dungeon no novo nível que desbloqueamos, ou revisitar um dos antigos, que uma vez mais será completamente aleatório. Até aqui tudo bem, mas este Dark Cloud é um jogo algo complexo nas primeiras vezes em que o jogamos devido às restantes mecânicas de jogo. Isto porque temos de ter em conta não um, mas três diferentes barras de energia: os nossos pontos de vida, pontos de vida da arma equipada e a sede. Sim, o jogo obriga-nos a ter sempre água à mão para não corrermos o risco de desidratação, o que nos irá diminuir os nossos pontos de vida.

O génio causador de toda esta destruição. Quaisquer semelhanças com o Majin Boo são mera coincidência

Em relação às armas, como já devem ter compreendido, estas têm uma duração limitada, pelo que também devemos ter isso em consideração e comprar vários itens que as reparem. E isso é fundamental neste jogo, pois uma arma que se parta desaparece para sempre do nosso inventário, excepto a arma por defeito de Toan (e de outras personagens que eventualmente iremos desbloqueando). Isto para mim foi a parte mais aborrecida do jogo, especialmente nos primeiros níveis pois as armas acabam por sofrer dano muito rapidamente. De resto, à medida que exploramos as dungeons vamos poder encontrar também toda uma série de itens ou armas adicionais. Muitos dos itens que encontramos são objectos “anexáveis” às nossas armas, que lhes poderão conferir melhores atributos como agilidade, ataque, resistência, aumentar danos elementais ou contra certos tipos de inimigos. À medida que vamos combatendo (e garantindo que as nossas armas não se partem), estas vão ganhando pontos de experiência. Quando a barra de pontos de experiência da arma equipada estiver cheia, poderemos evoluí-la e a parte interessante é que o primeiro item equipado na arma é também absorvido pela mesma quando esta sobe de nível, herdando assim os seus atributos. Por outro lado, evoluindo as mesmas armas e os seus atributos consecutivamente, podemos eventualmente conseguir fazer uma de duas coisas: evoluir a arma para outra melhor, ou transformá-la num objecto anexável, que retém a maioria das suas propriedades originais, tornando-se assim num “customizável” poderoso para uma outra arma que queiramos evoluir rapidamente. Sim, são conceitos um pouco confusos e inicialmente eu também estava com alguma dificuldade em os absorver a todos, mas eventualmente lá se fez o “clique”.

É fortemente aconselhado trancar a câmara nos inimigos para os combater

De resto, o combate em si é todo em tempo real e ao explorar com cuidado, conseguimos na maior parte das vezes lutar apenas contra um inimigo de cada vez, o que é bastante útil visto que poderemos trancar a câmara nos inimigos e assim conseguir melhor evadir dos seus ataques e explorar as suas fraquezas. Para além de Toan, iremos desbloquear 5 outras personagens diferentes, cada qual com diferentes armas equipáveis e habilidades, sendo que metade das personagens usam armas que disparam projécteis, já a outra metade (incluindo Toan), usa apenas ataques corpo-a-corpo. Cada personagem possui também algumas habilidades que nos permitem atravessar certas zonas nas dungeons. Por exemplo, Xiao, a primeira personagem que se junta a nós, consegue saltar pequenos abismos enquanto que Goro, a personagem seguinte que se junta a nós, pode usar as suas armas para abrir certos tipos de passagens e por aí fora. Convém também referir que cada nível das dungeons possui também uma “porta traseira”, que nos dá acesso a zonas completamente opcionais, mas com inimigos muito mais fortes (que nos dão mais experiência) e itens mais raros. Mas tal como muitos roguelikes, tudo é aleatório e nem sempre conseguimos encontrar as chaves que nos desbloqueem essas zonas secretas.

Os níveis das dungeons podem ou não ter alguns locais com água. Se as tiverem são extremamente importantes pois podemos restabelecer os nossos níveis de água e de vida ali sem qualquer custo.

O outro objectivo principal da exploração das diferentes dungeons é o de collecionar todas as atla, as tais esferas mágicas que retêm as casas, objectos e habitantes das diferentes aldeias/cidades que iremos explorar. As casas, seus objectos e habitantes podem então serem restaurados e interagindo com os habitantes poderemos também ouvir alguns dos seus pedidos. Por exemplo, certas pessoas preferem estar longe/perto de outras, já outras querem estar em locais elevados, perto de água, entre outros pedidos. À medida que vamos restaurando as aldeias/cidades e também atender aos pedidos dos seus habitantes vamos sendo recompensados com tesouros espalhados pelas localidades e também dentro dos edifícios que vamos restaurando. É com estas recompensas que poderemos encontrar muitos dos itens raros que podem fortalecer as nossas personagens, desde aumentar a sua defesa, pontos de vida e a barra de sede de cada uma. Portanto reconstruir as cidades e garantir que cumprimos a vontade dos seus habitantes é também uma prioridade a ter em conta!

Cada nível tem também uma entrada secreta para uma zona opcional onde os inimigos são muito mais fortes e as recompensas maiores, mas precisam de itens próprios para serem desbloqueados e esses, tal como seria de esperar, são aleatórios.

A nível audiovisual este jogo é ainda consideravelmente simples. Não há uma grande variedade de cenários (são 6 ao todo) e os inimigos apesar de serem algo variados são também bastante simples no seu detalhe e o mesmo acontece nas localidades que exploramos/restauramos. A música é no entanto bastante agradável. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros do jogo, mas senti a falta de um voice acting. Sendo este um jogo onde passamos a maior parte do tempo a explorar dungeons (e iremos repetir vários níveis só para evoluir as armas das nossas personagens), não tem assim tanto diálogo quanto isso pelo que seria interessante haver algum voice acting. Tal foi a minha surpresa quando no fim do jogo vemos algumas pessoas a serem creditadas por dar a sua voz, pelo que pelo menos na versão original japonesa acredito que o voice acting exista, mas acabou por não ser incluído nesta versão europeia. Visto que este jogo é multi-lingua nos seus textos, aceitaria de bom grado as vozes originais em japonês! No entanto aparentemente as versões ocidentais deste Dark Cloud incluem alguns melhoramentos e conteúdo adicional não existente no lançamento original, como é o caso da Demon Shaft, uma dungeon opcional desbloqueável no fim do jogo.

Dark Cloud é um jogo com muitas mecânicas e subsistemas complexos, mas felizmente as primeiras horas de jogo vão ter vários tutoriais que nos ajudam.

Portanto este Dark Cloud é um jogo interessante por todos os diferentes conceitos que apresenta. É no entanto um jogo também algo frustrante e complexo, particularmente nas primeiras horas de jogo, enquanto não nos habituamos a todas estas mecânicas de jogo aqui introduzidas. Abastecer com mantimentos certos como alimentos, água e acima de tudo itens que reparem as armas será mandatório, mas no início do jogo dificilmente temos dinheiro suficiente para manter um inventário saudável. De resto, o Dark Cloud foi disponibilizado em 2015 na PS4 em forma digital, com upscales gráficos, troféus e outras novas funcionabilidades. Para além disso, deu também origem ao Dark Chronicle, seu sucessor espiritual lançado dois anos depois. Estou curioso em ver como a Level-5 evoluiu as mecânicas e conceitos nessa sequela!