Metroid (Nintendo Entertainment System)

Siga para mais um clássico, onde infelizmente já analisei alguns dos seus sucessores que melhoraram em muito a sua fórmula. Mas vamos fazer de conta que estamos em 1986/87 e obras de arte como Super Metroid ainda não existiam! O meu exemplar foi adquirido em 2 fases. A caixa (original) foi-me oferecida por um colega de trabalho algures no final de 2016. Já o cartucho foi comprado a um particular algures em Maio deste ano. Creio que me custou algo entre os 30 e 35€.

Jogo com caixa

O jogo introduz-nos pela primeira vez ao universo Metroid, onde encarnamos em Samus Aran, uma caçadora de prémios que investiga o planeta Zebes em busca dos Space Pirates, que por sua vez estavam a fazer experiências com os Metroids, poderosas criaturas de natureza parasita com potencial para servirem de armas biológicas. Samus Aran é um nome algo ambíguo e na altura ninguém sabia que Samus era de facto uma mulher, algo que é revelado no final do jogo, pois mediante a nossa performance, Samus retira o capacete ou o seu fato completo, revelando assim o seu género.

A morph ball é logo o primeiro power up que podemos encontrar. É que se não o apanharmos e usarmos, nem conseguimos sair daquela sala.

Mas vamos para a jogabilidade. Metroid foi um jogo bastante inovador para a época. Ao contrário de Super Mario Bros, que também foi inovador por variadíssimas razões, este é também um jogo de acção e plataforma, mas com um conceito muito diferente. Aqui temos um planeta inteiro para explorar livremente, podendo atravessar ecrãs em qualquer direcção, enquanto que no SMB apenas tínhamos scrolling da esquerda para a direita. Mas para além disso, o jogo ultimamente acaba também por nos obrigar a fazer imenso backtracking. Isto porque muitas vezes chegamos a um sítio e nos apercebemos que não conseguimos abrir uma porta, ou alcançar uma saída até então inalcançável. Ao explorar os cenários vamos encontrando vários itens que nos conferem novas habilidades que nos permitem então progredir mais. Por exemplo, as portas que dividem as salas nos mapas são tipicamente azuis. Ao disparar a nossa arma contra as mesmas, elas abrem. No entanto eventualmente lá nos deparamos com uma porta vermelha que não conseguimos abrir de maneira nenhuma. A solução? Procurar o addon dos mísseis para a nossa arma, que já nos irá permitir abrir as portas vermelhas.

Se a nossa performance for suficientemente boa, no final do jogo somos recompensados com a Samus em trajes menores.

Vários são os itens que nos conferem habilidades adicionais e assim avançar mais no jogo como é o caso da morph ball, que nos permite enrolar como uma esfera e assim atravessar túneis estreitos, bombas que podemos largar quando estamos transformados na morph ball, diferentes beams e armaduras que podemos equipar, entre muitos outros. Para além disso existem inúmeros segredos para descobrir, como expansões de mísseis ou de energy tanks escondidas nos cenários. Só é pena que o jogo não possua um sistema de inventário como os seus sucessores, pois aqui se quisermos re-equipar uma arma antiga, temos de fazer backtracking até à sala onde ela está disponível e substituí-la pela arma que tivermos actualmente equipada. Isto é um pouco chato, até porque para terminar o jogo teremos mesmo de recuperar o Ice Beam, que permite congelar os Metroids para que depois os consigamos derrotar com mísseis (a única forma que temos de os matar!).

A nível audiovisual, não deixa de ser um grande jogo para a NES, principalmente pela banda sonora. A introdução da faixa-título é provavelmente das melodias mais sombrias que a Nintendo alguma vez criou, e todo o jogo tem uma atmosfera de solidão profunda, à medida em que exploramos um planeta desconhecido e repleto de criaturas que só nos querem tirar a vida. As inspirações do Alien parecem-me óbvias na atmosfera que o jogo tenta transparecer. A nível gráfico é uma versão competente para a NES, embora naturalmente que as sequelas acabaram por introduzir muito mais detalhe nos cenários e inimigos. A performance não é das melhores, nota-se algum slowdown quando há muita coisa a acontecer no ecrã em simultâneo, mas não me incomoda assim tanto.

O jogo tem também um sistema de passwords onde uma delas nos deixa precisamente jogar com a Samus sem a sua armadura.

Portanto, este acaba por ser um excelente jogo para a NES e que nos deixou um legado importantíssimo, não só para as suas sequelas directas, como inspirou muitos outros videojogos que são aclamados pela crítica e fãs até aos dias de hoje. Para além desta versão, em 2004 foi lançado para a Gameboy Advance um excelente remake intitulado Metroid: Zero Mission que, para além de todas as melhorias gráficas e sonoras, traz muitas das melhorias de jogabilidade que vimos nas sequelas como Super Metroid ou Metroid Fusion.

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F-Zero X (Nintendo 64)

Escrever algo sobre este jogo depois de já o ter feito para o F-Zero GX torna-se uma tarefa algo ingrata pois o clássico da Game Cube é uma evolução a todos os níveis deste jogo lançado para a Nintendo 64. Mas vamos lá na mesma! O meu exemplar foi comprado algures em 2015 numa ida à feira da Ladra em Lisboa, veio num bundle de vários jogos em caixa de Nintendo 64 e que me custou algo entre os 2.5€ e 3€ se bem me recordo.

Jogo com caixa, manual e papelada

O F-Zero original foi um dos jogos de lançamento da Super Nintendo e ilustrava da melhor forma um dos efeitos gráficos que a consola era capaz de fazer, o mode 7. Mas claro, para além disso possuia uma jogabilidade frenética e desafiante! Sem contar com os follow ups lançados também para a SNES apenas em solo japonês através do serviço Satellaview, F-Zero X foi a primeira sequela real do primeiro jogo. Desta vez com circuitos inteiramente em 3D, a Nintendo esmerou-se e o jogo evoluiu de uma forma bem interessante, principalmente contando que já tínhamos no mercado outros concorrentes como a série Wipeout ou Hi-Octane da Bullfrog.

Desta vez temos muitas mais novas personagens e naves no universo F-Zero

Vamos começar com os modos de jogo disponíveis. O principal é o Grand Prix, onde poderemos participar em diversos campeonatos com 6 circuitos cada, onde teremos de correr 3 voltas contra 30 oponentes em cada pista. Inicialmente podemos competir em apenas 3 campeonatos (Jack, Queen e King) cuja dificuldade nos circuitos vai aumentando progressivamente. Depois desbloqueamos o campeonato Joker e por fim o campeonato X, este último com 6 pistas geradas aleatoriamente! Nos campeonatos o objectivo é chegar sempre nos primeiros lugares, de forma a amealharmos o máximo de pontos possível para que no fim das 6 corridas sejamos o piloto com mais pontos. Antes de começar cada campeonato, podemos também escolher o grau de dificuldade, que se traduz no nível de agressividade dos nossos 29 oponentes, bem como o número de vidas/naves disponíveis por corrida. Número de vidas? Como assim? Bom, nós temos uma barra de energia que se vai detiorando à medida em que embatemos nas bermas da pista ou sofremos colisões com os adversários. Se essa barra de energia se esgotar, a nave é destruída. Para além disso, há também a hipótese de sermos projectados para fora da pista, pelo que lá se vai mais uma vida.

Jogar contra 29 oponentes sedentos de sangue em circuitos caóticos é um desafio e pêras!

E jogar este F-Zero X em níveis superiores de dificuldade mostra-se mesmo uma tarefa hercúlea pois os oponentes não nos dão tréguas nenhumas. Já achava impressionante este jogo conseguir ter 30 naves em simultâneo no ecrã, então se forem todos bem agressivos, o desafio é bem grande e temos mesmo de conhecer as pistas ao pormenor e tirar proveito da jogabilidade, seja com os drifts em curvas mais apertadas, seja com o uso inteligente dos turbos. Os turbos ficam disponíveis no fim da primeira volta na corrida, mas ao os usarmos vamos esvaziando a nossa barra de energia, pelo que temos mesmo de os usar com cuidado!

Os outros modos de jogo são fáceis de depreender do que se tratam. Temos o Time Attack onde o objectivo é mesmo o de fazer o melhor tempo possível nos circuitos, o Practice onde poderemos treinar a nossa performance nos circuitos, o versus é o modo multiplayer que pode ser jogado com até 4 jogadores em simultâneo. Por fim temos o Death Race que é uma espécie de corrida deathmatch onde o objectivo é o de eliminar todos os adversários.

Infelizmente toda a fluídez do jogo teve um preço, os gráficos tiveram de ser algo sacrificados

No que diz respeito à performance do jogo e seus audiovisuais… bom, em primeiro lugar é notório que este é um jogo bastante fluído e que corre a 60fps. No entanto tudo isso teve como sacrifício os gráficos que não são nada do outro mundo. Os circuitos possuem texturas muito simples e um nevoeiro que disfarça um pouco o pop-in dos cenários e outras imperfeições gráficas. Mas o que é certo é que o jogo possui uma jogabilidade excelente e as velocidades que atingimos são mesmo estonteantes! Por outro lado a banda sonora também se revelou numa excelente surpresa, pois ao contrário de tudo o que esperava da Nintendo, esta banda sonora é toda composta por hard rock/metal para homens de barba rija! Até alguns riffs de thrash e death metal (incluindo vozes guturais) podem aqui ser ouvidos! Espectacular (para o meu gosto, claro)!

Usar os turbos nas alturas certas é uma das chaves para o sucesso!

Portanto, apesar dos sacrifícios gráficos que tiveram de ser feitos em prol da jogabilidade e fluidez de jogo, este F-Zero X é um excelente jogo para a Nintendo 64. Possivelmente o seu melhor racer! No Japão ainda assistimos ao lançamento do F-Zero X Expansion Kit para o interessante add-on Nintendo 64 Disk Drive que nunca saiu fora de terras nipónicas. Esta expansão incluía, entre outros, vários novos circuitos e editores de pistas e naves! De resto, foi com o lançamento do F-Zero GX que a série atingiu o seu clímax, a meu ver: a jogabilidade frenética, os circuitos caóticos e a fluidez de F-Zero X estão ali presentes, mas com uma melhoria gráfica fantástica. Só fica mesmo a perder pela banda sonora que, apesar de ter alguns influências rock e electrónica, está longe do surpreendente heavy metal de F-Zero X.

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Crystal Warriors (Sega Game Gear)

Eis que, após um longo interregno que abrangeu viagens em trabalho e férias, é tempo de voltar ao artigos aqui no blogue, com mais uma rapidinha para a Sega Game Gear. Crystal Warriors é um interessante, porém modesto, RPG estratégico desenvolvido pela própria Sega para a sua portátil 8bit. O meu exemplar foi adquirido algures entre Maio e Junho, por um intermediário que estava no Reino Unido e me trouxe este cartucho de uma CeX por 5 libras.

Apenas cartucho

O jogo narra a história da princesa de Iris do pacífico reino de Arliel, que por sua vez albergava quatro cristais mágicos que mantinham o balanço do poder naquele mundo. Até que surge um misterioso exército das trevas liderado por Grym que toma Arliel de assalto e consegue obter 3 dos cristais. Só não levou o último pois era a própria Iris que o tinha consigo e estava fora do seu reino aquando do ataque e agora tem as forças de Grym no seu encalce. A aventura vai prosseguindo à medida em que vamos travando batalhas e libertar as aldeias/cidades ocupadas pelas forças inimigas, até que conseguimos finalmente defrontar os comandantes inimigos e assim restaurar a paz na região.

Ao derrotar os monstros acabamos por os recrutar para lutarem ao nosso lado

Na sua essência, este jogo possui mecânicas algo semelhantes a outros RPGs estratégicos por turnos como Shining Force. No nosso turno, podemos seleccionar as nossas personagens (uma de cada vez) e posicioná-las consoante o seu alcance, atacar e usar magias ofensivas ou regenerativas. É um jogo muito simples, mas possui algumas nuances interessantes. Uma delas é o facto dos campos de batalha possuem monstros e soldados inimigos. Os monstros, depois de derrotados, são capturados e podem ser usados posteriormente nos combates seguintes como arma de ataque por parte de quem os capturou, mas uma vez derrotados dessa forma, são perdidos para sempre. Outro detalhe interessante é que os soldados inimigos inicialmente são desconhecidos, surgindo como um boneco anónimo. Só depois de se envolverem em combate é que sabemos da sua identidade. Isso ou usamos o feitiço Scan para desvendar um inimigo de cada vez. No final de cada batalha, visitamos a cidade libertada, onde poderemos visitar uma série de edifícios onde poderemos comprar novas armas, equipamento, feitiço, falar com NPCs, gravar o nosso progresso no jogo, ou mesmo recrutar novos elementos para a nossa party, sendo que em cada batalha poderemos ter um máximo de apenas 9 elementos.

Não podemos deixar que qualquer unidade inimiga alcance a nossa fortaleza, caso contrário é game over

No que diz respeito aos audiovisuais, este é também um jogo simples, apesar de bastante colorido. As personagens possuem quase todas influências arábicas o que não é muito usual em RPGs de fantasia, mas que dá uns laivos de originalidade ao jogo. Por outro lado as animações poderiam ser muito melhores. As músicas são agradáveis, mas nada que tenha ficado propriamente na memória.

Portanto este Crystal Warriors, apesar de não ser um Shining Force (e na Game Gear até temos três!), até dá para entreter. Possui uma jogabilidade simples mas com algumas nuances interessantes e para além do modo história, temos ainda uma vertente multiplayer que permite combates estratégicos entre 2 jogadores com as suas Game Gears ligadas entre si.

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Axelay (Super Nintendo)

Nos anos 90, os shmups eram um dos videojogos mais populares das arcades e não só. A Konami, que com a sua série Gradius revitalizou o género em meados da década de 80, esteve também por detrás deste Axelay, um shooter que parece ter sido desenvolvido tendo unicamente em conta os pontos fortos que a Super Nintendo na altura apresentava face à sua concorrência, o mode 7, rotação de sprites e uma boa banda sonora. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures no passado mês de Julho, numa ida a Lisboa. Custou-me 12€ numa Cash Converters.

Apenas cartucho

O jogo começa com uma interessante cutscene de uma nave espacial gigante a aparecer numa cidade e de repente o mundo já estava em ruínas. Ou seja, naturalmente que começamos a aventura com o cliché habitual: uma civilização extraterrestre toma de assalto uma civilização humana algures no sistema solar de Illis e cabe-nos a nós encarnar no piloto da única nave de combate que resta à civilização e travar este assalto antes que tudo esteja perdido.

Antes de cada nível podemos escolher uma arma de cada tipo para equipar

Se por um lado a história não é nada de original, por outro a jogabilidade é bastante agradável. O jogo vai alternando entre a jogabilidade típica de um shmup vertical e horizontal, sendo que nos níveis verticais há um muito interessante efeito mode 7 que acaba por resultar muito bem e dá uma boa sensação de profundidade. Alguns dos bosses destes níveis verticais ficaram muito bem conseguidos por isso mesmo. Antes de cada nível podemos escolher quais as armas que queremos equipar a nossa nave, embora inicialmente a escolha seja limitada. À medida que vamos progredindo no jogo novas armas vão sendo desbloqueadas, pelo que vamos ter um leque maior à nossa escolha. Quando vamos conhecendo melhor os níveis, vamo-nos apercebendo que algumas armas acabam por resultar melhor nalguns inimigos que noutras, pelo que a decisão de que armas levar connosco em cada nível acaba por ser importante. Depois de termos  3 armas escolhidas podemos alternar entre as mesmas de forma livre, com os botões L e R.

Nos níveis verticais, há um interessante efeito de mode 7 que simula a rotação do planeta!

E se por um lado as armas possuem ataques muito distintos entre si, por outro lado não temos aqui nenhum sistema de power ups e afins. É escolhermos bem as armas que queremos e acabou! Por outro lado o jogo também não é assim tão imperdoável, pois as armas vão servindo de escudo. Ao levarmos um tiro, a arma que tínhamos equipada fica desabilitada e passamos automaticamente para a arma seguinte. Quando se esgotarem as três armas, então sim, lá perdemos uma vida. Se colidirmos com uma nave inimiga a perda de vida é imediata.

Antes de começarmos o jogo temos direito a uma interessante cutscene

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo muito forte nesse patamar. Por um lado por os níveis estarem muito distintos entre si, tanto sobrevoamos desertos como cidades, cavernas e claro, com os últimos confrontos a serem levados para o espaço. O efeito de mode 7 está de facto muito bom nos níveis verticais, dando-nos uma sensação de estarmos mesmo a sobrevoar um planeta com a sua curvatura natural. Nos outros níveis também estão repletos de detalhe, inimigos grandes e igualmente bem detalhados. Como sempre, nos últimos níveis, e se jogado em níveis de dificuldade superiores, por vezes é complicado estar atento a tudo o que se passa à nossa volta: todos os projécteis coloridos dos inimigos, os nossos próprios disparos, os obstáculos dos cenários, e as naves que deixamos passar! No que diz respeito às músicas, este jogo possui uma banda sonora um pouco fora do comum. Geralmente temos música techno ou hard rock, mas aqui as músicas são bem mais calmas e até um pouco jazzy, o que não é habitual. Mas o que é certo é que até resultam bem!

Este boss é impressionante!

Portanto, este Axelay até que é um jogo muito interessante, principalmente se forem fãs de shmups, então passa mesmo a ser um jogo obrigatório na vossa colecção de SNES.

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Dragon Ball Z: Legendary Super Warriors (Nintendo Gameboy Color)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá vos trago hoje é um dos muitos videojogos da saga Dragon Ball que foram sendo lançados ao longo dos anos, se bem que curiosamente seja o único jogo lançado para a Gameboy Color, saindo já numa altura em que a GBA já andava por aí e adivinhem, com jogos de DBZ também. Este Legendary Super Warriors foi comprado há uns meses atrás a um particular, custou-me 5€.

Apenas cartucho

O jogo atravessa todo o arco de histórias do Dragon Ball Z, desde a visita de Raditz ao planeta Terra, até ao combate contra os Buus. Na verdade, este é um jogo baseado em cartas onde ocasionalmente poderemos explorar alguns pequenos mapas e interagir com outras personagens, precisamente com o objectivo de arranjar mais cartas para o nosso baralho. Mas vamos lá ver como se desenrolam as batalhas em si. Estas são travadas por turnos, onde teremos sequencialmente turnos de ataque e defesa. Ao nosso dispor, teremos um deck de 20 cartas que teremos de vir a construir e melhorar ao longo do jogo. Nessas 20 cartas poderemos ter cartas de suporte que podem ser usadas em qualquer fase do jogo, cartas de ataque e defesa. Há aqui uma estratégia em volta dos CCs, ou seja, os pontos de Card Cost que temos de ter para activar algumas cartas, enquanto outras cartas de suporte também nos dão CCs para usar. Temos cartas de ataque onde temos de cumprir alguns pequenos quick time events para o ataque ser bem sucedido, a nossa posição na área de combate influencia os nossos valores de ataque e defesa, entre vários outros detalhes que vamos aprendendo ao longo do jogo.

O sistema de combate do jogo é surpreendentemente mais complexo do que estava à espera

Para além disso, à medida que vamos progredindo no jogo as personagens que usamos para os combates vão ganhando pontos de experiência e subir de nível, melhorando permanentemente alguns dos seus stats. Para além do modo história, onde poderemos vire a desbloquear uma grande número de personagens jogáveis, temos também o Battle Mode onde podemos entrar numa espécie de survival mode, de forma a procurar encontrar cartas raras e evoluir as nossas personagens. O mutliplayer também nos permite jogar contra amigos ou mesmo trocar cartas uns com os outros.

Estas partes de exploração deveriam ser mais completas.

No que diz respeito aos audiovisuais, este até que é um jogo bem competente para uma Gameboy Color. Por um lado as sprites são pequenas, mas por outro lado temos várias animações que podemos ver com mais detalhe dos golpes que podemos desferir, e há um grande número de personagens que podemos vir a desbloquear, vilões inclusive! No entanto aquelas partes de exploração poderiam e deveriam ter sido mais preenchidas, o que é pena. De resto até que é um bom jogo da série, mas se estão à procura de um jogo puramente de luta, não o vão encontrar aqui.

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Ex-Mutants (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago agora é mais um jogo de acção para a Mega Drive, o Ex-Mutants. É um jogo baseado numa comic que sinceramente não conhecia, mas que é uma espécie de antítese dos X-Men, pois também está relacionada com mutantes, mas não da mesma forma. O meu exemplar foi-me oferecido por um particulare algures em Junho passado. É um cartucho apenas, mas dá para jogar e assim que possível tento trocar por uma versão mais completa.

Apenas cartucho

Ora tal como referi acima, este jogo é uma espécie de X-Men mas ao contrário. O mesmo decorre num futuro pós apocalíptico, onde após tanta exposição nuclear da guerra, todos os humanos sobreviventes acabaram por se transformar em mutantes. O Professor Xavier lá do sítio (aqui com o nome de Kildare) é um cyborg programado para devolver a humanidade aos mutantes, onde recruta 6 mutantes para a sua equipa de super heróis e retorna-os a humanos perfeitamente normais, daí o nome Ex-Mutants. Confesso que é um conceito um pouco estranho, mas original. O maior vilão lá do sítio é uma lesma gigante chamada Sluggo que rapta quase todos os Ex-Mutants. Quase todos, execpto Shannon e Ackroyd, que são os heróis que podemos escolher para começar a aventura. Ao longo do jogo vamos atravessando várias áreas urbanas em ruínas, repletas de mutantes e outras armadilhas, salvar os nossos amigos e ir derrotando os minions de Sluggo pelo caminho.

Cada personagem possui as suas vantagens e desvantagens

A jogabilidade é simples, com um botão para saltar e outros dois para atacar. Cada personagem possui a sua própria arma, Ackroyd tem um machado com curto alcance, ataques lentos, porém começa com mais vida. Já Shannon possui uma nunchaku como arma principal, que por sua vez tem um alcance maior que o machado, é mais ágil mas mais fraca. Depois ao longo do jogo vamos poder apanhar vários power ups, desde as tais armas secundárias que geralmente são vários tipos diferentes de explosivos, a outras armas brancas que são lançadas como projécteis automaticamente, de cada vez que ataquemos com o botão normal de ataque. Tanto os power ups de um género como do outro possuem munições limitadas, mas felizmente não faltam power ups para apanhar. Mas o que também não faltam são inimigos, obstáculos e armadilhas, pelo que devemos jogar com alguma cautela e planear os nossos movimentos com algum cuidado.

Ao longo do jogo temos muitos obstáculos pela frente, desde plataformas que desaparecem, lâminas por tudo quanto é lado e até bolas de fogo pelo ar.

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente até gosto dos cenários, todos eles partes da cidade em ruínas, mas também todos com algumas diferenças entre si, desde os esgotos, o sistema de metro, ou zonas mais urbanas. Também gostei dos pequenos diálogos entre cada nível. Por outro lado acho que as sprites poderiam ser um pouco maiores e melhor detalhadas e a música sinceramente não achei nada de especial. Temos também algumas vozes digitalizadas mas a qualidade das mesmas não é a mais nítida, ainda assim dá para entreter.

Portanto este é um jogo de acção/plataformas até que bastante interessante, principalmente para quem for fã de X-Men e quiser jogar algo numa realidade alternativa onde mutantes são normais, já humanos são uma raridade e ostracizados.

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The Legend of Zelda: Ocarina of Time (Nintendo 64)

Foi durante a quinta geração de consolas em que houve uma maior transição dos videojogos 2D para o 3D, pois o hardware já o permitia sem um grande número de restrições. E se por um lado jogos de corrida eram perfeitos candidatos para jogos em 3D, noutros géneros de jogos muitas das suas mecânicas tiveram de ser repensadas. Creio que é seguro dizer que, de todas as empresas, a Nintendo foi a mais cuidadosa em transpor as suas franchises clássicas do 2D para o 3D. O Lylat Wars era uma evolução natural do Starwing, Super Mario 64 apresentava uns controlos que por si já são a base dos controlos de jogos de plataformas que usamos hoje em dia, Metroid esteve muito tempo ausente até ao fantástico Metroid Prime lançado na geração seguinte. The Legend of Zelda teve como sucessor este fantástico Ocarina of Time que teve cerca de 3 anos em desenvolvimento. O meu exemplar da Nintendo 64 foi comprado algures em 2015 numa das minhas idas à Feira da Ladra em Lisboa. Na altura custou-me cerca de 2.5€. Também o tenho na compilação para a Gamecube Zelda Collector’s Edition, versão essa que foi a usada para o terminar.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Na altura em que o jogo foi lançado, este era considerado uma prequela de todos os outros The Legend of Zelda que tinham saído até então. É aqui que temos alguma informação de como o mundo de Hyrule foi criado por três Deusas e que existe uma outra dimensão, o Sacred Realm, que alberga a TriForce, um artefacto mágico incrivelmente poderoso que dará super poderes a quem o conseguir alcançar. Invariavelmente controlamos Link, onde começamos a jogar na sua infância, quando Link vivia na comunidade Kokiri, crianças que habitam a floresta de Hyrule. Mas Link é um rapaz diferente dos Kokiri (que nunca envelhecem), Link nunca teve uma fada companheira, como todos os seus amigos. Até ao dia em que começamos a nossa aventura, claro, é aí que entra a Navi em acção, uma pequena fada que nos irá acompanhar ao longo de todo o jogo. Navi junta-se a Link a pedido da Deku Tree, uma idosa e sábia árvore que controla a floresta dos Kokiri que foi envenenada e cabe-nos a nós tentar salvá-la, entrando assim na primeira dungeon do jogo.

As canções que aprendemos a tocar são uma parte importante no jogo, principalmente em algumas sidequests mais obscuras

No final dessa dungeon, a Deku Tree pressente mesmo que algo de muito mau está para a acontecer e é aí que vamos explorando o resto de Hyrule, onde acabamos também por conhecer uma pequena princesa Zelda, que está também com muito receio do que poderá vir a acontecer. Isto porque Ganondorf, príncipe da raça Gerudo, está de visita a Hyrule e aparentemente não com muito boas razões. Entretanto coisas acontecem, Ganondorf acaba mesmo por invadir Hyrule e quando descobrimos a Master Sword, somos transportados 7 anos para o futuro, onde Link, já um jovem adulto, terá de libertar Hyrule da opressão do seu tirano.

No fundo, na sua essência, este jogo mantém a jogabilidade básica dos The Legend of Zelda que lhe precederam. Ou seja, não deixa de ser um jogo com mundo aberto que teremos de explorar, com várias dungeons para cobrir, onde teremos vários puzzles para resolver e bosses para defrontar. Vamos descobrindo vários novos itens que podemos assigná-los a botões faciais do comando da N64 e usá-los quando bem nos apetecer, a diferença é que agora temos mais botões disponíveis e podemos ter mais coisas equipadas ao mesmo tempo. Objectos como uma fisga (ou arco e flecha na fase adulta), um gancho que nos permite apanhar objectos que estejam fora do nosso alcance ou mesmo propulsionar-nos até lá, garrafas que podem ter poções mágicas, fadas ou outras coisas, entre muitos outros objectos que vamos encontrando. Mas claro, a maior diferença está mesmo na passagem do 2D para o 3D.

O Z-Targetting é muito importante para deixar o combate mais fluído e técnico

Ao contrário de Mario 64, onde temos um controlo total da câmara, aqui ainda não é totalmente assim, mas por outro lado temos o Z-Targetting, que se revela muito útil. Com recurso ao botão Z, podemos “trancar” a câmara sempre no mesmo inimigo, o que nos facilita imenso o combate, pois conseguimo-nos mover sempre em relação ao inimigo que estamos “trancados”, permitindo assim um melhor combate onde nos possamos esquivar ou flanquear os inimigos e atacá-los nos seus pontos fracos. Isto sim, foi uma mecânica de jogo muito interessante para jogos de acção em 3D e que aliás, ainda se usa bastante em jogos de acção na terceira pessoa na actualidade. Depois temos a imensidão de sidequests em que podemos participar, onde poderemos ser recompensados com mais heart containers que nos aumentam a barra de vida, upgrades à nossa carteira, ou ao número de bombas, flechas, sementes entre outros objectos que podemos carregar. Há mesmo muita coisa para descobrir para quem quiser completar o jogo a 100%.

Lutar contra bosses nunca mais foi o mesmo, eles agora são épicos!

No que diz respeito aos audiovisuais, é um bom jogo para a Nintendo 64. Por um lado temos personagens com um número considerável de polígonos, por outro lado, tal como infelizmente é habitual na Nintendo 64 devido à pouca capacidade de armazenamento de um cartucho, as texturas não tão boas quanto o resto, o que é pena. O facto de jogar na Gamecube, cuja versão possui uma resolução que é o dobro da original, melhora um pouco as coisas nesse aspecto. Depois algumas zonas, como é o caso da cidade de Hyrule ou o interior de algumas casas, possuem cenários completamente pré-renderizados e de câmara fixa, mas uma vez mais com uma qualidade muito pobre quando comparado como o que víamos em cenários pré-renderizados noutras consolas da época. Mas tirando esses temas, frutos das limitações técnicas da consola, a Nintendo até que fez um óptimo papel, ao apresentar um mundo de Hyrule bastante diversificado e com dungeons que transitaram muito bem para o 3D, com puzzles inteligentes e um bom design. Claro que o Water Temple é uma dor de cabeça, mas faz parte do desafio!

Por vezes deparamo-nos com alguns cenários pré-renderizados e estáticos

No que diz respeito ao audio, naturalmente este jogo não possui voice acting a não ser pequenas vozes como o “Hey! Listen!” da Navi sempre que nos quiser dizer alguma coisa. Mas na verdade a música é uma parte muito importante no jogo, pois desde cedo que ganhamos uma Ocarina e vamos aprender várias melodias, que teremos de as usar várias vezes ao longo do jogo. As músicas acabam por ser uma extensão das melodias que vamos aprendendo, embora de uma forma muito mais contida, pois o jogo tenta sempre ter um ambiente mais cinemático e a música acaba por ficar muitas vezes em plano de fundo, a criar a atmosfera certa.

Temos imensas sidequests pela frente, até pescar no lago Hylia!

É escusado dizer que o jogo foi um enorme sucesso na crítica, sendo considerado por muitos como uma obra prima e um dos videojogos mais influentes do seu tempo. No Japão não demorou muito a receber um update, para o sistema Nintendo 64 DD que infelizmente nunca saiu de terras nipónicas. Conhecido por cá como The Legend of Zelda Master Quest, é uma espécie de remix do jogo original, com dificuldade acrescida e dungeons alteradas. Essa versão foi depois disponibilizada na Gamecube em todo o mundo, como um bónus nas primeiras versões do Wind Waker. A versão normal foi depois também relançada para a Gamecube, na já falada Collectors Edition com a vantagem de estar numa maior resolução. Com o lançamento da Nintendo 3DS, foi feito um novo remake, desta vez adaptando o jogo para a tecnologia 3D da portátil da Nintendo. Sinceramente essa versão ainda não a joguei, mas pelo pouco que vi, pareceu-me visualmente um pouco mais apelativa. Mas o que interessa é: seja em que versão for, este é mesmo um jogo a não perder!

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