Psychic Force 2012 (Sega Dreamcast)

Voltando às rapidinhas, o título que cá trago hoje é um interessante jogo de luta em 3D, desenvolvido originalmente para as arcades e convertido para a Dreamcast. O Psychic Force original tinha saído também para a Playstation e já na altura achei que tinha um conceito interessante. Felizmente algures em Setembro de 2017 consegui um exemplar do sucessor para a Dreamcast, já não me lembro muito bem como veio cá parar, creio que foi comprado a um conhecido através do facebook e também não me recordo do preço mas creio que não foi nada descabido.

Jogo com caixa e manuais

O Psychic Force original possuia uma história interessante que sempre me fez lembrar os X-Men. Isto porque os protagonistas são todos Psychiccers, ou seja, pessoas com poderes psíquicos (tipicamente elementais como água, fogo ou vento) e naturalmente havia a facção dos bons e maus. Este Psychic Force 2012 continua a história, desta vez com mais facções à mistura para apimentar mais as coisas.

Temos vários modos de jogo, desde o arcade onde defrontamos oito oponentes de forma aleatória, o versus para combates “amigáveis” contra outro jogador ou contra o CPU, um modo de treino onde podemos practicar os golpes de cada lutador e finalmente o modo história. Aqui também defrontamos oito oponentes, mas cada lutador tem um “caminho” e história pré-definidos. Entre cada combate temos direito a uma pequena cutscene que vão desenrolando a história na perspectiva de cada lutador.

Temos aqui algumas caras novas e outras já conhecidas do primeiro jogo.

As mecânicas de jogo são algo idênticas ao do seu predecessor na sua base. Isto porque temos uma arena de jogo que é um paralelipípedo invisível, onde podemos voar livremente de um lado para o outro, embora apenas nos movimentemos num plano 2D. Depois temos 2 barras diferentes para ter em conta: a barra de vida, e a barra de energia para usar poderes psíquicos, mas desta vez com uma nuance: à medida que levamos porrada e a barra de vida vai diminuindo, esse espaço vazio passa a ser consumido pela barra de energia psíquica, tornando os nossos golpes mais poderosos. De resto podemos dar socos, pontapés e usar vários golpes especiais que usam os poderes psíquicos de cada personagem. Desde projécteis de energia, ou mesmo deixar algumas “armadilhas” espalhadas pela arena de jogo. Temos também algumas técnicas especiais de guarda, evasão, golpes especiais capazes de perfurar o escudo dos oponentes, e claro, a possibilidade de carregar os nossos poderes psíquicos, mesmo à Dragon Ball.

À medida que vamos perdendo vida, podemos no entanto acumular mais energia psíquica para gastar noutros golpes

A nível audiovisual, sempre gostei do design das personagens, estão muito bem conseguidas e com um look anime. As arenas são também variadas entre si, com os combates a decorrerem em plenas cidades entre arranha céus, ou outras localidades como cavernas, túneis high tech, florestas, templos, ou mesmo nos céus. As músicas também são algo variadas nos seus estilos, tendo eu gostado particularmente daquelas mais rock. No modo história temos uma vez mais cutscenes entre cada combate, e aqui desta vez mantiveram o voice acting original japonês, algo que faz sentido. As cutscenes em si são todas renderizadas utilizando o motor gráfico do jogo, excepto as cutscenes que antecedem e sucedem o combate final de cada personagem no modo história. Estas usam algumas ilustrações anime, e é uma pena que não usem pequenos clipes de video pois de facto gostei deste universo e do design das personagens em si.

Portanto este Psychic Force 2012 é um interessante jogo de luta, pelo que se o virem a bom preço para a Dreamcast e se forem fãs do género, não deixem passar. Convém também referir que (cá na Europa) este jogo foi também lançado como Psychic Force 2 para a Playstation. No entanto, para além do óbvio downgrade nos gráficos, esta versão possui várias características interessantes, como uma cutscene introdutória em anime, novos modos de jogo e algumas personagens extra que entraram no primeiro Psychic Force. Só por isso também é uma versão a ter em conta.

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Streets of Rage 3 (Sega Mega Drive)

Voltando aos clássicos, hoje trago-vos cá o terceiro jogo da saga Streets of Rage, sem dúvida uma das mais populares da era 16bit e foi a resposta da Sega ao Final Fight da rival Capcom. No entanto, apesar de ser um bom jogo, este Streets of Rage 3 nunca recebeu tanta atenção quanto os seus predecessores. Talvez  por não ser tão comum, ou pelo facto de ser um jogo muito diferente do original japonês. O meu exemplar foi comprado algures no final do ano passado a um particular. Custou-me 50€, estando completo e em bom estado geral.

Jogo com caixa e manual

A história decorre algum tempo depois dos acontecimentos do último jogo, onde apesar do líder mafioso Mr. X ter sido derrotado duas vezes, não desiste de tentar controlar a cidade. Desta vez os seus planos envolvem robots, tendo o Mr X raptado o chefe da polícia local, substituindo-o por um robot controlado pela organização. Dr. Zan, um cientista e também ciborgue que estava a colaborar com Mr. X, contacta a já veterana Blaze Fielding informando-a do plano, dando assim início a mais uma nova aventura. Blaze, Axel, Eddie “Skate” Hunter e o próprio Dr. Zan são as personagens que temos inicialmente à disposição, com o Adam mais uma vez a ficar de fora. Na verdade poderemos desbloquear outras duas personagens secretas, como o ninja Shiva, ou o Roo – um canguru que luta boxe. Ambas as personagens podem ser desbloqueadas através de códigos, mas o Roo pode ser desbloqueado durante o jogo, quando chegamos à luta contra Roo e o seu dono. Se derrotarmos o seu dono, Roo foge e fica posteriormente disponível quando perdermos uma vida e quisermos mudar de personagem.

Ao longo do jogo vamos tendo várias cutscenes com as diferentes personagens, que dão muito mais sentido à história.

Bom, este Streets of Rage 3 é um beat ‘em up como os outros, mas mudaram uma série de coisas na sua fórmula. A primeira é que os níveis estão maiores. Já os níveis do Streets of Rage II eram grandinhos comparando com os do primeiro jogo, aqui são muito maiores, atravessando vários estágios diferentes e com vários combates com sub bosses entretanto. Mais uma vez podemos equipar armas brancas que apanhemos na rua, ou através de inimigos, mas desta vez as armas possuem uma durabilidade limitada. Por outro lado, é possível agora fazermos combos e golpes específicos com as diferentes armas que equipamos, o que é bom. Para além disso, os ataques especiais de cada personagem estão uma vez mais de volta, sendo que desta vez apenas somos penalizados com pontos de vida ao usar esses golpes de forma consecutiva. Isto porque à direita da nossa barra de vida, temos uma outra barra de energia que, quando estiver cheia, significa que podemos aplicar um special. Ao aplicá-lo sem a barra de energia cheia é que somos penalizados com a perda de alguns pontos de vida. Para além disso vamos poder desbloquear novos specials para cada personagem, consoante a nossa performance.

Ash, o eterno injustiçado, é uma personagem desbloqueável na versão japonesa.

O jogo é também muito mais difícil e se jogado no modo easy apenas chegamos ao nível 5 e não teremos acesso ao final verdadeiro. Isto porque o jogo possui na verdade 4 finais, sendo que os outros três estão relacionados com as nossas acções nos últimos níveis, nomeadamente se os terminamos dentro de um tempo limite. Existe também uma maior interactividade dentro dos próprios níveis – para além de existirem várias armadilhas como carros industriais a passarem a toda a velocidade em carris, ou buracos onde poderemos atirar para lá os inimigos, derrotando-os mais facilmente. No sexto nível somos mesmo obrigados a explorar bem a zona, entrando em diferentes salas e activando (ou desactivando – à porrada) interruptores que ditarão se conseguirmos salvar o chefe da polícia a tempo ou não. Os inimigos aparecem também em grande número e são mais inteligentes, esquivando-se dos nossos golpes, podendo apanhar armas do chão (ou mesmo as comidas que nos restauram a energia), e facilmente nos rodeiam. Portanto, jogando esta aventura com 2 jogadores é sempre mais agradável.

Aqui as armas têm durabilidade limitada

No que diz respeito aos audiovisuais, a apresentação do jogo é excelente. Isto porque o mesmo possui imensas cutscenes com vários diálogos entre cada nível, o que melhora bastante a narrativa. Os níveis em si são bastante diversificados e bem detalhados e sim, podemos uma vez mais percorrer as ruas da cidade, discotecas, cavernas, o famoso nível com um elevador gigante, ou zonas mais industriais como a fábrica dos robots. Mas por outro lado a música desapontou-me. É na mesma produzida por Yuzo Koshiro, possuindo temas que misturam a electrónica com outros géneros musicais, incluindo o jazz, mas na verdade achei a banda sonora uns bons furos abaixo dos seus predecessores.

Para além disso, convém referir que este jogo infelizmente foi vítima de censura face à versão japonesa – já agora também se diz que a versão japonesa é muito mais fácil que a ocidental, mas nunca confirmei. Mas voltando à censura, para além das personagens femininas (principalmente a Blaze) estarem mais vestidas na versão ocidental, temos um boss que foi completamente omitido nesta versão. É verdade que hoje em dia, numa geração de virgens ofendidas, isto poderia ser visto como algo preconceituoso e altamente esteriotipado, mas sinceramente nunca achei que fosse motivo suficiente para ser censurado. Basicamente na versão japonesa defrontamos o Ash, um boss gay altamente esteriotipado, que pode posteriormente ser desbloqueado como personagem jogável. É pena, pois seria uma personagem muito bem humorada para umas partidas. Para além disso, a história da versão japonesa também é algo diferente e muito mais sinistra. Basicamente antes do jogo começar houve uma explosão que matou milhares de pessoas e um general militar estrangeiro foi raptado, ao contrário do chefe da polícia. Basicamente na versão oriental o Mr. X queria arranjar um pretexto para começar uma nova guerra mundial.

Já referi que este jogo possui demasiados ninjas??

Posto isto, este Streets of Rage 3 é para mim mais um sólido jogo na saga. Não tão bom como o seu predecessor, mas ainda assim um óptimo jogo que a meu ver pecou mais na banda sonora não ser tão boa e na censura face à versão original japonesa. Infelizmente depois deste jogo a série Streets of Rage entrou num coma profundo. Depois de um pitch promovido pela Core Design que foi rejeitao do pela Sega, dando origem ao Fighting Force, ou de um projecto que nunca chegou a ver a luz do dia para a Dreamcast, até ao momento nunca chegamos a ver um novo jogo na série. Mas eis que recentemente a Sega anunciou, através da DotEmu e Lizard Cube que uma nova entrada na série está finalmente em desenvolvimento. Pelo pouco que já se viu, deixou-me com água na boca!

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Gun.Smoke (Nintendo Entertainment System)

Após títulos como Commando, a Capcom decidiu eventualmente lançar nas arcades Gun.Smoke, um outro shooter frenético, onde controlamos um cowboy cheio de chumbo para disparar sobre todos os inimigos que nos apareçam à frente. Eventualmente, tal como muitos outros clássicos arcade da Capcom na década de 80, acabou por ser produzida também uma versão para a NES, que é não é uma conversão nativa, mas sim ligeiramente diferente a nível de mecânicas de jogo. O meu exemplar foi comprado no mês passado por 8€ numa Cash Converters em Lisboa.

Apenas cartucho, versão americana.

As mecânicas de jogo são bastante interessantes, pois ao carregar no botão B faz com que Billy (o herói) dispare os seus revólveres diagonalmente para a esquerda, ao pressionar o botão A faz com que dispare diagonalmente para a direita, e carregar em ambos os botões em simultâneo faz com que se dispare em frente. Os inimigos vão surgindo por todo o lado e à medida que vamos progredindo no jogo também em maior número, pelo que vamos ter de ter reflexos rápidos para nos esquivarmos dos seus projécteis, o que nem sempre é fácil. Felizmente temos um interessante sistema de power ups que nos ajuda. Os revólveres que usamos por defeito têm munição infinita e todos os pontos que ganhamos correspondem a dinheiro que pode posteriormente ser usado para comprar outras armas ao longo do jogo, estas que já possuem munição limitada. Temos metrelhadoras que dão poder de fogo contínuo, revólveres Magnum com balas super poderosas, ou shotguns cujos disparos saem em forma de leque, atingindo mais inimigos. Temos também uma smart bomb, uma bomba capaz de destruir todos os inimigos presentes no ecrã em simultâneo.

A versão NES possui uma história diferente da arcade, mas o objectivo é o mesmo: encher os bandidos de chumbo!

Os power ups que podemos encontrar, para além de sacos de dinheiro que contribuem para pontos/dinheiro, munições extra, vidas extra ou invencibilidade temporária, podem também ser espingardas que aumentam o alcance dos nossos projécteis, ou botas que aumentam a nossa velocidade. Para além disso temos ainda a possibilidade de comprar um cavalo que nos permite andar bem mais rápido pelo ecrã, para além de servirem de escudo, aguentando com alguns disparos antes de morrerem. Todos estes power ups contribuem de forma positiva para a jogabilidade e temos de os usar bem, mas nem por isso retiram um pingo de dificuldade ao jogo. Até porque se não apanharmos um outro power up que não referi, o cartaz “wanted“, o boss não é desbloqueado e o nível começa a repetir-se.

Ao longo dos níveis vamos encontrar NPCs onde podemos trocar pontos/dinheiro por novas armas ou powerups

A nível audiovisual naturalmente que esta conversão está uns furos bem abaixo do original arcade, cujos níveis possuíam muito mais detalhe, assim como todos os inimigos. Vários dos níveis da versão arcade foram cortados, mas por outro lado a Capcom compensou ao adicionar todas estas armas extra. Para além disso, esta versão NES possui toda uma história que não existe no original arcade. De resto, e fechando os olhos ao original arcade, esta versão NES acaba também por ser bem conseguida tecnicamente. É óbvio que os níveis e as sprites não têm tanto detalhe, mas o jogo em si é bastante fluído, ao contrário da conversão do Commando para a NES. As músicas por outro lado são bastante agradáveis, sempre gostei das capacidades de chiptune do chip de som da NES.

Devemos procurar destruir os barris que encontramos, pois costumam abrigar alguns power ups. Estes POW destroem todos os inimigos no ecrã.

Portanto este Gun.Smoke é um interessante jogo de acção da Capcom, onde mais uma vez a empresa japonesa tentou introduzir algo de diferente na sua conversão para a NES, sabendo que a nível gráfico seria impossível reproduzir a qualidade do original.

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World Cup USA 94 (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma rapidinha a um jogo desportivo. World Cup USA 94, tal como o nome sugere é uma adaptação para videojogo do Campeonato do Mundo de Futebol de 1994, que ocorreu nos EUA. A U.S. Gold foi a publisher que adquiriu os direitos para produzir o videojogo oficial do evento e a também britânica Tiertex lá o desenvolveu, lançando versões para imensos sistemas diferentes. As influências de clássicos como Kick Off e Sensible Soccer são notórias, mas será que a jogabilidade compensa? Lá veremos. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Feveiro na Cash Converters do Porto. Custou-me 5€.

Jogo completo com caixa e manuais

A primeira coisa que vemos, depois do tradicional logótipo da Sega e afins, é um ecrã de escolha de língua. Até aqui tudo bem, mas depois quando queremos começar o jogo e entramos nos menus, todas as opções são representadas como ícones gráficos que envolvem o Striker, a mascote canina do torneio. Ora qual é a piada de escolher a linguagem do jogo com todos os menus assim?? Felizmente o meu exemplar possui manual, pelo que lá consegui descortinar melhor as coisas. É verdade que alguns ícones são bem representados e não deixam muitas margens para dúvidas, mas outros nem por isso. Portanto não começamos lá muito bem!

Ao longo das partidas vamos tendo estes pequenos pormenores gráficos

Temos vários modos de jogo distintos, mas o principal é claro o do World Cup, onde podemos escolher uma das 24 equipas que participou na fase final do torneio, jogando nos mesmos grupos que na competição. Existem no entanto outros modos de jogo onde poderemos escolher outras 8 equipas que não chegaram a se qualificar, como foi o caso de Inglaterra, França e Portugal. Este é o caso de partidas amigáveis, ou uma versão customizada do torneio onde poderemos escolher antes uma destas equipas alternativas. Existe também um modo treino, onde poderemos practicar livremente as mecãnicas de jogo em partidas amigáveis, bem como treinar livres ou penáltis. É também possível customizar uma série de aspectos, desde a activação de condições meteorológicas aleatórias entre cada partida (nomeadamente o vento que acabará por influenciar a trajecótória da bola, a formação adoptada pela equipa, ou mesmo as cores do equipamento, desde as camisolas e calções, mas também as meias e chuteiras!

O árbitro adora mostrar cartões para o vazio!

Outra das coisas que podemos customizar são algumas regras, como a activação ou não de foras-de-jogo, ou do atraso de bola para o guarda redes. Mas a mais importante para mim é o controlo de bola: podemos ter a bola sempre “presa” aos nossos pés como em muitos jogos de futebol de hoje em dia, ou como em alguns clássicos, ter a bola mais solta, cuja direcção vai depender da forma como nos movimentamos em campo. Pessoalmente eu prefiro ter mais controlo sobre a bola, nunca fui um grande fã das outras mecânicas de jogo. Portanto a nível de opções até que temos aqui muita variedade!

A nível audiovisual é um jogo algo inconsistente, sinceramente. É verdade que é um jogo colorido, os menus apesar de não serem nada funcionais são bonitos de se ver. Durante as partidas em si, vamos vendo vendo alguns pop-ups de janelas a aparecerem no ecrã quando algumas coisas acontecem, como a bola sair de campo, vemos uma janela com um fiscal de linha a fazer um movimento a indicar o lançamento de linha lateral. Ou quando há um pontapé de baliza, aparece uma imagem também a indicar algo semelhante. Por outro lado quando há faltas e cartões para mostrar, não temos nenhum pop-up deste género, mas sim vemos o árbitro a correr em direcção aos jogadores e mostrar o cartão. Sobre o estádio e jogadores, bom, o jogo foi mesmo influenciado por clássicos como Sensible Soccer, pois as sprites são mesmo muito pequenas. Sobre as músicas, elas apenas existem nos menus, já durante o jogo apenas temos o ruído da plateia (que é quase inexistente) e o som da bola a ser chutada de um lado para o outro.

 

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To the Earth (Nintendo Entertainment System)

Continuando pelas rapidinhas, hoje vamos cá trazer o To the Earth, um interessante, porém bastante frustrante, light gun shooter para a NES, que apenas foi lançado no Ocidente, nunca chegou ao Japão. O meu exemplar custou 8€, veio de uma Cash Converters algures em Lisboa.

Apenas cartucho

O conceito do jogo é muito simples: o Planeta Terra está prestes a ser invadido por uma força alienígena e cabe-nos a nós impedir que o pior aconteça. O cliché do costume, portanto! O problema é que a última (ou única?) defesa da humanidade é uma nave espacial poderosa, mas que está localizada numa estação espacial para lá de Urano. O jogo leva-nos então ao longo de 4 níveis onde vamos atravessar vários planetas do sistema Solar (Urano, Saturno, Júpiter) até finalmente chegarmos ao planeta Terra e sua Lua. Pelo caminho teremos muitos inimigos para abater, bem como asteróides que teimam em atrapalhar a nossa rota.

Ao longo do jogo vamos visitar vários planetas do sistema solar, incluindo Saturno

Portanto, sendo este um light gun shooter esperem por ver naves espaciais a surgir no ecrã e termos de as destruir. No entanto não é um jogo nada fácil, pois rapidamente vemos que as naves atravessam o ecrã demasiado rápido e vão lançando mísseis na nossa direcção, que também não são propriamente lentos. Portanto reflexos rápidos e uma pontaria exímia (esqueçam a ideia de jogar isto num emulador) são requisitos obrigatórios. Temos um escudo cujo nível de energia aparece indicado no ecrã e vai diminuindo com cada embate que sofremos. Por outro lado, se conseguirmos atingir os inimigos ou asteróides, a barra de energia vai-se regenerando um pouco. Também vamos tendo alguns power ups que ocasionalmente surgem no ecrã. No canto inferior direito pode-nos aparecer uma estrela que na verdade é uma daquelas bombas que limpam todos os inimigos do ecrã. No canto inferior esquerdo pode-nos aparecer um power up que regenera os nossos escudos. No centro do ecrã pode aparecer um outro que nos dá uma protecção adicional, protegendo-nos dos próximos 7 impactos sofridos. E claro, no final de cada nível temos um boss para defrontar.

Mais do que as naves inimigas, temos mesmo é de estar atento a estes mísseis

Do ponto de vista técnico, gosto da maneira relativamente suave como as sprites das naves escalam. Inicialmente são pequenos pontos no ecrã, que vão crescendo de tamanho (na verdade vão sendo substituidas por outras sprites) à medida que se vão aproximando de nós. Fora isso, não acho que seja um jogo fora de série, os backgrounds são bastante simples e as músicas, apesar de serem agradáveis, poderiam ser mais variadas, visto que ao longo de todos níveis vamos ouvindo sempre a mesma música.

Portanto este To the Earth é um jogo que até teria potencial para ser melhor. A sua dificuldade não ajuda, mas se houvessem alguns power ups adicionais como rapid-fire, ou simplesmente maior variedade dos inimigos que surgem no ecrã, era mais agradável.

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Bonanza Bros (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas na Mega Drive, vamos agora abordar o Bonanza Bros, uma adaptação do jogo arcade de mesmo nome, produzido pela Sega no início da década de 90. Este é um jogo muito interessante, tanto pelas suas mecânicas de jogo stealth, o facto de poder ser jogado cooperativamente (aliás até é algo encorajado) e toda a estética do mesmo que é muito original. O meu exemplar foi comprado num grande lote de jogos de Mega Drive que comprei a um particular no final do mês de Janeiro, tendo-me ficado a um preço bem em conta.

Jogo com caixa

Então em que consiste este jogo? Aqui encarnamos nos papéis de Mobo e Robo, dois ladrões de profissão que recebem uma proposta de trabalho muito interessante. Alguém (certamente um multimilionário) queixa-se que anda a ser roubado e pede aos heróis que testem a segurança dos seus edifícios. Em cada nível teremos então 3 minutos para entrar, roubar uma série de objectos, e fugir até à saída em segurança. Claro que em cada nível teremos vários tipos de guardas que teremos de evitar. Mobo e Robo possuem também um revólver com tranquilizantes, que atordoa os guardas temporariamente. Se por outro lado um dos guardas nos atingir, ficamos nós atordoados (e com menos uma vida também), vom todos os itens que coleccionamos espalhados pelo chão, mas depois lá recuperamos. Uma coisa que sempre adorei fazer é abrir portas com algum guarda atrás, ficando logo estatelado na parede!

Em cada nível temos uma série de itens para roubar em 3 minutos e escapar com segurança

Apesar deste ser um jogo aparentemente 2D, na verdade temos alguma liberdade adicional de movimentos, pois podemo-nos movimentar em dois planos, um à frente, outro mais ao fundo. Isto é fundamental para evitarmos alguns obstáculos e conseguir fintar alguns guardas que, felizmente não possuem uma inteligência artificial fora de série. E alguns possuem escudos, pelo que não adianta disparar sobre eles de frente. Para além disso, como já referi no início do artigo, este é um jogo que encoraja o multiplayer cooperativo, até porque o ecrã está sempre dividio horizontalmente, mesmo quando jogamos sozinhos. A qualquer momento um segundo jogador pode ligar o comando e juntar-se à aventura, embora Mobo e Robo não tenham habilidades que os distingam entre si.

No centro do ecrã temos um mapa que nos mostra as escadas, locais onde estão os itens que temos de roubar e a saída

A nível audiovisual este é um jogo muito interessante, quanto mais não seja pelo design bizarro e original das personagens que sempre me agradou. Para além disso, os níveis são coloridos e bem detalhados, consistindo em escritórios, mansões, fábricas ou mesmo um navio de cruzeiro. Gosto especialmente do nível do museu, que é um grande tributo a todos os clássicos que a Sega havia produzido até à época. As músicas são agradáveis e os efeitos sonoros também – gosto particularmente do riso “neh he he” cada vez que roubamos alguma coisa.

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F1 (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas na Mega Drive, hoje trago cá um jogo de Fórmula 1 que sinceramente até o achei bastante interessante. Este F1 tem as suas origens num outro jogo desenvolvido por um estúdio francês para os computadores Atari-ST e Commodore Amiga, o Vroom. Sim, o jogo chama-se mesmo Vroom – vivam as onamatopeias! Entretanto a Domark conseguiu a licença da FIA e lá converteram o Vroom para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado em Janeiro a um amigo meu, por 5€.

Jogo com caixa e manual

Portanto este é um jogo de Formula 1 devidamente licenciado pela FIA e que diz respeito à época de 1993. Tirando o Ayrton Senna que já tinha cedido os seus direitos de imagem à Sega aquando do desenvolvimento do Super Monaco GP 2, todos os outros pilotos e construtores parecem-me estar aqui devidamente representados. E reforço aqui o “parece-me” pois não sou especialista na matéria. A nível de modos de jogo temos o training que como o nome indica permite-nos practicar corridas em cada circuito, o arcade e o championship. O arcade tem um feeling arcade, como o próprio nome indica e pode ser jogado também em multiplayer com um amigo. Já o Championship é o principal modo de jogo onde teremos toda uma temporada pela frente. Aqui vamos percorrer todos os circuitos da época de 1993 (o nosso Estoril está aqui representado), sendo que primeiro temos a fase da qualificação. Depois lá temos também a possibilidade de customizar levemente o nosso carro antes de cada corrida, embora, para um simulador, as opções não sejam muitas. Nas corridas temos também a hipótese de visitar as boxes, por exemplo para trocar os pneus ou voltar a customizar o carro para o resto da corrida.

Para um simulador, não temos muitas possibilidades de customização.

Graficamente é um jogo muito interessante, na medida em que mistura o grafismo 2D típico dos jogos de corrida da era 16-bit, ja com algumas coisas em 3D poligonal como os túneis, pontes, ou as próprias boxes. Isto resulta num grafismo muito agradável e acima de tudo bastante fluído. As pistas em si também têm um aspecto mais realista, pois possuem desníveis, pelo que vamos subir e descer pequenas colinas ao longo dos circuitos. Mas isso também pode ser um problema, na medida que por várias vezes acabei por embater na traseira de um carro no final de uma subida. Os controlos em si são bastante ágeis também. No que diz respeito ao som, os efeitos sonoros são competentes e as músicas, que apenas tocam no ecrã título, menus de transição entre corridas e no fim, são também bastante agradáveis.

Graficamente éum jogo impressionante, misturando muito bem gráficos 2D e 3D

Portanto este F1 acabou para mim por ser uma boa surpresa, principalmente do ponto de vista técnico, pelos visuais e fluidez de jogo que conseguiram implementar sem recorrer a hardware adicional (take that, Super FX!). No entanto para quem for fã do género e quiser jogar algo mais de simulação, esta poderá então não ser a melhor escolha.

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