Moto Roader (NEC Turbografx-16)

Vamos voltar à Turbografx-16 com um artigo que originalmente até planeava que fosse uma rapidinha, mas que na verdade até tem bastante que se lhe diga. Moto Roader é um jogo de corridas da NCS/Masaya, lançado no final da década de 80. Trata-se de um título futurista, que decorre no então longínquo ano de 2015, onde a humanidade finalmente alcançou a paz e a prosperidade. Para combater tal aborrecimento, a malta jovem decide criar um novo e excitante desporto motorizado, no qual iremos participar. O meu exemplar veio da Wallapop, comprado algures durante o passado mês de Fevereiro por cerca de 12€.

Jogo com caixa e manual embutido.

Moto Roader é jogado na íntegra numa perspectiva aérea, onde o objectivo passa por, ao longo de um conjunto de 8 corridas, acumular o maior número de pontos possível de forma a terminar o campeonato no primeiro lugar. Temos à nossa disposição 7 campeonatos distintos: o Normal, World 1 e World 2, estes últimos inspirados em circuitos reais do automobilismo (ainda que o design das pistas nada tenha a ver), o Technical, que como o nome indica apresenta circuitos de dificuldade acrescida, com mais obstáculos e curvas apertadas, e ainda os modos Corridor, Strange e Trap. Confesso que estes últimos já não cheguei a experimentar, e daqui a pouco explico porquê, mas pelo que observei em gameplay, as corridas de Corridor parecem não incluir obstáculos, enquanto as restantes não me permitiram perceber claramente o seu factor diferenciador, talvez um maior nível de dificuldade.

Um dia, no longínquo ano de 2015, vamos poder participar em corridas a alta velocidade e com armas de fogo

Moto Roader apresenta várias particularidades na sua jogabilidade, começando pelos controlos. O botão II serve para acelerar, enquanto o botão I é utilizado para activar itens especiais. Para travar, é necessário simplesmente levantar o dedo do acelerador, funcionando aqui como um travão efectivo, e não como um desacelerar progressivo, como num carro real. O movimento do veículo é controlado com o direccional, mas não da forma mais intuitiva. Dado que a acção decorre numa vista aérea, devemos pressionar a direcção correspondente ao traçado da pista. Imaginando uma recta da esquerda para a direita que depois curva para baixo num ângulo de 90º, teremos de pressionar primeiro para a direita e, ao chegar à curva, para baixo. Existe, no entanto, um método alternativo de controlo (informação preciosa do manual) que permite virar apenas com esquerda e direita, mas para isso é necessário adquirir uma peça específica.

E isso leva-nos directamente ao sistema de upgrades. Começamos cada campeonato com 10000$, podendo ganhar mais dinheiro à medida que progredimos. Esse montante pode depois ser investido na personalização do nosso veículo, com diferentes carroçarias, motores, sistemas de direcção, travões, pneus, entre outros componentes que influenciam estatísticas como velocidade, aceleração ou manobrabilidade. Existe também uma secção dedicada a itens especiais, como granadas ou bombas para atacar adversários, nitros ou depósitos extra de combustível, justificando assim a utilização do botão I.

Antes de cada corrida vemos uma previsão do circuito, com um helicóptero a atravessá-lo a alta velocidade

A menção ao combustível leva-me à outra grande particularidade de Moto Roader: o seu rubber banding, aqui aplicado de forma literal e bastante agressiva. Sempre que um carro fica demasiado para trás, prestes a sair do enquadramento da câmara, é automaticamente puxado para a frente, sensivelmente para o centro do ecrã. Isto aplica-se tanto ao jogador como aos adversários, resultando num comportamento algo bizarro e, por vezes, problemático. Por exemplo, se ficarmos para trás imediatamente antes de uma curva apertada, ao sermos reposicionados podemos surgir já em cima da curva, sem tempo de reacção, o que frequentemente resulta em despistes. O jogo insiste em reposicionar-nos até conseguirmos ganhar velocidade suficiente, mas cada uma dessas ocorrências implica uma penalização no combustível. E ficar sem combustível a meio de uma corrida resulta num Game Over. O reabastecimento é automático ao completar cada volta, existindo também algumas zonas específicas nas pistas, mas ainda assim, investir em tanques adicionais pode ser essencial para evitar fins prematuros.

O dinheiro que amelhamos pode ser utilizado para melhorar o nosso carro em diversos aspectos. E se não gostaram do controlo do carro, experimentem o Handle B que apenas requer os botões esquerda e direita para controlar a direcção do carro.

A razão para este comportamento estará, muito provavelmente, relacionada com o facto de Moto Roader suportar multijogador para até 5 participantes, através do acessório multitap. Com uma perspectiva destas, seria extremamente difícil, senão impossível, implementar um splitscreen funcional para tantos jogadores. Este sistema acaba portanto por ser um compromisso algo trapalhão, mas compreensível. Ainda assim, teria sido interessante que, em jogo a solo, este comportamento fosse ajustado, mantendo o nosso carro fixo no centro da câmara. Tal como está, mesmo quando seguimos na liderança, o tempo de reacção para evitar obstáculos ou percorrer curvas exigentes é reduzido, obrigando quase sempre à memorização dos circuitos.

Visualmente, é um jogo colorido e bastante detalhado para os padrões de 1989. O principal problema reside na falta de variedade: os 56 circuitos reutilizam essencialmente os mesmos elementos visuais, o que, aliado às particularidades da jogabilidade, acabou por me afastar de explorar todos os campeonatos disponíveis. Já no som, os efeitos são competentes, mas é na banda sonora que o jogo realmente se destaca. Apesar de também não ser muito variada, apresenta temas enérgicos, positivos e com melodias que facilmente ficam no ouvido.

Graficamente é um jogo bonito e bem detalhado, mas até aqui há pouca originalidade: os ecrãs de apresentação de cada circuito são sempre idênticos

No final de contas, Moto Roader começa por se revelar um jogo interessante, mas as suas mecânicas algo caricatas acabaram por me causar alguma (bastante?) frustração ao longo da experiência e a falta de variedade visual também não ajuda à motivação. Ainda assim, não me surpreende que tenha conquistado o seu nicho de fãs, até porque recebeu duas sequelas no Japão, em 1991 e 1992. Esta última já foi lançada para PC Engine CD e apresenta diferenças notórias: mantendo a mesma perspectiva, a câmara encontra-se mais afastada, permitindo visualizar todo o circuito no ecrã, à semelhança de Super Sprint da Atari. Talvez um dia consiga arranjá-los para a colecção, caso apareçam a um preço convidativo, para perceber melhor a evolução da série.

Yoshi’s New Island (Nintendo 3DS)

Voltando à Nintendo 3DS, foi agora a vez de jogar Yoshi’s New Island, lançado originalmente algures em 2014 nas diversas regiões. Trata-se de um jogo que segue as mecânicas base introduzidas em Yoshi’s Island: Super Mario World 2 e posteriormente expandidas na sua sequela directa, Yoshi’s Island DS. Curiosamente, tal como o seu antecessor da Nintendo DS, o desenvolvimento foi terceirizado para um estúdio relativamente recente, a Arzest, nascida das cinzas da Artoon, responsável também pelo predecessor. Já o meu exemplar, não consigo precisar quando o comprei. Recordo-me apenas de o ter adquirido selado, numa feira de velharias na zona Norte, por 7,5€. Tratavam-se de excedentes de stock do El Corte Inglés espanhol, não faço ideia como é que a senhora teve acesso a esse material, mas ao longo de alguns anos ainda lhe comprei vários jogos nessas condições.

Jogo com caixa e papelada diversa. Tanta papelada e nada de manual…

A história decorre algures entre os eventos do Yoshi’s Island original e Yoshi’s Island DS. Os bebés Mario e Luigi estavam a ser transportados pela cegonha até aos seus pais, mas esta engana-se e acaba por deixá-los na casa errada. Ao aperceber-se do erro, tenta corrigir a situação, mas acaba por ser emboscada pelo feiticeiro Kamek, que consegue raptar Luigi. Já Mario cai numa ilha, onde reencontra o clã Yoshi, que uma vez mais se propõe a ajudá-lo a reunir-se com o seu irmão.

Ao contrário da versão DS, onde os dois ecrãs eram utilizados para renderizar o nível, aqui apenas o ecrã de cima é utilizado para isso. Como apenas o ecrã superior tem a capacidade do efeito 3D, essa decisão compreende-se.

No que toca às mecânicas de jogo, estas mantêm-se muito próximas das do original da Super Nintendo. Sempre que Yoshi sofre dano, perde o bebé Mario, que fica a flutuar no ecrã, sendo necessário recuperá-lo rapidamente antes que seja levado por Kamek ou pelos seus minions. Yoshi pode continuar a engolir e cuspir inimigos, ou devorá-los para os transformar em ovos, que por sua vez podem ser atirados com controlo na trajectória, servindo tanto para atacar como para recolher itens fora de alcance ou resolver pequenos puzzles. A principal novidade está na introdução de inimigos gigantes que, ao serem devorados, produzem ovos igualmente gigantes. Estes permitem não só explorar zonas subaquáticas com maior precisão, como também, ao serem lançados, possuem um elevado poder destrutivo, sendo capazes de destruir partes do cenário e revelar passagens ou itens previamente inacessíveis, um efeito semelhante ao Mega Mushroom introduzido em New Super Mario Bros.

Tal como os seus antecessores, a exploração é recompensada ao desbloquear níveis secretos e de bónus

Tal como nos seus predecessores, os níveis oferecem bastante conteúdo para explorar, com passagens secundárias, segredos e diversos coleccionáveis. Estrelas, moedas vermelhas, flores sorridentes e medalhas douradas recompensam a exploração e, quando reunidos na totalidade, desbloqueiam níveis bónus, secretos ou especiais. Nestes últimos, Yoshi transforma-se em diferentes veículos, como carrinhos de mina, helicópteros, balões, submarinos, entre outros. É precisamente aqui que surge outra das principais novidades: o uso dos sensores de movimento da consola. Estes segmentos são controlados através da inclinação da Nintendo 3DS, algo de que, pessoalmente, não sou grande fã, já que nem sempre oferecem a melhor resposta. Outra diferença face ao seu predecessor directo da Nintendo DS prende-se com o uso dos ecrãs: apesar de a Nintendo 3DS possuir dois, apenas o ecrã superior é utilizado para a acção, enquanto o inferior serve para apresentar informação adicional, como o progresso nos coleccionáveis. Tal deve-se ao facto de apenas o ecrã superior permitir o uso do efeito 3D.

Tal como nos seus predecessores, Yoshi vai-se poder transformar num veículo em certas secções. Infelizmente, no entanto, essas são controladas totalmente pelos sensores de movimento.

O que me leva a tocar nos audiovisuais desta entrada da série. O jogo tenta replicar o estilo visual inspirado em desenhos a lápis de cor introduzido pelos títulos anteriores. No entanto, a conjugação desse estilo com o efeito 3D não resulta particularmente bem. Com o 3D ligado, não senti o efeito de profundidade esperado. Já com o 3D desligado, a imagem acaba por parecer algo “deslavada”, sem o detalhe e a vivacidade que caracterizavam as versões da Super Nintendo e da Nintendo DS. O que é pena, pois há uma boa variedade de cenários ao longo da aventura. Já no que diz respeito ao som, contamos novamente com uma banda sonora calma, com influências de jazz, à semelhança dos seus predecessores.

O jogo possui também um modo multiplayer que sinceramente nem sequer cheguei a experimentar.

Em suma, Yoshi’s New Island é um competente jogo de plataformas 2D, mas que me deixou com sentimentos algo mistos. A adaptação ao hardware da Nintendo 3DS implicou concessões visuais que acabam por o tornar menos apelativo do que os seus antecessores. Apesar de a jogabilidade se manter sólida, a inclusão obrigatória de controlos por movimento em certas secções também não me agradou particularmente. Entretanto, Yoshi continuou a marcar presença nas consolas da Nintendo, com Yoshi and the Mysterious Book previsto para a Nintendo Switch 2 ainda este ano. Ainda assim, já passaram mais de 10 anos desde o último Yoshi’s Island, e acredito que o hardware actual da Nintendo seria mais do que capaz de suportar um novo título com o mesmo estilo artístico, mas com um nível de detalhe muito superior ao que aqui encontramos.

Double Dungeons (NEC Turbografx-16)

Tempo de voltar à Turbografx-16 para um jogo curioso, ainda que algo infame, do seu catálogo. Desenvolvido originalmente pela nipónica NCS/Masaya, Double Dungeons é um RPG do tipo dungeon crawler na primeira pessoa, cujo principal factor de destaque reside na possibilidade de ser jogado de forma cooperativa por dois jogadores. O meu exemplar foi adquirido algures no Outono de 2022, integrado num lote de vários jogos de PC Engine / Turbografx-16 comprado a um coleccionador francês na Vinted.

Jogo com caixa jewel case e manual embutido com a capa

Double Dungeons é um jogo bastante simples, tanto nas suas mecânicas como na narrativa. Temos à nossa disposição 22 masmorras distintas para explorar, sendo que cada uma, à excepção da última, pode ser abordada em qualquer ordem. Cada nível é acompanhado por um pequeno texto introdutório, geralmente assente em clichés como salvar uma princesa, e o objectivo passa por explorar o labirinto em busca de uma chave que destranque a porta que conduz ao boss. Após a sua derrota, para além de um breve texto de conclusão dessa pequena narrativa, é-nos atribuída uma letra que fará parte de uma password necessária para desbloquear o nível final.

Cada cor representa uma dificuldade diferente. Os primeiros labirintos possuem uma área de jogo de 26×26, enquanto os níveis 21 e 22 já possuem áreas de jogo de 115×115.

A dificuldade vai aumentando progressivamente, com as masmorras a tornarem-se maiores e os inimigos mais resistentes. Nas fases finais, os labirintos atingem dimensões verdadeiramente colossais, pelo que recorrer a mapas disponíveis online é uma ajuda preciosa, até porque uma simples folha A4 dificilmente chegaria para os desenhar. Já as mecânicas de jogo são bastante acessíveis: o direccional permite a movimentação, o botão I serve para atacar e o botão II para aceder ao inventário, que suporta até seis itens. O botão Run mostra a password actual, permitindo retomar o progresso mais tarde, caso queiramos desligar a consola. O jogo apresenta, no entanto, algumas particularidades curiosas. Ao contrário de outros títulos do género, os inimigos encontram-se em posições fixas no labirinto, reaparecendo ao fim de algum tempo nos mesmos locais. Isto introduz uma componente estratégica no grinding, obrigando-nos a planear cuidadosamente os percursos, quer para enfrentar inimigos adequados ao nosso nível, quer para optimizar a obtenção de experiência e ouro. Cada nível inclui também pelo menos uma loja, onde podemos comprar e vender itens, incluindo equipamento melhorado.

Visualmente é um jogo muito simples, mas ao menos o sistema de combate é rápido!

No campo audiovisual, a acção decorre numa perspectiva de primeira pessoa, embora a área de jogo ocupe apenas cerca de um quarto do ecrã, sendo o restante preenchido com informação sobre a personagem, dados de combate e, no canto inferior direito, o logótipo do jogo. No modo para dois jogadores, esta disposição é ajustada para acomodar ambas as perspectivas. Os labirintos são visualmente simples, mas bastante fluídos na sua navegação. Já os inimigos deixam bastante a desejar, com sprites pouco detalhadas e sem qualquer tipo de animação. Os efeitos sonoros são discretos, enquanto a banda sonora, apesar de simples, revela-se agradável.

A história é muito desinteressante e cada ecrã destes possui imensos erros no Inglês

Confesso que os primeiros níveis de Double Dungeons até se revelaram bastante agradáveis: os labirintos são rápidos de explorar e o ritmo de combate torna o grinding pouco penoso, facilitando a evolução da personagem e a aquisição de equipamento. O problema surge com o avançar da experiência, à medida que a repetitividade se instala e o interesse diminui drasticamente. Para além da falta de detalhe visual nos inimigos, os próprios labirintos são graficamente indistinguíveis entre si ao longo de todo o jogo. A agravar esta situação está o facto de progresso como experiência, equipamento e dinheiro não transitar entre níveis, bem como as pequenas narrativas associadas serem pouco interessantes e repletas de erros ortográficos. E as músicas, apesar de agradáveis, são sempre as mesmas que ouvimos enquanto exploramos, o que também contribui para o desgaste.

Lá para a frente começamos a combater contra inimigos mais interessantes, mas o seu detalhe gráfico não melhora

Perante as dimensões exageradas das últimas masmorras, acabei por recorrer a uma password que desbloqueia directamente o nível final, na esperança de encontrar alguma novidade interessante. Posso desde já adiantar: não há. O desfecho é tão desapontante quanto o início. Double Dungeons acaba assim por se revelar uma oportunidade perdida. Apesar de um sistema de combate simples e eficaz, e de uma ideia interessante no modo cooperativo, a repetitividade excessiva e a longevidade artificial acabam por comprometer seriamente a experiência.

Dino Crisis 3 (Microsoft Xbox)

Foi no já longínquo ano de 2021 que decidi fazer uma maratona da série Dino Crisis. No início de Julho terminei o primeiro jogo, um interessante clone dos Resident Evil clássicos, mas que, em vez de zombies e outras criaturas grotescas, nos colocava num mundo infestado de dinossauros. No final desse mesmo mês acabei também a sua sequela, um jogo já mais orientado para a acção, mas igualmente divertido. Em Agosto virei as atenções para o Dino Stalker, um spin off da série Gun Survivor, que misturava a acção de um light gun shooter com a exploração 3D dos Resident Evil tradicionais. Com um esquema de controlo muito peculiar e pouco convencional, acabou por não ser propriamente uma experiência memorável. Seguir-se-ia este Dino Crisis 3, que já tinha na colecção há uns anos após ter comprado um exemplar ao desbarato numa cash converters, mas por algum motivo tal não aconteceu até aos dias de hoje.

Jogo com caixa e manual

Dino Crisis 3 é um exclusivo da primeira Xbox. Na altura, a Microsoft procurou o apoio de várias empresas de renome na indústria para assegurar alguns exclusivos nas suas consolas. A Tecmo foi uma das empresas nipónicas que desde cedo apostou na consola da Microsoft com alguns títulos interessantes, mas também a Sega e a Capcom fizeram o mesmo. No caso da Capcom, os exclusivos mais notáveis eram, sem dúvida, o Steel Battalion, um mecha simulator com um imponente sistema de controlo, e este Dino Crisis 3. Ambos permanecem exclusivos à Xbox original e nunca foram alvo de retrocompatibilidade oficial nas suas sucessoras. No caso de Steel Battalion tal até se compreende, dada a sua dependência de um periférico específico, já neste Dino Crisis 3 nem por isso.

As criaturas que enfrentamos são todas mutações genéticas de dinossauros cruzados com qualquer outra coisa.

A história da série é bastante convoluta, pelo que não me irei alongar muito nesse departamento. Este é um jogo que decorre no futuro, onde uma equipa de busca e salvamento decide investigar o súbito aparecimento da gigantesca nave Ozymandias, perto de Júpiter, cerca de 300 anos após ter desaparecido sem deixar rasto. Uma primeira equipa aproxima-se da nave para reconhecimento, mas esta reage de forma hostil, destruindo a nave principal e obrigando um pequeno grupo a infiltrar-se no interior. Dos quatro membros iniciais, um é imediatamente devorado por uma criatura semelhante a um T-Rex, que por sua vez acaba também por sucumbir a um enxame de seres rastejantes. Rapidamente se percebe que algo está profundamente errado. Sem possibilidade de regressar, resta aos sobreviventes explorar este gigantesco complexo aparentemente desprovido de vida humana, em busca de respostas, outros sobreviventes e uma forma de escapar.

O progresso mantém algumas semelhanças com os Resident Evil clássicos e outros títulos do género, obrigando-nos ocasionalmente a procurar chaves ou resolver pequenos puzzles para desbloquear novas áreas. É aqui introduzida a mecânica de change formation, onde alteramos fisicamente a disposição de certas divisões da nave, abrindo passagem a novas zonas, mas também fechando outras. Caso nos sintamos perdidos, podemos sempre consultar um mapa em 3D, que me fez lembrar o Metroid Prime nesse aspecto.

A qualquer momento podemos consultar o mapa da nave, totalmente em 3D

Por outro lado, o foco continua claramente na acção, ao contrário do ritmo mais contido do primeiro jogo. A nossa arma principal, uma metralhadora vulcan, possui munição infinita, o que desde logo antecipa a enorme quantidade de inimigos que teremos de enfrentar. Uma das grandes novidades é o jetpack, que nos permite não só esquivar rapidamente dos ataques inimigos, como também planar e alcançar plataformas mais distantes. À medida que progredimos, desbloqueamos novas armas e diferentes WASPs, projécteis autónomos que atacam o inimigo mais próximo. Ao contrário da arma principal, estes recursos possuem munição limitada, podendo ser reabastecidos através de power-ups ou em lojas acessíveis nos save points. A moeda de troca são os pontos obtidos ao derrotar inimigos, bem como esferas laranja espalhadas pelos cenários. Existem ainda itens de limit break, que durante um curto período concedem boosts ilimitados e aumentam significativamente o dano causado.

O problema da câmara fixa é que na maior parte das vezes lutamos contra inimigos que nem sequer estão visíveis no ecrã e alguns possuem ataques bastante rápidos, não nos dando grande tempo de reacção.

Até aqui tudo bem, mas assim que pegamos no comando, rapidamente se tornam evidentes os principais problemas do jogo. Tal como nos títulos anteriores, não existe controlo directo da câmara, que segue ângulos fixos e muda abruptamente de perspectiva consoante a nossa posição. Isto gera desorientação constante. O problema agrava-se com a quantidade absurda de inimigos, muitas vezes fora do nosso campo de visão, e com ataques rápidos que dificultam a reacção atempada. A frustração eleva-se pela dificuldade elevada, já que cada golpe sofrido retira uma fatia considerável da barra de vida. Mantermo-nos em movimento e utilizar o lock-on com o botão L torna-se essencial para sobreviver. Felizmente joguei através do xemu com recurso a save states, até porque também certos segmentos de platforming tornam-se particularmente frustrantes devido à câmara.

Ao menos as cenas em CGI são impressionantes!

Visualmente, Dino Crisis 3 é tecnicamente impressionante. Os cenários são detalhados e o jogo inclui várias cutscenes em CGI de excelente qualidade. No entanto, o facto de toda a acção decorrer no interior de uma nave espacial resulta numa grande repetição visual, tornando a exploração algo monótona e confusa, algo que a câmara não ajuda. Os inimigos são bem modelados, embora pouco variados, sendo na verdade experiências genéticas que originam criaturas bizarras. No som, nada de particularmente memorável, tanto nos efeitos como na banda sonora, enquanto a narração deixa algo a desejar.

No final, Dino Crisis 3 acabou por ser uma desilusão. Tecnicamente competente e visualmente impressionante, demonstra bem as capacidades da Xbox original, mas a câmara compromete seriamente a experiência. Num jogo de acção de 2003 exigia-se uma jogabilidade mais refinada. Existem ainda alguns modos desbloqueáveis, como o Sonya Express, uma espécie de time trial jogado com a personagem feminina, mas confesso que não senti qualquer motivação para os explorar. A série Dino Crisis acabaria então por cair no esquecimento até aos dias de hoje. A excepção aconteceu no ano passado, após a Capcom lançar uma compilação digital para PC com os dois primeiros jogos, mas ficou-se por aí, sem qualquer adaptação para as consolas actuais.

L.A. Noire (PC)

Depois de ter jogado Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter, fiquei com vontade de continuar a explorar algo com uma temática de detective. Foi então que me lembrei de que tinha este L.A. Noire encostado na prateleira há já demasiado tempo. Com uma nova ronda do Backlog Battlers a aproximar-se, e sabendo que a pessoa a quem teria de escolher um jogo também o tinha no seu backlog, aproveitei a oportunidade para o desafiar com este título, comprometendo-me igualmente a jogá-lo. No entanto, como também me calhou um jogo longo, não tive oportunidade de o terminar mais cedo. Ainda assim, já tinha investido algumas boas horas para partilhar impressões preliminares, pelo que deixo abaixo o vídeo desse episódio para quem tiver curiosidade. Já agora, o meu exemplar de L.A. Noire veio de uma Worten algures em Julho de 2013, por menos de 15€.

L.A. Noire leva-nos até à cidade de Los Angeles em 1947, numa altura em que a sociedade norte-americana ainda se adaptava ao período pós-guerra, muito por força do regresso dos seus soldados a casa. O protagonista, Cole Phelps, é precisamente um desses casos: após ter servido no Pacífico como tenente de uma companhia de Marines, inicia agora a sua carreira civil na polícia local. As primeiras missões, onde Cole desempenha o papel de simples polícia de rua, funcionam como um tutorial às várias mecânicas introduzidas. Após resolver esses casos iniciais, é promovido a detective, começando na divisão de tráfego, onde investiga crimes relacionados com viaturas. O seu desempenho acaba por lhe valer uma promoção à divisão de homicídios e é aí, na minha opinião, que a narrativa começa verdadeiramente a ganhar interesse. Pelo meio, vamos assistindo a flashbacks do passado de Cole na guerra, bem como a pequenos recortes narrativos apresentados através de jornais espalhados pelo jogo. Naturalmente, tudo acabará por se interligar no final, mas deixo os detalhes o leitor descobrir por si mesmo.

Jogo com caixa e manual

Tipicamente, uma missão em L.A. Noire segue uma estrutura bem definida: somos informados de um crime, deslocamo-nos até ao local e começamos a investigação. No terreno, procuramos pistas e interrogamos testemunhas que nos conduzem a novas localizações e suspeitos. Pelo meio, não faltam confrontos físicos, tiroteios e perseguições, tanto a pé como de carro. As secções de investigação fazem lembrar Shenmue, na medida em que somos incentivados a examinar objectos manualmente, manipulando-os para descobrir pistas escondidas. O mesmo se aplica a documentos, que devemos analisar com atenção.

Apesar do foco do jogo serem investigações policiais, o que não falta são também tiroteios, porrada e perseguições!

O grande destaque de L.A. Noire está, no entanto, nos interrogatórios. Estes assentam fortemente na leitura das expressões faciais, sendo que, após cada pergunta, temos de decidir se acreditamos na pessoa (Truth), se duvidamos (Doubt), ou se o acusamos directamente de mentir (Lie). Esta última opção exige sempre que apresentemos provas concretas, com base nas pistas recolhidas. Curiosamente, falhar uma dedução ou até acusar a pessoa errada não tem consequências de maior, já que a narrativa prossegue independentemente disso. A nossa pontuação no final da missão é no entanto afectada, mas poderemos sempre rejogar novamente um caso antigo em busca de um resultado mais satisfatório.

As expressões faciais são um dos principais pontos fortes deste L.A. Noire

O jogo apresenta também um mundo aberto que procura recriar Los Angeles na segunda metade da década de 40. Ainda que detalhado, este espaço acaba por ser algo pobre em conteúdo adicional, sobretudo quando comparado com outros títulos da Rockstar. Para além de alguns coleccionáveis e pequenos street crimes (missões opcionais, mais simples e rápidas), pouco mais há para fazer. Ainda assim, parece-me que este mundo aberto serve essencialmente de palco para as perseguições policiais, o que, pessoalmente, não me incomodou.

A narrativa revela-se bastante envolvente, apesar de um início algo lento. É a partir da divisão de homicídios que tudo ganha maior intensidade. Gostei particularmente da personagem de Cole Phelps e da forma como a história se desenrola. Ao longo do jogo, vamos sendo acompanhados por diferentes parceiros, todos com personalidades bem definidas e distintas, o que contribui para enriquecer a experiência.

Esta cara parece-vos a de quem está a ser honesto?

Grande parte desta envolvência deve-se também ao excelente trabalho audiovisual da Team Bondi. As animações faciais são impressionantes, especialmente nos interrogatórios, onde desempenham um papel fundamental. É pena que a linguagem corporal não tenha recebido o mesmo nível de detalhe, pois pequenos gestos poderiam ter acrescentado ainda mais profundidade. Ainda assim, o resultado final é bastante convincente. A banda sonora, com forte inspiração no jazz e na música da época, ajuda a criar uma atmosfera noir muito coesa. Pequenos detalhes, como as melodias que surgem quando nos aproximamos de pistas, estão igualmente bem conseguidos.

A análise cuidada dos objectos e documentos que vamos ter acesso é outro dos pontos fortes do jogo.

Em suma, gostei bastante de ter jogado L.A. Noire. É verdade que, ao fim de algum tempo, a estrutura pode tornar-se algo repetitiva, devido à quantidade de casos a investigar. Ainda assim, a atmosfera, os visuais e a narrativa mantiveram sempre o meu interesse. Tanto assim é que, assim que terminar os restantes jogos da Remedy que tenho em vista, pretendo finalmente dar atenção a outros títulos da Rockstar que ainda tenho por explorar na minha colecção.