Tempo (Sega 32X)

É altura de voltar à Sega 32X para explorar um dos videojogos que sempre achei mais interessantes da sua curta biblioteca. Apesar de já cá ter trazido no passado o Tempo Jr.., uma conversão deste mesmo jogo para a modesta Sega Game Gear, esta pequena série teve as suas origens na 32X, mas infelizmente este jogo nunca chegou ao território europeu. No mês passado decidi finalmente comprar um exemplar para a colecção e a melhor oportunidade que me surgiu foi na Vinted, em solo europeu, o que ajudou a minimizar portes de envio e taxas alfandegárias. Confesso que estive indeciso entre comprar a versão japonesa ou norte-americana e acabei por optar pela versão ocidental pela comodidade da língua inglesa. No entanto, essa versão é consideravelmente mais cara, pelo que acabei por escolher este exemplar que, apesar de completo, tem imenso sunfade na sua caixa de cartão. Em retrospectiva devia antes ter comprado a versão japonesa: teria custado o mesmo, estava num estado muito melhor, a arte da sua capa é francamente superior e o jogo possui muito pouco texto de qualquer das formas.

Jogo com caixa e manual

Apesar de todos os jogos desta série terem sido publicados pela Sega, foram no entanto desenvolvidos pela Red Company, estúdio nipónico que não era propriamente estranho ao conceito de jogos de plataforma em 2D. Isto porque foram os criadores da série Bonk / PC-Genjin, na TurbografX-16 / PC Engine, algo que de certa forma até se reflecte em certos aspectos da jogabilidade. O conceito deste Tempo leva-nos a controlar um jovem gafanhoto de mesmo nome que, em conjunto com a sua companheira Katy, uma borboleta, concorre ao concurso de dança Major Minor. No entanto, o vilão King Dirge almeja o troféu para si mesmo, pelo que envia todos os seus lacaios para nos dificultar a vida.

Visualmente o jogo é muito bonito, colorido e bem detalhado!

Esperam-nos portanto toda uma série de níveis de plataforma em 2D, com visuais muito bem detalhados, sprites bem animadas e muita coisa a acontecer em plano de fundo. No que toca aos controlos, o direccional move o Tempo e, se pressionarmos duas vezes seguidas na mesma direcção, começamos a correr. O botão A ataca com um pontapé e, se pressionado depois de correr, faz com que Tempo deslize pelo chão, causando dano a todos os inimigos em que toca, pelo menos enquanto o slide durar. O botão B salta, sendo que saltar em cima dos inimigos também lhes causa dano, e o C faz com que disparemos notas musicais, paralisando temporariamente os inimigos, ou até destruindo alguns pequenos objectos. É também possível saltar entre paredes ao pressionar o botão A imediatamente antes de colidirmos com uma delas, assim como planar ligeiramente ao manter o botão de salto pressionado.

Quaisquer semelhanças com os Bonk/PC Genjin não são mera coincidência. O criador é o mesmo!

Para além de inúmeros power-ups distintos que podemos apanhar, os mais importantes são os ícones com as palavras DANCE ou KATY. No primeiro caso, a acção pára, Tempo começa a dançar e surge uma câmara televisiva no fundo do ecrã a filmar. No fim da música, todos os inimigos presentes no ecrã, que também dançavam ao som da música, são destruídos. Em seguida surge um casulo no ecrã e desse casulo sai Katy, a companheira de dança de Tempo, que nos vai acompanhando ao longo do restante nível, pelo menos enquanto tivermos uma barra de vida suficientemente preenchida. Os ícones KATY apenas podem ser activados quando tivermos a Katy connosco e basicamente servem para que ela consiga destruir certas paredes e desbloquear o progresso. Katy pode também assistir-nos ao atacar certos inimigos, bastando que os atordoemos antes com o ataque que nos permite disparar notas musicais.

Entrar no interior de um animal num jogo de plataformas 2D? Onde já vi isto…

O meu maior problema com o jogo é mesmo a natureza mais labiríntica dos níveis. Apesar de existirem certas setas que nos vão indicando o caminho a seguir, podemos e devemos também explorar os restantes recantos do nível em busca de power-ups que nos possam dar mais pontos, aumentar a barra de vida ou melhorar o nosso ataque de longo alcance, passando a disparar duas, três ou um máximo de quatro notas musicais em simultâneo, em direcções diferentes. Coleccionar moedas de ouro, largadas por certos inimigos, é também importante, visto que entre níveis podemos visitar uma área reservada a desafios de bónus. Estes consistem num conjunto de três mini-jogos rítmicos, onde teremos de pressionar o botão A no tempo certo para continuar a jogar. Comer fatias de pizza enquanto não somos observados, fazer poses enquanto surfamos ou partir rochas ou troncos gigantes no tempo certo são os mini-jogos aqui envolvidos.

Os primeiros níveis podem ser jogados pela ordem que bem entendermos

Visualmente é um jogo bastante apelativo. Os níveis são bastante diversificados entre si, levando-nos a atravessar cidades, florestas, o interior de uma aparelhagem de som ou até o interior de uma enorme criatura, algo que já é um clássico nos jogos de plataforma da Red Company. As sprites são muito bem detalhadas e animadas, e os níveis bastante coloridos e repletos de animações em plano de fundo. Ainda assim, estas últimas por vezes até são intensas demais e podem atrapalhar um pouco a nossa navegação pelo nível. Alguns dos bosses, neste caso os do primeiro conjunto de níveis, são sprites gigantes pré-renderizadas a partir de modelos 3D, que acabam por ficar bastante bem conseguidas no resultado final. Em relação aos efeitos sonoros, nada de especial a apontar, pois cumprem bem o seu papel. Já a banda sonora é bastante bem conseguida, estando repleta de músicas enérgicas, com bom ritmo e melodias que ficam no ouvido. O jogo tem também a particularidade de começar com um rap repleto de vozes digitalizadas, o que também demonstra as melhores capacidades de som introduzidas pela 32X. Não que o rap em si seja particularmente agradável, mas vale pela parte técnica.

Portanto devo dizer que este Tempo para a 32X foi um jogo que me agradou, apesar de nem sempre ter apreciado o design mais labiríntico dos níveis. Visualmente é um jogo incrível e mostra realmente as capacidades para visuais 2D de alta qualidade que a 32X seria capaz de oferecer. Cá na Europa apenas recebemos o Tempo Jr. para a Game Gear, uma versão impressionante para um sistema de 8-bit, mas muito mais modesta quando comparada com a versão original. Os nossos amigos japoneses tiveram mais sorte, pois em 1998 receberam, exclusivamente no seu território, o Super Tempo para a Sega Saturn. Esse tem um aspecto ainda mais incrível, pena que custe bem mais à nossa carteira. Talvez um dia venha cá parar.

Spider-Man – Venom: Maximum Carnage (Sega Mega Drive)

Tempo de voltar à Mega Drive para visitar um jogo que finalmente, ao fim de vários anos à procura, lá apareceu na minha colecção. A sua sequela directa já cá mora há bastante tempo e, por altura em que escrevi a minha análise de Separation Anxiety, tinha comentado que preferia primeiro escrever sobre este Maximum Carnage para melhor enquadrar a sequela. No entanto, os preços proibitivos que a versão PAL deste jogo tem vindo a atingir ao longo dos anos tornaram esse “sonho” mais difícil de alcançar. Resolvi então apontar baterias à versão norte-americana e, depois de encontrar um exemplar na Vinted com um preço consideravelmente abaixo dos três dígitos, não resisti. E cá está ele finalmente na colecção!

Jogo com caixa e manual, versão norte-americana

Numa altura em que beat ’em ups como Streets of Rage, Final Fight ou Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time eram um enorme sucesso, não tardaram a surgir mais jogos do mesmo género com personagens de banda desenhada como protagonistas. Publicado pela Acclaim Entertainment, Maximum Carnage aparece numa fase muito interessante do universo do Homem-Aranha, pelo menos para quem, como eu, seguia religiosamente a sua série animada na televisão. A introdução do symbiote, um organismo extra-terrestre parasita, que depois de passar pelo corpo do aracnídeo mais famoso da banda desenhada e assimilar os seus poderes, deu origem a vilões como Venom e Carnage, marcou profundamente essa fase. O jogo inspira-se directamente numa saga de banda desenhada da Marvel e coloca-nos perante uma aliança improvável: Spider-Man une forças com Venom para travar Carnage, que entretanto se juntou a outros vilões como Doppelganger, Shriek ou Demogoblin, espalhando o caos por Nova Iorque.

Sempre achei piada a estas onomatopeias típicas de banda desenhada!

Estamos então perante um beat ’em up de progressão lateral com movimentação em três dimensões, à semelhança de Final Fight, e para tirar o melhor partido das suas mecânicas é altamente recomendável utilizar um comando de seis botões. O direccional movimenta a personagem, o botão A ataca, o B salta e o C dispara teias. Certas combinações despoletam acções distintas: ao pressionar C sem qualquer direcção é disparada uma teia que paralisa temporariamente um inimigo; mantendo o botão pressionado, geramos antes um escudo defensivo. Se pressionarmos C em conjunto com uma direcção, lançamos uma teia para arrastar um inimigo até nós e continuar a ofensiva. Também é possível escalar paredes, pressionando cima e B em simultâneo. Com o comando de seis botões, algumas destas acções tornam-se mais intuitivas. O botão Y permite disparar uma teia para o ar e balançar pelo cenário, enquanto os botões X e Z simplificam uma outra mecânica importante.

Para além dos habituais power ups que restauram energia ou concedem vidas e continues adicionais, vamos também recolhendo ícones de outros super-heróis como Black Cat, Captain America, Morbius, Firestar, entre outros do universo Marvel, alguns dos quais desconhecia por completo. Estes ícones representam assists que podemos invocar a qualquer momento: soa na televisão um jingle alusivo ao herói, este entra em cena, causa dano em todos os inimigos presentes e abandona o ecrã de seguida. Num comando de seis botões, basta pressionar X para activar o assist, enquanto Z permite seleccionar qual o herói a chamar, desde que já tenhamos recolhido o respectivo ícone. A minha recomendação é clara: amealhar o máximo possível destes apoios e reservá-los para o último terço do jogo, onde a dificuldade sobe consideravelmente, com inimigos mais resistentes e agressivos.

Ora cá está algo que vamos ver muitas vezes em lutas contra bosses: o nosso protagonista no chão.

No que diz respeito ao combate propriamente dito, confesso que o achei bastante interessante. Existe uma boa variedade de golpes e movimentos à nossa disposição, o que ajuda a evitar que a experiência se torne demasiado repetitiva. No entanto, o equilíbrio está longe de ser o melhor. Os bosses, em particular, revelam-se frequentemente frustrantes. São autênticas esponjas de dano, bastante rápidos e agressivos, com destaque para o próprio Carnage, cujo confronto final pode facilmente testar a paciência de qualquer jogador. Os inimigos regulares começam também a tornar-se mais exigentes no último terço do jogo, mas nada se compara ao pico de dificuldade imposto pelos confrontos contra os bosses, muitas vezes enfrentados em simultâneo. Não considero que o jogo seja propriamente longo; é sobretudo a sua dificuldade que acaba por inflacionar a longevidade. E no sistema original essa exigência torna-se ainda mais pesada, já que não existe qualquer sistema de save ou passwords. Felizmente, as “magias” da emulação e dos save states tornam hoje a experiência mais gerível.

Uma das coisas que sempre gostei neste jogo é a sua abundância de cenas entre níveis!

Visualmente, é um jogo que sempre me agradou, apesar de nunca ter achado muita piada ao detalhe algo inconsistente de muitas das sprites secundárias, mas as de Spider-Man, Venom e de vários vilões estão muito bem animadas e detalhadas. Há uma boa variedade de inimigos e cenários, algo que curiosamente não acontece na sequela, e estes últimos apresentam um estilo visual muito próximo da banda desenhada, incluindo as onomatopeias que surgem no ecrã sempre que a pancadaria aperta. As cut-scenes em formato de banda desenhada são também abundantes, outro ponto bastante positivo e novamente algo que Separation Anxiety não conseguiu replicar. O som é competente e a banda sonora, com uma toada rock bem vincada, adequa-se perfeitamente ao tom mais agressivo da narrativa.

Em suma, Maximum Carnage é, para mim, um jogo de acção bastante sólido e um dos melhores títulos do universo Spider-Man na era dos 16 bits. Tirando o pico de dificuldade mais agressivo no último terço, que acaba por prolongar artificialmente a experiência, diria que apenas ficou a faltar um modo cooperativo. O jogo permite escolher entre Spider-Man e Venom antes de cada nível, mas nunca em simultâneo e que jeito teria dado um segundo jogador! Separation Anxiety, lançado no ano seguinte, viria a introduzir esta funcionalidade e a adoptar um grau de dificuldade mais generoso, mas infelizmente piora em praticamente todos os outros aspectos.

Super Smash Bros. Brawl (Nintendo Wii)

Enquanto continuo bastante focado em terminar um jogo consideravelmente longo, que planeio trazer cá em breve, aproveitei também para revisitar o meu velho save de Super Smash Bros. Brawl e terminar finalmente o seu modo história principal de uma vez por todas. Apesar de ter sido mencionado em 2005 num evento pré-E3 da Nintendo, o anúncio oficial só aconteceu no ano seguinte, e que anúncio foi esse! Ainda antes de escrever este artigo decidi rever o trailer original e é fácil perceber por que razão foi um jogo tão antecipado: para além de várias caras conhecidas, eram introduzidas novas personagens como Meta Knight da série Kirby, Pit de Kid Icarus, Samus Aran agora equipada com o seu Zero Suit, Wario e, no final do trailer, nada mais nada menos que Solid Snake de Metal Gear Solid! Brawl tornou-se assim o primeiro jogo da série a incluir personagens externas ao universo Nintendo, o que levou a internet à loucura na altura. A direcção ficou novamente a cargo de Masahiro Sakurai, que entretanto havia fundado a Sora Ltd., e contou com contributos de vários estúdios como a HAL Laboratory, Game Arts e Monolith Soft. Recordo-me também de que Sakurai mantinha um blogue oficial, o “Smash Bros. Dojo”, onde ia partilhando novidades e detalhes de desenvolvimento praticamente numa base diária. Eventualmente, também Sonic the Hedgehog foi anunciado, outro momento marcante que reforçou ainda mais o carácter histórico daquele elenco.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa (muita acabou por ficar escondida na foto), com destaque para o pequeno folheto a noticiar a abertura de um escritório da Nintendo em Portugal (e que eu já tive a felicidade de visitar).

Tal como o seu predecessor, Super Smash Bros. Melee, o que não falta aqui são modos distintos, conteúdo desbloqueável e coleccionáveis. Antes de entrarmos por aí, convém relembrar as mecânicas base da série e aquilo que Brawl introduziu de novo. Super Smash Bros. funciona como um party fighter onde várias personagens icónicas, e outras menos conhecidas, se juntam para combates intensos e repletos de power ups, muitos deles familiares dentro do universo Nintendo. Mediante o modo de jogo, as partidas podem decorrer em arenas mais tradicionais ou em níveis com forte componente de plataformas. Cada personagem não possui uma barra de vida convencional, mas sim um indicador de percentagem de dano: quanto maior essa percentagem, mais susceptíveis ficamos de ser projectados para fora da arena ou do nível, perdendo uma vida no processo. No que toca aos controlos, Brawl suporta uma panóplia de periféricos, desde o Wiimote isolado ao Wiimote com Nunchuk, Classic Controller e comando da GameCube. Esta última seria a minha escolha ideal, não fosse o facto de o ter jogado na Wii U. Felizmente os sensores de movimento não são obrigatórios para nada, pelo que jogar com o Classic Controller resulta perfeitamente bem: o botão A ataca, o B executa ataques especiais, X ou Y saltam, ZL/ZR servem para agarrar um oponente e L/R activam o escudo, que nos protege temporariamente de dano. Naturalmente, cada personagem possui vários movimentos únicos, e praticamente todas as acções resultam de combinações entre o analógico e os botões de ataque, com subtis diferenças consoante a intensidade com que inclinamos o analógico. Para além disso, cada lutador apresenta características distintas ao nível de peso, agilidade, força, número e altura de saltos e capacidade de recuperação aérea, algo especialmente importante quando tentamos regressar à arena após sermos projectados para fora.

A introdução de Sonic em Super Smash Bros. era algo muito aguardado pelos fãs!

Entre as novidades mecânicas destaca-se o dodge, desencadeado ao pressionar o botão de escudo em simultâneo com uma direcção, permitindo esquivas rápidas. Foram também introduzidos os Final Smash: cada personagem possui um ataque devastador que pode ser executado ao apanhar o Smash Ball. Outra adição importante são os Assists, power ups que, quando utilizados, chamam ao ecrã uma personagem não jogável que interfere temporariamente na batalha. Entre elas encontramos figuras do universo Nintendo, incluindo algumas mais obscuras como o demónio de Devil World, Andross na sua versão pixelizada de Star Wing, Dr. Wright da versão SNES de SimCity, infantaria de Advance Wars, entre muitos outros. Do lado dos “convidados” surgem Gray Fox de Metal Gear Solid e Shadow do universo Sonic.

O Wind Waker não só podia estar representado na forma do Toon Link como personagem jogável, mas também com uma arena própria

No que toca aos modos de jogo com foco no single player, o modo Clássico funciona como um percurso arcade composto por uma série de desafios fixos que englobam diferentes vertentes do jogo: combates em arena, níveis com objectivos específicos como destruir todos os alvos espalhados pelo cenário e confrontos contra bosses, ao longo de doze etapas que culminam sempre num embate contra a Master Hand. O modo Events apresenta uma série de desafios especiais, jogáveis em diferentes graus de dificuldade. O modo Stadium, à semelhança do que já acontecia em Melee, inclui desafios como o Target Smash, o Home-Run Contest, onde temos de encher de pancada um saco de boxe e projectá-lo o mais longe possível, e o Multi-Man Brawl, no qual enfrentamos vagas sucessivas de inimigos. O maior destaque vai, no entanto, para o Subspace Emissary, que foi o meu principal foco. Trata-se de um modo história bastante completo, que nos leva a atravessar uma série de níveis estruturados em torno das mecânicas de combate e plataformas do jogo. Pelo caminho enfrentamos inúmeros inimigos, ultrapassamos obstáculos e assistimos a uma quantidade considerável de cenas em CGI que fazem avançar a narrativa. À medida que progredimos vamos assumindo o controlo das várias personagens jogáveis, vendo os acontecimentos sob diferentes perspectivas. Por essa razão, o modo acaba também por funcionar como um excelente “treino em serviço”, permitindo conhecer gradualmente as particularidades de todo o elenco.

Os Final Smash são ataques especiais, capazes de causar imenso dano a todos os inimigos no ecrã

Apesar do seu longo modo história e das restantes opções a solo, a série Super Smash Bros. sempre teve uma fortíssima componente multiplayer, algo que no caso de Melee evoluiu inclusivamente para o circuito competitivo profissional. Em Brawl existiam também vários modos multiplayer jogáveis localmente e, enquanto os serviços online da Nintendo estiveram activos na Wii, foi possível pela primeira vez na série disputar partidas online, algo que infelizmente não cheguei a experimentar. Ainda assim, o meu foco manteve-se essencialmente na vertente a solo, em particular no Subspace Emissary.

A série sempre se destacou pela quantidade de conteúdo desbloqueável e coleccionável, e Brawl não só mantém essa tradição como a expande de forma significativa. Começamos com um elenco inicial de 21 personagens jogáveis, podendo desbloquear muitas outras, incluindo Luigi, Falco, Toon Link (basicamente a sua versão Wind Waker), o inusitado R.O.B., Solid Snake ou Sonic, elevando o total para 35. Todas estas personagens podem ser desbloqueadas de diferentes formas, seja por horas de jogo, número de partidas brawl, ou outros critérios. Um deles é irem sendo desbloqueadas à medida que avançamos o Subspace Emissaries, o que foi particularmente útil no meu caso visto que foi o meu maior foco. Ao desbloquear todas as personagens temos acesso ao modo All-Star, onde enfrentamos todo o elenco por ordem cronológica de estreia nas suas séries de origem, começando por Mr. Game & Watch e culminando no Captain Olimar, de Pikmin. Já ao concluir o modo história desbloqueamos o Boss Battles, um autêntico boss rush.

São centenas de troféus que poderemos apanhar neste Brawl, todos eles com uma pequena descrição enciclopédica

Não poderia deixar de mencionar a secção Vault, um autêntico museu da Nintendo. Em Trophies & Stickers encontramos centenas de figuras e autocolantes do universo Nintendo, obtidos ao longo do jogo, através do cumprimento de desafios ou do mini-jogo Coin Launcher. Cada troféu inclui uma pequena descrição informativa da personagem ou jogo representado. No total são mais de 500 troféus e mais de 700 stickers, pelo que completar tudo a 100% exige um investimento exaustivo! Brawl introduz também um modo de criação de arenas que não cheguei a explorar, mas o mesmo está também aqui nesta secção do vault. Uma outra funcionalidade curiosa são as Masterpieces, pequenas versões demonstrativas de títulos clássicos disponíveis na Virtual Console, como Donkey Kong, F-Zero, Super Mario World, Ocarina of Time incluindo vários títulos desbloqueáveis como Ice Climbers, The Legend of Zelda ou Super Metroid. No entanto, tratam-se de demos bastante curtas, variando entre meros segundos e poucos minutos de jogo, funcionando mais como curiosidade histórica do que como verdadeira amostra jogável.

A ideia de demos de jogos clássicos até é boa, mas 2 minutos para o The Legend of Zelda só pode ser piada.

Audiovisualmente, Brawl impressiona dentro das limitações da Wii. As arenas são criativas e dinâmicas, seja em batalhas espaciais inspiradas em Star Fox, pistas de Mario Kart ou, porque não, uma recriação do primeiro nível do Super Mario Bros. mas agora com o mundo em ruínas? E como não deixar de adorar aquelas arenas com um aspecto mais retro como o ecrã de um Game & Watch, ou o clássico arcade Mario Bros.? Os modelos poligonais das personagens apresentam um nível de detalhe assinalável e o Subspace Emissary impressiona pela quantidade de cenas CGI produzidas. Na componente sonora encontramos uma banda sonora orquestral recheada de reinterpretações de temas clássicos, destacando a participação não só de talento da própria Nintendo como é o caso de Koji Kondo, mas também outros veteranos da indústria como Yuzo Koshiro, Yoko Shimomura e outros ex-Square como o caso de Nobuo Uematsu, responsável pelo tema principal.

Pela primeira vez temos a possibilidade de criar os nossos próprios cenários

No fim de contas, Super Smash Bros. Brawl foi um lançamento de peso para a Wii e nota-se claramente o carinho que Sakurai colocou no projecto. É um jogo gigantesco em conteúdo, repleto de desbloqueáveis e referências ao universo Nintendo, agora expandido para além das suas fronteiras tradicionais. Para além disso, a inclusão de um modo história longo e ambicioso como o Subspace Emissary deu-lhe uma identidade própria que me encheu as medidas. Fico, naturalmente, curioso para perceber o que veio a seguir na série!

Wonder Boy Anniversary Collection (Sony Playstation 4)

O artigo de hoje será relativamente simples (mas não necessariamente curto!), mais para marcar presença no blogue enquanto continuo entretido com videojogos mais longos. Decidi escrever então sobre esta compilação Wonder Boy Anniversary Collection, da qual dispendi pouco mais de uma hora. Já joguei todos os títulos aqui presentes de uma forma ou de outra e, ainda por cima, já escrevi sobre todos eles no passado, pelo que podem contar com imensas hiperligações para as minhas análises anteriores. O meu exemplar foi comprado à Strictly Limited Games algures no início de 2024, por cerca de 50€.

Jogo com caixa e manual

Esta é mais uma das parcerias entre a Strictly Limited Games e a ININ Games, que têm colaborado com bastante regularidade em lançamentos de cariz retro. Um comportamento recorrente nessa parceria é a forma como tratam certas compilações: existe uma edição “limitada” mais completa e uma edição de retalho mais modesta, 100% a cargo da ININ. A Wonder Boy Anniversary Collection foi anunciada em 2022 pela Strictly Limited, assumindo-se como a compilação “definitiva” da série clássica Wonder Boy, reunindo todos os jogos principais lançados nas décadas de 80 e 90, incluindo múltiplas variantes regionais e alguns extras adicionais. No mesmo ano, a ININ Games lançou em retalho uma outra compilação simplesmente intitulada Wonder Boy Collection. Enquanto o lançamento limitado inclui seis jogos com várias variantes, num total de 21 versões, o lançamento de retalho normal contém apenas quatro títulos: os dois jogos arcade, Wonder Boy in Monster World na sua versão Mega Drive e o fantástico Monster World IV. Sem variantes, sem grande parte dos extras. A discrepância é evidente e pode facilmente apanhar desprevenido quem não esteja atento.

Isto já tinha acontecido com outras compilações, como JaJaMaru: Legendary Ninja Collection, precedida do lançamento de retalho Ninja JaJaMaru: The Great Yokai Battle + Hell , ou as Turrican Anthology, antecedidas pelo Turrican Flashback, também com menos conteúdo. A boa notícia, que infelizmente só descobri mais tarde, é que algumas destas edições “completas” da Strictly Limited acabaram por receber lançamentos de retalho no Japão e/ou noutros territórios asiáticos. Algumas dessas versões são multilíngua, tornando-se alternativas perfeitamente viáveis face à raridade e especulação associadas às edições limitadas. Esta compilação não é excepção: no Japão foi lançada como Ultimate Wonder Boy Collection para Switch e PS4. No entanto, não consegui confirmar se essas versões incluem inglês, pelo que convém ter isso em consideração.

Esta sim, a versão definitiva da compilação. Todos os jogos da série principal, nos seus lançamentos originais e diversas variantes.

Mas chega de divagações e vamos ao que interessa. Esta compilação reúne todos os lançamentos principais da série Wonder Boy publicados originalmente nas décadas de 80 e 90, bem como praticamente todas as suas variantes regionais, pelo menos aquelas que foram publicadas pela Sega. Não esperem encontrar aqui Adventure Island, nem as versões da Hudson para a PC Engine, ou outras versões como Saiyuuki World. A série Wonder Boy já é suficientemente confusa do ponto de vista legal e histórico, pelo que incluir também as versões reinterpretadas por outras editoras seria provavelmente inviável. Ficaram igualmente de fora as versões para computadores ocidentais dos anos 80, o que é compreensível.

Começando pelo Wonder Boy original, lançado nas arcadas em 1986, estamos perante um jogo de plataformas puro e duro. Ao contrário dos títulos da sub-série Monster World, que introduziram mecânicas de RPG e estruturas mais abertas, este é um jogo linear, algo repetitivo nos cenários, com uma jogabilidade exigente devido à inércia e à precisão necessária nos saltos. Estão incluídas a versão arcade original, a modesta adaptação para a SG-1000, e as versões Master System e Game Gear, todas com variantes japonesa e ocidental.

O Wonder Boy original é o jogo mais simples e repetitivo da colectânea. Mas está aqui presente em imensas versões distintas!

Segue-se Wonder Boy in Monster Land, lançado originalmente em arcade no ano de 1987. Este é um lançamento pivotal na série. Embora ainda seja relativamente linear, com progressão por níveis distintos, introduz mecânicas ligeiras de RPG, como a possibilidade de amealhar dinheiro para comprar equipamento, magias e outros itens em lojas. A compilação inclui as versões arcade e Master System, ambas nas suas variantes japonesa e ocidental.

Wonder Boy in Monster Land, a sua versão arcade em todo o seu esplendor

Depois temos Wonder Boy III: Monster Lair, outro lançamento arcade, de 1988. É um título peculiar dentro da série, misturando níveis de plataformas tradicionais com secções de shmup. É também o primeiro jogo da série concebido para hardware de 16 bits. Estão presentes a versão arcade internacional e a versão ocidental da Mega Drive. Ficou de fora a versão PC Engine CD o que é uma pena, pois é frequentemente apontada como uma conversão superior. Sendo um lançamento da Hudson, é provável que a inclusão dessa versão implicasse questões adicionais de licenciamento.

Wonder Boy III: Monster Lair é outro título algo distinto na série e o último a ter um lançamento arcade

O “outro” Wonder Boy III aqui presente é o The Dragons Trap, o primeiro título da série a sair exclusivamente em consolas, ainda no ano de 1989. Foi também o primeiro a adoptar uma estrutura de mundo interligado, com progressão não linear, assumindo claramente uma fórmula metroidvania. É um excelente jogo, dos melhores da Master System, e está aqui representado nas suas versões Master System e Game Gear, ambas com variantes japonesa e ocidental. Se gostarem deste jogo, recomendo fortemente que joguem também o seu remake recente, naturalmente não incluído nesta compilação.

Em The Dragon’s Trap, poderemos nos transformar em diversos animais que por si só nos dão habilidades distintas.

Segue-se o Wonder Boy in Monster World, lançado originalmente no Japão em 1991 para a Mega Drive e no Ocidente em 1992. Mantém a fórmula metroidvania do seu predecessor e,. apesar de ser um óptimo jogo, continuo a achar The Dragon’s Trap mais refinado em termos de design. Temos aqui presentes as versões Mega Drive, japonesa e ocidental, assim como a versão Master System, uma adaptação mais modesta lançada sobretudo no mercado europeu em 1993.

O seu sucessor é visualmente muito interessante, mas no que toca a mecânicas de jogo acho-o um nadinha mais fraco.

Por fim, temos Monster World IV, lançado exclusivamente no Japão para a Mega Drive em 1994. É um título icónico, introduzindo uma protagonista feminina e novas mecânicas, embora com uma progressão mais segmentada e não tão próxima da fórmula metroidvania. Está incluída a versão japonesa original, e a versão ocidental, lançada oficialmente apenas em 2012 para serviços digitais como a Virtual Console da Nintendo Wii, Xbox Live Arcade e PlayStation Network. Se gostarem deste jogo, também recomendo vivamente que explorem Asha in Monster World, um excelente remake disponível nos sistemas modernos e que naturalmente também não faz parte desta compilação.

Monster World IV, outrora um exclusivo japonês, está também aqui presente em inglês

De resto, convém mencionar, para além de todos estes jogos e suas variantes, o que mais traz esta compilação. Confesso que não joguei tempo suficiente de todos os jogos aqui presentes, muito menos todas as suas variantes, para afirmar com segurança que a emulação é perfeita. Ainda assim, temos sempre a possibilidade de usar mecanismos como save states ou rewind, algo particularmente útil nos títulos mais antigos e com jogabilidade mais castigadora. Existe também a opção de fast forward, embora sinceramente não lhe veja grande utilidade. Temos igualmente várias possibilidades de, em cada jogo, customizar os ecrãs de fundo, o aspect ratio da imagem, ou aplicar vários filtros gráficos que aproximem a qualidade visual das saudosas CRTs, activando e customizando funcionalidades como scanlines ou parâmetros que simulam a curvatura do ecrã dessas televisões.

Um dos extras aqui incluídos é a possibilidade de vermos um mapa de cada nível ou secção de jogo

Outros extras incluem mapas de cada nível ou cenário, disponíveis em todas as versões aqui presentes, o que acho bastante interessante. Temos também um pequeno museu, onde poderemos ver alguma arte, scans de caixas de jogos, cartuchos e respectivos manuais, nas suas diferentes regiões. Infelizmente, no entanto, nota-se alguma falta de brio e profissionalismo. Existem pequenos erros ortográficos em textos e manuais, bem como inconsistências no material de bónus. Por exemplo, o Wonder Boy da Master System inclui scans da versão europeia da caixa, mas o manual apresentado é o da versão norte-americana. Algumas variantes regionais têm também material em falta e, no caso de Monster World IV, é o único título onde nos é facultado material de arte do seu desenvolvimento. Fica a dúvida se nada mais sobreviveu dos lançamentos anteriores. É pena, se assim for.

Outro dos extras são as galerias de arte e scans de materiais de cada jogo presente

Concluindo, devo dizer que, tirando as pequenas inconsistências que assinalei anteriormente, considero esta compilação essencial para todos os fãs de Wonder Boy. Só tenho pena de o lançamento disponível em retalho normal, a Wonder Boy Collection, ser uma mera sombra do conteúdo disponível nesta versão. Os lançamentos originais da Strictly Limited esgotaram há muito e raramente surge algum à venda que não seja por valores claramente inflaccionados.

Broken Sword: The Angel of Death (PC)

Tempo de voltar à série Broken Sword, pois depois de ter jogado o seu terceiro título, Sleeping Dragon, algures no final de 2012, nunca mais me lembrei de ir atrás das suas sequelas. Felizmente, no ano passado, comprei este The Angel of Death para o PC por meros cêntimos numa CeX, pelo que chegou agora finalmente a vez de o jogar. Confesso que já muito pouco me lembrava da série, a não ser pela dinâmica muito própria do par protagonista. Apenas o primeiro jogo ainda estava bem presente na minha memória: a icónica cena no café parisiense e a forma como uma grande conspiração foi sendo revelada, enquanto duas personagens perfeitamente desconhecidas entre si iam formando um laço bastante forte, quase até romântico. Confesso também que, tendo em conta que este jogo era, tal como o seu predecessor, inteiramente em 3D, não estava com muitas esperanças, mas ainda assim decidi avançar.

Jogo com caixa, manual e papelada

Aqui voltamos a controlar o advogado norte-americano George Stobbart, que num certo dia recebe a visita de uma mulher que lhe pede ajuda. Anna Maria tem em sua posse um manuscrito medieval que acredita conter pistas sobre a localização de um valioso tesouro, pelo que recorre a George para o decifrar, visto este ser também conhecido pelas suas façanhas aventureiras. O problema? Anna Maria tem vindo a ser perseguida por uma organização mafiosa que quer recuperar esse pergaminho a todo o custo, pelo que acabamos, invariavelmente, por tropeçar numa grande conspiração. Sem querer revelar muitos mais detalhes, digamos apenas que a relação entre George e a sua cliente acaba por ter um grande destaque na narrativa. Já a sua amiga e companheira das aventuras anteriores, Nico Collard, bom… digamos apenas que surge na segunda metade da história.

O que não faltam aqui são momentos de sarcasmo que constantemente me arrancaram sorrisos da cara

Sleeping Dragon foi um jogo já pensado um pouco mais no mercado das consolas, visto as aventuras gráficas tradicionais terem entrado em declínio no início do novo milénio. A clássica mecânica point and click foi substituída por um sistema de controlo focado num comando e o jogo possuía vários segmentos de acção ou furtividade que acabaram por alienar um pouco os fãs mais acérrimos das aventuras gráficas tradicionais. Este The Angel of Death, apesar de ser o único título da saga exclusivo no PC, acaba por ter um pouco de ambos. O sistema point and click marca o seu regresso, embora seja igualmente possível controlar o movimento das personagens através das setas do teclado. O jogo possui um sistema “inteligente”, na medida em que o ícone que surge no ecrã sempre que apontamos o rato para um ponto de interesse é o que supostamente faz mais sentido: uma boca quando apontamos para uma personagem, uma mão quando apontamos para um objecto coleccionável, ou uma roldana quando estamos perante algo interactivo. Ainda assim, ao pressionar o botão direito do rato surge um balão com todas as acções disponíveis para esse ponto, caso as queiramos experimentar ou a opção atribuída por defeito não seja a mais indicada.

Apesar da interface point and click estar de volta, a movimentação pelos cenários nem sempre é a mais precisa, especialmente em situações como esta, onde é mais vantajoso usar o teclado.

Temos na mesma, ocasionalmente, alguns segmentos de furtividade, mas felizmente não são tão frustrantes quanto no título anterior. É igualmente possível sermos apanhados e George ou Nico perderem a vida, mas o jogo recarrega automaticamente um checkpoint muito próximo do ponto onde falhámos. Os puzzles não são particularmente exigentes do ponto de vista lógico, embora nem sempre sejam assim tão óbvios quanto isso. Gosto particularmente daqueles desafios mais à Indiana Jones, onde teremos de interpretar documentos antigos para progredir. Sendo este um jogo que decorre verdadeiramente dentro do novo milénio, George já possui um smartphone com o qual pode não só telefonar a outras personagens, algo que teremos inclusivamente de fazer para ultrapassar certas situações, mas também ganhar a habilidade de fazer hacking a computadores e outros equipamentos electrónicos. O hacking em si assume a forma de um interessante mini-jogo onde teremos de direccionar um feixe de energia por vários terminais até chegar ao computador final que queremos invadir ou do qual pretendemos extrair informação.

Ocasionalmente teremos alguns momentos de acção mais furtiva onde teremos de passar despercebidos por guardas

No que toca aos audiovisuais, tal como Sleeping Dragon, este Broken Sword apresenta gráficos inteiramente em 3D, algo que pessoalmente não me agrada tanto quanto os clássicos. Os cenários, apesar de variados (visitamos várias localizações em Nova Iorque, Istambul, Roma ou o Vaticano) são representados por gráficos poligonais com pouco detalhe e texturas algo simples, e o mesmo pode ser dito das personagens, ainda que estas revelem algum cuidado adicional nas expressões faciais. A simplicidade dos cenários e, sobretudo, os ângulos de câmara pré-determinados acabam muitas vezes por dificultar a identificação de pontos de interesse, atrasando desnecessariamente o progresso. Pessoalmente prefiro de longe o pixel art caprichado em detalhe e animação que o lançamento original do primeiro Broken Sword nos oferecia, assim como noutros clássicos europeus como foi o caso de Discworld.

Já no que toca ao som, a banda sonora é composta maioritariamente por temas mais calmos que contribuem de forma positiva para a atmosfera. O voice acting, felizmente, é na maioria dos casos bastante competente. Gosto particularmente da personagem de George, repleta de sarcasmo e ironia, que me foi arrancando alguns sorrisos à medida que ia interagindo com as restantes personagens. O bom humor da narrativa acaba, no entanto, por contrastar bastante com a sua recta final que, sem entrar em spoilers, me desapontou bastante. O jogo termina de forma tão abrupta que deixa uma estranha sensação de vazio, e a ausência de um epílogo que ajude a dar verdadeiro fecho à narrativa faz suspeitar que o seu desenvolvimento tenha sido apressado.

Infelizmente Nico apenas surge na segunda metade do jogo, mas ao menos temos um capítulo inteiramente jogado com ela.

Portanto devo dizer que este Broken Sword: The Angel of Death foi um jogo que me desagradou, particularmente na sua recta final. Continuo a não ser um fã destes visuais 3D quando comparados ao 2D muito bem detalhado dos primeiros dois jogos, mas o regresso do sistema point and click, mesmo com os seus problemas, foi muito bem-vindo. O sarcasmo de George foi algo que me agradou bastante à medida que ia descortinando aquele mistério, ajudando a disfarçar muitas das imperfeições que o jogo foi revelando. Mas aquele final acabou por comprometer seriamente a experiência. Não pelos acontecimentos em si, mas pela forma abrupta como tudo é encerrado, sem qualquer espaço para as coisas assentarem e sem um verdadeiro sentimento de conclusão. Acontece algo importante e dramático, as personagens trocam uma ou duas frases curtas, o ecrã escurece e entram os créditos. Sem epílogo, sem qualquer complemento que permita assimilar o que acabou de acontecer. Ainda assim, fico curioso com o último capítulo da saga, lançado originalmente entre 2013 e 2015 na forma de duas partes. Pelo menos visualmente parece-me mais apelativo, com um regresso a um 2D bem detalhado. Veremos o que The Serpent’s Curse nos terá para apresentar.