Road Rash (Sega Mega Drive)

Escrever sobre o Road Rash original da Mega Drive, depois de já ter escrito sobre as suas sequelas directas (RR2 e RR3), a surpeendentemente competente conversão da Master System, ou mesmo o seu remake para a Sega Saturn, não sei mesmo o que mais dizer aqui, pelo que esperem por mais um artigo curto. O meu exemplar foi comprado a um amigo no mês passado, tendo-me custado algo entre os 5 e os 10€.

Jogo com caixa

Como já todos sabem, o propósito do Road Rash é participar em corridas ilegais de motos, sendo que neste primeiro jogo iremos percorrer várias estradas nacionais ao longo do estado da California. Começamos por competir com uma moto modesta, ao longo de percursos relativamente curtos, sendo que se terminarmos a corrida nos primeiros lugares podemos avançar para a corrida seguinte. Mediante o lugar onde terminamos cada corrida ganhamos mais ou menos dinheiro que pode posteriormente ser usado para comprar motos mais potentes, algo que teremos mesmo que fazer pois a dificuldade (e distância) vai aumentando progressivamente.

O dinheiro que ganhamos nas corridas pode depois ser usado para comprar novas motos

E claro, sendo este um jogo de corridas de motos ilegais, é aceite que possamos bater nos nossos oponentes. Inicialmente podemos apenas dar socos e pontapés, mas com alguma habilidade poderemos roubar armas dos outros motociclistas, como bastões de baseball ou correntes metálicas. Cada personagem possui uma barra de vida (incluindo nós) pelo que se os conseguirmos derrotar faz com que caiam da moto, causando também dano na moto (algo que também temos de ter em conta nós próprios). Acidentes fazem com que sejamos disparados da nossa moto, tendo depois de andar a pé até ao local onde a moto ficou. Tendo em conta que também vamos ver motos da polícia pelo caminho (que não se inibem de nos dar pancada), cair da moto enquanto somos perseguidos pela polícia geralmente acaba em sermos presos. O dinheiro que vamos amealhando, para além de comprar novas motos, serve também para reparar a nossa moto ou pagar as multas/fianças de cada vez que somos apanhados pela polícia.

Se cairmos da moto, só nos resta ir a pé atrás dela.

De resto, a nível técnico, sempre gostei da apresentação do jogo, seja pelas interacções que vamos tendo com os outros oponentes entre cada corrida, ou as pequenas (e geralmente cómicas) cutscenes que vemos no final de cada corrida. Durante as corridas em si, os cenários são minimamente bem detalhados, dentro do habitual nos jogos de corrida da Mega Drive. Temos é várias colinas, pelo que a estrada vai subindo e descendo de maneira suave. Na parte inferior do ecrã temos também a vista traseira dos dois espelhos retrovisores da moto, algo muito útil para percebermos se algum oponente nos está a tentar ultrapassar. As músicas têm também uma toada mais rock, o que se adequa bem ao conceito do jogo e também me agrada particularmente.

Portanto estamos aqui perante mais um clássico da era 16bit, um clássico que deixa uma certa saudade, já era tempo da Electronic Arts revisitar esta franchise.

 

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Strider (Sega Mega Drive)

Já cá abordei a conversão do Strider para a Master System, pelo que dessa forma este artigo não será muito extenso. O projecto Strider é possivelmente o mais ambicioso da Capcom da década de 80, pois investiram imenso em criar um universo alternativo onde temos os Striders, ninjas high-tech que lutam contra o regime de um tirano, o feiticeiro Meio. Para além do jogo arcade cuja conversão para a Mega Drive trago cá hoje, produziram também uma manga e um outro jogo para a NES que nada tem a ver com o arcade., tudo isto no espaço de 2, 3 anos. O meu exemplar veio no mês passado, foi comprado a um particular no Reino Unido, ficou-me em algo à volta dos 15€.

Jogo com caixa e manual

Bom, a Master System foi uma consola que não fez assim tanto sucesso quanto isso durante a década de 80 (excepto em solo europeu e brasileiro), pelo que nos primeiros tempos da Mega Drive, era a própria Sega que adquiria licenças de outros jogos famosos da época e convertia (ou subcontratava) os mesmos para as suas consolas. O caso da Capcom é um dos mais notórios, pois tanto Forgotten Worlds, Ghouls and Ghosts e este Strider tiveram as suas conversões para a Mega Drive directamente pelas mãos da Sega.

Hiryu é um ninja muito acrobático, a jogabilidade é óptima!

Este é um jogo de acção/plataformas 2D, mas onde Hiryu (o protagonista) é um ninja bastante ágil e acrobático e isso traduz-se na jogabilidade. É comum darmos saltos acrobáticos entre plataformas, ou dependurarmo-nos nas mesmas e para atacar os inimigos temos uma espada com um alcance considerável. Inimigos esses que vão surgindo um pouco por todos os lados, pelo que felizmente temos uma barra de vida que nos deixa levar com alguns golpes antes de perdermos uma vida. Felizmente também por vezes podemos encontrar alguns power ups que nos restabeleçam a nossa barra de energia, ou então alguns robots diferentes que nos ajudam a atacar os inimigos.

Graficamente falando é uma versão competente e que não fica muito a perder face ao original arcade

Os níveis em si são bastante interessantes e tipicamente culminam no confronto contra um boss. Logo o primeiro nível é sem dúvida o mais memorável, pois aterramos nos telhados do que parece ser uma espécie de Kremlin, culminando com a nossa invasão a um parlamento/senado, onde os seus membros saltam dos seus assentos e se juntam para formar uma espécie de centopeia robótica! Depois nos níveis seguintes avançamos para os céus, acabando por nos infiltrar uma fortaleza voadora gigante, onde podemos inclusivamente brincar um pouco com as leis da gravidade, ao inverter a mesma, ou mesmo no confronto contra o boss desse nível, onde podemos inclusivamente orbitar à volta do mesmo, enquanto o atacamos. É sem dúvida um jogo muito imaginativo e original para a época.

Entre cada nível vamos tendo pequenas cutscenes que vão contando o que se passa à nossa volta.

A nível técnico, esta conversão é muito mais próxima do original arcade do que a pobre Master System alguma vez poderia almejar. No entanto, alguns sacrifícios foram feitos a nível de detalhe das sprites, dos níveis e por vezes notamos algum slowdown na jogabilidade. Ainda assim, não está de todo longe da versão arcade e para 1990 esta versão parecia-me ser a melhor fora do arcade. Sobre as músicas, confesso que nunca fui um grande fã desta banda sonora, no entanto temos uma ou outra música que possuem melodias algo sinistras e que até nem desgostei.

Portanto este Strider é para mim um grande clássico e esta versão Mega Drive, apesar de hoje em dia estar desactualizada visto que existem várias conversões fieis do original arcade em diversas compilações, não deixa de ser uma óptima conversão para a época. É um jogo que demorou bastante a entrar na minha colecção, pois por algum motivo achava que já o tinha. Mas ainda bem que o fiz!

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Pit-Fighter (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas para a Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é mais um publicado pela Tengen, o braço da Atari Games (que inicialmente se focava apenas no ramo das arcades) para publicar os seus títulos em consolas. O jogo que cá trago hoje é o Pit-Fighter, um clássico de arcade pré-Street Fighter II, já com personagens e arenas digitalizadas, práctica que veio mais tarde a ser bem mais popular com o Mortal Kombat. O meu exemplar foi comprado no mês passado a um particular por 5€.

Jogo com caixa e manual

Neste jogo podemos escolher um de três lutadores disponíveis, para participar numa série de combates, aparentemente ilegais. Temos o Bill Chase, um antigo wrestler profissional, Marc Williams, um campeão de kickboxing e Glenn Fraticelli, um cinturão negro, mas que não especificam a sua arte marcial. Escolhendo o lutador, visto que cada um possui diferentes atributos físicos (por exemplo o Bill é o mais forte, mas também mais lento), somos largados numa série de combates violentos contra outros oponentes, estes que já seguem uma ordem fixa. Para além disso, a cada 2 ou 3 combates vamos tendo também alguns combates bónus, os Grudge matches. Estes colocam-nos a combater contra um clone do nosso lutador onde o objectivo é atirá-lo ao chão 3 vezes. Se perdermos esse combate bónus, nada acontece, no entanto se o vencermos ganhamos mais dinheiro, que se traduz em mais pontos.

A versão Mega Drive não é graficamente impressionante com o original arcade foi em 1990, mas não está má de todo.

A jogabilidade é simples no papel com um botão para dar socos (ou apanhar itens), outro para pontapés e um outro para saltar. Ao usar combinações dos vários botões podemos dar pontapés aéreos, defender, ou agarrar os oponentes. Ao pressionar os 3 botões faciais em simultâneo, despoletamos um golpe especial. Tanto o jogador como os oponentes possuem uma barra de vida e o objectivo é reduzir a barra de vida dos adversários a nada, se bem que tipicamente os adversários possuem uma barra de vida maior. A jogabilidade faz no entanto lembrar a de beat ‘em ups como Streets of Rage, pois a arena é um plano em pseudo 3D onde podemos (e devemos) movimentarmo-nos livremente pela mesma. Nos combates em si vale tudo, pois muitas vezes temos objectos como facas, barris, ou mesmo bancos espalhados pela arena e que podem ser usados como arma, tanto por nós, como pelos oponentes. Ocasionalmente também temos alguns membros da plateia que se tentam intrometer e dificultar-nos a vida também. Mas no fim de contas, a nível de jogabilidade este jogo ainda está muito longe do que Street Fighter II viria a introduzir. É verdade que cada personagem possui diferentes ataques especiais, mas no fundo este é um button masher. O original arcade deixava-nos jogar com até 3 jogadores em simultâneo, mas este só deixa jogar com 2. No entanto, com 2 jogadores acabamos por ter de defrontar sempre mais oponentes em cada combate.

Ocasionalmente temos algumas rondas bónus que nos dão mais pontos se conseguirmos derrotar o nosso clone

A nível técnico é uma conversão com muitos sacrifícios face ao original. As sprites não estão de todo tão bem detalhadas, assim como as suas animações poderiam ser mais fluídas. O original arcade tem umas mecânicas de zoom (algo parecidas com o Art of Fighting) que não existem aqui, onde temos sempre quase toda a arena visível. As arenas em si são armazéns, bares, garagens e afins, sempre rodeados de gente a assistir aos combates. Mas o púlbico, por norma, está muito mal caracterizado, quase sempre a preto e branco (embora também seja assim na versão arcade), e com muito menos detalhe. As músicas sinceramente não as acho nada de especial. Por um lado têm uma toada rock que me agrada, por outro confesso que as melodias não são nada de especial e a versão Mega Drive não ganhou em nada. As vozes, infelizmente também têm muito má qualidade nesta conversão. Mas para mim não é o mais importante, de longe.

Portanto este Pit Fighter é daqueles jogos que para mim é um pouco difícil de classificar. Quando era mais novo joguei-o e não achei piada nenhuma. No entanto, hoje em dia, olhando para as coisas de outra forma, continuo a achar tecnicamente um jogo mauzinho, mas por outro lado é tão cheesy, que até se torna bom. E o multiplayer até se torna divertido!

 

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Pac-Mania (Sega Mega Drive)

Voltando a mais uma super rapidinha na Mega Drive, hoje trago cá mais uma conversão, cuja outra versão já cá trouxe. Estou-me a referir ao Pac-Mania, uma sequela do Pac-Man, originalmente lançada nas arcades em 1987, com versões para consolas domésticas e outros sistemas a não tardarem em sair. A versão que eu já cá analisei foi a da Master System, publicada pela TekMagik algures em 1991, já a versão Mega Drive foi publicada pela infame Tengen. A Tengen, que na verdade era um braço da Atari Games, que por sua vez era uma subdivisão da Atari Corporation focada apenas nos jogos arcade. Como jogos para consolas e computadores estavam a cargo da Atari Corporation, a Atari Games para entrar no mercado das consolas criou então esta sua subsidiária. Como na altura era a Atari Games (não a Corporation) que detinha direitos de distribuição de videojogos do Pac-Man, faz sentido que tenha sido a Tengen a empresa responsável por publicar esta conversão. O mundo do licenciamento nos videojogos é tão confuso e divertido… Mas pronto. O meu exemplar foi comprado no mês passado, num pequeno bundle de jogos de Mega Drive que me ficaram a 5€ cada, num negócio a um particular.

Jogo completo com caixa e manuais

Portanto este é o mesmo jogo que eu já analisei aqui na Master System, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais detalhe. Ou seja, este jogo é uma evolução do Pac-Man original, agora numa perspectiva pseudo 3D. E com uma dimensão adicional, podemos agora saltar, se bem que por sua vez temos também alguns fantasmas que saltam ao mesmo tempo que nós, dificultando a nossa tarefa em desviarmo-nos deles. De resto os objectivos são os mesmos, ou seja, comer todas as bolinhas amarelas no nível e evitar que os fantasmas nos apanhem. Para além das bolas amarelas grandes que nos tornam temporariamente invencíveis e podemos nós comer os fantasmas, temos também outros power ups, que nos aumentam temporariamente a velocidade ou nos atribuem mais pontos.

Por incrível que pareça, acho a versão Master System mais agradável a nível de gráficos

A nível audiovisual vou ser sincero: achei a versão Master System com cores mais vivas! Aqui na versão Mega Drive são demasiado escuras. Por outro lado, as músicas na versão 16bit são mais agradáveis. Portanto, esta acaba por ser uma conversão competente de um clássico arcade que por si só acaba por ser uma evolução interessante do original. Mas sim, acaba também por se tornar um pouco repetitivo ao fim de algum tempo.

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Sherlock Holmes: Consulting Detective Volume 1 (Sega Mega CD)

Produzido pelos americanos ICOM Simulations, Sherlock Holmes: Consulting Detective é uma série de videojogos baseados em full motion video, onde encarnamos na clássica dupla de Sherlock Holmes e Dr. Watson, para resolver uma série de mistérios. Com as suas origens no computador Japonês FM Towns, foi posteriormente convertido para vários outros computadores da época e consolas com suporte a CD Rom, como é o caso da Mega CD que acabou por receber os primeiros 2 volumes desta série. O meu exemplar veio do UK há uns meses atrás, tendo-me custado 12 libras se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Neste primeiro volume temos 3 mistérios para resolver: O caso da maldição da múmia, o da assassina mistificada e por fim o mistério do soldado de lata. Em cada um deles começamos com um vídeo com uma pequena conversa entre Holmes e Watson, depois lá temos a liberdade para explorar mais. E como então se joga este jogo? Bom, para cada caso temos um adress book que podemos explorar e visitar outras personagens de forma a obter mais pistas, sejam parentes das vítimas, testemunhas, ou outras instituições como a Universidade de Londres, ou Scotland Yard, a polícia de investigação lá do sítio. Sempre que ecolhemos visitar alguém, temos direito a uma cutscene que pode ter apenas breves segundos (no caso de ser alguém não relevante para o caso), como vários minutos. Para além disso podemos também consultar os jornais da época, os ficheiros do próprio Sherlock Holmes sobre essas pessoas para mais pistas, ou solicitar a ajuda dos “Baker Street Irregulars”, uma rede de pequenos espiões que Sherlock possui espalhados pela cidade, e que também nos podem dar mais pistas sobre as pessoas que lhes indicarmos.

Uma das primeiras coisas que podemos fazer em cada caso é consultar os jornais

Quando tivermos juntado pistas suficientes, poderemos comparecer no tribunal, onde o Juíz nos pergunta quem são os culpados e logo de seguida qual a nossa justificação. Se acertarmos nas respostas, caso resolvido! Depois o jogo tem um sistema de pontuação que nos prejudica se perdermos muito tempo a resolver o caso, ou seja, se falarmos com pessoas que não trazem nada de relevante para a investigação, consultar ficheiros em demasia, etc, ganhamos muitos mais pontos do que os mínimos para termos uma pontuação que aos olhos do jogo equivale a uma boa performance. Bom, eu torço o nariz para isto, pois é muito mais enriquecedor para a narrativa e experiência no geral se levarmos o nosso tempo e falar com toda a gente. Depois a outra coisa que torço o nariz é que estamos a condenar pessoas sem qualquer prova. Apenas construimos teorias com base em testemunhos! Falta aqui algo mais que posteriormente veio a ser introduzido nos jogos do Sherlock Holmes produzidos pela Frogwares.

Infelizmente a qualidade dos vídeos na versão Mega CD não é tão boa

A nível técnico, infelizmente a versão Mega CD possui os vídeos numa resolução muito baixa e com pouca cor, algo normal devido às limitações técnicas da plataforma. Mas infelizmente o som também sai um pouco abafado, quando comparado com a versão PC. Mas vendo os vídeos na versão PC, onde os mesmos têm mais nitidez, devo dizer que até nem desgostei da actuação de todos os actores. Há alguns mais exagerados que outros, é verdade, mas no geral gostei da sua prestação, o que não é muito habitual em jogos de FMV antigos.

Portanto este Sherlock Holmes Consulting Detective até que é um jogo interessante, tendo em conta que é um daqueles títulos bem carregados em cutscenes vídeo com actores reais. Para além da qualidade dos vídeos não ser grande coisa na Mega CD, o que já seria esperado, é mesmo a falta de alguma investigação forense que mais prejudicou o jogo para mim. A ver se experimento o segundo volume!

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Batman (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas na Mega Drive, e depois de ter escrito um artigo sobre a adaptação para a NES do primeiro filme do Batman realizado pelo Tim Burton, a Sunsoft ficou também encarregue da versão Mega Drive, que acabou por sair mais tarde (tal como a da PC-Engine/Turbografx) e que, tal como todas as outras, é um jogo inteiramente diferente. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular no passado mês de Março, a quem eu muito agradeço.

Jogo com caixa

Na verdade este é também um sidescroller 2D com alguns elementos de plataformas, mas muito diferente da versão NES. Aqui o Batman não consegue saltar de parede em parede e possui apenas o batarang (mais uma vez com munição limitada) como arma opcional. No entanto pode usar o seu gancho para alcançar plataformas altas, algo que teremos mesmo de usar nalguns níveis. Para além disso, temos 2 níveis que funcionam como shmups horizontais, onde num deles conduzimos o Batmobile, já no outro conduzimos o seu Batwing pelos céus de Gotham. Ambos os veículos possuem tiros de metrelhadora ilimitados e um número limitado de mísseis. Os power ups que encontramos podem ser munições para o batarang ou mísseis no caso dos níveis com veículos, vidas extra, ou corações que restabelecem a nossa barra de energia.

É verdade que aqui não temos serras eléctricas nas paredes, mas também temos alguns desafios

Outra coisa que salta à vista é que esta versão está mais próxima dos acontecimentos do filme. Aliás, se esperarmos algum tempo no ecrã título, começa a surgir um texto de introdução ao filme, que na verdade acaba por resumir o filme todo, o que não faz muito sentido, era suposto ser apenas uma introdução. Mas começamos na mesma nas ruas de Gotham, passando pela fábrica de produtos químicos, onde defrontamos Jack Napier e assistimos à sua transformação em Joker, após cair num tanque com produtos químicos. Depois lá passamos por um museu, onde resgatamos a jornalista Vicki Vale das mãos de Joker. Pelo meio de níveis com veículos lá visitamos a catedral de Gotham, onde defrontaremos uma série de inimigos, incluindo todos os bosses anteriores de forma sequencial, culminando com o combate final contra o Joker no topo das torres da Catedral.

Um shmup? Por esta não estavam à espera!

Graficamente está um jogo bem competente, com sprites pequenas, porém bem detalhadas e animadas. Os cenários também estão bem detalhados, mas gosto particularmente do primeiro nível, com umas ruas de Gotham, à noite, mas muito bem caracterizadas. Mais uma vez, e como é habitual nos títulos da Sunsoft, as músicas são também excelentes e muito viciantes.

Portanto este é mais um jogo sólido do Batman e da Sunsoft, que recomendo bastante se o encontrarem a um preço apetecível. Aliás, dos bons jogos que a Sunsoft desenvolveu/publicou para a Mega Drive, este é facilmente o mais comum e acessível!

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Alex Kidd in Shinobi World (Sega Master System)

Não é segredo nenhum que Alex Kidd foi uma das várias tentativas da Sega em criar uma mascote para as suas consolas. E se por um lado o Miracle World até que é um jogo de plataformas bem competente, os que lhe seguiram nem tanto, até porque muitos deles foram inclusivamente adaptados de outros videojogos que não tinham nada a ver com o Alex. É o caso do High Tech World, por exemplo. E depois do Alex Kidd in the Enchanted Castle para a Mega Drive, onde de certa forma voltaram às raízes do primeiro jogo, a Sega lançou um último título para a Master System, este Shinobi World, que como o nome indica, vai buscar muitas influências aos Shinobi, também da Sega. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês, custou-me algo em torno dos 5€.

Jogo com caixa

A história segue o cliché do costume: a namorada de Alex foi raptada por uma entidade maligna, o ninja Hanzo! Vamos então percorrer uma série de níveis e enfrentar uns quantos ninjas pelo caminho! Felizmente o Alex Kidd herdou também os poderes do espírito do guerreiro que derrotou Hanzo 10000 anos antes, pelo que teremos novas habilidades para usar – sim, porque jogar pedra, papel e tesoura com ninjas não deve ser lá grande ideia.

Graficamente até que é um jogo bem colorido

Portanto Alex ataca agora com uma espada, se bem que ao longo do jogo poderemos encontrar outros power ups que nos dão novas habilidades. Temos corações que regeneram e/ou extendem a nossa barra de vida (que infelizmente faz reset sempre que entremos num conjunto novo de níveis), bem como podemos apanhar uma espada mais poderosa ou kunais que podem ser atiradas à distância. Sempre que apanhamos um desses power ups, acabam por substituir a arma que tínhamos equipada anteriormente. Mas também é algo que faz reset quando avançamos um nível. O que sobra, para além de vidas extra, é um outro power up que transforma Alex num tornado invencível durante alguns segundos. Para além disso, o ninja Alex possui ainda a habilidade de saltar entre paredes (como no Ninja Gaiden), ou rodopiar sobre si mesmo em postes, varões ou barras horizontais, saindo depois disparado como uma bola de fogo, capaz de derrotar inimigos e destruir alguns blocos especiais. O maior problema do jogo, para além de não ser propriamente difícil, é mesmo pela sua curta duração. Temos apenas 4 “mundos”, com 3 níveis cada, sendo que o terceiro é sempre o confronto contra um boss.

Podemos subir a postes e rodopiar sobre os mesmos a alta velocidade, até sairmos disparados como uma bola de fogo invencível

E falando nos bosses, esses são paródias de outros bosses do Shinobi original. O primeiro, Kabuto, é uma paródia ao Ken-Oh, o primeiro boss do primeiro Shinobi. Com a sua armadura de samurai, é ir atacando até que ele de repente diminui bastante de tamanho! Bom, como assim? Isso não acontecia no Shinobi. Na verdade, este jogo esteve para ser chamado de Shinobi Kid, e era para ser uma paródia da série Shinobi assim como Dracula Kid o é para o Castlevania. E este primeiro boss nessa versão inicial chamava-se Mari-oh e tinha um bigode farfalhudo. Era portanto uma pequena alfinetada à Nintendo, e explica o facto dele encolher depois de sofrer alguns ataques. Na versão final esta sprite foi alterada, o que é pena pois acho que tinha ficado sensacional.

O jogo começou o desenvolvimento como Shinobi Kid, e o primeiro boss seria uma sátira ao Mario da Nintendo

A nível audiovisual é um jogo colorido, bem detalhado e com músicas muito boas, mesmo para a Master System que, sem o FM-Unit que se ficou apenas pelo Japão, possui um chip de som muito fraquinho e por isso são poucos os jogos desta consola que possuem músicas realmente boas.

Portanto, mesmo sendo um projecto reciclado, este Alex Kidd in Shinobi World acaba por ser uma óptima despedida a uma mascote infelizmente fracassada. Só peca mesmo pela sua curta duração!

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