Havoc (Sega Mega Drive)

Tempo de voltar a uma das minhas consolas preferidas para jogar um título que há muito tinha curiosidade. Desenvolvido pela Data East, Havoc é um produto da primeira metade dos anos 90, período em que o tremendo sucesso de Sonic the Hedgehog despoletou toda uma febre de jogos de plataforma em 2D baseados em mascotes. E enquanto que na maior parte dos jogos que a Data East desenvolveu para sistemas da Sega foram publicados pela própria Sega em território europeu, Havoc é uma excepção a essa regra, tendo sido a Codemasters a fazê-lo. Tal como os outros jogos da Codemasters da época, vem num cartucho de formato proprietário, o que me fez acreditar, durante anos, que Havoc era um jogo da própria empresa britânica! Entretanto, muito recentemente consegui comprar um exemplar completo numa CeX aqui perto de casa, pelo que chegou finalmente a vez de o experimentar.

Jogo com caixa, manual e papelada

Havoc é um jogo com uma forte temática de piratas e, tal como em muitos outros jogos de plataforma da época, controlamos uma mascote, desta vez uma foca pirata como protagonista. A história anda à volta do próprio Havoc, que procura resgatar os seus amigos Bridget e Tide das garras de um outro pirata, enquanto tenta também descobrir o paradeiro de Emeralda, uma esmeralda com poderes mágicos. Quaisquer semelhanças com as Esmeraldas Caóticas do universo de Sonic serão então mera coincidência, claro!

No que toca à jogabilidade, os controlos são simples e, tal como em Sonic, todos os botões faciais do comando da Mega Drive servem para saltar. Para atacar a maioria dos inimigos basta saltar-lhes em cima. Se pressionarmos novamente o botão de salto em pleno ar, no entanto, Havoc desfere um pontapé, um golpe necessário para causar dano nos bosses e certos inimigos que possuem protecções nas suas cabeças ou costas. Pressionando baixo e um dos botões faciais, Havoc rebola na direcção para onde está virado, um movimento incapaz de causar dano (ao contrário de Sonic), mas que pode ser utilizado para nos desviarmos de algum perigo.

O jogo abre com uma cena que nos conta a história. Temos é de ser rápidos a ler!

Os níveis vão sendo bastante variados entre si, onde vamos atravessar barcos piratas, montanhas com neve, cidades a arder, cavernas repletas de perigos, entre muitos outros locais. Alguns níveis possuem mecânicas de jogo distintas, como acontece nos Burning Hamlet. Aqui teremos alguns objectos que funcionam como extintores e que teremos de utilizar para apagar determinadas chamas. Ou o Frozen Palace, um conjunto de níveis repletos de maquinaria que congela e descongela corpos de água, onde precisaremos de utilizar esse gelo como plataforma para progredir. Os últimos níveis já são bem mais desafiantes: as cavernas de Fort Bernardo estão repletas de abismos sem fundo, plataformas minúsculas e inimigos posicionados em locais-chave apenas para nos causarem problemas. O último nível possui inimigos e projécteis a surgirem constantemente de todas as direcções, pelo que terá também de ser atravessado com a máxima atenção.

Cape Sealph, o verdadeiro primeiro nível que nos foi cortado nesta versão.

No que toca a itens e power-ups, iremos ver inúmeros diamantes espalhados pelos níveis para coleccionar. Tal como em Sonic the Hedgehog e em muitos outros jogos de plataforma da época, sempre que coleccionarmos 100 desses diamantes ganhamos uma vida extra. Também espalhados pelos níveis vamos ver vários baús de tesouro, que podem ser abertos ao saltar-lhes em cima. Esses baús podem albergar tesouros, comida que nos regenera a barra de vida, uns sapatos que nos permitem andar mais rápido ou mesmo vidas extra.

Alguns níveis possuem mecânicas de jogo próprias, como este extintor necessário para apagar as chamas à sua frente

Visualmente é um jogo bastante competente, os níveis estão bem detalhados nos seus cenários e repletos de efeitos de parallax scrolling. Os inimigos também surgem de várias formas e tamanhos, com as sprites maiores a não estarem sempre reservadas para os bosses. A banda sonora é igualmente bem trabalhada e com músicas muito agradáveis. Um detalhe muito interessante é a opção “Orchestra”, que podemos seleccionar no menu inicial. Trata-se do típico sound test onde podemos ouvir todas as músicas do jogo, mas no ecrã vemos Havoc como um maestro munido de uma batuta e toda uma orquestra de outros animais a tocar instrumentos. É um detalhe muito interessante. O que já não é muito interessante é o facto de nós, meros europeus, termos recebido um jogo demasiado adulterado. Para além de todas as referências à Codemasters que foram inseridas, por algum motivo o primeiro nível, Cape Sealph, foi removido do jogo. É uma pena, pois é um nível bonitinho. E a pior parte é que o nível até está na ROM do cartucho, mas completamente inacessível a não ser que recorramos a um Game Genie.

O sound test é um ecrã próprio muito bem elaborado. Belo detalhe!

Portanto, este Havoc até se revelou uma boa surpresa. É verdade que é mais um dos muitos jogos de plataforma 2D com mascotes que recebemos na primeira metade dos anos 90, mas é um jogo mecanicamente sólido, com uma curva de dificuldade em crescendo e tecnicamente bem feito. É pena que a versão PAL tenha perdido um nível pelo caminho. Gostava mesmo de saber o que levou a Codemasters a fazê-lo!

Shovel Knight (Nintendo 3DS)

A Nintendo 3DS foi o sistema que me acompanhou ao longo das minhas férias. E o título escolhido foi nada mais nada menos que este Shovel Knight, um jogo de acção em 2D com visuais retro e uma jogabilidade refinada, que muito bem me entreteve nas últimas duas semanas. Foi um jogo desenvolvido pela Yacht Club Games, um estúdio pequeno mas com muita experiência em jogos de acção 2D, pois foi fundado por membros da WayForward, que já haviam trabalhado em títulos como Shantae, Contra 4, ou Aliens: Infestation. O meu exemplar foi comprado no início de 2022 na Mr. Zombie por 35€.

Jogo com caixa, manual e papelada. Infelizmente tudo em francês.

A história leva-nos a controlar o intrépido Shovel Knight, assim apelidado por a sua arma ser nada mais nada menos que… uma pá! Em conjunto com a sua companheira de longa data, Shield Knight, decide explorar a Tower of Fate e, após interagirem com um amuleto, o herói é expelido da torre e a mesma é selada, deixando a sua companheira lá aprisionada. Anos passam e surge uma nova ameaça no reino: a Enchantress assola estas terras, auxiliada por uma série de outros cavaleiros da Order of No Quarter. Ao ouvir rumores de que a torre onde a sua companheira se encontra está uma vez mais aberta, Shovel Knight parte então numa nova aventura para a resgatar.

O ecrã de baixo serve de acesso rápido aos vários power ups que vamos desbloqueando.

No que toca às mecânicas de jogo, considerem Shovel Knight um jogo de acção em 2D sidescroller, com influências notórias de títulos como Castlevania, Mega Man ou mesmo The Legend of Zelda II, particularmente no seu combate e exploração, mas também influências de títulos bem mais recentes, como é o caso de Dark Souls. Shovel Knight foi também desenhado como se de um jogo de NES se tratasse, o que é bastante patente nos seus audiovisuais, mas também nas mecânicas de jogo. Isto porque apenas os botões A e B são utilizados, assim como o Start e Select, tal como num comando de NES. Um dos botões faciais serve para saltar, enquanto o outro é utilizado para atacar e, tal como em Castlevania, para usar uma arma ou item especial precisamos de pressionar para cima e atacar, depois de seleccionar esse mesmo item num dos menus. A progressão é feita através de níveis independentes entre si, podendo ser revisitados ao explorar um mapa-mundo, tal como em Super Mario Bros. 3. Os níveis estão também repletos de segredos e passagens secretas, muitas delas requerendo o uso desses mesmos itens, como é o caso de um que nos permite efectuar uma espécie de air dash, ou outro que nos concede invencibilidade temporária para conseguirmos atravessar uma série de espinhos. Todos estes itens usam magia, que vai sendo regenerada à medida que coleccionamos itens para o efeito.

O que não faltam aqui são referências a outras séries de videojogos!

Para além dos níveis “normais”, o jogo possui também algumas cidades que podem ser exploradas, onde certos NPCs nos poderão dar desafios adicionais, minijogos para cumprir, bem como vender novo equipamento e power ups em certas lojas. A unidade monetária são os tesouros que vamos encontrando à medida que exploramos os níveis e é aqui que entram as mecânicas de Dark Souls: sempre que morremos, renascemos no último checkpoint desbloqueado, mas sem uma parte considerável do dinheiro amealhado. Para o recuperar teremos de revisitar a sala onde morremos anteriormente, mas caso morramos novamente, perde-se todo esse dinheiro que ainda não tenha sido recuperado. Para uma dose extra de desafio poderemos ainda destruir checkpoints, recebendo dinheiro extra como recompensa. Ainda assim, apesar de Shovel Knight possuir alguns segmentos de platforming mais exigentes ou combates de maior intensidade, a dificuldade pareceu-me bastante equilibrada.

Visualmente é um jogo excelente. A sua estética remete imediatamente para os clássicos de acção e plataformas da geração de 8 bits, embora com uma performance naturalmente muito superior à das consolas da época, assim como cenários bastante mais detalhados e sprites muito bem animadas. Os níveis atravessam uma grande variedade de cenários, desde pura fantasia medieval, passando por muitos outros mais temáticos, como não poderia deixar de ser: uma fase aquática, um nível coberto de gelo ou outro situado num cemitério, piscando completamente o olho à estética dos Castlevania. A banda sonora é igualmente excelente, consistindo numa série de músicas chiptune que muito bem casam com a estética de cada nível. A faixa do nível explodatorium ficou-me na memória durante dias!

Visualmente é um jogo com uma pixel art muito bem detalhada, que tenta emular jogos 8bit.

Tudo isto faz parte do conteúdo base presente no cartucho. Mais tarde, quando já tinha começado a escrever este artigo, apercebi-me de que a Yacht Club Games, ao longo de cinco anos, lançou uma série de DLCs gratuitos que expandiram bastante o conteúdo disponível e a maior parte desses DLCs estava também disponível na 3DS sob a forma de actualizações ao jogo base. Desde que mudei de casa que não havia voltado a ligar a minha Nintendo 3DS à Internet, pelo que esse conteúdo adicional me passou completamente ao lado. No entanto, assim que o fiz, foi-me imediatamente dada a opção de descarregar todo esse conteúdo adicional.

O primeiro DLC é Plague of Shadows, onde controlamos o vilão Plague Knight, numa história alternativa que decorre paralelamente ao jogo principal. O objectivo é construir uma poção mágica que torne Plague Knight na criatura mais forte do mundo, sendo que para isso precisará de recolher as essências dos restantes cavaleiros da Order of No Quarter, incluindo a da própria Enchantress. Plague Knight controla-se de maneira distinta da de Shovel Knight, podendo efectuar um duplo ou triplo salto e atirando poções explosivas como arma principal. Apesar desta maior agilidade e alcance dos seus ataques, a experiência não é necessariamente mais fácil, bem pelo contrário. Os níveis são essencialmente os mesmos, mas com ligeiras modificações para melhor acomodar este novo esquema de controlo. E as possibilidades de customização são tremendas, com diferentes trajectórias, raios de explosão e outras habilidades que poderemos alternar assim que as tivermos desbloqueado.

O jogo está repleto de desafios de platforming mais exigentes, mas para além de podermos perder dinheiro, não há perigos de game over. Practice makes perfect!

Specter of Torment é o segundo DLC e é uma prequela da história principal, onde controlamos Specter Knight, acabado de ser recrutado pela Enchantress e com a missão de recrutar os restantes cavaleiros para se juntarem à sua causa. Os níveis serão então versões algo diferentes do que já conhecemos, com gráficos ligeiramente diferentes e uma banda sonora remisturada a acompanhar. A jogabilidade continua empolgante e Specter Knight demarca-se pela sua capacidade de escalar paredes e de efectuar uma espécie de air dash ao atacar inimigos ou outros objectos em pleno voo. Naturalmente que também teremos muitas habilidades para desbloquear e coleccionáveis para encontrar!

King of Cards é o último DLC disponível nesta versão e é igualmente uma prequela, onde o protagonista é o próprio King Knight e que conta a história da sua ascensão. As mecânicas de jogo são distintas na medida em que King Knight não ataca com armas brancas, mas sim através de uma mecânica de dash, que lhe permite também fazer ricochete nos inimigos ou paredes e depois rodopiar sobre si mesmo, causando dano vertical enquanto cai. Também aqui teremos inúmeras novas habilidades e equipamento para desbloquear, mas o que mais demarca este DLC é a introdução de um mini-jogo de cartas coleccionáveis que é parte integral da história aqui apresentada.

Sprites grandes e bem animadas, adoro!

Também em conjunto com King of Cards, a Yacht Club Games disponibilizou um último DLC, Shovel Knight Showdown, mas este não está disponível na 3DS. Showdown é essencialmente um modo multijogador local, algo que nativamente a 3DS não suportaria. O mesmo acontece com o modo cooperativo, presente na versão base de outras plataformas, mas ausente aqui. A versão 3DS possui, no entanto, algumas outras particularidades face às restantes. Para além do suporte ao 3D, existe também integração com o StreetPass, que inclui uma arena exclusiva que sinceramente não consegui experimentar. Quem mais anda com uma 3DS na rua hoje em dia? Não necessariamente exclusivo da versão 3DS, mas também presente aqui, há ainda suporte a figuras amiibo que permite desbloquear conteúdo adicional.

Em suma, Shovel Knight é um jogo de acção em 2D sidescroller bastante competente e divertido, tanto nas suas mecânicas de jogo como na narrativa bem-humorada e em todas as interacções que poderemos ter com os vários NPCs que se irão cruzar connosco. O facto de a Yacht Club Games ter suportado o jogo durante tantos anos com conteúdo adicional disponibilizado gratuitamente, mesmo em sistemas mais modestos como a Nintendo 3DS, é algo simplesmente de louvar. Hoje em dia diria que talvez a versão Switch seja a compra mais acertada, devido a já incluir em cartucho a maior parte deste conteúdo adicional e muito mais. Na verdade, todas as versões possuem algo de ligeiramente diferente entre si, pelo que versões para outros sistemas poderão também ser interessantes de coleccionar.

The Excavation of Hob’s Barrow (PC / Nintendo Switch)

Há já bastante tempo que não jogava nenhum dos point and click da Wadget Eye Games, como foi o caso da série Blackwell, Gemini Rue ou The Shivah. O caso deste The Excavation of Hob’s Barrow chamou-me especialmente à atenção pois recebeu recentemente um lançamento em formato físico para a Nintendo Switch. Infelizmente apenas em solo norte-americano, mas tal não me impediu de o comprar pois a loja espanhola Xtralife deu-se ao luxo de a importar. Curiosamente também é um jogo que tenho na minha conta steam algures desde 2024, após o ter ganho num sorteio. Apesar de preferir o PC para este tipo de jogos, o conforto de jogar no sofá prevaleceu, e optei antes por jogar a versão Nintendo Switch.

Jogo com caixa

A história leva-nos ao período victoriano da história britânica, a protagonizar a jovem arqueóloga Thomasina Bateman, que procura seguir as pisadas do seu pai. Thomasina é convidada por um estranho para escavar o Hob’s Barrow, um misterioso túmulo da idade do Bronze, localizado algures numa aldeia remota no interior inglês. Thomasina viaja então sozinha para a aldeia de Bewlay e as coisas não começam bem: o seu contacto local está desaparecido e os restantes aldeões mostram-se demasiado evasivos, avisando-a para se ir embora. Para além disso, à medida que vamos avançando na narrativa, Thomasina começa a experienciar várias visões estranhas que a deixam bastante desconfortável. O resto, deixo para o leitor descobrir.

Visualmente o jogo usa um pixelart que eu gosto bastante!

No que toca a mecânicas de jogo, as mesmas não poderiam ser mais simples. Sendo uma aventura gráfica do estilo point and click, teremos de interagir com os cenários, objectos e personagens através de um cursor, cujo pode ser movimentado pelo ecrã com o analógico esquerdo (de forma mais rápida) ou com o direito (de forma ligeiramente mais lenta). Os botões A e B servem para interagir e observar respectivamente, enquanto o botão X abre o inventário e o botão Y mostra todos os pontos de interesse no ecrã. Existem outras funcionalidades que melhoram a qualidade de vida, como utilizar o botão direccional para percorrer o cursor de forma automática para todos os pontos de interesse visíveis, ou os botões L e R que trazem os objectos do inventário para o ecrã principal, prontos a serem utilizados no ponto de interesse que decidirmos.

A narrativa em si é bastante interessante e manteve toda a minha atenção ao longo do jogo, mesmo quando tinhamos de fazer algumas fetch-quest mais aborrecidas

De resto, contem com uma aventura bastante linear na sua progressão e com puzzles algo simples, mas tal é compensado pela excelente narrativa e audiovisuais. Estes são-nos apresentados num estilo retro e com pixelart como eu muito gosto, as músicas são faixas tipicamente atmosféricas que contribuem de forma muito positiva para um ambiente mais tenso (particularmente nas sequências nocturnas) e o voice acting é bastante competente.

Em suma, eu sou um fã de jogos que abordam estes temas mais “folk sobrenatural” e quando isso se alia a visuais mais retro, minimalistas e pixelart, assim como uma narrativa bem competente, reúne-se uma receita para umas horas muito bem passadas.

The Ottifants (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, vamos ficar agora com mais um exclusivo europeu para as consolas da Sega. Já cá trouxe no passado a sua incarnação para a Master System, um videojogo baseado numa obscura série animada germânica, por sua vez de autoria de um comediante alemão igualmente pouco conhecido fora do seu país. Tal como a versão Master System, este meu exemplar foi comprado na Alemanha, território onde o jogo é bastante comum, num flea market que visitei há pouco mais de uma semana atrás.

Jogo com caixa e manual

A versão Mega Drive é em tudo similar às versões 8bit no que toca às suas mecânicas de jogo, sendo essa a razão pela qual não me vou alongar muito neste artigo. The Ottifants é então um jogo de plataformas em 2D de cariz bastante europeu, pois controlamos um elefante onde o objectivo é o de explorar afincadamente cada nível, coleccionando gomas coloridas até desbloquear a sua saída. Mediante a dificuldade escolhida, somos obrigados a coleccionar entre 25 a 75% de todas as que estão espalhadas pelos níveis. Para além das gomas, poderemos também encontrar gelados coloridos onde, uma vez coleccionando 3, podem resultar em efeitos temporários distintos, mediante as cores coleccionadas. Invincibilidade, maior rapidez, a capacidade de voar ou saltar infinitamente serão apenas alguns dos efeitos possíveis. Uma diferença desta versão para as de 8bit é a falta dos biberões de leite, que nas versões 8bit faz com que Bruno recupere um pouco de vida.

Coleccionar 3 gelados coloridos podem resultar em diferentes efeitos temporários, incluindo voar

Os controlos não poderiam ser mais simples, com um botão para saltar e outro para atacar, onde Bruno (o elefante protagonista) dispara doces da sua tromba. No entanto, se mantivermos o botão de ataque pressionado, Bruno suga ar com a sua tromba, podendo assim atrair certas plataformas móveis para si, ou mesmo aspirar objectos e atirá-los para que sirvam de plataforma extra e nos ajudem a ultrapassar certos obstáculos. No entanto, estas mecânicas de jogo nunca são exploradas da melhor forma, ficando muito potencial por realizar.

The Garden – Um conjunto de níveis não disponível nas versões 8bit

Uma curiosidade que me deparei quando estava a investigar as origens deste jogo é que o mesmo foi desenvolvido pela Graftgold, um estúdio britânico que já havia trabalhado em vários jogos para sistemas da Sega, incluindo várias versões do Global Gladiators. E foi aí que reparei na similaridade de muitas das suas mecânicas: o foco em coleccionar itens e o facto de Bruno disparar projécteis em arco, cuja trajectória pode também ser afinada com o direccional, algo que também acontecia no Global Gladiators. Felizmente, no entanto, o efeito de coice não existe aqui.

Ocasionalmente teremos também interruptores que, ao serem pressionados, activam plataformas adicionais

A diferença mais notável desta versão perante as versões 8bit é no entanto, como seria de esperar, os audiovisuais. Aqui os níveis são bem mais detalhados graficamente e a versão Mega Drive possui um conjunto de níveis completamente ausente nas versões 8bit (o mundo do jardim). No entanto, apesar do maior detalhe gráfico quando comparado às restantes versões, não quer dizer que os níveis sejam super apelativos, nem sempre é o caso. As músicas são também, naturalmente melhores e mais trabalhadas em virtude de um chip de som com melhores capacidades. No entanto, uma vez mais, não esperem aqui uma obra prima sonora, bem pelo contrário: as melodias são bastante simples e repetitivas.

Portanto, a versão Mega Drive do The Ottifants, apesar de visualmente ser um pouco mais apelativa que as restantes versões, não deixa de ser um jogo de plataformas algo aborrecido e repetitivo, precisamente pela sua natureza de “collect-a-ton”, algo que desde muito cedo caracterizou os platformers europeus. Não deixa no entanto de ser um título curioso dada a sua exclusividade regional.

Whispering Willows (PC)

Após um interregno para umas merecidas férias, é tempo de voltar à carga com uma rapidinha a um jogo indie de 2014 e do qual nunca tinha ouvido falar. Whispering Willows foi desenvolvido através de financiamento pela plataforma Kickstarter e lançado originalmente para a fracassada Ouya, chegando poucos meses depois ao PC, com versões para consolas e dispositivos móveis lançadas nos anos seguintes. Foi um jogo que veio parar à minha conta do GOG algures em 2024, após ter sido oferecido gratuitamente pela própria plataforma durante um período limitado.

Whispering Willows fez-me logo lembrar jogos como Lone Survivor, pela sua apresentação simples e algo minimalista, mas com uma atmosfera bastante tensa. Aqui controlamos a jovem Elena Elkhorn, que parte em busca do seu pai, aparentemente desaparecido numa mansão abandonada. Quando Elena chega ao local, é surpreendida pelo brilho do seu pendente, um amuleto mágico herdado do avô, outrora um shaman de uma tribo índia, que lhe confere um poder especial: o de projectar o seu espírito para fora do corpo, conseguindo assim interagir com outras entidades ou possuir objectos para resolver certos puzzles.

Quando o colar de Elena brilha nesta cor, significa que temos um espírito por perto com o qual podemos interagir. Se brilhar numa cor vermelha, significa perigo, há um inimigo por perto.

Esta é então uma aventura em 2D onde teremos uma área de jogo considerável para explorar, desde a gigantesca mansão até às áreas circundantes, como a casa de hóspedes, jardins, estufas, criptas, entre outras. Nem todas as zonas estarão imediatamente acessíveis, pelo que o jogo nos incentiva a explorar, falar com outros espíritos e ajudá-los com algumas sidequests. Ao fazê-lo, iremos desbloquear novas secções para explorar. Muitos dos puzzles obrigam-nos também a recorrer à forma espiritual de Elena, seja para nos esgueirarmos por passagens estreitas ou possuir objectos como interruptores e alavancas que nos permitam abrir novos caminhos. Ocasionalmente teremos também alguns inimigos com que nos preocupar e Elena é completamente indefesa, pelo que só nos resta fugir ou, nalguns casos, recorrer à furtividade para passarmos despercebidos.

É com a projecção astral que nos podemos esgueirar em várias passagens estreitas e melhor explorar a mansão

Visualmente é um jogo 2D simples, com um estilo artístico do qual pessoalmente não sou grande fã. No entanto, o som está bem conseguido, pois vamos ouvindo constantemente os ruídos da velha mansão e outros efeitos ambientais que contribuem de forma convincente para criar uma atmosfera bastante tensa.

Infelizmente não posso dizer que sou um grande fã da direcção artística

Portanto, Whispering Willows é um jogo bastante simples nas suas mecânicas, infelizmente até demais, visto que a habilidade de Elena em separar o espírito do corpo teria potencial para ser muito mais explorada. É também um jogo bastante curto, o que no meu caso acabou por resultar lindamente, pois era precisamente algo com uma duração a rondar as quatro horas que andava à procura.