Gaiares (Sega Mega Drive)

Vamos agora voltar à Mega Drive para mais um dos seus vários shmups. Produzido pela Telenet Japan e lançado originalmente no Japão em 1990, Gaiares foi um dos muitos títulos nipónicos que a distribuidora norte-americana Renovation conseguiu lançar nos Estados Unidos, neste caso um ano mais tarde. Aparentemente, pelo menos de acordo com o Sega Retro, a certa altura a Ubisoft esteve para lançar vários dos jogos publicados pela Renovation para a Mega Drive na Europa, mas isso infelizmente nunca chegou a acontecer. Também de acordo com o Sega Retro, algumas distribuidoras acabaram por importar a versão japonesa e lançá-la no nosso continente, mas terá sido certamente em reduzidas quantidades. Felizmente em 2022 a Retro-Bit conseguiu obter os direitos necessários para o relançar, versão essa que acabei de comprar no passado mês por 45€. E vem com muitos extras!

Jogo com sleeve de cartão, caixa com capa reversível (se bem que não sei quem possa preferir a capa americana), manual a cores, papelada diversa e ainda trouxe uma t-shirt igual à que o jovem da foto tem vestida

A primeira coisa que chama à atenção no jogo é a sua longa cutscene de abertura (mais de 6 minutos!) repleta de visuais anime. A história é rebuscada, mas basicamente o que interessa conter é que o jogo decorre no ano de 3008 e a Terra, com toda a poluição que sofreu ao longo de séculos, há muito que está em ruínas. No entanto um poderoso império promete ajudar a regenerar o planeta, logo que um voluntário decida pilotar a sua nave topo de gama e combater um outro exército poderoso que são naturalmente os maus da fita. E nós iremos encarnar no Dan, o tal piloto que se voluntariou para tal árdua tarefa.

Antes de iniciarmos a aventura, temos direito a uma cutscene anime prolongada

E árdua tarefa é dizer pouco, pois este é seguramente um dos shmups mais difíceis que iremos encontrar na Mega Drive. No entanto possui algumas mecânicas de jogo únicas e interessantes! Mas antes disso, os controlos são simples com o botão A a servir para alternar a velocidade com que a nossa nave se desloca pelo ecrã, o botão B para disparar e o C serve para usar o satélite que voa connosco, logo desde o início do jogo. E esse satélite é precisamente o factor diferenciador deste jogo, pois ao pressionar o seu botão, o mesmo é lançado em frente, na esperança de se agarrar a alguma nave inimiga. Quando o faz, rouba a sua arma para que nós a possamos usar! Poderemos ter então vários tipos de projécteis, mísseis ou raios laser com padrões de fogo distintos. Caso roubemos uma arma igual, então esta passa a ser mais poderosa, existindo assim vários níveis de poder de fogo para cada arma. Caso alternemos para uma arma diferente e eventualmente voltamos para a que tínhamos anteriormente, mantemos o nível dessa arma. Isto claro, se não perdermos nenhuma vida entretanto, o que será extremamente difícil. De resto, ocasionalmente iremos também encontrar alguns itens que nos dão um escudo, ou outros capazes de causar dano a todos os inimigos presentes no ecrã.

Apanhar, evoluir e acima de tudo manter boas armas é extremamente importante para contrapor a dificuldade absurda do jogo

Mas como referi acima, o jogo é extremamente desafiante, não só pela grande quantidade de inimigos que teremos de enfrentar, bem como o facto de alguns serem bem rápidos e surgirem de múltiplas direcções. Acho que a partir do terceiro nível a dificuldade escala bastante e claro, caso sejamos atingidos por um inimigo ou raspemos nalguma superfície lá perdemos uma vida e todos os power ups coleccionados até ao momento. Todos os níveis têm também um mini boss e boss para enfrentar, estes últimos no final dos mesmos. Os últimos níveis são claro uma maratona de mini bosses e bosses também.

Os níveis vão sendo bastante variados entre si, incluindo este segmento que parece retirado de algum jogo de fantasia medieval

Visualmente é um jogo muito colorido e extremamente bem detalhado para uma Mega Drive, com bonitos efeitos de parallax scrolling em vários dos níveis (logo a cintura de asteróides do primeiro nível é um óptimo exemplo disso). Os bosses são gigantes e extremamente detalhados e os níveis também vão sendo bastante variados entre si. Aliás, mesmo em cada nível vamos tendo interessantes (e por vezes inesperadas) variações de cenários, embora haja um grande foco entre o combate em pleno espaço e em estações espaciais gigantes. Para além disso, como já referi no segundo parágrafo, o jogo tem uma cutscene de abertura anime muito bem detalhada e colorida, que se prolonga por mais de 6 minutos, e uma outra mais curta no final do jogo. Aparentemente a Telenet Japan incialmente tinha planos para que o jogo ocupasse uma ROM de 4Megabits (equivalente a 512KB), mas, já algo avançados no desenvolvimento do jogo, a Sega deu-lhes o aval de usarem um cartucho com o dobro do espaço, espaço esse que foi precisamente utilizado para todas estas cutscenes. Por outro lado a banda sonora, apesar de não ser propriamente má, ficou muito aquém das expectativas. Para um jogo de acção frenética como este Gaiares, estava à espera de uma banda sonora bem mais pujante.

Os bosses são grandes, desafiantes e muito bem detalhados!

Portanto este Gaiares é um shmup bastante interessante do catálogo da Mega Drive. Visualmente é dos melhores do seu género na plataforma, contendo também algumas mecânicas de jogo bem originais. É no entanto difícil como cornos. A Renovation publicou muitos jogos medianos que nunca chegaram até nós, mas também publicou muitas outras hidden gems (da minha colecção até ao momento tenho o Elemental Master ou Syd of Valis como exemplos) e é uma pena que muitos desses jogos tenham passado completamente ao lado da maior parte dos jogadores europeus. Estes relançamentos em formato físico de jogos perdidos no tempo por parte da Retro-Bit e outras empresas similares é extremamente benvindo!

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Shadows: Price For Our Sins (PC)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora no PC, este artigo incide neste Shadows: Price For Our Sins. Tal como o Dracula: Love Kills ou Sherlock Holmes and the Hound of the Baskervilles, este jogo é um híbrido entre uma aventura gráfica point and click, com vários puzzles “a sério” e alguns segmentos de “objecto escondido”. E tal como os jogos mencionados acima, este terá certamente vindo de algum indie bundle a um preço muito reduzido.

A narrativa é muito simples, pondo-nos no papel de uma jovem mulher que planeava passar uma boa festa de Halloween com amigos, numa mansão antiga e com o clima ideal para essa noite. Mas eis que quando lá chega, numa altura em que os seus amigos se preparavam para jogar um misterioso jogo de tabuleiro, coisas acontecem e todos desaparecem. No seu lugar vamos interagindo com alguns espíritos de pessoas que lá viveram há muitos anos e aos poucos vamos desvendando o mistério da mansão e das tragédias dos seus habitantes.

Graficamente até é um jogo bem detalhado, embora os seus cenários sejam todos prérenderizados e por consequência, estáticos.

A jogabilidade é então um misto entre a aventura gráfica point and click pois teremos de interagir com personagens e cenários, na busca de itens que por sua vez poderão ser usados com outras personagens e objectos de forma a desbloquear o progresso no jogo e novas áreas para explorar. Pelo caminho vamos tendo também vários puzzles bem variados para resolver, bem como muitos segmentos de “objecto escondido”. Para quem não está familiarizado com o conceito, são secções onde vemos uma imagem estática, porém muito bem detalhada e repleta dos mais variados objectos. O objectivo é o de encontrar todos os objectos listados na parte inferior do ecrã. Como muitos desses objectos estão “camuflados” pelo cenário ou atrás/dentro de outros objectos como frascos, caixas ou cestos, ainda nos dão algum trabalho e esforço de observação para os encontrar a todos. Aparentemente há toda uma comunidade que aprecia este tipo de desafios.

Para além de toda a exploração vamos também ter muitos puzzles para resolver

De resto é um jogo tecnicamente simples, com muitos cenários bem detalhados, porém com imagens pré-renderizadas, logo são também muito estáticas. Ocasionalmente, à medida que vamos avançando na história iremos ver também algumas cutscenes, que são narradas de forma minimamente competente. A qualidade das mesmas também não é nada de excepcional, mas há muito pior por aí. Por fim, a banda sonora é maioritariamente ambiental, com melodias que se adequam bem à quadra da noite das bruxas. Tive no entanto alguns problemas em conseguir jogá-lo, pois no meu PC actual, correndo o jogo em full screen encravava-o completamente, pelo que ainda tive de me esforçar um bom bocado até o conseguir correr em modo janela. Mesmo aí por vezes tinha problemas com as cutscenes onde apenas ouvia o som, nada de imagem.

Portanto este é um jogo casual e simples nas suas mecânicas, cujo progresso é consecutivamente gravado ao mínimo passo que damos, pelo que pode ser perfeitamente jogado em intervalos curtos. E o mapa indica sempre quais zonas do mapa podemos ainda progredir, pelo que as possibilidades de ficarmos presos durante muito tempo são algo reduzidas. Tem também alguns puzzles interessantes, pelo que até serviu bem para passar o tempo.

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Quake (Nintendo 64)

Vamos a mais uma rapidinha, desta vez para a versão Nintendo 64 do Quake, cujo original de PC já cá trouxe há uns bons anos atrás, visto este ter sido um jogo dos meus tempos de infância. E apesar desta versão da consola da Nintendo ficar uns furos abaixo da versão PC, ainda assim revelou-se ser uma conversão bem mais capaz do que estava à espera, como irei relatar mais abaixo. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Setembro passado, por cerca de 10€.

Cartucho solto

Ora e aqui encarnamos uma vez mais num marine anónimo e, apesar de o jogo começar com um nível algo high-tech, rapidamente as coisas mudam de figura, com níveis e inimigos com uma toada mais de fantasia medieval a surgirem logo de seguida e claro, o último boss a ter claras influências lovecraftianas.

Felizmente os controlos são customizáveis, mas não há muito a melhorar com um comando de Nintendo 64. Em emulação já é outra história.

Este é então um first person shooter frenético e onde no PC foi um dos primeiros, senão mesmo o primeiro, FPS completamente em 3D poligonal, mantendo no entanto a jogabilidade frenética que Doom popularizou. Na Nintendo 64 o jogo mantém o mesmo nível de acção, mas como seria de esperar os controlos não são os melhores. Estão ainda longe do standard que hoje em dia temos nas consolas com os analógicos a servirem para movimento e controlo de câmara e os gatilhos para disparar. Bom, aqui o único analógico da Nintendo 64 controla o movimento e o gatilho Z dispara, com os botões L ou R a serem necessários caso queiramos controlar melhor a câmara. O d-pad e c buttons possuem funções idênticas como andar lateralmente, saltar ou reset da câmara, enquanto que os A e B servem para alternar entre armas. É um esquema que irá necessitar de algum treino, como é habitual na maioria dos FPS para consolas desta geração.

Esta versão pode não ser tão graficamente imponente quanto a original de PC, mas até que inclui alguns efeitos de luz que não estão presentes na versão original!

A nível audiovisual confesso que o jogo surpreendeu-me pela positiva, revelando-se numa conversão bem competente. É certo que devido à limitação de espaço no cartucho da Nintendo 64 várias concessões tiveram de ser feitas, como vários níveis cortados, outros alterados, muitas texturas de baixa resolução, enquanto outras como ornamentos dos cenários pura e simplesmente não foram aqui incluídas. Para não falar da fantástica banda sonora dos Nine Inch Nails que foi substituída por outra também ambiental, mas de longe sem o mesmo impacto. Mas acreditem, ainda assim é uma conversão bem sólida pois graficamente continua bem competente, com uma boa fluidez de jogo e sem aquele nevoeiro irritante que praguejava muitos dos jogos da Nintendo 64, como o Turok, por exemplo.

Sim, nesta versão também conseguimos colocar os inimigos à porrada uns com os outros!

Portanto este Quake é uma versão interessante, que mesmo com vários cortes esperados devido às limitações de armazenamento de um cartucho, ainda assim o resultado final não fica assim tão longe assim do original PC, mantendo a mesma fluidez, combate frenético e atmosfera opressora. Foi uma conversão a cargo da mesma equipa da Midway que já havia produzido o também surpreendente Doom 64, pelo que se entende o porquê da id Software ter preferido esse estúdio para esta conversão.

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Albedo: Eyes from Outer Space (PC)

Recentemente apeteceu-me jogar algo indie no PC e de preferência em first person. Então ao vasculhar o meu imenso backlog no steam, este Albedo foi das primeiras opções que me surgiu. Ao ler a descrição do jogo e ver que o mesmo era inspirado em filmes de terror série B dos anos 60, com visuais 3D competentes e uma jogabilidade que misturava conceitos de aventura gráfica e acção, confesso que fiquei curioso. Infelizmente o resultado ficou muito aquém das expectativas. Sinceramente não me recordo como é que este jogo veio cá parar, seguramente deverá ter vindo nalgum indie bundle comprado por uma bagatela.

E o jogo coloca-nos no papel de John T. Longy, um mero segurança nocturno de uma instalação semi abandonada algures numa zona rural. Digo semi-abandonada pois na verdade esse é um laboratório secreto onde faziam experiências… bem… secretas. E a certa altura dá-se uma enorme explosão que atira John para um dos pisos inferiores. Pouco depois de nos recompormos somos logo atacados por uma criatura estranha, com um único olho gigante! O nosso objectivo inicial é o de escapar em segurança, mas cada vez mais iremos enfrentar tanto essas criaturas estranhas, como ter outras alucinações que não fazem nenhum sentido. Naturalmente iremos eventualmente descobrir a verdade por detrás de todos esses acontecimentos, mas deixo isso para quem quiser explorar o jogo.

Até achei piada ao design das criaturas que teremos de combater!

Ora como eu referi acima, este é um híbrido entre a exploração e puzzle solving características de uma aventura gráfica, com alguns segmentos de acção de um first person shooter. Ambos são os meus géneros de videojogos preferidos para se jogar num PC (e os CRPGs, claro!), mas estava muito curioso em ver como implementaram a interface do jogo que pudesse satisfazer os requisitos de géneros tão distintos. E infelizmente aí falharam miseravelmente. Para além de algumas teclas de atalho como o E para pegar ou largar objectos, I para os guardar no inventário, ou O para os observar, tudo o resto é feito com o rato e as teclas WASD para movimento. Apontando o cursor do rato para algum objecto, personagem ou inimigo, surge no ecrã uma acção pré-definida que poderemos activar ao clicar com o rato, sendo que outras acções poderão estar também disponíveis, devendo para isso rodar a scroll wheel para escolher que acção queremos desempenhar, seja observar, pegar ou largar objecto, interagir com ele, guardá-lo no inventário, entre outros, incluindo a opção de combate. Abrir o inventário é feito com um clique no botão direito do rato, uma vez mais usando a roda do rato para circular entre objectos e o botão esquerdo (ou às vezes o direito, este é um jogo confuso) para os seleccionar. E aí, com o objecto na mão teremos uma vez mais um conjunto de acções para seleccionar, incluindo as acima mencionadas ou a opção de o usar com alguma coisa, seja com algum objecto no ecrã, seja com outro do próprio inventário.

O esquema de cores muitas vezes é algo estranho, noutras até fica bem e realmente dá mesmo aquela pinta de filme de terror de série B

Ora como referi acima, o combate é uma das acções possíveis, sempre que passamos o cursor do rato sobre algum inimigo. Se tivermos as mãos livres atacamos com murros, caso tenhamos nas mãos algum objecto especial que possa ser usado como arma branca ou de fogo, usamo-los. É um sistema muitas vezes frustrante pois a navegação complicada entre inventário e itens que tenhamos equipados podem levar a uma série de cliques acidentais que nos inibam de combater, levando com dano no processo. Se morremos, resta-nos carregar o último save, sendo que o jogo salva automaticamente entre transições de cenários e também poderemos gravar manualmente as vezes que quisermos. A meu ver, caso quisessem manter o mesmo sistema complicado do modo “aventura”, seria bem mais interessante haver uma tecla que alternasse entre o modo aventura e acção, com este último com controlos simplificados, minimizando as frustrações. De resto, teremos ocasionalmente alguns puzzles mais a sério que envolvam destrancar cadeados, sliding puzzles, tubos em 3D, ou outros. Em níveis de dificuldade mais baixos poderemos eventualmente fazer skip de alguns desses puzzles.

Bom, a roda do rato serve seleccionar que acções queremos posteriormente executar com o botão esquerdo do rato. Seja ao escolher itens no inventário, acções sobre itens que tenhamos na mão, ou sobre outros na nossa “mira”, incluindo lutar.

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo, lançado originalmente em 2015, foi desenvolvido em Unity 3D, tendo alguns visuais em 3D bem respeitáveis, apesar de por vezes com demasiada saturação de cor (algo que foi mesmo escolha por design do criador). Infelizmente a maior parte do jogo passa-se em ambientes fechados e escuros (daí também o tal feeling de um jogo de terror, embora ligeiro), mas vamos ter um ou outro nível em locais abertos e aí sim, dá para ver alguns efeitos gráficos verdadeiramente bonitos, principalmente tendo em conta que é um jogo indie. Aliás, já que toco nesse ponto, temos mesmo de atacar o elefante gigante da sala: este jogo foi maioritariamente desenvolvido por uma (1) pessoa: o italiano Fabrizio Zagaglia que, após ter lido os seus developer diaries na página do jogo no Steam, fiquei a saber que também trabalhou no desenvolvimento do Nicolas Eymerich the Inquisitor, que já cá trouxe no passado. E para o trabalho de uma pessoa só, tenho mesmo de lhe tirar o chapéu e aplaudir todo o esforço, perseverança e dedicação. Mas não há como dar a volta, o jogo é bastante mediano ou fraco como um todo. É certo que tem os visuais competentes principalmente sabendo que é um one man show, mas em muitos outros pontos fica bem abaixo das expectativas, como a narrativa no geral, péssimo (e pouco) voice acting, para além da horrível jogabilidade que já mencionei acima. Gostei no entanto de encontrar várias referências a cultura pop dos anos 80 e 90 como os Ghostbusters ou mesmo o Dopefish, do universo Commander Keen.

Ocasionalmente teremos também alguns puzzles a sério para resolver. Odeio sliding puzzles desde criança.

Mas para além da jogabilidade confusa, o que me chateou mais foram a quantidade de bugs que encontrei. Em certos puzzles o progresso pode ficar completamente bloqueado, pois não o inventário não abre/funciona de forma a que possamos utilizar os itens certos para o resolver. Por exemplo, em certo ponto do jogo temos de usar um capacete com uma lanterna, mas é preciso primeiro trocar a pilha. Quando iniciamos o puzzle a câmara transita para uma imagem estática do capacete e a ideia seria abrir o inventário, seleccionar a chave de fendas, desaparafusar a tampa e eventualmente trocar de pilha. Mas o inventário simplesmente não aparece, ou não funciona de todo, bloqueando o progresso. Após uma vista de olhos nos fóruns do steam, a solução passava por despoletar uma análise da integridade dos ficheiros do jogo, onde o steam corrigiria algum que tivesse ficado corrompido. Resolveu. Mas mais para a frente voltei a ter um problema similar e tive de aplicar a mesma resolução. Já na recta final do jogo há uma parte onde somos engolidos por uma criatura gigante e temos de escalar o seu esófago para escapar em segurança. Aqui entra um mini jogo de escalada, mas infelizmente com uma execução a nível de controlos incrivelmente frustrante, onde temos de controlar cada mão individualmente com os botões do rato. Mas acreditem que não é tão simples quanto parece, pois para além dos controlos serem confusos temos de ter em especial atenção os indicadores de fadiga de cada braço e quer fiquemos cansados, quer simplesmente com os controlos estranhos acabemos por largar a parede de todo, ou quer demoremos muito tempo, iremos ser consumidos pelo suco gástrico. Essa foi de longe a parte mais frustrante em todo o jogo, ainda para mais porque o botão de skip pura e simplesmente não funcionava, por muito que eu clicasse lá. Tentei usar o mesmo workaround várias vezes e mesmo o steam detectando sempre um ficheiro corrompido e substitui-lo, nunca consegui fazer skip dessa secção. Finalmente, ao fim de inúmeras tentativas lá consegui passar essa parte. Mas no meio de tanto alt-tab entre o jogo e o browser em busca de respostas para todos estes problemas, o jogo também crashou várias vezes. Mas crashes daqueles a sério onde a janela do jogo, por ter estado em full screen fica sempre à frente das outras e mesmo depois de alguns malabarismos nunca consegui matar o processo, a solução era sempre desligar o PC à força pois nem o restart gracioso do windows funcionava.

Como podem ver, este foi um jogo que me deu muitas frustrações, tanto pela jogabilidade e controlos confusos, como por todos os bugs que o jogo ainda tem. Parece ainda um early access (que na verdade o jogo até começou a ser vendido assim no steam). É um jogo com algumas boas ideias e confesso que até gostei do design dos extraterrestres que iremos encontrar, assim como alguns dos visuais. Mas a narrativa é má assim como o voice acting. Ainda assim, tendo sido este jogo 95% fruto do trabalho de uma pessoa só, não deixa de ser louvável todo o esforço e dedicação aqui envolvido. Mas com uma pequena equipa a ajudar certamente o jogo teria sido melhor, ou pelo menos tecnicamente mais polido e com menos bugs. Lamento, mas não consigo dizer que recomendo.

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Keith Courage in Alpha Zones (Turbografx-16)

Lançado no Japão como Mashin Eiyūden Wataru, uma adaptação para videojogo de um anime homónimo, quando chegou a possibilidade de o converter para o ocidente, foi naturalmente modificado para ocultar as suas origens, até porque o anime era completamente desconhecido em solo norte-americano. O melhor nome que a Nec e Hudson chegaram foi mesmo este Keith Courage in Alpha Zones, tendo inclusivamente sido não só um jogo de lançamento na Turbografx-16 nos Estados Unidos, mas também o primeiro jogo a vir em conjunto com a consola. O meu exemplar foi comprado em lote a um outro coleccionador, tendo este me custado cerca de 13€.

Jogo com caixa e manual embutido

Não faço ideia da história do anime, mas quem tratou da localização para o ocidente trouxe-nos uma história demasiado contorcida: a Terra é invadida por forças alienígenas mais conhecidas por B.A.D. (Beastly Alien Dudes) e nós controlamos um jovem herói, membro dos N.I.C.E. (Nations of International Citizens for Earth) que irá obviamente lutar contra esses extraterrestres e trazer novamente a paz ao planeta. Sim, NICE contra BAD.

Na primeira fase de cada nível iremos explorar uma aldeia diferente e combater pequenas criaturas, para amealhar dinheiro para comprar alguns itens ou regenerar a nossa vida

O jogo em si é um simples jogo de acção sidescroller 2D / plataformas, tendo no entanto algumas particularidades. A jogabilidade divide-se em duas fases. A primeira fase de cada nível leva-nos a explorar uma aldeia, onde inimigos pequenos nos vão atacando vindos de todos os lados e ocasionalmente largam dinheiro. Dinheiro esse que poderá ser gasto em lojas para nos regenerar vida, comprar novas espadas ou bombas, embora estes últimos apenas sejam usados na segunda fase do nível. Outras casas que visitamos estão habituadas por personagens genéricas que nos darão também alguns conselhos. Nesta primeira fase os inimigos apesar de numerosos são relativamente fracos, sendo necessário sofrer vários golpes para a nossa barra de vida finalmente ser afectada. São então fases onde teremos de derrotar inimigos consecutivamente e amealhar dinheiro para comprar o novo equipamento, que por sua vez será cada vez mais caro à medida que avancemos no jogo. Por outro lado, os inimigos raramente dão dinheiro, e quando dão é sempre pouco, pelo que iremos mesmo perder algum tempo em grinding.

Cada NPC pode querer vender-nos alguma coisa ou simplesmente dar algumas dicas

Assim que chegamos ao final da primeira fase, Keith activa o seu Nova Suit, transformando-se numa espécie de robot bem mais ágil e poderoso, dando início à segunda fase. Estes já são níveis de acção pura, com inimigos mais poderosos e que ocasionalmente largam corações que nos regeneram/extendem a barra de vida ou munições para as bombas que adquirimos anteriormente. São também níveis muito mais verticais até porque os começamos à superfície e a ideia é ir descendo até ao boss desse nível. De resto, os controlos são simples com um botão para saltar e outro para atacar. As bombas são activadas ao pressionar cima e o botão de ataque em simultâneo.

Entre cada fase temos uma pequena cutscene que mostra a transformação de Keith com o seu Nova Suit

Qual o problema deste Keith Courage então? Para além do seu nome e história ridículos, a meu ver o seu maior problema é a falta de variedade nos níveis. Uma vez derrotado o primeiro boss somos levados de volta para uma outra aldeia, mas em tudo idêntica à primeira, alterando no entanto alguns esquemas de cores e certos pequenos detalhes no background e são cada vez mais longas e com mais obstáculos. O mesmo pode ser dito das segundas fases, que são igualmente bem semelhantes entre si. A nível técnico é também um jogo que não impressiona: os inimigos das aldeias são demasiado pequenos e os níveis não têm muita variedade ou detalhe entre si, como já referi acima. Quando equipamos o Nova Suit, os gráficos já se tornam melhores, nomeadamente nas sprites mais maiores e mais detalhadas. A banda sonora e efeitos de som também não brilham pela sua excelência.

Alguns dos inimigos até são interessantes, como esta “cabeça de revólver”

Sinceramente não acho este jogo tão mau quanto isso, embora seja um crítico da sua pouca variedade de níveis, que o aproximam bem mais de um jogo 8bit do que algo de nova geração. No entanto o Keith Courage é Keith Courage é um jogo muito mal amado, particularmente pelos que o jogaram no seu lançamento. O facto de ser um jogo mediano oferecido em conjunto com a consola não deve ter contribuído muito para as suas vendas, é um facto. Olhando para o catálogo de jogos de lançamento da TG-16 em solo americano, o The Legendary Axe ou R-Type teriam sido escolhas mais acertadas. Ou se a NEC quisesse mostrar o poderio gráfico da sua consola, tal como a Sega o fez com o Altered Beast na Mega Drive, teriam escolhido o China Warrior. Felizmente a minha TG16 trouxe o Blazing Lazers, um jogo bem mais competente (e mais caro para coleccionar). Quanto ao Keith Courage em si, o final do jogo até fazia prever alguma sequela, o que acabou por não acontecer. Já o anime acabou por dar no entanto origem a vários outros videojogos, que naturalmente se ficaram pelo Japão.

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