Resident Evil (Sega Saturn)

Tempo de voltar às rapidinhas na Sega Saturn para um jogo que dispensa apresentações: Resident Evil, um dos grandes clássicos da quinta geração de consolas e responsável por popularizar o género de survival horror nos anos que se seguiram ao seu lançamento. Lembro-me perfeitamente de ver vídeos do jogo no saudoso Templo dos Jogos e ficar completamente embasbacado! Infelizmente, nunca tive acesso ao jogo na época, tendo-o apenas jogado brevemente em casa de amigos, no qual se incluiu esta versão da Sega Saturn. Não foi por acaso que, em 2002, decidi comprar a Nintendo GameCube, pois por essa altura já se sabia que a consola iria receber um lindíssimo remake do primeiro jogo, conversões dos restantes e dois supostos exclusivos: a prequela Resident Evil Zero e o Resident Evil 4 a ser lançado algures no futuro. No que toca ao primeiro Resident Evil, apesar de ter jogado, anos mais tarde, a versão PS1 em emulação, nunca havia jogado esta versão Saturn tempo suficiente para ter uma opinião concreta pelo que aproveitei o facto de recentemente ter encontrado um exemplar em bom estado numa CeX para finalmente o jogar.

Jogo com caixa e manual

E o REmake é um jogo consideravelmente diferente destas primeiras versões: apesar de também controlarmos a Jill ou Chris Redfield, que possuem algumas diferenças entre si, o remake traz novas áreas, novos inimigos, diferentes esquemas de controlo e uns gráficos lindíssimos. Ainda assim, foi bom voltar a pegar no Resident Evil original ao fim de tantos anos. Fiz uma ronda com a Jill Valentine, que apesar de possuir menos vida do que o Chris, tem um inventário ligeiramente maior (com 8 slots ao invés de 6) e acesso a um lockpick, que nos permite abrir pequenas gavetas ou armários em busca de mantimentos, enquanto que o Chris precisa de procurar chaves próprias para abrir os mesmos compartimentos, num inventário por si só mais compacto. O item especial do Chris é um isqueiro, que será necessário para ultrapassar certos puzzles. Portanto, escolher a Jill acaba por ser o modo fácil, pois não só o inventário extra dá muito jeito, a progressão de Jill é mais generosa ao encontrar armas poderosas mais cedo.

Chris possui um inventário mais apertado, o que por sua vez torna o jogo bem mais difícil pela gestão ainda mais apertada de recursos.

De resto contem com um excelente jogo de acção/aventura onde teremos de fazer uma cuidada gestão de recursos, muitas vezes optando por fugir de inimigos em vez de os combater. Isto tudo com ângulos de câmara fixos, cenários pré-renderizados (excepto itens coleccionáveis ou objectos interactivos como peças de mobília ou escadotes) e os infames tank controls onde o direccional para a esquerda ou direita faz com que a nossa personagem rode nessa direcção, a direcção de cima faz com que avance e o baixo para recuar. Felizmente o direccional da Sega Saturn é bastante confortável, pelo que os tank controls até nem funcionam mal nesta versão. A versão Sega Saturn também é notória por incluir algum conteúdo bónus não existente nas outras versões, nomeadamente o Battle Mode. Neste modo de jogo, teremos de sobreviver uma série de encontros com monstros com munições e tempo limitadas. É uma espécie de protótipo do que se viria a tornar o Mercenaries, um minijogo recorrente dentro do universo desta série.

Qualquer objecto poligonal nos cenários indica um item coleccionável ou objecto interactivo.

Já no que toca aos audiovisuais devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com a performance desta versão. É reconhecido que o suporte a transparências ou outros efeitos de luz mais avançados é mais limitado na Sega Saturn quando comparada com a Playstation, e isso é notório nesta versão. Efeitos de fumo ou superfícies de água são renderizados utilizando efeitos de mesh em vez de transparências reais como na Playstation. Mas o detalhe poligonal das personagens e inimigos está melhor do que esperava na versão Sega Saturn, com algumas texturas adicionais nesta versão. De resto, nada a apontar à banda sonora que é bastante tensa e adequada à atmosfera do jogo. Já a narração… bom… é incrivelmente má e isso sempre fez parte do charme do primeiro Resident Evil. Já tinha saudades de ouvir a tirada da “Jill sandwich“!

Há poucas cenas mais icónicas que esta nessa geração de consolas.

Portanto e em suma, Resident Evil é um grande clássico da quinta geração de consolas e apesar de hoje em dia existirem versões muito superiores às originais dessa geração, a verdade é que as versões Saturn e PS1 continuam bastante jogáveis e a versão Saturn é, inclusivamente, melhor do que esperava pelo que ainda com mais pena fiquei pela versão Saturn do Resident Evil 2 ter sido cancelada.

Sherlock Holmes: The Awakened (Nintendo Switch)

Depois do ambicioso, porém imperfeito, Sherlock Holmes Chapter One, a Frogwares decidiu criar um remake de Sherlock Holmes: The Awakened, uma interessantíssima aventura gráfica que misturava as típicas mecânicas de detective com o horror lovecraftiano do mito de Cthulhu. Curiosamente, The Awakened já havia recebido um outro relançamento na forma de um remaster, que acrescentou novas mecânicas de jogo, e foi essa a versão que joguei anteriormente. Este artigo irá então incidir principalmente nas novidades introduzidas pelo remake, que acabei por jogar na Nintendo Switch, o que se revelou, infelizmente, uma decisão bastante infeliz. Isto deveu-se ao facto de a versão Switch, tanto quanto tenho conhecimento, ter sido a única que recebeu um lançamento físico, uma vez mais exclusivo do mercado sul-coreano e publicado pela IntraGames. O meu exemplar veio do eBay algures durante o primeiro trimestre deste ano, por cerca de 50€.

Jogo com caixa, lançamento físico exclusivo para a Coreia do Sul.

Em suma, este remake de The Awakened utiliza (quase) todas as mecânicas introduzidas pelo Chapter One para recontar a mesma história do jogo original. Sherlock começa por investigar o desaparecimento, em Londres, de várias pessoas de etnias incomuns, o que nos levará a visitar outros locais, como um asilo para doentes mentais nos Alpes suíços ou a zona pantanosa dos Bayous de Nova Orleães, enquanto vamos descobrindo a existência de um culto sinistro que parece estar envolvido nesses desaparecimentos. A própria sanidade mental de Sherlock Holmes será posta em causa com o decorrer do jogo, algo que tenho a ideia de que também acontecia no lançamento original, embora não da mesma forma. Aqui, ocasionalmente, somos levados para uma outra dimensão, onde teremos de resolver uma série de puzzles ambientais para escapar, ficando a questionar-nos se Sherlock realmente vivenciou essa experiência ou se não terá sido tudo uma alucinação. Não me recordo de isto acontecer na versão original.

As sequências de imaginação onde teremos de deduzir a ordem de certos acontecimentos, estão agora melhor implementadas e quando falhamos uma dedução, o jogo indica-nos os pontos de falha.

Uma das novidades trazidas pelo Chapter One era o seu mundo aberto, onde poderíamos inclusivamente, tal como em muitos outros jogos deste género, cumprir toda uma série de objectivos secundários, tipicamente pequenos casos de investigação, e obter uns quantos coleccionáveis. Aqui não temos um mundo aberto, mas cada capítulo decorre numa área específica que é, tipicamente, grande o suficiente para desbloquear múltiplos pontos de fast travel à medida que exploramos os mapas. Também existem alguns casos opcionais, embora a maioria esteja por detrás de um DLC pago. Já os coleccionáveis vão sendo desbloqueados naturalmente com o decorrer do jogo, à medida que vamos resolvendo puzzles e investigando novas pistas. Estes podem ser meramente cosméticos, como novas roupas ou penteados para Sherlock e Watson, mas também incluem modelos poligonais interactivos ou pequenas imagens de arte conceptual.

Infelizmente, a versão Switch fica muito aquém das expectativas a nível audiovisual e técnico

No que toca às mecânicas de jogo, estas são também muito similares às introduzidas pelo Chapter One. Isto quer dizer que, nas mecânicas de aventura, vamos obtendo toda uma série de pistas e objectivos no nosso bloco de notas e muitos deles, para serem “resolvidos”, vão-nos obrigar a tomar uma série de acções, cujos ícones acima de cada pista nos podem ajudar a identificar. Existem pistas que nos obrigam a fazer pinning para que sejam o nosso foco de investigação, outras podem ser resolvidas ao falar com certas pessoas e outras apenas através das mecânicas de concentração ou de dedução. Felizmente, ainda me lembrava desses detalhes do Chapter One, pelo que não tive grandes problemas em avançar. No entanto, o maior calcanhar de Aquiles do Chapter One estava precisamente nas suas sequências de acção, que, apesar de continuarem a ser um problema neste Awakened, praticamente não existem e foram reduzidas a quick time events. É uma solução que, pelo menos neste caso, acaba por funcionar melhor do que os combates do jogo anterior.

Já no que toca aos audiovisuais, o Chapter One representou um salto gráfico bastante considerável, apesar de ter ainda muitas imperfeições ao nível da estabilidade e, principalmente, do detalhe e das animações das personagens. Este Awakened parece-me utilizar o mesmo motor gráfico, mas como tive a infelicidade de o jogar na Nintendo Switch, fiquei com a pior opção possível. Imaginem um jogo de PC moderno com os gráficos no mínimo e jogado com um CPU abaixo dos requisitos mínimos. Tive imensos problemas de performance, particularmente quando explorava zonas mais ricas em detalhe, como a baixa londrina ou Nova Orleães, para além de os gráficos serem consideravelmente piores do que nas restantes versões, ao ponto de me fazer questionar se não deveria antes piratear o jogo e jogá-lo no PC. Por outro lado, ao menos o som e o voice acting continuam impecáveis. A banda sonora mantém a atmosfera adequada à aventura e a interpretação vocal continua a ser, como seria de esperar, um dos pontos fortes da produção.

Apesar do nevoeiro digno de uma Nintendo 64, adorei a referência ao Moskva

Portanto, este Sherlock Holmes: The Awakened é um remake que reconta uma das histórias mais interessantes de toda a série Sherlock Holmes, pela mistura de conceitos de um jogo de detectives com toda a componente de terror de H.P. Lovecraft. No entanto, apesar do aspecto mais moderno, que é muito bem-vindo (algo que não acontece nesta versão Switch devido às limitações do sistema), a verdade é que o jogo me pareceu bastante mais simplificado, principalmente nos puzzles, na análise forense e nas deduções lógicas que habitualmente teríamos de fazer. Fica a sensação de que o desenvolvimento do jogo foi algo apressado, o que infelizmente também se compreende, dado que a Frogwares é um estúdio ucraniano cujo país continua a lidar com uma invasão russa. É uma situação que a própria Frogwares reconhece e eu próprio não consegui conter um certo sorriso perante uma situação que acontece neste jogo: quando exploramos as docas londrinas, há um navio carregado de salitre que explode no cais. “Um potencial acidente causado por alguém a fumar próximo da carga”, diz Watson. O navio chama-se Moskva. Slava Ukraini.

Halo Infinite (Microsoft Xbox Series X)

Tempo de voltar à Xbox Series X para um jogo que foi seguramente muito aguardado pelos fãs, pois serviu de porta de entrada da série Halo a uma nova geração de consolas. No entanto, este é ainda um título desenvolvido a pensar na Xbox One, tanto que o seu lançamento físico utiliza a tecnologia Smart Delivery, onde o mesmo disco físico permite descarregar a versão correspondente à consola onde é inserido. Já o meu exemplar foi comprado algures nesta Primavera na Cash Converters, tendo-me custado uns 12€.

Jogo com steelbook, sleeve exterior e papelada.

A narrativa leva-nos uma vez mais a controlar o super-soldado Master Chief que, na cena inicial, se vê deixado à deriva no espaço, às portas da morte, após ter sido derrotado por uma nova facção, os Banished, que invadiram também o Halo Zeta. Com a ajuda de uma nova IA, a nossa missão é sobreviver, procurar o paradeiro de Cortana após os acontecimentos de Halo 5 e combater a ameaça dos Banished nesta região.

No que toca à jogabilidade, na sua essência esta mantém-se idêntica ao que a série já nos habituou: um jogo de acção na primeira pessoa, onde apenas poderemos carregar duas armas de cada vez, para além de uma série de diferentes tipos de granadas, temos vida regenerativa e podemos conduzir diversos tipos de veículos. A grande novidade está, no entanto, na inclusão de elementos de mundo aberto. Tal como na série Assassins Creed, teremos algumas bases inimigas para conquistar que, uma vez tomadas, servem de pontos de teletransporte pelos mapas e onde poderemos também abastecer-nos de armas e veículos humanos. Sempre que conquistamos uma base, o mapa à nossa volta é populado com uma série de outros ícones que tanto podem representar outros tipos de missões opcionais, como resgatar Marines, derrotar certos bosses, destruir grandes bases inimigas, entre outros que representam coleccionáveis.

Em vez de Cortana, temos agora uma IA em idêntica que nos acompanha na narrativa.

Alguns desses coleccionáveis são meramente cosméticos, destinados a serem utilizados na vertente multiplayer que o jogo nos oferece, enquanto outros permitem-nos evoluir algum do equipamento que iremos adquirindo à medida que avançamos no jogo. O primeiro, e sem dúvida o que utilizei mais vezes, é um gancho que nos permite não só alcançar superfícies mais elevadas, como também pode ser utilizado para nos projectarmos contra os inimigos, apanhar armas espalhadas pelos cenários ou mesmo arrancar um inimigo do veículo em que se encontra. Outros equipamentos que desbloqueamos incluem um escudo temporário, um sensor para detectar inimigos invisíveis ou um jetpack, óptimo para nos desviarmos do fogo inimigo.

O mundo de Halo Infinite é agora mais expansivo e com inúmeras missões opcionais para completar

De resto, para além de todo este conteúdo de mundo aberto, completamente opcional na maior parte dos casos, temos também as missões principais que nos vão fazendo avançar na história. Estas são, muitas vezes, passadas em locais especiais no mapa e, tal como tem sido hábito na série Halo, seguem uma progressão linear e apresentam maiores desafios de combate que nos obrigarão a diversificar as armas e estratégias que vamos utilizando. No modo de dificuldade normal, devo dizer que achei este Halo Infinite bem mais desafiante que os restantes jogos da série. Certos bosses deram-me mesmo muito trabalho, até conseguir encontrar uma estratégia que funcionasse minimamente.

Já no que toca ao multiplayer, confesso que não me vou alongar por aí, pois não o experimentei. Supostamente é um modo de jogo bastante robusto, oferecendo vários modos como deathmatch, capture the flag, entre outros que não vale a pena enumerar, pois não os experimentei de todo. Um detalhe curioso, no entanto, é que a componente multiplayer de Halo Infinite é completamente free-to-play, pelo que não precisamos de uma subscrição de Game Pass para a jogar.

Halo Infinite possui um combate mais exigente no modo normal de dificuldade.

Visualmente é um jogo interessante, mas confesso que estava à espera de algo melhor. Não há nada fundamentalmente errado: o mundo artificial de Zeta Halo é variado, misturando montanhas e florestas com as instalações de alta tecnologia de uma antiga civilização, cuja estética já há muito estamos habituados a ver na série. Mas para um jogo de nova geração confesso que estava à espera de um detalhe gráfico maior. Provavelmente por o mundo deste Halo ser ainda mais expansivo, notei, especialmente quando utilizava veículos aéreos, demasiados efeitos de pop-in de polígonos nos cenários, algo que já não via há muitos anos. E o detalhe gráfico em si, apesar de não ser mau, deixou-me a sensação de que poderia ser bastante melhor numa consola de nova geração. Halo Infinite é, portanto, um jogo de Xbox One que consegue correr em resoluções maiores e com framerates mais estáveis nos sistemas da geração actual. De resto, no que toca ao som, nada de especial a apontar. A banda sonora presta homenagem ao que a série Halo já nos habituou, com temas mais ambientais e electrónicos e outros que escalam para contornos mais épicos quando a acção assim o exige. O voice acting é bastante competente, como tem sido habitual.

Para além do multiplayer competitivo e gratuito, podemos jogar a campanha cooperativamente, mas sem split screen local, o que é uma pena.

Portanto, devo dizer que gostei do tempo que passei com Halo Infinite. Acho que a estratégia de mundo aberto é algo que resulta bem em Halo, que sempre teve mapas mais amplos para explorar. Os novos gadgets são interessantes, em particular o gancho, enquanto a narrativa confesso que não a achei assim tão empolgante quanto isso. Mas, apesar de Infinite, a série Halo não se ficará por aqui seguramente. A prova disso é o novo remake do primeiríssimo título da série, Halo: Campaign Evolved, lançado para vários sistemas actuais, incluindo a rival PlayStation 5, há meras semanas. É um título que planearei comprar e jogar assim que o encontrar a um preço mais apetecível. Confesso que estou curioso com este remake, pois acho o primeiro jogo o mais aborrecido de todos.

Robocop: Rogue City (Sony Playstation 5)

Fui recentemente desafiado, no âmbito da rubrica Backlog Battlers do podcast TheGamesTome a jogar este Robocop: Rogue City, um first person shooter com algumas similaridades com o Terminator: Resistance, pois não só é também um FPS baseado numa propriedade intelectual muito popular no cinema de acção, como foi um jogo desenvolvido pelo mesmo estúdio. O meu exemplar foi comprado algures em Agosto do ano passado na loja PressStart, tendo-me custado quase 16€. Infelizmente só me vim a aperceber, mais tarde, que a Xbox também recebeu uma edição física, não só do jogo base como da sua expansão Unfinished Business. Se tivesse sabido disso, provavelmente teria antes comprado a versão Xbox, meramente por uma questão de preferência pessoal. Entretanto, e tal como é habitual em artigos deste género, deixo-vos abaixo o vídeo do Backlog Battlers onde me poderão ouvir a dar a minha opinião do jogo.

A história deste Rogue City decorre algures após os eventos narrados no Robocop 2, onde Detroit continua a ser uma cidade massacrada por crime violento. O jogo abre precisamente com um desses gangues a invadir o estúdio televisivo transmitia as notícias em directo, fazendo uns quantos reféns. Esta será portanto a nossa primeira missão, que servirá também de tutorial para aprender todas as mecânicas base que o jogo nos oferece. No entanto, no final da missão, Robocop sofre um aparente glitch que deixou as vidas dos civis em risco, algo que manchou a sua imagem no seio da comunidade de Detroit. Ainda assim, esta missão serve então de introdução para o surgimento de novos e violentos gangues de crime organizado, que iremos aproveitar para combater ao longo da aventura.

Jogo com caixa

No que toca às mecânicas de jogo, este Robocop Rogue City é um FPS da velha guarda, com tiroteios violentos, intensos e que consegue mesmo passar a sensação de estarmos a pilotar um autêntico tanque: Robocop move-se lentamente e é capaz de aguentar com bastante dano, o que ajuda com uma jogabilidade mais despreocupada na fase inicial do jogo. Naturalmente, à medida que vamos progredindo, vão surgindo inimigos com armas capazes de nos causar dano considerável, como lança rockets, espingardas de longa distância ou metralhadoras pesadas, que nos obrigarão a jogar de forma mais cuidada. O jogo herda também mecânicas ligeiras de RPG, onde matar inimigos, cumprir missões (mesmo que opcionais) e descobrir certos coleccionáveis nos recompensa com pontos de experiência. Sempre que coleccionemos 1000 pontos de experiência somos recompensados com um skill point que poderá ser utilizado para customizar as nossas habilidades, melhorando características como regeneração parcial de vida, dano infligido, defesa, entre muitas outras possibilidades que acabarão por nos ajudar a ultrapassar certos confrontos mais exigentes. Habilidades adicionais como dodge, câmara lenta temporária, granadas atordoantes surgem através destas customizações.

Com Robocop, temos uma ajuda na mira que salienta os inimigos no ecrã

Por defeito, Robocop está munido da sua pistola Auto 9, com munição ilimitada e poderemos a qualquer momento equipar uma segunda arma. A Auto 9, no entanto, também poderá ser customizada a partir de certo ponto no jogo, ao equipar diferentes motherboards, que poderão ser mantidas e evoluídas com certos componentes electrónicos e que também melhorarão a Auto 9 de diferentes formas. Perto do fim do jogo, a minha Auto 9 possuía munição infinita sem necessidade de a recarregar, disparos automáticos e dano altamente expandido, pelo que praticamente deixei de precisar de usar outras armas.

Tal como o primeiro filme, Robocop é talmbém um jogo super violento!

De resto, a narrativa também nos leva a tomar certas decisões ao longo do jogo, que irão afectar não só o decorrer de algumas das missões, como também o final do mesmo. Por exemplo, é frequente termos de revisitar a baixa de Detroit onde muitas vezes encontraremos cidadãos a infringir algumas leis, sejam carros mal estacionados, sem-abrigo a beber álcool em público, entre muitas outras situações. As escolhas que tomamos, ao multar multar os civis ou deixá-los escapar com um aviso são ambas escolhas válidas e poderão mudar a maneira como os civis nos vêm, influenciar as escolhas possíveis e o decorrer da narrativa. Uphold the law ou serve the public’s trust, são ambas directivas válidas para o Robocop.

Ocasionalmente poderemos revisitar a baixa da cidade de Detroit onde teremos muitas sidequests para fazer em cada visita

Visualmente, a Teyon procurou tornar o jogo o mais fiel possível aos filmes, recuperando a aparência (e vozes) não só do próprio Robocop, como as de várias outras personagens, como é o caso da sua companheira Anne Lewis, o Sargento Warren Reed ou o CEO da OCP, The Old Man. O jogo foi desenvolvido recorrendo ao motor gráfico Unreal Engine 5, e isso nota-se no detalhe visual das personagens e cenários. As animações, no entanto, ainda deixam um pouco a desejar e ocasionalmente encontrei alguns bugs que me levaram a forçar um reset ao jogo. A partir de certa altura começou a ser notório um desfasamento entre as vozes e a acção, e até a degradação progressiva do som como um todo, algo resolvido depois de desligar o jogo e voltar a lançá-lo. O voice acting em si é bastante competente, até por terem recrutado muitos dos actores que personificaram muitas destas personagens nos filmes. Nada de especial a apontar à banda sonora, a não ser a introdução de uma ou outra faixa mais rock que se ia ouvindo recorrentemente e que pessoalmente até me agradou.

Rogue City utiliza o Unreal Engine 5, o que resulta em bonitos gráficos, no entanto as animações estão longe de serem as mais fluídas

Portanto Rogue City também dá a sensação de ser um jogo que tenta fazer muita coisa diferente, mas no fim acaba por não conseguir fazer nada de forma excelente. As suas imperfeições audiovisuais e bugs ocasionais mostram que este jogo é eurojank no seu esplendor, o que não é necessariamente uma má coisa. Ainda assim sinto que a narrativa poderia ter sido melhor conduzida. Suponho que, no entanto, apesar dos seus pequenos problemas, até tenha sido um jogo bem recebido, pois a Teyon acabou por lançar, mais tarde, uma expansão standalone chamada de Unfinished Business, que planeio comprar e jogar em breve, assim que a encontrar a um preço mais apetecível.

Masters of Combat (Sega Master System)

Tempo de voltar às rapidinhas, agora para a Master System e para um curioso título exclusivo lançado já algo tardiamente no seu ciclo de vida. Masters of Combat é um produto do enorme sucesso que jogos como Street Fighter II tiveram na indústria, com o surgimento de inúmeros clones que tentaram replicar a sua fórmula de sucesso. Em 1993, a velhinha Sega Master System ainda era um sistema importante em certas regiões do globo, apresentando-se como uma alternativa mais barata a sistemas mais recentes e modernos, pelo que a Sega achou por bem investir na criação de um jogo de luta exclusivo para este sistema. Com a Sims a cargo das tarefas de desenvolvimento, o resultado final foi este Masters of Combat, um jogo de luta lançado algures entre 1993 e 1994, consoante os territórios.

Jogo com caixa e manual

A história é simples: um OVNI cai nas imediações da cidade de Megalo e, apesar de uma equipa ter sido enviada para investigar o local do acidente, nada de relevante é encontrado. Um ano depois, o presidente da câmara da mesma cidade decide criar um torneio de artes marciais para encontrar o lutador mais forte do mundo. Como é que estes dois eventos estão relacionados? Deixarei isso para o leitor descobrir.

Antes de cada combate temos sempre pequenos diálogos

Masters of Combat possui algumas mecânicas de jogo fora do comum, na medida em que utilizamos um dos botões faciais para saltar, o 2, ao invés de utilizarmos o direccional para cima, como em Street Fighter II ou Mortal Kombat. Sobra-nos então o botão 1 para desferir ataques que, quando pressionados em conjunto com o direccional, poderão resultar em diferentes golpes. Pressionar para trás permite bloquear e cada lutador possui também toda uma série de golpes especiais. É precisamente aqui que surge um dos principais problemas do jogo, já que todos esses golpes especiais obrigam-nos a pressionar combinações que envolvem diagonais, algo que, num comando como o da Master System, nem sempre é simples de executar. A outra grande limitação de Masters of Combat está na sua pouca variedade de lutadores: temos acesso a apenas quatro personagens distintas, cada qual com a sua própria arena e música, e mais um boss que poderemos eventualmente desbloquear através de certos códigos de batota.

Visualmente é um jogo interessante para uma Master System, apesar do reduzido número de personagens jogáveis.

Já no que toca aos audiovisuais, o jogo é bastante fluído e as arenas até que são consideravelmente detalhadas, tendo em conta as limitações do sistema, com interessantes efeitos de luz e animações. As personagens são, no entanto, sprites pequenas quando comparadas, por exemplo, com as de Mortal Kombat II a correr no mesmo sistema. Mas, no caso das versões dos Mortal Kombat para a Master System, as personagens não eram sprites convencionais, mas sim parte do plano de fundo, um interessante truque de programação que lhes permitia serem muito maiores e bem detalhadas, mas a troco de uma performance muito inferior. A banda sonora não é nada de especial, com músicas que não são particularmente agradáveis ou memoráveis. E, apesar de cada lutador e respectiva arena possuírem uma música própria, como existe um pequeno leque de personagens, a banda sonora também não é muito extensa.

Portanto, Masters of Combat é um jogo curioso, mas longe de ser tão interessante como eu achava que era quando o joguei através de emulação, há muitos anos. Existe, no entanto, uma versão para Game Gear, lançada no ano seguinte e exclusivamente no Japão, intitulada Head Busters, que é em tudo idêntica a esta versão, excepto nas expectáveis adaptações ao reduzido ecrã da portátil da Sega.