Majin and the Forsaken Kingdom (Sony Playstation 3)

Produzido pela Game Republic, as mesmas mentes por detrás de jogos como ambos os Genji ou Folklore, este Majin and the Forsaken Kingdom é um excelente jogo de acção/aventura onde, ao contrário dos exemplos acima mencionados teve um lançamento multi plataforma para a PS3 e X360. E é, na minha opinião, uma excelente hidden gem daquela geração, que infelizmente não deve ter tido muito sucesso, já que o estúdio fechou portas pouco depois de terem lançado o jogo seguinte, o Knights Contract. O meu exemplar foi comprado numa cash converters, algures em Janeiro de 2016 por 7.5€.

Jogo com caixa e manual

E este é um jogo de acção/aventura com uma estética algo próxima dos jogos da Team Ico, na medida em que exploramos ruínas de civilizações antigas repletas de criaturas algo bizarras. As semelhanças com o The Last Guardian também são relevantes, na medida em que também temos uma criatura gigante a acompanhar, embora a Game Republic sempre se tenha defendido com o facto de, na altura em que o The Last Guardian havia sido anunciado, já o trabalho deste Majin estava bem avançado. Mas indo para o que realmente interessa, este jogo leva-nos a um reino fantasioso, onde 100 anos antes a civilização havia sido assolada por uma misteriosa “escuridão”, tendo transformado todos os seus habitantes em sinistras criaturas, para além de toda a corrupção da própria Natureza em sua volta. O jogo leva-nos então a encarnar num jovem ladrão chamado Tepeu que tem a particularidade de conseguir falar com animais. O objectivo é o de nos infiltrarmos no palácio desse reino decadente e libertar Majin, uma criatura mística, uma espécie de ogre com poderes mágicos, de forma a enfrentar este novo inimigo e devolver aquela terra à sua antiga glória.

Quando nos decidimos aventurar sozinhos, a furtividade é a nossa melhor amiga

A jogabilidade é interessante, pois os botões faciais servem para controlar o Tepeu seja com ataques, saltos, correr ou esquivar de golpes inimigos. Mas em conjunto com o R2 poderemos dar ordens ao Majin, seja para o mandar esperar, seguir-nos, atacar ou interagir com certos objectos ou, com o R1, poderemos também indicar ao Majin para usar certos ataques mágicos durante o combate, mediante se já tivermos desbloqueado essas habilidades ou não. Existe algumas camadas adicionais a referir no sistema de combate, pois se lutarmos próximos do Majin poderemos desencadear alguns finishers especiais, que por sua vez libertam algumas orbs vermelhas coleccionáveis, enquanto que derrotar inimigos individualmente liberta apenas orbs azuis. As orbs azuis servem para dar pontos de experiência ao protagonista que eventualmente o fortalecerá sempre que subir de nível, enquanto que as vermelhas dão experiência para fortalecer os laços de amizade com o Majin, que por sua vez vão desbloqueando cada vez mais finishers especiais. Um outro detalhe importante a ter em conta é que o Majin é capaz de nos curar sempre que esteja próximo de nós, mas para curar o Majin teremos de usar certos itens que iremos encontrar ao longo do jogo.

Muitas das cutscenes possuem este estilo artístico retirado de um teatro de sombras

Para além do combate, a exploração é igualmente importante pois cada área tem vários itens para descobrir, desde frutos que fortaleçam ou dão novas habilidades ao Majin, cestos com orbs azuis que nos dão experiência, ou outros com equipamento para o Tepeu. Para além de que existe também um ciclo de dia e noite, onde diferentes inimigos poderão surgir mediante a altura do dia, para além dos coleccionáveis memory shards que apenas surgem durante a noite. Muitos destes coleccionáveis podem inclusivamente requer certas habilidades que ainda não tenhamos desbloqueado, pelo que também temos um certo elemento de metroidvania que encoraja o backtracking. E sim, o jogo tem um true ending onde, para o alcançar, teremos de apanhar todos os coleccionáveis existentes no jogo. Por fim convém também referir que teremos vários puzzles onde as habilidades do Majin serão necessárias, desde coisas muito simples como abrir portas ou servir de plataforma para nos permitir alcançar zonas de outra forma inatingíveis, a acções um pouco mais complexas como obrigá-lo a interagir com certos objectos ou usar certas habilidades mágicas. Por exemplo, quando desbloquearmos a magia elétrica, teremos ocasionalmente de montar autênticos circuitos condutores para que o Majin consiga energizar certos aparelhos.

Com o pressionar do botão R2 temos acesso às diferentes habilidades que podemos comandar o Majin, enquanto que o R1 nos dá acesso a comandar as suas habilidades mágicas, mediante se as tenhamos desbloqueado

Graficamente é um jogo muito interessante, pois vai certamente buscar influências aos jogos da Team Ico, tanto nas várias ruinas antigas e decadentes, como nas criaturas algo sinistras e corrompidas pela “escuridão”. E esse conceito da “escuridão” que corrompeu toda uma civilização é notório não só no design dos inimigos, nalguns cenários e mesmo em pequenos detalhes, pois quanto mais dano sofrermos, mais “negro” e corrompido o Tepeu se torna. A banda sonora é óptima e bastante versátil. Tanto temos temas épicos e orquestrais como a faixa título outras mais tensos como quando estamos a combater e outros bem calmos e atmosféricos quando apenas andamos a explorar livres de qualquer perigo. O jogo tem também voice acting, que no caso das versões ocidentais creio que esteja inteiramente em inglês. Não é de todo o pior dos voice actings que já ouvi, mas gostava que tivesse a hipótese de escolher o original japonês. Nada de especial a apontar às vozes de Tepeu, Majin e bosses, mas Tepeu tem a habilidade de falar com animais, algo que poderemos fazer inúmeras vezes durante a aventura. E aí por vezes as vozes não me parecem mesmo encaixar com o tipo de animal em si!

Portanto sim, este Majin and the Forsaken Kingdom foi uma excelente surpresa. E se por um lado parece um rip off de The Last Guardian, ou de qualquer outro jogo da Team Ico pela sua estética, na verdade é um jogo bem interessante, com boas mecânicas de jogo (controlar Majin é bem mais intuitivo e menos frustrante que o Trico, por exemplo) e uma componente de metroidvania que os da Team Ico não têm lá muito.

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F1 Team Simulation: Project F (PC Engine CD)

Vamos a mais uma rapidinha a um exclusivo japonês da PC Engine CD. Comprei este jogo num pequeno lote algures em Junho deste ano, tendo-me este custado algo em volta dos 10€. Mas foi um jogo que comprei um pouco às cegas, para ver se conseguia um desconto maior no lote. Com um carro de Formula 1 na capa, esperava que era um jogo de corridas normal, mas não é o caso. Este é então um simulador puro, onde apenas gerimos uma equipa de F1.

Jogo com caixa, manual embutido com a capa, spine e registration card.

Depois de uma cutscene com uma música bem hard rock e repleta de guitarradas, lá somos levados ao ecrã título onde podemos escolher entre começar uma partida nova, uma demonstração, ou continuar uma partida previamente gravada. Ao começar uma nova partida, começamos por definir o nosso nome, nome da equipa e nacionalidade. Ao escolher a nacionalidade vemos que diferentes nacionalidades possuem diferentes stats em categorias como management, technical e political. Segue-se nova cutscene, agora repleta de texto em japonês onde assumo que nos estejam a apresentar o nosso papel de gestor da equipa de F1 que iremos representar. Depois temos um menu com imagens e textos em inglês onde nos aparecem as seguintes opções: management, technical, driver, test e save.

Ao menos os menus estão em inglês

No management aparentemente podemos escolher que patrocinadores nos representam, no technical escolhemos o chefe dos mecânicos, a sua equipa e todas as peças relevantes para o nosso carro. Em driver escolhemos quais os nossos pilotos e escusado será dizer que todas estas escolhas custam dinheiro, que teremos de gerir inteligentemente. Test é a opção onde poderemos dar voltas de teste e avaliar a performance dos nossos carros e por fim, ao pressionar em exit leva-nos à primeira corrida, onde começamos por acompanhar a fase de qualificação e eventualmente competir. Durante as voltas de qualificação e práctica apenas vemos os nossos pilotos a percorrerem o circuito, enquanto que durante as corridas em si, lá vamos vendo também todos os outros oponentes. Ocasionalmente o jogo decide mostrar algumas pequenas cutscenes da acção em pista, como os nossos carros a fazerem curvas apertadas ou a fazerem/sofrerem ultrapassagens. Temos também de manter um olho no desgaste das várias peças e o consumo de combustível, pelo que ocasionalmente lá teremos de indicar aos nossos pilotos para irem às boxes. As corridas em si são extremamente demoradas, é o preço a pagar de um simulador.

O jogo não tem qualquer licença da FIA, no entanto os pilotos são quase todos caras conhecidas

Tecnicamente até acho o jogo bem competente. A cutscene de abertura é muito boa e durante as corridas em si vamos ver constantemente pequenas cutscenes, porém bem feitas, que mostram os momentos mais emocionantes da corrida. No final da mesma também temos direito a outras pequenas cutscenes mediante a posição final dos nossos pilotos. A banda sonora é também excelente, uma vez mais a começar pela música hard rock da introdução. Durante o jogo em si vamos poder ouvir músicas mais calmas com um feeling mais jazzy, mas também outras mais rock, particularmente durante as corridas em si. Confesso que sempre ajudam a passar melhor o tempo!

Durante as corridas em si, para além de uma vista aérea do circuito e posições dos pilotos, vamos vendo também algumas cutscenes de acção. E sim, o jogo tem alguns erros de inglês. O circuito do Bragil é um deles.

Portanto este é um jogo que até parece interessante, principalmente para quem gosta da ideia de gerir toda uma equipa de fórmula 1, o que não é o meu caso, infelizmente. A barreira linguísta também pode ser um impedimento, mas o jogo possui imensos menus em inglês, o que é uma excelente ajuda para se ter uma melhor noção das mecânicas de jogo.

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Teenage Mutant Hero Turtles II: The Arcade Game (Nintendo Entertainment System)

Vamos voltar agora à NES para mais um clássico da Konami. Depois do primeiro Turtles que a Konami desenvolveu, decidiram posteriormente produzir mais um, mas nas arcades. Devido aos seus excelentes gráficos muito semelhantes à série animada, uma também excelente banda sonora, mas acima de tudo, pela capacidade de 4 jogadores jogarem cooperativamente em simultâneo, esse The Arcade Game foi um sucesso. Naturalmente seguiram-se conversões para vários sistemas, mas esta da NES foi tratada pela própria Konami também. Por esta altura, o fosso tecnológico entre a NES e as máquinas arcade de última geração era algo gigantesco, no entanto a Konami conseguiu, mesmo com vários sacrifícios, produzir uma conversão bastante competente e até com algumas coisas novas! O meu exemplar foi comprado a um amigo meu por 5€ no passado mês de Junho.

Cartucho solto

Ora nós começamos esta aventura por tentar salvar a jornalista April, que foi uma vez mais raptada pelo vilão Shredder. Teremos então de enfrentar inúmeros dos seus minions, os Foot Clan, bem como vários dos bosses que nos habituamos a ver na série animada. Mas o que realmente interessa reter daqui é que este é um beat ‘em up à antiga e temos muita porrada para distribuir! Infelizmente várias coisas tiveram de ser cortadas face ao original arcade, a começar pelo suporte a 4 jogadores. Apesar de podermos escolher qualquer uma das 4 tartarugas para representar, apenas 2 jogadores poderão jogar cooperativamente.

O efeito gráfico do fogo logo no primeiro nível ficou muito bem conseguido!

A nível de controlos as coisas são simples com um botão para atacar e um outro para saltar. Infelizmente algumas das animações também foram cortadas, pelo que não temos tantos golpes como na versão arcade. Mas os specials (ao pressionar ambos os botões em simultâneo) mantiveram-se, embora sejam idênticos em todas as tartarugas. O jogo em si é bastante desafiante, pois a maioria dos inimigos têm frames de invencibilidade, o que não nos permite atacar o mesmo inimigo continuamente. Para além disso, é frequente sermos atacados por 3 ou 4 inimigos em simultâneo, pelo que facilmente podemos ser “ensanduichados”. Uma vez mais, fatias de pizza recuperam a nossa barra de vida, mas não são assim tão comuns quanto isso. Também não podemos apanhar outros itens ou armas do chão, embora certos objectos dos cenários sejam interactivos e geralmente conseguimos causar dano aos inimigos se o nosso timing for bom. Por exemplo, podemos atacar sinais de estrada que saem disparados e causam dano a algum inimigo que se atravesse à sua frente. Por outro lado, alguns inimigos também nos atiram com objectos (como tampas de saneamento), mas se tivermos bons reflexos conseguimos atirá-las de volta.

Esta versão para a NES traz alguns níveis novos, com novos inimigos e bosses também

Já no que diz respeito aos gráficos, bom, este é naturalmente um grande downgrade quando comparado ao original. Nem seria de esperar outra coisa, tendo em conta a diferença de hardware entre ambas as plataformas. Mas caramba, a Konami esforçou-se mesmo! E sim, muito detalhe foi perdido, tanto nos gráficos, como nas animações, ainda assim o que aqui temos é excelente para um sistema modesto como a NES. Os níveis estão muito bem detalhados dentro das suas limitações, logo o efeito de fogo no primeiro nível é muito bom! Para além disso, a Konami introduziu ainda dois novos níveis nesta versão: o primeiro leva-nos a uma Nova Iorque cheia de neve, enquanto que o outro é um dojo que antecede a nossa chegada à Technodrome, onde iremos eventualmente defrontar o Shredder. A banda sonora é também excelente, como a Konami bem nos habituou nos seus clássicos na NES.

Ocasionalmente temos também algumas pequenas cutscenes que fazem avançar a história

Portanto esta adaptação do clássico arcade da Konami acaba por ser bem surpreendente, principalmente por correr num sistema tão modesto quanto a NES. Acho que, no entanto a jogabilidade poderia ainda ser um pouco melhorada, com a inclusão de mais golpes ou a retirada dos frames de invencibilidade dos inimigos, que não nos deixa fazer uns bons combos. A Konami ainda lançou um outro beat ‘em up Turtles na NES, o Manhattan Project. Esse parece ser ainda melhor, mas infelizmente acabou por não ser oficialmente lançado por cá na Europa. É uma pena!

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Nekketsu Koukou Dodge Ball-Bu: CD Soccer-hen (PC Engine CD)

Este mês planeio trazer cá uns quantos jogos de PC Engine, alguns serão rapidinhas, outros talvez nem tanto. O jogo que decidi cá trazer hoje é um exemplo de como um jogo pode ser tão modificado desde o seu lançamento original até ao ocidente. Pelo menos foi o que aconteceu com a primeira versão deste jogo na Nintendo Famicom, que chegou até ao ocidente como Nintendo World Cup. No Japão esse jogo fazia parte da série Kunio-Kun, onde outros jogos como o beat ‘em up River City Ramson também fazem parte. Mas outras versões foram produzidas, incluindo esta da PC Engine CD que saiu no final de 1991 unicamente no Japão. O meu exemplar foi comprado algures em Junho por cerca de 12€.

Jogo com caixa e manual

Ora, tal como o Nintendo World Cup, este é um jogo de futebol muito peculiar, não fosse o facto de controlarmos uma equipa de rufias, pelo que não há quaisquer faltas a serem assinaladas, muito menos foras de jogo! E sim, sendo este um título em formato CD, podem contar com cutscenes que vão contando uma história, particularmente a de abertura. E apesar de estar completamente em japonês, creio que a história será algo do género: uma rapariga popular da escola secundária do Kunio quer, por algum motivo, que a escola participe num torneio de futebol. Então a miúda faz olhinhos à equipa de dodge-ball, liderada pelo Kunio, para que participe. Claro que eles aceitam! Mas em vez de competirmos com outras equipas de adolescentes, vamos competir com grupos completamente aleatórios como monges, pescadores, motards ou mesmo outros gangues mafiosos! Para além das equipas bizarras que iremos enfrentar, os campos de jogo também podem ser bastante diferentes. Alguns podem ser em terra batida e cheios de calhaus gigantes capazes de lesionar jogadores que lá tropeçam, outros podem ser pistas de gelo onde o controlo dos movimentos é bem mais desafiante.

Rasteiras e caretas por todo o lado! Conduzir a bola pelo campo com sucesso é uma arte

A nível de jogabilidade contem com as mesmas mecânicas do Nintendo World Cup, onde não controlamos toda uma equipa, mas sim apenas um dos jogadores. Estando na posse de bola podemos passar ou rematar, não tendo a posse da bola resta-nos apenas partir para a pancada, embora também possamos dar ordens aos nossos colegas, quando algum deles tem a posse da bola. Antes de cada partida no entanto podemos definir alguns parâmetros, como o comportamento geral da nossa equipa com ou sem bola. Tal como referi acima a pancadaria é livre, embora por vezes possamos ficar com jogadores KO até ao final da parte em questão. E claro, como não poderia deixar de ser, cada equipa tem os seus próprios pontapés especiais, remates super acrobáticos e quase indefensáveis, mas que devem ser usados de forma inteligente pois apenas os podemos usar um número limitado por partida. Mas que é divertido usá-los é!

No intervalo de cada partida temos direito a algumas animações engraçadas dos balneários

A nível gráfico é um jogo simples, com sprites pequenas porém com o charme característico dos jogos Kunio-kun. Particularmente quando andamos à pancada e rasteirar os adversários, vamos ver constantemente caretas e olhos esbugalhados. Mas para além disso, existem outros pequenos pormenores deliciosos. No intervalo, vemos sempre uma pequena cutscene do estado de espírito das equipas, mediante quem estiver a ganhar. São cutscenes variadas por equipa e sempre bem humoradas. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros e as músicas têm qualidade CD Audio e possuem quase sempre uma toada rock and roll clássica. Para além disso, temos também algumas cutscenes mais elaboradas, nomeadamente a de abertura e a de fecho, caso consigamos vencer o torneio.

A cutscene de abertura está bem detalhada e com voice acting inteiramente em japonês

Portanto este Nekketsu Koukou Dodge Ball-Bu: CD Soccer-hen (nome longo demais para o meu gosto) até que é um jogo bastante divertido, embora inicialmente custe um pouco habituarmo-nos à ideia de controlar apenas uma personagem. Mas toda a loucura que existe em cada partida acaba por prevalecer! Existem mais umas quantas versões deste jogo (inclusivamente uma outra para a PC-Engine em tudo idêntica a esta excepto nas cutscenes e música em CD Audio devido a ser um lançamento no formato HuCard), mas de todas as versões esta parece ser a mais interessante!

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Life is Strange 2 (Sony Playstation 4)

O primeiro Life is Strange foi um jogo que me surpreendeu bastante pela positiva. É uma aventura gráfica com um setting urbano e juvenil, onde as escolhas que vamos fazendo (tal como nos jogos da Telltale) irão ter algumas repercussões que irão moldar o decorrer da história, mas acima de tudo, a narrativa foi muito bem escrita e todas as personagens foram muito bem construídas. Depois veio o Before the Storm que se afirmou como uma prequela e apesar de também ter qualidade, não me impressionou tanto quanto o primeiro. Este segundo Life is Strange custou-me cerca de 18€, tendo sido comprado na Amazon algures no passado mês de Junho.

Jogo com caixa e papelada

Desta vez, este segundo Life is Strange apresenta-nos uma história completamente nova, onde controlamos Sean Diaz, um adolescente que vive algures em Seattle com o seu pai e Daniel, seu irmão mais novo. Sean prepara-se para festejar o Halloween com os seus amigos da escola e até este ponto, tudo indicava que esta seria mais uma aventura entre colegas de escola do 12º ano. Mas eis que de repente coisas graves acontecem e os dois irmãos vêm-se forçados a abandonar Seattle enquanto são perseguidos pela polícia. Ao longo do jogo iremos percorrer vários estados e regiões norte-americanas, pelo que em cada episódio iremos conhecer novas pessoas, o que de certa forma também nos dá uma maior variedade. E claro, a relação entre Sean e o seu irmão Daniel será o principal ponto do jogo, onde teremos muitas vezes de o proteger, mas também de o educar, com a acções que formos tomando servindo de exemplo para o pequeno Daniel. Por sua vez, e sem querer estragar qualquer surpresa, digamos que o próprio Daniel é também uma pessoa muito especial. Este Life is Strange 2 traz também o The Awesome Adventures of Captain Spirit. Este é um pequeno capítulo adicional que foi lançado de forma gratuíta uns meses antes do lançamento deste Life is Strange 2. Esse pequeno jogo serve-nos para introduzir o jovem Chris que vive sozinho com o seu pai numa remota aldeia no interior Norte-Americano. É apenas um sábado onde teríamos todo o tempo do mundo para nos divertirmos, mas também teremos de lidar com os problemas de alcoolismo do seu pai. Serve para introduzir algumas das novas mecânicas de jogo e iremos reencontrar o pequeno Chris no segundo capítulo do Life is Strange 2.

No The Awesome Adventures of Captain Spirit iremos protagonizar o pequeno Chris, uma criança com uma imaginação muito fértil, mas também com uma relação difícil com o seu pai

No que diz respeito às mecânicas de jogo em si, esta é mais uma aventura gráfica completamente em 3D onde teremos de explorar os cenários, coleccionar alguns objectos e falar com várias pessoas para ir progredindo na história. Uma vez mais, iremos tomar diferentes decisões que irão moldar o decorrer da história, mas também desenvolver a personalidade do pequeno Daniel de diferentes formas. Tal como nos outros Life is Strange, a última decisão é sem dúvida a mais importante e aquela que irá ditar o final que iremos observar. No entanto, mediante como fomos construindo a nossa relação com o Daniel, os finais em si poderão ser bem diferentes, creio que há uns 7 finais distintos que poderemos alcançar. Tudo dependerá da moralidade de Daniel, do quão fortes os laços estão entre ambos os irmãos e claro, da relação que tenhamos mantido com algumas outras personagens chave ao longo do jogo. Outro aspecto que devemos também salientar é o facto de agora haverem bem mais diálogos temporizados, onde teremos um tempo limite para dar a nossa resposta, tal como nos títulos da Telltale.

Enquanto que no primeiro Life is Strange poderíamos tirar fotos opcionais e no Before the Storm eram graffiti, aqui Sean é muito dotado para o desenho, embora também possamos encontrar outros coleccionáveis

Graficamente já é um jogo bem superior aos seus predecessores, particularmente no detalhe gráfico dos cenários à nossa volta. Como estamos a maior parte do jogo em fuga da polícia, iremos principalmente explorar várias localidades mais no interior, onde iremos explorar belíssimas florestas, mas também os áridos desertos dos estados do Nevada e Arizona. As personagens em si possuem óptimas animações faciais, embora não sejam 100% realistas, mantendo um estilo gráfico muito próprio, já herdado do primeiro jogo. A banda sonora é principalmente composta por temas mais acústicos, o que faz todo o sentido, não só pelos muitos momentos de solidão e exploração em plena Natureza que iremos percorrer, mas também pela narrativa mais melancólica que nos irá acompanhando.

O facto de andarmos sempre em fuga permite-nos também ter uma maior variedade de cenários, alguns deles paisagens naturais belíssimas

Portanto devo dizer que até que gostei bastante deste Life is Strange 2. O primeiro episódio, onde iríamos principalmente conhecer Sean, os seus colegas e familiares mais próximos, deixavam-me antever mais uma aventura num ambiente colegial, mas o twist final desse episódio surpreendeu-me bastante. A narrativa está excelente, com um grande foco nos laços que vão sendo estabelecidos entre os dois irmãos em ambientes adversos, mas também muitos outros tópicos importantes da sociedade vão sendo abordados. Tendo em conta que Sean e Daniel são descendentes de um pai mexicano, o racismo será um ponto recorrente, infelizmente. Gostei também de ver uma ou outra referência ao primeiro Life is Strange!

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