Control: Ultimate Edition (Microsoft Xbox One)

Na minha demanda para jogar todos os jogos que a Remedy Entertainment lançou, chegou finalmente a vez de pegar no Control, um jogo de acção lançado originalmente em 2019 e que obteve um sucesso considerável ao introduzir um combate exigente, mas repleto de mecânicas interessantes, assim como uma narrativa empolgante e bastante bizarra, algo a que a Remedy já nos havia habituado em Alan Wake. Sensivelmente um ano depois do seu lançamento original, a Remedy presenteou-nos com esta Ultimate Edition, contendo os dois DLCs e, no caso das versões para consolas de nova geração, suporte a visuais 4K e HDR, sem as severas penalizações de performance dos lançamentos originais. Devido à ligação que a Remedy teve com a Microsoft no passado, acabei por priorizar as versões Xbox para a minha colecção e aqui as coisas ficaram algo confusas. A versão que tenho na colecção (e que um amigo meu me comprou ao desbarato numa CeX do Reino Unido) indica Xbox One / Xbox Series X na caixa. Quando inseri o disco na consola, foram instaladas duas versões: o Control base para Xbox One e a Ultimate Edition, na sua versão optimizada para a nova geração. Já não consigo precisar (deixei o jogo instalado desde que terminei o Quantum Break), mas creio que o disco instalou a versão de Xbox One, sendo a versão de nova geração descarregada digitalmente. Infelizmente, só mais tarde me apercebi que existe uma versão que apenas indica Xbox Series X na caixa e que, aparentemente, inclui a versão de nova geração completa no disco, como seria desejável.

Jogo com caixa. Versão Xbox One que requer internet para fazer download do jogo. Será substituída assim que possível pela versão Series X.

Em Control, assumimos o papel de Jesse Faden, uma jovem que chega a Nova Iorque em busca de respostas sobre um evento traumático da sua infância, ligado ao misterioso desaparecimento do seu irmão. A sua investigação conduz-a à sede da Federal Bureau of Control, uma agência governamental secreta dedicada ao estudo e contenção de fenómenos paranormais, instalada no enigmático edifício conhecido como Oldest House. Pouco depois de entrar, Jesse vê-se inesperadamente nomeada directora da organização, herdando não só a autoridade sobre os seus agentes, mas também a responsabilidade de lidar com uma ameaça de origem desconhecida, o Hiss, uma presença hostil que corrompe tanto pessoas como a própria realidade. À medida que explora os corredores mutáveis da Oldest House, Jesse descobre Objectos de Poder com propriedades sobrenaturais, investiga fenómenos inexplicáveis e começa a reconstruir o seu próprio passado, num percurso que cruza conspiração governamental, horror existencial e ficção científica. A busca pessoal de Jesse pelo seu irmão desaparecido cruza-se assim com uma reflexão mais ampla sobre controlo, percepção e a tentativa humana de racionalizar o inexplicável, num universo onde as regras são, no mínimo, maleáveis.

O uso de habilidades como a telecinese é fundamental para o combate exigente

Control é então um jogo de acção com elementos de metroidvania, apresentando um mundo semi-aberto repleto de segredos que vão sendo desvendados à medida que desbloqueamos novas habilidades. Jesse possui poderes sobrenaturais como telecinese ou a capacidade de levitar, ambos extremamente úteis tanto na exploração como no combate. Os confrontos tendem a ser intensos, com vários inimigos a surgirem em simultâneo, apresentando padrões de ataque agressivos e coordenados, obrigando-nos a estar constantemente em movimento e a tirar partido de todas as habilidades disponíveis, assim como dos elementos do cenário para procurar algum abrigo. Sempre que morremos, perdemos uma pequena percentagem dos recursos obtidos e regressamos ao último control point utilizado. A barra de vida regenera automaticamente apenas até um certo ponto (bastante abaixo do total), sendo necessário recolher os cristais luminosos largados pelos inimigos para recuperar totalmente a energia. Sempre que interagimos com um control point, a nossa vida é também restaurada por completo.

Frequentemente somos levados a explorar o “astral plane”, uma outra dimensão de onde estas estranhas criaturas surgem

A curva de aprendizagem tende então a ser elevada, visto que, para termos sucesso, precisamos de alternar constantemente entre diferentes estratégias, armas e habilidades. As armas possuem munição ilimitada, mas com períodos de recarga relativamente longos, enquanto as habilidades psíquicas, como levitar, erguer escudos ou lançar objectos, consomem energia, obrigando a uma gestão eficiente de ambos os recursos. A minha única queixa do sistema de combate prende-se com a ausência de um mini-mapa que indique a posição dos inimigos, o que fez com que, por várias vezes, fosse apanhado desprevenido por ataques vindos de fora do campo de visão.

Outra das importantes mecânicas de jogo introduzidas é o seize: depois de fragilizados, poderemos tornar os inimigos em nossos aliados

Ao serem derrotados, os inimigos não largam apenas cristais luminosos, mas também diversos recursos importantes, desde mods que podem ser equipados nas armas ou na personagem, melhorando determinados atributos, até materiais utilizados num sistema de crafting. Este permite melhorar armas ou construir novos mods, sendo tudo gerido através dos control points, que funcionam também como pontos de teletransporte entre áreas previamente desbloqueadas. É igualmente aí que utilizamos os skill points, obtidos ao completar missões ou descobrir áreas secretas, para evoluir as várias habilidades disponíveis, desde o aumento da barra de vida até melhorias na levitação ou nos escudos, entre muitos outros.

Visualmente, control é um jogo cativante por toda a sua estética e conceitos paranormais

Tudo isto é apresentado com uma identidade visual muito própria e bem conseguida. Apesar de a narrativa decorrer num contexto contemporâneo, o interior do edifício apresenta uma estética fortemente inspirada nas décadas de 60 e 70, repleta de tecnologia antiquada como monitores CRT, gravações em fita magnética e outros elementos analógicos. À boa maneira da Remedy, existem também várias sequências com actores reais, integradas de forma coerente com essa estética visual. Do ponto de vista técnico, trata-se de um dos primeiros jogos de grande perfil a tirar partido de efeitos de ray tracing, algo que acabou por penalizar as versões originais de PS4 e Xbox One em termos de performance. No meu caso, jogando na Xbox Series X, optei sempre pelo modo qualidade e não notei quebras de desempenho significativas. Curiosamente, comecei por engano a jogar a versão de Xbox One e, pelo menos numa fase inicial, não identifiquei diferenças particularmente evidentes entre ambas, o que poderá dever-se ao facto de estar a jogar numa Xbox Series X, um sistema naturalmente mais capaz.

Tal como a Remedy nos tem vindo a habituar, o que não falta é conteúdo para explorar o lore deste universo e imensas cenas gravadas com actores reais.

De resto, a nível sonoro, é também um jogo muito competente, sobretudo pela qualidade da sua narração. A Remedy continua a apostar na participação de actores reais, o que volta a dar bons resultados. Grande parte do encanto de Control reside precisamente nessa narrativa forte, ainda que propositadamente ambígua e bizarra. O restante design de som está igualmente bem conseguido, com a exploração da Oldest House a decorrer muitas vezes em silêncio, pontuada apenas por som ambiente, contribuindo para uma experiência bastante imersiva.

Em suma, devo dizer que gostei bastante de Control, apesar do seu combate exigente implicar uma curva de aprendizagem mais acentuada. Esta Ultimate Edition, para além das melhorias técnicas e de estabilidade nas consolas mais recentes, inclui também ambos os DLCs, que expandem a experiência com novas áreas, habilidades, mods e uma nova arma. O destaque especial vai para o DLC AWE (Altered World Events), que estabelece ligações directas com Alan Wake. Fico, por isso, bastante curioso com o que vem aí, especialmente tendo em conta que planeio jogar Alan Wake II nos próximos meses, e que a Remedy já confirmou estar a trabalhar numa sequela directa de Control para ser lançada ainda neste ano. Se este jogo serve de indicação, a Remedy encontrou aqui uma fórmula muito própria, capaz de equilibrar acção exigente com uma narrativa densa e intrigante, deixando antever um futuro bastante promissor para este universo.

Desconhecida's avatar

Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.