Streets of Rage 3 (Sega Mega Drive)

Voltando aos clássicos, hoje trago-vos cá o terceiro jogo da saga Streets of Rage, sem dúvida uma das mais populares da era 16bit e foi a resposta da Sega ao Final Fight da rival Capcom. No entanto, apesar de ser um bom jogo, este Streets of Rage 3 nunca recebeu tanta atenção quanto os seus predecessores. Talvez  por não ser tão comum, ou pelo facto de ser um jogo muito diferente do original japonês. O meu exemplar foi comprado algures no final do ano passado a um particular. Custou-me 50€, estando completo e em bom estado geral.

Jogo com caixa e manual

A história decorre algum tempo depois dos acontecimentos do último jogo, onde apesar do líder mafioso Mr. X ter sido derrotado duas vezes, não desiste de tentar controlar a cidade. Desta vez os seus planos envolvem robots, tendo o Mr X raptado o chefe da polícia local, substituindo-o por um robot controlado pela organização. Dr. Zan, um cientista e também ciborgue que estava a colaborar com Mr. X, contacta a já veterana Blaze Fielding informando-a do plano, dando assim início a mais uma nova aventura. Blaze, Axel, Eddie “Skate” Hunter e o próprio Dr. Zan são as personagens que temos inicialmente à disposição, com o Adam mais uma vez a ficar de fora. Na verdade poderemos desbloquear outras duas personagens secretas, como o ninja Shiva, ou o Roo – um canguru que luta boxe. Ambas as personagens podem ser desbloqueadas através de códigos, mas o Roo pode ser desbloqueado durante o jogo, quando chegamos à luta contra Roo e o seu dono. Se derrotarmos o seu dono, Roo foge e fica posteriormente disponível quando perdermos uma vida e quisermos mudar de personagem.

Ao longo do jogo vamos tendo várias cutscenes com as diferentes personagens, que dão muito mais sentido à história.

Bom, este Streets of Rage 3 é um beat ‘em up como os outros, mas mudaram uma série de coisas na sua fórmula. A primeira é que os níveis estão maiores. Já os níveis do Streets of Rage II eram grandinhos comparando com os do primeiro jogo, aqui são muito maiores, atravessando vários estágios diferentes e com vários combates com sub bosses entretanto. Mais uma vez podemos equipar armas brancas que apanhemos na rua, ou através de inimigos, mas desta vez as armas possuem uma durabilidade limitada. Por outro lado, é possível agora fazermos combos e golpes específicos com as diferentes armas que equipamos, o que é bom. Para além disso, os ataques especiais de cada personagem estão uma vez mais de volta, sendo que desta vez apenas somos penalizados com pontos de vida ao usar esses golpes de forma consecutiva. Isto porque à direita da nossa barra de vida, temos uma outra barra de energia que, quando estiver cheia, significa que podemos aplicar um special. Ao aplicá-lo sem a barra de energia cheia é que somos penalizados com a perda de alguns pontos de vida. Para além disso vamos poder desbloquear novos specials para cada personagem, consoante a nossa performance.

Ash, o eterno injustiçado, é uma personagem desbloqueável na versão japonesa.

O jogo é também muito mais difícil e se jogado no modo easy apenas chegamos ao nível 5 e não teremos acesso ao final verdadeiro. Isto porque o jogo possui na verdade 4 finais, sendo que os outros três estão relacionados com as nossas acções nos últimos níveis, nomeadamente se os terminamos dentro de um tempo limite. Existe também uma maior interactividade dentro dos próprios níveis – para além de existirem várias armadilhas como carros industriais a passarem a toda a velocidade em carris, ou buracos onde poderemos atirar para lá os inimigos, derrotando-os mais facilmente. No sexto nível somos mesmo obrigados a explorar bem a zona, entrando em diferentes salas e activando (ou desactivando – à porrada) interruptores que ditarão se conseguirmos salvar o chefe da polícia a tempo ou não. Os inimigos aparecem também em grande número e são mais inteligentes, esquivando-se dos nossos golpes, podendo apanhar armas do chão (ou mesmo as comidas que nos restauram a energia), e facilmente nos rodeiam. Portanto, jogando esta aventura com 2 jogadores é sempre mais agradável.

Aqui as armas têm durabilidade limitada

No que diz respeito aos audiovisuais, a apresentação do jogo é excelente. Isto porque o mesmo possui imensas cutscenes com vários diálogos entre cada nível, o que melhora bastante a narrativa. Os níveis em si são bastante diversificados e bem detalhados e sim, podemos uma vez mais percorrer as ruas da cidade, discotecas, cavernas, o famoso nível com um elevador gigante, ou zonas mais industriais como a fábrica dos robots. Mas por outro lado a música desapontou-me. É na mesma produzida por Yuzo Koshiro, possuindo temas que misturam a electrónica com outros géneros musicais, incluindo o jazz, mas na verdade achei a banda sonora uns bons furos abaixo dos seus predecessores.

Para além disso, convém referir que este jogo infelizmente foi vítima de censura face à versão japonesa – já agora também se diz que a versão japonesa é muito mais fácil que a ocidental, mas nunca confirmei. Mas voltando à censura, para além das personagens femininas (principalmente a Blaze) estarem mais vestidas na versão ocidental, temos um boss que foi completamente omitido nesta versão. É verdade que hoje em dia, numa geração de virgens ofendidas, isto poderia ser visto como algo preconceituoso e altamente esteriotipado, mas sinceramente nunca achei que fosse motivo suficiente para ser censurado. Basicamente na versão japonesa defrontamos o Ash, um boss gay altamente esteriotipado, que pode posteriormente ser desbloqueado como personagem jogável. É pena, pois seria uma personagem muito bem humorada para umas partidas. Para além disso, a história da versão japonesa também é algo diferente e muito mais sinistra. Basicamente antes do jogo começar houve uma explosão que matou milhares de pessoas e um general militar estrangeiro foi raptado, ao contrário do chefe da polícia. Basicamente na versão oriental o Mr. X queria arranjar um pretexto para começar uma nova guerra mundial.

Já referi que este jogo possui demasiados ninjas??

Posto isto, este Streets of Rage 3 é para mim mais um sólido jogo na saga. Não tão bom como o seu predecessor, mas ainda assim um óptimo jogo que a meu ver pecou mais na banda sonora não ser tão boa e na censura face à versão original japonesa. Infelizmente depois deste jogo a série Streets of Rage entrou num coma profundo. Depois de um pitch promovido pela Core Design que foi rejeitao do pela Sega, dando origem ao Fighting Force, ou de um projecto que nunca chegou a ver a luz do dia para a Dreamcast, até ao momento nunca chegamos a ver um novo jogo na série. Mas eis que recentemente a Sega anunciou, através da DotEmu e Lizard Cube que uma nova entrada na série está finalmente em desenvolvimento. Pelo pouco que já se viu, deixou-me com água na boca!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Mega Drive, SEGA. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.