Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Tempo de voltar às rapidinhas na Master System para um jogo que desde miúdo sempre me despertou a curiosidade. Lembro-me perfeitamente de ver um único screenshot deste Danan: The Jungle Fighter num catálogo da Sega e ter apreciado o facto das sprites das personagens serem bem detalhadas. Uns valentes anos mais tarde, depois de o finalmente ter jogado em emulação, o jogo até que é bastante competente. Outros tantos anos depois, foi no passado mês de Junho que o comprei na vinted, completo por 40€. É um jogo que infelizmente tem vindo a encarecer…
Jogo com caixa e manual
E aqui encarnamos no papel de Danan, um jovem guerreiro que cresceu numa tribo de amazonas e a certo dia encontra o seu mentor morto. Lá lhe dizem que anda aí gente a tramar alguma e o que é certo é que acabaremos por lutar contra uma série de gente que procura ressuscitar uma antiga entidade maléfica que havia sido derrotada muitos, muitos anos antes.
O que não faltam aqui são cut-scenes com diálogos! A história pode não ser grande coisa, mas sempre apreciei este tipo de coisas em jogos mais antigos.
Este é um “simples” jogo de acção em 2D sidescroller com certos elementos muito ligeiros de aventura e RPG. Isto porque a nossa vida é medida em pontos de vida e sempre que derrotamos algum inimigo ganhamos pontos de experiência, que eventualmente nos farão subir de nivel e ganhar mais vida. Os controlos são super simples, com um botão para saltar e outro para atacar, sendo que apenas estamos munidos de uma faca para isso. Ao longo de todo o jogo vamos poder coleccionar vários itens como comida que nos regeneram a vida, relógios que nos aumentam o tempo limite para concluir cada nível, estrelas que nos dão pontos de experiência extras ou outro equipamento como novas facas ou amuletos que nos melhoram a defesa ou ataque. Também iremos encontrar diversos tokens de animais e estes servem precisamente para invocar alguns animais para nos ajudarem durante o jogo. Temos um tatu que nos ajuda a combater os inimigos, uma águia que nos permite transportar para zonas mais altas ou um gorila que simplesmente nos cura. Cada animal tem um custo diferente destes tokens que podemos coleccionar.
O início do nível 3 troca-nos as voltas e é um nível subaquático, onde teremos de ter especial atenção ao nosso nível de oxigénio.
De resto, como já referi temos um tempo limite para concluir cada nível, ou mais concretamente, até chegar ao boss, onde não poderemos utilizar nenhum destes poderes dos animais. O jogo encoraja também a exploração visto existirem várias portas e caminhos alternativos que nos levam a vários itens que poderemos coleccionar e assim também fortalecer a nossa personagem. Pelo meio vamos ter muitos diálogos com os vários NPCs (e bosses) que vamos encontrando, o que também não é assim tão comum quanto isso em jogos de acção na Master System. A história não é nada de especial sinceramente, mas não deixa de ser um bonito toque.
Os baús amarelos escondem vários itens e o jogo encoraja-nos a explorar
A nível audiovisual este é um jogo bem conseguido como eu já referi acima. As sprites são grandes e bem detalhadas e os níveis vão sendo algo variados, estando também com um bom nível de detalhe para a consola. Peca é no entanto por ser um jogo bastante curto, com 4 níveis apenas. Se bem que o terceiro nível é consideravelmente longo, visto que tem uma secção inicial onde teremos de nadar numa caverna subaquática até chegarmos a um navio inimigo. Esse segmento obriga-nos também a estarmos atentos ao nosso nível de oxigénio, que pode também ser restabelecido ao apanhar alguns itens para o efeito. As músicas sinceramente não as achei nada de especial, mas já se sabe que esse sempre foi o calcanhar de Aquiles da Master System.
Desde miúdo que um ecrã não muito diferente deste me deixou com vontade de um dia poder vir a jogar este jogo!
Portanto este Danan The Jungle Fighter até que é um jogo bastante interessante, se bem que tinha potencial para ser um pouco melhor. Mais níveis eram bem-vindos e se calhar o tempo limite até nem seria algo tão importante assim manter. Gosto de jogos de plataforma/acção 2D que nos encorajam a explorar, mas o relógio nunca nos deixa fazer tal coisa de forma tranquila.
Há já bastante tempo que estava a adiar jogar o quarto título da série Monkey Island da Lucasarts. Terminei o Curse of Monkey Island (jogo que adorei) já em Abril do ano passado e apesar de já ter este jogo na colecção há bastante tempo, tive bastantes reticências em jogá-lo, visto que já tinha a ideia que iria ter alguma dificuldade em jogá-lo num computador moderno. O meu exemplar físico foi comprado há cerca de 10 anos atrás (ou até mais que isso), se bem me recordo terá vindo da Game no Maiashopping, tendo sido um dos muitos jogos de PC que comprei lá ao desbarato. Entretanto, e para me ajudar a correr este jogo num computador moderno, comprei a sua versão GOG quando a apanhei em promoção por menos de 2.50€ algures no início deste mês. Infelizmente até essa versão tive dificuldade em correr, mas detalharei esses problemas mais à frente.
Jogo com caixa e papelada. Infelizmente sendo um relançamento budget não há cá manual físico
Ora este jogo foi lançado originalmente no ano de 2000, correndo no mesmo motor gráfico do Grim Fandango lançado um ano antes e que também planeio jogar em breve. Em 2000 o género das aventuras gráficas já estava num considerável declínio de popularidade e o facto de a LucasArts ter transitado a série Monkey Island para 3D poligonal também não foi a melhor ideia de todas (mais à frente também darei a minha opinião sobre isso). Entretanto, a história do jogo até que não é nada má, colocando-nos uma vez mais no pirata mais desastrado de todos os tempos, Guybrush Threepwood, que depois de vários meses de lua de mel com a sua agora esposa Elaine Marley, regressam à ilha de Mêlée e deparam-se com uma enorme confusão. A sua casa está prestes a ser demolida porque Elaine era a governadora lá do sítio e devido à sua ausência de 3 meses, foi declarada como morta, pelo que a câmara lá do sítio decidiu demolir a sua casa e convocar novas eleições, de onde surge um misterioso novo candidato (cuja aparência é algo familiar). Para além disso, todas as ilhas daquele arquipélago têm vindo a sofrer com a presença de um exímio investidor imobiliário australiano, que tem vindo a conseguir conquistar todas as propriedades dos piratas dessas ilhas. A nossa missão no imediato é arranjar uma tripulação e viajar a uma ilha vizinha, de forma a contactar os advogados da família de Elaine para que eles a possam ajudar a recuperar a sua posição de governadora. A situação nas outras ilhas não é a melhor, pelo que acabaremos também por nos vermos envolvidos noutros sarilhos.
Como é habitual na série os diálogos vão sendo bem humorados e temos sempre a vontade de explorar todas as opções
Para além da transição dos visuais, a Lucasarts achou também boa ideia alterar completamente a interface do jogo (sinceramente ainda não fui ver se o Grim Fandango sofre do mesmo mal), que é abolir toda a interface point and click. E isso sim, acabou por doer mais. Basicamente o jogo está repleto de vários cenários pré-renderizados e com ângulos de câmara fixa e à boa maneira dos Resident Evils, nós controlamos o Guybrush com tank controls. Mediante a direcção para onde estamos virados e a proximidade perante pontos de interesse, surgem na parte inferior do ecrã várias opções de interação, como “falar com X”, “observar Y” ou “observar Z”. Depois teríamos de utilizar as teclas page up ou page down para seleccionar a acção pretendida e ainda assim, caso queiramos interagir com Y ou Z em vez de os observar, teríamos também de usar algumas teclas de atalho para as diversas acções, como U para usar, L para observar, entre outros. É uma confusão de todo o tamanho e por muito que me custe admitir numa aventura gráfica de PC, é um jogo que se controla bem melhor com um comando.
E felizmente o bom humor continua uma constante com várias situações completamente absurdas
De resto, tirando toda esta interface horrível, o jogo está repleto de personagens interessantes como tem sido habitual, incluindo o regresso de muitas outras caras conhecidas. No entanto, nem todas as personagens ficaram lá muito bem conseguidas, na minha opinião. Um exemplo disso é o Stan, o vendedor chato que tem aparecido em todos os jogos e que agora se dedica a timeshares, um grande scam dos anos 90. Nesta incarnação Stan continua chato como sempre, mas com muito menos destaque que antes. Algumas personagens novas (como muitos dos turistas que iremos encontrar) são também bastante genéricos. De resto, o jogo está também repleto de puzzles como seria de esperar. Alguns são engraçados e bem pensados, como é o caso do paradoxo temporal, já outros são bem mais frustrantes, como é o caso do puzzle das pedras que temos de atirar por diferentes caminhos e dentro de timings muito restritos. Ou aquela viagem de canoa num rio de lava, que também nos irá obrigar a várias repetições até acertamos. Ambos os puzzles são já na recta final do jogo, o que me leva a pensar que a equipa já estava a ficar sem grandes ideias.
Várias caras conhecidas regressam nesta quarta aventura, embora algumas não estejam tão boas como é o caso do chato do Stan.
Outra coisa que regressa são todas aquelas piadas dos insultos, algo que teremos de utilizar frequentemente. No entanto, também na recta final, o jogo apresenta-nos o Monkey Kombat. Ora, pensem numa espécie de pedra-papel-tesoura bem mais complicado, pois em vez de 3 formas distintas temos 5, que são na verdade 5 formas de kung-fu protagonizadas por macacos. Cada forma vence duas outras formas, perde com mais duas e empata consigo mesma. Para além disso, para alternar de formas, teremos de vocalizar uma frase com vários sons de macacos do tipo chee, eek ou oop. Não vale a pena procurar soluções na internet, pois a relação de “força” entre as formas é aleatória, assim como as frases que nos permitem mudar de uma posição para outra. Teremos então de ir para a selva e lutar contra inúmeros macacos e ir apontando todas estas possibilidades, até finalmente conseguirmos ter um diagrama que nos permite ripostar com sucesso. Felizmente encontrei um programazinho na internet que nos ajuda a ir registando isso! Mas sim, escusado será dizer que este Monkey Kombat foi fortemente criticado pelos fãs e é fácil entender o porquê.
A transição para o 3D leva-nos a cenários pré-renderizados e com ângulos de câmara fixos, o que a meu ver não envelheceram tão bem. O detalhe dos anteriores era tão melhor, particularmente nas animações.
Voltando então para os audiovisuais, vamos focar-nos um pouquinho mais nos gráficos. Os primeiros dois Monkey Island são jogos totalmente em pixel art que eu bem aprecio. O terceiro já parece quase um filme em desenho animado que também está muito bem conseguido. Já este quarto título envelheceu muito mal na sua transição para o 3D. Os cenários são pré-renderizados mas sinceramente acho que ficaram bem mais pobres em detalhe do que todos os outros Monkey Island que lhe antecederam. As personagens são em 3D poligonal, mas também com um nível de detalhe e de animações bem mais fraco do que os seus antecessores. Felizmente a música e particularmente o voice acting continuam excelentes e é precisamente o voice acting a salvar muitas das personagens que aqui aparecem, pois em muitos casos a boa qualidade das suas vozes mascara alguma desinspiração nas mesmas.
Apesar dos visuais não estarem tão interessantes, o que me incomoda mais é mesmo a interface já não ser point and click mas desnecessariamente complexa.
O facto de o jogo ter gráficos pré-renderizados é também um dos grandes entraves em corrê-lo em sistemas operativos modernos, pois o jogo tranca a resolução em 640×480, o que está muito longe da resolução ultrawide (3440×1440) que utilizo actualmente. O que acontecia era que o monitor entrava nessa resolução e para manter o aspect ratio 4:3 ficava com dois gigantes “quadrados” pretos em ambos os lados do ecrã. Ao investigar na PC Gaming Wiki resolvi experimentar as duas sugestões para o jogo suportar resoluções maiores, ou na pior das hipóteses, correr em modo janela. Nem um nem outro funcionou correctamente no meu computador. Forçar o jogo numa resolução maior simplesmente fazia com que o mesmo fosse imediatamente abaixo, enquanto que o modo janela, quando o consegui implementar, trancava-me na mesma a resolução do monitor para 640×480, simplesmente o jogo corria numa janela que era do mesmo tamanho da área visível do monitor. A minha última solução foi mesmo experimentar o emulador ScummVM. Este Escape from Monkey Island está em vias de ser oficialmente suportado e se descarregarmos uma versão em desenvolvimento do emulador (não estável), lá consegui correr o jogo dessa forma e em modo janela. Infelizmente tive alguns bugs e de facto a emulação pelo ScummVM está longe de estar perfeita, mas ao menos o emulador suporta nativamente comandos de Xbox, pelo que foi bem mais fácil de o jogar dessa forma.
O Monkey Kombat é talvez o puzzle/mini jogo mais mal amado
Portanto este Escape from Monkey Island é um jogo que é considerado por muitos a ovelha negra na série e é fácil de entender o porquê. Os gráficos em 3D não foram uma boa ideia pois não envelheceram tão bem quanto os dos seus predecessores, bem como tornaram o jogo bem mais complexo de correr em sistemas operativos recentes. As personagens não são tão memoráveis quanto as de outras aventuras e o jogo possui alguns puzzles mais frustrantes. Mas acima de tudo para mim é mesmo o facto de terem descartado a interface point and click para uma interface e controlos bem mais obtusos. Mas ainda assim, com todos os seus defeitos, continua a ser um jogo bem humorado e se não fosse mesmo todos os problemas técnicos que tive, teria-me divertido bem mais a jogá-lo. De resto, para além desta versão PC o jogo sai também para a PS2, onde supostamente até é uma melhor versão em alguns aspectos, como o Monkey Kombat estar melhor explicado, por exemplo.
Tempo para o que seria mais uma rapidinha, embora este seja um artigo que estará seguramente carregado de hiperligações a outros de cá do blogue. Isto porque o artigo de hoje é uma das várias compilações de jogos da Mega Drive que acabaram por ir saindo para os mais variadíssimos sistemas. Esta “Ultimate Collection” acabou por ultrapassada pela SEGA Mega Drive Classics, lançada para as consolas da geração seguinte, embora existam alguns títulos desta compilação que não estão incluídos na colectânea mais recente. Este artigo irá então focar-se no que esta compilação oferece como um todo, já os jogos em si, visto que a larga maioria já escrevi sobre eles algures no passado, terão apenas uma breve menção. Os que ainda não possuo na colecção para o sistema original tentarei ser um pouco mais abrangente. De resto, sinceramente já não me recordo quando nem onde comprei isto, mas foi seguramente muito barato.
Compilação com caixa, manual e papelada
Esta é uma compilação desenvolvida pela Backbone Entertainment, que por sua vez já havia trabalhado noutras compilações no passado (como por exemplo a Midway Arcade Treasures 2 que teima em não me aparecer), bem como convertido jogos retro (incluindo alguns da Sega) para lojas digitais e foram também os criadores de ambos os Sonic Rivals da PSP. Aqui temos ao nosso dispor nada mais nada menos que 40 jogos de Mega Drive para jogar logo de início e acesso a algumas funcionalidades de melhoria de qualidade de vida como é o caso dos save states, bem como customizar controlos, efeitos gráficos, entre outros. Cada jogo tem direito a um pequeno “museu” com uma breve descrição do mesmo e scans da sua capa e cartucho. Infelizmente apenas as versões norte-americanas são mostradas, poderiam perfeitamente também ter incluído as variantes japonesas e europeias, assim como os seus manuais completos. Seguramente que haveria espaço para tudo no bluray. Não deixa de ser estranho ter um jogo listado como “Story of Thor” para depois jogarmos um “Beyond Oasis”… De resto como seria de esperar temos também toda uma série de extras como vários jogos arcade, uma dupla de jogos Master System que pessoalmente apreciei bastante e uma série de pequenas entrevistas a vários criadores da Sega que trabalharam em muitos dos jogos aqui incluídos, assim como outros a trabalhar em projectos mais recentes, como é o caso do Sonic 06 ou Phantasy Star Universe e que aproveitaram para publicitar os seus mais recentes trabalhos. Adoro este tipo de extras, mas gostava que as entrevistas tivessem sido um pouco mais extensas! Todos estes extras terão no entanto de ser desbloqueados ao cumprir uma série de desafios ao jogar os jogos principais, como apanhar uma esmeralda no primeiro Sonic, fazer mais do que X pontos no Flicky, gastar X magias no Golden Axe, entre muitos outros exemplos.
Infelizmente a secção do museu apenas inclui a arte das versões norte-americanas e algum texto de trivia. Eu adoro este tipo de conteúdo, mas poderiam ter incluindo muito mais coisa. Seguramente haveria espaço suficiente no disco e a Sega facilmente poderia ter cedido mais material.
Mas que jogos temos então aqui nesta compilação? Temos o Alex Kidd in the Enchanted Castle, o único jogo da ex-mascote da Sega neste sistema, assim como o Alien Storm, uma espécie de beat ‘em up futurista, embora tenha também outros subgéneros misturados. Segue-se o Altered Beast, mais um clássico do início de vida da consola e o Bonanza Bros., um jogo que sempre achei bastante divertido mas que nunca teve a mesma fama que outros títulos. O Columns (cuja versão Mega Drive ainda apenas tenho em várias compilações Mega Games) é um dos dois jogos puzzle aqui presentes e o clássico Comix Zone também (e o quão bom foi poder jogá-lo novamente!). O Decap Attack é outro dos títulos aqui presente e o Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine é o segundo jogo de puzzle desta compilação (até à data, este é um título que apenas tenho na Mega Drive na compilação Sonic Compilation). Este jogo tem talvez o achievement mais exigente da compilação, visto que nos obriga a terminar o modo história e o Robotnik é um oponente temível. O Dynamite Headdy é infelizmente o único jogo da Treasure da compilação mas não deixa de ser um clássico. Temos também a dupla Ecco the Dolphin e Ecco: The Tides of Time, ambos jogos únicos, marcantes e o último com uma banda sonora incrível.
Save states, os melhores amigos do homem. Ou pelo menos dos adultos com vidas ocupadas.
O E-Swat sempre achei um interessante jogo de acção e que me fazia lembrar títulos como Shinobi ou Rolling Thunder. O Fatal Labyrinth é um roguelike simples mas é um dos mais antigos exemplos de um jogo digital numa consola (saiu originalmente no serviço online MegaNet no Japão) e o Flicky é um exemplo de um jogo arcade bastante antigo, mas que não deixa de ser divertido e desafiante (este é mais um dos que até à data apenas o tenho numa outra compilação). O Gain Ground é mais um exemplo de um jogo bastante original da Sega e que acaba por cair um pouco na obscuridade (até ver, apenas tenho a versão da Master System que é bem mais simples). A trilogia Golden Axe para a Mega Drive está aqui representada, o que é uma óptima notícia! O primeiro é um clássico absoluto das arcades e o segundo, apesar de não ter a mesma “magia” para mim, não deixa de ser um óptimo beat ‘em up.
Para além de save states podemos customizar vários aspectos da imagem. Se quisermos jogar com o aspect ratio original, geralmente temos uma imagem de fundo condizente com o jogo.
A inclusão do Golden Axe III é para mim outro dos pontos altos desta compilação. Sempre foi um jogo que me fascinou e lembro-me de gastar muitas horas a jogá-lo em emulação há mais de 20 anos atrás. Apesar de muitas das revistas ocidentais que o analisaram não terem gostado muito do jogo, para mim sempre foi o contrário: mais personagens, maior variedade de golpes a executar, mais níveis (incluindo caminhos alternativos) e os gráficos não são nada maus na minha opinião. Não entendo como é que este jogo apenas se ficou pela Ásia em formato físico! Talvez os fãs quisessem um Revenge of Death Adder? Também eu, mas a pobre Mega Drive não lhe conseguiria fazer justiça! Enfim… é um jogo que um dia destes me esforçarei para ter na colecção.
Ristar, um dos melhores jogos de plataforma da Mega Drive!
Segue-se o Kid Chameleon, um jogo de plataformas repleto de níveis e power-ups (e que teve o Mark Cerny, um dos manda-chuva da Sony Computer Entertainment actualmente, no seu desenvolvimento). Os Phantasy Star da Mega Drive estão também aqui presentes! O segundo é um jogo que aprecio bastante, embora seja consideravemente desafiante. O terceiro apesar de ser considerado uma ovelha negra na família, tem os seus méritos e a equipa que o desenvolveu, não tendo muita experiência em RPGs, até que teve algumas ideias interessantes. O Phantasy Star IV é só um dos melhores RPGs de sempre. A sério, joguem-no. O Ristar é um excelente jogo de plataformas que só não teve mais sucesso a meu ver por já ter saído no final de vida da Mega Drive. A trilogia Shining está também aqui presente nesta compilação, com ambos os Shining Force (excelentes RPGs tácticos da Camelot) e o Shining in the Darkness (um dungeon crawler simples porém bastante desafiante). Outro grande clássico aqui incluído é o Shinobi III, um dos melhores jogos de acção da geração e absolutamente recomendado.
Felizmente que temos também vários desbloqueáveis, incluindo versões arcade de clássicos também emuladas.
Como não poderia deixar de ser, temos jogos do Sonic aqui. Na verdade, temos todos os jogos do Sonic que saíram para a Mega Drive! Sonic the Hedgehog, Sonic 2 (sequela perfeita), Sonic 3, Sonic & Knuckles (infelizmente acho que não dá para jogar ambos “juntos”), bem como o Sonic Spinball e Sonic 3D (que me deu um certo sabor agridoce ao voltar a jogá-lo). O The Story of Thor é o último jogo algo “RPG” aqui incluído e mais um com banda sonora de Yuzo Koshiro. E claro, a série Streets of Rage não poderia faltar e temos aqui a trilogia da Mega Drive na sua plenitude. O primeiro é outro dos jogos que me enche de nostalgia de cada vez que o jogo, o segundo é mais uma daquelas sequelas perfeitas e o Streets of Rage 3 também é um óptimo jogo, pecando no entanto por algum conteúdo cortado face ao lançamento japonês. O Super Thunder Blade é outro dos jogos do início de vida da consola e sinceramente não acho que tenha envelhecido tão bem. Por fim temos ambos os Vectorman, com destaque especial para a sequela que, apesar de não ser tão boa quanto o primeiro jogo, é mais um daqueles que infelizmente nunca chegou a sair em solo Europeu.
Dois jogos de Master System também podem ser desbloqueados, incluindo o primeiro Phantasy Star, ficando a quadrologia assim disponível nesta compilação.
No que diz respeito aos extras, podemos desbloquear a versão arcade do Alien Syndrome (cuja versão Master System ainda teima em fugir-me), a versão arcade do Altered Beast (sinceramente preferia um jogo diferente visto termos cá a versão MD), o Congo Bongo (Tip Top nesta versão) é um jogo de arcade de 1983 e a resposta da Sega ao Donkey Kong da Nintendo. É quase um jogo 3D devido à sua perspectiva e apesar de não ser tão bom quanto o original da Nintendo (pela sua simplicidade), é de longe uma versão melhor que aquela que a própria Sega converteu para a sua SG-1000. A versão arcade do Fantasy Zone também marca a sua presença e é claramente superior à da Master System. A dupla de jogos da Master System que podemos desbloquear é o Golden Axe Warrior e o primeiro Phantasy Star. O Golden Axe Warrior é um clone de Zelda e um dos jogos que mais anseio ter um dia destes para a consola, mas os seus preços estão cada vez mais proibitivos. Já o Phantasy Star é outro clássico, apesar de actualmente existirem melhores versões para o jogarmos. Por fim temos também para desbloquear as versões arcade de mais 3 clássicos: Shinobi, o primeiríssimo jogo da série, o Space Harrier (versão bem melhor que a Master System viria a receber) e o Zaxxon, um shmup isométrico que teria sido bastante impressionante na sua altura. É o jogo mais antigo de toda a compilação, tendo sido lançado originalmente em 1982.
As entrevistas são outro dos desbloqueáveis e que eu tanto adoro! Pena que sejam curtas!
Portanto esta é uma óptima colecção, repleta de vários clássicos da Mega Drive e ainda faltam uns quantos essenciais que foram produzidos/publicados pela Sega, como é o caso do Revenge of Shinobi, Gunstar Heroes, Shadow Dancer ou mesmo os Wonder Boy. Facilmente trocava o Super Thunder Blade por qualquer um desses! Ainda assim temos aqui bastante conteúdo, incluindo todos os Golden Axe, Phantasy Star, Shining, Sonic e muitos outros excelentes títulos como o Shinobi III ou Comix Zone. Tendo em conta os preços cada vez mais proibitivos do retrogaming actualmente, esta compilação é uma óptima alternativa a quem quiser poder jogar de forma legítima alguns destes títulos que simplesmente encareceram bastante nos últimos anos, ou lançamentos de difícil acesso no mercado europeu. Do tempo que joguei cada um dos títulos a emulação pareceu-me bem decente também, mas tenho pena que não se tenham esforçado um pouco mais no conteúdo de “museu” ao incluirem apenas a arte das versões norte-americanas e mais nada. De resto, e para fechar, a Sega lança uns anos mais tarde a Sega Mega Drive Classics para sistemas da geração seguinte e essa também é uma compilação repleta de jogos e que inclui muitos dos clássicos que estão aqui em falta e já os mencionei, para além do Alien Soldier, outro dos jogos que no sistema original custa um balúrdio. No entanto alguns títulos como o primeiro Phantasy Star, Golden Axe Warrior ou alguns dos Sonics não estão lá presentes, pelo que tenham também isso em consideração.
Vamos voltar à Mega Drive e a mais uma rapidinha visto que já cá trouxe no passado a versão Master System deste mesmo jogo. E apesar desta versão Mega Drive ser tecnicamente superior em todos os aspectos à versão 8bit da consola da Sega, o conceito do jogo é em tudo similar. O meu exemplar deu entrada na colecção algures em Maio passado, depois de ter sido comprado a um amigo meu.
Jogo com caixa e manual, na sua versão norte-americana.
Tal como a versão Master System, este é então um jogo de acção onde iremos percorrer toda uma série de níveis distintos e o objectivo é sempre o mesmo: o de resgatar uma série de reféns e assim que o fizermos teremos também de procurar a saída do nível, tudo isto debaixo de fogo constante de inimigos que surgem de todos os lados. Tal como na versão Master System os reféns poderão ser assassinados pelo predador e ocasionalmente vemos no chão a sua mira com os 3 pontinhos em forma de triângulo a percorrer o solo. Assim que esta chega ao seu alvo, o predador dispara e lá perdemos um refém. Para quem viu os filmes recentemente, isto não faz sentido nenhum porque o alienígena não ataca pessoas indefesas, mas é o que é. Uma vez libertados todos os reféns, o predador começa é a perseguir-nos a nós, pelo que não poderemos ficar muito estáticos.
A mecânica de resgatar reféns mantém-se nesta versão 16bit
No que diz respeito aos controlos os botões A e B disparam enquanto o C circula pelas diferentes armas que viermos ter à disposição. A diferença entre os botões A e B é que o primeiro faz com que disparemos sempre na direcção de movimento, enquanto o B deixa-nos disparar numa direcção fixa. Começamos com uma pistola de munição infinita, mas à medida que vamos explorando e destruindo inimigos poderemos apanhar munições de outras armas como granadas, metralhadoras, caçadeiras ou até armas do próprio predador como os discos, as lanças ou a arma que lança redes. Outros itens que podemos apanhar ajudam-nos a regenerar a nossa barra de vida, vidas extra ou simplesmente nos dão mais pontos, o que é o caso dos itens relacionados com drogas que apreendemos. De resto convém também mencionar mais algumas particularidades: ocasionalmente o jogo indica-nos, na forma de setas, a direcção do próximo refém a salvar, ou pelo menos aquele que potencialmente será a próxima vítima do predador. Isto é útil nos níveis mais labirínticos que eventualmente iremos explorar. O outro detalhe é que os níveis estão fechados por zonas e apenas poderemos avançar para a zona seguinte uma vez que tenhamos resgatados todos os reféns nessa zona.
Estes helicópteros são muito chatos, é melhor guardar as granadas para eles
Agora os problemas! O jogo é desafiante por todos os inimigos que surgem no ecrã e pela sua agressividade. Mediante a dificuldade escolhida, a nossa margem de falha para salvar reféns é também diferente, o que poderá complicar as coisas. Mas o que eu gostaria mesmo era de ter algum indicador visual de quantos reféns faltam salvar, apenas temos o indicador do contrário, ou seja, quantos o predador matou.
Ocasionalmente temos alguns bosses para derrotar também
A nível audiovisual este é um jogo bastante superior às suas versões 8bit, como seria de esperar. Os níveis e personagens são mais bem detalhados e, apesar de termos alguns níveis com uma perspectiva vista de cima mais tradicional, abrimos logo com uma dupla de níveis em perspectiva isométrica. Em relação ao som, nada de especial a apontar. A banda sonora não é incrível, mas também não me irritou nada… passou algo despercebida, portanto!
O último nível é passado na nave dos predadores, pelo que iremos combatê-los às dezenas.
Portanto este é um jogo de acção minimamente competente e desafiante. Apesar de ser tecnicamente superior às versões 8bit que sairam também para os sistemas da Sega, ainda tinha alguma margem de manobra para ser um pouco melhor a meu ver.
De volta à Master System para mais uma rapidinha a uma adaptação de um popular filme da década de 80, nomeadamente o segundo Regresso ao Futuro onde Marty McFly e companhia viajam precisamente ao futuro. É um jogo publicado pela Image Works e teve o seu lançamento original numa série de computadores 8bit/16bit populares no continente Europeu, com uma conversão para a Sega Master System a sair mais tarde, já em 1991. O meu exemplar deu entrada na colecção algures no passado mês de Maio, tendo sido comprado a um amigo meu.
Jogo com caixa e manual
Uma coisa boa deste jogo é a sua variedade de mecânicas de jogo nos diferentes níveis, embora nenhum deles seja particularmente bom. Ao longo de todo o jogo controlamos o jovem Marty McFly e o primeiro nível coloca-nos logo a atravessar uma cidade a bordo de um skate voador. O nível vai estando dividido em vários segmentos com scrolling automático, quer horizontal, quer oblíquo como em jogos como o Paperboy e o objectivo é o de simplesmente chegar ao fim deste longo nível em segurança. Vamos ter de nos desviar de toda uma série de obstáculos e eventualmente combater outros skaters, mas os controlos não são bons (o direccional movimenta a personagem, botão 1 para dar socos e 2 para saltar) e o nosso ataque tem um alcance bastante curto, pelo que idealmente deveremos evitar o combate a todo o custo. Ocasionalmente iremos encontrar vários níveis espalhados pelo nível que poderemos coleccionar e aumentar a pontuação ou regenerar parte da nossa barra de vida, embora existam vários obstáculos que nos fazem perder uma vida imediatamente. É um nível consideravelmente longo, ao menos tem vários checkpoints.
Infelizmente controlar o Marty neste nível não é lá muito agradável. E o nível parece que nunca mais acaba!
O segundo nível é considerado um nível bónus e se o conseguirmos completar dentro do tempo limite ganhamos uma vida extra. Passa-se na casa de Jennifer e o objectivo é o de guiar Jennifer em segurança para fora de casa, sem que esta se cruze com nenhuma das outras pessoas que lá habitam. Não controlamos Jennifer directamente mas sim portas, que podem ser abertas aos pares e seleccionadas com o direccional. Sempre que uma porta é aberta, as pessoas que estejam dentro das divisões afectadas pela abertura de portas trocam de sítio. Já o terceiro nível é um beat ‘em up em 2D sidescroller onde uma vez mais os botões 1 e 2 são utilizados para atacar e saltar respectivamente. Ao combinar com o direccional poderemos no entanto executar golpes distintos e uma vez mais a jogabilidade é pobrezinha. O quarto nível é também um nível de bónus, com um daqueles sliding puzzles que eu tanto odeio para resolver dentro de um tempo limite. Por fim o último nível é algo similar ao primeiro, onde teremos de atravessar uma outra cidade em cima de um skate. Os controlos e mecânicas mantêm-se.
O segundo nível já possui mecânicas completamente diferentes onde a única coisa que temos de fazer é abrir portas.
Graficamente até é um jogo colorido e com curtas cut-scenes entre cada nível, embora as sprites sejam bastante pequenas. A música do ecrã título e primeiro nível até não é desagradável de todo, creio que são adaptações 8bit das principais músicas do filme, já o resto da banda sonora é bastante má, sinceramente.
Entre cada nível vamos ter algumas pequenas cut-scenes que avançam a história
Portanto estamos aqui perante um jogo que apesar de apresentar uma variedade considerável de estilos e mecânicas de jogo (algo não assim tão incomum em vários jogos de computador europeus da época), deixam tudo a perder com maus controlos e mecânicas de jogo. Não é um bom jogo portanto. No ano seguinte a Europa teve direito a uma adaptação do terceiro filme e pelo menos a versão de Mega Drive lembro-me de a ter experimentado em criança e nem do primeiro nível conseguir passar…