Prince of Persia: The Forgotten Sands (Sony Playstation 3 / PC)

Vamos voltar uma vez mais à série Prince of Persia para este The Forgotten Sands, lançado para uma série de diferentes sistemas algures do ano de 2010. Depois do flop comercial que foi o reboot Prince of Persia a Ubisoft lá decidiu tentar uma vez mais, desta vez voltando à trilogia The Sands of Time para um jogo que decorre entre o Sands of Time e o Warrior Within. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado por 1£, tendo sido trazido do UK uma vez mais por um amigo meu. A versão PC já a tinha há mais tempo em formato digital, tendo sido oferecida pela própria Ubisoft na sua loja digital. Acabei no entanto por optar jogar a versão PS3.

Jogo com caixa e manual

Ora a história decorre então entre os eventos do Sands of Time e Warrior within, onde o príncipe decide visitar o reino do seu irmão mais velho Malik. No entanto quando lá chega apercebe-se que o seu irmão está em apuros, pois a sua nação está a ser invadida por um exército vizinho. Encurralado, Malik decide libertar um antigo e mágico exército de areia que se encontrava aprisionado algures nas entranhas do seu palácio. Pois bem, esse exército não é o que Malik esperava, tendo libertado toda uma série de forças demoníacas e que colocam o mundo em perigo. Caber-nos -á a nós então por um fim a esta ameaça e a nossa personagem irá eventualmente ter a ajuda de uma djinn, que lhe irá conferir alguns poderes mágicos.

Tal como é habitual na série o que não faltam são momentos de platforming desafiantes

A fórmula deste jogo é então muito similar à da trilogia original Sands of Time, na medida em que mistura platforming cheio de acrobacias e armadilhas à espreita, combate e ocasionalmente alguns puzzles para resolver. À medida que vamos avançando na história, o príncipe irá receber toda uma série de novos poderes e habilidades, começando com a possibilidade de, por algumas vezes, poder voltar o tempo atrás (botão R1), seja para corrigir algum salto mal calculado ou algum dano que possamos ter sofrido desnecessariamente. Em seguida ganhamos o poder de poder congelar a água (botão L2), algo que será necessário fazer em muitas das sequências de platforming e alguns puzzles. O poder seguinte é o de podermos fazer um ataque aéreo poderoso (X seguido de círculo), o que uma vez mais terá de ser utilizado em certos desafios de platforming mas pode ser usado no combate também. O último poder que ganhamos será utilizado apenas numa área específica já perto do final do jogo, umas ruínas muito antigas. Este permite-nos lembrar de certas plataformas, pilares ou outras superfícies que existiam no passado, ficando materializadas assim que pressionemos o botão L1. Tendo em conta que o R2 é o botão para correr em paredes, durante os desafios de platforming já perto do final do jogo onde precisaremos de utilizar todas estas habilidades, irão requerer uma grande destreza, pois precisaremos de pressionar em todos estes botões num timing exacto.

O sistema de combate é bastante dinâmico e os poderes que eventualmente aprendemos irão dar muito jeito

O combate é fluído, sendo que temos uma série de diferentes combos que podemos utilizar e todos os botões faciais são necessários. Quadrado ataca, triângulo serve para dar pontapés, especialmente útil para atordoar inimigos que tenham escudos, círculo serve para nos desviarmos e o X para saltar. Os inimigos que derrotamos vão-nos dando pontos de experiência que por sua vez poderão ser utilizados para fortalecer o príncipe (aumentar a barra de vida, de tempo ou simplesmente fortalecer os nossos ataques) ou ganhar (e evoluir) mais habilidades mágicas de uso exclusivo no combate. Essas habilidades são também elementais, com a terra a gerar um escudo que durante alguns segundos nos protegem de dano, o poder de fogo envolve-nos em chamas que queimam os inimigos à nossa volta, o poder de água (gelo) lança vectores gelados que causam dano a todos os inimigos na mesma linha e por fim o poder do vento despoleta um pequeno tornado à nossa volta que causa dano em todos os inimigos que nos rodeiam. Todas estas habilidades de combate ao serem utilizadas gastam o mesmo poder mágico que nos permite voltar atrás no tempo. Espalhados pelos cenários vão estar também toda uma série de objectos destrutíveis como barris ou ânforas que nos permitem regenerar um pouco da nossa vida e os poderes mágicos também.

Os inimigos do exército de areia estão muito bem representados

Visualmente acho o jogo muito bem conseguido, com gráficos bem detalhados para as consolas daquela geração, voice acting competente e uma banda sonora orquestral que resulta muito bem em representar aquela atmosfera algo mágica dos contos das 1001 noites que a série tão bem nos habituou. Não existe no entanto uma grande variedade de cenários em si, visto que iremos estar constantemente a visitar um palácio gigante e umas ruínas subterrâneas de uma outra cidade de outra era. No entanto existe uma variedade considerável de cenários interiores e exteriores em ambos os casos. Os inimigos e as suas animações estão também bem conseguidos.

Portanto este é um bom jogo do Prince of Persia e que recomendo vivamente a quem tenha gostado da trilogia Sands of Time, visto que este jogo utiliza muitas das mesmas mecânicas, adicionando no entanto outros elementos interessantes da sua jogabilidade. A versão PS3, PC e Xbox 360 são semelhantes entre si, pelo que joguem a que mais jeito vos der. No entanto, tal como já referi acima o jogo saiu também para outros sistemas como é o caso da Nintendo DS, Playstation Portable e Wii, sendo todas essas versões distintas entre si, tanto a nível de história como de mecânicas de jogo. Dessas outras versões apenas possuo a da Wii que irei jogar eventualmente.

Alien: Isolation (PC)

Depois de me terem recomendado que jogasse o Blood Omen, os meus caros amigos do podcast TheGamesTome recomendaram que jogasse este Alien: Isolation, no âmbito da nossa rubrica Backlog Battlers, uma espécie de “clube de leitura” onde nos vamos desafiando uns aos outros que joguemos certos jogos do nosso backlog. Pois bem, terminei-o na minha recente semana de férias e, como tem sido habitual quando publico algo que venha do backlog battlers, acabo também por deixar cá o vídeo onde falo do jogo em si. O meu exemplar foi comprado há uns 2/3 anos atrás numa feira de velharias, onde alguém espalhou uma série de sobras da extinta loja Game. A maior parte eram jogos de PC ao desbarato (tipo 1€ cada) e eu aproveitei para arriscar neste Alien: Isolation. Apesar de aberto, a sua cd-key ainda não tinha sido resgatada no steam, nem a do DLC que esta edição contém, o Crew Expendable.

O jogo é uma espécie de sequela do filme original de 1979, onde controlamos nada mais nada menos que Amanda Ripley, filha da protagonista principal do primeiro filme, que recebe a notícia que a “caixa negra” do Nostromo foi recuperada e está actualmente na posse de uma estação espacial gerida por uma empresa concorrente da Weyland-Yutani. Desesperada por notícias da sua mãe, Amanda decide embarcar na missão de recuperar a tal caixa negra e assim descobrir o que terá acontecido com a sua mãe. Mas quando lá chegamos rapidamente nos apercebemos que algo não está certo. Os poucos humanos que habitam a estação estão estranhamente hostis, os andróides também e uma sinistra criatura habita a nave, lentamente matando todos os que lá habitam. Sim, um alien está a bordo.

Jogo com caixa, dois discos e papelada diversa, incluindo um código de activação para o DLC Crew Expendable

Ao contrário de muitos outros first person shooters que foram sendo lançados ao longo dos anos sobre esta série, aqui o foco está completamente na furtividade. As armas que viremos a encontrar possuem munições muito escassas e acima de tudo, o barulho das mesmas irá atrair a atenção de outros inimigos que por lá circulem, particularmente o alien que possui uma inteligência artificial bem mais evoluída. Para terem uma ideia, a criatura vai-nos seguindo ao longo de todo o jogo, quer a patrulhar os corredores, quer esteja escondida nas ventilações, pronta a nos emboscar. Se estiver em modo patrulha, não temos de ter apenas cuidado com o barulho, mas também com a luz da nossa lanterna e mesmo se nos escondermos em certos locais como dentro de armários ou debaixo de mesas, eventualmente a criatura também nos começa a procurar nesses locais. Tal como no filme eventualmente ganharemos um sensor de movimento, mas o seu barulho também pode alertar a nossa presença caso o utilizemos perto de algum inimigo. Este jogo é portanto bastante aterrador e aliado ao facto de ser jogado inteiramente na primeira pessoa só contribui para aumentar mais esta atmosfera de tensão. Queremos ver se estamos em condições minimamente seguras de progredir? Teremos forçosamente de nos expor o que pode não ser boa ideia.

O jogo é aterrador principalmente pela inteligência artificial da criatura que nos vai perseguindo constantemente.

E lá está, apesar de termos acesso a algumas armas de fogo, nunca consegui matar ninguém com um tiro apenas e o barulho dos disparos irá atrair muitas atenções indesejadas. A excepção está no lança-chamas, a única arma capaz de assustar o alien, mas mesmo assim o bicho irá oferecer cada vez mais resistência à arma sempre que a utilizamos. De resto o jogo possui também um sistema de crafting que nos irá permitir não só construir medkits mas também toda uma série de outros equipamentos como diversos tipos de granadas (explosivas, fumo ou de impulsos electromagnéticos que desactivam temporariamente andróides) ou geradores de ruído, outra das ferramentas bastante úteis se queremos distrair alguém. Em suma, é andar constantemente de forma cuidadosa e evitar o confronto sempre que possível.

No espaço até podem não nos ouvir a gritar, mas cá em casa garanto que ouvem.

A nível audiovisual sinceramente acho o jogo excelente. Não que esteja com uns gráficos fora de série, mas simplesmente adoro a sua direcção artística. Tal como o Aliens: Colonial Marines nos traz uma visão futurista digna dos anos 80, este jogo vai buscar muita influência ao primeiro Alien e tecnologias dos anos 70, como monitores CRT monocromáticos, telefones gigantes, servidores com fitas magnéticas, máquinas repletas de botões e alavancas, entre muitos outros pormenores. O próprio design dos corredores das naves que vamos explorando poderiam ser retirados desse primeiro filme e simplesmente existem imensas referências deliciosas para os fãs. A sala com o núcleo de uma inteligência artificial é idêntica, as indicações visuais que vamos vendo nos monitores também e aquelas máquinas estranhas que Ripley precisava de mexer quando activou o sistema de auto-destruição de Nostromo, também estão aqui presentes. No que diz respeito ao som, também não há muito a acrescentar aqui, está tudo excelente, desde o voice acting, a banda sonora minimalista e sobretudo o silêncio, repleto de várias pistas sonoras que nos vão acompanhando ao longo de toda a aventura.

Até o raio dos andróides são sinistros e resistentes ao dano.

Para além da aventura principal, a minha edição do jogo veio com um DLC (Crew Expendable) onde poderíamos recriar uma das cenas do primeiro filme Alien a bordo da nave Nostromo e onde poderíamos encarnar numa das muitas personagens do primeiro filme. Existe um outro DLC que protagoniza os últimos momentos do primeiro filme que já não cheguei a jogar. Para além disso temos também o Survivor Mode, que são uma série de missões onde teremos de cumprir certos objectivos no mínimo de tempo possível, enquanto somos perseguidos por um alien, claro. Não o cheguei a experimentar. Ao longo do tempo foram saindo outros DLCs como novos mapas para este survivor mode ou mesmo outros modos de jogo.

Apesar de extremamente curto, o DLC Crew Expendable não deixa de ser uma óptima homenagem ao primeiro filme.

Portanto sim, adorei este Alien: Isolation, apesar de não me ter divertido muito a jogá-lo. É um autêntico survival horror com uma atmosfera incrivelmente tensa que nos deixa constantemente com o coração nas mãos. Está muito bem feito, até tendo em conta que foi produzido pela Creative Assembly (série Total War), que não tinha nenhuma experiência em jogos deste género. Conseguiram também capturar de forma perfeita a atmosfera retro-futurista do filme original, pelo que por tudo isto recomendo-o vivamente particularmente se forem fãs dos filmes Alien.

Medal of Honor: Allied Assault – Breakthrough (PC)

O artigo de hoje é uma rapidinha a uma expansão do fantástico Medal of Honor: Allied Assault. Por algum motivo, achei que tinha na colecção a edição Warchest que incluía o jogo base e ambas as expansões (Spearhead e Breakthrough). Quando recentemente um amigo meu jogou este jogo é que me apercebi que a minha edição é a Deluxe, que inclui alguns extras interessantes e a expansão Spearhead. Felizmente, uma ou duas semanas depois, encontrei a expansão que me faltava numa feira de velharias, tendo-me custado uns 2€.

Jogo com caixa e manual

Esta expansão leva-nos ao longo de várias campanhas, tanto no norte de África como em várias outras batalhas em solo italiano. Controlamos sempre um sargento da infantaria Norte-Americana (John Baker) e sendo esta apenas uma expansão, isto significa que não existem grandes mudanças na jogabilidade perante o original. Este é então um FPS de contexto histórico mas ainda com mecânicas old school, com a possibilidade de carregarmos várias armas, a vida é recuperável através de medkits e, apesar de existirem alguns checkpoints, temos sempre a possibilidade de gravar o nosso progresso no jogo sempre que bem nos apetecer. E já não me lembrava que nestes Medal of Honor ainda não podíamos apontar com aim down the sights, excepto nas armas sniper com mira telescópica. De resto são no entanto introduzidas novas armas que poderemos utilizar ao longo do jogo, tanto de origem italiana como britânica.

Missões com visão reduzida são uma constante neste jogo

Já não me recordo se a expansão Spearhead sofria do mesmo mal, mas é historicamente habitual que expansões de first person shooters sejam consideravelmente mais desafiantes que o jogo base e aqui não é excepção. Logo a primeira missão leva-nos a combater em plena tempestade de areia, pelo que a nossa visibilidade é muito reduzida, já a dos nossos inimigos nem por isso. Mesmo depois deste, vamos ter vários outros níveis com visibilidade reduzida. Outro dos problemas é o facto de a munição neste jogo ser mais escassa o que nos obriga a uma maior disciplina de fogo, ou usar armas que nem sempre são as mais recomendadas para cada situação. Lá a meio do jogo, uma das missões que teremos envolve a defesa de uma casa e teremos uns quantos tanques inimigos que se vão aproximando. Para nos defendermos temos de utilizar uma dupla de morteiros que, como é de esperar, não é assim tão trivial para lhes acertar em cheio, pelo que este foi também um momento algo frustrante.

Como tem sido habitual na série, ocasionalmente temos algumas missões de infiltração e sabotagem

A nível audiovisual, tal como o jogo original, este utiliza o mesmo motor gráfico originalmente desenvolvido para o Quake III, que por si só já permitia visuais um tanto mais realistas que os seus predecessores. E se por um lado esta é uma tecnologia largamente ultrapassada, a experiência de o jogar ainda continua bem positiva. Os cenários vão sendo então algo variados e bem detalhados, atravessando distintas paisagens e localidades da Tunísia e de diversas zonas italianas, como a ilha de Sicília ou outras regiões montanhosas. Nada a apontar ao som, continua bastante competente e a banda sonora está repleta de músicas orquestrais que acabam por resultar muito bem na atmosfera mais épica que o jogo nos tenta (e bem) incutir.

Ora cá está uma novidade, atravessar um campo minado com um detector de minas!

Portanto, foi um prazer voltar a jogar um destes Medal of Honor dos velhos tempos, embora esta expansão seja um pouco mais frustrante devido aos ambientes com pouca visibilidade onde muitas vezes teremos de combater e a escassez de munições.

Star Wars: Knights of the Old Republic (PC)

Já há algum tempo que não pegava num western RPG e nesta semana de férias que tive aproveitei finalmente para o fazer. E à terceira foi de vez, foi desta que terminei o Star Wars: Knights of the Old Republic, da Bioware. A primeira vez que lhe peguei foi não muito depois de o jogo ter saído para as lojas, creio que ainda durante o ano de 2004. Não tinham passado tantos anos assim desde que comecei a gostar de RPGs, pelo que a possibilidade de jogar um RPG no universo Star Wars era algo que me fascinava. Mas pouco depois de o começar apercebi-me de algo que os RPGs ocidentais fazem muito bem: a não linearidade na sua progressão e as múltiplas escolhas que nos levam a caminhos diferentes. Ora como eu sempre estive habituado à linearidade que caracterizava os JRPGs, estes novos conceitos eram selvagens demais para mim nessa altura e acabei por encostar o jogo. Tentei novamente começá-lo no ano passado mas encontrei alguns problemas técnicos ao tentar corrê-lo numa máquina mais recente e depois de os resolver, outras prioridades meteram-se no caminho. Esta semana pensei seriamente em começar o Cyberpunk 2077, mas depois lembrei-me que ainda tinha este Star Wars instalado no disco, pelo que foi mesmo desta. O meu exemplar já foi comprado há cerca de 10 ou mais anos atrás, não me recordo onde nem quanto custou, mas foi muito barato.

Jogo com caixa, manual e vários discos

A história deste jogo leva-nos uns 4000 anos antes dos eventos dos filmes, onde os Sith, liderados pelo Darth Malak, iniciam uma nova guerra contra a República. Nós encarnamos numa personagem anónima e como é normal em jogos deste género, começamos a aventura precisamente a construir a nossa personagem, tanto esteticamente, como escolhendo quais as classes, stats e skills associadas. Uma vez construida a nossa personagem, somos levados para a acção: descobrimos que viajamos numa nave da república e que a mesma está a ser invadida por forças dos Sith. Ao combatê-los, iremos encontrar outros sobreviventes e eventualmente entrar num veículo salva-vidas, que se acaba por despenhar num planeta próximo. A nossa missão passa então a ser a de salvar Bastila, uma poderosa Jedi que se encontrava na mesma nave connosco. Uma vez salva, iremos acabar por percorrer a Galáxia em busca de uma tecnologia antiga que nos possa dar vantagem para combater esta nova ameaça dos Sith.

Bastila. A Jedi que temos de salvar no início do jogo. Quaisquer semelhanças com a princesa Leia são mera coincidência.

O sistema de combate é bastante interessante, na medida em que vamos poder trazer connosco dois NPCs para nos auxiliar no mesmo (à medida que vamos avançando no jogo iremos desbloquear muitos mais) e o combate propriamente dito tem a flexibilidade de se tornar totalmente por turnos, ou em tempo real. Nas opções por defeito, a acção pausa sempre que estamos prestes a entrar num combate e aí poderemos decidir, para cada personagem da nossa party, quais as primeiras acções que queremos que cada desempenhe, seja diferentes tipos de ataque a algum inimigo em específico, utilizar itens ou poderes da Força. Uma vez escolhidas as acções iniciais basta pressionar a tecla de espaço para a acção se começar a desenrolar e qualquer momento poderemos voltar a pausar a acção para melhor posicionar as nossas personagens ou escolher as suas acções específicas. Os NPCs que nos acompanham também podem ser customizados para tomarem algumas acções de forma automática, mas confesso que não perdi muito tempo com isso. Já no que diz respeito aos poderes da Força, iremos ter vários Jedi que nos acompanham e a nossa própria personagem também se irá transformar num, pelo que estes poderes serão parte integral da jogabilidade e da evolução das nossas personagens Jedi.

Este andróide é hilariante. Perfeito para quem quiser seguir os caminhos dos Sith na sua aventura.

À medida que vamos avançando no jogo iremos também encontrar, comprar/vender e até melhorar muito equipamento que poderá ser utilizado pelas nossas personagens, dependendo claro da classe de cada uma. E claro, certas aptidões podem ser úteis em determinadas situações. Há personagens com maior aptidão para desbloquear certos mecanismos electrónicos, como portas ou baús que escondem tesouros que nos poderemos apropriar. Mas outras personagens podem simplesmente destruir esses obstáculos. De resto, à medida em que exploramos dungeons poderemos encontrar certos terminais que, depois de interagidos, nos permitem activar/desactivar armadilhas para evitar certos combates. Alguns andróides podem também serem reparados e reprogramados para nos ajudarem a explorar alguns locais, por exemplo.

Visualmente o jogo está muito bom para o ano de 2003. Os cenários são bastante distintos entre si e todas as customizações que fazemos às personagens se reflectem no seu aspecto.

Confesso que já não sou um grande fã de Star Wars (Dune mudou isso por completo), mas até achei a história deste jogo bastante interessante. Muitas quests, sejam elas mandatórias ou não para a progressão do jogo, possuem diferentes maneiras de serem executadas e as escolhas que vamos fazendo aqui e ali vão ditando se vamos pender para o lado bom ou mau da Força e claro, existem finais e progressões da história distintas para cada um dos caminhos que vamos escolhendo. Tipicamente para pontuar no lado negro da força teremos de usar violência, intimidação, ou corrupção, enquanto que no lado bom teremos de ser muito mais pacifistas e diplomatas, embora nem sempre seja possível fugir ao combate (e ainda bem!). Por exemplo, por vezes pedem-nos para ajudar pessoas numa situação complicada e podemos chegar lá e matá-los a todos, ou então ajudar de facto o que pode ser um pouco mais complicado, mas perfeitamente possível. No entanto, tirando o julgamento de um certo velhote, as escolhas que teremos pela frente são muito “preto e branco” e não os tons de cinzento que outras séries (por exemplo The Witcher) nos trazem. De resto, todas as personagens que nos acompanham possuem histórias interessantes e à medida que os vamos conhecendo e explorando novos planetas iremos também desbloquear algumas sidequests alusivas ao passado de cada um.

As escolhas que vamos fazendo vão-nos levar para o lado bom ou mau da força, o que por sua vez nos pode também levar a finais distintos.

A nível audiovisual sinceramente acho este um jogo bem conseguido tendo em conta que é um lançamento de 2003. Existe uma boa variedade de cenários a explorar e inúmeras raças com as quais vamos interagir, muitas delas com dialectos próprios. E é aqui onde o jogo mais me impressionou. Todos os diálogos possuem voice acting, seja em inglês, seja num de muitos dialéctos alienígenas que iremos ouvir. A banda sonora é boa e repleta de músicas mais orquestrais como a série Star Wars nos habituou. No que diz respeito às personagens em si que vamos encontrando, até que existe alguma variedade nas mesmas, mas sendo este um RPG algo vasto, vamos acabar por interagir com personagens com caras muito semelhantes entre si. De resto bons gráficos para um jogo de 2003, embora eu tenha tido bastantes problemas em o conseguir correr numa máquina recente. Supostamente o motor gráfico do jogo não se dá bem com placas gráficas AMD, o que é uma pena. Mesmo depois de resolver alguns problemas iniciais, assim que aterrei no planeta de Dantooine comecei a ter vários artefactos gráficos em cenários mais abertos que me levavam ao jogo a ir abaixo frequentemente. Tive então de ressuscitar o meu velhinho portátil de 2011 para o conseguir terminar, já que este possui uma gráfica integrada com chipset nvidia. Até existe uma comunidade considerável para mods e patches e provavelmente alguns até me poderiam resolver alguns problemas, mas quis uma experiência o mais próximo possível do original, pelo que acabei por não instalar quaisquer packs de texturas novas e afins.

Portanto até que gostei bastante deste Knights of the Old Republic, apesar dos problemas técnicos que enfrentei ao tentar corrê-lo num sistema mais recente. O jogo foi originalmente lançado também para a primeira Xbox, cujas consolas suas sucessoras o correm também através de retro compatibilidade e em Novembro de 2021 sai também uma versão para a Nintendo Switch, pelo que poderão ter também essas versões em consideração. Também em 2021 foi anunciado um remake para a PS5 (e posteriormente para outros sistemas), mas aparentemente existem graves problemas no seu desenvolvimento pelo que actualmente não se sabe bem se isso algum dia se irá materializar. De resto temos também uma sequela, esta já desenvolvida pela Obsidian e supostamente, apesar de partilhar o mesmo motor gráfico, é nativamente mais compatível com sistemas recentes devido a um relançamento digital em 2015. Veremos!

Yakuza Dead Souls (Sony Playstation 3)

Vamos voltar agora à série Yakuza / Like a Dragon para mais um jogo terminado desta série que eu tanto gosto. E este Dead Souls é mais um dos vários spin offs à série principal que a Sega foi lançando na sétima geração de consolas. Lançado originalmente no Japão em 2011 e no ocidente no ano seguinte, este jogo segue a “moda” dos zombies que bem se fazia sentir nessa altura, com séries televisivas como The Walking Dead ou videojogos como Left 4 Dead ou Dead Rising. O meu exemplar deu entrada na colecção há já uns bons anos. Creio que foi comprado numa Mediamarkt por cerca de 15€ se a memória não me falha.

Jogo com caixa, manual e papelada

Mas como é que um jogo desta série se consegue adaptar a um contexto de zombies? Bom, em vez de andarmos à pancada com bandidos e outros infelizes que se atravessem no nosso caminho, o jogo descarta (quase) por completo o seu sistema de combate em detrimento da utilização de armas de fogo. Mas sim, continuamos a poder pegar em objectos espalhados nos cenários e usá-los para atacar zombies! Mas se por um lado o sistema de combate ser então consideravelmente diferente, o jogo ainda mantém toda a identidade da série ao manter mecânicas ligeiras de RPG, sidequests para completar e toda uma série de diferentes minijogos que poderemos vir a ter acesso.

O jogo abre com Kiryu a receber a notícia do rapto da “sua” Haruka, mas até que este a consiga salvar ainda muita coisa vai acontecer.

Detalhando então o sistema de combate, os controlos são agora distintos com os botões L1 e R1 a servirem para apontar e disparar e os botões faciais passam a ter funcionalidades diferentes. O X continua a ser para esquivar e o círculo para apanhar/atirar objectos. O quadrado recarrega a arma que temos equipada no momento e o triângulo serve na mesma para activar o modo “heat” que neste jogo se resume a disparar alguns tiros certeiros em certos pontos de interesse, como barris de combustível, condutas de gás, entre outros, ou mesmo para contra-atacar algum ataque inimigo, como disparar sobre cocktails molotov que alguns zombies chatos teimam em atira contra nós. À medida que vamos avançando no jogo, combatendo, comendo em restaurantes e completando sidequests vamos ganhando pontos de experiência que nos permitirão subir de nível e ficar mais fortes, para além de ganharmos skill points que por sua vez poderão ser gastos em melhorar a nossa personagem, incluindo aumentar o número de itens e armas que podemos carregar. Apesar de eventualmente pudermos vir a carregar mais do que quatro armas, apenas 4 poderão estar equipadas e alternamos entre as mesmas com recurso ao botão direccional.

Sim, logo que a personagem esteja virada para zombies, pressionar o botão de disparo sem apontar irá na maior parte das vezes atingi-los. Mas apontar permite-nos ter mais precisão e alvejá-los nos seus pontos fracos.

As armas de fogo poderão vir em várias formas e feitios, desde simples pistolas, passando por várias armas automáticas, lança granadas, shotguns, entre outras. Cada arma usa uma munição diferente que por sua vez também ocupa espaço no inventário, pelo que teremos de o gerir bem com munições, itens regenerativos e outros que eventualmente possamos precisar. As pistolas possuem munição infinita, no entanto! Eventualmente vamos também desbloquear uma série de “parceiros” que podem explorar a cidade infectada de Kamurocho connosco e estes também vão ganhando experiência e adquirir novas habilidades que poderemos customizar. De resto, a única coisa que não gostei do sistema de combate é o facto de, quando pressionarmos o botão L1 para apontar a arma, esta não fica apontada para onde a câmara está virada, mas sim na direcção da personagem, o que nos irá obrigar vezes sem conta a perder alguns segundos para corrigir a nossa pontaria. Eventualmente lá nos vamos habituando a isto, mas preferia que funcionasse de outra forma.

À medida que vamos avançando na história, cada vez mais partes de Kamurocho irão sucumbir à invasão zombie.

Mas, também tal como já referi acima, o jogo herda todas as mecânicas de aventura da série principal. Isto porque poderemos na mesma cumprir sidequests, engatar miúdas e toda uma série de outras actividades paralelas como jogar em casinos, pescar, dar umas tacadas de baseball ou golfe, entre muitas outras. Algo que ainda não referi mas convém fazê-lo é o facto de nos podermos movimentar pela Kamurocho infectada de zombies e a parte da cidade que ainda está segura, sendo que à medida que o jogo vai avançando, a área infectada da cidade irá crescendo. Mas mesmo nas zonas infectadas (que é o único sítio onde poderemos de facto combater) há mais coisas a explorar. Lojas ou locais de interesse como os tais clubes nocturnos poderão ser libertados para poderem ser visitados novamente, algumas das sidequests apenas são possíveis de serem inicializadas na zona infectada, bem como o acesso ao Subterranea. Este é um sistema de túneis labirínticos associado a uma grande sidequest que nos irá acompanhar ao longo de todo o jogo. Os túneis são gerados aleatoriamente e teremos de descer cada vez mais fundo à medida que vamos avançando no jogo.

Tal como na restante série, o que não faltam são coisas para passar o tempo. Algumas com piada!

De resto, convém também referir que, tal como no Yakuza 4, este é um jogo onde iremos controlar 4 personagens distintas, cada qual com uma arma única e uma secção de jogo dividida em 4 capítulos. A primeira personagem que controlamos é o ricaço Shun Akiyama (primeira personagem do Yakuza 4 também) e a sua arma única são as pistolas duplas. Em seguida jogamos com Goro Majima (tendo em conta que o Yakuza 0 sai depois, esta é a primeira vez que podemos jogar com ele) que fica radiante por Kamurocho ser invadida por zombies e a sua arma é uma shotgun poderosa. A terceira personagem jogável é nada mais nada menos que Ryuji Goda, o principal antagonista do Yakuza 2, que possui um braço biónico que se transforma numa gatling gun capaz de facilmente dizimar multidões de zombies. Por fim controlamos Kazuma Kiryu, se bem que a sua arma única apenas é desbloqueada já perto do final do jogo.

O regresso desta personagem é de louvar e que satisfatório foi utilizar a sua gatling gun!

A nível audiovisual sinceramente acho este um jogo bem conseguido. Tendo em conta que joguei tanto o Yakuza 3 como o 4 nas suas versões remastered na PS4, esta é a primeira vez que jogo um jogo desta série na Playstation 3 propriamente dita. E devo dizer que me pareceu bem melhor conseguido que o Yakuza 3, pelo menos! E sim, apesar de a cidade de Kamurocho ser a mesma de sempre, a equipa aqui teve o esforço adicional de a redesenhar à medida que a mesma ia sendo destruída com o avanço da infecção dos zombies. O voice acting pareceu-me óptimo como sempre e as músicas também são agradáveis, com a banda sonora a ficar mais tensa sempre que exploramos a parte infectada da cidade. E tem alguns detalhes super interessantes como as músicas que passam nalguns estabelecimentos serem à volta dos zombies. Sim, as músicas são todas em japonês, mas a palavra zombie é universal e essa saltava logo à atenção. De resto só mesmo a acrescentar que o jogo possui algumas quebras severas de framerate, especialmente quando existem explosões à mistura.

Não serão só zombies normais que teremos de combater, mas também uma série de mutantes e bosses também!

Portanto devo dizer que este Yakuza Dead Souls foi uma experiência interessante. É um jogo muito diferente nas suas mecânicas de combate, mas a Sega está de parabéns ao ter conseguido manter a identidade da série num contexto muito distinto. Pena no entanto aquele problema da mira nos levar sempre para o ponto de vista da personagem e não para onde a câmara estava a apontar. Presumo no entanto que o jogo não tenha tido um grande sucesso comercial pois não só este Dead Souls se mantém exclusivo da PS3 até à data de publicação deste artigo, como a Sega ainda esteve algum tempo sem lançar novos jogos da série no Ocidente. O Yakuza 5 por exemplo, acabou por sair na PS3 já uns anos depois do seu lançamento original, mas apenas em formato digital. O Ishin! apenas recebeu uma versão localizada para inglês no seu remake recente e o Zero apenas chega cá 2 anos depois do seu lançamento, em 2017. Felizmente desde essa altura que não temos perdido muita coisa da série.