A Digital Eclipse tem estado de parabéns com o trabalho que tem vindo a fazer com todas as compilações retro que lançou ao longo da última década. A The Cowabunga Collection, em particular, é de se lhe tirar o chapéu, não só pela qualidade da emulação de todos os jogos e suas variantes lá incluídos, mas também por todos os extras que inclui. Entretanto, a Digital Eclipse decidiu pegar novamente em The Disney Afternoon Collection, originalmente lançada em 2017, e trazê-la finalmente para as plataformas Nintendo actuais. Esta nova versão recebeu também edições físicas para Nintendo Switch e Switch 2, tendo eu aproveitado uma promoção na Worten para comprar uma cópia por cerca de 25€ no passado mês de Agosto.
É difícil perceber como é que esta compilação não tinha chegado à Nintendo Switch mais cedo, até porque todos os jogos aqui incluídos foram originalmente lançados em sistemas Nintendo. Uma versão para a Nintendo Switch sempre seria a “casa” ideal para esta compilação! Entretanto, pode ter demorado nove anos, mas quando esta compilação finalmente chega aos sistemas Nintendo, não só tivemos a sorte de a receber como um lançamento físico, como também com dois jogos adicionais que não estavam presentes na versão original. Este artigo irá então incidir em breves descrições e análises de cada jogo aqui presente, com um parágrafo extra sobre as restantes funcionalidades que esta colectânea nos oferece.
Como as compilações da Digital Eclipse nos têm vindo a habituar, os jogos aqui presentes estão ordenados pela sua data de lançamento. Começamos com DuckTales de 1989, baseado na série de animação do Tio Patinhas e seus sobrinhos Huguinho, Zézinho e Luisinho. Adorava esta série de animação e o videojogo é um clássico absoluto da Capcom que já cá analisei no passado, pelo que recomendo que leiam a minha opinião do mesmo aqui. O segundo título, já de 1990, é o primeiro jogo de plataformas sobre a série animada Chip ‘n Dale, da qual também me recordo de ver na TV com saudade. E tal como com DuckTales, também tenho uma certa nostalgia por este jogo, visto que um dos meus amigos de infância o tinha na sua NES e joguei-o várias vezes sempre que o visitava. E também é um jogo que tenho na colecção, pelo que poderão ler uma opinião mais detalhada do jogo aqui.
Seguimos para o ano de 1991, agora com uma adaptação de TaleSpin, mais uma série televisiva, com o Balú de The Jungle Book como protagonista principal, mas desta vez como piloto de avião de uma empresa de transporte de mercadorias. A trama dos desenhos animados envolve sempre os piratas do ar liderados pelo vilão Don Karnage e tal não muda de figura neste jogo. Este TaleSpin, ao contrário do que a Sega fez para os seus sistemas, é um shmup e não um jogo de plataformas. Mas é também um shmup não convencional, e a sua principal mecânica é a possibilidade de alternar a direcção do scrolling do ecrã, ao virar o avião de cabeça para baixo. Isto não só nos permite voltar atrás nos níveis para apanhar algum item que tenhamos perdido, como também nos ajuda a ultrapassar certas secções mais apertadas. Os itens que vamos coleccionando vão-nos dando mais dinheiro, que poderemos posteriormente utilizar numa loja entre níveis para comprar peças que melhorem a versatilidade do avião de Balú. O rapid fire, por exemplo, é um power-up bastante útil e que deve ser uma das nossas primeiras compras! De resto, TaleSpin é um jogo divertido assim que nos habituamos aos seus controlos distintos e conseguimos melhorar o nosso avião nalguns pontos. Ainda assim, nota-se que ficou uns furos abaixo da qualidade a que outros jogos da Capcom nos habituaram.

Segue-se o ano de 1992 com mais um jogo da Capcom, desta vez alusivo à série Darkwing Duck, uma espécie de Batman da Disney. E este é um jogo que eu já cá trouxe na sua incarnação para Game Boy, que por sua vez já se mostrava ser um excelente jogo de plataformas. E esta versão NES não se fica de todo atrás. É um jogo que muito nos faz lembrar a série Mega Man clássica, não só por alguma liberdade de escolha que temos ao seleccionar a ordem dos níveis, mas também pelos diferentes power-ups que poderemos encontrar e equipar, pelo platforming bem desenhado e pelo scrolling vertical muito semelhante. Ah, e a banda sonora é igualmente excelente.
O ano de 1993 traz-nos dois jogos nesta compilação, com o primeiro a ser DuckTales 2. E aqui a Capcom consegue fazer mais um óptimo trabalho, ao trazer-nos mais um jogo de plataformas bastante sólido. As mecânicas de salto do Tio Patinhas, ao utilizar a sua bengala como um pogo stick, marcam novamente presença. Uma vez mais, o pato mais rico do mundo terá de percorrer o planeta em busca de mais um valiosíssimo tesouro, desta vez tendo primeiro de coleccionar várias partes de um mapa. A Capcom aproveita para introduzir uma série de novas mecânicas, com o Patinhas a poder usar agora a sua bengala para partir objectos ou até pendurar-se em certas plataformas, num certo piscar de olho a Darkwing Duck. Para além de um puro jogo de plataformas, esperem também por ter de resolver alguns pequenos puzzles ocasionais para descobrir todos os segredos. Visualmente é um jogo muito bem detalhado para uma NES e, apesar da banda sonora não ser tão boa como no original, não deixa de ser muito agradável também. O segundo jogo de 1993 desta compilação é o primeiro exclusivo das versões Switch e Switch 2: é um jogo da Super Nintendo com o Pateta e seu filho Max como protagonistas, o Goof Troop, que também já cá trouxe no passado.
Entramos então no derradeiro ano desta compilação: 1994, com mais dois jogos distintos. O da NES é o Chip ‘n Dale 2, que foi uma das principais razões que me levaram a comprar esta compilação. Isto porque é mais um jogo que joguei na infância, em casa do mesmo amigo, e que infelizmente ainda não me apareceu individualmente para a minha colecção. E a Capcom está uma vez mais de parabéns pois, apesar do lançamento tardio no ciclo de vida da NES, não descurou em nada a qualidade. Este é então mais um excelente jogo de plataformas que mantém as mecânicas base do original, embora agora possamos atirar as caixas na diagonal também. Para além disso, é também visualmente um jogo com níveis muito mais detalhados, variados entre si e com uma boa performance no geral, o que mostra o quão bem optimizado foi. A banda sonora continua excelente também!

O ano de 1994 fecha com mais um jogo extra para as versões Nintendo Switch. É nada mais nada menos que o Bonkers da Super Nintendo, mais um jogo desenvolvido originalmente pela Capcom e, curiosamente, um título que nunca tinha saído na Europa anteriormente. Não tem, no entanto, nada a ver com a versão Mega Drive que já cá trouxe no passado. Este é então mais um jogo de plataformas em 2D, onde o nosso objectivo é recuperar três objectos preciosos do mundo dos desenhos animados: o chapéu de feiticeiro de Fantasia, a voz da sereia Ariel ou a lâmpada de Aladino. O jogo em si é um simples, porém sólido e competente jogo de plataformas em 2D, onde um botão salta, outro atira bombas e um outro permite correr. Espalhados pelos níveis vamos encontrar vários itens e power-ups, desde corações que nos expandem a barra de vida, vidas extra, distintivos que, a cada 10 que apanhemos, nos expandem o número máximo de bombas que podemos carregar, entre outros. Visualmente é um jogo bastante bonito, bem colorido e com bonitos efeitos de parallax scrolling, ou as habituais ampliações e rotações de sprites que a SNES fazia tão bem de forma nativa. Ainda assim, não é um jogo tão bem conseguido quanto outros clássicos da Capcom.
De resto, o que mais tem esta compilação? Cada jogo tem sistemas de save e rewind que naturalmente nos irão ajudar imenso nas secções de platforming mais exigentes. Para além disso, os jogos NES possuem também outros modos de jogo, como Time Attack, onde poderemos inclusivamente ver replays de outros jogadores, ou Boss Rush, onde teremos de enfrentar todos os bosses de um determinado jogo em sequência. Os jogos da Super Nintendo não têm, no entanto, nenhuma destas funcionalidades. De resto, contem também com um Music Player, onde podemos ouvir as bandas sonoras dos oito jogos, e uma secção de museu com muito artwork dos jogos aqui disponíveis e scans das caixas dos seus lançamentos originais, tanto nas suas versões japonesas como norte-americanas. Curiosamente, também temos scans de alguns jogos de Game Boy, como é o caso do DuckTales ou Darkwing Duck. É uma pena que as versões Game Boy não estivessem incluídas nesta compilação, pois são bastante sólidas também. Infelizmente, também não incluíram os scans dos manuais.
Portanto, mesmo com algumas inconsistências a nível de funcionalidades, devo dizer que gostei bastante do meu tempo com esta The Disney Afternoon Collection. A emulação está óptima, o catálogo de jogos incluído é também excelente e esta edição Switch traz ainda dois jogos para a Super Nintendo, o que, para um produto que consegui comprar por menos de 30€, o torna uma escolha bastante óbvia para quem gostar de jogos retro.






