Sherlock Holmes: Chapter One (Sony Playstation 5)

Tempo de regressar à série Sherlock Holmes da Frogwares para aquele que foi seguramente o jogo mais ambicioso da série até hoje. Chapter One é uma prequela que retrata a vida de Sherlock como um jovem adulto que, na companhia de Jon, o seu amigo imaginário, regressa à fictícia ilha mediterrânica de Cordona, onde a sua falecida mãe havia passado os seus últimos dias. Vamos aproveitar a estadia para tentar descobrir a verdade por detrás dessa morte trágica, bem como resolver muitos outros crimes com que nos iremos deparar. O meu exemplar foi comprado algures no início deste ano, depois de me ter apercebido que havia um lançamento físico na Coreia do Sul. Aparentemente, por algum motivo, esta série deverá ter sido muito bem recebida por lá, pois tanto este Chapter One como o remake de The Awakened, receberam lançamentos físicos exclusivos naquele país.

Jogo com caixa, lançamento sul-coreano. Até à data apenas saiu em formato físico neste país.

A principal novidade deste Chapter One é a sua natureza de mundo aberto, algo que a Frogwares já havia tentado introduzir com o seu antecessor, The Devil’s Daughter, através de secções maiores de exploração. Mas aqui temos toda uma ilha para explorar, com um sistema de dia e noite. No entanto, tal como em todos os outros jogos da série, este é sem dúvida mais um eurojank, na medida em que se revelou bem mais ambicioso do que aquilo que conseguiu entregar no final de contas. Mas já lá vamos.

Pela primeira vez na série, temos um jogo de mundo aberto, apesar de não haver assim tanto para fazer no mapa.

Na sua essência, este é mais um jogo de aventura onde teremos de investigar crimes: entrevistar testemunhas ou pessoas de interesse, explorar cenários em busca de pistas e realizar análises forenses a cadáveres ou a certas provas que tenhamos recolhido. Felizmente, ao contrário de The Devil’s Daughter, a Frogwares não tentou introduzir demasiadas mecânicas assentes em mini-jogos e quick time events, mas temos várias sequências de acção com tiroteios que infelizmente não estão lá muito bem implementadas. Quer dizer, se simplesmente dispararmos a matar contra os nossos oponentes não há grande problema na jogabilidade, mas Sherlock Holmes é um cavalheiro e somos fortemente encorajados a aprisionar, e não matar, os bandidos.

Como tem sido habitual em jogos desta série, muitas vezes precisamos de nos mascarar para conseguir entrar em certos locais ou para que as pessoas se abram para nós.

Mas é aqui que as coisas ganham contornos menos agradáveis. Para prender alguém temos primeiro de o atordoar. Certos inimigos possuem pontos fracos, como cintos de munições, colares com combustível ou chapéus, que podem ser atingidos. Para além disso, todos os combates são travados em arenas fechadas e os próprios cenários estão pejados de objectos que podem ser utilizados para desorientar os bandidos que estejam nas suas imediações. Válvulas de tubos de vapor, sacos de farinha, candelabros nos tectos ou extintores nas paredes são apenas alguns dos exemplos. Certos inimigos possuem no entanto armaduras (assinaladas a azul na nossa visão de foco) que devem primeiro ser destruídas, só depois ficando vulneráveis. Uma vez atordoados, temos alguns segundos para nos aproximarmos deles e dar início a uma sequência de quick time events para os prender. Infelizmente, esta sequência é tudo menos intuitiva, o que nos irá causar alguma frustração. Aprisionar bandidos em vez de os matar traz-nos uma ligeira recompensa monetária, que no fim de contas nem é assim tão importante quanto isso. E se matarmos os inimigos, não existem quaisquer consequências morais para além da desaprovação de Jon, o amigo imaginário de Sherlock que nos acompanha ao longo da aventura. Então, para evitar maiores frustrações, fui matando a maior parte dos inimigos que me atacavam, particularmente os que não possuíam quaisquer pontos fracos.

O modo de concentração, para além de salientar certos pontos de interesse, também é utilizado para a recriação de certos eventos

No que toca às mecânicas de open world, estas também não funcionam da melhor forma, infelizmente. À medida que exploramos a ilha, iremos encontrar e registar no mapa vários pontos de interesse, assim como pontos de fast travel que nos permitem deslocar mais rapidamente. Mas também vamos desbloquear toda uma série de sidequests e outros casos para resolver. E a maneira como o jogo nos obriga a gerir todo este conteúdo não é de todo a mais intuitiva. Por exemplo, se nos quisermos focar no caso A, temos de abrir o menu, ir à lista de casos e pistas e escolher uma pista desse caso como sendo o nosso foco principal. Se depois tentarmos falar com algum NPC ou inspeccionar uma área de jogo, a resposta será sempre dada no contexto da pista que seleccionámos no menu. Isso é algo confuso e que nunca foi devidamente explicado pelo jogo. Só perto do final é que me apercebi de que cada pista pode ter vários ícones associados e esses ícones indicam que, para progredir nessa pista, poderemos ter de falar com alguém, procurar uma localização, vestir um disfarce, usar o modo de “concentração” de Sherlock, entre muitas outras possibilidades.

Infelizmente o modo de combate deixa muito a desejar, particularmente se quisermos optar por uma abordagem não letal.

Mas apesar de todas estas imperfeições ao nível das mecânicas de jogo, devo dizer que adorei o tempo que passei em Cordona. Todos os casos criminais que investigamos são bastante envolventes e recheados de personagens interessantes. Teremos de utilizar todo o nosso poder de dedução com base nos testemunhos e pistas recolhidas para eventualmente conseguirmos acusar alguém. Tal como acontece desde Crimes and Punishments, as pistas que recolhemos estão sempre abertas à interpretação e, tendo em conta que há normalmente mais do que um suspeito, é possível interpretar as mesmas evidências de maneiras distintas que nos levam a culpados diferentes. E mesmo depois de acusarmos alguém, podemos eventualmente absolvê-lo ou condená-lo, entregando-o às autoridades. Infelizmente continua sem haver grandes consequências caso tenhamos acusado a pessoa certa ou errada, algo que continua a ser um potencial por concretizar na série, até porque não temos forma de saber com certezas se acusámos a pessoa certa ou não.

Visualmente é um jogo bem competente, apesar dos seus problemas de performance

Visualmente este é um jogo interessante, apesar de tecnicamente ter os seus problemas. Adorei a interpretação que deram a uma fictícia ilha mediterrânica, com um misto de influências das várias culturas que por lá passaram ao longo dos anos: romana, árabe, veneziana e, por fim, o colonialismo do Império Britânico victoriano do século XIX. O mundo está, portanto, bem construído e mesmo que não haja assim tanto para fazer, deu bastante gosto explorar todas as suas ruas. No entanto, tecnicamente o jogo tem os seus problemas, como quebras constantes de framerate. Ainda assim, graficamente é um jogo bonito e é louvável o esforço que a Frogwares tem tido nos últimos anos ao evoluir a apresentação dos seus jogos. O voice acting é, como sempre, irrepreensível na narração inglesa e a banda sonora é bastante adequada, repleta de instrumentos e melodias de época.

Portanto, devo dizer que apesar de todos os problemas técnicos e mecânicas de jogo questionáveis, particularmente os combates, gostei bastante deste Chapter One. Sim, a personagem de Sherlock Holmes é bem mais arrogante e incisiva neste jogo, fruto da sua juventude, mas acho que este é um título muito forte na sua narrativa e no enriquecimento da própria personagem. Infelizmente, devido ao actual conflito em solo ucraniano, a Frogwares teve de reduzir a sua capacidade de desenvolvimento, mas ainda conseguiram, em 2023, lançar um remake de The Awakened, que planeio jogar muito em breve.

Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter (PC)

Há já bastante tempo que não jogava nada da série Sherlock Holmes da Frogwares. Os seus primeiros títulos, apesar de modestos do ponto de vista técnico, sempre me impressionaram pela complexidade do trabalho de detective e pela importância da análise forense na investigação de crimes e na identificação dos responsáveis. A partir do The Testament of Sherlock Holmes, a Frogwares começou também a levar a série para as principais consolas do mercado e notou-se, desde então, uma maior preocupação com a narrativa e com a modernização do seu aspecto audiovisual. Seguiu-se Crimes & Punishments, que apresentou um motor gráfico mais evoluído e algumas novas mecânicas de jogo refrescantes, ainda que nem todas fossem executadas de forma irrepreensível. Quando vi as primeiras imagens do seu sucessor, este The Devil’s Daughter, fiquei entusiasmadíssimo com a perspectiva de o jogar um dia. Infelizmente, agora que finalmente o fiz, devo confessar que a experiência acabou por ser bastante decepcionante. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado na Vinted, algures no final de 2023, por cerca de 2€.

Jogo com caixa e papelada

A história segue os acontecimentos narrados em The Testament of Sherlock Holmes, onde o famoso detective assumiu a paternidade adoptiva da jovem Kate, após a morte do seu pai, o vilão por detrás desse jogo. Em The Devil’s Daughter, Kate encontra-se de férias do colégio e decide passá-las junto do seu pai adoptivo. No entanto, a sua chegada coincide com uma série de novos crimes que acabam por consumir quase todo o tempo de Sherlock. Pouco antes do regresso de Kate, o detective ganha também uma nova vizinha, a jovem e misteriosa Alice, que começa a aproximar-se da rapariga contra a vontade de Sherlock, que desconfia das suas verdadeiras motivações. O jogo está dividido em cinco capítulos, sendo que o último é consideravelmente mais curto. Cada capítulo corresponde a um caso criminal distinto que teremos de investigar, enquanto a relação entre Alice e Kate se vai desenvolvendo em paralelo, apenas encontrando resolução no capítulo final.

Como tem sido habitual em vários jogos da série, há também algumas ligações ao sobrenatural

As mecânicas base de Crimes & Punishments regressam aqui praticamente intactas. Estamos perante um jogo de aventura onde exploramos diferentes cenários, resolvemos puzzles, dialogamos com várias personagens e recolhemos pistas que nos permitirão, eventualmente, resolver os crimes em investigação. À semelhança dos títulos anteriores, há momentos de investigação forense, como autópsias ou análises químicas, mas o núcleo da experiência continua a residir no poder de observação e dedução de Sherlock Holmes. Tal como em Crimes & Punishments, cada caso apresenta vários suspeitos e a forma como organizamos os nossos raciocínios lógicos, com base nas pistas, factos e testemunhos recolhidos, pode levar a diferentes interpretações. Isso significa que podemos, efectivamente, acusar a pessoa errada. Para além da acusação, temos ainda a possibilidade de condenar ou absolver o suspeito, uma vez que, em muitos casos, as motivações por detrás dos crimes podem ser compreensíveis ou moralmente ambíguas. O jogo coloca assim sobre o jogador o peso da decisão moral. Em teoria, estas escolhas poderão ter consequências no decorrer da narrativa, algo que não consegui confirmar por apenas ter completado uma única jogada. Ainda assim, duvido que essas consequências sejam realmente significativas, sobretudo tendo em conta que os casos investigados são, na sua maioria, independentes entre si.

Tal como no Crimes & Punishments, ocasionalmente teremos de vestir diferentes disfarces para conseguir progredir

Uma das principais novidades introduzidas em The Devil’s Daughter é a maior liberdade de exploração de uma Londres vitoriana. Apesar de estar longe de ser um jogo de mundo aberto, muitas das ruas que visitamos podem ser exploradas de forma mais livre, permitindo encontrar algum conteúdo opcional, como mini-jogos dispersos pelos cenários. Alguns destes mini-jogos servem inclusivamente para treinar novas mecânicas, sobretudo aquelas mais orientadas para a acção. Entre estas novidades encontram-se segmentos furtivos, nos quais um dos jovens rapazes que tradicionalmente auxiliam Sherlock tem de seguir um suspeito pelas ruas de Londres sem ser detectado. Mais tarde, ainda no mesmo caso, somos colocados numa perseguição em que temos de fugir de um caçador armado, gerindo a fadiga, a barra de vida e a distância em relação ao agressor, recorrendo ocasionalmente a pontos de abrigo para recuperar forças. Outros capítulos incluem sequências de quick time events, segmentos de furtividade como um cemitério patrulhado por guardas, ou até momentos de exploração mais aventureiros, como a travessia de ruínas de uma pirâmide da civilização Maia, num claro piscar de olho ao espírito aventureiro dos filmes de Indiana Jones. O grande problema é que muitas destas secções de acção foram claramente mal implementadas. Os controlos são pouco responsivos, as mecânicas revelam-se demasiado rudimentares e vários destes momentos prolongam-se mais do que seria desejável, tornando-se rapidamente frustrantes. Tudo isto aponta para uma evidente falta de polimento e transmite a sensação de estarmos perante um jogo cujo desenvolvimento foi apressado.

Visualmente é uma óptima evolução perante o seu predecessor directo e a maior liberdade de exploração também foi bem-vinda.

Visualmente, The Devil’s Daughter apresenta melhorias assinaláveis. O nível de detalhe é superior ao dos jogos anteriores e a maior liberdade de exploração é, sem dúvida, uma adição bem-vinda. A antiga interface point and click foi completamente removida, dando lugar a um esquema de controlos mais moderno, que permite alternar livremente entre uma perspectiva na primeira ou na terceira pessoa. As personagens principais beneficiam de um maior cuidado ao nível do detalhe gráfico, algo que infelizmente não se estende às personagens secundárias, onde essa atenção parece ter sido sacrificada. O trabalho de narração continua a ser bastante competente, apesar de desta vez termos um actor diferente a dar voz a Sherlock Holmes. Confesso que já não me recordo claramente da interpretação do Dr. Watson nos jogos anteriores, mas aqui a sua voz soou-me bastante mais familiar e adequada ao personagem, ao contrário do que tinha sentido em Crimes & Punishments. A banda sonora mantém-se agradável e recheada de temas de época, contribuindo de forma eficaz para a atmosfera geral do jogo.

Um dos principais problemas está no entanto nos diferentes segmentos fora do tracicional de um jogo de aventura, cuja implementação deixa desejar.

No final de contas, Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter acabou por ser uma desilusão. Apesar de a introdução de novos momentos de acção poder parecer, em teoria, uma boa forma de diversificar a jogabilidade, a verdade é que a sua fraca execução compromete seriamente a experiência. Tudo aponta para um título que teria beneficiado de um maior tempo de desenvolvimento e de um polimento mais cuidado. Também esperava uma narrativa mais envolvente e interligada, e o facto de os casos serem maioritariamente independentes entre si representa, na minha opinião, uma oportunidade perdida. Uma estrutura mais coesa teria não só fortalecido a história como também atribuído um peso real às decisões de acusar, condenar ou absolver os suspeitos. Após The Devil’s Daughter, a Frogwares optou por fazer um reboot à série com o lançamento de Chapter One em 2021, seguido de um remake de The Awakened em 2023. São lançamentos que acompanho com alguma curiosidade e que planeio jogar num futuro próximo, agora que descobri que ambos tiveram direito a edições físicas na Coreia do Sul e estou seriamente a considerar a sua importação.

L’Integrale Sherlock Holmes (PC)

Tenho um carinho especial pela série Sherlock Holmes do estúdio Ucraniano Frogwares, particularmente pelos seus jogos de aventura. Apesar dos primeiros títulos não serem particularmente impressionantes a nível audiovisual, o setting victoriano e todas as mecânicas de jogo de detective que incluiram nos mesmos, desde análise forense a raciocínios de dedução para encontrar os culpados sempre foram aspectos que me agradaram. Então lá procurei arranjar forma de ter os jogos em formato físico na colecção. Comprar cada título separadamente era uma opção bastante válida, mas decidi antes arranjar uma compilação que incluísse o máximo de lançamentos possível. E uma das coisas que me surpreendeu foi o facto de existirem imensas compilações, todas elas lançadas quer pela Focus Interactive, Mastertronic ou Daedalic Entertainment, dependendo do país e com um número variável de jogos. Apostar numa compilação em inglês seria o ideal, o que é o caso das lançadas pela Mastertronic, mas depois de apanhar esta “L’Integrale Sherlock Holmes” a 3€ na vinted não houve grande margem para dúvidas. Visto que tenho todos estes jogos no steam, não cheguei a jogá-los por aqui, mas suspeito que os mesmos estejam todos em francês.

Compilação com sleeve exterior de cartão, caixa, manual, papelada e 3 discos!

Esta compilação em particular traz todos os Sherlock Holmes de aventura até ao Versus Jack the Ripper de 2009, excluindo portanto os jogos de hidden object (que estão incluídos noutras compilações mais completas). Podem então contar com os seguintes jogos nesta compilação: Sherlock Holmes: The Mystery of the Mummy, que possui algumas limitações técnicas que o inibiam de correr em condições em sistemas operativos recentes, Sherlock Holmes: The Case of the Silver Earring, Sherlock Holmes: The Awakened (que não sei se está aqui presente na sua versão remastered lançada um ano após o lançamento original), Sherlock Holmes Versus Arsène Lupin (também conhecido como Nemesis) e finalmente o Sherlock Holmes Versus Jack the Ripper.

Dracula: Love Kills (PC)

O artigo de hoje é mais uma rapidinha, pois após ter jogado o Dracula: Origin e ter ficado um pouco desiludido, quis pegar rapidamente na sua sequela, para posteriormente ser surpreendido que na verdade este é um daqueles jogos de hidden object, como o Sherlock Holmes and the Hound of the Baskervilles que já cá trouxe no passado. E tal como esse jogo, este também veio parar à minha conta steam após ter sido comprado num bundle por um preço bastante convidativo.

A história deste jogo segue os acontecimentos da sua prequela, onde Dracula, após ter sido derrotado por Van Helsing, acorda enfraquecido. Para piorar as coisas, uma tal “rainha dos vampiros” aproveitou o momento de fraqueza de Dracula para procurar ela dominar o mundo. E só para chatear, acaba por raptar a Mina também. Então iremos partir no encalço de Mina uma vez mais, se bem que desta vez, por algum motivo, até o próprio Van Helsing nos decide ajudar. Na verdade a história neste jogo é muito má, não deve ser mesmo levada a sério.

Os objectos que vamos encontrando vão ser usados noutros objectos para conseguirmos progredir

Ao longo desta aventura teremos de explorar bem os diferentes cenários ao coleccionar objectos, para depois usá-los noutros objectos e resolver imensos puzzles, alguns bem complicados, mas o jogo oferece sempre a possibilidade de o descartar se assim bem entendermos. Muitas vezes temos também aqueles segmentos de hidden object, onde nos é apresentado um cenário estático, aparentemente pintado à mão, e teremos de encontrar uma série de objectos listados abaixo, o que nem sempre é fácil pois muitos dos objectos acabam por estar bem camuflados nos cenários. À medida que vamos avançando no jogo, Dracula vai ganhando também novas habilidades, que lhe permitem usar os seus poderes vampíricos como a telecinese, força sobrehumana, ou a capacidade de se transformar num morcego. Para quê? Para apanhar certos objectos que de outra forma não os conseguiríamos alcançar, claro.

Ocasionalmente vamos tendo alguns puzzles para resolver também. Alguns são simples, outros bastante infernais!

Do ponto de vista audiovisual devo dizer que fiquei algo desagradado com o que encontrei aqui. Os cenários são uma vez mais até que bastante diversificados entre si, mas o voice acting é uma vez mais muito mau, particularmente o do próprio Dracula, que tem um sotaque de este algo forçado, pareceu-me. Ao menos as músicas são bastante calmas, mas também tendo em conta que este é um jogo muito casual, acaba por ser o mais indicado. Sinceramente preferia antes ter jogado uma aventura gráfica ao nível dos melhores Sherlock Holmes, mas infelizmente ainda não foi desta.

Dracula Origin (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, vamos ficar com mais uma aventura gráfica, desta vez para mais um lançamento da Frogwares, o estúdio que nos tem trazido os videojogos da saga Sherlock Holmes. E como eu até gosto dessa série, confesso que estava com as expectativas altas para este título, pois o mesmo é inspirado na obra de Bram Stoker, e decorre também em pleno período Victoriano, mas infelizmente as minhas expectativas foram um pouco defraudadas. Mas já lá vamos! O meu exemplar digital creio que foi comprado num bundle alusivo a vários jogos da Frogwares, que incluía, naturalmente, muitos dos títulos da saga Sherlock Holmes a um preço muito convidativo. EDIT: comprei recentemente numa feira de velharias uma versão física deste jogo por 1€.

Jogo com caixa e manual

Ora nós aqui encarnamos nada mais nada menos que no papel de Van Helsing, conhecido caçador de vampiros, que está no encalço de Dracula após este ter mordido Mina, noiva do seu assistente Jonathan Harker. Por sua vez, Mina é extremamente parecida ao primeiro amor de Dracula, pelo que este pretende ressuscitá-la usando o seu corpo como meio. Vamos então percorrer diversos cenários, como as cidades de Londres, Cairo, Viena e finalmente a região da Transilvânia, onde irá decorrer o confronto final com o Príncipe das Trevas.

Os cenários até que são variados e bem representados (com gráficos pré-renderizados). Pena a narrativa ser tão pobre!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, contem com as típicas que encontramos das aventuras point and click clássicas. Teremos então a obrigação de explorar bem os cenários, com o ponteiro do rato a mudar de forma consoante o contexto por onde o passamos. Por exemplo, em objectos que podem ser interagidos ou observados, o cursor muda para uma mão ou olho respectivamente. Os cenários são apresentados em ângulos de câmara fixos, logo quando o cursor do rato muda para umas pegadas, quer dizer que nos podemos movimentar para uma nova área da sala/corredor/rua onde estamos, ou uma zona mesmo inteiramente nova. Vamos ter de apanhar e usar objectos, falar com pessoas, combinar objectos entre si e, acima de tudo, teremos alguns puzzles mais “a sério” para resolver, tipicamente para destrancar passagens ou portas de cofres e afins. O progresso normal do jogo até que é bastante simples e o facto da tecla espaço realçar todos os pontos de interesse no ecrã é de facto uma grande ajuda. Já para os puzzles propriamente ditos, bom aqui a história é muito diferente, pois há alguns que são mesmo difíceis de entender como funcionam e o que é pretendido.

Alguns puzzles não são nada intuitivos!

A nível audiovisual também é um jogo que me desiludiu um pouco. É verdade que vamos tendo uma variedade considerável de cenários para explorar, e estes até que estão bem detalhados, mas as animações das personagens e acima de tudo os seus diálogos deixam muito a desejar. O que é pena, pois a série Sherlock Holmes, apesar de graficamente os primeiros jogos também serem algo pobres, ao menos na narrativa, especialmente as vozes de Sherlock e Watson, sempre teve uma qualidade acima da média. Aqui o Van Helsing está mal representado na minha opinião, até porque muitas das suas frases mais comuns ficaram mal conseguidas. E apesar de o jogo ter terminado de forma a mostrar que uma eventual sequela estaria a caminho, o único jogo que a frogwares voltou a lançar sob o nome de Dracula foi o Love Kills, que é uma aventura bem mais casual do tipo hidden object.