Shovel Knight (Nintendo 3DS)

A Nintendo 3DS foi o sistema que me acompanhou ao longo das minhas férias. E o título escolhido foi nada mais nada menos que este Shovel Knight, um jogo de acção em 2D com visuais retro e uma jogabilidade refinada, que muito bem me entreteve nas últimas duas semanas. Foi um jogo desenvolvido pela Yacht Club Games, um estúdio pequeno mas com muita experiência em jogos de acção 2D, pois foi fundado por membros da WayForward, que já haviam trabalhado em títulos como Shantae, Contra 4, ou Aliens: Infestation. O meu exemplar foi comprado no início de 2022 na Mr. Zombie por 35€.

Jogo com caixa, manual e papelada. Infelizmente tudo em francês.

A história leva-nos a controlar o intrépido Shovel Knight, assim apelidado por a sua arma ser nada mais nada menos que… uma pá! Em conjunto com a sua companheira de longa data, Shield Knight, decide explorar a Tower of Fate e, após interagirem com um amuleto, o herói é expelido da torre e a mesma é selada, deixando a sua companheira lá aprisionada. Anos passam e surge uma nova ameaça no reino: a Enchantress assola estas terras, auxiliada por uma série de outros cavaleiros da Order of No Quarter. Ao ouvir rumores de que a torre onde a sua companheira se encontra está uma vez mais aberta, Shovel Knight parte então numa nova aventura para a resgatar.

O ecrã de baixo serve de acesso rápido aos vários power ups que vamos desbloqueando.

No que toca às mecânicas de jogo, considerem Shovel Knight um jogo de acção em 2D sidescroller, com influências notórias de títulos como Castlevania, Mega Man ou mesmo The Legend of Zelda II, particularmente no seu combate e exploração, mas também influências de títulos bem mais recentes, como é o caso de Dark Souls. Shovel Knight foi também desenhado como se de um jogo de NES se tratasse, o que é bastante patente nos seus audiovisuais, mas também nas mecânicas de jogo. Isto porque apenas os botões A e B são utilizados, assim como o Start e Select, tal como num comando de NES. Um dos botões faciais serve para saltar, enquanto o outro é utilizado para atacar e, tal como em Castlevania, para usar uma arma ou item especial precisamos de pressionar para cima e atacar, depois de seleccionar esse mesmo item num dos menus. A progressão é feita através de níveis independentes entre si, podendo ser revisitados ao explorar um mapa-mundo, tal como em Super Mario Bros. 3. Os níveis estão também repletos de segredos e passagens secretas, muitas delas requerendo o uso desses mesmos itens, como é o caso de um que nos permite efectuar uma espécie de air dash, ou outro que nos concede invencibilidade temporária para conseguirmos atravessar uma série de espinhos. Todos estes itens usam magia, que vai sendo regenerada à medida que coleccionamos itens para o efeito.

O que não faltam aqui são referências a outras séries de videojogos!

Para além dos níveis “normais”, o jogo possui também algumas cidades que podem ser exploradas, onde certos NPCs nos poderão dar desafios adicionais, minijogos para cumprir, bem como vender novo equipamento e power ups em certas lojas. A unidade monetária são os tesouros que vamos encontrando à medida que exploramos os níveis e é aqui que entram as mecânicas de Dark Souls: sempre que morremos, renascemos no último checkpoint desbloqueado, mas sem uma parte considerável do dinheiro amealhado. Para o recuperar teremos de revisitar a sala onde morremos anteriormente, mas caso morramos novamente, perde-se todo esse dinheiro que ainda não tenha sido recuperado. Para uma dose extra de desafio poderemos ainda destruir checkpoints, recebendo dinheiro extra como recompensa. Ainda assim, apesar de Shovel Knight possuir alguns segmentos de platforming mais exigentes ou combates de maior intensidade, a dificuldade pareceu-me bastante equilibrada.

Visualmente é um jogo excelente. A sua estética remete imediatamente para os clássicos de acção e plataformas da geração de 8 bits, embora com uma performance naturalmente muito superior à das consolas da época, assim como cenários bastante mais detalhados e sprites muito bem animadas. Os níveis atravessam uma grande variedade de cenários, desde pura fantasia medieval, passando por muitos outros mais temáticos, como não poderia deixar de ser: uma fase aquática, um nível coberto de gelo ou outro situado num cemitério, piscando completamente o olho à estética dos Castlevania. A banda sonora é igualmente excelente, consistindo numa série de músicas chiptune que muito bem casam com a estética de cada nível. A faixa do nível explodatorium ficou-me na memória durante dias!

Visualmente é um jogo com uma pixel art muito bem detalhada, que tenta emular jogos 8bit.

Tudo isto faz parte do conteúdo base presente no cartucho. Mais tarde, quando já tinha começado a escrever este artigo, apercebi-me de que a Yacht Club Games, ao longo de cinco anos, lançou uma série de DLCs gratuitos que expandiram bastante o conteúdo disponível e a maior parte desses DLCs estava também disponível na 3DS sob a forma de actualizações ao jogo base. Desde que mudei de casa que não havia voltado a ligar a minha Nintendo 3DS à Internet, pelo que esse conteúdo adicional me passou completamente ao lado. No entanto, assim que o fiz, foi-me imediatamente dada a opção de descarregar todo esse conteúdo adicional.

O primeiro DLC é Plague of Shadows, onde controlamos o vilão Plague Knight, numa história alternativa que decorre paralelamente ao jogo principal. O objectivo é construir uma poção mágica que torne Plague Knight na criatura mais forte do mundo, sendo que para isso precisará de recolher as essências dos restantes cavaleiros da Order of No Quarter, incluindo a da própria Enchantress. Plague Knight controla-se de maneira distinta da de Shovel Knight, podendo efectuar um duplo ou triplo salto e atirando poções explosivas como arma principal. Apesar desta maior agilidade e alcance dos seus ataques, a experiência não é necessariamente mais fácil, bem pelo contrário. Os níveis são essencialmente os mesmos, mas com ligeiras modificações para melhor acomodar este novo esquema de controlo. E as possibilidades de customização são tremendas, com diferentes trajectórias, raios de explosão e outras habilidades que poderemos alternar assim que as tivermos desbloqueado.

O jogo está repleto de desafios de platforming mais exigentes, mas para além de podermos perder dinheiro, não há perigos de game over. Practice makes perfect!

Specter of Torment é o segundo DLC e é uma prequela da história principal, onde controlamos Specter Knight, acabado de ser recrutado pela Enchantress e com a missão de recrutar os restantes cavaleiros para se juntarem à sua causa. Os níveis serão então versões algo diferentes do que já conhecemos, com gráficos ligeiramente diferentes e uma banda sonora remisturada a acompanhar. A jogabilidade continua empolgante e Specter Knight demarca-se pela sua capacidade de escalar paredes e de efectuar uma espécie de air dash ao atacar inimigos ou outros objectos em pleno voo. Naturalmente que também teremos muitas habilidades para desbloquear e coleccionáveis para encontrar!

King of Cards é o último DLC disponível nesta versão e é igualmente uma prequela, onde o protagonista é o próprio King Knight e que conta a história da sua ascensão. As mecânicas de jogo são distintas na medida em que King Knight não ataca com armas brancas, mas sim através de uma mecânica de dash, que lhe permite também fazer ricochete nos inimigos ou paredes e depois rodopiar sobre si mesmo, causando dano vertical enquanto cai. Também aqui teremos inúmeras novas habilidades e equipamento para desbloquear, mas o que mais demarca este DLC é a introdução de um mini-jogo de cartas coleccionáveis que é parte integral da história aqui apresentada.

Sprites grandes e bem animadas, adoro!

Também em conjunto com King of Cards, a Yacht Club Games disponibilizou um último DLC, Shovel Knight Showdown, mas este não está disponível na 3DS. Showdown é essencialmente um modo multijogador local, algo que nativamente a 3DS não suportaria. O mesmo acontece com o modo cooperativo, presente na versão base de outras plataformas, mas ausente aqui. A versão 3DS possui, no entanto, algumas outras particularidades face às restantes. Para além do suporte ao 3D, existe também integração com o StreetPass, que inclui uma arena exclusiva que sinceramente não consegui experimentar. Quem mais anda com uma 3DS na rua hoje em dia? Não necessariamente exclusivo da versão 3DS, mas também presente aqui, há ainda suporte a figuras amiibo que permite desbloquear conteúdo adicional.

Em suma, Shovel Knight é um jogo de acção em 2D sidescroller bastante competente e divertido, tanto nas suas mecânicas de jogo como na narrativa bem-humorada e em todas as interacções que poderemos ter com os vários NPCs que se irão cruzar connosco. O facto de a Yacht Club Games ter suportado o jogo durante tantos anos com conteúdo adicional disponibilizado gratuitamente, mesmo em sistemas mais modestos como a Nintendo 3DS, é algo simplesmente de louvar. Hoje em dia diria que talvez a versão Switch seja a compra mais acertada, devido a já incluir em cartucho a maior parte deste conteúdo adicional e muito mais. Na verdade, todas as versões possuem algo de ligeiramente diferente entre si, pelo que versões para outros sistemas poderão também ser interessantes de coleccionar.

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Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

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