The King of Fighters XI (Sony Playstation 2)

Vamos voltar à PS2, desta vez para o décimo-primeiro título da série The King of Fighters (não contando com o Neowave) e o primeiro jogo da série a deixar de lado o seu ano de lançamento no titulo. Tal como o já referido KoF Neowave e o NeoGeo Battle Coliseum é um jogo lançado originalmente nas arcades em 2005, sob o sistema Atomiswave da Sammy, que por sua vez era muito semelhante ao Naomi da Sega e por conseguinte à Dreamcast. Não foi por acaso que não há muitos anos atrás, um grupo de fãs se decidiu a modificar muitos destes jogos Atomiswave e torná-los compatíveis com a consola da Sega! O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters algures em Março de 2015 por 3€.

Jogo com caixa, manual e um autocolante bem chato da Cash Converters no disco

No que diz respeito à história, este jogo segue os acontecimentos introduzidos pelo KoF 2003, com o personagem Ash Crimson como protagonista principal e uma vez mais os poderes dos Orochi metidos ao barulho. Na verdade a história não interessa muito, mas é sempre interessante ver as cut-scenes finais que vão sendo distintas entre si consoante a equipa de lutadores que seleccionamos. E as equipas pré-definidas nesta edição por vezes são algo estranhas. Por exemplo, a equipa do Fatal Fury consiste no Terry Bogard (com a sua vestimenta do Mark of the Wolves), Kim Kaphwan (que antes tinha uma equipa própria) e Duck King, uma das personagens do Fatal Fury 2 que marca aqui a sua estreia nos KOF. Ou a equipa do Art of Fighting que tem a King a fazer companhia aos irmãos Ryo e Yuri Sakazaki. Para além do Duck temos mais algumas personagens a estrear-se na série e umas outras tantas completamente novas. Naturalmente muitas das caras conhecidas (como é o caso do Robert Garcia ou Mai Shiranui) podem ser desbloqueadas posteriormente.

Apesar do elenco extenso, há várias personagens habituais que não estão cá. Algumas poderão no entanto serem desbloqueadas. Pena é pela arte dos seus retratos, que não é do meu agrado.

E este é então mais um jogo de luta entre equipas de 3 lutadores onde muitas das mecânicas de jogo introduzidas em títulos anteriores aqui se mantêm. De destaque nas novidades temos os quick shift, que nos permitem trocar de lutador a meio de um ataque ou os saving shift, que nos permitem fazer o mesmo enquanto estamos a ser atacados, sem que soframos mais dano durante as animações de troca das personagens. O dream cancel é outra das novidades, que nos permite executar certos golpes poderosos enquanto cancelamos outros (mas apenas o líder da nossa equipa pode fazer isto, aparentemente). A última novidade aqui introduzida a nível de mecânicas de jogo é a introdução da barra de skill, uma outra barra de energia para além dos specials e que é necessária para muitas destas técnicas acima mencionadas. Outra das novidades é, caso um combate termine o seu tempo, já não vence quem tem mais vida, mas sim para quem tenha lutado melhor.

Os cenários são em 2D mas com muito mais detalhe, já as sprites são ao mesmo estilo das Neo Geo. Há um contraste claro, mas não consigo deixar de gostar destas sprites assim!

Já no que diz respeito aos modos de jogo temos vários, começando pelo arcade que dispensa apresentações. O team play e o single play são variações que nos permitem participar em combates de 3 contra 3 (sem possibilidade de trocar de lutador) ou 1 contra 1. Todos estes modos de jogo podem também serem jogados como versus para 2 jogadores. O Endless é uma espécie de survivor com combates de 1 contra 1 onde a nossa vida será apenas parcialmente restabelecida entre combates. O modo challenge coloca-nos vários desafios cada vez mais complexos como executar uma série de técnicas especiais no mesmo combate. Terminar o modo challenge irá desbloquear tudo o que o jogo nos tem para oferecer, embora vários dos desbloqueáveis possam também ser desbloqueados de outras formas. Por fim temos um modo treino que é sempre bastante útil para practicar todas estas técnicas mais complexas.

Posso não ser muito bom nestes jogos, mas adoro a sua arte!

A nível audiovisual devo dizer que gostei bastante desta entrada na série. As personagens continuam muito bem detalhadas e com animações incríveis, mas mantendo o mesmo espírito pixel art das personagens que nos habituamos na NeoGeo. Mesmo as personagens novas foram desenhadas neste estilo e ficaram muito bem! Os cenários apesar de por vezes terem um aspecto um pouco mais realista, são completamente em 2D também, mas com uma qualidade bem superior ao que a velhinha NeoGeo conseguiria representar. A única coisa que já não gostei tanto, e isto é uma vez mais uma mera questão de gosto pessoal, é a diferença gritante entre a arte das personagens no jogo propriamente dito, e a que vemos nos menus e cutscenes. Estas últimas têm um aspecto bem mais anime e por vezes com feições bastante diferentes das personagens que controlamos. Esta arte é também utilizada nos retratos das personagens que estão actualmente a lutar e infelizmente sem nenhuma menção do seu nome. Portanto quando lutava contra alguma personagem nova, continuava sem saber quem era. De resto o som está muito bom e a banda sonora é bastante eclética e agradável.

O modo arcade possui 8 combates sendo que os últimos dois são bosses. O quarto combate é também um boss mas a personagem que enfrentamos depende da nossa performance nos combates anteriores.

Portanto esta é mais uma entrada bastante sólida da série King of Fighters. A versão PS2 inclui vários modos de jogo adicionais e muitas personagens desbloqueáveis, várias delas presenças assíduas na série mas que no seu lançamento original arcade ficaram de fora, como é o caso da Mai, por exemplo. Este King of Fighters XI é também o último jogo que tem um estilo gráfico que nos faz lembrar a Neo Geo, com os que lhe sucederam a terem visuais mais modernos.

SEGA Mega Drive Ultimate Collection (Sony Playstation 3)

Tempo para o que seria mais uma rapidinha, embora este seja um artigo que estará seguramente carregado de hiperligações a outros de cá do blogue. Isto porque o artigo de hoje é uma das várias compilações de jogos da Mega Drive que acabaram por ir saindo para os mais variadíssimos sistemas. Esta “Ultimate Collection” acabou por ultrapassada pela SEGA Mega Drive Classics, lançada para as consolas da geração seguinte, embora existam alguns títulos desta compilação que não estão incluídos na colectânea mais recente. Este artigo irá então focar-se no que esta compilação oferece como um todo, já os jogos em si, visto que a larga maioria já escrevi sobre eles algures no passado, terão apenas uma breve menção. Os que ainda não possuo na colecção para o sistema original tentarei ser um pouco mais abrangente. De resto, sinceramente já não me recordo quando nem onde comprei isto, mas foi seguramente muito barato.

Compilação com caixa, manual e papelada

Esta é uma compilação desenvolvida pela Backbone Entertainment, que por sua vez já havia trabalhado noutras compilações no passado (como por exemplo a Midway Arcade Treasures 2 que teima em não me aparecer), bem como convertido jogos retro (incluindo alguns da Sega) para lojas digitais e foram também os criadores de ambos os Sonic Rivals da PSP. Aqui temos ao nosso dispor nada mais nada menos que 40 jogos de Mega Drive para jogar logo de início e acesso a algumas funcionalidades de melhoria de qualidade de vida como é o caso dos save states, bem como customizar controlos, efeitos gráficos, entre outros. Cada jogo tem direito a um pequeno “museu” com uma breve descrição do mesmo e scans da sua capa e cartucho. Infelizmente apenas as versões norte-americanas são mostradas, poderiam perfeitamente também ter incluído as variantes japonesas e europeias, assim como os seus manuais completos. Seguramente que haveria espaço para tudo no bluray. Não deixa de ser estranho ter um jogo listado como “Story of Thor” para depois jogarmos um “Beyond Oasis”… De resto como seria de esperar temos também toda uma série de extras como vários jogos arcade, uma dupla de jogos Master System que pessoalmente apreciei bastante e uma série de pequenas entrevistas a vários criadores da Sega que trabalharam em muitos dos jogos aqui incluídos, assim como outros a trabalhar em projectos mais recentes, como é o caso do Sonic 06 ou Phantasy Star Universe e que aproveitaram para publicitar os seus mais recentes trabalhos. Adoro este tipo de extras, mas gostava que as entrevistas tivessem sido um pouco mais extensas! Todos estes extras terão no entanto de ser desbloqueados ao cumprir uma série de desafios ao jogar os jogos principais, como apanhar uma esmeralda no primeiro Sonic, fazer mais do que X pontos no Flicky, gastar X magias no Golden Axe, entre muitos outros exemplos.

Infelizmente a secção do museu apenas inclui a arte das versões norte-americanas e algum texto de trivia. Eu adoro este tipo de conteúdo, mas poderiam ter incluindo muito mais coisa. Seguramente haveria espaço suficiente no disco e a Sega facilmente poderia ter cedido mais material.

Mas que jogos temos então aqui nesta compilação? Temos o Alex Kidd in the Enchanted Castle, o único jogo da ex-mascote da Sega neste sistema, assim como o Alien Storm, uma espécie de beat ‘em up futurista, embora tenha também outros subgéneros misturados. Segue-se o Altered Beast, mais um clássico do início de vida da consola e o Bonanza Bros., um jogo que sempre achei bastante divertido mas que nunca teve a mesma fama que outros títulos. O Columns (cuja versão Mega Drive ainda apenas tenho em várias compilações Mega Games) é um dos dois jogos puzzle aqui presentes e o clássico Comix Zone também (e o quão bom foi poder jogá-lo novamente!). O Decap Attack é outro dos títulos aqui presente e o Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine é o segundo jogo de puzzle desta compilação (até à data, este é um título que apenas tenho na Mega Drive na compilação Sonic Compilation). Este jogo tem talvez o achievement mais exigente da compilação, visto que nos obriga a terminar o modo história e o Robotnik é um oponente temível. O Dynamite Headdy é infelizmente o único jogo da Treasure da compilação mas não deixa de ser um clássico. Temos também a dupla Ecco the Dolphin e Ecco: The Tides of Time, ambos jogos únicos, marcantes e o último com uma banda sonora incrível.

Save states, os melhores amigos do homem. Ou pelo menos dos adultos com vidas ocupadas.

O E-Swat sempre achei um interessante jogo de acção e que me fazia lembrar títulos como Shinobi ou Rolling Thunder. O Fatal Labyrinth é um roguelike simples mas é um dos mais antigos exemplos de um jogo digital numa consola (saiu originalmente no serviço online MegaNet no Japão) e o Flicky é um exemplo de um jogo arcade bastante antigo, mas que não deixa de ser divertido e desafiante (este é mais um dos que até à data apenas o tenho numa outra compilação). O Gain Ground é mais um exemplo de um jogo bastante original da Sega e que acaba por cair um pouco na obscuridade (até ver, apenas tenho a versão da Master System que é bem mais simples). A trilogia Golden Axe para a Mega Drive está aqui representada, o que é uma óptima notícia! O primeiro é um clássico absoluto das arcades e o segundo, apesar de não ter a mesma “magia” para mim, não deixa de ser um óptimo beat ‘em up.

Para além de save states podemos customizar vários aspectos da imagem. Se quisermos jogar com o aspect ratio original, geralmente temos uma imagem de fundo condizente com o jogo.

A inclusão do Golden Axe III é para mim outro dos pontos altos desta compilação. Sempre foi um jogo que me fascinou e lembro-me de gastar muitas horas a jogá-lo em emulação há mais de 20 anos atrás. Apesar de muitas das revistas ocidentais que o analisaram não terem gostado muito do jogo, para mim sempre foi o contrário: mais personagens, maior variedade de golpes a executar, mais níveis (incluindo caminhos alternativos) e os gráficos não são nada maus na minha opinião. Não entendo como é que este jogo apenas se ficou pela Ásia em formato físico! Talvez os fãs quisessem um Revenge of Death Adder? Também eu, mas a pobre Mega Drive não lhe conseguiria fazer justiça! Enfim… é um jogo que um dia destes me esforçarei para ter na colecção.

Ristar, um dos melhores jogos de plataforma da Mega Drive!

Segue-se o Kid Chameleon, um jogo de plataformas repleto de níveis e power-ups (e que teve o Mark Cerny, um dos manda-chuva da Sony Computer Entertainment actualmente, no seu desenvolvimento). Os Phantasy Star da Mega Drive estão também aqui presentes! O segundo é um jogo que aprecio bastante, embora seja consideravemente desafiante. O terceiro apesar de ser considerado uma ovelha negra na família, tem os seus méritos e a equipa que o desenvolveu, não tendo muita experiência em RPGs, até que teve algumas ideias interessantes. O Phantasy Star IV é só um dos melhores RPGs de sempre. A sério, joguem-no. O Ristar é um excelente jogo de plataformas que só não teve mais sucesso a meu ver por já ter saído no final de vida da Mega Drive. A trilogia Shining está também aqui presente nesta compilação, com ambos os Shining Force (excelentes RPGs tácticos da Camelot) e o Shining in the Darkness (um dungeon crawler simples porém bastante desafiante). Outro grande clássico aqui incluído é o Shinobi III, um dos melhores jogos de acção da geração e absolutamente recomendado.

Felizmente que temos também vários desbloqueáveis, incluindo versões arcade de clássicos também emuladas.

Como não poderia deixar de ser, temos jogos do Sonic aqui. Na verdade, temos todos os jogos do Sonic que saíram para a Mega Drive! Sonic the Hedgehog, Sonic 2 (sequela perfeita), Sonic 3, Sonic & Knuckles (infelizmente acho que não dá para jogar ambos “juntos”), bem como o Sonic Spinball e Sonic 3D (que me deu um certo sabor agridoce ao voltar a jogá-lo). O The Story of Thor é o último jogo algo “RPG” aqui incluído e mais um com banda sonora de Yuzo Koshiro. E claro, a série Streets of Rage não poderia faltar e temos aqui a trilogia da Mega Drive na sua plenitude. O primeiro é outro dos jogos que me enche de nostalgia de cada vez que o jogo, o segundo é mais uma daquelas sequelas perfeitas e o Streets of Rage 3 também é um óptimo jogo, pecando no entanto por algum conteúdo cortado face ao lançamento japonês. O Super Thunder Blade é outro dos jogos do início de vida da consola e sinceramente não acho que tenha envelhecido tão bem. Por fim temos ambos os Vectorman, com destaque especial para a sequela que, apesar de não ser tão boa quanto o primeiro jogo, é mais um daqueles que infelizmente nunca chegou a sair em solo Europeu.

Dois jogos de Master System também podem ser desbloqueados, incluindo o primeiro Phantasy Star, ficando a quadrologia assim disponível nesta compilação.

No que diz respeito aos extras, podemos desbloquear a versão arcade do Alien Syndrome (cuja versão Master System ainda teima em fugir-me), a versão arcade do Altered Beast (sinceramente preferia um jogo diferente visto termos cá a versão MD), o Congo Bongo (Tip Top nesta versão) é um jogo de arcade de 1983 e a resposta da Sega ao Donkey Kong da Nintendo. É quase um jogo 3D devido à sua perspectiva e apesar de não ser tão bom quanto o original da Nintendo (pela sua simplicidade), é de longe uma versão melhor que aquela que a própria Sega converteu para a sua SG-1000. A versão arcade do Fantasy Zone também marca a sua presença e é claramente superior à da Master System. A dupla de jogos da Master System que podemos desbloquear é o Golden Axe Warrior e o primeiro Phantasy Star. O Golden Axe Warrior é um clone de Zelda e um dos jogos que mais anseio ter um dia destes para a consola, mas os seus preços estão cada vez mais proibitivos. Já o Phantasy Star é outro clássico, apesar de actualmente existirem melhores versões para o jogarmos. Por fim temos também para desbloquear as versões arcade de mais 3 clássicos: Shinobi, o primeiríssimo jogo da série, o Space Harrier (versão bem melhor que a Master System viria a receber) e o Zaxxon, um shmup isométrico que teria sido bastante impressionante na sua altura. É o jogo mais antigo de toda a compilação, tendo sido lançado originalmente em 1982.

As entrevistas são outro dos desbloqueáveis e que eu tanto adoro! Pena que sejam curtas!

Portanto esta é uma óptima colecção, repleta de vários clássicos da Mega Drive e ainda faltam uns quantos essenciais que foram produzidos/publicados pela Sega, como é o caso do Revenge of Shinobi, Gunstar Heroes, Shadow Dancer ou mesmo os Wonder Boy. Facilmente trocava o Super Thunder Blade por qualquer um desses! Ainda assim temos aqui bastante conteúdo, incluindo todos os Golden Axe, Phantasy Star, Shining, Sonic e muitos outros excelentes títulos como o Shinobi III ou Comix Zone. Tendo em conta os preços cada vez mais proibitivos do retrogaming actualmente, esta compilação é uma óptima alternativa a quem quiser poder jogar de forma legítima alguns destes títulos que simplesmente encareceram bastante nos últimos anos, ou lançamentos de difícil acesso no mercado europeu. Do tempo que joguei cada um dos títulos a emulação pareceu-me bem decente também, mas tenho pena que não se tenham esforçado um pouco mais no conteúdo de “museu” ao incluirem apenas a arte das versões norte-americanas e mais nada. De resto, e para fechar, a Sega lança uns anos mais tarde a Sega Mega Drive Classics para sistemas da geração seguinte e essa também é uma compilação repleta de jogos e que inclui muitos dos clássicos que estão aqui em falta e já os mencionei, para além do Alien Soldier, outro dos jogos que no sistema original custa um balúrdio. No entanto alguns títulos como o primeiro Phantasy Star, Golden Axe Warrior ou alguns dos Sonics não estão lá presentes, pelo que tenham também isso em consideração.

Prince of Persia: The Forgotten Sands (Sony Playstation 3 / PC)

Vamos voltar uma vez mais à série Prince of Persia para este The Forgotten Sands, lançado para uma série de diferentes sistemas algures do ano de 2010. Depois do flop comercial que foi o reboot Prince of Persia a Ubisoft lá decidiu tentar uma vez mais, desta vez voltando à trilogia The Sands of Time para um jogo que decorre entre o Sands of Time e o Warrior Within. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado por 1£, tendo sido trazido do UK uma vez mais por um amigo meu. A versão PC já a tinha há mais tempo em formato digital, tendo sido oferecida pela própria Ubisoft na sua loja digital. Acabei no entanto por optar jogar a versão PS3.

Jogo com caixa e manual

Ora a história decorre então entre os eventos do Sands of Time e Warrior within, onde o príncipe decide visitar o reino do seu irmão mais velho Malik. No entanto quando lá chega apercebe-se que o seu irmão está em apuros, pois a sua nação está a ser invadida por um exército vizinho. Encurralado, Malik decide libertar um antigo e mágico exército de areia que se encontrava aprisionado algures nas entranhas do seu palácio. Pois bem, esse exército não é o que Malik esperava, tendo libertado toda uma série de forças demoníacas e que colocam o mundo em perigo. Caber-nos -á a nós então por um fim a esta ameaça e a nossa personagem irá eventualmente ter a ajuda de uma djinn, que lhe irá conferir alguns poderes mágicos.

Tal como é habitual na série o que não faltam são momentos de platforming desafiantes

A fórmula deste jogo é então muito similar à da trilogia original Sands of Time, na medida em que mistura platforming cheio de acrobacias e armadilhas à espreita, combate e ocasionalmente alguns puzzles para resolver. À medida que vamos avançando na história, o príncipe irá receber toda uma série de novos poderes e habilidades, começando com a possibilidade de, por algumas vezes, poder voltar o tempo atrás (botão R1), seja para corrigir algum salto mal calculado ou algum dano que possamos ter sofrido desnecessariamente. Em seguida ganhamos o poder de poder congelar a água (botão L2), algo que será necessário fazer em muitas das sequências de platforming e alguns puzzles. O poder seguinte é o de podermos fazer um ataque aéreo poderoso (X seguido de círculo), o que uma vez mais terá de ser utilizado em certos desafios de platforming mas pode ser usado no combate também. O último poder que ganhamos será utilizado apenas numa área específica já perto do final do jogo, umas ruínas muito antigas. Este permite-nos lembrar de certas plataformas, pilares ou outras superfícies que existiam no passado, ficando materializadas assim que pressionemos o botão L1. Tendo em conta que o R2 é o botão para correr em paredes, durante os desafios de platforming já perto do final do jogo onde precisaremos de utilizar todas estas habilidades, irão requerer uma grande destreza, pois precisaremos de pressionar em todos estes botões num timing exacto.

O sistema de combate é bastante dinâmico e os poderes que eventualmente aprendemos irão dar muito jeito

O combate é fluído, sendo que temos uma série de diferentes combos que podemos utilizar e todos os botões faciais são necessários. Quadrado ataca, triângulo serve para dar pontapés, especialmente útil para atordoar inimigos que tenham escudos, círculo serve para nos desviarmos e o X para saltar. Os inimigos que derrotamos vão-nos dando pontos de experiência que por sua vez poderão ser utilizados para fortalecer o príncipe (aumentar a barra de vida, de tempo ou simplesmente fortalecer os nossos ataques) ou ganhar (e evoluir) mais habilidades mágicas de uso exclusivo no combate. Essas habilidades são também elementais, com a terra a gerar um escudo que durante alguns segundos nos protegem de dano, o poder de fogo envolve-nos em chamas que queimam os inimigos à nossa volta, o poder de água (gelo) lança vectores gelados que causam dano a todos os inimigos na mesma linha e por fim o poder do vento despoleta um pequeno tornado à nossa volta que causa dano em todos os inimigos que nos rodeiam. Todas estas habilidades de combate ao serem utilizadas gastam o mesmo poder mágico que nos permite voltar atrás no tempo. Espalhados pelos cenários vão estar também toda uma série de objectos destrutíveis como barris ou ânforas que nos permitem regenerar um pouco da nossa vida e os poderes mágicos também.

Os inimigos do exército de areia estão muito bem representados

Visualmente acho o jogo muito bem conseguido, com gráficos bem detalhados para as consolas daquela geração, voice acting competente e uma banda sonora orquestral que resulta muito bem em representar aquela atmosfera algo mágica dos contos das 1001 noites que a série tão bem nos habituou. Não existe no entanto uma grande variedade de cenários em si, visto que iremos estar constantemente a visitar um palácio gigante e umas ruínas subterrâneas de uma outra cidade de outra era. No entanto existe uma variedade considerável de cenários interiores e exteriores em ambos os casos. Os inimigos e as suas animações estão também bem conseguidos.

Portanto este é um bom jogo do Prince of Persia e que recomendo vivamente a quem tenha gostado da trilogia Sands of Time, visto que este jogo utiliza muitas das mesmas mecânicas, adicionando no entanto outros elementos interessantes da sua jogabilidade. A versão PS3, PC e Xbox 360 são semelhantes entre si, pelo que joguem a que mais jeito vos der. No entanto, tal como já referi acima o jogo saiu também para outros sistemas como é o caso da Nintendo DS, Playstation Portable e Wii, sendo todas essas versões distintas entre si, tanto a nível de história como de mecânicas de jogo. Dessas outras versões apenas possuo a da Wii que irei jogar eventualmente.

Yakuza Dead Souls (Sony Playstation 3)

Vamos voltar agora à série Yakuza / Like a Dragon para mais um jogo terminado desta série que eu tanto gosto. E este Dead Souls é mais um dos vários spin offs à série principal que a Sega foi lançando na sétima geração de consolas. Lançado originalmente no Japão em 2011 e no ocidente no ano seguinte, este jogo segue a “moda” dos zombies que bem se fazia sentir nessa altura, com séries televisivas como The Walking Dead ou videojogos como Left 4 Dead ou Dead Rising. O meu exemplar deu entrada na colecção há já uns bons anos. Creio que foi comprado numa Mediamarkt por cerca de 15€ se a memória não me falha.

Jogo com caixa, manual e papelada

Mas como é que um jogo desta série se consegue adaptar a um contexto de zombies? Bom, em vez de andarmos à pancada com bandidos e outros infelizes que se atravessem no nosso caminho, o jogo descarta (quase) por completo o seu sistema de combate em detrimento da utilização de armas de fogo. Mas sim, continuamos a poder pegar em objectos espalhados nos cenários e usá-los para atacar zombies! Mas se por um lado o sistema de combate ser então consideravelmente diferente, o jogo ainda mantém toda a identidade da série ao manter mecânicas ligeiras de RPG, sidequests para completar e toda uma série de diferentes minijogos que poderemos vir a ter acesso.

O jogo abre com Kiryu a receber a notícia do rapto da “sua” Haruka, mas até que este a consiga salvar ainda muita coisa vai acontecer.

Detalhando então o sistema de combate, os controlos são agora distintos com os botões L1 e R1 a servirem para apontar e disparar e os botões faciais passam a ter funcionalidades diferentes. O X continua a ser para esquivar e o círculo para apanhar/atirar objectos. O quadrado recarrega a arma que temos equipada no momento e o triângulo serve na mesma para activar o modo “heat” que neste jogo se resume a disparar alguns tiros certeiros em certos pontos de interesse, como barris de combustível, condutas de gás, entre outros, ou mesmo para contra-atacar algum ataque inimigo, como disparar sobre cocktails molotov que alguns zombies chatos teimam em atira contra nós. À medida que vamos avançando no jogo, combatendo, comendo em restaurantes e completando sidequests vamos ganhando pontos de experiência que nos permitirão subir de nível e ficar mais fortes, para além de ganharmos skill points que por sua vez poderão ser gastos em melhorar a nossa personagem, incluindo aumentar o número de itens e armas que podemos carregar. Apesar de eventualmente pudermos vir a carregar mais do que quatro armas, apenas 4 poderão estar equipadas e alternamos entre as mesmas com recurso ao botão direccional.

Sim, logo que a personagem esteja virada para zombies, pressionar o botão de disparo sem apontar irá na maior parte das vezes atingi-los. Mas apontar permite-nos ter mais precisão e alvejá-los nos seus pontos fracos.

As armas de fogo poderão vir em várias formas e feitios, desde simples pistolas, passando por várias armas automáticas, lança granadas, shotguns, entre outras. Cada arma usa uma munição diferente que por sua vez também ocupa espaço no inventário, pelo que teremos de o gerir bem com munições, itens regenerativos e outros que eventualmente possamos precisar. As pistolas possuem munição infinita, no entanto! Eventualmente vamos também desbloquear uma série de “parceiros” que podem explorar a cidade infectada de Kamurocho connosco e estes também vão ganhando experiência e adquirir novas habilidades que poderemos customizar. De resto, a única coisa que não gostei do sistema de combate é o facto de, quando pressionarmos o botão L1 para apontar a arma, esta não fica apontada para onde a câmara está virada, mas sim na direcção da personagem, o que nos irá obrigar vezes sem conta a perder alguns segundos para corrigir a nossa pontaria. Eventualmente lá nos vamos habituando a isto, mas preferia que funcionasse de outra forma.

À medida que vamos avançando na história, cada vez mais partes de Kamurocho irão sucumbir à invasão zombie.

Mas, também tal como já referi acima, o jogo herda todas as mecânicas de aventura da série principal. Isto porque poderemos na mesma cumprir sidequests, engatar miúdas e toda uma série de outras actividades paralelas como jogar em casinos, pescar, dar umas tacadas de baseball ou golfe, entre muitas outras. Algo que ainda não referi mas convém fazê-lo é o facto de nos podermos movimentar pela Kamurocho infectada de zombies e a parte da cidade que ainda está segura, sendo que à medida que o jogo vai avançando, a área infectada da cidade irá crescendo. Mas mesmo nas zonas infectadas (que é o único sítio onde poderemos de facto combater) há mais coisas a explorar. Lojas ou locais de interesse como os tais clubes nocturnos poderão ser libertados para poderem ser visitados novamente, algumas das sidequests apenas são possíveis de serem inicializadas na zona infectada, bem como o acesso ao Subterranea. Este é um sistema de túneis labirínticos associado a uma grande sidequest que nos irá acompanhar ao longo de todo o jogo. Os túneis são gerados aleatoriamente e teremos de descer cada vez mais fundo à medida que vamos avançando no jogo.

Tal como na restante série, o que não faltam são coisas para passar o tempo. Algumas com piada!

De resto, convém também referir que, tal como no Yakuza 4, este é um jogo onde iremos controlar 4 personagens distintas, cada qual com uma arma única e uma secção de jogo dividida em 4 capítulos. A primeira personagem que controlamos é o ricaço Shun Akiyama (primeira personagem do Yakuza 4 também) e a sua arma única são as pistolas duplas. Em seguida jogamos com Goro Majima (tendo em conta que o Yakuza 0 sai depois, esta é a primeira vez que podemos jogar com ele) que fica radiante por Kamurocho ser invadida por zombies e a sua arma é uma shotgun poderosa. A terceira personagem jogável é nada mais nada menos que Ryuji Goda, o principal antagonista do Yakuza 2, que possui um braço biónico que se transforma numa gatling gun capaz de facilmente dizimar multidões de zombies. Por fim controlamos Kazuma Kiryu, se bem que a sua arma única apenas é desbloqueada já perto do final do jogo.

O regresso desta personagem é de louvar e que satisfatório foi utilizar a sua gatling gun!

A nível audiovisual sinceramente acho este um jogo bem conseguido. Tendo em conta que joguei tanto o Yakuza 3 como o 4 nas suas versões remastered na PS4, esta é a primeira vez que jogo um jogo desta série na Playstation 3 propriamente dita. E devo dizer que me pareceu bem melhor conseguido que o Yakuza 3, pelo menos! E sim, apesar de a cidade de Kamurocho ser a mesma de sempre, a equipa aqui teve o esforço adicional de a redesenhar à medida que a mesma ia sendo destruída com o avanço da infecção dos zombies. O voice acting pareceu-me óptimo como sempre e as músicas também são agradáveis, com a banda sonora a ficar mais tensa sempre que exploramos a parte infectada da cidade. E tem alguns detalhes super interessantes como as músicas que passam nalguns estabelecimentos serem à volta dos zombies. Sim, as músicas são todas em japonês, mas a palavra zombie é universal e essa saltava logo à atenção. De resto só mesmo a acrescentar que o jogo possui algumas quebras severas de framerate, especialmente quando existem explosões à mistura.

Não serão só zombies normais que teremos de combater, mas também uma série de mutantes e bosses também!

Portanto devo dizer que este Yakuza Dead Souls foi uma experiência interessante. É um jogo muito diferente nas suas mecânicas de combate, mas a Sega está de parabéns ao ter conseguido manter a identidade da série num contexto muito distinto. Pena no entanto aquele problema da mira nos levar sempre para o ponto de vista da personagem e não para onde a câmara estava a apontar. Presumo no entanto que o jogo não tenha tido um grande sucesso comercial pois não só este Dead Souls se mantém exclusivo da PS3 até à data de publicação deste artigo, como a Sega ainda esteve algum tempo sem lançar novos jogos da série no Ocidente. O Yakuza 5 por exemplo, acabou por sair na PS3 já uns anos depois do seu lançamento original, mas apenas em formato digital. O Ishin! apenas recebeu uma versão localizada para inglês no seu remake recente e o Zero apenas chega cá 2 anos depois do seu lançamento, em 2017. Felizmente desde essa altura que não temos perdido muita coisa da série.

Blood Omen: Legacy of Kain (Sony Playstation)

Ora cá está o primeiro jogo de uma série que sempre me despertou o interesse mas que até agora ainda não lhe tinha pegado. Esta série que decorre no mundo fantasioso de Nosgoth sempre me interessou pela sua temática mais dark fantasy, mas o primeiríssimo jogo da série, este Blood Omen, já na altura não era um jogo lá muito barato. Algures em 2017 acabei por comprar antes uma versão norte-americana directamente do ebay.com. Felizmente não me ficou retida em alfândega, pelo que consegui ficar com o jogo a um preço um pouco mais barato (mas não por muito) do que teria de gastar se quisesse uma versão PAL UK deste jogo. Ainda assim, desde 2017 que a minha colecção tem vindo a crescer consideravelmente e o tempo disponível para jogar nem sempre foi o melhor pelo que este jogo foi acabando por ficar em backlog como muitos outros. Mas eis que recentemente os meus amigos do The Games Tome me desafiaram a jogá-lo no âmbito da nossa rubrica Backlog Battlers. Como faço sempre que trago cá um jogo dessa rubrica, deixo-vos o vídeo onde falo dele:

E então no que consiste este jogo? Pensem num jogo de acção com uma perspectiva vista de cima e mecânicas muito ligeiras de RPG, onde controlamos nada mais nada menos que um vampiro chamado Kain. A história não é muito simples de resumir, mas digamos que controlamos um nobre que havia sido assassinado e ressuscita como um vampiro. A sua missão é a de procurar vingança por quem o assassinou, mas também perseguir uma série de poderosos feiticeiros que controlavam Nosgoth. No entanto, à medida em que vamos avançando na história, Kain parece gostar cada vez mais dos seus poderes vampirescos…

Jogo com caixa e manual embutido com a capa. Versão NTSC americana.

E este é então um jogo de acção com uma perspectiva vista de cima e um mundo algo aberto, apesar do seu progresso ser linear, visto que algumas localizações apenas estarão disponíveis após desbloquearmos certos poderes ou habilidades. Sendo nós um vampiro, é esperado que as mecânicas de jogo sejam um pouco diferentes do habitual e de facto o são. Nós teremos de ter em conta dois medidores à direita do ecrã, o de cor vermelha é o medidor de sangue, que também funciona como medidor de vida e o de magia, com a cor azul. O medidor de sangue está constantemente a ir diminuindo, mesmo quando não sofremos dano, pelo que teremos de ter a preocupação constante de nos alimentarmos, sejam inimigos humanos, animais ou simplesmente cidadãos inocentes. Por outro lado, a barra de magia vai-se regenerando com o tempo. Existem no entanto criaturas com sangues de outras cores, como os espíritos com sangue azul (que nos restabelecem a magia), preto que é sangue tóxico e verde que também não é bom e acelera a taxa de perda de sangue, pelo que teremos de ter algum cuidado em quem nos alimentamos.

Saudades destes CGIs de antigamente!

À medida que vamos avançando no jogo iremos ter acesso a vários tipos de feitiços diferentes, desde iluminar zonas escuras, disparar projécteis de energia, até feitiços poderosos que invocam tempestades ou sugam o sangue de todos à nossa volta (o que uma vez mais deve ser utilizado com cuidado). Outros feitiços como controlar temporariamente um dos nossos inimigos será também aprendido e será necessário para ultrapassar alguns dos puzzles em que teremos pela frente nas várias dungeons que iremos explorar. Iremos também encontrar vários itens que poderemos utilizar no combate ou exploração, como vários outros ataques mágicos ou itens regenerativos. Para além disso iremos também desbloquear toda uma série de novas armas e armaduras que poderão trazer novas habilidades (e desvantagens também), como é o caso dos machados duplos, que por um lado nos permitem executar ataques rápidos e até desbloquear certos caminhos ao mandar árvores abaixo, mas como precisamos de usar ambas as mãos, deixamos de conseguir utilizar feitiços ou magias. Para além de tudo isto vamos ter a possibilidade de executar certas transformações, como a de um animal ágil e que consegue saltar (e alcançar zonas previamente inalcançáveis), um morcego que nos permite fazer fast travel entre certos pontos no mapa que vão sendo desbloqueados, uma forma etérea que nos permite atravessar paredes ou caminhar sobre a água ou uma forma humana que nos permite interagir com outros NPCs humanos de forma mais segura. Para além de tudo isto vamos também poder descobrir certos locais secretos onde poderemos melhorar muitas das nossas habilidades como ter mais força e resistência a dano de certos elementos como chuva ou neve. Ou convém também referir o ciclo de dia e noite, onde à noite os nossos ataques são bem mais poderosos!

Todos os itens/equipamento/feitiços que iremos desbloquear surgem na forma destas cartas. E se for o primeiro do tipo, Kain irá descrevê-los para nós. Este item em concreto serve para regenerar a nossa barra de sangue/vida.

A nível de controlos, o direccional movimenta Kain e o quadrado serve para atacar, o X para usar o feitiço ou item que esteja equipado no momento, o círculo é um botão de acção que é raramente utilizado (pode ser usado para falar com outros NPCs se estivermos com a forma humana) e o triângulo é botão que nos permite alternar entre as várias transformações disponíveis. O botão L1 permite-nos ampliar ou “desampliar” a câmara, enquanto o L2 mostra-nos um mapa do local onde estamos no momento. Os botões R1 e R2 são atalhos para escolher que magias ou itens queremos ter equipados no momento.

Ao longo do jogo iremos desbloquear estes checkpoints que servem de pontos de fast travel na nossa forma de morcego. Óptimos para revisitar zonas antigas quando adquirimos novas habilidades

Até aqui tudo bem, este Blood Omen é um jogo de facto cheio de ideias interessantes e originais, mas infelizmente a sua execução não é de todo a melhor, a começar pelos loadings frequentes e demorados. Só pausar/retomar o jogo leva-nos a loadings consideravelmente longos e infelizmente os controlos também têm alguns problemas. O primeiro, e o mais problemático para mim, é o facto de as mecânicas de detecção de colisões serem consideravelmente más neste jogo. Para além de os nossos ataques serem algo lentos, temos de estar a uma distância e ângulo muito distintos para que os nossos ataques surtam efeito, o que é frustrante visto que vão haver alturas onde seremos cercados e os itens de ataque, apesar de poderosos, devem ser utilizados com alguma moderação. Os saltos com a nossa forma de animal nem sempre respondem bem, o que também nos pode levar a sofrer dano desnecessário em certas ocasiões, como quando precisamos de atravessar um fosso de espinhos, por exemplo. Os outros problemas graves que este jogo tem são os seus problemas de performance. Uma sala com mais inimigos e itens que o normal e a acção abranda logo consideravelmente, principalmente se tivermos a câmara afastada.

Vamos também encontrar vários prisioneiros convenientemente localizados nas dungeons, cujo sangue pode ser sugado para recuperar vida

De resto, a nível audiovisual este é também um jogo de certa forma interessante. É extremamente violento e sangrento, quanto mais não seja pelo gore de algumas mortes em combate ou pelos inúmeros prisioneiros espalhados em certas dungeons, convenientemente localizados para servirem de refeição. Sendo este um jogo de fantasia, esperem por castelos, aldeias e cidades medievais para explorar, assim como umas quantas dungeons e paisagens mais naturais para explorar. Sinceramente não acho que o detalhe das personagens e inimigos seja absolutamente incrível para uma PS1, mas com todos os problemas de performance que o jogo tem, não daria para pedir muito mais. No que diz respeito ao som, confesso que a banda sonora me passou um pouco ao lado, contendo principalmente temas mais ambientais, embora sempre sinistros como o jogo requer. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já as vozes sinceramente parecem-me muito boas, pelo menos bem melhores do que o habitual nos videojogos em 1997. Um detalhe interessante a referir é o facto de, cada vez que encontremos um item, equipamento ou feitiço novo, Kain descreve o que o mesmo faz. Quando navegamos no menu de pausa podemos também ouvir essas descrições novamente se tal o desejarmos.

No menu de pausa poderemos escolher qual o equipamento a utilizar, bem como assignar que feitiços ou itens queremos ter prontos a serem activados nos botões R1 e R2.

Portanto este primeiro Legacy of Kain é um jogo bastante original e interessante, embora ainda tenha alguns problemas que não gostei nada, nomeadamente a péssima detecção de colisões ou a performance muito má. Mas todas as ideias eram de facto originais e se há jogo que mereceria um remaster em condições, este seria um desses, o que não deverá acontecer tão cedo. É que o jogo foi desenvolvido pela já extinta Silicon Knights (Eternal Darkness) e publicado pela Crystal Dynamics. Ambas as empresas envolveram-se em litígio, após a Crystal Dynamics ter continuado a série numa direcção completamente distinta (Soul Reaver) ao que Denis Dyack e companhia envisionavam inicialmente. O mundo de Nosgoth recebeu mais uns quantos videojogos ao longo dos anos, mas é uma franchise morta na actualidade, pois o seu último título já havia saído em 2003 (propositadamente ignorando o multiplayer Nosgoth que nunca chegou a ser finalizado).