Enslaved: Odyssey to the West (Sony Playstation 3 / PC)

No seguimento da minha maratona de jogar uns quantos jogos de PS3 seguidos, ficamos agora com este Enslaved, um interessante jogo da Ninja Theory que acabou infelizmente por passar algo despercebido no meio de outros lançamentos. O meu exemplar foi comprado algures em 2016 na minha estadia em trabalho na Irlanda do Norte, tendo sido comprado numa CeX por 2,5£. Infelizmente no entanto esse meu exemplar não me levou muito longe, pois estava-me constantemente a dar problemas como crashes ou loadings que nunca mais terminavam, levando-me inclusivamente a corromper o meu save. Não sei se o problema é do blu-ray, ou do patch que o jogo nos obriga a instalar no início. Pelo que li nalguns fóruns, poderá mesmo ser esse o problema visto que o mesmo aconteceu a mais gente. O facto de o patch ter mesmo a versão UK no seu nome pode indicar que apenas essa versão regional terá este problema, ou não. Não me quis chatear muito mais com isto e depois de ver que a versão PC digital estava disponível a pouco mais de 2€ num site legítimo acabei por comprar e jogar antes essa versão, o que até calhou bem, pois a versão PC tendo sido lançada uns anos mais tarde, traz também os DLCs .

Jogo com caixa e manual

E este é um jogo que decorre num mundo pós apocalíptico e repleto de robots hostis reminiscentes de um conflito que dizimou toda a civilização. Para além disso, muitos dos humanos que sobreviveram estavam a ser capturados e escravizados. Nós encarnamos num guerreiro apelidado de Monkey que havia sido feito prisioneiro e estava a ser transportado de avião para a sua prisão. Mas eis que uma jovem mulher, de nome Trip, infiltra-se no avião e causa uma série de problemas, acabando por acidentalmente libertar Monkey. O problema é que o avião está agora prestes a despenhar-se nas ruínas de Nova Iorque e este primeiro nível serve como uma espécie de tutorial para nos ensinar os básicos de exploração e combate. Monkey e Trip acabam por conseguir escapar, com Monkey posteriormente a acordar com uma “coroa” de escravo na sua cabeça, colocada pela Trip. Ela exige que a escoltemos em segurança de volta até casa, numa perigosa viagem de mais de 300 milhas. Se Monkey não cooperar, Trip consegue ordenar a “coroa” para matar Monkey e por outro lado, se Trip morrer, Monkey morre também. E é com este ultimato que começamos a aventura a sério e teremos de atravessar toda uma série de situações de extremo perigo, com a relação entre ambos os protagonistas a acabar por se estreitar com o tempo, até porque ambos vão ter de cooperar muitas vezes para progredir. Uma nota adicional, a história do jogo é baseada no romance chinês “Jornada ao Oeste”, do qual a primeira série do Dragon Ball também se baseia. Não sendo eu um conhecedor da obra literária original, consegui retirar referências óbvias do próprio Dragon Ball. O herói é apelidado de Monkey, está equipado de um bastão que aumenta de tamanho e tem uma jovem que o acompanha para todo o lado. Mais à frente no jogo, entra uma nova personagem apelidada de Pigsy!

O primeiro nível serve como um tutorial dos controlos básicos

No que diz respeito às mecânicas de jogo, eu diria que Uncharted é talvez a influência mais óbvia, não só pela dinâmica de termos duas personagens em jogo, mas também pela vertente exploratória. Monkey sendo um tipo bastante ágil, vai mesmo ser obrigados a escalar superfícies e saltar entre plataformas como se não houvesse amanhã. O combate é naturalmente diferente do Uncharted pois este é mais focado em combates corpo-a-corpo, onde os botões faciais do comando da Playstation nos permitem atacar com os punhos ou com o bastão, com a possibilidade de fazer alguns combos. O X serve para nos desviarmos (ou saltar, fora do contexto de combate) e o círculo serve para activar os focus attacks, assim que tivermos desbloqueado essa habilidade, que são essencialmente combos poderosos e que nos deixam temporariamente invencíceis enquanto são executados. De resto, o R2 serve para activar o escudo. Fora do combate corpo a corpo, poderemos também usar o bastão para disparar projécteis e aí os controlos funcionam como um shooter normal, com os triggers para apontar e disparar.

Tal como nos Uncharted, Prince of Persia ou Assassin’s Creed, o jogo tem também uma forte componente de exploração que nos obriga a escalar paredes e efectuar uma série de saltos algo acrobáticos

Apesar de o sistema de combate não ser vasto como o de muitos jogos hack ‘n slash da época, acaba por cumprir bem o seu papel e teremos mesmo de o conhecer bem para termos sucesso. Evadir de certos golpes e/ou usar escudos para nos protegermos são essenciais, assim como certos golpes capazes de deixar os robots temporariamente atordoados e/ou baixarem as suas defesas. O jogo vai tendo também vários puzzles onde teremos de cooperar com a Trip para progredir, como atirá-la para locais de onde nós não conseguimos chegar, pedir-lhe para manipular alavancas ou interruptores, etc. De certa forma, muitas das secções de combate podem também ser entendidas como um puzzle, visto que se não tivermos os devidos cuidados rapidamente ambos poderão ficar em perigo. Por exemplo, os primeiros puzzles desse género que temos de resolver consistem em atravessar zonas protegidas por turrets, o que nos obrigará a correr de abrigo em abrigo. Trip consegue activar um holograma capaz de distrair temporariamente inimigos e aproveitamos esse momento para nos movermos para o próximo abrigo. Por outro lado, para Trip poder avançar em segurança, teremos de ser nós as cobaias, ao chamar à atenção das turrets e logo de seguida comandar a Trip para se mexer. De resto, convém também referir que o jogo tem um sistema de upgrades que podem ser “comprados” à medida que coleccionamos toda uma série de esferas coloridas que podem ser encontradas espalhadas pelos níveis, ou ao derrotar inimigos.

A nível técnico, certamente o que mais me impressionou foi a qualidade das animações faciais, algo que a Ninja Theory já tinha dominado no Heavenly Sword

Visualmente é um jogo interessante para os padrões da época, particularmente no detalhe e animações faciais das personagens principais que estão muito bons (a Ninja Theory já tinha mostrado um óptimo trabalho nesse aspecto com o Heavenly Sword). Depois do nível inicial que decorre a bordo de um grande avião prestes a despenhar-se, os níveis seguintes levam-nos a explorar as ruínas de Nova Iorque, onde a Natureza reclamou grande parte da cidade e há um grande contraste entre os cinzentos e castanhos do cimento e aço enferrujados das ruínas, com o verde da vegetação que entretanto ali foi crescendo. Os restantes níveis já nos levam para grandes montes de sucata, outras povoações mais remotas ou instalações industriais/militares antigas, sempre com o desgaste, erosão e aço oxidado bem patentes. Mas por outro lado, a nível técnico, já não achei um jogo assim tão bom (tirando o detalhe e animações faciais como já mencionei acima). Do pouco tempo que joguei a versão PS3 a sua performance estava longe do ideal, repleto de quebras de framerate bem notórias. Jogando no PC, consegui aproveitar e jogar o jogo numa resolução ultra-wide superior aos 1080p. Talvez por o ter jogado dessa forma que as texturas me pareceram algo pobres e de baixa resolução e mesmo assim tive alguns problemas de performance. Um detalhe interessante a quem for jogar este jogo no PC: não o joguem em low. Não me tinha apercebido que o jogo tinha mudado as definições gráficas para o mínimo depois de ter mudado de resolução pelo que joguei os 3 primeiros níveis dessa forma. E com os gráficos em low, há um bug que acontece perto do final do terceiro nível que nos impede de progredir: no fim do nível somos confrontados com um boss que entra na nossa sala ao derrubando uma parede. Com os gráficos no mínimo, não há cá superfícies destrutíveis, pelo que a parede se mantém intacta, não nos deixando prosseguir. De resto, o voice acting pareceu-me bastante bom até, particularmente nas personagens principais (também não há muitas mais personagens com as quais iremos interagir, na verdade). Já a banda sonora confesso que me passou completamente despercebida.

A versão PC tem a vantagem de trazer os DLCs, onde se inclui uma pequena prequela com o Pigsy como protagonista, trazendo também diferentes mecânicas de jogo.

Por fim, como referi acima, a versão PC traz já os DLCs incluídos, onde para além de algum conteúdo meramente cosmético que nem me atrevi a experimentar, o jogo inclui também o Pigsy’s Perfect 10, uma pequena prequela onde controlamos o Pigsy, a tal terceira personagem que conhecemos já na segunda metade do jogo. Aqui as mecânicas são consideravelmente diferentes, visto que Pigsy não anda à porrada, mas temos uma rifle com balas infinitas, pelo que teremos de combater à distância. Por outro lado, à medida que vamos progredindo vamos também desbloquear certas habilidades que teremos mesmo de utilizar. Gadgets que nos permitem activar hologramas para distrair robots ou turrets inimigas, granadas de impulsos electromagnéticos que deixam os robots temporariamente inoperacionais, bombas propriamente ditas, ou outros gadgets que tornam qualquer robot dentro do seu raio de acção temporariamente amigáveis e que nos defendem dos restantes inimigos. Portanto há também aqui uma certa componente estratégica nos combates e o recurso a armas de fogo deverá mesmo só ser utilizado para atacar inimigos à distância.

Portanto este Enslaved é um jogo interessante que, apesar de não ser uma obra prima, foi uma agradável experiência e merecia ter tido mais atenção aquando do seu lançamento. Tem uma história interessante e uma boa mistura entre exploração, puzzles e combate corpo-a-corpo satisfatório, sem ser demasiado complexo.

No More Heroes: Heroes’ Paradise (Sony Playstation 3)

Lançado originalmente para a Nintendo Wii, No More Heroes é um jogo de acção bastante peculiar e bizarro também, como tem sido habitual em practicamente tudo o que o Goichi Suda trabalha (quando tem liberdade criativa para tal). É mais um jogo com uma temática à volta de assassinos, embora muito diferente a nível de jogabilidade (e narrativa) do Killer 7, do qual eu sempre achei que este jogo seria uma espécie de sucessor. Entretanto, alguns anos após o lançamento da versão original da Wii, eis que é lançada uma conversão para a Playstation 3 com algum conteúdo extra, conversão essa que chega ao nosso mercado algures em 2011, já depois da sua sequela ter sido lançada na Wii. O meu exemplar foi comprado numa Game, algures em Janeiro de 2013 por uns 15€.

Jogo com caixa, manual e papelada.

Como devem imaginar, a história é bastante bizarra, mas fiquemo-nos pelo básico: Nós controlamos o jovem Travis Touchdown que esbanja todo o seu dinheiro em videojogos e outros coleccionáveis, tendo o último sido um sabre de luz que o deixou falido. Então decide aceitar a proposta da sedutora Sylvia Christel e assassinar alguém, sendo recompensado por isso. Após essa missão bem sucedida, somos informados que ficamos no 11º primeiro lugar do ranking da United Assassins Association e como uma coisa leva à outra (para além de certos incentivos da própria Sylvia), lá vamos querer matar todos os restantes assassinos para chegar ao topo do ranking.

O objectivo do jogo é chegar ao número 1 da tabela dos assassinos, pelo que teremos de derrotar os restantes.

O jogo foi lançado originalmente para a Nintendo Wii e como a arma do protagonista é uma espada, certamente já estão a antever o que isso representa: motion controls! Essa foi a principal razão pela qual preferi antes jogar este nova versão da PS3 (isso e o facto de ter também alguns extras ou outras melhorias), pelo que os controlos aqui são mais convencionais, embora o jogo também suporte o move, para quem preferir. Os botões faciais servem desferir golpes horizontais ou verticais, bem como distribuir socos e pontapés, que por sua vez poderão quebrar defesas e/ou deixar os inimigos atordoados. Sempre que isso acontece, poderemos pressionar o botão R2 para os agarrar e cumprir alguns quick time events com os analógicos para fazer um de vários suplex e os atirar ao chão. O botão L2 é o botão de lock, permitindo-nos focar num inimigo de cada vez, e esta postura também nos permite defender de golpes/balas inimigas automaticamente. O analógico direito serve também para nos desviarmos, enquanto o L1 é usado para consultar o mapa. Existe muito mais a ter em conta em relação ao combate, como os diferentes bónus que poderemos vencer cada vez que executamos um inimigo de forma violenta, a possibilidade de usar charged attacks, ou os dodge avançados que nos colocam nas costas do inimigo. Mas o mais importante mesmo é o facto da nossa espada perder energia com o seu uso, pelo que ocasionalmente a temos de recarregar. Na Wii tínhamos de abanar o wiimote na vertical (com o movimento a ser replicado pelo Travis no ecrã de uma maneira muito cómica), aqui precisamos de pressionar R1 e uma vez mais abanar o comando. É o único controlo de movimento necessário mesmo se usarmos um dualshock normal e entendo perfeitamente o porquê de o terem incluído. A animação continua bastante cómica! No entanto este conceito da espada precisar de ser recarregada pode-nos causar alguns problemas, particularmente na primeira metade do jogo, pois podemos ficar algo indefesos no meio de algum combate mais exigente.

Sim, o jogo suporta o move. Mas mesmo sem controlos por movimento, a acção de recarregar a espada é a única que nos obriga a abanar o comando

Mas No More Heroes é mais do que um jogo com um sistema de combate interessante e ultraviolento, pois fora das suas missões principais, o jogo tem muito mais para oferecer ao permitir-nos explorar livremente uma cidade com alguns pontos de interesse. Cada missão principal obriga-nos a pagar uma taxa de entrada e como o Travis é pobre, teremos de arranjar alguns empregos em part time. O primeiro emprego que arranjamos consiste em apanhar uns quantos cocos e à medida que vamos avançando na história poderemos participar em várias outras tarefas como cortar relva, apanhar lixo da rua, servir de sinaleiro para barcos no oceano, entre muitos outros empregos estranhos. Atingir uma medalha de prata ou ouro nesses eventos permite-nos desbloquear missões especiais, essas já com combate e objectivos variados (assassinar alguém em específico, matar X pessoas dentro de um tempo limite, etc) sendo que essas missões em particular já nos recompensam com bem mais dinheiro. Eventualmente desbloqueamos também as Free Missions, que nos obrigam a matar todos os inimigos num local, com a penalização de termos apenas um ponto de vida, pelo que ao mínimo de dano sofrido perdemos a missão. O dinheiro que vamos ganhando pode ser também gasto em comprar novas espadas e upgrades (altamente recomendável), treinar no ginásio (também recomendável), ou comprar novas peças de roupa. Para além de tudo isto, temos também uns quantos coleccionáveis para apanhar, mas apenas as bolas Lovikov valem realmente a pena, pois estas servem para nos desbloquear algumas habilidades que se tornam bastante úteis, incluindo a habilidade de correr na cidade.

Em missões como esta que estejam carregadas de inimigos, a performance detiora-se severamente

No entanto, apesar de tanta coisa para fazer, explorar o mundo de No More Heroes é simplesmente aborrecido, pois a cidade está practicamente vazia e é simplesmente desinteressante. Para além disso, não existem grandes possibilidades de fast travelling. Quando queremos trabalhar, o fluxo é o de ir primeiro ao centro de emprego, escolher o trabalho e depois lá temos de viajar até ao local do mesmo. No fim do mini-jogo, se o quisermos jogar novamente para ganhar mais dinheiro não o podemos repetir directamente, obrigando-nos a voltar ao centro de emprego e repetir o processo. Ao menos se seleccionarmos um trabalho que já tenhamos feito antes, aí sim, temos a possibilidade de fazer fast travel para o seu local, o que é uma das novidades desta versão perante o lançamento original. Mas seria muito mais proveitoso se, uma vez aceite um emprego pela primeira vez e viajar até ao seu local, o mesmo ficasse disponível para sempre nesse local do mapa. Reduziria muito tempo desnecessário em viagens numa cidade vazia e aborrecida. As missões especiais seguem o mesmo fluxo também, obrigando-nos primeiro ir a um “centro de emprego” específico para tal. Todavia, para nos ajudar a não morrer de tédio em todo este processo, temos também uma moto à nossa disposição que nos permite deslocar mais rapidamente pelo mapa. O problema é que a moto controla-se de uma forma horrível e se caso pressionarem para cima no analógico esquerdo a mesma salta, o que pode resultar num acidente se colidirmos contra algum edifício ou veículo, e isto é algo que irá acontecer muitas vezes de forma acidental. Eventualmente lá nos habituamos a estas peculiaridades mas há outro problema grave com a moto: esta tem a tendência para ficar presa em postes ou troncos de árvores, o que é um bug muito chato.

Bowling humano enquanto os atropelamos com a nossa moto? Sim, é só mais um part-time em No More Heroes

Visualmente este é um jogo bastante interessante particularmente pelo design das personagens e o interior de certos edifícios, onde em ambos os casos há uma notória influência de filmes e actores mais conhecidos. As personagens são renderizadas num estilo muito próprio e que se assemelha a um cel-shading, mas infelizmente, como já referi acima, a cidade onde o jogo se desenrola é bastante simples e aborrecida. Já num jogo de Wii não seria nada do outro mundo, agora imaginem num jogo de PS3. E infelizmente também, mesmo este jogo correndo numa PS3, o mesmo contém graves problemas de performance, com quebras abruptas e prolongadas de frames a ocorrerem nos momentos onde temos muitos inimigos no ecrã em simultâneo, o que vai acontecer em certas missões. Mas tudo isto é desculpável pelas personagens interessantes e todas as situações de bom humor que o jogo nos vai proporcionando ao longo da aventura. Para terem uma ideia, para gravar o progresso do jogo temos de visitar uma retrete, com o Travis a abaixar as calças e sentar-se numa sanita. De resto, o voice acting achei-o bastante bom, e mesmo não havendo a opção de ouvir o original japonês nesta versão, o que tivemos direito é bastante convincente. A banda sonora foca-se principalmente em músicas mais rock, o que se adequa perfeitamente ao jogo em si.

Se formos eficientes nos empregos, desbloqueamos missões de assassinato e essas sim, dão dinheiro a sério e podem ser rejogadas sempre que quisermos.

De resto, o que traz mais esta versão PS3? Para além de pequenas melhorias de qualidade de vida ao incluírem um sistema de fast travel que só peca por ser rudimentar e ter sido implementado apenas a 30% do desejável, esta versão possui alguns bosses do No More Heroes 2, sendo combatidos em certos momentos da narrativa principal. Também incluíram várias novas missões e coleccionáveis. Existe também um novo modo de jogo (score attack – que não experimentei) bem como uma nova dificuldade desbloqueável após completar o jogo uma vez. As versões ocidentais deste No More Heroes: Heroes Paradise são também completamente não censuradas, algo que aconteceu na versão japonesa e nalgumas versões do original Wii, tendo sido essa também uma das razões pelas quais na altura decidi optar por esta versão. No entanto, a parte norte da cidade foi completamente barrada nesta versão, embora a mesma ainda esteja visível no mapa. Tendo em conta o quão aborrecido é explorar a cidade e a falta de um mecanismo de fast travel eficiente, terem cortado um terço da mesma acabou por não ser uma má decisão. Em 2020 foi lançado um remaster do original da Wii, mas confesso que não sei o que essa versão traz de diferente do original para além de uma notória melhoria na performance.

Bayonetta (Sony Playstation 3)

Tempo de voltar finalmente à PS3 (e virão mais uns quantos artigos desta plataforma muito em breve) para jogar um dos primeiros títulos da Platinum Games, lançado no ano de 2009, alguns meses após o lançamento do seu jogo de estreia, MadWorld e do Infinite Space, um interessante RPG da Nintendo DS que gostaria de arranjar um dia destes. E este Bayonetta é um excelente hack ‘n slash repleto de sequências de acção over the top, uma jogabilidade frenética tal como a série Devil May Cry (o que também não é por acaso, pois ambos têm o Hideki Kamiya como produtor) e com uma personagem principal muito icónica. Já não consigo precisar onde nem quando comprei o meu exemplar, mas foi seguramente barato.

Jogo com caixa, manual e papelada!

O contexto deste jogo passa-se num mundo outrora controlado por duas facções distintas: os Lumen Sages, movimento do lado do bem, e as Umbra Witches, cujo seu poder advinha das forças das trevas. No entanto, apesar dessas forças antagónicas, o mundo estava em equilíbrio. Eventualmente algo acontece e as bruxas são practicamente todas extintas pela facção rival… todas excepto a Bayonetta, protagonista que controlamos, que acorda sem grandes memórias do seu passado e Jeanne, uma outra bruxa rival que aparenta conhecer bastante do passado de Bayonetta. Portanto sim, este é um jogo que nos vai colocar a lutar contra as “forças do bem” onde a maior parte dos inimigos são criaturas angelicais, com halos na cabeça e tudo.

Os controlos não podem ser customizados, mas encontram-se aqui perfeitamente bem explicados

Já a nível de mecânicas, este é, tal como referi acima, um jogo de acção bastante over the top e frenético e que, tal como a série Devil May Cry, mistura o combate corpo-a-corpo com recurso a armas brancas e o de armas de fogo, possuindo uma grande variedade de diferentes combos possíveis, muitos deles bastante estilosos até, mediante as armas e acessórios que tenhamos equipado na altura. Um dos grandes focos está na mecânica de dodge onde, quando nos desviamos de algum golpe inimigo mesmo à última, entramos automaticamente e de forma temporária num modo de câmara lenta (witch time), onde os nossos golpes se tornam bastante mais poderosos. Se sofrermos dano enquanto estamos nesse estado, ele acaba por ser logo interrompido, no entanto. Portanto, como devem imaginar, esta é uma mecânica de jogo importante e que nos obrigará a estudar bem o movimento dos nossos inimigos para causar o máximo de dano possível, até porque a nossa performance vai sendo medida ao longo do jogo e os pontos extra que ganhamos em jogar bem serão igualmente importantes para comprar itens ou outros upgrades. De resto, para além da barra de vida, Bayonetta vai tendo também uma barra de magia, que pode ser utilizada para uma série de outras habilidades especiais, incluindo as técnicas de execução rápida de certos inimigos. No entanto, sempre que somos atingidos perdemos magia também. De resto convém também mencionar que o jogo possui também um simples sistema de crafting onde podemos criar itens que nos regeneram vida, magia, deixam-nos temporariamente mais fortes entre outros, se bem que o jogo nos penaliza na avaliação se os utilizarmos.

Os primeiros combates acabam por servir de um pequeno tutorial que nos vai ensinando o básico

Mas para além da acção frenética que tão bem caracteriza os jogos da Platinum Games, este Bayonetta em particular tem uma estética e direcção artística muito peculiar, a começar precisamente pela sua personagem. É certo que Bayonetta é uma personagem feminina cheia de curvas interessantes, provocadora e sedutora, mas nada disto é propriamente gratuito. As suas poses exageradas e/ou provocadoras durante os combates e cut-scenes são sempre apresentadas com um bocadinho de bom humor, o que acaba por suavizar a coisa para os mais sensíveis. De resto, a restante visão artística deste Bayonetta é também muito interessante pelas influências do estilo barroco, quanto mais não seja por enfrentarmos inúmeras criaturas angelicais, em contraste com uma outra visão mais distópica de ficção científica que também nos é apresentada. O voice acting, que nos é apresentado apenas em inglês, é também bastante bom e a actriz que deu a voz a Bayonetta teve um óptimo papel. A banda sonora é uma interessante e agradável mistura entre temas mais jazz, electrónica ou música mais orquestral, com um toque de música sacra, o que uma vez mais se adequa ao mundo em questão.

A direcção artística deste jogo é muito boa, especialmente no design dos inimigos e bosses

Visualmente é também um jogo muito interessante, embora o meu primeiro impacto não tenha sido nada positivo. Já há algum tempo que não jogava nada desta geração, então quando o comecei a minha impressão foi “uau, isto parece um jogo de PS2” visto que os modelos e texturas são muito mais simples do que o que estamos habituados a ver actualmente, pelo menos logo nos momentos iniciais, que também são acompanhados daqueles tons cinzento e castanho que tanto representaram aquela geração de consolas. Esse trecho inicial ainda me causou grandes motivos de preocupação pois a acção frenética fazia com que a PS3 se arrastasse de forma bem notória e incomodativa e os meus pensamentos foram logo “ok, a internet estava certa, a versão PS3 deste jogo é mesmo má”. Mas à medida que fui jogando tudo isso se dissipou. É verdade que a performance do jogo não é incrível na PS3, mas depois desse segmento inicial nunca tive problemas tão notórios de performance. E os gráficos, assim que começamos a explorar cenários mais abertos e combater criaturas mais variadas, o jogo foi crescendo em mim, muito por culpa também da direcção artística e sequências de acção extrema, características da Platinum Games. Tornou-se óbvio que o jogo é graficamente superior a qualquer coisa da geração anterior, as minhas impressões iniciais não poderiam estar mais erradas e ainda bem!

Referências à Sega são sempre bem-vindas!

Portanto este Bayonetta é um excelente jogo de acção e um marco na Platinum Games. Pena que na altura, enquanto eles tiveram um contrato de publicação com a Sega, muitos dos seus jogos acabaram por serem fracassos de vendas, o que é pena, pois este Bayonetta e o jogo que lhe seguiu, o Vanquish, são ambos clássicos absolutos dessa geração. Pelo menos a série Bayonetta acabou por receber algumas sequelas, após uma parceria com a Nintendo que levou a essas mesmas sequelas acabarem por ser lançamentos exclusivos para sistemas da gigante nipónica nos dias que correm.

Ace Attorney Investigations Collection (Sony Playstation 4)

Por fim, a colectânea que faltava! Lançada no ano passado, esta é também a primeira desta “colectâneas HD” da série Ace Attorney a receber um lançamento físico em território europeu, pelo que pela primeira vez não foi necessário importar, obrigado Capcom! Não sei porque é que apenas a PS4 recebeu o lançamento físico mas tudo bem. Esta colectânea inclui dois títulos lançados originalmente para a Nintendo DS, algures entre 2009 e 2011, com Miles Edgeworth como protagonista principal.

Jogo com caixa. Já nem ao trabalho se dão de incluir um folheto publicitário.

No que diz respeito à jogabilidade, na verdade nada muda assim tanto desde a introdução dos primeiros Ace Attorney. Apesar de Miles Edgeworth ser um procurador (advogado de acusação), vamos na mesma precisar de investigar cenas de homicídio, recolher provas e interrogar uma série de testemunhas, muitas vezes procurando contradições ou inconsistências nos seus testemunhos. Existem outros procuradores e detectives que competem connosco e muitas vezes as pessoas erradas acabam por ser suspeitas, pelo que o nosso trabalho muitas vezes até parece o de um advogado de defesa… de resto, todos os casos aqui retratados representam apenas todo o trabalho de investigação até um suspeito ser encontrado e a sua acusação ser formalizada, não chegando a entrar no processo de julgamento (salvo raras excepções).

Os raciocínios lógicos foram uma das pequenas coisas aqui introduzidas em ambos os jogos.

A outra diferença a nível de mecânicas de jogo é mesmo a maneira como exploramos os cenários. Enquanto nos restantes jogos da série toda a navegação é feita num sistema de menus, e os objectos poderiam ser inspeccionados/interagidos através de um cursor, agora podemos mesmo explorar cada sala livremente. À medida que vamos explorando e falando com pessoas, o Miles Edgeworth ficará também com algumas ideias soltas retidas na sua cabeça, cujas podem depois serem organizadas em linhas de raciocínio lógico para chegar a certas deduções. O segundo jogo desta compilação introduz também o Mind Chess, que é uma espécie de um confronto em modo debate, para obrigar certas testemunhas que estejam inicialmente relutantes em colaborar. Basicamente temos de escolher como reagir ao que o nosso oponente nos diz, dentro de um tempo limite.

O segundo jogo introduz também o Mind Chess, onde tentamos, através de diálogo, desarmar as defesas da pessoa que queremos interrogar

Tanto num jogo como no outro vamos tendo 5 casos de homicídio para resolver e tal como tem sido habitual nos restantes jogos da série Ace Attorney esses casos vão acabar por estar todos relacionados entre si e o segundo jogo acaba por ter também uma relação directa com o anterior, pelo menos no início. Uma das coisas que mais gostei no primeiro Miles Investigations foi o facto de, ao longo dos 5 casos, terem sido repescadas várias testemunhas bastante icónicas de jogos anteriores, como é o caso da velhota Oldbag, o trapalhão Meekins ou o chato do Larry Butz. No segundo jogo algumas personagens icónicas como o Larry ou a repórter Lotta marcam uma vez mais o seu regresso, mas a história continua interessante como um todo e as novas personagens Eustace Winner ou a juíza Verity Gavèlle até que se revelaram bastante interessantes. Temos aqui também uma pequena “viagem no tempo”, onde temporariamente controlamos o pai do Miles Edgeworth. Ambos os jogos desta compilação decorrem entre os primeiros dois jogos da trilogia que tem o Apollo Justice como uma das personagens principais.

Em ambos os jogos exploramos os cenários livremente. Temos também a possibilidade de alternar entre as sprites antigas da versão DS ou as redesenhadas em HD

De resto, a nível audiovisual não há muito a acrescentar aqui. Esta compilação HD tem todos os cenários e personagens redesenhados com um pouco mais de detalhe e resolução, embora confesso que não tenha gostado tanto do trabalho dos artistas envolvidos desta vez. São aqueles sorrisos com as bocas inteiramente brancas… mas é uma pequena coisa. Sendo este um jogo de aventura/visual novel não há muito que se possa esperar daqui, até porque ambos os lançamentos vieram originalmente da Nintendo DS. A banda sonora contém músicas bastante variadas e é agradável, mas nada que seja propriamente memorável. Em suma, tipicamente os jogos da série Ace Attorney sempre foram mais apreciados pelas suas histórias e casos de homicídio algo complexos, sempre com uma boa pitada de humor e estes não são excepção.

À medida que vamos avançando nos jogos, iremos também desbloquear alguma arte adicional

Como tem sido habitual nas restantes compilações HD que têm vindo a ser lançadas desta série, poderemos também desbloquear uma galeria que nos permite ver alguma arte e os modelos 2D das personagens envolvidas, bem como a banda sonora de ambos os jogos.

The Last of Us: Part II (Sony Playstation 4)

Neste passado Halloween quis jogar pelo menos um de dois jogos: o Silent Hill 2 (o original de PS2, não o remake recente) ou este The Last of Us: Part II. Como a minha namorada adorou a história do primeiro The Last of Us acabei por optar então por esta sequela, embora apenas o tenha jogado em curtas e espaçadas sessões, pelo que apenas muito recentemente o terminei. Entretanto também combinei com o meu amigo e colega do podcast TheGamesTome para fazermos um deep dive, uma análise super detalhada a este jogo. Poderão ver essa discussão no vídeo partilhado abaixo. Entretanto o meu exemplar foi comprado numas promoções de black friday da Worten algures em 2021, tendo-me custado uns 20€.

O jogo começa alguns anos após os acontecimentos do final do primeiro título, onde Joel e Ellie acabam por assentar na povoação de Jackson, estando plenamente integrados na sua sociedade. Entretanto coisas acontecem e digamos que o resto do jogo será uma história de vingança. Antes de prosseguir, devo dizer que irão haver alguns spoilers no parágrafo seguinte, pois não consigo exprimir o que achei deste jogo sem tocar nalguns pontos chave da narrativa. Ainda assim farei o possível para não revelar coisas em demasia. Se preferirem não lerem quaisquer spoilers, então ignorem o próximo parágrafo.

Jogo com caixa, papelada e dois discos

O primeiro The Last of Us foi um excelente jogo em vários aspectos, mas para mim o destaque esteve principalmente na sua narrativa mais madura, pesada e emocional. A forma como os laços entre Joel e Ellie se vão construindo e fortalecendo é de longe a mais bem conseguida. E aqui a narrativa mantém-se pesada, complexa e muito emocional, com todo o tema do jogo andar à volta da vingança. Um detalhe interessante é o facto de cerca de metade do jogo ser jogado com a Ellie e a outra metade com Abby, uma nova personagem e também o principal alvo da vingança que Ellie quer impor. Inicialmente achei um pouco estranha esta opção, mas à medida que ia avançando no jogo o seu objectivo se foi tornando claro: para além de mostrar quais as motivações de Abbie para fazer o que fez, mostrar também o seu lado humano, fazendo-nos lembrar que as coisas nunca são completamente a preto e branco, mas sim uma escala de cinzentos. Particularmente num mundo pós apocalíptico e sem lei como é o de The Last of Us. Portanto ponto muito positivo para toda a narrativa e a maneira como ela nos vai sendo apresentada, incluíndo todos os flashbacks passados por ambas as personagens e que são igualmente importantes. Os pequenos spoilers acabam aqui.

Explorar em busca de provisões é mandatório para sobreviver

Já no que diz respeito à jogabilidade, na sua essência essa não difere muito das mecânicas de jogo introduzidas pelo primeiro jogo. The Last of Us decorre num mundo pós apocalíptico infestado por criaturas parecidas com zombies e os recursos são imensamente escassos. A civilização como a conhecemos colapsou e o jogo, para além dos seus habituais segmentos de exploração, nos colocará a combater (ou evadir) muitas dessas criaturas, mas também diferentes facções humanas. Com recursos escassos, a necessidade de uma abordagem mais furtiva para esses encontros é fortemente encorajada, assim como a necessidade de improvisar. Quero com isto dizer que o sistema de crafting para melhorar as armas que vamos coleccionando, criar munições como granadas improvisadas ou cocktails molotov, medkits ou outros itens úteis estão novamente aqui presentes. Isto é possível ao coleccionar toda uma série de recursos, bem como peças metálicas para posteriormente melhorar as armas. Para além de recursos e munições escassas poderemos também encontrar comprimidos que uma vez tomados servem para melhorar as habilidades de Ellie ou Abby, como a capacidade de ouvir melhor (o sistema de audição serve para localizar inimigos no ecrã), construir mais e melhores medkits, entre muitas outras habilidades. Considerem esses comprimidos como skill points portanto!

A guitarra é um tema recorrente na narrativa e estas melodias acústicas vão-nos acompanhar ao longo de todo o jogo.

Existem no entanto algumas diferenças na jogabilidade entre Ellie e Abby, assim como as diferentes armas/equipamento que ambas terão acesso. Ellie é mais ágil e fisicamente menos forte, no entanto esta tem uma faca inquebrável, pelo que acaba por ser uma opção bem melhor para os avanços furtivos. Já Abbie é fisicamente bem mais possante, pelo que é mais forte no combate corpo-a-corpo, no entanto precisa de usar as shivs (facas artesanais) que por sua vez são frágeis e partem-se com uma única utilização. O arsenal que ambas as personagens terão acesso é considerávelmente diferente embora tenha algumas coisas equiparáveis. Ellie e Abby terão acesso a diferentes pistolas/revólveres (uma de cada com a possbilidade de equipar silenciadores artesanais) e shotguns. Ellie tem acesso a uma espingarda de longo alcance enquanto Abbie possui uma arma semi automática para um efeito algo semelhante. Ellie possui cocktails molotov, um arco e flecha com a possibilidade de usar setas explosivas, granadas de fumo e minas de proximidade, extremamente úteis, por sinal. No fim do jogo também desbloqueamos uma metralhadora com silenciador mas já pouco a vamos utilizar. A Abbie possui granadas (pipe bombs), uma besta, caçadeira de duplo cano (com a possibilidade de utilizar munições incendiárias) e um lança chamas, também bastante útil para limpar mobs de zombies. Mas no fim de contas o arsenal de Ellie pareceu-me o melhor.

Os zombies continuam repugnantes

No que diz respeito aos inimigos, estes também nos começam a caçar mal sejamos descobertos ou, no caso de inimigos humanos, caso algum cadáver de um dos seus colegas seja descoberto, visto que infelizmente, uma vez mortos os inimigos, não podemos arrastar os seus corpos para locais mais reservados. A nível de inimigos novos temos alguns zombies novos, incluindo uns bastante silenciosos e que nos montam emboscadas. Já nos inimigos humanos, não me recordo de haverem “heavies“, inimigos bastante corpulentos e capazes de sofrer bastante dano antes de morrerem. Existem no entanto patrulhas com cães que nos conseguem farejar e usar granadas de proximidade nesses encontros foi uma óptima maneira de me ver livre deles e dos seus donos.

Quando a furtividade deixa de ser uma opção, o ideal é ter bom poder de fogo disponível

A nível audiovisual estamos perante um jogo excelente. Os cenários, particularmente aqueles no meio da natureza, estão deslumbrantes e foi um prazer atravessá-los. As personagens estão também muito bem detalhadas, particularmente as expressões faciais, que são muito boas. Por exemplo, enquanto a Ellie esfaqueia os inimigos que apanha de surpresa, Abby sendo uma mulher corpulenta, sufoca-os com a sua própria força de braços. E as expressões de sofrimento e desespero dos inimigos enquanto sufocam estão de facto impressionantes! De resto, sendo este um jogo com uma componente narrativa muito forte, naturalmente que o voice acting é também excelente. A banda sonora está repleta de temas acústicos (aliás, a Ellie e Joel tocarem guitarra acústica é algo central na narrativa), com muitas outras músicas mais ambientais e tensas, particularmente durante os encontros com inimigos. Aliás, quando essas músicas deixam de tocar é o primeiro sinal de que estamos novamente em segurança.

Abby é a segunda personagem jogável e é basicamente um Joel. Fisicamente mais possante e com um arsenal diferente.

De resto é também um jogo repleto de coleccionáveis e conteúdo desbloqueável, desde galerias de arte, modelos 3D das personagens do jogo e também uma série de batotas que poderão ser desbloqueadas. O jogo está disponível em diferentes níveis de dificuldade e com muitas opções de customização e acessibilidade, o que é também um ponto positivo. Não existem no entanto quaisquer DLCs que expandem a narrativa como no primeiro jogo (não me estou a queixar) e um modo multiplayer chegou a estar nos planos mas acabou por não se concretizar.

O jogo tem algumas cenas bem pesadas. Esta luta em particular causou algumas expressões de desconforto em quem estava a jogar comigo.

Portanto estamos aqui perante um excelente jogo de acção e a Naughty Dog está uma vez mais de parabéns, pois não só nos apresentaram um jogo de acção/aventura bastante polido nas suas mecânicas de jogo e visuais, mas também com uma narrativa muitop cativante, pesada, emocional e envolvente. A Sony lançou recentemente um remaster/remake para a PS5 que sinceramente não senti qualquer necessidade. Eu joguei a versão PS4 numa PS5 e sinceramente achei o jogo excelente a nível audiovisual tal como está. No entanto, para quem tiver apenas uma PS5, admito que essa seja talvez a melhor forma de experienciar esta aventura actualmente. Mas só se encontrarem o jogo a um excelente preço, pois a versão PS4 é baratíssima actualmente em mercados de segunda-mão e reforço, é um excelente jogo numa PS5 também.