Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy (Sony Playstation 4)

A série Ace Attorney sempre despertou o meu interesse, pois para além de ter aquela componente de investigação criminal típica de aventuras gráficas, possui toda a dinâmica dos tribunais e das trocas de acusações entre advogados e testemunhas. Para além disso, possui um bom sentido de humor, com personagens carismáticas e casos cada vez mais mirabolantes. Esta compilação traz os primeiros 3 jogos da série Ace Attorney que fecham assim a sua primeira trilogia com o advogado de defesa Phoenix Wright como o principal protagonista. Esta foi uma compilação que tem vindo a ser lançada desde 2012 em sistemas mobile, tendo sido também relançada em várias outras plataformas ao longo dos anos como a Nintendo 3DS, Playstation 4, PC ou Switch. Infelizmente os lançamentos físicos dessa compilação têm-se ficado por solo japonês ou asiático, pelo que acabei por optar por comprar a versão Japonesa PS4. Qual a razão? Ao instalar os jogos na consola, ficam disponíveis em inglês, claro! O meu exemplar foi comprado algures no mês passado de Setembro numa loja online por cerca de 45€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e folheto informativo, na sua versão japonesa

Os jogos da série Ace Attorney são um misto entre aventura gráfica e visual novel, onde encarnamos no papel de um advogado e, pelo menos em todos os Ace Attorney que joguei até agora têm sido advogados de defesa, onde teremos de provar a inocência do nosso cliente em vários casos de homicídio. Cada caso está dividido tipicamente em 2 partes, a de investigação, onde vamos explorar vários cenários (incluindo o do crime) e falar com diversas pessoas, em busca de procurar pistas que nos levem à verdade e ilibar o nosso cliente das suas acusações de homicídio. Uma vez recolhidas todas as evidências, o jogo transita automaticamente para o julgamento onde teremos de estar atentos aos testemunhos que vão sendo prestandos e desmascarar todas as suas contradições. Nessas revisões de testemunho poderemos, a qualquer momento, interromper a testemunha para lhe pedir mais detalhes acerca do que estaria a dizer no momento ou poderemos contrapor a sua afirmação, seleccionando uma das pistas recolhidas anteriormente. Por exemplo, a testemunha pode dizer que o crime foi cometido às 7 da tarde, quando no relatório da autópsia diz que a vítima morreu a uma hora completamente diferente. Nessa altura podemos levantar uma objecção e apresentar o relatório da autópsia como prova, o que irá descredibilizar um pouco a testemunha e obrigá-la a rever o seu depoimento, aproximando-se cada vez mais da verdade.

Os segmentos de investigação servem para entrevistar potenciais testemunhas e recolher provas ou pistas úteis para os julgamentos

No entanto, apesar de termos esta liberdade de ir pressionando e contrapondo as testemunhas, temos de ter algum cuidado e tomar apenas a acção certa no timing certo. Se interrompermos demasiadamente a testemunha ou apresentar provas erradas para a contraposição, poderemos sofrer penalizações que, no limite, nos podem fazer perder o caso e o nosso cliente ser condenado à morte por homicídio. É então necessário estar muito atentos ao que vai sendo dito pelas testemunhas e tomar acções apenas nos momentos certos. De resto, os casos vão começando de forma bastante simples e, à medida que vamos avançando cada jogo, vão se tornando cada vez mais complexos, obrigando por vezes aos julgamentos extenderem-se por até 3 sessões, sempre intercaladas com segmentos de investigação.

As personagens com as quais nos vamos cruzando vão sendo bastante carismáticas

Ora não me vou alongar sobre o primeiro Phoenix Wright Ace Attorney visto que já cá o abordei no passado na sua versão da Nintendo DS. Essa conversão para a DS tinha trazido um capítulo adicional face ao lançamento original de GBA e esse era um capítulo onde foram introduzidas algumas mecânicas de jogo que tiravam maior partido das características da Nintendo DS, nomeadamente análise forense e a possibilidade de observar em 3D alguns dos objectos recolhidos como pistas/provas. Isto obrigava mesmo ao uso do touch screen e até do microfone, pelo que não estava certo se esse caso adicional estaria incluído nesta compilação, mas felizmente que o incluiram! Em relação ao segundo e terceiro jogo, nenhum teve capítulos adicionais aquando das suas conversões para a Nintendo DS, pelo que também não temos aqui nenhum conteúdo adicional. Mas no entanto essas duas sequelas já tinham adicionado algumas novas mecânicas de jogo perante o original, nomeadamente as interrogações que podemos fazer a certas personagens durante as fases de investigação. No segundo e terceiro jogo Phoenix Wright terá então a possibilidade de, enquanto dialogar com as personagens, de se aperceber que estas lhe estão a esconder qualquer coisa, com um ou mais cadeados a surgirem no ecrã em sua volta. Nessa altura, poderemos tentar interrogá-los e, tal como nos julgamentos, apresentar provas que mostrem que as personagens nos estão a esconder qualquer coisa.

Nesta compilação os assets foram redesenhados em alta definição, mas não esperem por grandes mudanças no som

A nível audiovisual, confesso que estava à espera que neste remaster a Capcom se tivesse esforçado um pouco mais. Os maiores melhoramentos vão para os visuais que são apresentados agora com cenários e retratos das personagens com maior detalhe e resolução. De resto, particularmente a nível de música e efeitos sonoros, não há grande coisa a mudar, infelizmente. Estava a contar que houvesse algum voice acting, quanto mais não fosse apenas em Japonês, mas infelizmente não é o caso. Então, no lugar do voice acting vamos estar constantemente a ouvir os mesmos ruídos enquanto as letras vão sendo escritas no ecrã sendo que, quando são pessoas a falar de forma mais efusiva, ouvimos outros efeitos sonoros tipo de pancadas e coisas a baterem umas nas outras, o que é um pouco estranho.

Portanto, mesmo o facto de ser uma compilação algo modesta no que toca ao processo de “remastering“, não deixa de ser uma compilação bem sólida. A série Ace Attorney é muito divertida e repleta de personagens bem carismáticas. As histórias vão sendo cada vez mais mirabolantes e é muito recompensador nós irmos desmascarando as testemunhas em tribunal e ir encontrando o verdadeiro culpado por detrás de cada homicídio. Esta colectânea é também uma opção ligeiramente mais barata de ter os primeiros 3 Ace Attorneys, numa altura em que os lançamentos em inglês da Nintendo DS estão cada vez mais caros.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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