Tempo agora de voltar à Nintendo Switch para mais uma rapidinha a um interessante jogo indie do seu catálogo. Tales of the Neon Sea, tal como o Neon Blood que cá trouxe há uns meses, é também uma aventura futurista de temática cyberpunk, com visuais retro e onde fazemos o trabalho de detective. Felizmente é, no entanto, um jogo bastante melhor. O meu exemplar foi comprado também na PressStart, algures numa promoção em Outubro de 2025, tendo-me custado uns 10€.
Jogo com caixa
A história leva-nos a um mundo futurista de estilo cyberpunk, numa sociedade fracturada após um grande conflito entre humanos e robots. Nós encarnamos Rex, um cyborg ex-polícia e agora detective privado, que acaba por se ver envolvido num misterioso homicídio. Naturalmente, à medida que vamos investigando, vamos também descobrindo uma conspiração de maiores proporções, cujos contornos nos levam a conhecer melhor o passado de Rex.
Visualmente é um jogo cheio de bonitos detalhes!
E esta é então uma aventura jogada inteiramente como um 2D sidescroller, não havendo cá quaisquer mecânicas de point and click. Ainda assim, teremos de investigar cenários, coleccionar e combinar objectos e falar com outras personagens para ir progredindo, tal como numa aventura gráfica clássica. Teremos também muitos puzzles para resolver e alguns elementos de plataforma ou combate, que podem também ser interpretados como pequenos puzzles a resolver. Ocasionalmente teremos também de jogar como William, um gato preto “amigo” de Rex, embora as suas mecânicas de jogo não sejam muito diferentes das de Rex.
Ocasionalmente o jogo tem também os seus momentos de maior tensão
O que me chamou imediatamente à atenção neste Tales of the Neon Sea foram os seus excelentes visuais, sobretudo para quem, tal como eu, gosta de um bom pixel art. Apesar de haver, naturalmente, um grande foco em cenários urbanos, a verdade é que existe uma grande variedade entre os mesmos, e todos aqueles pequenos detalhes aqui e ali são uma delícia de ver! A banda sonora, no entanto, não consegue cativar tanto. É composta maioritariamente por temas mais ambientais e minimalistas, ocasionalmente com um toque de música electrónica ou orquestral, mas sempre de forma bastante contida. Nada a apontar aos efeitos sonoros, que são bastante básicos, e também não existe qualquer voice acting, o que deixa o som deste jogo, como um todo, não ao mesmo nível dos seus visuais e direcção artística.
Ao ver screenshots da comunidade da versão PC, apercebi-me que esta cena em particular está censurada na Switch.
Ainda assim, apesar de não ser um jogo perfeito, devo dizer que passei umas horas bem agradáveis com este Tales of the Neon Sea. A narrativa, apesar de ter bastante potencial, acaba por ficar aquém do que poderia ter sido. Há demasiados aspectos da história e do próprio mundo que ficam por explicar ou são abordados de forma demasiado superficial, enquanto alguns dos diálogos também não são particularmente convincentes. É uma pena, porque a premissa e o ambiente cyberpunk davam material para uma história bastante mais interessante. Gosto de aventuras, gosto de visuais 2D com um pixel art bem detalhado e gosto da temática cyberpunk, e Tales of the Neon Sea é um jogo sólido o suficiente para me ter proporcionado bons momentos.
Tempo agora de voltar à Super Nintendo para mais uma adaptação do clássico Prince of Persia, que acabou por se destacar das restantes dezenas de conversões, não só pela qualidade da adaptação em si, mas também por todo o conteúdo adicional incluído. Este jogo também me surpreendeu quando descobri que a Konami apenas o publicou no ocidente, nada tendo a ver com o seu desenvolvimento. Esta versão foi, sim, desenvolvida por um estúdio nipónico mais pequeno, a Arsys, que já havia sido responsável por outras versões do jogo para computadores japoneses. O meu exemplar foi comprado recentemente numa loja aqui no Norte do país por cerca de 40€.
Jogo com caixa, manual e papelada
A história e o conceito não mudam desde a versão original. O feiticeiro Jaffar aproveita a ausência do Sultão para tomar o poder e fazer um ultimato à princesa: ou esta casa-se com Jaffar, ou morre dentro de uma hora, com Jaffar a invocar uma ampulheta que, dramaticamente, vai informando a princesa do tempo que lhe resta. Em paralelo, o protagonista do jogo, interesse amoroso da princesa, é capturado e atirado para as masmorras do palácio. O objectivo é claro: procurar uma espada para nos defendermos dos guardas que patrulham as masmorras e ultrapassar toda uma série de obstáculos, armadilhas mortais e corredores labirínticos para salvar a princesa dentro do tempo limite. Tendo em conta todo o conteúdo extra introduzido por esta versão, o tempo disponível para salvar a princesa foi aumentado para duas horas.
O combate mantém as mesmas bases: um botão para atacar, outro para defender
Uma das novidades imediatamente notórias é um novo modo de jogo de treino. Apesar de não termos quaisquer instruções sobre como proceder, este modo é composto por um conjunto de níveis sem qualquer limite de tempo, com novos perigos e mecânicas a serem introduzidos progressivamente. O primeiro destes níveis não tem quaisquer perigos, o segundo já começa a apresentar abismos com altura suficiente para nos causar dano, enquanto o terceiro introduz abismos mortais e outras armadilhas. O quarto nível acrescenta ainda mais perigos diferentes, enquanto o quinto e último nível já inclui também combates. É uma forma bastante interessante de nos familiarizarmos com as exigências do jogo, sobretudo porque Prince of Persia é um daqueles títulos em que dominar os movimentos da personagem é fundamental.
Podemos também encaminhar os inimigos para uma armadilha, algo que fiz muitas vezes!
No que diz respeito ao modo de jogo principal, esta conversão para a Super Nintendo possui, para além de algumas adaptações dos níveis conhecidos, mais uns quantos níveis inteiramente novos, elevando o total para 20. Também por essa razão houve a necessidade de aumentar o tempo limite para duas horas. É que, perto do final, há níveis bastante labirínticos e repletos de interruptores que precisam de ser accionados numa determinada sequência para podermos progredir, algo que nos levará algum tempo a compreender e, sobretudo, a memorizar. Felizmente, entre níveis vão-nos sendo atribuídas passwords para facilitar o progresso. Para além das novas áreas, esta versão inclui também novas armadilhas e inimigos. Desde lâminas de fogo, guerreiras amazonas e soldados fortemente armadurados, até monstros gigantes com seis braços, muitos destes novos confrontos funcionam também como uma espécie de mini-bosses que teremos de derrotar para podermos prosseguir.
Um boss como este confesso que não estava à espera
Já no que toca aos controlos, contem com o mesmo tipo de mecânicas de jogo da versão original. Prince of Persia é um título com um grande foco na precisão dos movimentos. Um passo em falso ou uma corrida iniciada no ponto errado do ecrã podem ser uma sentença de morte antecipada. Isto porque as passadas de corrida e os saltos estão intimamente ligados às animações da personagem. É impossível mudar de direcção depois de pressionarmos o botão de salto e, quando corremos, devemos parar alguns momentos antes de a animação da passada terminar. Existem ainda botões que nos permitem caminhar passo a passo, algo que teremos de utilizar muitas vezes ao longo do jogo. É uma abordagem que pode parecer algo rígida nos dias de hoje, mas que faz parte da identidade de Prince of Persia e exige que aprendamos exactamente como a personagem se movimenta.
Visualmente é uma versão muito interessante pelo detalhe gráfico e conteúdo adicional
Já passando para os audiovisuais, a Arsys esteve muito bem neste campo também. Não só é uma versão visualmente bastante competente, como as novas áreas de jogo estão também bem detalhadas e animadas, com bonitos efeitos de parallax scrolling e alguns cenários inteiramente novos. Tudo isto é acompanhado por belíssimas melodias de inspiração árabe e por algumas cenas ocasionais que, apesar de muito simples, ajudam a fazer avançar a narrativa de uma forma bastante óbvia.
A narrativa vai sendo acompanhada de cenas minimalistas, porém bastante icónicas
Prince of Persia na Super Nintendo é, portanto, maior e melhor do que qualquer versão que o antecedeu e continua a resistir muito bem ao teste do tempo. Continua a ser, nos dias de hoje, uma das melhores, senão mesmo a melhor, formas de jogar este clássico. A Arsys está de parabéns por não só ter construído uma conversão extremamente sólida, mas também por a ter expandido consideravelmente, acrescentando conteúdo suficiente para tornar esta versão particularmente interessante até para quem já tenha jogado as versões originais nos computadores do final dos anos 80.
Depois do ambicioso, porém imperfeito, Sherlock Holmes Chapter One, a Frogwares decidiu criar um remake de Sherlock Holmes: The Awakened, uma interessantíssima aventura gráfica que misturava as típicas mecânicas de detective com o horror lovecraftiano do mito de Cthulhu. Curiosamente, The Awakened já havia recebido um outro relançamento na forma de um remaster, que acrescentou novas mecânicas de jogo, e foi essa a versão que joguei anteriormente. Este artigo irá então incidir principalmente nas novidades introduzidas pelo remake, que acabei por jogar na Nintendo Switch, o que se revelou, infelizmente, uma decisão bastante infeliz. Isto deveu-se ao facto de a versão Switch, tanto quanto tenho conhecimento, ter sido a única que recebeu um lançamento físico, uma vez mais exclusivo do mercado sul-coreano e publicado pela IntraGames. O meu exemplar veio do eBay algures durante o primeiro trimestre deste ano, por cerca de 50€.
Jogo com caixa, lançamento físico exclusivo para a Coreia do Sul.
Em suma, este remake de The Awakened utiliza (quase) todas as mecânicas introduzidas pelo Chapter One para recontar a mesma história do jogo original. Sherlock começa por investigar o desaparecimento, em Londres, de várias pessoas de etnias incomuns, o que nos levará a visitar outros locais, como um asilo para doentes mentais nos Alpes suíços ou a zona pantanosa dos Bayous de Nova Orleães, enquanto vamos descobrindo a existência de um culto sinistro que parece estar envolvido nesses desaparecimentos. A própria sanidade mental de Sherlock Holmes será posta em causa com o decorrer do jogo, algo que tenho a ideia de que também acontecia no lançamento original, embora não da mesma forma. Aqui, ocasionalmente, somos levados para uma outra dimensão, onde teremos de resolver uma série de puzzles ambientais para escapar, ficando a questionar-nos se Sherlock realmente vivenciou essa experiência ou se não terá sido tudo uma alucinação. Não me recordo de isto acontecer na versão original.
As sequências de imaginação onde teremos de deduzir a ordem de certos acontecimentos, estão agora melhor implementadas e quando falhamos uma dedução, o jogo indica-nos os pontos de falha.
Uma das novidades trazidas pelo Chapter One era o seu mundo aberto, onde poderíamos inclusivamente, tal como em muitos outros jogos deste género, cumprir toda uma série de objectivos secundários, tipicamente pequenos casos de investigação, e obter uns quantos coleccionáveis. Aqui não temos um mundo aberto, mas cada capítulo decorre numa área específica que é, tipicamente, grande o suficiente para desbloquear múltiplos pontos de fast travel à medida que exploramos os mapas. Também existem alguns casos opcionais, embora a maioria esteja por detrás de um DLC pago. Já os coleccionáveis vão sendo desbloqueados naturalmente com o decorrer do jogo, à medida que vamos resolvendo puzzles e investigando novas pistas. Estes podem ser meramente cosméticos, como novas roupas ou penteados para Sherlock e Watson, mas também incluem modelos poligonais interactivos ou pequenas imagens de arte conceptual.
Infelizmente, a versão Switch fica muito aquém das expectativas a nível audiovisual e técnico
No que toca às mecânicas de jogo, estas são também muito similares às introduzidas pelo Chapter One. Isto quer dizer que, nas mecânicas de aventura, vamos obtendo toda uma série de pistas e objectivos no nosso bloco de notas e muitos deles, para serem “resolvidos”, vão-nos obrigar a tomar uma série de acções, cujos ícones acima de cada pista nos podem ajudar a identificar. Existem pistas que nos obrigam a fazer pinning para que sejam o nosso foco de investigação, outras podem ser resolvidas ao falar com certas pessoas e outras apenas através das mecânicas de concentração ou de dedução. Felizmente, ainda me lembrava desses detalhes do Chapter One, pelo que não tive grandes problemas em avançar. No entanto, o maior calcanhar de Aquiles do Chapter One estava precisamente nas suas sequências de acção, que, apesar de continuarem a ser um problema neste Awakened, praticamente não existem e foram reduzidas a quick time events. É uma solução que, pelo menos neste caso, acaba por funcionar melhor do que os combates do jogo anterior.
Já no que toca aos audiovisuais, o Chapter One representou um salto gráfico bastante considerável, apesar de ter ainda muitas imperfeições ao nível da estabilidade e, principalmente, do detalhe e das animações das personagens. Este Awakened parece-me utilizar o mesmo motor gráfico, mas como tive a infelicidade de o jogar na Nintendo Switch, fiquei com a pior opção possível. Imaginem um jogo de PC moderno com os gráficos no mínimo e jogado com um CPU abaixo dos requisitos mínimos. Tive imensos problemas de performance, particularmente quando explorava zonas mais ricas em detalhe, como a baixa londrina ou Nova Orleães, para além de os gráficos serem consideravelmente piores do que nas restantes versões, ao ponto de me fazer questionar se não deveria antes piratear o jogo e jogá-lo no PC. Por outro lado, ao menos o som e o voice acting continuam impecáveis. A banda sonora mantém a atmosfera adequada à aventura e a interpretação vocal continua a ser, como seria de esperar, um dos pontos fortes da produção.
Apesar do nevoeiro digno de uma Nintendo 64, adorei a referência ao Moskva
Portanto, este Sherlock Holmes: The Awakened é um remake que reconta uma das histórias mais interessantes de toda a série Sherlock Holmes, pela mistura de conceitos de um jogo de detectives com toda a componente de terror de H.P. Lovecraft. No entanto, apesar do aspecto mais moderno, que é muito bem-vindo (algo que não acontece nesta versão Switch devido às limitações do sistema), a verdade é que o jogo me pareceu bastante mais simplificado, principalmente nos puzzles, na análise forense e nas deduções lógicas que habitualmente teríamos de fazer. Fica a sensação de que o desenvolvimento do jogo foi algo apressado, o que infelizmente também se compreende, dado que a Frogwares é um estúdio ucraniano cujo país continua a lidar com uma invasão russa. É uma situação que a própria Frogwares reconhece e eu próprio não consegui conter um certo sorriso perante uma situação que acontece neste jogo: quando exploramos as docas londrinas, há um navio carregado de salitre que explode no cais. “Um potencial acidente causado por alguém a fumar próximo da carga”, diz Watson. O navio chama-se Moskva. Slava Ukraini.
Ora cá está um artigo há muito pendente. Fui desafiado, no início de Abril deste ano, no âmbito da rubrica Backlog Battlers do podcast TheGamesTome, a jogar este Cuphead, um brilhante, porém super exigente, jogo indie. No entanto, este desafio surgiu numa altura complicada da minha vida profissional, onde o elevado stress causado pelo trabalho não me permitiu ter não só o tempo livre, como as condições mentais necessárias para o conseguir terminar a tempo, pelo que partilhei as minhas impressões iniciais e comprometi-me a ir jogando-o, ocasionalmente, durante os meses seguintes. O meu exemplar foi comprado no final de 2022 na Worten por cerca de 37€, por alturas em que o jogo acabou por receber um lançamento físico que incluía também o seu DLC, The Delicious Last Course. E, como costumo fazer sempre que cá trago um jogo do Backlog Battlers, deixo-vos abaixo o vídeo onde me poderão ouvir a falar sobre o mesmo.
É impossível não começar pela direcção artística que Cuphead nos apresenta. Tudo neste jogo parece retirado de um desenho animado dos anos 30, com um estilo artístico muito próximo das obras de Walt Disney dessa época, animações soberbas e uma banda sonora igualmente inspirada nesse período: todo o jogo é acompanhado por música jazz interpretada por uma big band, como se estivéssemos num clube nocturno daqueles tempos. Não só os desenhos e estilo artístico remetem para essa nostalgia: a própria narrativa, voice acting ocasional (como o narrador que apresenta cada nível), a grafia dos tipos de letra e logotipos, tudo remete para esses anos 30. Os filtros gráficos que simulam as imperfeições da película remetem-nos imediatamente para uma sala de cinema, pelo que a atenção da MDHR a todo este detalhe audiovisual é sem dúvida notável. Já para não mencionar toda a criatividade que tiveram em relação a todos os cenários e inimigos que iremos encontrar!
Jogo com caixa, pequenos cartões de banda desenhada e um cartão de um clube fictício
A história gira em torno de dois irmãos com uma cabeça na forma de uma chávena de chá: Cuphead e Mugman. Estes jovens decidiram visitar o casino local, gerido nada mais nada menos que pelo próprio Diabo e, claro, as coisas não poderiam terminar bem. Após uma aposta arriscada, os irmãos perdem as suas almas para o Diabo. Desesperados, procuram negociar uma outra forma de saldar a sua dívida, pelo que o Diabo lhes propõe antes o seguinte: viajar pelas Ilhas Inkwell, confrontar outras criaturas devedoras e coleccionar as suas almas.
Em suma, Cuphead é um jogo de acção à moda antiga com três tipos de níveis: run ‘n gun como os Contra/Metal Slug, confrontos contra bosses, ou segmentos de shmup, onde a nossa personagem se transforma num avião. Em qualquer uma destas variantes, a memorização de padrões é essencial, mais do que os reflexos rápidos. Mas os padrões podem mudar, pois os bosses não usam os mesmos ataques pela mesma ordem. Identificar animações chave e reagir atempadamente é parte da chave para o sucesso! A outra é mesmo a persistência, algo que é fortemente encorajado sempre que falhemos nalgum nível. O ecrã de fim de nível apresenta sempre um gráfico do quanto nos faltava para completar um nível ou derrotar um boss, o que nos vai dando alguma motivação extra quando percebemos que conseguimos avançar um pouco mais desde a última vez. Pelo menos até ao cansaço se instalar, todas as novas tentativas ficam cada vez pior e decidimos desligar a consola para repetir o ciclo no dia seguinte e, com sorte, passar o nível à primeira ou segunda tentativa.
Este nível com os inversores de gravidade foi um cabo dos trabalhos!
No que diz respeito aos controlos, por defeito os botões faciais servem para saltar (temos auto fire por defeito), disparar, usar specials e fazer dash, enquanto o botão L nos permite alternar entre armas equipadas e o R trancar a nossa direcção de disparo. Os segmentos de shmup possuem controlos ligeiramente diferentes, onde se destaca a possibilidade de, com o pressionar de um botão, encolher a nossa personagem para melhor nos desviarmos dos projécteis e inimigos. Claro que com isso também causamos menos dano. Mas os controlos podem ser mudados livremente e isso pode ser algo que queiram considerar fazer. Mudar o botão de disparo para um dos gatilhos pode ser uma grande ajuda, pois é frequente termos de saltar, disparar e usar dash em simultâneo e manter um dos dedos ocupados com um dos gatilhos pressionados para disparar constantemente, liberta um polegar que mais facilmente alterna entre saltar e usar a habilidade de dash. Também temos uma habilidade de parry, habilidade de parry, executada ao pressionar o botão de salto quando estivermos prestes a tocar em objectos ou projécteis cor-de-rosa. Os parries servem não só para prolongar o salto, mas também para mais rapidamente encher a barra dos specials. Quando esta estiver completamente cheia, podemos utilizar uma super art, que precisa de ser desbloqueada primeiro ao completar os níveis nos mausoléus. Estas Super Arts podem ser ataques muito poderosos ou invencibilidade temporária, ambos extremamente úteis em certos segmentos.
O jogo suporta multiplayer cooperativo, mas algo me diz que isso não o torna mais fácil.
Os níveis run-and-gun apesar de não serem obrigatórios para concluir o jogo, são fortemente recomendados, pois é aqui onde poderemos coleccionar a maior parte das moedas, necessárias para comprar toda uma série de power ups diferentes, desde novas armas, ou charms que nos conferem certas habilidades passivas/defensivas. Existem muitas variedades de armas, desde o habitual spread shot, onde podemos disparar projécteis em leque, outros que são completamente teleguiados, outros que disparam projécteis em arco, entre outros. Existe, no entanto, sempre um trade-off a considerar. O spread shot em teoria é muito útil, mas o dano infligido é menor que a arma normal e o alcance extremamente reduzido, pelo que teremos de estar muito mais próximo do perigo para tirar proveito dessa arma. Os projécteis teleguiados são extremamente úteis, mas causam muito menos dano que outras armas, por exemplo. Ainda assim, todos eles serão úteis em certas circunstâncias e o jogo permite-nos, antes de cada nível, equipar 2 dessas armas e alternar livremente entre ambas. Os charms são bastante úteis e apenas poderemos ter um equipado, mas muitas vezes também trazem contrapartidas. Por exemplo, o smoke bomb deixa-nos invencíveis durante o dash, mas em contrapartida ficamos também invisíveis durante esse movimento, o que pode complicar as coisas em segmentos com platforming mais exigente. Outros charms permitem-nos extender a barra de vida, mas a troco de causar menos dano. A lata de café permite-nos encher a barra de special mais rapidamente, já outros itens possuem habilidades que facilitam ou expandem as possibilidades dos parries.
Ocasionalmente temos também uns níveis shmup, muito criativos, por sinal!
Portanto, todo este pacote resulta num jogo bastante bem feito. É exigente sim, e muito, mas não é frustrante ao ponto de as culpas serem atribuídas a problemas de mecânicas ou performance em si. Tudo funciona lindamente, os controlos respondem bem e o sistema de power ups é bastante robusto, obrigando-nos não só a memorizar padrões, mas também a experimentar novas estratégias mediante o desafio que nos é apresentado. E uma vez mais, é impossível não ficar rendido a toda a originalidade e criatividade que o jogo nos apresenta. Os bosses são incrivelmente variados entre si e muitas vezes os níveis apresentam-nos mecânicas completamente novas. Por exemplo, há um nível onde temos de frequentemente trocar a gravidade através do uso do parry em certos interruptores (foi de longe o nível de plataforma que mais trabalho me deu) e o jogo tem até algumas situações onde os bosses chamam sub-bosses que costumam ser muito diferentes entre cada tentativa. Isso acontece com a Baroness Von Bon Bon no nível do teatro (que é extremamente criativo) e no confronto contra o King Dice, onde até conseguiram introduzir um pequeno jogo de tabuleiro.
Visualmente falando, é um jogo super criativo e cheio de surpresas! Muitas pessoas podem nem chegar a ver este boss, por exemplo.
Mas esta versão traz também o DLC The Delicious Last Course confesso que gostaria de ter sabido mais cedo de algumas das funcionalidades que este DLC também disponibiliza para a aventura principal. O DLC leva-nos numa nova aventura, onde tentaremos ajudar a Ms. Chalice, a mesma personagem fantasma que nos dá as Super Arts se conseguirmos sobreviver aos seus desafios nos mausoléus da aventura principal. Todo o DLC passa-se numa ilha inteiramente nova e o o objectivo passa por recolher uma série de ingredientes para cozinhar um bolo especial e que a consiga trazer de volta à vida. Uma vez iniciado o DLC, Ms. Chalice dá-nos o Astral Cookie, um charm especial que nos permite controlá-la, em vez de Cuphead (ou Mugman caso estejamos a jogar em modo cooperativo). Ms. Chalice por si só tem toda uma série de habilidades únicas: tem nativamente uma barra de vida maior, pode efectuar um salto duplo, a sua mecânica de parry consiste em fazer dash nos projécteis cor-de-rosa, que acaba por ser mais simples de executar e tem ainda uma habilidade de rebolar, tornando-se invencível (mas não invisível) durante esse movimento. Na sua forma de avião, os seus projécteis normais são disparados em forma de leque com um alcance normal, o que por si só é também bastante vantajoso. Esse charm pode ser utilizado no jogo principal e eu gostava de ter sabido disso mais cedo! Basicamente, jogar com a Ms. Chalice é o equivalente a jogar com a Maria no Castlevania Rondo of Blood, tornando o jogo consideravelmente mais fácil (mas ainda bastante desafiante).
Para além da nova personagem jogável, contem com mais uns quantos bosses super criativos, bem como novas armas e charms. Para ganhar dinheiro para comprar esse novo equipamento, temos agora novos desafios. Em vez dos tradicionais níveis run ‘n gun temos uma série de desafios propostos pelo King of Games onde não poderemos contar com armas e charms, mas apenas as nossas habilidades de parry para derrotar uns quantos bosses.
Os Super Arts apenas podem ser desencadeados quando tivermos a barra de special cheia. Mas primeiro precisamos de os desbloquear!
Portanto devo dizer que adorei Cuphead. Para além de ser um jogo visualmente excelente pelo estilo artístico e toda a criatividade em bosses e cenários, a verdade é que apesar de ser um jogo muito exigente, é também bastante divertido de se jogar e mecanicamente funciona muito bem. “Só mais uma tentativa para derrotar este boss” e quando damos por nós já passam das duas da manhã. Fico contente pelo jogo ter recebido, ao fim de vários anos, o lançamento físico que merece. A equipa da MDHR anunciou no último Summer Games Fest que estão a fazer um novo jogo, apesar de ainda muito pouco se saber do mesmo. Mas aproveitaram também para anunciar que estão a fazer ainda um outro título mais pequeno, com um aspecto 8bit, a sair mais cedo. Aparentemente estará a ser desenvolvido tendo as especificações da Sega Master System como referência, pelo que estou muito curioso para ver mais deste pequeno projecto.
Um dos meus objectivos de coleccionismo para este ano é o de ir atrás de vários jogos de Super Nintendo que já havia jogado (e terminado) no passado através de emulação. Foi o que fiz com o Terranigma ou o primeiro ActRaiser, curiosamente ambos os títulos produzidos pela Quintet e publicados pela Enix. Sendo praticamente todos títulos muito procurados por coleccionadores, nenhum destes jogos é propriamente barato, pelo que o esforço financeiro para os obter é notável. Felizmente a Nintendo relançou o Super Mario RPG e a Square Enix fez o mesmo com vários dos seus jogos deste período (como foi o caso do Chrono Trigger). Já títulos como o EarthBound serão muito difíceis de colmatar.
Jogo com caixa, manual e mapa
ActRaiser 2 coloca-nos uma vez mais no papel de uma divindade pronta a ajudar a humanidade, após o demónio Tanzra, derrotado no final do primeiro jogo, ter regressado e, em conjunto com as suas forças infernais, ter aterrorizado toda a população uma vez mais. Mas se o ActRaiser era um jogo muito original por misturar conceitos de city building com os de um jogo de acção em 2D sidescroller, nesta sequela, a Quintet/Enix decidiram focar-se inteiramente nos segmentos de acção. Apesar de ainda termos um sky palace que nos permite deslocar pelo mapa e interagir com as diferentes civilizações, isto serve apenas para nos dar um contexto do que aflige as povoações locais, para que depois desçamos à terra para os segmentos de acção.
O jogo está repleto de bonitos efeitos gráficos, como as transparências deste nível aquático
É uma pena que tenham sacrificado o que tornava a prequela num título muito distinto, mas pelo menos melhoraram consideravelmente os segmentos de acção. Tal como no seu predecessor, a divindade que controlamos começa por possuir uma estátua de um guerreiro, mas estamos agora dotados de muitos mais movimentos, a começar pela possibilidade de atacar em múltiplas direcções. Ao saltar, temos também a possibilidade de efectuar saltos duplos ou planar pelo ar, bem como executar um poderoso dive attack, que nos obriga a pressionar para baixo e no botão de ataque enquanto saltamos. A nossa personagem possui igualmente um escudo, que nos obriga a permanecer estáticos para o activar. O sistema de magias foi também revisto, obrigando-nos agora a manter o botão de ataque pressionado até que a nossa personagem comece a brilhar. Existem diferentes magias, mas o método utilizado para seleccionar aquela que queremos lançar está longe de ser intuitivo. Basicamente, enquanto tivermos a personagem a brilhar, consoante a acção que realizarmos, a magia que activarmos (assim que largamos o botão de ataque) será diferente. Por exemplo, se simplesmente estivermos estáticos, ao largar o botão de ataque disparamos uma bola de fogo com a nossa espada. Se por outro lado pressionarmos para cima, largamos três bolas de energia numa trajectória em arco assim que largarmos o botão. Existem outras possibilidades, como o poderoso ataque da fénix, que nos obriga a fazer um dive para o activar. O comando da Super Nintendo possui bastantes botões que não possuem qualquer uso, pelo que haveria seguramente uma melhor forma de seleccionar que tipo de magia gostaríamos de activar.
Alguns dos bosses estão incrivelmente bem detalhados!
Portanto, todas estas novas possibilidades vêm também com uma curva de aprendizagem elevada e os níveis em si vão sendo consideravelmente desafiantes, não só pelo posicionamento dos inimigos, mas também das diferentes plataformas, obrigando-nos a utilizar ao máximo todas estas habilidades. Espalhados pelos níveis, vamos ter igualmente vários objectos que podem ser partidos em busca de alguns power ups, que tanto nos podem restabelecer a nossa barra de vida, como a de magia. A maior parte dos níveis pode ser visitada por qualquer ordem, pelo que o jogo ganha também esse elemento de não-linearidade. O progresso é gravado através de um sistema de passwords e, ao contrário do antecessor, não existem quaisquer habilidades desbloqueáveis, pelo que a ordem pela qual abordamos cada nível é, de facto, indiferente.
Apesar de podermos mover o Sky Palace pelo mapa, não existem quaisquer elementos de simulação. Podemos no entanto abordar cada nível pela ordem que quisermos.
O outro aspecto que ActRaiser 2 faz muito bem é mesmo toda a sua componente audiovisual. Graficamente é sem dúvida um dos jogos mais bonitos da Super Nintendo. Os cenários, para além de serem bastante variados entre si, com florestas, montanhas, cavernas, castelos ou outras fortalezas para explorar, são também muito bem detalhados, com um óptimo uso de cor e de efeitos especiais como transparências e parallax scrolling. As sprites como um todo são igualmente grandes, bem detalhadas e animadas. Sobre os efeitos sonoros, nada de especial a apontar pois cumprem bem o seu papel. A banda sonora, no entanto, volta a ser composta pelo mestre Yuzo Koshiro que, tal como no primeiro ActRaiser (e contrariamente ao que fez em clássicos como The Revenge of Shinobi ou Streets of Rage), aposta muito mais em melodias épicas e orquestrais, o que se adequa perfeitamente à atmosfera que o jogo tenta transparecer. Não é por acaso que controlamos uma divindade em confronto com forças infernais, logo a banda sonora acaba por fazer muito sentido aqui.
A recta final do jogo possui uma atmosfera bem mais pesada do que estava à espera.
Portanto este ActRaiser 2 é um jogo muito diferente do que esperaria. A componente de city building, embora algo rudimentar no primeiro jogo, era precisamente o elemento que mais o distinguia dentro da biblioteca da Super Nintendo. A decisão de abandonar por completo essa vertente de simulação na sequela continua a parecer-me uma decisão difícil de compreender, no entanto, como um sidescroller 2D, este ActRaiser 2 acaba por ser bastante competente, não só pela jogabilidade expandida, como pela componente gráfica muito mais forte. As novas mecânicas de jogo requerem no entanto uma curva de aprendizagem maior, esperem que este jogo seja significativamente mais desafiante.