Tempo agora de voltar à Super Nintendo para mais uma adaptação do clássico Prince of Persia, que acabou por se destacar das restantes dezenas de conversões, não só pela qualidade da adaptação em si, mas também por todo o conteúdo adicional incluído. Este jogo também me surpreendeu quando descobri que a Konami apenas o publicou no ocidente, nada tendo a ver com o seu desenvolvimento. Esta versão foi, sim, desenvolvida por um estúdio nipónico mais pequeno, a Arsys, que já havia sido responsável por outras versões do jogo para computadores japoneses. O meu exemplar foi comprado recentemente numa loja aqui no Norte do país por cerca de 40€.
A história e o conceito não mudam desde a versão original. O feiticeiro Jaffar aproveita a ausência do Sultão para tomar o poder e fazer um ultimato à princesa: ou esta casa-se com Jaffar, ou morre dentro de uma hora, com Jaffar a invocar uma ampulheta que, dramaticamente, vai informando a princesa do tempo que lhe resta. Em paralelo, o protagonista do jogo, interesse amoroso da princesa, é capturado e atirado para as masmorras do palácio. O objectivo é claro: procurar uma espada para nos defendermos dos guardas que patrulham as masmorras e ultrapassar toda uma série de obstáculos, armadilhas mortais e corredores labirínticos para salvar a princesa dentro do tempo limite. Tendo em conta todo o conteúdo extra introduzido por esta versão, o tempo disponível para salvar a princesa foi aumentado para duas horas.
Uma das novidades imediatamente notórias é um novo modo de jogo de treino. Apesar de não termos quaisquer instruções sobre como proceder, este modo é composto por um conjunto de níveis sem qualquer limite de tempo, com novos perigos e mecânicas a serem introduzidos progressivamente. O primeiro destes níveis não tem quaisquer perigos, o segundo já começa a apresentar abismos com altura suficiente para nos causar dano, enquanto o terceiro introduz abismos mortais e outras armadilhas. O quarto nível acrescenta ainda mais perigos diferentes, enquanto o quinto e último nível já inclui também combates. É uma forma bastante interessante de nos familiarizarmos com as exigências do jogo, sobretudo porque Prince of Persia é um daqueles títulos em que dominar os movimentos da personagem é fundamental.
No que diz respeito ao modo de jogo principal, esta conversão para a Super Nintendo possui, para além de algumas adaptações dos níveis conhecidos, mais uns quantos níveis inteiramente novos, elevando o total para 20. Também por essa razão houve a necessidade de aumentar o tempo limite para duas horas. É que, perto do final, há níveis bastante labirínticos e repletos de interruptores que precisam de ser accionados numa determinada sequência para podermos progredir, algo que nos levará algum tempo a compreender e, sobretudo, a memorizar. Felizmente, entre níveis vão-nos sendo atribuídas passwords para facilitar o progresso. Para além das novas áreas, esta versão inclui também novas armadilhas e inimigos. Desde lâminas de fogo, guerreiras amazonas e soldados fortemente armadurados, até monstros gigantes com seis braços, muitos destes novos confrontos funcionam também como uma espécie de mini-bosses que teremos de derrotar para podermos prosseguir.
Já no que toca aos controlos, contem com o mesmo tipo de mecânicas de jogo da versão original. Prince of Persia é um título com um grande foco na precisão dos movimentos. Um passo em falso ou uma corrida iniciada no ponto errado do ecrã podem ser uma sentença de morte antecipada. Isto porque as passadas de corrida e os saltos estão intimamente ligados às animações da personagem. É impossível mudar de direcção depois de pressionarmos o botão de salto e, quando corremos, devemos parar alguns momentos antes de a animação da passada terminar. Existem ainda botões que nos permitem caminhar passo a passo, algo que teremos de utilizar muitas vezes ao longo do jogo. É uma abordagem que pode parecer algo rígida nos dias de hoje, mas que faz parte da identidade de Prince of Persia e exige que aprendamos exactamente como a personagem se movimenta.
Já passando para os audiovisuais, a Arsys esteve muito bem neste campo também. Não só é uma versão visualmente bastante competente, como as novas áreas de jogo estão também bem detalhadas e animadas, com bonitos efeitos de parallax scrolling e alguns cenários inteiramente novos. Tudo isto é acompanhado por belíssimas melodias de inspiração árabe e por algumas cenas ocasionais que, apesar de muito simples, ajudam a fazer avançar a narrativa de uma forma bastante óbvia.
Prince of Persia na Super Nintendo é, portanto, maior e melhor do que qualquer versão que o antecedeu e continua a resistir muito bem ao teste do tempo. Continua a ser, nos dias de hoje, uma das melhores, senão mesmo a melhor, formas de jogar este clássico. A Arsys está de parabéns por não só ter construído uma conversão extremamente sólida, mas também por a ter expandido consideravelmente, acrescentando conteúdo suficiente para tornar esta versão particularmente interessante até para quem já tenha jogado as versões originais nos computadores do final dos anos 80.






