The Secret of Monkey Island Special Edition (PC)

Finalmente lá me decidi a jogar este grande clássico das aventuras gráficas. Produzido originalmente pela Lucasarts em 1990, o The Secret of Monkey Island é uma aventura gráfica 2D do estilo point and click, com uma narrativa muito bem humorada e repleta de personagens memoráveis. Foi um jogo de grande sucesso dentro do seu género, com múltiplas versões a serem lançadas incluindo microcomputadores como o Atari ST, Commodore Amiga ou até o nipónico FM Towns. A Mega CD foi a única consola a receber uma conversão deste jogo, embora essa versão se tenha ficado unicamente por solo norte-americano. Anos mais tarde a Lucasarts decide criar remakes dos dois primeiros jogos, lançando-os na compilação Monkey Island: Special Edition Collection e foi essa a versão que joguei pois é a única que tenho actualmente na colecção. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Dezembro no ebay por cerca de 30€. Lembro-me de ver este jogo a 10 ou 15€ novo na extinta Game e esperar que baixasse para os 3/5€, como muitos outros jogos de PC que por lá comprei, mas infelizmente a certo ponto o jogo desapareceu ou a loja fechou e nunca mais me lembrei do mesmo.

Colectânea que traz os remakes dos primeiros dois jogos da série

Edit: Recentemente comprei também na vinted uma compilação que traz nada mais nada menos que 10 aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, incluindo uma versão DOS (floppy disk) do Monkey Island original. É um lançamento exclusivo do mercado holandês (apesar de os jogos em si estarem em inglês). É também apenas a jewel case de um pacote maior em big box, mas mesmo assim achei que seria uma boa compra visto todos estes jogos da Lucasarts terem preços proibitivos actualmente.

Compilação com muitas aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, exclusiva para o mercado holandês. Infelizmente, tirando o Sam and Max que é o único jogo do segundo CD, todas as outras versões aqui disponíveis parecem ser as de disquete.

E o jogo coloca-nos no papel de Guybrush Threepwood, um jovem aspirante a pirata que visita à ilha de Mêlée Island em busca de uma oportunidade. Eventualmente lá teremos de falar com “três importantes piratas” que nos obrigam a completar três desafios para sermos considerados piratas: derrotar a melhor espadachim da ilha, roubar um objecto valioso da mansão da governadora e claro, descobrir um tesouro escondido. Depois de completarmos os três objectivos algo acontece: o capitão pirata fantasma LeChuck e sua tripulação espectral invadem a ilha e raptam a governadora, levando-a para a misteriosa Monkey Island. Naturalmente que teremos também de arranjar forma de lá chegar e arruinar os seus planos!

É incrível, mas não há cá NPCs fracos. É fácil vermos que estamos perante um jogo com um bom sentido de humor quando o vigia da cidade é meio cego

Ora este é uma aventura gráfica do estilo point and click, tal como referi acima. Na incarnação original toda a interface era feita pelo rato onde na parte inferior do ecrã teríamos disponíveis uma série de verbos como caminhar, observar, falar, apanhar entre outros, assim como o inventário. Então o grosso da jogabilidade traduzia-se em seleccionar o verbo apropriado e com o ponteiro do rato clicar onde o quiséssemos aplicar, incluindo os próprios objectos do inventário. O remake possui uma funcionalidade de alternar em tempo real para o jogo original e a sua versão moderna. Nesta última a interface foi ligeiramente modificada com acções pré-determinadas a surgirem no canto inferior esquerdo e direito do ecrã (traduzindo-se para os botões esquerdo e direito do rato) e estas acções mudam consoante a zona onde passamos o cursor do rato. Por exemplo, passando o rato por uma porta, tipicamente a acção do botão esquerdo é “caminhar para a porta”, enquanto que a do lado direito é “abrir porta”. Para seleccionar outras acções podemos alternar entre as mesmas com a scrolling wheel, pressionar a tecla V para mostrar uma janela com todos os verbos disponíveis ou simplesmente pressionar as suas teclas de atalho como O de Open, P de Pick up, L de Look e por aí fora.

Alguns dos puzzles são bastante bizarros, outros algo frustrantes, mas outros ainda bem originais, como este “mapa do tesouro”.

Este jogo tem também a particularidade de ir um pouco contra a tendência das aventuras da Sierra, onde poderíamos morrer ao mínimo erro. Aqui as situações onde podemos morrer e obrigatoriamente recarregar o nosso último save são mínimas e não muito fáceis de obter, pelo que poderemos jogar um pouco mais descansados. Tem no entanto alguns puzzles fora do comum e por vezes irritantes, como quando precisamos de assaltar um cofre, ou transportar grog pela cidade para libertar um prisioneiro. A ideia é que o grog (bebida alcoólica preferida destes piratas) é altamente corrosivo e poderá então ser usado para dissolver a fechadura da cela. Mas para isso teremos de o transportar em canecas que rapidamente também se dissolvem. A solução é caminhar rapidamente pela cidade e verter o líquido de caneca em caneca, o que é um pouco atabalhoado de se fazer com esta nova interface. Outros puzzles são incrivelmente originais. Para nos tornarmos piratas teremos de derrotar um mestre espadachim. Naturalmente temos zero habilidade para isso então precisamos primeiro de treinar o combate. O nosso treinador, depois de uma aula básica de luta com espadas diz-nos que a chave para o sucesso é insultar o oponente e responder adequadamente aos insultos que nos lançam. Um exemplo que nos dá: se um pirata nos diz “you fight like a dairy farmer” (tu lutas como um produtor de leite) a nossa resposta deverá ser “How appropriate. You fight like a cow” (Que apropriado. Tu lutas como uma vaca). A partir dessa altura iremos passar a encontrar vários piratas a passearem-se pela ilha. Quando estes se cruzam connosco a ideia será precisamente a de treinarmos estes insultos e as suas respostas, com muitos trocadilhos e punchlines deliciosos. Quando já soubermos de insultos suficientes e suas respostas, lá somos convidados a enfrentar o mestre.

Apesar de alguma da arte das novas personagens, particularmente a de Guybrush, ser horrível, felizmente poderemos alernar para o jogo antigo em tempo real a qualquer momento

No que diz respeito ao aspecto gráfico, vamos fazer aqui um pequeno enquadramento: a versão original deste jogo sai apenas com suporte a gráficas EGA (16 cores em simultâneo no ecrã), sendo posteriormente lançada uma versão VGA mais colorida e os retratos ampliados das personagens com quem vamos dialogando são agora mais realistas. Posteriormente essa versão é relançada em formato CD, com uma nova banda sonora em CD audio a acompanhar. Qualquer uma dessas versões possuía lindíssimos gráficos em pixel art e boas animações. Este remake de 2019 coloca-nos com visuais actualizados e se por um lado os cenários, agora que parecem retirados de pinturas, até que estão muito bem conseguidos, por outro as personagens ficaram a meu ver muito piores. Tal como já referi acima podemos alternar livremente em tempo real entre a versão moderna e clássica, sendo que para além dos gráficos mudarem, a banda sonora também, o que é outro detalhe interessante. Ainda assim, a única razão que me levou a não usar a vista clássica constantemente é o facto de o remake incluir, pela primeira vez, voice acting. Aparentemente muitos dos actores que deram a voz nas sequelas foram aqui utilizados e o resultado é muito bom.

Sem dúvida que o voice acting é a adição mais importante deste remake. Isto torna o Stan especialmente chato, o que é delicioso

Portanto este é uma excelente aventura gráfica, com alguns puzzles hilariantes, outros extremamente originais, um excelente sentido de humor e repleto de personagens super carismáticas, como o vigia cego, a tribo de canibais vegetarianos, ou o chato do vendedor de barcos usados. A narrativa é por vezes tão bizarra que só temos vontade de clicar nas repostas erradas nos diálogos só para ver onde é que a conversa vai! Este remake peca pelos visuais das personagens não ser tão bom quanto o original e a nova interface não ser a mais adequada para resolver alguns dos puzzles. No entanto, o voice acting e a possibilidade de alternar entre a versão moderna e clássica a qualquer momento são pontos muito fortes. Ansioso por jogar a sequela!

Zool (Super Nintendo)

Tempo de voltar para a Super Nintendo ao trazer cá a sua versão do Zool. Produzido pelos britânicos da Gremlin, esta foi mais uma das muitas mascotes “irreverentes e radicais” de jogos de plataforma que surgiram na primeira metade dos anos 90, muito devido ao sucesso de Sonic the Hedgehog. Com a sua origem nos sistemas Commodore Amiga, o seu lançamento inicial foi um tremendo sucesso, de tal forma que até se tentou que o Zool se tornasse numa mascote oficial do sistema. No entanto não ficou exclusivo muito tempo pois nos anos seguintes versões foram saíndo para múltiplos sistemas, incluindo esta versão da SNES, cujo meu exemplar me custou 40€, tendo sido trazido por um amigo meu de uma loja francesa.

Jogo com caixa, manual e papelada

Apesar de eu já cá ter trazido a versão da Mega Drive, irei na mesma detalhar o jogo como se fosse a primeira vez que escrevesse algo deste título. Zool é então um jogo de plataformas em 2D tipicamente europeu dos anos 90, ou seja, níveis algo labirínticos e com imensos itens para coleccionar. No entanto, somos mesmo obrigados a ultrapassar uma certa quota de itens coleccionados em cada nível, caso contrário a saída do mesmo não é activada. Essa quota varia consoante o nível de dificuldade escolhido e a primeira diferença que denoto perante a versão Mega Drive é que esta possui quotas mais exigentes. Enquanto a versão MD nos obriga a coleccionar 25, 50 ou 75% (no caso da dificuldade easy, normal ou hard respectivamente), aqui os limites estão nos 50, 75 ou 99%. Tendo em conta que temos um tempo limite para finalizar o nível, também não poderemos perder demasiado tempo a visitar todos os seus recantos, o que torna esta versão mais desafiante nesse aspecto.

No canto inferior esquerdo vemos o número de coleccionáveis que nos falta apanhar bem como uma indicação da direcção da saída do nível

Por outro lado, como Zool é um ninja da dimensão N, o jogo rapidamente se pode tornar também bastante rápido e fluído (não é por acaso que comparações com o Sonic eram feitas), o que poderá também ser um perigo devido a todos os inimigos e obstáculos que teremos pela frente. Para nos ajudar nessa tarefa temos ao dispor toda uma série de habilidades e acrobacias protagonizadas pela personagem, sendo que poderemos escalar paredes, saltar a grandes alturas e atacar os inimigos de múltiplas formas: saltando-lhes em cima, disparar projécteis, ou através do spin attack, extremamente útil quando saltamos a alta velocidade, até porque a versão SNES corre numa resolução ligeiramente menor e temos menos campo de visão para lidar com inimigos que surjam do nada. De resto, para além dos coleccionáveis temos também vários power ups que poderemos apanhar e que nos darão a possibilidade de saltar mais alto, duplicar o poder de fogo, invencibilidade temporária, entre outros. Os controlos são simples, com o d-pad a servir para movimentar a personagem e os botões faciais para saltar ou disparar projécteis. O spin attack está assignado ao botão R que a meu ver até faz bastante sentido.

Sendo Zool um ninja, consegue fazer uma série de habilidades especiais, incluindo escalar. Claro que temos de ter alguns inimigos indestrutíveis nas paredes para nos atrapalhar.

De um ponto de vista técnico, não tendo eu jogado ainda o original Amiga e o da Mega Drive apenas uma vez, a ideia com que fiquei é que esta também me parece uma versão bem sólida. Os níveis continuam bem coloridos (naturalmente mais coloridos que a versão Mega Drive), bem detalhados e muito diversificados entre si. Temos o tal mundo dos doces que nas versões Amiga, Mega Drive e potencialmente outras tinham inclusivamente o patrocínio da Chupa Chups (ausente nesta versão SNES), um nível musical, outro com temática de plantas, feira popular, entre outros. Muitos desses níveis possuem belíssimos efeitos de parallax scrolling, e algumas semi transparências. Têm também, ocasionalmente, alguns puzzles interessantes que não mencionei na versão Mega Drive. No mundo musical em certo nível encontramos um piano gigante onde podemos saltar nas suas teclas. Ao saltar em posições específicas, tocamos uma melodia que nos dá direito a umas quantas vidas extra! Mais à frente, no sétimo mundo, o tal da feira popular, encontramos uma arcade gigante com um mini jogo do Zool a decorrer. Ao saltar entre os botões da máquina, saltamos ou disparamos no mini-jogo e ao ultrapassar esse pequeno desafio com sucesso também nos recompensa com várias vidas extra. Para além disso, se explorarmos bem os níveis poderemos inclusivamente encontrar itens especias que nos desbloqueiam um nível de bónus, que são uma espécie de shmups ligeiros. De resto, no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar aos efeitos sonoros e as músicas são bastante agradáveis. Aliás, aquelas músicas mais rock levam o prémio de serem as mais competentes que eu já ouvi o chip da SNES a executar.

Muitas versões do Zool incluíam publicidade à marca Chupa Chups. Esta versão SNES não a tem. No entanto, a versão japonesa da Super Famicom não só tem publicidade da Chupa Chups como muitas outras empresas nipónicas também

Portanto este Zool é um jogo interessante de plataformas, isto claro, se conseguirem ultrapassar o facto dos seus controlos serem ainda algo escorregadios, inimigos e obstáculos posicionados de forma injusta e inúmeros coleccionáveis que temos de apanhar – mesmo como mandavam todas as leis de jogos de acção/plataforma europeus dos anos 90. Ainda assim esta versão SNES pareceu-me bastante sólida, muito lado a lado com a de Mega Drive.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters (Sega Mega Drive)

Vamos voltar à Mega Drive para um jogo de luta muito particular. Depois de vários beat ‘em ups bem sucedidos da série TMNT, a Konami decidiu entrar na moda dos jogos de luta 1 contra 1 popularizados por Street Fighter II e o resultado foram 3 TMNT Tournament Fighters distintos. Um lançado para a NES, outro para a SNES e um outro para a Mega Drive. Durante muito tempo achei que as versões SNES e MD eram similares, mas quando me apercebi que eram na verdade jogos bem diferentes entre si, a minha curiosidade tornou-se maior. O meu exemplar da Mega Drive foi comprado no passado mês de Dezembro a um amigo meu por 30€.

Jogo com caixa

A história leva-nos a controlar uma das 4 tartarugas bem como alguns dos seus amigos como é o caso da April e outras personagens que sinceramente não me recordo de quem sejam. O mestre Splinter foi raptado e as tartarugas terão de viajar para uma outra dimensão e defrontar uma série de clones maléficos (tanto das tartarugas, como das outras personagens jogáveis) para além de defrontarem alguns bosses até que possam finalmente salvar o mestre.

A ideia que a Konami arranjou para arranjar maneira de as personagens andarem à batatada umas com as outras foi a de clones maléficos

A nível de jogabilidade as coisas são relativamente simples pois este jogo utiliza apenas o comando de 3 botões da Mega Drive, com os botões A e B a servirem para socos e pontapés e o C para provocar o nosso oponente. Para dar socos ou pontapés fortes teremos de pressionar o botão respectivo em conjunto com o d-pad na direcção do nosso oponente. Para bloquear pressionamos para trás ou a diagonal baixo-trás, e se quisermos agarrar e atirar algum oponente teremos de os atacar mais proximamente. Até aqui tudo bem, mas este é um jogo extremamente desafiante, a inteligência artificial não nos dá qualquer margem de erro e para além do mais, apenas poderemos chegar ao final verdadeiro se o terminarmos no modo de dificuldade mais elevado. No que diz respeito aos modos de jogo, temos o modo história para 1 jogador onde o objectivo é o de combater todos os clones e eventuais bosses para depois salvar o mestre splinter. O modo para 2 jogadores dispensa apresentações e por fim temos um modo de torneio, que é uma espécie de survival, onde teremos de enfrentar 88 adversários consecutivamente, o que é uma autêntica epopeia.

O facto de os combates se passarem em planetas extraterrestres deu à Konami margem para uma criatividade fora de série nas arenas

No que diz respeito aos audiovisuais este até que é um jogo bem capaz nesse aspecto. As arenas são tipicamente muito bem detalhadas, embora com pouca animação nos cenários. O facto de cada combate se passar num planeta extraterrestre também deu uma maior liberdade criativa ao apresentar cenários assim tão extravagantes. As personagens estão também bem detalhadas embora seja notório o facto de a Mega Drive não conseguir apresentar mais que 64 cores em simultâneo no ecrã. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar aos efeitos sonoros que estão bem conseguidos, assim como as vozes digitalizadas. A banda sonora até é bastante boa, tirando uma ou outra excepção, foi uma excelente surpresa, particularmente na qualidade da percurssão.

Depois de derrotarmos todos os clones temos uns quantos bosses para defrontar, incluindo o Krang

Portanto este Teenage Mutant Ninja Turtles Tournament Fighters até que é um jogo de luta bem interessante. Muito porreiro no departamento audiovisual tendo em conta as capacidades do hardware, mas peca no entanto por ser um jogo muito difícil para o que seria o seu público alvo. A opinião geral é que a versão de SNES é superior, apesar de ser um jogo diferente, pelo que irei seguramente estar atento a ver se apanho um exemplar para a colecção.

Pro Wrestling (Sega Master System)

Tempo de voltar às rapidinhas e à Master System para aquele título que decididamente ganha o prémio da pior capa de um jogo desta consola. Sinceramente sempre achei piada ao conceito das capas de jogos de Master System da primeira geração serem desenhos em papel quadriculado pois faz lembrar muitos dos desenhos que fazíamos em miúdos nos cadernos da escola. No entanto não são propriamente as capas mais apelativas e o departamento de marketing que as idealizou não teve uma grande ideia. Mas de todas, para mim a do Pro Wrestling é mesmo a pior. É um homem de cueca a segurar na sua própria cabeça, o que não faz sentido nenhum. Entendo que a ideia que pretendiam dar era a de um esboço, mas o resultado final é simplesmente mau. O meu exemplar veio de um lote que comprei a um particular algures em Novembro passado, este jogo custou cerca de 8€ se bem me recordo.

Jogo com caixa, manual e um catálogo

Ora e este é então um jogo de wrestling muito genérico, um título de primeira geração da Master System visto ser ainda de 1986, pelo que só por aí não daria para esperar muita coisa. Caso joguemos sozinhos, teremos de escolher qual a dupla de wrestlers queremos controlar (de apenas 4 disponíveis) e iremos enfrentar as restantes duplas em três títulos distintos: o campeonato mexicano, do pacífico e finalmente o mundial. A base dos controlos é simples: um dos botões faciais para dar socos e outro para pontapés. Cada lutador terá ainda uma série de golpes especiais a serem aplicados quer quando o adversário esteja no chão, ou quando este estiver a ser disparado das cordas. Para além disso, cada dupla tem ainda habilidades próprias, como a possibilidade de escalar os cantos e atirarem-se para o oponente ou usar cadeiras para distribuir pancada. Para os socos e pontapés o ideal é estarmos ligeiramente desalinhados com o nosso oponente, já os restantes golpes especiais é também uma questão de timing.

O fantástico elenco de equipas e respectivos lutadores.

Até aqui tudo bem, excepto mesmo a falta de variedade de equipas e lutadores. O maior problema é mesmo que o jogo é extremamente aborrecido, pois somos obrigados a vencer 10 rounds em cada combate, logo 30 rounds ao todo para finalizar o jogo. E isto é, naturalmente, extremamente aborrecido, para além que também temos de ter em atenção ao tempo limite entre cada round e ao facto de o CPU se tornar cada vez mais feroz e resistir aos nossos pins, mesmo com a sua barra de vida a zero. Jogando com um amigo deve ser mais agradável, mas também não esperem por uma experiência fantástica.

A nível audiovisual é um jogo muito modesto graficamente. A arena tem um detalhe mínimo, assim como o público cujas cabeças até são engraçadas pelas suas caras de surpresa constante, o que contrastou completamente com a minha enquanto jogava isto. Os lutadores têm um aspecto algo caricaturado e super deformed o que faz algum sentido visto este ser um produto japonês. Aliás, aparentemente a versão original nipónica possui um elenco de lutadores completamente distinto: essa versão possui apenas mulheres, incluindo uma lutadora real que “patrocinou” o jogo. Curiosamente, ou não, as sprites da versão japonesa possuem muito melhor aspecto. No que diz respeito à música essa é para esquecer. Eu já referi que o jogo é extremamente repetitivo e aborrecido. O facto de a música ser sempre a mesma ainda só piora a situação. Ao menos temos vozes digitalizadas para a contagem nos pins.

Cada vez que executamos um golpe com sucesso por mais simples que seja como um soco ou pontapé, surge uma indicação no ecrã

Portanto este Pro Wrestling é um jogo que sinceramente não recomendo nada. Para “compensar” o seu pouco conteúdo, a Sega achou que seria uma boa ideia obrigar-nos a vencer a mesma dupla de oponentes em 10 rounds seguidos, o que é só ridículo. A juntar à jogabilidade e audiovisuais medíocres, esta não é uma experiência agradável.

Street Fighter EX3 (Sony Playstation 2)

Tempo de voltar aos jogos de pancadaria e à Playstation 2 que recebeu o terceiro jogo da série Street Fighter EX, produzidos pela Arika, empresa fundada por ex-funcionários da própria Capcom. Tal como os seus predecessores este é então um jogo de luta que apesar de possuir uma jogabilidade 2D típica dos Street Fighter tradicionais, possui também gráficos inteiramente em 3D poligonal. Ao contrário dos seus antecessores no entanto, este é um jogo exclusivo da Playstation 2, tendo sido lançado muito cedo no seu ciclo de vida e não teve portanto origens em versões arcade. O meu exemplar foi comprado algures em 2018 se bem me recordo, fruto de um leilão que venci por cerca de 12€.

Jogo com caixa e manual. Muito obrigado ao antigo dono por ter deixado autógrafos

Ora na sua essência este jogo herda o mesmo tipo de controlos dos restantes Street Fighters, onde temos 3 botões faciais para socos de diferentes intensidades e outros 3 para pontapés. Para além disso, existem vários golpes e combos especiais que poderemos desencadear, cujos poderão inclusivamente necessitar de uma barra de energia minimamente preenchida. A grande novidade aqui introduzida são as tag battles, onde em combates de 2 contra 2 poderemos alternar entre ambos os lutadores que controlamos, permitindo aquele que for descansar que recupere parte da sua barra de vida. Para além disso temos uma vez mais o regresso das “dramatic battles” onde poderemos participar em combates de 1 contra 2, contra 3 ou vice-versa, mas com todos os lutadores em questão presentes no ecrã! Para além dos super combos e outros ainda mais potentes, introduziram também os critical parade, que apenas podem ser utilizados em combates tag pois necessitam que ambos os lutadores entrem na arena e tenham, durante alguns segundos, a liberdade de executar super combos livremente. No caso de certas equipas como Ken e Ryu podemos também desencadear os meteor tag combos, super destrutivos e com a colaboração de ambos!

Ver os retratos destas caras conhecidas com esta qualidade faz-me mesmo suspirar por o jogo não ser 2D

No que diz respeito aos modos de jogo temos o original mode, onde começamos por escolher qual lutador queremos representar e somos depois levados para uma série de combates que tanto podem ser os tradicionais 1 contra 1, tag team ou os tais dramáticos onde estaremos quer em vantagem ou desvantagem numérica. Um detalhe interessante é que exceptuando os bosses (terceiro, quinto e sexto combates respectivamente) poderemos escolher quais os adversários que queremos enfrentar, num conjunto de duas opções apenas. Tendo em conta que inicialmente escolhemos apenas um lutador, como fazemos para criar a nossa equipa nos combates que o permitam? Bom, sempre que derrotamos um adversário temos a possibilidade de o recrutar para a nossa equipa, até um máximo de 4 lutadores. No caso de combates contra mais que um oponente em simultâneo, a oportunidade de recrutamento recai sempre no último adversário derrotado, daí que a opção de escolher que oponentes queremos defrontar ser também importante! Até porque também teremos combates do género team battle onde à semelhança dos King of Fighters clássicos são disputados numa lógica de “bota fora”, sem poder trocar de lutador pelo meio.

A principal novidade aqui introduzida na jogabilidade são as mecânicas de tag team

Depois temos também o Arena Mode, onde poderemos combater em partidas únicas sejam tag, dramatic ou team battle. Também poderemos inclusivamente jogar contra um amigo neste modo. Para além de um modo de treino teremos também, por fim, o character edit que é uma espécie de modo RPG. Aqui controlamos sempre um lutador chamado Ace e teremos de cumprir uma série de missões. Por cada missão que concluímos com sucesso, iremos desbloquear novos golpes e combos que poderão ser posteriormente utilizados para customizar a personagem! É um modo de jogo interessante, mas confesso que não perdi muito tempo com ele.

Do ponto de vista técnico é um bom salto qualitativo perante os seus antecessores. Tirando partido de hardware de nova geração, os cenários e personagens estão muito melhor detalhados, embora ainda fiquem longe do brilhantismo que outros fighters acabaram por introduzir anos mais tarde na mesma plataforma. O elenco de personagens é, pelo menos inicialmente mais balanceado, pendendo pela primeira vez para o lado da Capcom. Das 16 personagens iniciais disponíveis, 9 são da Capcom e as restante da Arika. No entanto, cada vez que vençamos o Original mode sem gastar qualquer continue desbloqueamos uma personagem secreta, elevando o total para 25 personagens jogáveis. E aí o balanço reverte para 11 personagens jogáveis da Capcom e 14 da Arika. Existem algumas personagens interessantes como o Skullomania, Hokuto ou a Nanase, mas as personagens da Capcom têm muito mais charme, na minha opinião. Nada de especial a apontar ao som e a banda sonora é agradável e eclética, sendo adequada para cada arena em questão.

No original mode poderemos recrutar os nossos adversários para a nossa equipa até um máximo de 3

Portanto este Street Fighter EX3 é um jogo de luta bastante sólido onde a Arika foi inteligente o suficiente ao manter uma jogabilidade 2D, próxima dos Street Fighter clássicos, em conjunto com os gráficos inteiramente em 3D poligonal. Continuo a preferir o 2D pixel art da série Street Fighter clássica (então o Street Fighter 3 é delicioso nesse departamento) mas este não deixa de ser um jogo bem sólido de luta. Ainda assim continuo a não gostar muito do facto de a Arika ter usado a série Street Fighter para introduzir um grande número de personagens não canónicas e que nunca mais apareceram em mais nenhum jogo da série. Ainda assim para os fãs destas personagens recomendo-vos que espreitem o Fighting Layer EX (sucessor do Fighting Layer, um outro jogo de luta 3D da Arika e exclusivo arcade) e que inclui muitas destas personagens.