The Secret of Monkey Island Special Edition (PC)

Finalmente lá me decidi a jogar este grande clássico das aventuras gráficas. Produzido originalmente pela Lucasarts em 1990, o The Secret of Monkey Island é uma aventura gráfica 2D do estilo point and click, com uma narrativa muito bem humorada e repleta de personagens memoráveis. Foi um jogo de grande sucesso dentro do seu género, com múltiplas versões a serem lançadas incluindo microcomputadores como o Atari ST, Commodore Amiga ou até o nipónico FM Towns. A Mega CD foi a única consola a receber uma conversão deste jogo, embora essa versão se tenha ficado unicamente por solo norte-americano. Anos mais tarde a Lucasarts decide criar remakes dos dois primeiros jogos, lançando-os na compilação Monkey Island: Special Edition Collection e foi essa a versão que joguei pois é a única que tenho actualmente na colecção. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Dezembro no ebay por cerca de 30€. Lembro-me de ver este jogo a 10 ou 15€ novo na extinta Game e esperar que baixasse para os 3/5€, como muitos outros jogos de PC que por lá comprei, mas infelizmente a certo ponto o jogo desapareceu ou a loja fechou e nunca mais me lembrei do mesmo.

Colectânea que traz os remakes dos primeiros dois jogos da série

E o jogo coloca-nos no papel de Guybrush Threepwood, um jovem aspirante a pirata que visita à ilha de Mêlée Island em busca de uma oportunidade. Eventualmente lá teremos de falar com “três importantes piratas” que nos obrigam a completar três desafios para sermos considerados piratas: derrotar a melhor espadachim da ilha, roubar um objecto valioso da mansão da governadora e claro, descobrir um tesouro escondido. Depois de completarmos os três objectivos algo acontece: o capitão pirata fantasma LeChuck e sua tripulação espectral invadem a ilha e raptam a governadora, levando-a para a misteriosa Monkey Island. Naturalmente que teremos também de arranjar forma de lá chegar e arruinar os seus planos!

É incrível, mas não há cá NPCs fracos. É fácil vermos que estamos perante um jogo com um bom sentido de humor quando o vigia da cidade é meio cego

Ora este é uma aventura gráfica do estilo point and click, tal como referi acima. Na incarnação original toda a interface era feita pelo rato onde na parte inferior do ecrã teríamos disponíveis uma série de verbos como caminhar, observar, falar, apanhar entre outros, assim como o inventário. Então o grosso da jogabilidade traduzia-se em seleccionar o verbo apropriado e com o ponteiro do rato clicar onde o quiséssemos aplicar, incluindo os próprios objectos do inventário. O remake possui uma funcionalidade de alternar em tempo real para o jogo original e a sua versão moderna. Nesta última a interface foi ligeiramente modificada com acções pré-determinadas a surgirem no canto inferior esquerdo e direito do ecrã (traduzindo-se para os botões esquerdo e direito do rato) e estas acções mudam consoante a zona onde passamos o cursor do rato. Por exemplo, passando o rato por uma porta, tipicamente a acção do botão esquerdo é “caminhar para a porta”, enquanto que a do lado direito é “abrir porta”. Para seleccionar outras acções podemos alternar entre as mesmas com a scrolling wheel, pressionar a tecla V para mostrar uma janela com todos os verbos disponíveis ou simplesmente pressionar as suas teclas de atalho como O de Open, P de Pick up, L de Look e por aí fora.

Alguns dos puzzles são bastante bizarros, outros algo frustrantes, mas outros ainda bem originais, como este “mapa do tesouro”.

Este jogo tem também a particularidade de ir um pouco contra a tendência das aventuras da Sierra, onde poderíamos morrer ao mínimo erro. Aqui as situações onde podemos morrer e obrigatoriamente recarregar o nosso último save são mínimas e não muito fáceis de obter, pelo que poderemos jogar um pouco mais descansados. Tem no entanto alguns puzzles fora do comum e por vezes irritantes, como quando precisamos de assaltar um cofre, ou transportar grog pela cidade para libertar um prisioneiro. A ideia é que o grog (bebida alcoólica preferida destes piratas) é altamente corrosivo e poderá então ser usado para dissolver a fechadura da cela. Mas para isso teremos de o transportar em canecas que rapidamente também se dissolvem. A solução é caminhar rapidamente pela cidade e verter o líquido de caneca em caneca, o que é um pouco atabalhoado de se fazer com esta nova interface. Outros puzzles são incrivelmente originais. Para nos tornarmos piratas teremos de derrotar um mestre espadachim. Naturalmente temos zero habilidade para isso então precisamos primeiro de treinar o combate. O nosso treinador, depois de uma aula básica de luta com espadas diz-nos que a chave para o sucesso é insultar o oponente e responder adequadamente aos insultos que nos lançam. Um exemplo que nos dá: se um pirata nos diz “you fight like a dairy farmer” (tu lutas como um produtor de leite) a nossa resposta deverá ser “How appropriate. You fight like a cow” (Que apropriado. Tu lutas como uma vaca). A partir dessa altura iremos passar a encontrar vários piratas a passearem-se pela ilha. Quando estes se cruzam connosco a ideia será precisamente a de treinarmos estes insultos e as suas respostas, com muitos trocadilhos e punchlines deliciosos. Quando já soubermos de insultos suficientes e suas respostas, lá somos convidados a enfrentar o mestre.

Apesar de alguma da arte das novas personagens, particularmente a de Guybrush, ser horrível, felizmente poderemos alernar para o jogo antigo em tempo real a qualquer momento

No que diz respeito ao aspecto gráfico, vamos fazer aqui um pequeno enquadramento: a versão original deste jogo sai apenas com suporte a gráficas EGA (16 cores em simultâneo no ecrã), sendo posteriormente lançada uma versão VGA mais colorida e os retratos ampliados das personagens com quem vamos dialogando são agora mais realistas. Posteriormente essa versão é relançada em formato CD, com uma nova banda sonora em CD audio a acompanhar. Qualquer uma dessas versões possuía lindíssimos gráficos em pixel art e boas animações. Este remake de 2019 coloca-nos com visuais actualizados e se por um lado os cenários, agora que parecem retirados de pinturas, até que estão muito bem conseguidos, por outro as personagens ficaram a meu ver muito piores. Tal como já referi acima podemos alternar livremente em tempo real entre a versão moderna e clássica, sendo que para além dos gráficos mudarem, a banda sonora também, o que é outro detalhe interessante. Ainda assim, a única razão que me levou a não usar a vista clássica constantemente é o facto de o remake incluir, pela primeira vez, voice acting. Aparentemente muitos dos actores que deram a voz nas sequelas foram aqui utilizados e o resultado é muito bom.

Sem dúvida que o voice acting é a adição mais importante deste remake. Isto torna o Stan especialmente chato, o que é delicioso

Portanto este é uma excelente aventura gráfica, com alguns puzzles hilariantes, outros extremamente originais, um excelente sentido de humor e repleto de personagens super carismáticas, como o vigia cego, a tribo de canibais vegetarianos, ou o chato do vendedor de barcos usados. A narrativa é por vezes tão bizarra que só temos vontade de clicar nas repostas erradas nos diálogos só para ver onde é que a conversa vai! Este remake peca pelos visuais das personagens não ser tão bom quanto o original e a nova interface não ser a mais adequada para resolver alguns dos puzzles. No entanto, o voice acting e a possibilidade de alternar entre a versão moderna e clássica a qualquer momento são pontos muito fortes. Ansioso por jogar a sequela!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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3 respostas a The Secret of Monkey Island Special Edition (PC)

  1. Esse jogo é sensacional!!!!! Dos melhores que já joguei na vida.
    Os duelos de espadas são hilários…

  2. Pingback: Monkey Island 2: LeChuck’s Revenge Special Edition (PC) | GreenHillsZone

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