Fantasy Zone: The Maze (Sega Master System)

Vamos voltar à Master System para aquele que é o terceiro título da série Fantasy Zone, tendo sido uma vez mais lançado inicialmente em arcades e só depois na Master System. E ao contrário dos cute ‘em ups pelos quais a série bem que ficou conhecida, este lançamento é uma espécie de clone de Pac-Man, mas herdando também algumas mecânicas próprias da série Fantasy Zone. O meu exemplar veio de uma loja de usados no Porto por 10€, algures no mês passado. Custou-me um pouco dar os 10€ por um cartucho solto, mas lá acabou por vir e eventualmente o irei completar. Edit: recentemente um amigo meu ofereceu-me uma caixa que por lá tinha a mais. Está quase!

Jogo com caixa

No lançamento ocidental, este jogo é visto como uma sequela dos seus predecessores, mas isso não é verdade. O lançamento original Japonês coloca este FZ: The Maze como uma prequela, onde Opa-Opa (e seu amigo Upa-Upa) treinam para lutar contra a tal invasão alienígena que é retratada nos títulos originais arcade.

Ao contrário do que poderíamos estar à espera, este é um misto de Pac-Man com mecânicas da série Fantasy Zone

O objectivo de cada nível, tal como no Pac-Man, é o de percorrer uma série de labirintos e coleccionar uma série de esferas amarelas (que são na verdade moedas) e evitar toda uma série de inimigos. Uma vez coleccionadas todas as moedas, o nível acaba e avançamos para o seguinte. No entanto, vamos ver espalhados pelos níveis uma série de ícones familiares para quem jogou os títulos anteriores. Estes são power ups como diferentes armas, boosts de velocidade ou até invencibilidade temporária. O problema é que esses itens apenas podem ser coleccionados se tivermos dinheiro suficiente para os comprar e mesmo assim a sua durabilidade é consideravelmente limitada e não transitam de nível para nível. Se perdermos uma vida também perdemos o item que tenhamos eventualmente comprado. Portanto estes power ups deverão apenas ser comprados em momentos de maior aperto, até porque o jogo vai produzindo mais inimigos se não nos despacharmos. Para além disso poderemos também encontrar alguns power ups gratuitos como vidas extra, cupões de desconto ou Flickies que simplesmente nos dão mais pontos.

Entre níveis vamos tendo este ecrã que mostra o Opa-Opa a vaguear pelos cenários de fundo

Os labirintos são todos baseados nos níveis do primeiro Fantasy Zone, embora sejam ecrãs de fundo estáticos. Os inimigos são também familiares e minimamente variados e bem detalhados. As músicas até que são agradáveis, mas este é um daqueles casos em que a versão japonesa é nitidamente superior, devido ao seu suporte ao chip de som FM apenas lançado nesse território. Nós apenas ficamos limitados ao velhinho som PSG que sempre foi o calcanhar de Aquiles desta consola da Sega. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros.

Ocasionalmente lá teremos direito a alguns níveis de bónus onde o objectivo é o de apanhar o máximo de moedas dentro de um tempo limite e com as “luzes” a apagarem-se após alguns segundos.

Portanto este até que é um jogo interessante pela forma como misturaram as diferentes mecânicas de jogo de um Pac-Man e um shooter como o Fantasy Zone. É também um jogo consideravelmente longo, incluindo uns 51 níveis ao todo para jogar! Peca no entanto, a meu ver, pelo facto de os power ups serem tão limitados na sua utilização, se bem que de outra forma compreendo que pudesse tornar o jogo demasiado fácil.

The King of Fighters XI (Sony Playstation 2)

Vamos voltar à PS2, desta vez para o décimo-primeiro título da série The King of Fighters (não contando com o Neowave) e o primeiro jogo da série a deixar de lado o seu ano de lançamento no titulo. Tal como o já referido KoF Neowave e o NeoGeo Battle Coliseum é um jogo lançado originalmente nas arcades em 2005, sob o sistema Atomiswave da Sammy, que por sua vez era muito semelhante ao Naomi da Sega e por conseguinte à Dreamcast. Não foi por acaso que não há muitos anos atrás, um grupo de fãs se decidiu a modificar muitos destes jogos Atomiswave e torná-los compatíveis com a consola da Sega! O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters algures em Março de 2015 por 3€.

Jogo com caixa, manual e um autocolante bem chato da Cash Converters no disco

No que diz respeito à história, este jogo segue os acontecimentos introduzidos pelo KoF 2003, com o personagem Ash Crimson como protagonista principal e uma vez mais os poderes dos Orochi metidos ao barulho. Na verdade a história não interessa muito, mas é sempre interessante ver as cut-scenes finais que vão sendo distintas entre si consoante a equipa de lutadores que seleccionamos. E as equipas pré-definidas nesta edição por vezes são algo estranhas. Por exemplo, a equipa do Fatal Fury consiste no Terry Bogard (com a sua vestimenta do Mark of the Wolves), Kim Kaphwan (que antes tinha uma equipa própria) e Duck King, uma das personagens do Fatal Fury 2 que marca aqui a sua estreia nos KOF. Ou a equipa do Art of Fighting que tem a King a fazer companhia aos irmãos Ryo e Yuri Sakazaki. Para além do Duck temos mais algumas personagens a estrear-se na série e umas outras tantas completamente novas. Naturalmente muitas das caras conhecidas (como é o caso do Robert Garcia ou Mai Shiranui) podem ser desbloqueadas posteriormente.

Apesar do elenco extenso, há várias personagens habituais que não estão cá. Algumas poderão no entanto serem desbloqueadas. Pena é pela arte dos seus retratos, que não é do meu agrado.

E este é então mais um jogo de luta entre equipas de 3 lutadores onde muitas das mecânicas de jogo introduzidas em títulos anteriores aqui se mantêm. De destaque nas novidades temos os quick shift, que nos permitem trocar de lutador a meio de um ataque ou os saving shift, que nos permitem fazer o mesmo enquanto estamos a ser atacados, sem que soframos mais dano durante as animações de troca das personagens. O dream cancel é outra das novidades, que nos permite executar certos golpes poderosos enquanto cancelamos outros (mas apenas o líder da nossa equipa pode fazer isto, aparentemente). A última novidade aqui introduzida a nível de mecânicas de jogo é a introdução da barra de skill, uma outra barra de energia para além dos specials e que é necessária para muitas destas técnicas acima mencionadas. Outra das novidades é, caso um combate termine o seu tempo, já não vence quem tem mais vida, mas sim para quem tenha lutado melhor.

Os cenários são em 2D mas com muito mais detalhe, já as sprites são ao mesmo estilo das Neo Geo. Há um contraste claro, mas não consigo deixar de gostar destas sprites assim!

Já no que diz respeito aos modos de jogo temos vários, começando pelo arcade que dispensa apresentações. O team play e o single play são variações que nos permitem participar em combates de 3 contra 3 (sem possibilidade de trocar de lutador) ou 1 contra 1. Todos estes modos de jogo podem também serem jogados como versus para 2 jogadores. O Endless é uma espécie de survivor com combates de 1 contra 1 onde a nossa vida será apenas parcialmente restabelecida entre combates. O modo challenge coloca-nos vários desafios cada vez mais complexos como executar uma série de técnicas especiais no mesmo combate. Terminar o modo challenge irá desbloquear tudo o que o jogo nos tem para oferecer, embora vários dos desbloqueáveis possam também ser desbloqueados de outras formas. Por fim temos um modo treino que é sempre bastante útil para practicar todas estas técnicas mais complexas.

Posso não ser muito bom nestes jogos, mas adoro a sua arte!

A nível audiovisual devo dizer que gostei bastante desta entrada na série. As personagens continuam muito bem detalhadas e com animações incríveis, mas mantendo o mesmo espírito pixel art das personagens que nos habituamos na NeoGeo. Mesmo as personagens novas foram desenhadas neste estilo e ficaram muito bem! Os cenários apesar de por vezes terem um aspecto um pouco mais realista, são completamente em 2D também, mas com uma qualidade bem superior ao que a velhinha NeoGeo conseguiria representar. A única coisa que já não gostei tanto, e isto é uma vez mais uma mera questão de gosto pessoal, é a diferença gritante entre a arte das personagens no jogo propriamente dito, e a que vemos nos menus e cutscenes. Estas últimas têm um aspecto bem mais anime e por vezes com feições bastante diferentes das personagens que controlamos. Esta arte é também utilizada nos retratos das personagens que estão actualmente a lutar e infelizmente sem nenhuma menção do seu nome. Portanto quando lutava contra alguma personagem nova, continuava sem saber quem era. De resto o som está muito bom e a banda sonora é bastante eclética e agradável.

O modo arcade possui 8 combates sendo que os últimos dois são bosses. O quarto combate é também um boss mas a personagem que enfrentamos depende da nossa performance nos combates anteriores.

Portanto esta é mais uma entrada bastante sólida da série King of Fighters. A versão PS2 inclui vários modos de jogo adicionais e muitas personagens desbloqueáveis, várias delas presenças assíduas na série mas que no seu lançamento original arcade ficaram de fora, como é o caso da Mai, por exemplo. Este King of Fighters XI é também o último jogo que tem um estilo gráfico que nos faz lembrar a Neo Geo, com os que lhe sucederam a terem visuais mais modernos.

Danan: The Jungle Fighter (Sega Master System)

Tempo de voltar às rapidinhas na Master System para um jogo que desde miúdo sempre me despertou a curiosidade. Lembro-me perfeitamente de ver um único screenshot deste Danan: The Jungle Fighter num catálogo da Sega e ter apreciado o facto das sprites das personagens serem bem detalhadas. Uns valentes anos mais tarde, depois de o finalmente ter jogado em emulação, o jogo até que é bastante competente. Outros tantos anos depois, foi no passado mês de Junho que o comprei na vinted, completo por 40€. É um jogo que infelizmente tem vindo a encarecer…

Jogo com caixa e manual

E aqui encarnamos no papel de Danan, um jovem guerreiro que cresceu numa tribo de amazonas e a certo dia encontra o seu mentor morto. Lá lhe dizem que anda aí gente a tramar alguma e o que é certo é que acabaremos por lutar contra uma série de gente que procura ressuscitar uma antiga entidade maléfica que havia sido derrotada muitos, muitos anos antes.

O que não faltam aqui são cut-scenes com diálogos! A história pode não ser grande coisa, mas sempre apreciei este tipo de coisas em jogos mais antigos.

Este é um “simples” jogo de acção em 2D sidescroller com certos elementos muito ligeiros de aventura e RPG. Isto porque a nossa vida é medida em pontos de vida e sempre que derrotamos algum inimigo ganhamos pontos de experiência, que eventualmente nos farão subir de nivel e ganhar mais vida. Os controlos são super simples, com um botão para saltar e outro para atacar, sendo que apenas estamos munidos de uma faca para isso. Ao longo de todo o jogo vamos poder coleccionar vários itens como comida que nos regeneram a vida, relógios que nos aumentam o tempo limite para concluir cada nível, estrelas que nos dão pontos de experiência extras ou outro equipamento como novas facas ou amuletos que nos melhoram a defesa ou ataque. Também iremos encontrar diversos tokens de animais e estes servem precisamente para invocar alguns animais para nos ajudarem durante o jogo. Temos um tatu que nos ajuda a combater os inimigos, uma águia que nos permite transportar para zonas mais altas ou um gorila que simplesmente nos cura. Cada animal tem um custo diferente destes tokens que podemos coleccionar.

O início do nível 3 troca-nos as voltas e é um nível subaquático, onde teremos de ter especial atenção ao nosso nível de oxigénio.

De resto, como já referi temos um tempo limite para concluir cada nível, ou mais concretamente, até chegar ao boss, onde não poderemos utilizar nenhum destes poderes dos animais. O jogo encoraja também a exploração visto existirem várias portas e caminhos alternativos que nos levam a vários itens que poderemos coleccionar e assim também fortalecer a nossa personagem. Pelo meio vamos ter muitos diálogos com os vários NPCs (e bosses) que vamos encontrando, o que também não é assim tão comum quanto isso em jogos de acção na Master System. A história não é nada de especial sinceramente, mas não deixa de ser um bonito toque.

Os baús amarelos escondem vários itens e o jogo encoraja-nos a explorar

A nível audiovisual este é um jogo bem conseguido como eu já referi acima. As sprites são grandes e bem detalhadas e os níveis vão sendo algo variados, estando também com um bom nível de detalhe para a consola. Peca é no entanto por ser um jogo bastante curto, com 4 níveis apenas. Se bem que o terceiro nível é consideravelmente longo, visto que tem uma secção inicial onde teremos de nadar numa caverna subaquática até chegarmos a um navio inimigo. Esse segmento obriga-nos também a estarmos atentos ao nosso nível de oxigénio, que pode também ser restabelecido ao apanhar alguns itens para o efeito. As músicas sinceramente não as achei nada de especial, mas já se sabe que esse sempre foi o calcanhar de Aquiles da Master System.

Desde miúdo que um ecrã não muito diferente deste me deixou com vontade de um dia poder vir a jogar este jogo!

Portanto este Danan The Jungle Fighter até que é um jogo bastante interessante, se bem que tinha potencial para ser um pouco melhor. Mais níveis eram bem-vindos e se calhar o tempo limite até nem seria algo tão importante assim manter. Gosto de jogos de plataforma/acção 2D que nos encorajam a explorar, mas o relógio nunca nos deixa fazer tal coisa de forma tranquila.

Escape From Monkey Island (PC)

Há já bastante tempo que estava a adiar jogar o quarto título da série Monkey Island da Lucasarts. Terminei o Curse of Monkey Island (jogo que adorei) já em Abril do ano passado e apesar de já ter este jogo na colecção há bastante tempo, tive bastantes reticências em jogá-lo, visto que já tinha a ideia que iria ter alguma dificuldade em jogá-lo num computador moderno. O meu exemplar físico foi comprado há cerca de 10 anos atrás (ou até mais que isso), se bem me recordo terá vindo da Game no Maiashopping, tendo sido um dos muitos jogos de PC que comprei lá ao desbarato. Entretanto, e para me ajudar a correr este jogo num computador moderno, comprei a sua versão GOG quando a apanhei em promoção por menos de 2.50€ algures no início deste mês. Infelizmente até essa versão tive dificuldade em correr, mas detalharei esses problemas mais à frente.

Jogo com caixa e papelada. Infelizmente sendo um relançamento budget não há cá manual físico

Ora este jogo foi lançado originalmente no ano de 2000, correndo no mesmo motor gráfico do Grim Fandango lançado um ano antes e que também planeio jogar em breve. Em 2000 o género das aventuras gráficas já estava num considerável declínio de popularidade e o facto de a LucasArts ter transitado a série Monkey Island para 3D poligonal também não foi a melhor ideia de todas (mais à frente também darei a minha opinião sobre isso). Entretanto, a história do jogo até que não é nada má, colocando-nos uma vez mais no pirata mais desastrado de todos os tempos, Guybrush Threepwood, que depois de vários meses de lua de mel com a sua agora esposa Elaine Marley, regressam à ilha de Mêlée e deparam-se com uma enorme confusão. A sua casa está prestes a ser demolida porque Elaine era a governadora lá do sítio e devido à sua ausência de 3 meses, foi declarada como morta, pelo que a câmara lá do sítio decidiu demolir a sua casa e convocar novas eleições, de onde surge um misterioso novo candidato (cuja aparência é algo familiar). Para além disso, todas as ilhas daquele arquipélago têm vindo a sofrer com a presença de um exímio investidor imobiliário australiano, que tem vindo a conseguir conquistar todas as propriedades dos piratas dessas ilhas. A nossa missão no imediato é arranjar uma tripulação e viajar a uma ilha vizinha, de forma a contactar os advogados da família de Elaine para que eles a possam ajudar a recuperar a sua posição de governadora. A situação nas outras ilhas não é a melhor, pelo que acabaremos também por nos vermos envolvidos noutros sarilhos.

Como é habitual na série os diálogos vão sendo bem humorados e temos sempre a vontade de explorar todas as opções

Para além da transição dos visuais, a Lucasarts achou também boa ideia alterar completamente a interface do jogo (sinceramente ainda não fui ver se o Grim Fandango sofre do mesmo mal), que é abolir toda a interface point and click. E isso sim, acabou por doer mais. Basicamente o jogo está repleto de vários cenários pré-renderizados e com ângulos de câmara fixa e à boa maneira dos Resident Evils, nós controlamos o Guybrush com tank controls. Mediante a direcção para onde estamos virados e a proximidade perante pontos de interesse, surgem na parte inferior do ecrã várias opções de interação, como “falar com X”, “observar Y” ou “observar Z”. Depois teríamos de utilizar as teclas page up ou page down para seleccionar a acção pretendida e ainda assim, caso queiramos interagir com Y ou Z em vez de os observar, teríamos também de usar algumas teclas de atalho para as diversas acções, como U para usar, L para observar, entre outros. É uma confusão de todo o tamanho e por muito que me custe admitir numa aventura gráfica de PC, é um jogo que se controla bem melhor com um comando.

E felizmente o bom humor continua uma constante com várias situações completamente absurdas

De resto, tirando toda esta interface horrível, o jogo está repleto de personagens interessantes como tem sido habitual, incluindo o regresso de muitas outras caras conhecidas. No entanto, nem todas as personagens ficaram lá muito bem conseguidas, na minha opinião. Um exemplo disso é o Stan, o vendedor chato que tem aparecido em todos os jogos e que agora se dedica a timeshares, um grande scam dos anos 90. Nesta incarnação Stan continua chato como sempre, mas com muito menos destaque que antes. Algumas personagens novas (como muitos dos turistas que iremos encontrar) são também bastante genéricos. De resto, o jogo está também repleto de puzzles como seria de esperar. Alguns são engraçados e bem pensados, como é o caso do paradoxo temporal, já outros são bem mais frustrantes, como é o caso do puzzle das pedras que temos de atirar por diferentes caminhos e dentro de timings muito restritos. Ou aquela viagem de canoa num rio de lava, que também nos irá obrigar a várias repetições até acertamos. Ambos os puzzles são já na recta final do jogo, o que me leva a pensar que a equipa já estava a ficar sem grandes ideias.

Várias caras conhecidas regressam nesta quarta aventura, embora algumas não estejam tão boas como é o caso do chato do Stan.

Outra coisa que regressa são todas aquelas piadas dos insultos, algo que teremos de utilizar frequentemente. No entanto, também na recta final, o jogo apresenta-nos o Monkey Kombat. Ora, pensem numa espécie de pedra-papel-tesoura bem mais complicado, pois em vez de 3 formas distintas temos 5, que são na verdade 5 formas de kung-fu protagonizadas por macacos. Cada forma vence duas outras formas, perde com mais duas e empata consigo mesma. Para além disso, para alternar de formas, teremos de vocalizar uma frase com vários sons de macacos do tipo chee, eek ou oop. Não vale a pena procurar soluções na internet, pois a relação de “força” entre as formas é aleatória, assim como as frases que nos permitem mudar de uma posição para outra. Teremos então de ir para a selva e lutar contra inúmeros macacos e ir apontando todas estas possibilidades, até finalmente conseguirmos ter um diagrama que nos permite ripostar com sucesso. Felizmente encontrei um programazinho na internet que nos ajuda a ir registando isso! Mas sim, escusado será dizer que este Monkey Kombat foi fortemente criticado pelos fãs e é fácil entender o porquê.

A transição para o 3D leva-nos a cenários pré-renderizados e com ângulos de câmara fixos, o que a meu ver não envelheceram tão bem. O detalhe dos anteriores era tão melhor, particularmente nas animações.

Voltando então para os audiovisuais, vamos focar-nos um pouquinho mais nos gráficos. Os primeiros dois Monkey Island são jogos totalmente em pixel art que eu bem aprecio. O terceiro já parece quase um filme em desenho animado que também está muito bem conseguido. Já este quarto título envelheceu muito mal na sua transição para o 3D. Os cenários são pré-renderizados mas sinceramente acho que ficaram bem mais pobres em detalhe do que todos os outros Monkey Island que lhe antecederam. As personagens são em 3D poligonal, mas também com um nível de detalhe e de animações bem mais fraco do que os seus antecessores. Felizmente a música e particularmente o voice acting continuam excelentes e é precisamente o voice acting a salvar muitas das personagens que aqui aparecem, pois em muitos casos a boa qualidade das suas vozes mascara alguma desinspiração nas mesmas.

Apesar dos visuais não estarem tão interessantes, o que me incomoda mais é mesmo a interface já não ser point and click mas desnecessariamente complexa.

O facto de o jogo ter gráficos pré-renderizados é também um dos grandes entraves em corrê-lo em sistemas operativos modernos, pois o jogo tranca a resolução em 640×480, o que está muito longe da resolução ultrawide (3440×1440) que utilizo actualmente. O que acontecia era que o monitor entrava nessa resolução e para manter o aspect ratio 4:3 ficava com dois gigantes “quadrados” pretos em ambos os lados do ecrã. Ao investigar na PC Gaming Wiki resolvi experimentar as duas sugestões para o jogo suportar resoluções maiores, ou na pior das hipóteses, correr em modo janela. Nem um nem outro funcionou correctamente no meu computador. Forçar o jogo numa resolução maior simplesmente fazia com que o mesmo fosse imediatamente abaixo, enquanto que o modo janela, quando o consegui implementar, trancava-me na mesma a resolução do monitor para 640×480, simplesmente o jogo corria numa janela que era do mesmo tamanho da área visível do monitor. A minha última solução foi mesmo experimentar o emulador ScummVM. Este Escape from Monkey Island está em vias de ser oficialmente suportado e se descarregarmos uma versão em desenvolvimento do emulador (não estável), lá consegui correr o jogo dessa forma e em modo janela. Infelizmente tive alguns bugs e de facto a emulação pelo ScummVM está longe de estar perfeita, mas ao menos o emulador suporta nativamente comandos de Xbox, pelo que foi bem mais fácil de o jogar dessa forma.

O Monkey Kombat é talvez o puzzle/mini jogo mais mal amado

Portanto este Escape from Monkey Island é um jogo que é considerado por muitos a ovelha negra na série e é fácil de entender o porquê. Os gráficos em 3D não foram uma boa ideia pois não envelheceram tão bem quanto os dos seus predecessores, bem como tornaram o jogo bem mais complexo de correr em sistemas operativos recentes. As personagens não são tão memoráveis quanto as de outras aventuras e o jogo possui alguns puzzles mais frustrantes. Mas acima de tudo para mim é mesmo o facto de terem descartado a interface point and click para uma interface e controlos bem mais obtusos. Mas ainda assim, com todos os seus defeitos, continua a ser um jogo bem humorado e se não fosse mesmo todos os problemas técnicos que tive, teria-me divertido bem mais a jogá-lo. De resto, para além desta versão PC o jogo sai também para a PS2, onde supostamente até é uma melhor versão em alguns aspectos, como o Monkey Kombat estar melhor explicado, por exemplo.

SEGA Mega Drive Ultimate Collection (Sony Playstation 3)

Tempo para o que seria mais uma rapidinha, embora este seja um artigo que estará seguramente carregado de hiperligações a outros de cá do blogue. Isto porque o artigo de hoje é uma das várias compilações de jogos da Mega Drive que acabaram por ir saindo para os mais variadíssimos sistemas. Esta “Ultimate Collection” acabou por ultrapassada pela SEGA Mega Drive Classics, lançada para as consolas da geração seguinte, embora existam alguns títulos desta compilação que não estão incluídos na colectânea mais recente. Este artigo irá então focar-se no que esta compilação oferece como um todo, já os jogos em si, visto que a larga maioria já escrevi sobre eles algures no passado, terão apenas uma breve menção. Os que ainda não possuo na colecção para o sistema original tentarei ser um pouco mais abrangente. De resto, sinceramente já não me recordo quando nem onde comprei isto, mas foi seguramente muito barato.

Compilação com caixa, manual e papelada

Esta é uma compilação desenvolvida pela Backbone Entertainment, que por sua vez já havia trabalhado noutras compilações no passado (como por exemplo a Midway Arcade Treasures 2 que teima em não me aparecer), bem como convertido jogos retro (incluindo alguns da Sega) para lojas digitais e foram também os criadores de ambos os Sonic Rivals da PSP. Aqui temos ao nosso dispor nada mais nada menos que 40 jogos de Mega Drive para jogar logo de início e acesso a algumas funcionalidades de melhoria de qualidade de vida como é o caso dos save states, bem como customizar controlos, efeitos gráficos, entre outros. Cada jogo tem direito a um pequeno “museu” com uma breve descrição do mesmo e scans da sua capa e cartucho. Infelizmente apenas as versões norte-americanas são mostradas, poderiam perfeitamente também ter incluído as variantes japonesas e europeias, assim como os seus manuais completos. Seguramente que haveria espaço para tudo no bluray. Não deixa de ser estranho ter um jogo listado como “Story of Thor” para depois jogarmos um “Beyond Oasis”… De resto como seria de esperar temos também toda uma série de extras como vários jogos arcade, uma dupla de jogos Master System que pessoalmente apreciei bastante e uma série de pequenas entrevistas a vários criadores da Sega que trabalharam em muitos dos jogos aqui incluídos, assim como outros a trabalhar em projectos mais recentes, como é o caso do Sonic 06 ou Phantasy Star Universe e que aproveitaram para publicitar os seus mais recentes trabalhos. Adoro este tipo de extras, mas gostava que as entrevistas tivessem sido um pouco mais extensas! Todos estes extras terão no entanto de ser desbloqueados ao cumprir uma série de desafios ao jogar os jogos principais, como apanhar uma esmeralda no primeiro Sonic, fazer mais do que X pontos no Flicky, gastar X magias no Golden Axe, entre muitos outros exemplos.

Infelizmente a secção do museu apenas inclui a arte das versões norte-americanas e algum texto de trivia. Eu adoro este tipo de conteúdo, mas poderiam ter incluindo muito mais coisa. Seguramente haveria espaço suficiente no disco e a Sega facilmente poderia ter cedido mais material.

Mas que jogos temos então aqui nesta compilação? Temos o Alex Kidd in the Enchanted Castle, o único jogo da ex-mascote da Sega neste sistema, assim como o Alien Storm, uma espécie de beat ‘em up futurista, embora tenha também outros subgéneros misturados. Segue-se o Altered Beast, mais um clássico do início de vida da consola e o Bonanza Bros., um jogo que sempre achei bastante divertido mas que nunca teve a mesma fama que outros títulos. O Columns (cuja versão Mega Drive ainda apenas tenho em várias compilações Mega Games) é um dos dois jogos puzzle aqui presentes e o clássico Comix Zone também (e o quão bom foi poder jogá-lo novamente!). O Decap Attack é outro dos títulos aqui presente e o Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine é o segundo jogo de puzzle desta compilação (até à data, este é um título que apenas tenho na Mega Drive na compilação Sonic Compilation). Este jogo tem talvez o achievement mais exigente da compilação, visto que nos obriga a terminar o modo história e o Robotnik é um oponente temível. O Dynamite Headdy é infelizmente o único jogo da Treasure da compilação mas não deixa de ser um clássico. Temos também a dupla Ecco the Dolphin e Ecco: The Tides of Time, ambos jogos únicos, marcantes e o último com uma banda sonora incrível.

Save states, os melhores amigos do homem. Ou pelo menos dos adultos com vidas ocupadas.

O E-Swat sempre achei um interessante jogo de acção e que me fazia lembrar títulos como Shinobi ou Rolling Thunder. O Fatal Labyrinth é um roguelike simples mas é um dos mais antigos exemplos de um jogo digital numa consola (saiu originalmente no serviço online MegaNet no Japão) e o Flicky é um exemplo de um jogo arcade bastante antigo, mas que não deixa de ser divertido e desafiante (este é mais um dos que até à data apenas o tenho numa outra compilação). O Gain Ground é mais um exemplo de um jogo bastante original da Sega e que acaba por cair um pouco na obscuridade (até ver, apenas tenho a versão da Master System que é bem mais simples). A trilogia Golden Axe para a Mega Drive está aqui representada, o que é uma óptima notícia! O primeiro é um clássico absoluto das arcades e o segundo, apesar de não ter a mesma “magia” para mim, não deixa de ser um óptimo beat ‘em up.

Para além de save states podemos customizar vários aspectos da imagem. Se quisermos jogar com o aspect ratio original, geralmente temos uma imagem de fundo condizente com o jogo.

A inclusão do Golden Axe III é para mim outro dos pontos altos desta compilação. Sempre foi um jogo que me fascinou e lembro-me de gastar muitas horas a jogá-lo em emulação há mais de 20 anos atrás. Apesar de muitas das revistas ocidentais que o analisaram não terem gostado muito do jogo, para mim sempre foi o contrário: mais personagens, maior variedade de golpes a executar, mais níveis (incluindo caminhos alternativos) e os gráficos não são nada maus na minha opinião. Não entendo como é que este jogo apenas se ficou pela Ásia em formato físico! Talvez os fãs quisessem um Revenge of Death Adder? Também eu, mas a pobre Mega Drive não lhe conseguiria fazer justiça! Enfim… é um jogo que um dia destes me esforçarei para ter na colecção.

Ristar, um dos melhores jogos de plataforma da Mega Drive!

Segue-se o Kid Chameleon, um jogo de plataformas repleto de níveis e power-ups (e que teve o Mark Cerny, um dos manda-chuva da Sony Computer Entertainment actualmente, no seu desenvolvimento). Os Phantasy Star da Mega Drive estão também aqui presentes! O segundo é um jogo que aprecio bastante, embora seja consideravemente desafiante. O terceiro apesar de ser considerado uma ovelha negra na família, tem os seus méritos e a equipa que o desenvolveu, não tendo muita experiência em RPGs, até que teve algumas ideias interessantes. O Phantasy Star IV é só um dos melhores RPGs de sempre. A sério, joguem-no. O Ristar é um excelente jogo de plataformas que só não teve mais sucesso a meu ver por já ter saído no final de vida da Mega Drive. A trilogia Shining está também aqui presente nesta compilação, com ambos os Shining Force (excelentes RPGs tácticos da Camelot) e o Shining in the Darkness (um dungeon crawler simples porém bastante desafiante). Outro grande clássico aqui incluído é o Shinobi III, um dos melhores jogos de acção da geração e absolutamente recomendado.

Felizmente que temos também vários desbloqueáveis, incluindo versões arcade de clássicos também emuladas.

Como não poderia deixar de ser, temos jogos do Sonic aqui. Na verdade, temos todos os jogos do Sonic que saíram para a Mega Drive! Sonic the Hedgehog, Sonic 2 (sequela perfeita), Sonic 3, Sonic & Knuckles (infelizmente acho que não dá para jogar ambos “juntos”), bem como o Sonic Spinball e Sonic 3D (que me deu um certo sabor agridoce ao voltar a jogá-lo). O The Story of Thor é o último jogo algo “RPG” aqui incluído e mais um com banda sonora de Yuzo Koshiro. E claro, a série Streets of Rage não poderia faltar e temos aqui a trilogia da Mega Drive na sua plenitude. O primeiro é outro dos jogos que me enche de nostalgia de cada vez que o jogo, o segundo é mais uma daquelas sequelas perfeitas e o Streets of Rage 3 também é um óptimo jogo, pecando no entanto por algum conteúdo cortado face ao lançamento japonês. O Super Thunder Blade é outro dos jogos do início de vida da consola e sinceramente não acho que tenha envelhecido tão bem. Por fim temos ambos os Vectorman, com destaque especial para a sequela que, apesar de não ser tão boa quanto o primeiro jogo, é mais um daqueles que infelizmente nunca chegou a sair em solo Europeu.

Dois jogos de Master System também podem ser desbloqueados, incluindo o primeiro Phantasy Star, ficando a quadrologia assim disponível nesta compilação.

No que diz respeito aos extras, podemos desbloquear a versão arcade do Alien Syndrome (cuja versão Master System ainda teima em fugir-me), a versão arcade do Altered Beast (sinceramente preferia um jogo diferente visto termos cá a versão MD), o Congo Bongo (Tip Top nesta versão) é um jogo de arcade de 1983 e a resposta da Sega ao Donkey Kong da Nintendo. É quase um jogo 3D devido à sua perspectiva e apesar de não ser tão bom quanto o original da Nintendo (pela sua simplicidade), é de longe uma versão melhor que aquela que a própria Sega converteu para a sua SG-1000. A versão arcade do Fantasy Zone também marca a sua presença e é claramente superior à da Master System. A dupla de jogos da Master System que podemos desbloquear é o Golden Axe Warrior e o primeiro Phantasy Star. O Golden Axe Warrior é um clone de Zelda e um dos jogos que mais anseio ter um dia destes para a consola, mas os seus preços estão cada vez mais proibitivos. Já o Phantasy Star é outro clássico, apesar de actualmente existirem melhores versões para o jogarmos. Por fim temos também para desbloquear as versões arcade de mais 3 clássicos: Shinobi, o primeiríssimo jogo da série, o Space Harrier (versão bem melhor que a Master System viria a receber) e o Zaxxon, um shmup isométrico que teria sido bastante impressionante na sua altura. É o jogo mais antigo de toda a compilação, tendo sido lançado originalmente em 1982.

As entrevistas são outro dos desbloqueáveis e que eu tanto adoro! Pena que sejam curtas!

Portanto esta é uma óptima colecção, repleta de vários clássicos da Mega Drive e ainda faltam uns quantos essenciais que foram produzidos/publicados pela Sega, como é o caso do Revenge of Shinobi, Gunstar Heroes, Shadow Dancer ou mesmo os Wonder Boy. Facilmente trocava o Super Thunder Blade por qualquer um desses! Ainda assim temos aqui bastante conteúdo, incluindo todos os Golden Axe, Phantasy Star, Shining, Sonic e muitos outros excelentes títulos como o Shinobi III ou Comix Zone. Tendo em conta os preços cada vez mais proibitivos do retrogaming actualmente, esta compilação é uma óptima alternativa a quem quiser poder jogar de forma legítima alguns destes títulos que simplesmente encareceram bastante nos últimos anos, ou lançamentos de difícil acesso no mercado europeu. Do tempo que joguei cada um dos títulos a emulação pareceu-me bem decente também, mas tenho pena que não se tenham esforçado um pouco mais no conteúdo de “museu” ao incluirem apenas a arte das versões norte-americanas e mais nada. De resto, e para fechar, a Sega lança uns anos mais tarde a Sega Mega Drive Classics para sistemas da geração seguinte e essa também é uma compilação repleta de jogos e que inclui muitos dos clássicos que estão aqui em falta e já os mencionei, para além do Alien Soldier, outro dos jogos que no sistema original custa um balúrdio. No entanto alguns títulos como o primeiro Phantasy Star, Golden Axe Warrior ou alguns dos Sonics não estão lá presentes, pelo que tenham também isso em consideração.