Teenage Mutant Ninja Turtles (Nintendo Gameboy Advance)

Depois do enorme sucesso que os desenhos animados das tartarugas ninja tiveram no final da década de 80 e uma boa parte dos anos 90, a série ficou algo adormecida nos anos seguintes. Mas em 2003 lá decidem fazer uma nova série de animação, agora com um estilo artístico bem mais moderno e urbano e lá estava a Konami para adquirir os direitos para produzir videojogos uma vez mais. E assim o fizeram, com vários títulos lançados para as consolas de sexta geração e os sistemas portáteis de renome que a acompanharam. Este artigo refere-se então à versão Game Boy Advance do primeiro jogo desta nova série das tartarugas ninja e o meu exemplar é na verdade uma compilação com o segundo jogo que planearei jogar em breve.

Compilação com os primeiros dois jogos desta nova série. Completo com caixa, manuais e papelada

Ora e o primeiro apontamento a fazer é mesmo em relação à estrutura do jogo. Esta é uma experiência completamente single player e cada tartaruga terá um conjunto próprio de níveis para jogar, cada qual com a sua história. Uma vez concluídas as 4 campanhas é então desbloqueado o conjunto de níveis final, onde invadimos a torre de Shredder para o confrontar no final. A sensação que me dá é história de cada uma das tartarugas parece-me ser baseada nalguns dos episódios da primeira temporada dessa nova série, mas posso estar completamente errado visto que nunca vi esta série animada moderna. Digo isto porque temos histórias onde personagens como a April e Casey Jones são introduzidos como se ninguém os conhecesse, por exemplo.

No lugar das pizzas são estes itens verdes genéricos que nos regeneram parte da nossa barra de vida

Já no que diz respeito à jogabilidade, bom esta é inspirada tanto nos beat ‘em ups das antigas, como ocasionalmente com alguns elementos de plataforma. Isto porque apesar de andarmos à porrada como num beat ‘em up, a acção resume-se a um plano 2D apenas. Os controlos são simples com um botão para saltar, outro para atacar, e caso os pressionemos em simultâneo (ou então com o R), podemos desferir um poderoso golpe mas que também nos causa algum dano a nós próprios, pelo que teremos de o utilizar com alguma calma. Mantendo o botão de ataque pressionado faz com que lancemos um charged attack que é distinto de tartaruga para tartaruga, com o Michelangelo a atirar os seus nunchakus como se fossem bumerangues, o Leonardo e Donatello lançam poderosos ataques horizontais e verticais respectivamente e o Raphael dá uma de Chun Li ao desferir uma chuva de pontapés.

Visualmente o jogo até que é bem apelativo, com gráficos coloridos, bem detalhados e animados

De resto cada tartaruga possui ainda mais diferentes habilidades, entre si: o Michelangelo consegue saltar entre paredes, o Donatello utiliza o seu bastão para saltar mais longe, o Raphael consegue escalar paredes e o Leonardo… bom… esse consegue esgueirar-se em túneis de esgoto. Acho que a Konami não conseguiu pensar numa habilidade de jeito para ele. De qualquer das formas, com a campanha de cada tartaruga a ser diferente uma das outras, também é esperado que ocasionalmente tenhamos de utilizar estas habilidades únicas de cada tartaruga. Por fim convém também esclarecer que cada campanha está dividida em 4 actos (mais 2 da campanha final) sendo que em cada uma delas teremos um nível com veículos que também usa mecânicas únicas por tartaruga. No caso do Donatello temos um nível tipo shmup horizontal onde este voa numa asa-delta, com o Raphael conduzimos uma moto a alta velocidade e de certa forma até me faz lembrar o Excitebike, com o Leonardo conduzimos um veículo blindado e teremos de disparar para uma série de inimigos que nos vão surgindo à frente e por fim o nível do Michelangelo leva-nos a conduzir um skate por um circuito tubular, que me faz lembrar os níveis de bónus do Sonic 2.

Ocasionalmente somos surpreendidos com níveis com mecânicas completamente distintas dos outros

A nível audiovisual o jogo até que é bem competente, com gráficos bem detalhados e coloridos e os cenários até que vão sendo algo variados, alternando entre túneis do metro e do esgoto, as ruas da cidade de nova iorque ou o interior de fábricas e laboratórios científicos. Os inimigos e as próprias tartarugas estão também bem detalhadas, coloridas e animadas. Entre cada nível vamos tendo sempre cutscenes com imagens estáticas e que vão avançando a narrativa, pecando no entanto por serem demasiado longas e algo enfadonhas. As músicas são também agradáveis com uma vez mais a banda sonora a ter toda uma toada de rock.

Pena no entanto que as cutscenes sejam bastante enfadonhas

Portanto este primeiro jogo das tartarugas ninja para a Gameboy Advance até que é algo interessante, mas está longe de ser uma obra prima. Não há nada de muito errado com a sua jogabilidade, mas aquele meio termo entre beat ‘em up e jogo de plataformas faz com que o jogo não seja particularmente excelente num ou noutro campo. O facto de algumas das habilidades diferentes entre as tartarugas não serem assim tão úteis quanto isso também mostra que o jogo terá sido algo apressado no seu desenvolvimento. Ainda assim foi uma experiência agradável de se jogar e os seus gráficos são também um ponto bastante positivo.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters (Sega Mega Drive)

Vamos voltar à Mega Drive para um jogo de luta muito particular. Depois de vários beat ‘em ups bem sucedidos da série TMNT, a Konami decidiu entrar na moda dos jogos de luta 1 contra 1 popularizados por Street Fighter II e o resultado foram 3 TMNT Tournament Fighters distintos. Um lançado para a NES, outro para a SNES e um outro para a Mega Drive. Durante muito tempo achei que as versões SNES e MD eram similares, mas quando me apercebi que eram na verdade jogos bem diferentes entre si, a minha curiosidade tornou-se maior. O meu exemplar da Mega Drive foi comprado no passado mês de Dezembro a um amigo meu por 30€.

Jogo com caixa

A história leva-nos a controlar uma das 4 tartarugas bem como alguns dos seus amigos como é o caso da April e outras personagens que sinceramente não me recordo de quem sejam. O mestre Splinter foi raptado e as tartarugas terão de viajar para uma outra dimensão e defrontar uma série de clones maléficos (tanto das tartarugas, como das outras personagens jogáveis) para além de defrontarem alguns bosses até que possam finalmente salvar o mestre.

A ideia que a Konami arranjou para arranjar maneira de as personagens andarem à batatada umas com as outras foi a de clones maléficos

A nível de jogabilidade as coisas são relativamente simples pois este jogo utiliza apenas o comando de 3 botões da Mega Drive, com os botões A e B a servirem para socos e pontapés e o C para provocar o nosso oponente. Para dar socos ou pontapés fortes teremos de pressionar o botão respectivo em conjunto com o d-pad na direcção do nosso oponente. Para bloquear pressionamos para trás ou a diagonal baixo-trás, e se quisermos agarrar e atirar algum oponente teremos de os atacar mais proximamente. Até aqui tudo bem, mas este é um jogo extremamente desafiante, a inteligência artificial não nos dá qualquer margem de erro e para além do mais, apenas poderemos chegar ao final verdadeiro se o terminarmos no modo de dificuldade mais elevado. No que diz respeito aos modos de jogo, temos o modo história para 1 jogador onde o objectivo é o de combater todos os clones e eventuais bosses para depois salvar o mestre splinter. O modo para 2 jogadores dispensa apresentações e por fim temos um modo de torneio, que é uma espécie de survival, onde teremos de enfrentar 88 adversários consecutivamente, o que é uma autêntica epopeia.

O facto de os combates se passarem em planetas extraterrestres deu à Konami margem para uma criatividade fora de série nas arenas

No que diz respeito aos audiovisuais este até que é um jogo bem capaz nesse aspecto. As arenas são tipicamente muito bem detalhadas, embora com pouca animação nos cenários. O facto de cada combate se passar num planeta extraterrestre também deu uma maior liberdade criativa ao apresentar cenários assim tão extravagantes. As personagens estão também bem detalhadas embora seja notório o facto de a Mega Drive não conseguir apresentar mais que 64 cores em simultâneo no ecrã. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar aos efeitos sonoros que estão bem conseguidos, assim como as vozes digitalizadas. A banda sonora até é bastante boa, tirando uma ou outra excepção, foi uma excelente surpresa, particularmente na qualidade da percurssão.

Depois de derrotarmos todos os clones temos uns quantos bosses para defrontar, incluindo o Krang

Portanto este Teenage Mutant Ninja Turtles Tournament Fighters até que é um jogo de luta bem interessante. Muito porreiro no departamento audiovisual tendo em conta as capacidades do hardware, mas peca no entanto por ser um jogo muito difícil para o que seria o seu público alvo. A opinião geral é que a versão de SNES é superior, apesar de ser um jogo diferente, pelo que irei seguramente estar atento a ver se apanho um exemplar para a colecção.

Ys: The Ark of Napishtim (Sony Playstation 2 / Portable)

Vamos finalmente voltar à série Ys, já que aproveitei esta semana de férias para jogar mais um RPG que tinha em backlog. Lançado originalmente em 2003 para o PC, o sexto Ys foi o primeiro a utilizar um novo motor de jogo que viria posteriormente a ser utilizado em títulos como o Ys Origin ou Oath in Felghana (remake do Ys III). Em 2005 a Konami decide publicar esse jogo no ocidente, primeiro para a Playstation 2, no ano seguinte para a PSP, cada versão com conteúdo adicional distinto. Apesar de eu possuir ambas as versões na minha colecção, este artigo irá se incidir principalmente para a versão PS2 que foi a que terminei. Irei, no entanto detalhar as suas principais diferenças sempre que possível. A versão PSP foi a primeira que comprei, já não sei precisar quando nem onde mas creio que me custou algo em volta dos 20€. Anos mais tarde, quando me apercebi que a versão PS2 era supostamente superior, lá comecei a procurar essa versão também mas infelizmente os seus preços já tinham subido consideravelmente. Este meu exemplar veio então de uma loja alemã por 30€ em Agosto de 2021. Caixa e manual em alemão, mas era isso ou pagar o dobro por uma versão inteiramente em inglês.

Jogo com caixa, papelada e manual a cores! Pena que esteja em alemão.

A história segue uma vez mais as aventuras do espadachim de cabelos vermelhos, Adol Christin, que se encontrava a beber uns copos com o seu amigo Dogi quando ambos são surpreendidos por soldados do império de Romun e têm de fugir repentinamente. Então metem-se num barco com piratas seus amigos mas que acabam por ser perseguidos pela armada imperial. Aproximam-se perigosamente das ilhas de Canaan que estão rodeadas por uma enorme tempestade, um vórtice que suga tudo o que se aproxima e, naturalmente, Adol acaba por cair ao mar e chegar a uma praia próxima, naquele que é um cliché habitual nesta saga. Lá conhecemos os membros da tribo Rehda, uma espécie de elfos com caudas que nos contam que na ilha vizinha existe uma população humana, formada por várias pessoas que ali também naufragaram. As tensões entre ambos os povos estão altas pois a ponte que os unia foi destruída e um artefacto importante dos Rehda foi roubado. Inicialmente teremos então de tentar apaziguar as coisas entre ambos os povos bem como explorar a ilha e suas ruínas em busca de uma forma de parar o tal vórtice que previne barcos de entrar ou sair das ilhas em segurança. Mais lá para a frente as coisas acabam por escalar como é habitual.

Jogo com caixa e manual, versão norte americana já que o jogo não saiu cá.

Este é mais um action RPG e se jogaram o Ys Origin, Oath in Felghana ou qualquer outro Ys mais recente já sabem mais ou menos com o que contar. Com o novo motor gráfico inteiramente em 3D, os controlos foram adaptados para o combate ser mais dinâmico como a inclusão de combos. Uma habilidade que aqui introduziram foi o jump dash, que consiste em pressionar o d-pad numa direcção e, uma fracção de segundo depois, pressionar os botões de ataque e salto em simultâneo. Isto faz com que saltemos mais longe e embora não seja necessário para terminar o jogo, caso o queiramos completar a 100% e coleccionar todos os itens e power ups teremos alguns desafios de platforming que nos obrigam a usar esta habilidade consecutivamente. O problema é que para a despoletar é um martírio pois nem sempre conseguimos acertar com o timing exigente.

A versão PS2 possui todos os diálogos com voice acting. Infelizmente na versão europeia removeram a opção de ouvir o voice acting original japonês, talvez por terem incluído texto noutras línguas também.

De resto, para além de novo equipamento e armas que poderemos eventualmente encontrar, poderemos também equipar certos acessórios que nos dão importantes benefícios como imunidade a estados como envenenamento, paralisia ou confusão, receber mais experiência, dinheiro ou os cristais emel, uma novidade aqui introduzida. Isto porque Adol vai possuindo espadas feitas com esse material e que possuem também propriedades mágicas. Ao longo do jogo, na aldeia humana, temos quem nos possa melhorar essas espadas a troco desses cristais. Outros itens regenerativos podem também ser coleccionados assim a possibilidade de os assignar a um botão (triângulo) para rápido uso. Tal como referi acima as espadas têm propriedades mágicas que nos permitem executar ataques mágicos. Mas para estes serem usados é necessário que a barra de magia esteja cheia. Felizmente esta vai-se enchendo com o combate ou, à medida que melhoremos as espadas com o emel recolhido, a barra de magia irá-se regenerando sozinha.

O combate continua super intenso como habitual nos Ys e teremos também uns quantos bosses grandes e bem detalhados para combater

A nível audiovisual e também como já referi acima, este é o primeiro jogo da Falcom que utiliza um novo motor gráfico que foi posteriormente utilizado no Ys Origin e Oath in Felghana. A nível poligonal não esperem um motor muito avançado, mas tudo isso é recompensado com texturas bem detalhadas e uma arte muito bem conseguida. Enquanto o original de PC mantinha ainda personagens e inimigos em 2D, estas foram agora mudadas para gráficos poligonais na versão PS2, mas sinceramente não têm o mesmo charme. O facto de a versão PC suportar resoluções muito maiores acaba também por ser um factor importante pois mantêm os gráficos bastante limpinhos. A versão PS2 acrescenta também algumas cutscenes em CGI. A banda sonora é, como vem sendo habitual, agradável e bastante eclética, embora eu sinta saudade dos temas mais hard rock e repletos de grandes guitarradas de outros títulos. Atenção, esses temas mais pesadinhos estão também aqui presentes, sendo tipicamente guardados para alguns bosses, pelo que são músicas que não vamos ouvir muitas vezes. A versão PS2 tem também voice acting para todos os diálogos. No caso da versão norte-americana teríamos inclusivamente a opção de alternar entre o voice acting japonês e inglês, já na versão europeia estamos presos ao em inglês que sejamos sinceros, não é muito bom e repleto de vozes irritantes. Estão a ver quando uma pessoa tem que dar vozes a várias personagens diferentes e então inventa vozes estranhas? É isso que temos aqui. Mas não deixa de ter sido um passo ambicioso o facto de TODAS as personagens terem voz, excepto o Adol, claro.

Estes monumentos azuis servem para nos curar e gravar o progresso no jogo. Na versão PC relançada pela XSeed em 2015 podemos inclusivamente teletransportar entre todos estes marcos já desbloqueados, o que ajuda imenso no backtracking.

Mas quais são as restantes diferenças introduzidas tanto nas versões PS2 e PSP tendo em conta o lançamento original de PC? Na PS2 temos as Alma’s Trials, um conjunto de dungeons adicionais com alguns puzzles, muito dash jumping e alguns bosses reciclados. A versão PSP não inclui as Alma’s Trials mas traz outros extras como uma nova dungeon e uma biblioteca onde poderemos coleccionar imagens e biografias das personagens envolvidas. Apesar de manter as sprites 2D e manter as cut-scenes anime da versão PC, por outro lado não tem o voice acting, e como um todo é uma versão que se joga pior, com loadings frequentes e muito longos, constantemente quebram a acção. Mas sejamos sinceros e coleccionismos à parte, de longe a melhor versão é a que a XSeed trouxe para o PC (steam) em 2015. Para além de melhorias técnicas como o suporte a widescreen e novos modos de dificuldade, há uma mecânica nessa versão que dá um aumento drástico da qualidade de vida: a possibilidade de nos teletransportarmos entre zonas, enquanto que na versão PS2 podemos apenas teletransportar dentro de uma dungeon para o seu início. Com todo o backtracking que teremos de fazer, quanto mais não seja para comprar mantimentos, essa é uma funcionalidade muito benvinda.

Na versão PS2 temos direito a uma cutscene em CGI que conta um pouco do porquê de Adol ter, uma vez mais, naufragado e acordar numa praia aleatória.

Portanto este Ys The Ark of Napishtim é mais uma sólida entrada na série, que, tirando todos os ports e remakes que foram feitos no final dos anos 90 ou inícios de 2000, tinha entrado num longo período de pausa de novos lançamentos. Mas felizmente a Falcom veio com tudo e modernizou a série de forma a torná-la mais atractiva para uma nova geração e este Ark of Napishtm serviu de base para os lançamentos que surgiram nos anos seguintes. E é um jogo bem sólido, embora eu recomende vivamente que joguem antes a versão PC. Os extras introduzidos tanto nas versões PS2 ou PSP não compensam as melhorias de qualidade de vida introduzidas na versão da XSeed de 2015. E os gráficos mais limpos, claro!

Policenauts (Sega Saturn)

Há uns tempos atrás decidi rejogar o Snatcher após finalmente ter desistido de comprar a versão Mega CD que anda caríssima e ter ficado antes com as versões PC-Engine (da qual a versão Mega CD deriva) e Sega Saturn. É um jogo de aventura cyberpunk com uma narrativa bem madura e empolgante como Kojima nos tem vindo a habituar. Mas para além deste e dos dois primeiros Metal Gear, Kojima decidiu desde cedo criar uma espécie de sucessor espiritual de Snatcher e o resultado foi este Policenauts, lançado originalmente em 1994 para o sistema nipónico PC-98. Presumo que tenha sido outro sucesso pois nos anos seguintes saíram também, exclusivamente no mercado japonês, versões para a 3DO, Playstation e Sega Saturn cuja trago hoje. Tanto esta versão como a da PS1 felizmente receberam um patch de tradução feito por fãs já há uns bons anos atrás, pelo que a acabei finalmente por jogar em emulação. O meu exemplar foi comprado algures em Abril de 2020 no ebay por 40 libras.

Jogo com sleeve de cartão, caixa, livro de arte, manual, 3 discos e papelada diversa

Sim, o espaço é um dos elementos centrais deste Policenauts. A personagem que nós controlamos, Jonathan Ingram, foi um dos cinco elementos que fundou essa força policial, a primeira a trabalhar numa colónia espacial gigante chamada Beyond. A introdução leva-nos ao ano de 2013 onde Jonathan, numa operação de rotina, vê o seu fato espacial a avariar o que o leva a ficar à deriva no espaço e presumivelmente morto para os seus colegas. Mas felizmente ele tinha um sistema de preservação de vida que o coloca em hibernação e à deriva no espaço, até que, 25 anos depois, é encontrado e trazido de volta à Terra. A sua vida mudou radicalmente e perdeu todo o contacto com os seus antigos colegas e família, tornando-se agora numa espécie de detective privado, num mundo cada vez mais violento e perigoso. Eis que chega o ano de 2040 e entra pelo seu escritório a sua ex-mulher Lorraine, com a qual ele já não falava há mais de 30 anos. Lorraine está aflita e pede a ajuda de Jonathan pois o seu actual marido, um cientista de uma mega corporação, está desaparecido há semanas sem qualquer rasto. Jonathan nessa altura fica algo hesitante em aceitar o seu pedido de ajuda, mas mal Lorraine entra de volta no seu carro, este explode, matando a senhora. Cheio de raiva, Jonathan lá decide viajar para a colónia espacial, reencontrar os seus antigos colegas e averiguar o mistério do assassinato da sua ex-mulher e desaparecimento do marido. Naturalmente que iremos aos poucos descobrir uma grande conspiração e deixo o resto para quem vier a jogar este Policenauts o descobrir!

Quaisquer semelhanças com o Lethal Weapon não são mera coincidência

O jogo é uma aventura gráfica quase ao estilo dos point and clicks, onde teremos imensos cenários para explorar e pessoas para conversar. A jogabilidade em si é simples. No ecrã controlamos um cursor e podemos clicar onde quisermos no cenário em questão, com diferentes opções a surgirem para escolhermos, mediante o local onde clicamos. Poderemos observar, interagir com objectos ou, caso cliquemos nalguma pessoa o ecrã transita para uma perspectiva mais próxima da pessoa em si, onde a poderemos observar em mais detalhe, assim como alguns dos objectos nas suas imediações e claro, dialogar. A janela de diálogo permite-nos explorar diferentes linhas de conversa que muitas vezes têm de ser levadas à exaustão para a história avançar. Para além da história e exploração, teremos também alguns segmentos de acção onde, tal como no Snatcher, temos de disparar sobre alguns bandidos que vão surgindo no ecrã, tal como num light gun shooter. Enquanto que no Snatcher o ecrã de batalha se dividia numa espécie de matriz, com a mira a alternar entre várias posições dessa matriz, aqui os combates são mais intensos e dinâmicos. Um dos pontos fortes da versão Sega Saturn é precisamente o suporte a light gun, que tornam estes segmentos bem mais interessantes para se jogar. Para além disso, e sendo este um jogo do Kojima, existe uma quantidade absurda de informação e terminologias novas. Basicamente, todas as palavras ou expressões que surgem nos diálogos acompanhadas de um asterisco, podem ser consultadas num glossário que Kojima preparou. Glossário esse que aparentemente apenas existia em discos bónus lançados separadamente do jogo principal noutras plataformas, mas na versão Saturn está incluído com o jogo base também e pode ser consultado em qualquer fase de exploração.

Referências a outros jogos do Kojima não são incomuns, com a presença de Meryl a ser a mais gritante

A narrativa é muito boa e se Snatcher era fortemente influenciado por filmes como Blade Runner e The Terminator, este Policenauts é uma espécie de Lethal Weapon futurista. Aliás, se não fosse o cabelo azul de Jonathan este seria uma réplica perfeita de Mel Gibson, assim como Ed, o seu parceiro, é uma réplica quase perfeita de Danny Glover. A narrativa começa em alto tom, com a introdução e os eventos que levam Jonathan a viajar para a colónia espacial em busca de resolver o mistério. Mas assim que lá chegamos a narrativa abranda um pouco, pois iremos aproveitar esse tempo para explorar novos locais, conhecer novas personagens e reencontrar os antigos companheiros de Jonathan nos Policenauts, incluindo o tal Ed que nos irá acompanhar ao longo de todo o restante jogo. Mas a partir da segunda metade do jogo a narrativa volta uma vez mais a tornar-se bem mais intensa, com uma enorme conspiração a ser descoberta aos poucos e muitos volte-faces vão-nos fazer ficar agarrados ao comando só para ver o que irá acontecer a seguir!

Bom, digamos que Jonathan é um pervertido

Visualmente é um jogo interessante, parecendo quase um anime interactivo. No entanto, tal como muitas visual novels nipónicas os cenários ainda são estáticos durante a exploração e mesmo nos diálogos, com a câmara mais próxima da personagem em questão, continua a não haver muito movimento. Ainda assim teremos várias cutscenes pelo meio, tanto em CGI, como em animação mais tradicional e mesmo os cenários mais estáticos têm um look anime que resulta bastante bem. A banda sonora é bastante eclética, com músicas para todos os momentos da narrativa, desde os mais alegres, para aqueles mais tensos e cheios de suspense. E sim, mais um piscar de olho aos típicos filmes policiais dos quais o jogo se inspira: músicas com saxofone. O voice acting é todo em japonês e parece-me bastante competente. E claro, sendo este um jogo do Kojima, esperem também por várias referências a outros dos seus jogos lançados até à data. A mais gritante é mesmo a presença da Meryl de Metal Gear como personagem com alguma importância na história, mas ocasionalmente encontraremos também várias referências a Snatcher.

A versão Saturn inclui bastante conteúdo adicional que estaria apenas disponível em discos separados nas outras plataformas

Em conclusão devo dizer que continuo a gostar mais do Snatcher, pois tinha um melhor balanço entre momentos sérios e cómicos. Aqui o humor quando existe é bastante pervertido: sempre que interagimos com uma personagem feminina, caso cliquemos nos seus seios existe sempre a opção de os tocar e se o fizermos (repetidamente até), é aí que entram os momentos de bom humor por todo o absurdo da situação. Mas tirando isso, o Policenauts não deixa de ser uma excelente aventura, com uma óptima narrativa. A versão Sega Saturn é, até ao momento, a melhor versão do jogo. Para além de incluir suporte a light gun para os tiroteios, tem também o tal glossário incluído no jogo, assim como muito outro conteúdo extra como entrevistas, trailers e pequenos vídeos de making of, tudo coisas que noutras plataformas estaria apenas disponível em discos à parte. Para além disso a versão Saturn por incrível que pareça é a que tem os vídeos com o melhor framerate, pecando no entanto na qualidade da imagem, bem como algumas cenas e diálogos adicionais, não presentes noutras versões. Aparentemente em 1996 a Konami chegou a considerar um lançamento ocidental desta versão, mas tal acabou por não se concretizar, infelizmente. Ainda assim só temos a agradecer aos fãs devotos que lançaram patches de tradução para as versões PS1 (em 2009) e Saturn (em 2016).

Teenage Mutant Hero Turtles II: The Arcade Game (Nintendo Entertainment System)

Vamos voltar agora à NES para mais um clássico da Konami. Depois do primeiro Turtles que a Konami desenvolveu, decidiram posteriormente produzir mais um, mas nas arcades. Devido aos seus excelentes gráficos muito semelhantes à série animada, uma também excelente banda sonora, mas acima de tudo, pela capacidade de 4 jogadores jogarem cooperativamente em simultâneo, esse The Arcade Game foi um sucesso. Naturalmente seguiram-se conversões para vários sistemas, mas esta da NES foi tratada pela própria Konami também. Por esta altura, o fosso tecnológico entre a NES e as máquinas arcade de última geração era algo gigantesco, no entanto a Konami conseguiu, mesmo com vários sacrifícios, produzir uma conversão bastante competente e até com algumas coisas novas! O meu exemplar foi comprado a um amigo meu por 5€ no passado mês de Junho.

Cartucho solto

Ora nós começamos esta aventura por tentar salvar a jornalista April, que foi uma vez mais raptada pelo vilão Shredder. Teremos então de enfrentar inúmeros dos seus minions, os Foot Clan, bem como vários dos bosses que nos habituamos a ver na série animada. Mas o que realmente interessa reter daqui é que este é um beat ‘em up à antiga e temos muita porrada para distribuir! Infelizmente várias coisas tiveram de ser cortadas face ao original arcade, a começar pelo suporte a 4 jogadores. Apesar de podermos escolher qualquer uma das 4 tartarugas para representar, apenas 2 jogadores poderão jogar cooperativamente.

O efeito gráfico do fogo logo no primeiro nível ficou muito bem conseguido!

A nível de controlos as coisas são simples com um botão para atacar e um outro para saltar. Infelizmente algumas das animações também foram cortadas, pelo que não temos tantos golpes como na versão arcade. Mas os specials (ao pressionar ambos os botões em simultâneo) mantiveram-se, embora sejam idênticos em todas as tartarugas. O jogo em si é bastante desafiante, pois a maioria dos inimigos têm frames de invencibilidade, o que não nos permite atacar o mesmo inimigo continuamente. Para além disso, é frequente sermos atacados por 3 ou 4 inimigos em simultâneo, pelo que facilmente podemos ser “ensanduichados”. Uma vez mais, fatias de pizza recuperam a nossa barra de vida, mas não são assim tão comuns quanto isso. Também não podemos apanhar outros itens ou armas do chão, embora certos objectos dos cenários sejam interactivos e geralmente conseguimos causar dano aos inimigos se o nosso timing for bom. Por exemplo, podemos atacar sinais de estrada que saem disparados e causam dano a algum inimigo que se atravesse à sua frente. Por outro lado, alguns inimigos também nos atiram com objectos (como tampas de saneamento), mas se tivermos bons reflexos conseguimos atirá-las de volta.

Esta versão para a NES traz alguns níveis novos, com novos inimigos e bosses também

Já no que diz respeito aos gráficos, bom, este é naturalmente um grande downgrade quando comparado ao original. Nem seria de esperar outra coisa, tendo em conta a diferença de hardware entre ambas as plataformas. Mas caramba, a Konami esforçou-se mesmo! E sim, muito detalhe foi perdido, tanto nos gráficos, como nas animações, ainda assim o que aqui temos é excelente para um sistema modesto como a NES. Os níveis estão muito bem detalhados dentro das suas limitações, logo o efeito de fogo no primeiro nível é muito bom! Para além disso, a Konami introduziu ainda dois novos níveis nesta versão: o primeiro leva-nos a uma Nova Iorque cheia de neve, enquanto que o outro é um dojo que antecede a nossa chegada à Technodrome, onde iremos eventualmente defrontar o Shredder. A banda sonora é também excelente, como a Konami bem nos habituou nos seus clássicos na NES.

Ocasionalmente temos também algumas pequenas cutscenes que fazem avançar a história

Portanto esta adaptação do clássico arcade da Konami acaba por ser bem surpreendente, principalmente por correr num sistema tão modesto quanto a NES. Acho que, no entanto a jogabilidade poderia ainda ser um pouco melhorada, com a inclusão de mais golpes ou a retirada dos frames de invencibilidade dos inimigos, que não nos deixa fazer uns bons combos. A Konami ainda lançou um outro beat ‘em up Turtles na NES, o Manhattan Project. Esse parece ser ainda melhor, mas infelizmente acabou por não ser oficialmente lançado por cá na Europa. É uma pena!