Ordyne (PC Engine)

Vamos voltar à PC Engine para mais um dos muitos shmups que o sistema recebeu ao longo do seu ciclo de vida. Ordyne é um título da Namco, lançado originalmente nas arcades e que, tal como vários outros jogos da segunda metade da década de 80, acabou por receber uma conversão, pelas mãos da própria Namco, para este sistema. O meu exemplar foi comprado na Vinted a um particular, algures no início do passado mês de Outubro, em conjunto com outro shmup que planeio trazer cá em breve.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Ordyne é, na verdade, um cute ‘em up, graças aos seus gráficos coloridos, melodias enérgicas, uma atmosfera notoriamente alegre e uma direcção artística muito anime, fazendo-me lembrar títulos como Fantasy Zone ou TwinBee. A história não podia ser mais simples, caindo no cliché mais recorrente dos videojogos: ter de salvar a namorada de alguém. Controlamos o cientista Yuichiro Tomari ou o seu assistente Sunday Chin (caso optemos por jogar em multiplayer cooperativo), com o objectivo de resgatar Kana, a namorada de Tomari, das garras do Dr. Kubota, um cientista rival.

As lojas são estes estranhos aviões com um sinal de “Come IN“

Os controlos não poderiam ser mais simples, com um botão para disparar o nosso canhão primário e outro para largar bombas numa trajectória em arco. Tal como acontece em Fantasy Zone, vamos ter a possibilidade de visitar lojas em determinados momentos ao longo do jogo, onde poderemos comprar power-ups para a nossa nave. Para isso, precisamos primeiro de ir amealhando uma série de cristais coloridos, que servirão de moeda de troca nestas lojas. Os upgrades dividem-se entre permanentes, como vidas extra ou melhorias na agilidade da nossa nave, e temporários ou limitados, como novas armas ou bombas. Os melhoramentos para o nosso canhão principal têm uma duração limitada, enquanto os das bombas estão limitados a um determinado número de utilizações, pelo que poderá ser conveniente guardá-las até chegarmos ao boss do nível.

Visualmente é um jogo bastante competente e com uma atmosfera alegre

Para além das lojas convencionais, temos também outras onde poderemos participar num mini-jogo de lotaria que nos permite ganhar alguns power-ups ou simplesmente mais cristais para gastar nas restantes lojas. Caso ganhemos algum power-up, temos a opção de escolher entre activá-lo imediatamente ou guardá-lo para mais tarde, algo que seria interessante ver implementado também nas lojas convencionais. É que alguns dos itens, por muito poderosos que sejam, expiram ao fim de poucos segundos, podendo não sobreviver até chegarmos ao boss ou a algum outro segmento de maior dificuldade.

Os cristais que coleccionamos traduzem-se em dinheiro que pode ser utilizado para comprar vários upgrades

Já no que toca aos audiovisuais, Ordyne é um jogo simples, mas bastante competente. O original arcade possui, como seria de esperar, alguns efeitos gráficos que seriam muito difíceis de replicar numa consola mais modesta como a PC Engine. Ainda assim, o estilo artístico mais colorido e fofinho, com aquele aspecto de desenho animado, manteve-se nesta transição. Os níveis são também bastante variados entre si, atravessando céus, cavernas, castelos ou até zonas aquáticas, onde a nossa nave se torna naturalmente muito mais lenta. As músicas são igualmente agradáveis, mantendo o tom bastante enérgico e alegre.

No fim de contas, Ordyne é um pequeno, mas agradável shmup a visitar na biblioteca da PC Engine. É um jogo muito simples nas suas mecânicas e, tirando um ou outro momento de maior aperto já na segunda metade da aventura, é também um título relativamente acessível para quem se queira iniciar no género. O facto de possuir ainda multiplayer para dois jogadores é outro bom chamariz!

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Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

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