Torico (Sega Saturn)

Tempo de voltar à Sega Saturn para um jogo que me despertava bastante curiosidade quando era miúdo. Sendo um título inteiramente baseado em full motion video, com gráficos gerados por computador, era naturalmente um jogo que parecia muito bonito nas imagens das revistas, e foi isso que me chamou a atenção na altura. No entanto, nenhum dos meus amigos com Sega Saturn o tinha, pelo que durante muitos anos não soube ao certo do que se tratava. Eventualmente, lá consegui arranjá-lo para a colecção, algures neste Verão, pelo que chegou finalmente a vez de o jogar.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Torico é um jogo estranho e misterioso, a começar pela sua premissa. Nós controlamos Fred, um jovem viajante que perdeu todas as suas memórias há quatro anos e decide visitar a City of Mists em busca de respostas. Ora, existe uma lenda local sobre uma cidade mágica, a City of Moons, onde todos os nossos desejos podem ser realizados. Reza a lenda que quem conseguir escapar de lá perderá todas as suas memórias, ganhando também uma estranha tatuagem na testa. Precisamente o que aconteceu a Fred! Mas, assim que chega à City of Mists, o nosso protagonista acaba feito prisioneiro pelo Lord Gordon, o líder daquela comunidade, que a governa com mão de ferro. É então que ficamos a conhecer a nossa missão: descobrir novamente o caminho para a tal cidade mágica, sob pena de perdermos a vida.

Este é um daqueles jogos em que cada acção ou transição de ecrã é uma cena em full motion video

Torico é uma aventura gráfica desenvolvida pela mesma equipa que nos trouxe Yumemi Mystery Mansion para a Mega CD e a sua sequela, The Mansion of Hidden Souls, para a Sega Saturn. A jogabilidade é bastante semelhante à destes títulos, com toda a movimentação a decorrer em primeira pessoa e cada movimento a ser apresentado através de um pequeno clipe em full motion video. Os controlos seguem uma abordagem bastante minimalista, com a maior parte do jogo a ser controlada apenas com o direccional: esquerda e direita permitem-nos rodar a câmara nessa direcção, enquanto cima nos faz avançar. Este último comando também serve para interagir com os cenários e recolher objectos. Os botões faciais são utilizados apenas nos menus, incluindo o X, que abre o inventário, onde podemos consultar os itens que fomos recolhendo e utilizá-los nas situações apropriadas. Já o botão Z permite rever diálogos anteriores, caso precisemos de refrescar a memória. A jogabilidade é, portanto, simples, com o jogo a incentivar-nos a explorar cuidadosamente os cenários, falar com as personagens e recolher e utilizar objectos. O problema é que nem sempre é fácil perceber o que precisamos de fazer para avançar na narrativa. Isto torna-se particularmente frustrante na segunda metade da aventura, muito por culpa dos cenários mais labirínticos e das respectivas salas de teletransporte, que podem tornar a progressão bastante confusa.

Apesar de não ser um jogo assustador, temos algumas personagens bizarras. Eu pelo menos ficaria desconfortável se acordasse numa prisão com este senhor a falar comigo desta forma

No que toca aos audiovisuais, Torico segue a mesma abordagem de Yumemi Mystery Mansion, apresentando toda a movimentação e as interacções através de sequências de vídeo com gráficos gerados por computador. Estamos a falar daquela qualidade de CGI ainda bastante primitiva, tão típica dos anos 90 e que tanta nostalgia me traz. A banda sonora é bastante mística e agradável, embora as vozes não sejam propriamente extraordinárias.

Confesso que, por algum motivo, esperava encontrar uma experiência mais aterradora, mas não foi bem isso que encontrei. Ainda assim, Torico revelou-se um jogo interessante, sobretudo pela sua história misteriosa e pelas personagens que vamos conhecendo ao longo da aventura. Infelizmente, é também um título que envelheceu mal, com uma progressão por vezes demasiado confusa e uma apresentação audiovisual que, apesar de ter o seu charme nostálgico, já não impressiona como certamente o fazia nos anos 90. Ainda assim, foi bom finalmente descobrir um jogo que me despertava tanta curiosidade em miúdo, acabando por ser uma escolha interessante para esta época de Halloween.

Guardian Heroes (Sega Saturn)

A Treasure, empresa formada por ex-funcionários da Konami, foi responsável pelo desenvolvimento de alguns dos jogos de acção mais fascinantes da geração 16-bit, com títulos como Gunstar Heroes, Dynamite Headdy ou Alien Soldier a serem sólidos exemplos de excelência em mecânicas de jogo, performance e habilidade técnica. Guardian Heroes é o primeiro título da Treasure para uma consola de 32-bit, pelo que as expectativas dos fãs estavam elevadas. E felizmente não desilude, sendo um jogo bastante diferente de tudo o que a Treasure havia lançado até então.

Jogo com caixa e manuais

Guardian Heroes é, acima de tudo, um beat’em up, embora tenha alguns ligeiros elementos de RPG e um sistema de escolhas que nos poderá levar a atravessar diferentes níveis em cada sessão de jogo, inclusivamente alcançar um de vários finais possíveis. A história é um pouco obtusa, mas o essencial a reter é que estamos perante um jogo com uma temática de fantasia medieval, onde controlamos uma personagem de um pequeno grupo de rebeldes que luta contra a tirania da família real local. Entretanto, vamos percebendo que existe uma conspiração muito maior por detrás de tudo isto, envolvendo guerreiros contra feiticeiros e até anjos contra demónios, aqui representados pelos Sky e Earth Spirits, respectivamente.

No fim de cada nível tipicamente temos uma escolha para fazer que nos levará a caminhos (e finais) distintos

O modo história conta inicialmente com quatro personagens jogáveis, com uma quinta desbloqueável, sendo que cada personagem possui um estilo de luta diferente. Samuel Han é o tanque habitual, um espadachim bastante resistente, mas com poucos poderes mágicos. Já Randy é o oposto: um feiticeiro fisicamente fraquinho, mas de longe com as melhores magias. Ginjirou é um ninja, ataca sem quaisquer armas, possui combos mais complexos e longos e tem boas magias também. Nicole é a healer tradicional. Não tem um ataque físico incrível e as suas magias são mais defensivas ou restaurativas. Por fim, temos Serena, uma cavaleira bastante poderosa e a tal personagem desbloqueável depois de conseguirmos chegar ao final do jogo pelo menos uma vez. A acompanhar-nos no jogo teremos também uma espécie de guerreiro zombie, o Undead Warrior, que nos poderá ajudar em combate. Podemos inclusivamente dar-lhe ordens para atacar, defender-nos, seguir-nos, ficar parado ou simplesmente entrar em modo de ataque desenfreado.

A capa de Nicole é a prova viva que transparências reais são possíveis no hardware da Sega Saturn. O problema é que nem sempre é possível renderizá-las devido às diferenças dos dois chips gráficos que a Saturn possui

Apesar de Guardian Heroes ser um beat ‘em up, de certa forma controla-se como se de um jogo de luta 2D tradicional se tratasse, na medida em que o botão de cima salta e o de baixo agacha. O jogo não nos permite, portanto, navegar livremente por um plano tridimensional, mas cada nível possui, digamos, diversas camadas ou planos de movimento, e os botões L e R servem para alternar entre elas. O botão Y também permite mudar de plano, inclusivamente saltando directamente entre o mais afastado e o mais próximo. Os botões faciais Os botões faciais A, B e C servem para bloquear e desferir ataques fracos ou fortes. Já os botões X, Y e Z servem, respectivamente, para dar ordens ao guerreiro zombie, alternar entre planos de movimento ou usar magias. Cada personagem possui golpes e magias especiais que, tal como num jogo de luta tradicional, nos obrigam a executar uma série de combinações de botões. As mecânicas de RPG existem na medida em que cada ataque bem sucedido corresponde a pontos de experiência que eventualmente nos fazem subir de nível. No final de cada nível, lá temos direito a uma janela onde, por cada nível subido, somos recompensados com skill points que poderão ser distribuídos livremente entre força, vitalidade, inteligência, mental protection, agilidade ou sorte, o que nos permite customizar a nossa personagem de forma bastante mais livre.

Este guerreiro zombie vai dar um jeitaço incrível. Mas por outro lado, quandos mais inimigos ele derrotar, menos experiência ganhamos, o que é mau a longo prazo.

Tudo isto resulta num jogo de acção frenética como a Treasure bem nos habituou, com inúmeros inimigos a surgirem no ecrã vindos de todas as direcções, bosses desafiantes e uma jogabilidade simplesmente empolgante. Colocar o guerreiro zombie a atacar vertiginosamente, apesar de bastante útil para nos ajudar em momentos de maior aflição, também terá as suas desvantagens, pois qualquer dano causado por ele é experiência que nós não vamos ganhar. Se abusarmos desta mecânica, poderemos chegar às fases finais do jogo demasiado fracos, algo que não queremos que aconteça. Mas mais importante que tudo isto é mesmo o modo multiplayer. Mas mais importante que tudo isto são mesmo os modos multiplayer. Não os cheguei a experimentar, mas podemos jogar o modo de história com dois jogadores, o que presumo que nos retira o tal guerreiro zombie que nos acompanha. Mais interessante que isso é mesmo o modo versus. Para além de, recorrendo a um multitap, nos permitir jogar partidas com até 6 jogadores, teremos um máximo de 45 personagens jogáveis neste modo de jogo. Basicamente, todas as personagens normais, inimigos e bosses que vamos derrotando serão desbloqueáveis neste modo de jogo adicional. Seis pessoas à batatada deve ter sido realmente algo de luxo para se ver!

No final de cada nível podemos distribuir os skill points que juntamos ao longo do nível.

Já no que toca aos audiovisuais, Guardian Heroes é um jogo bastante competente nesse campo. Apesar de a geração 32-bit ter ficado marcada pela “revolução poligonal”, ao trazer ao consumidor comum máquinas acessíveis com capacidade para renderizar de forma nativa gráficos em 3D, a Treasure ainda demorou a adoptar essas novas tecnologias. E ainda bem, pois a Sega Saturn é uma máquina com excelentes capacidades para gráficos em 2D e isso é aqui bem visível, com imensas sprites no ecrã ao mesmo tempo, todas elas bem animadas, com efeitos de rotação e ampliação e ecrãs de fundo bastante diversificados entre si. Tudo isto com uma óptima performance! A banda sonora está repleta de temas mais jazz ou rock, mas confesso que se sente a falta de algumas vozes a acompanhar os diálogos que vão ocorrendo recorrentemente entre níveis. Temos, naturalmente, os habituais gritos e efeitos sonoros das personagens durante os combates, mas teria sido interessante existir algum trabalho de voz nos diálogos.

O jogo está repleto de momentos de puro caos! Super divertido!

Portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido por este Guardian Heroes. É um jogo bastante frenético, com uma jogabilidade bem afinada e personagens consideravelmente distintas entre si, que nos levam a explorar diferentes estratégias de jogo. Apesar de não ter tido a oportunidade de o experimentar, o modo versus, com capacidade para até 6 jogadores em simultâneo e 45 personagens desbloqueáveis, é também algo que facilmente chamaria a atenção em 1996. E depois há ainda toda a questão dos caminhos alternativos e dos vários finais, que dão uma longevidade bastante interessante ao modo história. Uma primeira passagem pelo jogo está longe de revelar tudo o que Guardian Heroes tem para oferecer, já que as nossas escolhas podem levar-nos por níveis diferentes e, consequentemente, a situações e finais distintos.

Resident Evil (Sega Saturn)

Tempo de voltar às rapidinhas na Sega Saturn para um jogo que dispensa apresentações: Resident Evil, um dos grandes clássicos da quinta geração de consolas e responsável por popularizar o género de survival horror nos anos que se seguiram ao seu lançamento. Lembro-me perfeitamente de ver vídeos do jogo no saudoso Templo dos Jogos e ficar completamente embasbacado! Infelizmente, nunca tive acesso ao jogo na época, tendo-o apenas jogado brevemente em casa de amigos, no qual se incluiu esta versão da Sega Saturn. Não foi por acaso que, em 2002, decidi comprar a Nintendo GameCube, pois por essa altura já se sabia que a consola iria receber um lindíssimo remake do primeiro jogo, conversões dos restantes e dois supostos exclusivos: a prequela Resident Evil Zero e o Resident Evil 4 a ser lançado algures no futuro. No que toca ao primeiro Resident Evil, apesar de ter jogado, anos mais tarde, a versão PS1 em emulação, nunca havia jogado esta versão Saturn tempo suficiente para ter uma opinião concreta pelo que aproveitei o facto de recentemente ter encontrado um exemplar em bom estado numa CeX para finalmente o jogar.

Jogo com caixa e manual

E o REmake é um jogo consideravelmente diferente destas primeiras versões: apesar de também controlarmos a Jill ou Chris Redfield, que possuem algumas diferenças entre si, o remake traz novas áreas, novos inimigos, diferentes esquemas de controlo e uns gráficos lindíssimos. Ainda assim, foi bom voltar a pegar no Resident Evil original ao fim de tantos anos. Fiz uma ronda com a Jill Valentine, que apesar de possuir menos vida do que o Chris, tem um inventário ligeiramente maior (com 8 slots ao invés de 6) e acesso a um lockpick, que nos permite abrir pequenas gavetas ou armários em busca de mantimentos, enquanto que o Chris precisa de procurar chaves próprias para abrir os mesmos compartimentos, num inventário por si só mais compacto. O item especial do Chris é um isqueiro, que será necessário para ultrapassar certos puzzles. Portanto, escolher a Jill acaba por ser o modo fácil, pois não só o inventário extra dá muito jeito, a progressão de Jill é mais generosa ao encontrar armas poderosas mais cedo.

Chris possui um inventário mais apertado, o que por sua vez torna o jogo bem mais difícil pela gestão ainda mais apertada de recursos.

De resto contem com um excelente jogo de acção/aventura onde teremos de fazer uma cuidada gestão de recursos, muitas vezes optando por fugir de inimigos em vez de os combater. Isto tudo com ângulos de câmara fixos, cenários pré-renderizados (excepto itens coleccionáveis ou objectos interactivos como peças de mobília ou escadotes) e os infames tank controls onde o direccional para a esquerda ou direita faz com que a nossa personagem rode nessa direcção, a direcção de cima faz com que avance e o baixo para recuar. Felizmente o direccional da Sega Saturn é bastante confortável, pelo que os tank controls até nem funcionam mal nesta versão. A versão Sega Saturn também é notória por incluir algum conteúdo bónus não existente nas outras versões, nomeadamente o Battle Mode. Neste modo de jogo, teremos de sobreviver uma série de encontros com monstros com munições e tempo limitadas. É uma espécie de protótipo do que se viria a tornar o Mercenaries, um minijogo recorrente dentro do universo desta série.

Qualquer objecto poligonal nos cenários indica um item coleccionável ou objecto interactivo.

Já no que toca aos audiovisuais devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com a performance desta versão. É reconhecido que o suporte a transparências ou outros efeitos de luz mais avançados é mais limitado na Sega Saturn quando comparada com a Playstation, e isso é notório nesta versão. Efeitos de fumo ou superfícies de água são renderizados utilizando efeitos de mesh em vez de transparências reais como na Playstation. Mas o detalhe poligonal das personagens e inimigos está melhor do que esperava na versão Sega Saturn, com algumas texturas adicionais nesta versão. De resto, nada a apontar à banda sonora que é bastante tensa e adequada à atmosfera do jogo. Já a narração… bom… é incrivelmente má e isso sempre fez parte do charme do primeiro Resident Evil. Já tinha saudades de ouvir a tirada da “Jill sandwich“!

Há poucas cenas mais icónicas que esta nessa geração de consolas.

Portanto e em suma, Resident Evil é um grande clássico da quinta geração de consolas e apesar de hoje em dia existirem versões muito superiores às originais dessa geração, a verdade é que as versões Saturn e PS1 continuam bastante jogáveis e a versão Saturn é, inclusivamente, melhor do que esperava pelo que ainda com mais pena fiquei pela versão Saturn do Resident Evil 2 ter sido cancelada.

Idol Mahjong Final Romance R Premium Package (Sega Saturn)

Tempo de vos deixar agora com mais uma super rapidinha dedicada à Sega Saturn. Há pouco tempo trouxe cá um pequeno artigo sobre o Idol Mahjong Final Romance R, um jogo de mahjong com conteúdo explícito, tanto que recebeu a classificação X18, algo que representou uma certa mudança na postura da Sega ao permitir este tipo de conteúdo mais tabu nas suas plataformas. Pois bem, este é um relançamento desse mesmo jogo com alguns extras. O meu exemplar veio no mesmo lote que a versão original, embora lhe falte o CD com o jogo base, pelo que a fotografia que vos deixo abaixo inclui o disco dessa edição. Pelo que consegui apurar, trata-se efectivamente de CDs idênticos em ambos os lançamentos.

Jogo com caixa, manual, livro de arte e CD bónus

O que traz então esta edição Premium? Para além do jogo base e respectivo manual, inclui também um livro de arte com esboços de todas as personagens presentes no jogo. O segundo CD é o Kisekae Disc, que originalmente teria sido distribuído apenas através de uma lotaria promovida pela ASK Kodansha, destinada aos compradores da versão normal que manifestassem interesse nesse disco bónus. A verdade, porém, é que nem foi preciso esperar dois meses para que esta edição Premium chegasse às lojas, já com esse mesmo CD incluído.

O que o Kisekae Disc contém é apenas isto. Uma ferramenta para vestir as personagems com diferentes roupas e acessórios.

Mas em que consiste então o Kisekae Disc? Muito simples. Trata-se de um pequeno programa onde podemos vestir todas as personagens com diferentes roupas e acessórios. Ou despi-las. É só isso. Ainda assim, esta edição perde o mini-CD com um audiobook que acompanhava o lançamento original.

Idol Mahjong Final Romance R (Sega Saturn)

Tempo de voltar às rapidinhas na Sega Saturn com um exclusivo japonês que é, no mínimo, curioso. A série Idol Mahjong Final Romance teve as suas origens nas arcades como um jogo strip mahjong para adultos, onde o jogador defronta diversas mulheres que vão ficando com cada vez menos roupa à medida que vamos progredindo. Apesar de em arcades e sistemas abertos como computadores nunca ter havido grandes restrições a conteúdos mais adultos, o mesmo não se aplicava às consolas domésticas, cujos títulos teriam de seguir critérios mais rigorosos por parte das suas fabricantes. A Sega, no entanto, durante o período em que a Saturn esteve activa no mercado, foi bem mais permissiva, levando ao lançamento de vários videojogos com conteúdo para adultos (nudez parcial) classificados como X18, como foi o caso do Tenchi Muyou Ryououki Gokuraku, que já cá trouxe no passado. Este Idol Mahjong Final Romance R, devido ao seu conteúdo explícito, lá recebeu a mesma classificação. O meu exemplar foi comprado ao desbarato num bundle de vários imports japoneses de Saturn que comprei na vinted algures em Abril de 2023.

Jogo com caixa, manual, spine card e audio book

Tal como referi acima, o nosso objectivo é defrontar diversas jovens mulheres em partidas de mahjong onde, sempre que ganharmos uma ronda, somos recompensados uma cena animada em estilo anime, onde a personagem em específico vai tirando uma peça de roupa de cada vez, até ficar em topless. Pelo meio poderemos comprar alguns itens que nos ajudem a fazer batota e obter peças mais favoráveis para ganhar a partida. De resto, não há muito mais a acrescentar ao conceito do jogo. Como não sou grande jogador de mahjong, e com a barreira linguística a dificultar ainda mais a experiência, também não sei diferenciar um bom simulador de um mau.

Os diferentes itens de batota que poderemos comprar antes de cada partida

Visualmente, é um jogo todo em 2D, com uma apresentação simples, porém agradável, e este Final Romance R distinguia-se pelas suas cenas animadas entre partidas, ao contrário das imagens estáticas dos seus predecessores. Aparentemente, a versão Sega Saturn inclui mais conteúdo e animações que o original arcade por ser baseada num formato CD. No que toca ao som, nada de especial a apontar, a narração é toda falada em japonês e, não havendo qualquer patch de tradução feito por fãs, não me parece que vá entender grande coisa do que ali é dito. Tendo em conta que esta edição traz ainda um CD com um pequeno audiobook, é possível que exista alguma narrativa importante pelo meio, mas sinceramente sinto que não estou a perder nada de especial. As músicas são festivas e agradáveis.

As “recompensas” de vencer são cenas animadas como esta

Portanto cá fica mais um curto artigo sobre um import japonês que muito dificilmente receberá uma localização. Não foi um jogo que explorasse em profundidade, mas fiquei pelo menos a conhecer mais uma das muitas curiosidades do catálogo japonês da Saturn. Aparentemente, a série Idol Mahjong Final Romance até terá tido algum sucesso pois chegou a receber algumas versões modernizadas para a Nintendo Switch no Japão (se bem que fico curioso em saber se essas versões para a Nintendo Switch sofreram algum tipo de censura).