Phantasy Star Universe: Ambition of the Illuminus (Sony Playstation 2)

PSU Ambition of the IlluminusDe volta ao sistema solar de Gurhal, para mais uma aventura no universo de Phantasy Star Universe (passe a redundância). Ambition of the Illuminus foi a primeira expansão que a Sega lançou para o jogo original, não sendo o mesmo necessário para se jogar este capítulo. Contudo, visto que a jogabilidade é idêntica ao original, não me irei alongar nesse aspecto, consultem o artigo referente ao jogo original para mais detalhe aqui. A minha cópia foi adquirida algures em 2011, no ebay UK, não me tendo custado mais de 10€. Está aparentemente completa e em bom estado.

Phantasy Star Universe - Ambition of the Illuminus - PS2
Jogo com caixa e manual

A história coloca-nos na pele de um jovem GUARDIAN, como aprendizes da experiente e irreverente Laia Martinez, da raça Beast. A acção decorre pouco tempo após os eventos do último jogo, em que a ameaça da SEED embora esteja mais controlada ainda não foi completamente erradicada e Ethan Waber, herói da aventura anterior, é acusado de tentar assassinar o actual presidente dos GUARDIANs. Laia Martinez, sendo rebelde e irreverente, coloca na sua mente a todo custo que deve capturar Ethan e, no meio de todos os acontecimentos surge uma nova ameaça sob a forma de uma organização secreta chamada Illuminus, cujo propósito consiste em erradicar todas as raças do sistema solar de Gurhal, excepto a raça humana. Apesar de os diálogos em si estarem algo pobres tal como no jogo anterior, a história pareceu-me interessante quanto baste. Infelizmente o jogo termina num cliffhanger jeitoso, e a SEGA foi um bocado mázinha com os fãs neste aspecto. Isto porque existe um “Episode 3” que segue imediatamente os acontecimentos do Ambition of the Illuminus (Episode 2). Visto a PS2 não ter condições de receber grandes updates dos seus MMOs, isto porque são pouquíssimos os jogos que dão suporte ao disco rígido externo da consola (e mesmo este não é compatível com todos os modelos da consola), o rico conteúdo deste Episode 3 (muito diálogo, novas cutscenes, inimigos e áreas a explorar) está bloqueado no disco do Ambition of the Illuminus, forçando os jogadores a usufruirem do serviço online para o desbloquear. Para além desse serviço online ser originalmente pago, hoje em dia os servidores deste jogo foram encerrados globalmente, dando destaque ao novo Phantasy Star Online 2. Portanto quem estiver interessado em saber o resto da história, enquanto não são criados servidores privados, a única solução está em ver algumas playthroughs no youtube.

screenshot
Laia, à esquerda, e a personagem principal que pode ser customizada

A jogabilidade é idêntica ao jogo anterior, mas ao invés de se jogar a história principal com uma personagem pré determinada, temos a liberdade de criar uma personagem à nossa medida, podendo alternar entre as 4 diferentes raças. Podemos também importar a personagem do Extra Mode do Phantasy Star Universe original, com toda a sua experiência, dinheiro e equipamento. Suponho que o mesmo fosse possível no modo Network, mas como nunca o experimentei não posso estar a assumir coisas. Para os saudosistas de Phantasy Star Online, alguns inimigos ou bosses regressaram em secções específicas do jogo, como o boss De Rol Le que ficou ainda mais chato. Existe também uma variedade muito maior de armas, equipamento e técnicas especiais, conforme seria de esperar.Ainda no modo história, o jogo segue na mesma dinâmica como se um anime se tratasse, mas de forma mais contida. Isto porque no início de cada novo capítulo é feito um resumo dos eventos do capítulo anterior, seguido de uma música tema a anunciar o jogo. Desta vez não são incluídas cenas “não percam o próximo episódio”, nem outro genérico para encerrar o capítulo. Durante o jogo existe também uma interacção muito menor com os NPCs disponíveis nas várias cidades do jogo. Não que no jogo anterior os mesmos tivessem diálogos lá muito interessantes, aqui continuam a dizer coisas completamente desinteressantes, simplesmente os NPCs são em muito menor quantidade que no jogo anterior. Uma coisa que melhoraram neste jogo foi a questão dos Trials. No original, era bastante comum existirem imensos Trials temporizados para concluir uma determinada missão, aqui acontecem apenas em algumas Story Missions. As Free Missions, no jogo original todas tinham timers, neste não possuem nenhum. Ainda bem. Uma outra diferença face ao jogo original é que neste é possível rejogar as Story Missions sempre que se queira, sendo também possível escolher a dificuldade pretendida para a missão, com o nível dos inimigos a variar na escolha. O mesmo é possível para as Free Missions.

screenshot
Magashi, um dos vilões do jogo anterior, volta a aparecer nesta aventura.

A música e os efeitos sonoros são identicos ao Phantasy Star Universe, pelo que não há nada a dizer neste campo, a não sei que o voice acting é practicamente nulo desta vez. Não que no PSU fosse exemplar, mas era melhor que nada. Aqui os diálogos são todos apresentados na forma de balões de banda desenhada. Graficamente pareceu-me haver algumas melhorias face ao original, com os modelos a apresentarem-se mais detalhados e os cenários com menos aliasing. Mas também pode ter sido wishful thinking da minha parte. De qualquer das maneiras as quebras de framerate mantêm-se, em secções mais povoadas de inimigos e “party members“. No fim de contas acaba por ser um jogo que mais uma vez recomendo aos fãs acérrimos da série Phantasy Star. As melhores versões são mais uma vez as versões PC e X360, mas visto actualmente os servidores estarem todos desligados eu diria que a versão PC é a que tem maior probabilidade de vir a obter servidores privados, pelo que recomendaria essa versão entre todas as restantes.

The Jungle Book (Sega Master System)

JungleBook-SMS-PTE para desenjoar um pouco de artigos de jogos de PC, fui ao baú das recordações buscar um dos meus primeiros jogos. A Virgin Interactive foi um dos estúdios mais prolíferos nas consolas 8 e 16-Bit da Sega na primeira metade dos anos 90, trazendo diversos jogos de plataforma com óptimas animações e gráficos, tal como o Aladdin para a Mega Drive. Claro que tecnicamente o mesmo não seria possível numa Master System ou Game Gear, mas ainda assim a Virgin lançou uma série de jogos sólidos. A minha cópia do jogo foi adquirida algures em 1996/7, tendo custado o equivalente a 20€. É uma das “Portuguese Purples”, jogos relançados exclusivamente no mercado português com as capas roxas.

The Jungle Book (Sega Master System)
Jogo completo com caixa e manual – Edição Portuguese Purple

Não vou perder muito tempo a contar a história por detrás do jogo, vejam o filme! Ou melhor ainda, leiam os livros originais de Rudyard Kipling. De qualquer das maneiras, para os que têm vivido debaixo de uma pedra, The Jungle Book conta a história da pequena criança Mowgli, que foi abandonada muito cedo no coração da selva da Índia, tendo sido adoptada por uma alcateia local. Mowgli acabou também por ser educado por para além dos lobos que os acolheram, por uma série de outros animais como o urso Baloo, ou a pantera Baguira. O jogo segue o clássico filme da Disney, que por sua vez tinha deturpado um pouco as personagens do livro original. Mas isso agora também não interessa.

screenshot
Ecrã de título simples e eficaz

Como era normal na primeira metade dos anos 90, este é um jogo de plataformas. O objectivo é conduzir Mowgli por 12 diferentes níveis em várias localizações da selva. A maneira como se completa um nível diferencia-se: antes de se começar o nível em si é mostrado ao jogador um ecrã com o objectivo que se deve cumprir. Em alguns níveis devemos explorá-los ao máximo de modo a coleccionar 8 “gems” para terminar, em outros devemos simplesmente ir do ponto A ao ponto B, noutros ainda temos alguns bosses para defrontar. Mowgli está equipado com um arsenal infinito de bananas que pode atirar, defrontando assim os inimigos. Ainda assim, existem uma série de items espalhados no ecrã, para além das gems que já referi: os mais comuns são as frutas que servem apenas para aumentar a pontuação. Corações servem para restabelecer saúde, e depois existem alguns power ups, seja um “rapid fire” para as bananas, ou um bumerangue capaz de mais dano. Apesar de infantil, The Jungle Book para a Master System é um jogo de plataformas bastante exigente, repleto de saltos bastante chatos e cuidadosos. Para além do mais existe um timer ao qual temos de prestar atenção.

Graficamente é um jogo bastante competente para uma Master System, repleto de cores vibrantes (especialmente nos níveis bónus e do rio). Infelizmente as sprites não são as melhores, existindo algumas que são mesmo mázinhas na minha opinião, como as cobras que vão surgindo. Os visuais dos últimos níveis infelizmente são também uma reciclagem do primeiro, mudando as plataformas em si e o esquema de cores. Os efeitos de som não são nada de especial pois estamos a lidar com uma Master System. No entanto acho que as músicas ficaram muito bem conseguidas. Bastou-me ir buscar a caixa do jogo à gaveta e veio-me logo à memória a música-tema do jogo. Não que o processador de som da Master System tenha feito milagres, as músicas são adaptadas das oiriginais do filme da Disney, sendo as mesmas muito alegres e sonantes.

Screenshot
A imagem da cobra Kaa (canto superior esquerdo) funciona como a barra de vida de Mowgli.

É um bom jogo de plataformas para a Master System, no entanto a versão Mega Drive é indubitavelmente muito melhor, pelo menos no aspecto audiovisual, com gráficos bem mais detalhados e coloridos. A jogabilidade e a estrutura de níveis em si parece-me muito parecida com os jogos 8bit, pelo que provavelmente essa versão 16bit seria mesmo a melhor opção. No entanto como já referi, o parente pobre não se porta nada mal. Existe também da Virgin uma versão para SNES que graficamente é muito boa, mas pelo que vi a nível de jogabilidade já é um pouco diferente das versões nas plataformas Sega.

Phantasy Star Universe (Sony Playstation 2)

Phantasy Star Universe

A série Phantasy Star sempre foi uma das minhas preferidas e em especial o Phantasy Star IV para a Mega Drive, que juntamente do Chrono Trigger e Pokémon Yellow foi dos jogos que despertou o meu interesse em JRPGs há uma data de anos atrás. Entretanto a série clássica fechou mesmo com esse PS IV da Mega Drive, sendo que com o lançamento da Dreamcast, Phantasy Star se tornou num RPG mais de acção com uma componente online muito forte. Este Phantasy Star Universe foi lançado algures em 2005/2006, após o lançamento de várias iterações do Phantasy Star Online, tentando aproximar os elementos de RPG clássico dos velhos tempos com o “modernismo” trazido por PSO. A minha cópia foi o primeiro jogo que comprei para a PS2, algures em Janeiro de 2011, no ebay UK, não me tendo custado mais de 10€.

Phantasy Star Universe - PS2
Jogo completo (acho eu) com caixa e manual

Quando o jogo foi anunciado, a SEGA suscitou o interesse de muita gente, pois ao anunciarem o “U” de Universe ficou na dúvida se não seria antes um V, o que iria agradar a imensos fãs da velha guarda que há muito ansiavam por um RPG “a sério” desta série. Acabou por se tornar um misto dos 2 conceitos que não agradou completamente os fãs, mas já lá vamos. A história decorre no sistema solar de Gurhal, onde existem 3 planetas e uma colónia espacial. Cada planeta tem uma raça em específico em maior número, onde os humanos estão maioritariamente na colónia, o planeta de Parum onde a maioria dos CASTs (seres cibernéticos) habitam, Neudaiz, onde predomina a raça Newman – humanos geneticamente melhorados com grandes aptidões para o uso de magia e por fim o planeta Moatoob, que alberga uma nova raça – os Beasts – seres humanóides com traços animais, mais dotados para combate directo. O sistema solar esteve em guerra durante muitos anos, onde as 4 raças lutavam pela sua supremacia, até que as raças chegaram a um entendimento e passou-se a viver num clima pacífico durante vários anos. Até que a uma dada altura surge uma ameaça misteriosa, os SEED. SEED é uma espécie de arma biológica com origem desconhecida, que passou a atacar o sistema solar de Ruhgal, povoando-o de diversos monstros, mutando os animais já existentes e dizimando os recursos naturais dos planetas. O jogo coloca-nos no papel do jovem órfão Ethan Waber, que se vê apanhado no meio dos primeiros ataques da SEED, decidindo juntar-se aos Guardians, uma organização não governamental de caçadores de prémios, que tem o objectivo de auxiliar a população. A história vai-se desenrolando desta forma, com a mesma a adquirir alguns contornos políticos e religiosos, com a inclusão de uma Divine Maiden, que serve +/- o mesmo propósito do Papa da religião deles. Oficialmente não há ligação entre os universos de Phantasy Star, Online e Universe, mas através de algumas quests é possível verificar que a SEGA deixou alguns hints que de facto interligam as séries. Isso é um assunto muito interessante para mim, mas sai do âmbito deste artigo, pelo que para quem se interessar aconselho a lerem estes posts no blog Ultimecia’s Castle.

Screenshot
Peço desculpa por grande parte dos screenshots serem da versão japonesa do jogo, mas tem sido difícil encontrar screenshots da versão PS2 ocidental. De vez em quando o jogador pode usar outros veículos ou animais, este é um dos casos.

Inicialmente podemos experimentar dois modos de jogo: Story e Network. O Story é auto explanatório, onde vivemos a história que PSU tem para oferecer, já no segundo modo é algo semelhante ao Phantasy Star Online, onde temos a liberdade para criar uma personagem à nossa medida, e depois poderemos explorar o mundo à vontade, com uma party de até 4 jogadores. Sinceramente não cheguei a experimentar este modo, pois os servidores da PS2 estão desligados há muito tempo. Após algum tempo no modo história também desbloqueamos o extra mode, que a meu ver é algo semelhante ao network mode, mas offline. Criamos uma personagem e podemos fazer algumas quests que também existem no story mode. Agora se podemos usar essa personagem para o jogo online sinceramente não o sei, mas por uma questão de segurança a nível de hacks/cheats suponho que não seja possível. Sei que podemos importar a personagem do extra mode para o modo offline da expansão Ambition of the Illuminus, coisa que eu fiz e estou a jogar de momento. Uma diferença muito grande face ao PSO é que apenas podemos escolher a raça da nossa personagem, já a “classe” (Hunter para combate directo, Ranger para combate à distância e Force para uso de magias) é algo que podemos alternar sempre que quisermos. Outra diferença face ao PSO e que os fãs desgostaram é a exclusão do sistema de Mags, pequenos aparelhos que nos acompanhavam nos combates, que os poderíamos alimentar com diversos items, o que os faria ter características diferentes no auxílio à personagem. Aqui os Mags foram de certa forma substituídos pelas partner machines, uns robozinhos que estão no nosso quartinho que para além de servirem de storage de items, permitem também a criação de novos items, uma espécie de alquimia moderna, onde através do uso de boards e alguns items que podem ser encontrados no jogo ou comprados em lojas, permitem a criação de outros items ou equipamento. Essas partner machines também podem ser alimentadas à semelhança dos Mags, e chegando a um nível máximo podem vir a ser seleccionados na party, combatendo ao lado do jogador.

Screenshot
Alguns inimigos são bem chatos

De resto os combates são algo semelhantes ao PSO, na medida em que o jogo é um hack ‘n slash, e várias acções podem ser alocadas numa palete de acesso rápido no comando. Para quem esteve habituado ao PSO no comando da Gamecube durante muitos anos, a nova palete pode parecer algo confusa de início, mas acaba por ser mais útil pois podem-se alocar muitos mais items, equipamento e golpes especiais de uma vez só. A variedade de equipamento é, como em todos os RPGs online vastíssima, assim como alguns golpes/técnicas/magias especiais que podem ser alocados às armas seleccionadas. Para além de uma barra de energia, existe também uma barra de PP por cada arma, que é gasta sempre que se utiliza um desses golpes especiais. Esses golpes também vão sendo melhorados à medida em que os usamos, ou seja, têm um sistema de experiência próprio. O jogo está estruturado em capítulos, sendo os mesmos separados de uma maneira curiosa. A história do jogo é contada como se um anime se tratasse. No início de cada capítulo é apresentado um pequeno genérico que ilustra o mundo de PSU, seguido de uma música de abertura. Em contrapartida no final de cada capítulo é mostrado um outro genério e “cenas do próximo episódio”. O capítulo é dado como encerrado quando se completa a “Story mission” do mesmo. Antes de começar essas missões, o jogador tem liberdade de explorar as diferentes cidades, fazendo as compras que quiser, criar items, ou treinar cumprindo “Free Missions”, que podem ser repetidas indefenidamente. Infelizmente ambos os tipos de missões possuem secções chamadas “Trials”. A certo ponto da missão começa um temporizador a contar e o jogador tem de percorrer uma determinada área ou cumprir alguns objectivos. No final é atribuído um ranking, mediante o número de inimigos que derrotou e o tempo levado. Quanto melhor o ranking, melhor a recompensa, que pode passar por receber items/equipamento raros e dinheiro. Ora isto é muito bonito, mas o PSU sofre o mesmo mal do PSO, mesmo jogando online, é impossível pausar. E depois há uns trials específicos que de vez em quando surgem, em que o objectivo é purificar uma área das SEED, obrigando o jogador a vasculhar a área utilizando um visor em 1ª pessoa, após encontrar uns objectos invisíveis tem de mudar o inventário para uma ferramenta que inutilize essas SEED. Isto, no meio dos combates e da pressão do timer, acaba por ser uma experiência frustrante.

Screenshot
Existem 3 tipos de cutscenes: animadas em CG, com a engine do jogo e voice acting, ou com a engine do jogo e os diálogos em forma de balões de BD.

O post já vai longo, pelo que farei uma referência breve ao aspecto técnico. Não sei como são as versões PC ou X360, mas a versão PS2 apresenta imensos slowdowns, em especial quando usamos uma party de 4 personagens e o ecrã enche-se de inimigos. O framerate chega quase ao nível de um slideshow. Em relação aos gráficos, a versão PS2 não é muito superior ao PSO da Dreamcast, apresentando personagens muito pixelizadas, e texturas pobres. Excepção feita para alguns cenários que achei bem conseguidos, nomeadamente algumas secções do planeta Neudaiz, e dungeons mais futuristas, como as RELICs ou a dungeon final. A nível de som, não é muito diferente do Phantasy Star Online, apresentando uma banda sonora futurista, com muita música electrónica. Quem gostou das músicas do PSO, não irá desgostar deste. Outra novidade é a inclusão de algum voice acting em certas cut-scenes. Infelizmente as personagens não são carismáticas o suficiente, ou eu se calhar fiquei mal habituado depois de jogar o excelente Dragon Quest VIII umas semanas atrás.

Finalizando, acho que é de louvar o facto de a SEGA ter dado ouvidos aos fãs mais antigos que pediam um Phantasy Star com uma história mais concreta. Infelizmente, apesar de terem melhorado alguns aspectos da jogabilidade, nomeadamente a paleta de acções rápidas, deram uns passos atrás em muitas outras coisas. É um jogo que só recomendo a quem for realmente um fã acérrimo da série e gostar da ambiência que a mesma transmite. E recomendar por recomendar, acho que fariam melhor em comprar a versão PC, pois para além de parecer melhor tecnicamente, existem alguns servidores privados que podem ser usados para jogar o jogo online, tirando o máximo partido do mesmo. Se no entanto preferirem gráficos, a versão X360 parece-me ser a melhor escolha, pois a versão PC foi feita com a PS2 em mente. Ainda teria mais para dizer, mas fica para a expansão Ambition of the Illuminus.

Olympic Gold: Barcelona 92 (Sega Master System)

Olympic GoldAproveitando o rescaldo dos jogos olímpicos de Londres, voltemos 20 anos atrás no tempo para os jogos olímpicos de 1992, Barcelona, com um artigo rápido, visto eu não ser grande fã de jogos desportivos. Olympic Gold é um título publicado pela já extinta publisher britânica U.S. Gold, tendo sido desenvolvido pelo estúdio Tiertex, estúdio responsável pela conversão para Master System do já analisado James Pond II, entre outros que ainda irei referir no futuro. Este jogo chegou-me à colecção num pack que comprei no Miau.pt, 7 jogos por 5€+portes, entre os quais o Shinobi e Psycho Fox. Pareceu-me um bom negócio, mas infelizmente não traz manual.

Olympic Gold SMS
Jogo com caixa

Olympic Gold vai invariavelmente buscar as suas influências a jogos como Track & Field da Konami. O jogo contempla 7 diferentes modalidades, 100 metros de corrida, barreiras, mergulho, natação, lançamento do martelo, salto à vara, e tiro com arco. Existem 3 modos de jogo, um de treino, onde podemos praticar as várias modalidades, umas mini-olympics e full olympics. Tal como o nome indica, estes últimos modos de jogo permitem competir quer em apenas “metade” das modalidades, ou em todas. Algo interessante é que o jogo tem a opção para a língua portuguesa, algo que não era nada comum em 1992. Infelizmente trocaram a nossa bandeira por uma outra do outro lado do atlântico, mas paciência.

screenshot
Ao menos os britânicos tiveram a mesma sorte.

Passemos então para a jogabilidade. Os 100 metros são o tradicional “button mashing” para correr mais rápido, onde temos de ter o cuidado com as falsas partidas. Nas barreiras a jogabilidade é idêntica, mas temos de clicar para cima de forma a que o atleta salte no momento certo. A prova de natação também basta apenas o button mashing habitual. No lançamento do martelo, começamos inicialmente por carregar rapidamente nos botões 1 e 2 alternadamente, como nos outros eventos, até ganhar balanço suficiente. Depois com o botão direccional movemos o atleta na direcção pretendida e posteriormente para baixo para lançar o martelo no momento certo. O salto à vara começa com o button mashing do costume para ganhar velocidade, sendo depois necessário carregar para baixo de forma a pousar a vara e para cima para que o atleta salte sobre a barreira. O truque é mesmo ganhar balanço suficiente. O tiro com arco tem uma jogabilidade simples, pegamos numa flecha com um botão frontal, temos em atenção ao vento indicado no canto superior direito, no canto superior esquerdo teremos posteriormente uma janela de mira, onde tentamos apontar a flecha para o alvo da melhor forma possível, tendo em conta o vento. Finalmente, o mergulho olímpico é o que apresenta a jogabilidade mais traiçoeira, pois envolve fazer várias acrobacias no ar e entrar na água de forma suave. Felizmente o modo de treino permite mesmo praticar esta e todas as outras modalidades, com várias ajudas no ecrã.

screenshot
Ecrã inicial da prova do tiro com arco

Graficamente o jogo é bastante bonito para uma Master System. Repleto de cores vivas e sprites bem detalhadas. As músicas são minimamente agradáveis, contando com a fraca capacidade do chip de som nativo da plataforma. Já os efeitos… não se pode pedir muito mais. Ainda a nível técnico, todos estes gráficos bonitinhos aparentemente têm um preço. Em diversas modalidades como os 100 metros corrida, por exemplo, apenas existem 3 atletas na pista, ao contrário da versão Mega Drive onde estão 6.

Para concluir, apesar de eu não apreciar este tipo de jogos, este Olympic Gold parece-me ser um produto bastante sólido e competente para a máquina 8bit da Sega. Para quem gostar deste tipo de jogos, penso que esta seja uma boa escolha, embora se também tiverem uma Mega Drive, talvez essa versão seja melhor. A jogabilidade pareceu-me idêntica, mas a máquina de 16bit da Sega tem uma melhor performance gráfica, como seria de esperar.

Super Monaco G.P. II (Sega Master System)

Super Monaco GP II

Como prometido, para desenjoar um pouco de jogos de PC, o jogo que trago cá hoje nada tem a haver com os anteriores. (Ayrton Senna’s) Super Monaco G.P. II é a sequela de um outro jogo que já tinha analisado anteriormente por aqui, tendo sido mais uma vez lançado para as 3 plataformas principais da Sega na altura: a Mega Drive e as 8bit, Master System e Game Gear. Este “novo” jogo da série tem o nome do mítico piloto de F1 Ayrton Senna no seu título, mas é mais que o simples nome. O Sr. Senna na altura em que o jogo estava a ser desenvolvido fez questão em participar nesse processo. É apenas uma curiosidade, pois o jogo mesmo na sua versão de 16bit não tem uma jogabilidade tão realista como a de outros simuladores de F1 da época no PC, por exemplo. A minha cópia foi comprada penso que no ano passado, na representante da Virtualantas na Maia. Deve-me ter custado algo em torno dos 3, 4€, pois falta-lhe o manual.

Super Monaco GP II - Sega Master System
Jogo com caixa

Este post vai ser também curto, pois esta versão não tem muito que se lhe diga. O jogo é limitado a um jogador apenas, o que por si só já retira grande parte da piada, visto que o seu antecessor tinha suporte a 2 jogadores. Existem 2 modos de jogo, o Free Run, que como o nome indica é usado para treinar os circuitos, e o World Championship, onde dispomos dos 16 circuitos do campeonato mundial de F-1 da época. Apesar de existirem 12 carros na pista, o objectivo para passar à fase seguinte é derrotar o próprio Ayrton Senna, cuja posição aparece no mapa do circuito, para além da do jogador. Neste modo de jogo , antes de cada circuito podemos ir escolhendo várias características do carro, como o tipo de transmissão a utilizar, os pneus, entre outros. Em seguida poderemos ou não optar por uma “Qualifying Race”, de modo a ficarmos mais bem posicionados na grelha de partida, mais próximos de Senna para o derrotar. Se quisermos avançar logo para a corrida a sério, então começamos pelo último lugar.

Screenshot
Gráficos simples, porém bem coloridos

A jogabilidade não é nada de especial, mas também não se pede muito mais a uma consola deste tipo. Visualmente o jogo não traz nada de novo, existem jogos de corrida com a mesma perspectiva na Master System visualmente mais interessantes (Road Rash, por exemplo). No entanto são coloridos e felizmente livraram-se daquela perspectiva em split-screen permanente que a prequela tinha. A nível de som também não é nada por aí além, conforme já seria esperado. Contudo é dos poucos jogos da Master System que contém vozes digitalizadas, e nada mais nada menos que a própria voz de Senna.

Não é um jogo que eu possa recomendar, melhoraram nalguns aspectos face ao anterior, nomeadamente na apresentação, mas a não inclusão de um modo multiplayer é imperdoável. Ainda assim, é um dos jogos que ficou melhor na Master System que na GameGear, onde a área visível de jogo é bem menor. Já a versão Mega Drive, bom, está num patamar bastante superior, com mais opções de jogo e obviamente com um audiovisual bem mais avançado.