Dead or Alive 4 (Microsoft Xbox 360)

Vamos voltar à Xbox 360 para uma breve análise a Dead or Alive 4, um jogo de luta em 3D da Tecmo que estava originalmente planeado para ser um título de lançamento da Xbox 360, tal como o seu predecessor o foi para a primeira Xbox. Mas o destino quis que tal não acontecesse, e o jogo acabou por sair já muito próximo do final de 2005. O meu exemplar é que só me veio parar às mãos no passado mês de Outubro, depois de o ter comprado numa CeX aqui perto de casa por 8€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Tal como nos outros jogos da série, há aqui toda uma trama que envolve uma mega-organização criminosa e várias personagens que acabam por lutar entre si pelos mais variados motivos. Mas, no fim de contas, isso não interessa assim tanto, já que a jogabilidade é de longe o que mais importa neste género. Felizmente, Dead or Alive 4 mantém um espírito bastante arcade. Apesar de nos trazer diversos modos de jogo, não há nada de fundamentalmente diferente, complexo ou simplesmente demorado, ao contrário do que acontecia com alguns dos modos mais elaborados de jogos como SoulCalibur III. Assim, as cerca de sete horas que investi no jogo foram suficientes para me divertir e ficar com uma boa impressão geral.

Tal como é habitual na série, os combates de Dead or Alive possuem mecânicas precisas

Temos inicialmente 16 personagens jogáveis, às quais se juntam outras seis que podem ser desbloqueadas ao longo do jogo (incluindo uma Spartan proveniente do universo de Halo). No que toca aos modos de jogo, acabei por passar a maior parte do tempo no modo história, onde podemos levar cada uma das personagens iniciais através de uma pequena narrativa, composta por oito combates. Uma vez terminadas todas as histórias, lá temos finalmente direito a ver os créditos. Também fiz alguns combates no modo Time Attack, onde o objectivo é completar a sequência de combates no menor tempo possível. O modo Survival é também um clássico habitual neste tipo de jogos, desafiando-nos a sobreviver ao maior número de combates possível com uma única barra de vida. Existem ainda vários modos multiplayer, que podem ser jogados localmente ou online. Entre eles encontramos os combates normais, os combates do tipo tag, em que duas personagens lutam em equipa contra outras duas, e o Team Battle, onde equipas de oito lutadores se defrontam num sistema de eliminação. De notar também o modo de treino, que inclui uma opção de Exercise, na qual o jogo nos desafia a executar os golpes especiais de cada personagem.

Se projectarmos os nossos adversários contra certas superfícies, conseguimos-lhes causar ainda mais dano

No que toca à jogabilidade, esta é bastante fluida e refinada, embora eu não seja, de todo, um mestre nestas mecânicas. A série Dead or Alive sempre teve, desde o primeiro jogo, um sistema de pedra-papel-tesoura entre golpes, defesas e throws. No entanto, por algum motivo, neste Dead or Alive 4 senti muito mais dificuldade em projectar os adversários ao chão ou em defender os seus ataques, enquanto os meus oponentes o faziam com a maior das naturalidades. A minha perícia (ou falta dela) foi suficiente para conseguir terminar o modo história com todas as personagens (felizmente, temos continues infinitos), mas, se quisesse realmente dominar as mecânicas de jogo, seguramente precisaria de muitas mais horas de treino. Felizmente, o modo de treino disponibiliza algumas ferramentas importantes que nos ajudam a aprender todas as particularidades do sistema de combate.

É nas cenas em CGI onde melhor se nota que a resolução não escala na Xbox Series X

A nível técnico, Dead or Alive 4 é um jogo bastante competente, embora comece já a mostrar a sua idade. A série sempre se destacou pelas suas arenas com diversos obstáculos, barreiras e zonas especiais que permitem infligir dano adicional quando projectamos os nossos adversários contra elas. Essa componente foi agora ainda mais expandida: as arenas são maiores e possuem frequentemente vários andares onde podemos combater. Alguns dos obstáculos são também móveis, como carros numa estrada, animais numa selva ou até mesmo dinossauros! Os lutadores são representados por modelos poligonais bastante detalhados e com animações muito fluidas. Acho que a Tecmo conseguiu representar bem as particularidades das diferentes artes marciais, fazendo com que as personagens se sintam verdadeiramente distintas entre si, não só na aparência como também na jogabilidade. Mas, voltando à componente gráfica, sendo este um jogo da Tecmo e, particularmente, uma produção de Tomonobu Itagaki (RIP), não poderia faltar um maior destaque às personagens femininas e aos seus atributos mais reveladores.

Dead or Alive 4 é, portanto, um jogo de luta em 3D bastante sólido que, graças ao seu espírito arcade e aos modos de jogo simples e rápidos, acaba por ser perfeito para umas quantas partidas ao longo de uma tarde ou noite de jogatina. Tendo também em conta que é um dos títulos da Xbox 360 compatíveis com as Xbox One e Xbox Series, continua a ser uma opção bastante acessível para quem quiser experimentar um dos jogos de luta mais emblemáticos da consola, beneficiando ainda de algumas melhorias gráficas nas consolas compatíveis.

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Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

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