Sonic N (Nokia N-Gage)

O artigo de hoje será uma rapidinha dedicada a este Sonic N, que é nada mais nada menos do que uma adaptação do Sonic Advance para o sistema híbrido entre smartphone e consola portátil que a saudosa Nokia nos trouxe no início deste milénio. Este artigo irá focar-se apenas nas diferenças entre versões e na experiência de jogar Sonic N neste sistema. Já o meu exemplar veio da Mr. Zombie, algures no passado mês de Outubro.

Jogo com caixa, manual e papelada

O Nokia N-Gage era um smartphone baseado em SymbianOS que, para além de possuir todas as funcionalidades de outros smartphones contemporâneos, era também uma consola de jogos portátil. O N-Gage não só conseguia correr aqueles jogos baseados em Java desenvolvidos para sistemas Symbian, como também suportava jogos físicos, distribuídos em cartões de memória MMC. E, quando comparado com o Game Boy Advance, o hardware do N-Gage era de facto impressionante, como a conversão do Tomb Raider original bem o demonstra. O problema é que o sistema não era assim tão funcional quanto isso. A revisão QD corrigiu ou melhorou algumas decisões de design da plataforma (como a necessidade de remover a bateria para trocar de cartucho), mas a experiência de jogo nunca foi propriamente a melhor. O direccional não era particularmente bom e utilizar o teclado numérico em vez de botões de acção dedicados e ergonomicamente posicionados não era, de todo, a maneira mais conveniente de jogar.

O N-Gage tem um ecrã de orientação vertical, o que num jogo como Sonic pode ser um problema

Paralelamente ao lançamento do Nokia N-Gage, a Sega tinha anunciado a descontinuação da sua Dreamcast e um novo foco em suportar sistemas que outrora tinham sido seus concorrentes. O Sonic Advance tornou-se também o primeiro videojogo da reconhecida mascote da Sega a ser lançado num sistema da Nintendo, e a Sega não se acanhou em dar o seu apoio ao Nokia N-Gage, que acabou por receber vários jogos da companhia ao longo do seu ciclo de vida. É neste contexto que surge o Sonic N. Em vez de criar um videojogo inteiramente novo para este sistema, a Sega optou por lançar uma conversão do Sonic Advance, que era, na altura, um título ainda relativamente recente do seu catálogo.

Esta conversão não inclui tudo aquilo que o original nos trouxe. O Chao Garden, aquele modo ao estilo Tamagotchi onde poderíamos criar os nossos Chao e trocá-los com os do Sonic Adventure 2: Battle, assim como os minijogos multijogador, ficaram de fora desta versão. Mas o modo história está cá representado na sua totalidade, assim como o Time Attack. Sonic, Tails, Knuckles e Amy são as personagens jogáveis e, se quisermos chegar ao verdadeiro final, teremos de completar o modo história com todas elas, de forma a desbloquear os últimos níveis e o derradeiro boss.

Para corrigir a orientação vertical do ecrã, podemos alternar por este modo letterbox, que nos devolve a visibilidade dos cenários, mas com o custo de perdermos bastante detalhe gráfico.

No entanto, não cheguei a fazê-lo nesta versão. O meu Nokia N-Gage QD está avariado (simplesmente não liga), pelo que tive de recorrer à emulação para jogar. E não sei se o problema está no emulador ou no próprio jogo, mas o som é francamente mau. Vou acreditar que se trata de um problema de emulação. Visualmente, o jogo também tem as suas limitações, sobretudo devido ao ecrã do sistema, que tem uma orientação vertical, ao contrário do Game Boy Advance, cujo ecrã é horizontal. E isto é «resolvido» de duas formas: ou jogamos na resolução nativa do N-Gage, o que não é particularmente recomendado, pois perdemos visibilidade sobre o que está à nossa frente, algo especialmente problemático num jogo de plataformas tão rápido; ou então optamos pelo modo letterboxed em 4:3, à custa de gráficos mais reduzidos. É um trade-off pouco interessante, sobretudo porque o jogo apresenta uma arte 2D bastante detalhada que se perde se jogarmos nesse modo, mas jogar com o ecrã na vertical também não é propriamente a melhor opção.

Ao menos foi bom relembrar o quão boa é a arte deste Sonic Advance!

Portanto, apesar de Sonic N ser inferior ao Sonic Advance em termos de conteúdo, desempenho e, naturalmente, resolução, não deixou de ser uma experiência agradável, que me fez recordar o quão bom era o original (apesar dos seus abismos sem fundo). Mas façam um favor a vocês próprios e joguem-no no Game Boy Advance!

Desconhecida's avatar

Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

Deixe uma Resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.