Track and Field II (Nintendo Entertainment System)

Voltando agora à velhinha NES, tempo de trazer mais um clássico da Konami! Depois do sucesso que o primeiro Track & Field teve, tanto na arcade como nos restantes sistemas para onde foi convertido, a Konami evidentemente teria que produzir uma sequela. Na verdade até foram umas quantas, considerando que a série no Japão se chama Hyper Olympic, há uns quantos Hyper Olympic/Sports lançados exclusivamente no Japão também. Mas no ocidente, e para a NES, Track & Field II foi realmente a sequela do original. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Fevereiro a um particular por 10€.

Jogo com caixa

Aqui temos a hipótese de competir em 12 eventos, mais outros 2 de bónus, em diferentes modos de jogo: o training, que como o nome indica é um modo de jogo onde podemos practicar cada um dos diferentes desportos, o modo Olympic e o Versus, este último dispensa também apresentações pois é um modo de jogo multiplayer competitivo para 2 jogadores. O modo Olympic é então o principal modo de jogo onde iremos mesmo participar nos jogos Olímpicos e está dividido em 8 dias de competição, que por sua vez estão divididos na fase preliminar e a fase final. Em cada dia competimos em 3 desportos diferentes e o objectivo é o de, em cada desporto, conseguir uma pontuação boa o suficiente que nos qualifique para a fase seguinte, ou para uma medalha, no caso de já estarmos nas finais. Se não conseguirmos atingir a pontuação mínima é game over, já no final de cada dia é-nos atribuído também uma password que poderemos usar posteriormente para recomeçar o jogo a partir desse ponto. Dominar os controlos de cada evento é a chave para o sucesso e uma grande maioria destes desportos obrigam-nos a carregar no botão A como se não houvesse amanhã para ganhar velocidade ou potência, em conjunto com outros botões para fazer determinadas acções no tempo certo. Mas nem todos são assim.

Como é habitual, os controlos exigem timings muito precisos em certos eventos!

No primeiro dia competimos em esgrima, tripo salto e natação em estilo livre. Na esgrima o objectivo é o de atingir o adversário 5 vezes, ou pelo menos garantir que temos uma pontuação maior que o oponente quando terminar o tempo. Usamos o d-pad para mover o nosso atleta pela arena e os botões A para atacar (que podem também ser usados com o d-pad para cima ou baixo) e o botão B para defender. No triplo salto começamos por pressionar o botão A rapidamente para ganhar velocidade e, antes de chegar ao limite legal da pista, temos de largar o botão A e pressionar ligeiramente o botão B até alcançar um ângulo próximo dos 45º para efectuar o primeiro salto e repetir o mesmo nos 2 saltos seguintes. Já na natação… bom temos de fazer button mashing tanto no botão A (nadar) como no B (respirar). No segundo dia competimos em mergulho acrobático, tiro ao prato e lançamento do martelo. Para o mergulho começamos por ir pressionando o botão A para definir como queremos saltar da prancha. Uma vez escolhido o tipo de salto inicial, saltamos ao pressionar o botão B e depois, durante a queda, teremos de pressionar o botão A em conjunto com o D-pad para fazer algumas acrobacias. Devemos fazer o máximo de acrobacias possível e tentar atingir a água da maneira mais graciosa possível, sendo que depois a nossa performance é avaliada por um juri. O tiro ao prato é um evento bastante simples, pratos vão sendo lançados e com o d-pad movimentamos a mira pelo ecrã e com o botão A disparamos. Já o lançamento do martelo obriga-nos uma rodar o d-pad freneticamente para ganhar velocidade e, quando o atleta começar a brilhar, devemos pressionar o botão A para definir o ângulo de lançamento, largando-o quando alcançarmos um ângulo preferencialmente próximo dos 45º.

Rodar frenéticamente o d-pad? Não, obrigado

No terceiro dia temos os eventos de taekwondo, salto à vara e canoagem. O primeiro, tal como a esgrima, coloca-nos num combate de 1 contra um, onde usamos o d-pad para movimentar o nosso atleta, e os botões A e B para socos e pontapés, sendo que é possível usar combinações de botões para alguns golpes específicos. No salto à vara começamos por pressionar o botão A freneticamente para ganhar velocidade e posteriormente pressionamos o botão B para iniciar o salto, sendo que o devemos manter pressionado até atravessar a barra com segurança. A canoagem é outro desporto diferente, pois vamos descendo um rio e temos de atravessar uma série de checkpoints, por ordem numérica e seguindo também algumas indicações adicionais. Por exemplo, alguns dos checkpoints devem ser atravessados de costas, enquanto outros devem ser atravessados a subir o rio, em vez de descer. Por cada checkpoint que não seja atravessado da forma correcta, somos penalizados em alguns segundos. O d-pad serve parar direccionar a canoa e os botões A e B para remar, para a frente e para trás respectivamente. O quarto dia leva-nos às provas do tiro com arco, corrida de barreiras e trapézio. No tiro com arco devemos procurar atingir alvos a diferentes distâncias, com a pontuação a ser mais alta quanto mais próximo do centro do alvo acertarmos. Com o direccional ajustamos a direcção do disparo, o botão A deve ser pressionado freneticamente para ir ganhando força e o botão B para quando quisermos disparar. Claro que temos de ter também em conta não só a distância mas também a força e direcção do vento! A prova de corrida de barreiras temos uma vez mais de pressionar o botão A freneticamente para correr e o B para saltar quando nos aproximarmos dos obstáculos. Já o trapézio, é mais uma prova onde temos vários truques para fazer, com a nossa prestação a ser avaliada por um júri no final da prova, com os botões A e B a serem necessários para manter o ritmo alto e fazer truques. É também importante aterrar graciosamente!

Nem todos os desportos precisam de controlos complicados. Este até é dos mais simples de compreender!

Uma vez finalizado este dia, somos levados a competir em mais um conjunto de quatro dias, repetindo todas estas provas mas com pré requisitos de qualificação mais apertados! Entretanto, entre cada dia temos também 2 outros eventos opcionais que podemos participar, sendo que estes não entram para a pontuação final. São estes uma prova de asa delta, onde temos de efectuar um voo e conseguir aterrar num alvo algo distante, bem como uma galeria de tiro. Esta até é compatível com a Zapper! Basicamente é um cenário urbano estático, onde vão surgindo bandidos em vários pontos do cenário e temos uma janela de tempo relativamente pequena para os atingir! Para além disso, o modo versus para 2 jogadores possui ainda outro evento de braço de ferro, mas esse não cheguei a experimentar.

A nível de apresentação, este jogo está muito bem conseguido, a meu ver!

Portanto todos estes diferentes eventos possuem controlos e timings muito precisos que irão precisar de muita práctica até serem dominados, o que confesso que actualmente a minha paciência para este tipo de jogos já não é muita. Ainda assim, e comparando com os jogos que a Epyx andou a fazer na década de 80 (por exemplo Summer Games, World Games, California Games), o número de diferentes eventos que a Konami aqui incluiu é impressionante! E sim, a nível audiovisual também é um jogo muito bem trabalhado, tanto nas cutscenes de abertura/fecho, mesmo como durante as diferentes provas, que apresentam gráficos bem trabalhados para uma plataforma 8bit. E as músicas são muito agradáveis também, mesmo como a Konami bem as sabia fazer nessa altura.

Mas no fim de contas, por muito boa que seja a apresentação audiovisual do jogo, ou por muito divertido que o mesmo possa ter sido, especialmente em multiplayer, sinceramente eu já tenho muito pouca paciência para este tipo de jogos!

Buck Rogers: Countdown to Doomsday (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos agora ficar com a conversão de um Western RPG produzido pela SSI, a mesma emprea que desenvolveu imensos RPGs com a licença da Dungeons and Dragons e com belíssimas capas as tais Gold e Silver Box. Essa é uma série que tenho mesmo de me aventurar um dia destes! Mas adiante. Para além de Dungeons and Dragons, eles trabalharam também com outras propriedades, como foi o caso do Buck Rogers, um herói de banda desenhada de ficção científica com as suas origens no final da década de 1920! Um herói com quase 100 anos portanto! A Electronic Arts publicou uma versão para a Mega Drive que, apesar de ser uma versão simplificada do original PC, até me pareceu bem competente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Fevereiro de 2020.

Jogo com caixa

Ora este jogo leva-nos ao futuro num conflito interplanetário entre 2 organizações: o império militar dos Russo-American Mercantile (RAM) e a força da resistência dos NEO, ou New Earth Organization, da qual fazemos parte. O herói Buck Rogers irá aparecer algumas vezes ao longo da nossa aventura, mas nós encarnamos numa party de recrutas que iremos precisamente por começar a criar. Podemos então optar por seleccionar personagens masculinas ou femininas, dentro das raças Humana, Tinker ou Desert Runners e posteriormente a classe: Warrior, Rocket Jockey (o equivalente a Engineer), Rogue ou Medic (as personagens da raça Tinker, muito fracas fisicamente, podem ser apenas Medics). Depois lá lançamos os dados para serem atribuidos os nossos stats e felizmente podemos relançar os dados livremente até termos um resultado mais agradável. Em seguida temos 8 skill points que poderemos atribuir a uma série de diferentes skills que serão distintas de classe para classe. Tudo isto para cada personagem que criamos! Todas elas são importantes, mas os Warriors são imprescindíveis nos combates, os Rocket Jockeys para reparar a nossa nave e interagir com computadores ou outros sistemas electro-mecânicos e os Medics… bom, servem para curar os restantes membros da nossa party, pelo que também são muito importantes!

Começamos a aventura precisamente ao criar a nossa party. Atenção ao ícone com os dados, para fazer reroll das características até saírem valores aceitáveis.

Começamos a aventura na superfície do planta Terra, cujo começa a ser atacado pelas forças dos RAM e é aqui que começamos a por em práctica as nossas habilidades em combate! A exploração é feita numa perspectiva isométrica (ao contrário do original PC que possuí exploração em primeira pessoa) e eventualmente lá somos levados para uma série de batalhas, também numa perspectiva isométrica. Estas são batalhas por turnos, onde poderemos, individualmente, controlar cada membro da nossa party, movimentá-lo pelo campo de batalha e atacar o alvo que pretendemos. Também poderemos usar habilidades características de cada classe bem como consultar o inventário de cada personagem e mudar de equipamento se assim o desejarmos. No final de cada batalha ganhamos pontos de experiência e tipicamente itens também, que devemos aproveitar, quanto mais não seja para depois vender os excedentes. Depois desta batalha inicial à superfície da Terra, somos transportados para uma estação espacial que serve de centro de comando dos NEO, onde conhecemos o comandante lá do sítio e que nos vai dando missões para irmos completando, tendo de explorar vários recantos do espaço, desde estações espaciais inimigas em baías de asteróides, ou mesmo colónias em planetas como Vénus e Marte. Para isso vamos explorando o universo a bordo de uma nave espacial e frequentemente vamos encontrando naves inimigas.

A cutscene inicial conta-nos um pouco do que se passa naquele universo. Quais os seus habitantes e intervenientes no conflito!

Sendo este um RPG, podemos tentar a nossa sorte e evitar um confronto, o que irá depender da maneira como evoluímos o carisma do líder da party. Caso tenhamos de batalhar, o jogo assume uma vez mais um sistema de batalha por turnos, onde podemos tentar atingir diversos pontos chave da nave inimiga e caso tenhamos um Rocket Jockey connosco, poderemos também reparar o dano sofrido. Uma vez causado dano suficiente na nave inimiga, podemos invadi-la, matar todos os seus passageiros e conquitá-la, o que nos dará mais pontos de experiência. Evoluir as personagens é algo que não é tão trivial como na maioria dos RPGs, pois mesmo se tivermos pontos de experiência suficientes para subir de nível, teremos primeiro de visitar um ginásio, que aí sim, nos permitirá evoluir e atribuir novos skill points às skills disponíveis. E uma vez mais, sendo este um RPG ocidental, há aqui também um certo nível de não linearidade. Podemos explorar o universo à nossa vontade, desbloquear uma série de side missions que, mesmo sendo opcionais, a experiência é valiosa e para além disso, mesmo quando vamos explorando certos cenários, vamos tendo sempre vários eventos a surgir e que nos dão diferentes hipóteses de escolha, o que por sua vez poderá mudar um pouco o rumo das coisas.

As batalhas são por turnos e podemos controlar cada personagem individualmente

A nível audiovisual acho um jogo bastante simples. As dungeons, como já referi acima, são apresentadas numa perspectiva isométrica e uma boa parte do ecrã é tomada por janelas de texto. No canto superior direito vemos sempre uma representação do cenário onde nos encontramos ou dos inimigos/NPCs que iremos enfrentar ou interagir. E sendo este um jogo baseado numa personagem de banda desenhada antiga, há muito daquele imaginário retro-futurista, que eu pessoalmente até aprecio. A nível de som, bom, é um jogo bastante simples, as músicas não são nada de especial, particularmente as músicas dos combates, que são apenas clips relativamente pequenos com percurssões.

As dungeons apresentam gráficos simples, mas sempre gostei da arte que vai sendo mostrada no canto superior direito

Portanto devo dizer que até fiquei agradavelmente surpreendido por este Buck Rogers. A sua história até que é interessante, até pela quantidade de conteúdo opcional que poderemos vir a descobrir. Para além disso, e da mudança de perspectiva na exploração face ao original de PC, houve uma série de outras mudanças que o simplificaram, tendo em conta que a Mega Drive não tem um teclado. A gestão de inventário e de skills é toda feita usando ícones, o que acaba por ser muito mais cómodo do que se mantivessem a interface original. Por outro lado, a versão PC é também mais complexa, não só no maior número de raças, classes e skills disponíveis, bem como a preocupação adicional das armas de fogo consumirem munição. Portanto, esta conversão para a Mega Drive apesar de ter algum conteúdo cortado, ainda assim me pareceu um jogo bastante sólido. A ver se jogo mais coisas da SSI em breve!

Assassin’s Creed IV: Black Flag (Sony Playstation 4)

Lançado em 2013, Assassin’s Creed IV mantém o seu foco no território norte-americano, mas desta vez uns bons anos antes das aventuras de Connor no Assassin’s Creed III, até porque controlamos nada mais nada menos que Edward Kenway, seu avô. E com as batalhas navais introduzidas no seu antecessor até tiveram sucesso, a Ubisoft decide dedicar esta aventura precisamente aos piratas nos mares das Caraíbas. Foi um jogo lançado numa altura de transição de gerações de consolas, com versões para as consolas principais de ambas as gerações. Originalmente até tinha comprado a versão PS3, mas acabei mais tarde por trocar por uma versão PS4, já não me recordo quando nem onde, mas foi certamente barata.

Jogo com caixa, manual (o que é raro num jogo PS4!) e papelada

Este Assassin’s Creed começa de uma forma algo diferente, pois Edward Kenway era mesmo um mero pirata e que, em busca de lucro fácil, acaba por envolver numa conspiração dos Templários e que, inedvertidamente acaba por enfraquecer a posição dos Assassinos da região. Eventualmente Edward consegue também o seu próprio barco, faz amizades com outros capitães piratas notáveis e começa também, aos poucos, a colaborar com a ordem dos Assassinos locais. Em paralelo há também uma trama a decorrer no presente, onde controlamos um funcionário da Abstergo que navega pelo Animus para explorar não as memórias dos seus antepassados, mas sim as memórias de uma certa personagem também muito importante naquele universo. Teoricamente a Abstergo (Entertainment) está a explorar essas memórias para criar filmes ou diversões de realidade virtual sobre aventuras de piratas, mas na verdade o que lhes interessa são informações cruciais de artefactos da tal primeira Civilização.

Havana é uma das várias cidades que iremos explorar

A nível de controlos, os mesmos foram ligeiramente modificados, a meu ver para melhor, no que diz respeito ao combate corpo-a-corpo, armas de fogo e o habitual parkour. As habilidades estão todas lá na mesma, mas simplificaram ligeiramente alguns dos seus controlos. O que gostei mais é o facto do sistema de notoriedade (nas cidades) ter sido eliminado. Agora podemos fazer asneiras quanto baste que para a nossa notoriedade baixar já não temos de andar a subornar pessoas ou rasgar cartazes de criminosos procurados, mas sim basta sairmos de cena, procurar um local isolado e esperar algum tempo até ficarmos completamente anónimos de novo. Já nas batalhas navais, que estão mais uma vez de regresso (ou não fosse este um jogo dedicado a piratas), quantos mais navios atacarmos, maior será a nossa notoriedade e, sendo esta suficientemente elevada, iremos também atrair navios de caçadores de piratas. Mas felizmente essa notoriodade também é fácil de ser reduzida.

Espalhados pelos oceanos podemos também encontrar náufragos que podemos adicionar à nossa tripulação ou carga perdida

De resto esperem pelas habituais mecânicas de um Assassin’s Creed, sendo este um jogo de mundo aberto, esperem por vários coleccionáveis para apanhar e missões secundárias para cumprir. A grande diferença está mesmo na sua magnitude, pois vamos ter algumas pequenas cidades para explorar, mas muitas outras ilhas desertas e localizações de interesse ao longo dos oceanos. Portanto, para quem quiser fazer todas as sidequests e apanhar todos os coleccionáveis, têm aqui muitas horas de jogo pela frente. O sistema de caça e crafting marca cá uma vez mais a sua presença, agora com a possibilidade também de caçarmos tubarões ou baleias em alto mar, mas não há um foco tão grande na caça como no jogo anterior. O que está também de volta é todo o sistema de trading que podemos gerir, ao criar uma frota de navios e levá-los em várias rotas comerciais, algo muito útil para fazer dinheiro extra, até porque todos os upgrades que podemos comprar para o Edward Kenway, a sua residência, ou mesmo o seu barco Jackdaw custam dinheiro e/ou outros recursos como madeira ou metais que teremos de obter ao assaltar outros navios. De todo este conteúdo opcional, o que não gostei nada foram as missões de exploração subaquática. Os controlos não são de todos os melhores os mares estão repletos de perigos como tubarões, medusas ou moreias, para além de estarmos constantemente pressionados pela falta de ar.

Sendo um jogo baseado em aventuras piratas, não podiam faltar mapas de tesouros escondidos!

A nível gráfico é um jogo que sofre por estar ali numa transição de gerações. Mesmo jogando-o numa Playstation 4, o salto gráfico não é ainda tão considerável assim, quando comparado com uma versão PS3 ou Xbox 360. Ainda assim é bastante competente e gostei bastante de explorar as Caraíbas. O jogo possui um sistema de meteorologia dinâmica e num minuto podemos estar a navegar em oceanos calmos, como noutro já podemos estar rodeados de tufões e ondas gigantes. E quando temos de enfrentar armadas e/ou fortes inimigos nestas condições? Gostei bastante! De resto, o voice acting é bastante competente e apesar de, na maior parte do jogo iremos enfrentar forças espanholas ou inglesas, há um certo ponto na história onde iremos enfrentar uma armada portuguesa. E apesar dos actores portugueses não terem sido propriamente os melhores, é agradável ouvi-los a falar uns com os outros em português de Portugal. Ou mesmo quando os combatemos, ouvir um “anda cá otário!” é delicioso.

O combate continua brutal como sempre!

Portanto o meu balanço para este Assassin’s Creed IV Black Flag acaba por ser bastante positivo no final. Gostei da forma como a personagem Edward Kenway vai evoluindo com o tempo e é um jogo que nos apresenta de facto imensas coisas para fazer em paralelo à história principal. E navegar pelos mares das Caraíbas, descobrir ilhas desertas, ou simplesmente atacar navios aleatórios que se atravessavam no nosso caminho, foi de facto uma experiência muito agradável. Mas confesso que, perto do fim, já me estava a cansar um pouco. A minha ideia era pegar no Assassin’s Creed Rogue logo de seguida, mas acho que lhe vou dar um ou dois meses de intervalo.

King’s Quest V (PC)

O quinto King’s Quest foi o primeiro jogo da Sierra já com uma nova versão do seu motor gráfico SCI. Para além de suportar sistemas VGA, o que resultou num grafismo com muito mais detalhe, possui também, pela primeira vez na série, um interface verdadeiramente point and click, ou seja, já não precisamos de escrever quais os comandos a executar! O meu exemplar, tal como os outros veio cá parar após ter comprado um bundle com dezenas de clássicos da Sierra a um preço muito reduzido, algures no ano passado.

Neste jogo voltamos a controlar o rei Graham, agora já mais velhote, e que, a certo dia depois de dar um passeio, vê o seu castelo (com toda a sua família) a desaparecer! Tal feito só pode ser obra de um poderoso feiticeiro, sem dúvida! Pelo menos é o que nos diz Cedric, uma coruja falante com uma voz super irritante e que nos irá acompanhar ao longo da aventura, onde viajamos até ao reino de Serenia para tentar recuperar a família de Graham e o seu castelo.

Às vezes o jogo avisa-nos que vamos enfrentar situações de perigo. Bom, pelo menos o Cedric sim.

A nível de jogabilidade, tal como referi acima este é finalmente um jogo de aventura gráfica verdadeiramente point and click, ou seja, com cursores que representam diferentes acções, como mover, falar ou interagir e apenas temos de escolher a acção que queremos, apontar e clicar. Já não precisamos de escrever as acções numa linha de comandos! De resto contem com os habituais perigos da série King’s Quest (excepto escadas traiçoeiras) pelo que convém fazer uma boa gestão de saves. Mas se calhar o melhor é mesmo seguirem um guia, pois tal como em muitos outros jogos de aventura da época é perfeitamente possível alcançar cenários onde não conseguimos ganhar, seja por não termos apanhado algum item anteriormente, ou por o ter usado onde não deveríamos, desperdiçando assim várias horas do nosso tempo. E claro, alguns puzzles não são lá muito lógicos (adivinhem lá como é que temos de derrotar o Yeti?).

A variedade de cenários está muito bem conseguida nesta aventura!

A nível audiovisual, este é de facto um grande avanço perante os títulos anteriores. O facto de o jogo suportar o sistema VGA permite pela primeira vez à série apresentar cenários muitíssimo bem detalhados e repletos de cor. E iremos visitar ambientes muito distintos entre si, desde desertos, florestas assombradas, montanhas geladas ou mesmo outras cidades, todos eles muito bem representados graficamente. A acompanhar este novo detalhe gráfico está também, pelo menos na versão CD-ROM que felizmente é a que vem na compilação onde o joguei, voice acting! Infelizmente o voice acting não é o melhor de todos, especialmente na voz incrivelmente irritante da coruja Cedric. Mas não deixa de ser um avanço tecnológico muito bom para um jogo de 1990. As músicas são também de muito maior qualidade que qualquer outro jogo da série que tinha sido lançado até então.

Portanto considero este King’s Quest V um óptimo jogo de aventura gráfica, embora ainda tenha alguns elementos mais frustrantes, como uns labirintos confusos e a possibilidade de arruinar o progresso do jogo ao esquecermo-nos de apanhar algum item que venha a ser importante lá mais perto do final do mesmo. Portanto, a menos que queiram jogar isto como se fosse 1990, recomendo vivamente que usem um guia!

Ys Book I and II (PC-Engine CD)

E depois de ter escrito sobre o Ys I & II Chronicles+, um dos últimos relançamentos dos primeiros jogos desta série, vamos ficar agora com um breve artigo sobre a sua adaptação para a PC-Engine CD, que ficou a cargo da Hudson e Alfa System, tendo também recebido um lançamento em solo norte-americano. Mas naturalmente a versão Japonesa é bem mais acessível economicamente, pelo que foi essa que acabei por comprar num pequeno lote que comprei no eBay algures no passado mês de Fevereiro, por cerca de 10€ mais portes.

Jogo com caixa e manual embutido na capa. Versão japonesa.

Esta conversão dos dois primeiros títulos para PC-Engine tem a curiosidade de ser a primeira vez que o Ys II acaba por ser lançado no ocidente (Estados Unidos apenas) para o sistema Turbo CD. E a transição para o formato CD acaba por incluir uma série de músicas em formato redbook, algum voice acting em certos pontos chave da história e algumas cutscenes adicionais, embora estas sejam ainda relativamente simples, até porque este é um lançamento CD-ROM² e não um Super CD-ROM² que usa alguma RAM adicional. Mas já lá vamos.

Tal como noutras versões, alguns NPCs têm direito a janelas de diálogo especiais

A nível de jogabilidade é um jogo que mantém toda a sua base dos originais, sendo RPGs de acção onde não temos um botão de ataque, mas sim temos de ir contra os inimigos (de preferência num certo ângulo para não sofrer dano). Calculo que o design das dungeons e cidades seja mais próximo aos lançamentos originais, pois as edições mais recentes incluem algumas áreas adicionais que não estão aqui presentes (como a aldeia piscatória de Barbado logo no início do primeiro Ys). Mas o que se sente mesmo mais falta perante os lançamentos recentes é o facto de não nos podermos mover na diagonal. É que mover diagonalmente é muito útil para os combates e atacar os inimigos num ângulo onde conseguimos causar dano contínuo e muito raramente sofrer dano! Então, para quem que, como eu, jogou as conversões dos Ys I & II mais recentes, acabamos por ter mais trabalho em reaprender o combate. No artigo anterior eu disse que o Ys II é uma sequela directa do primeiro e de facto nesta versão o jogo transita rapidamente do primeiro para o segundo título, com Adol a herdar os seus stat points entre ambos os jogos, o que acho bem, mas não deixa de ser necessário algum grinding posteriormente na mesma.

O design das áreas de jogo parece ser bem mais fiel aos originais

A nível audiovisual, este é um jogo muito interessante por incluir algum voice acting e, depois de jogar um pouco a versão norte-americana emulada, até me pareceu bem competente para um jogo de 1990. As músicas são compostas por todas aquelas melodias super sonantes e confesso que a banda sonora parece-me algo dividida entre temas em formato cd audio, e outros chiptune. São músicas excelentes, mas não há como não preferir as suas versões gravadas com instrumentos reais como ouvimos mais tarde nas versões Chronicles. Graficamente é um jogo simples, com sprites pequenas, mas ocasionalmente temos direito a algumas cutscenes mais trabalhadas, embora ainda não com um nível de detalhe como iremos ver mais tarde noutros jogos desta série para o PC-Engine.

Nesta versão vamos tendo também algumas cutscenes ocasionais

Eu não joguei esta versão na sua totalidade, mas as quase 2 horas de jogo já me deixaram com uma boa ideia das suas capacidades e a ideia que me dá é que, para 1990, são adaptações muito competentes dos primeiros jogos da série. Mas com as versões Eternal/Complete/Chronicles que possuem uma jogabilidade mais fluída, a possibilidade de nos movermos na diagonal, e audiovisuais muito superiores (principalmente nas músicas), torna-se muito difícil voltar a versões mais antigas.