Ys I and II Chronicles + (PC)

A série Ys sempre me despertou o interesse desde que vi um screenshot do ecrã título do primeiro jogo algures num catálogo da Master System. Mas essa versão não é propriamente barata nem nunca me apareceu a um bom preço… mas felizmente os dois primeiros Ys foram convertidos, remasterizados e refeitos vezes sem conta ao longo dos anos! Os remakes mais recentes têm por base os Ys Eternal, que sairam originalmente para PC em 1998 e 2000 no Japão, possuindo gráficos redesenhados em 2D e em maior resolução, bem como a história de ambos os jogos acabou por ser expandida e a banda sonora refeita. Essas versões foram a base do lançamento do Ys I & II Chronicles pela XSeed, que os localizou ambos para um lançamento no ocidente. Originalmente joguei-os na PSP (pirateados) e é essa a versão que gostava mesmo de ter na colecção, mas o seu preço tem vindo a se tornar cada vez mais proibitivo. Então acabei por comprar antes a versão digital para PC no Steam, algures há uns meses atrás por um preço muito mais convidativo, nalguma steam sale.

Os Ys são uma série de RPGs de acção, com uma jogabilidade frenética e tipicamente são acompanhados de uma excelente banda sonora. Os primeiros Ys possuem no entanto algumas particularidades mais old school que mesmo nestes lançamentos mais recentes não foram descuradas. A principal é, claro, a da não existência de um botão de ataque. Para atacar os inimigos temos simplesmente de ir contra os mesmos, mas tal como o jogo nos alerta logo no início da aventura, não devemos ir directamente contra os inimigos, mas sim num certo ângulo, para evitar sofrer dano. No entanto, com algumas destas conversões mais recentes, o facto de nos podermos mover na diagonal já é uma grande ajuda e tipicamente já sofremos muito menos dano atacando dessa forma. O facto de o primeiro e segundo Ys terem sido lançados juntos em muitos dos seus lançamentos ao longo de quase 35 anos não é por acaso: o primeiro Ys é um jogo incrivelmente curto e acaba por ser uma espécie de prólogo para a sua sequela, cujos eventos decorrem imediatamente após o final do primeiro jogo.

As dungeons possuem um design tipicamente labiríntico e temos de ter cuidado para não sermos encurralados por alguns inimigos

Aqui encarnamos então no jovem espadachim Adol Christin e o seus cabelos ruivos. Adol é um guerreiro de uma terra distante que procura novos desafios enquanto viajava de barco, acaba por naufragar e ir parar a uma praia de uma aldeia piscatória algures na ilha de Esteria. E à medida que vamos explorando aquela nova terra, vamo-nos apercebendo que a ilha foi invadida por demónios, coisas estranhas estão a acontecer e tudo parece estar interligado à terra de Ys, uma ilha flutuante que havia sido elevada para os céus há 700 anos atrás, para proteger a sua civilização da invasão demoníaca que estava a acontecer à superfície. Para quem, como eu, que tinha jogado primeiro o Ys Origin, já sabia de toda esta “lenda” por detrás. E é engraçado ver como o Ys Origin é na verdade todo um “fan service” pois inclui imensas referências aos primeiros dois jogos da série.

Naturalmente que teremos também vários bosses para enfrentar, cada qual com pontos fracos distintos

Ora então teremos alguns NPCs com quem conversar e lojas onde comprar itens e equipamento novo, mas a maior parte do tempo vai mesmo ser passado a explorar dungeons que vão sendo consideravelmente grandes e com um design bastante labiríntico. E apesar de não haver propriamente puzzles para resolver, o jogo tem uma quantidade considerável de backtracking na busca de itens que nos vão desbloqueando o acesso a certas partes dessas mesmas dungeons. Mas também é verdade que a jogabilidade rápida ajuda bastante e mesmo o eventual grinding que é necessário fazer para evoluir a personagem para sobreviver aos encontros com os bosses ou alguns inimigos mais poderosos acaba por ser bem mais agradável do que qualquer RPG com batalhas por turnos.

Estes remakes incluem arte redesenhada, se bem que poderemos alternar entre a arte das edições Eternal/Complete e a mais recente usada nos Chronicles, que por sua vez inclui algumas cutscenes anime.

O Ys II decorre logo após os acontecimentos do primeiro jogo, com Adol a ser transportado para a ilha flutuante de Ys, onde irá conhecer pessoas novas, mas também defrontar os verdadeiros vilões por detrás dos acontecimentos do primeiro jogo. Aparentemente nalguns lançamentos a transição entre o Ys I e II é mais fluída, com Adol a herdar o equipamento e os stats com que finalizou a primeira aventura, mas aqui temos de recomeçar do zero. E a jogabilidade é ligeiramente alterada, pois agora iremos desbloquear uma série de magias, como a possibilidade de lançar bolas de fogo, iluminar áreas escuras, entre outras, como a possibilidade de Adol se transformar num Roo, uma criatura fofinha capaz de entender a linguagem dos monstros e teremos inclusivamente de usar essa habilidade para atravessar certos obstáculos em alguns momentos do jogo. Ora isto torna os combates ainda mais fluídos pois podemos também usar os poderes mágicos para atacar à distância. Alguns bosses são completamente imunes a dano físico inclusivamente! De resto, as mecânicas de jogo são muito similares ao seu antecessor, mas Ys II é um jogo mais longo, com mais localizações para descobrir e explorar, tanto dungeons, como aldeias/cidades.

No Ys II já podemos usar magias e uma delas permite-nos transformar num Roo, onde não somos atacados pelos inimigos e mais, podemos até falar com eles.

Ao longo dos inúmeros relançamentos, conversões e afins, por vezes foram sendo incluídos algum conteúdo original. Estas versões Chronicles, que por sua vez são baseadas nos Eternal e Complete, possuem diálogos expandidos, ocasionais cutscenes anime, algumas novas localizações para explorar, side quests opcionais, diferentes graus de dificuldade, mas também alguns modos de jogo adicionais, o que é o caso dos Boss Rush, que sinceramente não cheguei a testar (já tenho pesadelos suficientes com o boss final do primeiro Ys para o tentar enfrentar novamente!).

A nível audiovisual estes remakes mantém um bom nível de fidelidade perante os originais. Apresentam portanto um mundo 2D tipicamente 8/16-bit, embora as suas sprites e cenários sejam renderizados numa maior resolução e há aqui alguns efeitos gráficos adicionais visíveis particularmente nas dungeons ou quando invocamos as magias. Antes de iniciarmos a aventura podemos optar por jogar o modo Chronicles ou Complete, que irá diferenciar-se nalgum do artwork e cutscenes, mas também podemos definir se queremos que o jogo seja apresentado num formato 4:3 ou em widescreen. O formato 4:3 é a resolução original, onde a área de jogo é apresentada numa janela, com o resto do ecrã a ser preenchido com alguma arte e informações gerais do nosso estado e o dos inimigos que enfrentamos. Já o formato widescreen descarta o sistema de janelas típico destes RPGs da velha guarda, mas apresenta os gráficos ligeiramente ampliados e com um campo de visão ligeiramente inferior. A versão PSP tinha-a jogado dessa forma, já no steam preferi a abordagem 4:3. Já no que diz respeito à banda sonora, bom, já os lançamentos originais possuíam músicas excelentes e repletas de melodias memoráveis. Nestes remakes as músicas já estão num formato redbook, mantêm as mesmas melodias sonantes, mas com um maior foco no instrumental. Temos aqui muitas adaptações principalmente para o rock, repletas de grandes guitarradas e que me agradaram bastante, embora hajam também algumas músicas mais calmas e relaxantes, típicamente quando exploramos alguma cidade/aldeia.

Alguns NPCs especiais têm direito a janelas de diálogo mais interactivas, assim como os donos das lojas com os quais interagimos

Portanto eu adoro estes remakes dos dois primeiros Ys e só tenho pena que não existam lançamentos em formato físico mais recentes que os da PSP, pelo menos que tenham chegado até à Europa. Espero que a Falcom um dia faça uma compilação com alguns desses Ys mais antigos, quanto mais não seja para a Switch, pois os lançamentos da PSP estão cada vez mais com preços proibitivos. Mas muito em breve, prometo trazer mais Ys aqui para o blogue!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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