Assassin’s Creed III (Sony Playstation 3)

Depois do fecho da trilogia de Ezio Auditore com o Assassin’s Creed Revelations, a saga da eterna luta entre as ordens dos Assassinos e Templários continua, agora com a Ubisoft a virar as agulhas para longe do continente Europeu e assentar-se na costa leste dos Estados Unidos, entre 1754 e 1783, atravessando então aquele período da Revolução Americana que acabou por levar as colónias britânicas a alcançarem a sua independência. O meu exemplar foi comprado usado há uns anos atrás, creio que por 7€. Infelizmente o código de DLC já tinha sido usado pelo que acabei por jogar a edição mais básica deste jogo – que mesmo assim já possuía conteúdo quanto baste!

Jogo com caixa, manual e papelada

Continuamos então a reviver os antepassados de Desmond Miles, em busca de mais artefactos da primeira civilização, começando por encarnar na personagem de Haytham Kenway, um aparente aristocrata britãnico que, após armar alguma confusão no seu país, parte para as colónias Norte-Americanas em busca de templos da Primeira Civilização. Entretanto coisas acontecem, a narrativa avança alguns anos e passamos a jogar antes com Ratonhnhaké:ton (Connor para os amigos), filho de Haytham e uma nativa de uma tribo do povo dos Mohawk. É com Connor que todas as novas mecânicas de jogo se revelam e iremos também acompanhar de perto a trama que levou ao povo Norte-Americano a revoltar-se, naturalmente com interferência de Templários e Assassinos.

Começamos por incarnar no papel de Haytham Kenway, pai do futuro protagonista principal

Mas então o que traz este jogo de novo? Na sua essência continua a ter um grande open world para ser explorado, repleto de missões opcionais e coleccionáveis que poderemos procurar. Entre as áreas de jogo a explorar temos Boston, Nova Iorque e a vasta floresta Norte-Americana, com algumas pequenas comunidades aqui e ali. Connor é ainda mais ágil que os seus antecessores, podendo agora saltitar entre os ramos de árvores como se nada fossem, bem como poderemos caçar animais e coleccionar alguns dos seus recursos como peles e carne. Ora isto abriu portas para muita coisa nova, pois nos Assassin’s Creed de Ezio nós iríamos renovar edifícios espalhados pelas diferentes cidades e os seus ocupantes nos pagariam uma renda. Aqui vamos montando uma própria comunidade à volta da nossa base de operações, onde cada novo habitante que “recrutamos” contribui com produtos agrícolas, alimentos, madeira, metais, entre outros. Podemos comprar os ingredientes que produzem, usar um sistema de crafting para construir novos itens, que podemos depois comercializar em caravanas ou mesmo em navios que os transportam para outras cidades. O crafting e respectivo comércio acaba agora por ser a nossa maior fonte de rendimentos, mas por outro lado também nos dá muito mais trabalho.

O sistema de combate foi ligeiramente alterado, mas as mecânicas base mantêm-se

Inicialmente este comércio é de risco moderado/elevado pois a nossa mercadoria está sujeita a imposto forçado pelas forças britânicas, bem como ser atacada pelas mesmas, pelo que por vezes teremos de defender as nossas mercadorias no terreno. Mas à medida que vamos atacando e libertando os fortes britânicos espalhados pelo jogo este risco e imposto vai diminuindo, tornando o comércio mais seguro e rentável. E se por um lado temos também imensas lojas onde podemos comprar e vender directamente os produtos que carregamos, bem como comprar novas armas, o sistema de crafting também nos permite criar novas armas e outros equipamentos para o próprio Connor, geralmente com melhores atributos do que os que podemos encontrar nas lojas.

Mais ou menos a meio do jogo podemos também desbloquear novos aprendizes a Assassinos, onde tal como nos jogos anteriores, podem ver as suas habilidades a evoluirem ao executarem missões em territórios vizinhos, mas também ao serem chamados ao terreno para nos auxiliarem directamente. Infelizmente apenas os podemos chamar nas cidades de Boston e Nova Iorque, tinha dado imenso jeito a sua ajuda para conquistar os fortes nas florestas. Isto também porque os soldados que combatemos são agora em muito maior número, patrulhando as cidades e zonas florestais em patrulhas com uns 6 ou 7 elementos, pelo que arranjar conflitos em zonas urbanas com maior concentração de soldados pode se tornar num grande desafio principalmente na primeira metade do jogo onde o nosso arsenal é muito mais limitado. Para além disso eles são mais organizados e atentos. Alguns juntam-se um pouco mais longe em fileiras de tiro enquanto outros (incluindo alguns soldados bem fortes no combate corpo a corpo) nos rodeiam. Usar os counters e movimentos de desarmamento ou quebra-defesas são imperativos nesses combates mais intensos. E mesmo aquele truque que antes usava de subir para telhados e executar um air assassination a um ou 2 soldados de cada vez agora é inútil pois a partir do momento que os soldados estejam com os seus olhos postos em cima de nós conseguem precaver esses ataques. Para além disso, em zonas mais fechadas, a câmara muitas vezes acaba por atrapalhar bastante nestes combates tão exigentes de reflexos rápidos aos movimentos dos nossos oponentes.

Mandar os assassinos em missões é bom para ganharem experiência e trazer alguns trocos extra.

Para além de tudo isto temos ainda pela primeira vez as missões navais, uma das outras grandes novidades introduzidas neste jogo, e exploradas ainda mais na sua sequela. Para além de algumas missões pertencentes à história principal, teremos também um grande número de sidequests para completar que tipicamente reduzem o risco de ataque em caso de enviarmos um navio com bens comerciais. Nas missões marítimas geralmente teremos de conduzir o navio, alternando entre diferentes configurações das velas para controlar a velocidade e ter melhor manobrabilidade quando precisamos de evitar alguns obstáculos à nossa volta como recifes. Mas também teremos de combater navios inimigos, onde podemos ordenar a nossa tripulação para gerir os canhões principais do navio e outros secundários, ideais para destruir barcos mais pequenos ou causar dano localizado em navios maiores. Também podemos comprar upgrades para o navio que melhoram não só o seu poder de ataque, como munições incendiárias ou correntes que se disparadas “à queima roupa” podem destruir os mastros de um navio oponente, imobilizando-o. Mas também podemos melhorar as defesas do navio, bem como comprar uma “cunha” que nos permite albarroar os navios dos nossos oponentes. Ainda nas mecânicas de jogo só me resta mesmo mencionar que uma vez mais temos aqui uma componente multiplayer que eu sinceramente nem toquei, pelo que não me vou alongar na mesma.

Demorei um pouco a habituar-me às mecânicas das missões navais, mas depois de algum tempo (e upgrades!) já era imparável nos oceanos.

Todas estas novidades nas mecânicas de jogo foram muito benvindas e deram de facto um novo fôlego à série, mas este Assassin’s Creed também possui um motor de jogo inteiramente novo. Graficamente é então um jogo superior aos seus predecessores, não só nas áreas urbanas, mas principalmente maior detalhe das zonas florestais onde todos os detalhes geográficos, a vegetação e vida animal estão muito bem implementados. Para além de ciclos de dia e noite, temos também ciclos de estações do ano e diferentes condições meteorológicas. Caminhar pela floresta coberta de neve é de facto muito diferente de o fazer na Primavera ou Verão. E para além disso, se atravessarmos um nevão, a visibilidade dos soldados inimigos também é reduzida, o que nos pode ajudar bastante se optarmos por uma jogabilidade mais furtiva. No entanto nem tudo são coisas boas, pois por vezes temos alguns problemas de performance, algo que já acontecia nos jogos anteriores. Mas este foi o primeiro Assassin’s Creed cujos bugs e glitches me afectaram directamente. Desde alguns glitches gráficos que deturpam toda a visibilidade do ecrã, se bem que temporariamente, ou outros que chegaram inclusivamente a crashar o jogo e deixar a Playstation 3 sem qualquer capacidade de resposta, obrigando-me a fazer reset. Outros bugs mais funcionais também me atrapalharam ocasionalmente, obrigando-me a por vezes a repetir alguma missão, ou voltar atrás nalgum checkpoint. De resto, a nível de apresentação como um todo, está realmente um jogo muito bom, pois sentimos que voltamos mesmo ao século XVIII  e conseguimos viver a experiência de como seria a vida das pessoas nas cidades coloniais, bem como nas florestas, repletas de vida animal e bonitas paisagens. O voice acting continua excelente e as músicas quando existem tendem a ser mais épicas ou tensas consoante o contexto do momento.

Neste capítulo temos muito mais atenção ao detalhe, especialmente nas florestas, repletas de vida selvagem.

Portanto este Assassin’s Creed III acabou por me agradar bastante principalmente pelas novas mecânicas que lhe introduziram. Achei-o também um jogo mais desafiante, pelos soldados mais bem equipados, em maior número e mais agressivos. Temos uma vez mais um grande número de sidequests, desafios e coleccionáveis para apanhar, pelo que se quisermos fazer o jogo a 100%, teremos mesmo de dispender muitas horas. Até porque agora para ganhar grandes quantias de dinheiro temos mesmo de usar bem as mecânicas de caça, crafting e trading, o que acaba por ser um processo mais moroso do que simplesmente esperar 20 minutos e receber uns milhares na conta automaticamente.

Depois este Assassin’s Creed III acabou também por receber um conjunto considerável de conteúdo extra na forma de DLCs. Infelizmente o código do meu jogo já tinha sido usado pelo que joguei a versão 100% vanilla, mas confesso que até fiquei com vontade de jogar pelo menos o The Tyranny of the King Washington. Claro que, à boa maneira da Ubisoft, os DLCs continuam à venda para a PS3, mas a full price. Ora numa plataforma já completamente obsoleta, não faria sentido eles baixarem o preço dos DLCs? Portanto, caso ainda não tenham experimentado este jogo, recomendo mesmo que joguem a sua versão remasterizada para as consolas de geração actuais, pois que eu tenha conhecimento é a única que traz todos os DLCs, com o bónus de trazer também o AC Liberation, que planeio jogar muito em breve. É que mesmo nas outras compilações que a Ubisoft lançou entretanto e que incluiram este AC III, nenhum dos DLCs vinha incluído, o que é simplesmente estúpido.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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