Forgotten Worlds (Sega Master System)

Antes de ser a própria Capcom a trabalhar directamente em jogos para a Mega Drive, como aconteceu no Street Fighter II, por exemplo, era a Sega que obtinha as licenças para converter alguns dos seus clássicos arcade, o que aconteceu com Strider, Ghouls ‘n Ghosts e este Forgotten Worlds. Estes 3 jogos foram convertidos em versões 16 e 8bit, não deixando a Master System de fora. O meu exemplar foi comprado no mês de Setembro, onde fui a Paris em trabalho e lá consegui arranjar umas horas para visitar as lojas de Boulevard Voltaire, onde este jogo me custou 10€.

Jogo com caixa

Forgotten Worlds é um interessante shmup com as suas origens nas arcades, decorrendo num futuro pós apocalíptico onde a raça humana foi quase extinta devido a uma ameaça misteriosa que invadiu o planeta. O futuro da humanidade fica então a cargo de dois super-soldados criados pelos humanos que irão sozinhos efrentar Bios, o tal “deus” invasor.

Graficamente o jogo não está nada mau para uma plataforma 8bit

Ora no original arcade para além de controlarmos a posição da nossa personagem com um joystick, existia também uma track-ball que nos permitia apontar as armas em 360º. A jogabilidade obrigava-nos então a ter reflexos rápidos não só para nos desviarmos dos inimigos e seus projécteis, mas a usar também a bola para apontar aos inimigos. Na Master System por acaso existe um comando com uma track ball, mas ficou-se apenas pelo Japão e mesmo assim, para este jogo o ideal seria um duplo analógico como temos hoje em dia. Portanto nesta versão, que infelizmente é single player apenas, a nossa personagem dispara automaticamente, sendo que o D-Pad controla a posição e os botões 1 e 2 controlam a rotação, fazendo a mira rodar no sentido dos ponteiros do relógio ou ao contrário.

Ocasionalmente podemos entrar em lojas e comprar uma série de power ups com os créditos que vamos amealhando

Ao destruir os inimigos vamos poder apanhar moedas, dinheiro esse que pode ser gasto ao visitar certas lojas que vão surgindo ao longo dos níveis. Aqui temos um tempo limite para fazer compras, que podem ser novas armas, itens regenerativos para a nossa barra de energia, armaduras melhores que aguentam com mais dano, ou as Cluster Bombs, bombas que causam dano em todos os inimigos no ecrã em simultâneo. Na versão Master System, no entanto, teremos de pressionar os botões 1 e 2 em simultâneo para activar estas bombas. A jogabilidade é então relativamente simples, mas exige muita práctica para controlar efectivamente a nossa personagem, onde para além de nos preocuparmos em desviar dos inimigos e seus projécteis, devemos também apontar-lhes em cheio.

Entre cada nível vamos tendo também algumas cutscenes, pena que nesta versão o segundo herói seja completamente esquecido.

A nível audiovisual, bom estamos perante uma conversão modesta, visto que o original arcade corre num sistema bem mais poderoso. Infelizmente não dispomos de todos os níveis na versão Master System, mas os que existem estão bem detalhados perante as limitações da consola. Percorremos cidades em ruína e outras localizações mais futuristas, culminando sempre num confronto contra um boss que tipicamente estão bem detalhados mesmo nesta versão 8bit, se bem que a custo de se perder todos os cenários de fundo enquanto o combatemos. Algo que é habitual em shmups 8bit. Já as músicas, bom, essas sinceramente não gostei. Não sei se já as músicas originais arcade não sejam grande coisa e a conversão directa também não ajudou, ou se a Sega resolveu inventar. Seja como for, infelizmente o resultado fica aquém do desejável.

Portanto, este Forgotten Worlds é um interessante shmup, um que já há muito gostava de ter na colecção. É louvável a Sega ter mantido o suporte para a Master System e trabalhado numa conversão que se adivinhava algo difícil e o resultado não é nada mau de todo. Ainda assim gostava um dia de ter também a versão Mega Drive que é mais fiel ao original. Ou a PC-Engine, mas isso são outros campeonatos.

Mega Man Zero Collection (Nintendo DS)

A série Mega Man é uma daquelas que um dia gostaria de detalhar com mais atenção. Desde o primeiro jogo lançado em 1987 para a NES, a série foi evoluindo em múltiplas outras subséries ao longo dos anos culminando em dezenas e dezenas de títulos diferentes. Se bem que há cerca de 10/15 anos atrás o ritmo de novos lançamentos tem abrandado ou mesmo estagnado, talvez pela Capcom ter exagerado um pouco nos seus lançamentos, mas nos últimos anos vamos vendo um ressurgimento gradual de certas séries clássicas dentro do universo Mega Man, incluindo várias compilações (digitais) das séries mais bem conceituadas. Este Zero Collection é então uma compilação física para a Nintendo DS de todos os Mega Man Zero que haviam sido lançados anteriormente para a Gameboy Advance. O meu exemplar foi comprado a um outro coleccionador algures no início do Verão deste ano, tendo-me custado 10€ e é a versão norte-americana.

Jogo com caixa, manual e papelada

Sendo esta uma compilação e visto que será algo difícil para mim encontrar os 4 lançamentos originais para a GBA por um valor relativamente baixo, vou aproveitar este artigo para abordar separadamente cada jogo da série. O primeiro Mega Man Zero foi lançado originalmente em 2002 para a Gameboy Advance, decorrendo cerca de 100 anos após os últimos desenvolvimentos da saga Megaman X. Tem como protagonista o andróide Zero, que tinha sido introduzido precisamente na série anterior, tendo sido ressuscitado por um grupo de outros andróides, aqui chamados de Reploids que formam um movimento de resistência ao grupo Neo Arcadia. Esse grupo, supostamente liderado pelo Mega Man X, havia lançado uma campanha de terror contra todos os outros reploids, assumindo que todos fossem mavericks – basicamente robots maus.

Zero é como se fosse um ninja, super ágil e equipado de uma espada mortal

O jogo em si é uma evolução das mecânicas de jogo dos Mega Man X. Temos a base da resistência que podemos explorar livremente, e inclusivamente falar com outros NPCs, algo necessário até para desbloquear novos power ups. Mas o resto do jogo é à base de missões, algumas delas onde até temos alguma liberdade de escolher qual a ordem que as queremos jogar. Aqui temos também alguns elementos RPG, pois inicialmente Zero está equipado do seu sabre e pistola, mas posteriormente poderá desbloquear novas armas. E quanto mais as usarmos, as armas vão subindo de nível, adquirindo novas habilidades. Podemos ainda equipar as armas com factores elementais como fogo ou electricidade, sendo que há bosses que são resistentes (ou até imunes) a alguns elementos, mas em contrapartida são fracos perante outros). Para além disso, ao longo do jogo poderemos encontrar uma série de Cyber Elfs, estes são pequenas criaturas cibernéticas que podem ser equipadas na nossa personagem, conferindo-lhe algumas novas habilidades temporárias ou permanentes. Coisas como aumentar a nossa barra de energia, tornar todos os inimigos mais lentos, são algumas das habilidades introduzidas por estas pequenas criaturas, que por sua vez têm de ser alimentadas pelos cristais de energia que vamos encontrando. De resto, para além deste piscar de olho aos RPGs, Mega Man Zero é na sua essência um sidescroller 2D, bastante frenético até porque Zero é um andróide bem ágil, podendo saltar entre paredes e fazer slides pelo chão, o que resulta numa jogabilidade bastante rápida se assim o entendermos.

Tal como nos Megaman X, a narrativa é bem elaborada ao longo de várias cutscenes

A nível audiovisual, tanto este jogo como toda a série, é bastante consistente, exibindo gráficos 2D bastante detalhados, com óptimas animações (principalmente quando cortamos os robots inimigos ao meio, algo que foi até censurado nos lançamentos ocidentais). Os níveis vão sendo algo variados, desde grandes instalações futuristas, passando até por cidades em ruínas (o tema da série é algo pós-apocalíptico) ou desertos. As músicas são também bastante agradáveis e com um ritmo acelerado, o que se adequa perfeitamente ao estilo de jogo.

Alguns antagonistas irão marcar a sua presença em vários jogos

Um ano depois, a Capcom lançou a sequela Mega Man Zero 2. A nível audiovisual mantém os mesmos padrões elevados do primeiro jogo, já no que diz respeito à jogabilidade, algumas coisas foram alteradas. Uma das armas extra é a nova Chain Rod, um gancho que para além de servir para o ataque, permite-nos balancear-nos pelos tectos como no Bionic Commando, ou até arrastar blocos gigantes para nos ajudar no platforming. Se concluirmos cada missão com um ranking de A ou S (os mais altos) também poderemos herdar algumas habilidades dos bosses que defrontamos, as EX Skills. O uso de Cyber Elves também está aqui presente e tal como o anterior, a nível audiovisual este é um jogo excelente, com níveis muito bem detalhados, assim como os bosses. As músicas também se mantêm numa toada bem mais rock, algo que me agrada, naturalmente.

Os bosses são tipicamente grandes e bem animados

E eis que em 2004 recebemos o terceiro jogo da saga. Tal como os seus predecessores, é um excelente jogo de acção/plataformas, onde mais uma vez defrontamos um vilão que quer dominar o mundo, sejam humanos ou outros reploids. A nível de jogabilidade é muito semelhante ao seu antecessor, na medida em que teremos várias armas diferentes para usar, diferentes habilidades para desbloquear dos bosses que defrontamos, e Zero continua a ser um robot muito ágil. Desta vez no entanto não precisamos de treinar as nossas armas, visto que elas já estão no nível de experiência máximo.O corpo de Zero pode agora ser customizado quando encontrarmos chips para esse efeito, que nos permitem customizar a cabeça, corpo e pernas. Aqui são também introduzidos os Secret Disks, centenas de disquetes espalhadas pelos níveis (ou obtidas a derrotar os inimigos normais) que se traduzem em Cyber Elves, chips de customização para o corpo de Zero, cápsulas de energia ou pura e simplesmente coleccionáveis.

À medida que novos títulos iam saindo, mais Zero poderia ser customizável

De resto, aparentemente este Mega Man Zero 3 possui também algumas interacções com a série Battle Network, mas não estou bem por dentro do que seja. Por fim, uma vez mais estamos presentes a um jogo com excelentes gráficos 2D, seja no detalhe dos níveis, seja nas animações dos inimigos e principalmente os bosses. Também tal como os restantes, as músicas são mais rock.

Por fim temos o Mega Man Zero 4, lançado originalmente em 2005, uma vez mais um ano após o lançamento anterior. Esta sequela sofreu muitas mudaças, princalmente na gestão dos Cyber Elves  sendo que agora só temos um que por sua vez tem de ser evoluido à base de Energy Crystals. O buster e o sabre continuam presentes, mas a arma adicional é o Zero Knuckle, que permite, entre outras coisas, roubar armas dos inimigos. No que diz respeito à customização de Zero, temos uma vez mais vários chips que podemos equipar e que podem conferir a Zero várias habilidades, desde maior poder de ataque, uma maior barra de vida, ou outras coisas ainda mais úteis como a capacidade de realizar saltos duplos. Para isso temos no entanto de apanhar peças dos adversários derrotados e combiná-las para o efeito, possuindo assim um sistema de crafting.

O sistema de controlo meteorológico pode-nos facilitar ou dificultar a progressão nos níveis. Por exemplo, neste nível se nevar temos um caminho livre por cima de espinhos.

Para além disso os próprios níveis também podem ser customizados, nomeadamente as suas condições metereológicas, que podem ou não tornar um nível mais fácil, ou abrir outras passagens que seriam previamente inacessíveis. Por exemplo, num dos níveis temos de entrar dentro de um canhão solar. Se mudarmos a meteorologia para tempo nublado, o canhão irá disparar menos vezes, tornando o progresso mais fácil. Por outro lado, para adquirirmos as EX-Skills dos bosses que derrotarmos, teremos de completar os níveis nas condições meteorológicas mais desfavoráveis. De resto, uma vez mais a nível audiovisual estamos presentes em mais um jogo com um 2D bem competente e boas músicas também.

Esta compilação inclui alguns extras, como um easy mode ou artwork desbloqueável.

Portanto, esta colectânea para a Nintendo DS é uma óptima maneira de jogar a excelente quadrilogia dos Megaman Zero, excelentes jogos de acção/platforming, que culminaram posteriormente na série Megaman ZX. Esta compilação possui ainda alguns extras como um Easy Mode para todos os jogos presentes (antes só o Mega Man Zero possuia tal feature) e uma galeria de arte desbloqueável. Ainda assim, visto que tanto os originais desta colectânea, como esta própria colectânea não sejam tão acessíveis assim no mercado retro, a Capcom decidiu recentemente lançar uma outra compilação (em formato digital) que inclui também os  Megaman ZX e ZX Advent e pode ser encarada como uma alternativa séria.

Strider 2 (Sony Playstation)

A saga Strider foi uma das mais promissoras da Capcom, com a sua origem no final da década de 80. A mesma decorre num futuro distópico, onde o planeta terra estava dominado por uma ditadura de ferro. Mas um clã de ninjas, os Striders, juraram devolver a liberdade ao povo, libertando-os do seu tirano. A Capcom esmerou-se a construir este mundo imaginário, tendo resultado num fantástico jogo arcade (cuja adaptação para a Mega Drive já a trouxe cá), um outro jogo completamente diferente para a NES e uma manga. A britânica U.S. Gold acabou por produzir uma sequela não oficial para uma série de sistemas e depois disso a série ficou adormecida por alguns anos. Até que em 1999, uma vez mais nas arcades, a Capcom lança uma verdadeira sequela ao clássico e no ano seguinte a Playstation acabou por receber uma conversão. O meu exemplar foi comprado em Maio deste ano, num evento retro gaming. Está incompleto, faltando-lhe o manual e o CD extra com o Strider original de bónus, mas por 2€ não o podia deixar ficar lá.

Jogo com caixa. Fica a faltar o manual e o CD extra.

Este jogo decorre 2000 anos após os eventos do primeiro jogo, onde o feiticeiro Grandmaster renasceu e uma vez mais tomou de assalto todo o planeta. Também uma vez mais caberá a um novo ninja Strider, novamente chamado Hyriu, o papel de o derrotar. Tal como no Strider original, Hyriu é um ninja bastante hábil e atlético, retendo todas as suas habilidades do original. Isto significa que vamos poder dar saltos acrobáticos, escalar paredes ou mesmo tectos. Para além disso temos uma série de novas habilidades, como a possibilidade de correr, slide, ou dar um duplo salto no ar, por exemplo. A nossa arma é uma vez mais uma espada, mas podemos ir encontrando alguns power ups que lhe aumentam o seu poder. Outros itens, para além de itens regenerativos, consistem nos boosts. Estes, quando activados, permitem-nos disparar umas ondas plasma a cada golpe que efectuamos, durante um certo tempo limite.

Antes de cada missão temos um briefing onde ficamos com uma ideia do layout do nível

O jogo em si não é muito comprido, mas como seria de esperar exige alguma perícia. Os primeiros três níveis podem ser jogados em qualquer ordem, sendo bastante distintos entre si. O primeiro decorre em plena metrópole de Hong Kong, já o segundo num grande castelo bem no centro da Alemanha. O terceiro nível passa-se numa base militar da Antárctida, já os últimos 2 níveis são a perseguição final ao Grand Master, um deles numa grande fortaleza aérea (qualquer semelhança com o Strider original não é coincidência) e o confronto final a decorrer em pleno Espaço. Os níveis em si estão divididos em vários segmentos, muitos deles com o seu próprio sub-boss e, sendo este um jogo de acção com as suas origens nas arcades, podem mesmo contar com muita coisa a acontecer. Gostei particularmente das gravidades alternadas nos últimos níveis!

Bosses é coisa que não falta!

A nível audiovisual é um jogo competente, misturando cenários 3D com os personagens principais e outros inimigos a serem sprites em 2D. Pessoalmente acho que preferiria que fosse tudo num 2D muito bem desenhado, mas sinceramente não desgostei do resultado final. Os níveis são muito distintos entre si como já referia acima, e os cenários em 3D poligonal não ficaram mal de todo. A nível áudio também não tenho nada de especial a acrescentar, os sons e as músicas são bastante competentes, apenas acrescentaria um pouco de voice acting ou algumas cutscenes mais trabalhadas. Se o original arcade for um jogo em cartucho, compreendo o porquê da Capcom não o ter feito originalmente, mas seria interessante que a conversão para a PS1 trouxesse mais alguns extras. E já agora falando de extras, para além de uma conversão practicamente perfeita do Strider original num disco à parte, podemos também desbloquear uma personagem secundária, um outro Strider com diferentes habilidades, para jogar na sequela.

A história vai sendo contada ao longo de pequenas cutscenes entre cada nível

Portanto este Strider 2 até que foi uma óptima surpresa ao fim de tanto tempo sem se ouvir nada de novo desta série. A Capcom conseguiu pegar no que fez o original um clássico das arcades e incutir-lhe um toque mais moderno, com ainda mais acção non-stop. Infelizmente depois deste Strider 2, que já tinha saído algo tarde, numa altura em que a Dreamcast já estava no mercado e a Playstation 2 à porta, a Capcom voltou a enterrar a série. Até que em 2014 fizeram um reboot à mesma, lançando mais um óptimo jogo de acção, embora apenas em formato digital (que eu saiba). Mas isso seria assunto para um outro artigo.

Ultimate Ghosts ‘n Goblins (Sony Playstation Portable)

Nos últimos tempos, este tem sido o meu jogo de mesinha-de-cabeceira, que vou dando uns toques antes de ir dormir. E apesar de ser muito mais generoso a nível de dificuldade quando comparado com os restantes jogos clássicos da série, não deixa de ser um grande desafio, mas já já vamos. Este Ultimate Ghosts ‘n Goblins surgiu numa altura em que estava a haver um certo revivalismo de alguns jogos retro e a PSP foi uma das plataformas que mais beneficiou com isso. Aqui temos finalmente uma nova iteração da série principal, que já não recebia um jogo novo desde o Super Ghouls n Ghosts. Os gráficos levaram um upgrade para o 3D poligonal, mas a jogabilidade mantém-se a clássica em 2D. O meu exemplar foi adquirido algures no verão do ano passado a um outro coleccionador, através de uma troca.

Jogo completo com caixa, manual e papelada

Como sempre nos jogos desta série, há uma princesa que é raptada por forças demoníacas e cabe ao pobre cavaleiro Artur a missão de a salvar, tendo para isso de atravessar um autêntico inferno de criaturas e obstáculos. E como habitual nesta série, chegando ao “fim” somos gentilmente convidados a recomeçar tudo de novo porque nos falta uma coisa ou outra, e neste caso serão um certo número mínimo de anéis de ouro que nos desbloqueiam o boss. Mas já lá vamos a isso com mais detalhe. Na sua essência a nível de mecânicas de jogo é um título muito similar aos seus predecessores, vamos poder encontrar várias armas diferentes, armaduras que nos conferem mais resistência ao dano infligido pelos inimigos e os saltos, bom, esses continuam imperdoáveis, pois não podemos de forma alguma corrigir a trajectória a meio do salto, como em muitos outros platformers. Portanto a partir do momento que saltamos numa direcção, é uma acção commited até ao fim e se tiver de correr mal, vai correr.

Anéis dourados são apenas um dos itens secretos que temos de encontrar ao longo dos níveis

Mas o que temos de mais interessante aqui é mesmo a grande variedade de itens, armas, escudos e magias que podemos encontrar, equipar e usar as diferentes habilidades que as mesmas contêm. Um dos primeiros itens que podemos encontrar são umas botas especiais, que nos dão a habilidade de dar duplos saltos, depois podemos também encontrar vários tipos de magia diferentes que terão diferentes utilidades, algumas delas até para descobrir segredos! É o que acontece com a magia de petrificar inimigos, que funciona ao contrário se a lançarmos para estátuas de pedra e outros objectos rochosos. Assim transformam-se em itens, alguns que poderão ser bastante valiosos. Para além das armas podemos também encontrar escudos que têm uma durabilidade limitada. Um deles, um escudo com asas, é bastante valioso pois permite-nos voar por alguns segundos e assim alcançar zonas que de outra forma não poderíamos alcançar. Temos também diferentes armaduras que podemos encontrar, umas mais poderosas que nos vão dar mais pontos de vida, outras que nos dão menos pontos de vida adicionais, mas são igualmente úteis. É o que acontece com uma armadura voadora, que apesar de só nos dar 2 pontos de vida adicionais, a sua possibilidade de nos deixar voar o tempo que quisermos (logo que não sejamos atingidos com nada) já é uma grande ajuda.

Temos várias armaduras para apanhar, cada qual com diferentes atributos e habilidades.

Ao explorar os cenários também poderão encontrar algumas passagens secretas, sendo que pelo menos 3 delas nos dão acesso a salas onde estão umas bruxas a preparar uma poção qualquer e nos pedem 3 ingredientes cada uma. Esses ingredientes são também itens secretos que teremos de os procurar ao longo dos níveis, mas as recompensas que temos ao colectá-los todos acabam por ser bastante úteis. Um é um item que nos reduz em metade o custo de cada magia que lançamos. Outro é um escudo indestrutível capaz de absorver pontos de dano e transformá-los em pontos de magia que vão preenchendo a nossa barra de magia. Por fim, o último item que podemos obter das bruxas é a wave magic, uma magia que para além de causar bastante dano, pode também desintegrar uma série de obstáculos como chamas, o que é incrivelmente útil em alguns níveis.

Portanto toda esta faceta de exploração exaustiva dos níveis, bem como a possibilidade de nos teletransportarmos entre vários níveis, são uma nova novidade interessante e muito benvinda na série. Mas claro, sendo este um Ghosts ‘n Goblins, o desafio está mesmo na nossa destreza e uso de forma altamente eficiente todos os itens e power ups que poderemos vir a ter ao nosso dispor, mesmo nos modos de dificuldade mais baixos. Recomendo também vivamente o uso de um guia, pois há itens muito difíceis de encontrar mesmo.

Em certas alturas do jogo temos a possibilidade de voltar a jogar níveis antigos, de forma a descobrir mais dos seus segredos. Mas também poderemos encontrar itens de teletransporte que tornam essa tarefa mais fácil

Já no que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo bem conseguido. Os cenários são bastante diversificados entre si, embora todos eles sejam desoladores. Temos as vilas em ruínas, cavernas repletas de lava, um nível subaquático que é mais chato ainda que o habitual, entre outros. Os gráficos, todos em 3D poligonal são agradáveis e bem detalhados, até porque o facto da jogabilidade ser toda em 2D também permite que os níveis sejam mais polidos. A banda sonora é também agradável, contando com uma série de reinterpretações de temas já conhecidos da série, agora com uma roupagem mais orquestral, bem como alguns temas novos mas que se adequam perfeitamente ao ambiente épico que a acção nos impõe.

Portanto este Ultimate Ghosts ‘n Goblins é um título a meu ver muito bem conseguido por parte da Capcom, de tal forma que nem consigo entender como é que nunca o relançaram em plataformas mais modernas, quanto mais não fosse um lançamento digital. Uma versão para a Switch vinha mesmo a calhar! Mas para já, o único relançamento foi para a própria PSP, exclusivo para o Japão. Essa versão possui todo o conteúdo da versão original, mais um outro modo de jogo diferente, que torna a experiência mais fiel aos clássicos arcade ou seja, menos exploração, menos coisas para coleccionar e/ou equipar, mas mais dificuldade ainda.

Chiki Chiki Boys (Sega Mega Drive)

Outro dos jogos arcade da Capcom que a Sega (desta vez com a ajuda da Visco) converteu para a Mega Drive é este Chiki Chiki Boys, um interessante jogo de plataformas que na arcade poderia ser jogado cooperativamente com um amigo, algo que infelizmente ficou de fora nesta conversão. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures durante o mês de Abril, tendo-me custado algo em volta dos 7.5€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos ao reino fantasioso de Alurea, cujo foi subitamente atacado por uma série de monstros e ninguém escapou à sua fúria, a não ser o par de príncipes, gémeos, que conseguiram sobreviver e ao fim de 15 anos decidem confrontar os vilões e restaurar a liberdade ao seu povo.

Apesar de dar a entender o contrário, esta versão Mega Drive só suporta 1 jogador

Este é então um jogo de acção / plataformas em 2D onde temos a liberdade de escolher a ordem pela qual queremos jogar os 3 primeiros níveis, todos eles com algumas particularidades entre si. O primeiro é um nível de plataformas mais tradicional, já o segundo e terceiros são níveis subaquáticos ou aéreos (com o protagonista a ter equipado um boné que lhe permite voar), pelo que nesses níveis teremos mais liberdade de movimentos. Podemos atacar com a nossa espada e, quando as desbloquearmos, poderemos também lançar algumas bombas mágicas que causam dano em todos os inimigos no ecrã, estas que possuem um número limitado e podem ser restabelecidas ao apanhar power ups. Mas ao contrário do original arcade onde poderíamos jogar cooperativamente com outro jogador e controlar ambos os irmãos em simultâneo, aqui só podemos escolher um, infelizmente. As diferenças entre os irmãos é que um deles é mais forte com a espada, o outro tem mais aptidão para a magia, ou seja, pode carregar com um maior número de bombas. Os power ups que encontramos são na sua maioria moedas que contribuem para um maior número de pontos, mas também as já referidas bombas mágicas, ou outros power ups que nos restabelecem a barra de energia ou melhoram a nossa espada. Ocasionalmente, entre cada nível, podemos também visitar uma loja e comprar alguns desses power ups usando as moedas que fomos amealhando.

Aquela concha que vemos no canto superior direito são os power ups das bombas mágicas. Cada irmão pode carregar um número máximo diferente deste itens.

De resto é um jogo de acção/plataformas bastante agradável e com níveis distintos entre si, como os já referidos níveis subaquáticos ou aéreos que nos dão mais liberdade de movimento. Sub bosses e bosses é algo que também não falta felizmente, não fosse este um jogo arcade. Felizmente também temos uma barra de vida para os bosses, pelo que dá para ter uma ideia de quanta vida lhes resta enquanto os combatemos. Ah, e já me ia esquecendo, podemos saltar entre paredes como no Ninja Gaiden o que é sempre bom!

A nível audiovisual acho este um jogo competente. Os cenários e as personagens são bem detalhadas e coloridas quanto baste. O jogo em si possui um aspecto muito cartoon que lhe assenta bastante bem e as músicas também são bastante agradáveis.

Graficamente e um jogo bastante competente e o design das personagens e monstros está muito cartoon e agradável

Portanto este Chiki Chiki Boys é mais uma boa conversão de um jogo da Capcom para a Mega Drive, pelas mãos da própria Sega. Isto foi algo que aconteceu em todos os jogos da Capcom lançados para a Master System e Mega Drive até ao Street Fighter II, que foi o primeiro jogo da Capcom para a Mega Drive convertido pela própria.