Tenchi Muyou Ryououki Gokuraku (Sega Saturn)

Tempo para mais uma rapidinha, agora para mais um exclusivo japonês da Sega Saturn. Tenchi Muyou é um anime que eu me lembro de ver na TV portuguesa, algures no final da década de 90 / início dos anos 2000, dava na RTP2 no final da tarde / início da noite, se bem me recordo. E este Tenchi Muyou Ryououki Gokuraku é um lançamento de 1995, produzido a pensar apenas nos seus fãs mais acérrimos, pelas razões que irei descrever mais abaixo. O meu exemplar foi comprado a um particular no facebook há uns anos atrás, já não me recordo quanto custou mas foi certamente barato.

Jogo com caixa, papelada, spine card e manual embutido na capa

E porque digo que este é um lançamento para os fãs mais acérrimos da série? Bom, porque é uma espécie de colectânea, que agrega informações dos vários lançamentos da série até à data de publicação deste jogo, algures em 1995. Podemos ver informações dos Laser Disc, VHS, CDs e mesmo outros jogos que tenham sido lançados até essa data, para além de pequenos videoclips dos mesmos. Resumos dos episódios de TV e das suas OVAs também podem ser visto, assim como pequenos clips de vídeo ou som (no caso dos lançamentos audio). Efeitos de som, voice acting ou imagens estáticas também podem ser observadas em diferentes galerias.

Este lançamento é uma autêntica enciclopédia para os fãs, contendo informações sobre os diferentes lançamentos da série Tenchi Muyo, bem como imensos clips de vídeo e som para explorar

Mas para além disso, temos aqui um jogo também. No menu principal podemos navegar através de vários ícones que nos levam ao conteúdo que mencionei acima, mas o ícone principal, no centro do ecrã, leva-nos a um quizz. Aqui temos 4 quizzes diferentes, ou seja concursos de perguntas e respostas, onde nos é mostrado um pequeno vídeo, imagem ou texto e em seguida é-nos feita uma pergunta. Temos 4 hipóteses de resposta, sendo que podemos falhar apenas 2 questões em cada quizz. Acertando na resposta, é também nos mostrado um pequeno vídeo de follow-up, audio, imagem estática ou apenas texto e passamos para a pergunta seguinte. Felizmente encontrei um guia na internet, pelo que consegui passar o jogo todo, mas infelizmente não há qualquer recompensa no fim, o que é pena.

No quizz é-nos feito uma pergunta, tipicamente acompanhada por um pequeno vídeo ou imagem e depois temos de escolher a resposta certa em 4 possíveis

Visualmente é um jogo muito simples, os menus são bastante modestos, os vídeos possuem uma resolução algo baixa e são reproduzidos numa janela consideravelmente pequena. Agora o que me irrita profundamente são mesmo os longos tempos de loading, mesmo a navegar entre menus. Quando é para reproduzir algum vídeo, até compreendo que tenhamos de esperar alguns segundos, mas só o simples facto de navegar entre menus ter quebras de uns 10 segundos para loading torna as coisas bastante aborrecidas, até porque para aceder a todo o conteúdo que aqui temos, precisamos de navegar em imensos menus.

Portanto este Tenchi Muyou é mesmo um lançamento apenas para os fãs mais acérrimos da série. O Japão está repleto destes quizz games e tendo em conta que, de acordo com o Sega Retro, este jogo foi lançado com o preço de 7800yen, o que dá cerca de 60€, foi um lançamento full price! Será mesmo que este tipo de jogos vendem assim tanto para justificar este preço? A título de curiosidade, este jogo tem a indicação de ser para maiores de 18 anos. A razão para isso é que o próprio anime tinha, muito ocasionalmente, algumas cenas de nudez feminina. E tendo em conta que o jogo possui muitas das cenas do anime, lá levou com esta classificação em cima.

Snatcher (PC-Engine CD / Sega Mega CD / Sega Saturn)

O artigo de hoje vai ser uma batota e das grandes pois a versão que joguei não é nenhuma das aqui apresentadas. Snatcher é uma aventura gráfica produzida por Hideo Kojima, antes de ele se ter tornado a “vedeta” que é actualmente (e merecidamente!) após lançar o Metal Gear Solid há uns bons anos atrás. Foi um jogo lançado originalmente em 1988 para alguns computadores japoneses, tendo recebido posteriormente em 1992 uma versão para PC-Engine CD, melhorada a nível audiovisual e também com mais conteúdo. 2 anos depois é lançada também uma versão para a Mega CD que foi desenvolvida com base na versão PC-Engine CD e esta traz ainda mais algum conteúdo extra, mas curiosamente nunca saiu no Japão. Em 1996, versões para a Sega Saturn e Playstation saem também para o mercado japonês. Joguei pela primeira vez este jogo há mais de 15 anos atrás, através de emulação na sua versão Mega CD. E infelizmente, devido aos preços proibitivos que o mesmo atinge no mercado actual, acabei antes por procurar outras versões para manter na colecção, tendo optado por estas versões PC-Engine CD e Sega Saturn, ambas compradas no eBay há uns meses por valores que não ultrapassaram os 20€ cada. E acabei hoje de rejogar esta obra-prima, na sua versão Mega CD, uma vez mais emulada, pois continua a ser a única versão “completa” que existe em inglês (naturalmente não contando com a versão MSX2 ou o SD Snatcher). Portanto este artigo irá ter o jogo da Mega CD por base, sendo que no final irei mencionar alguns detalhes sobre as diferenças entre versões. Se algum dia no futuro vier a ter um exemplar da versão Mega CD, irei certamente actualizar este artigo. Vamos a isso então!

Jogo com caixa e manual, versão Mega CD PAL.

EDIT: e sim, contra todas as minhas expectativas, isso acabou por acontecer. No passado mês de Maio acabei por comprar uma versão Mega CD. Não foi nada barata, mas depois de a ter nas mãos, não desisti.

Jogo com caixa e manual, versão PC-Engine

A influência de Blade Runner é notória nesta aventura. Afinal, este é também um jogo que decorre num futuro pós-apocalíptico e cyberpunk, com um detective como protagonista, e com uma ameaça de andróides como temática central. Encarnamos então no papel de Gillian Seed, um recém recrutado agente da Junkers, uma organização policial de elite com o papel de identificar e eliminar snatchers, robots altamente sofisticados e de origem incerta que roubam a identidade de cidadãos humanos e vivem misturados na sociedade, com objectivos ainda incertos. Gillian e a sua esposa Jamie, da qual agora vive separado, foram encontrados em sono criogénico num bunker algures na Sibéria e sem qualquer memória do seu passado. A aventura decorre algures em meados do século XXI, na cidade fictícia de Neo Kobe, no Japão, cerca de 50 após um evento cataclísmico que se originou na Rússia e que dizimou uma grande parte da população do planeta. Gillian irá então investigar a ameaça dos Snatchers, mas também procurar saber mais do seu passado e o da sua esposa.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e alguns stickers, versão Sega Saturn

O jogo em si é uma aventura gráfica, mas com as mecânicas de jogo típicas das aventuras japonesas. Isto é, temos uma janela com os gráficos, tipicamente do cenário do que nos rodeia e ocasionalmente algumas cutscenes com os intervenientes, e em baixo vamos tendo menus onde poderemos seleccionar que acção a executar, que tipicamente são MOVE, TALK, INVESTIGATE, LOOK, entre outras. E é precisamente ao escolher este tipo de acções que vamos viajar para locais diferentes, interagindo com os NPCs e cenários, obtendo pistas que nos vão desvendando parte do mistério. Ocasionalmente teremos algumas sequências de acção, que são pequenas galerias de tiro onde devemos mover a mira numa grelha de 3×3 e disparar nos Snatchers ou outros perigos que nos podem esperar. A versão Mega CD tem a hipótese de usar a Justifier, a light gun da Konami que vinha juntamente com o Lethal Enforcers, para estas sequências de acção.

Quaisquer semelhanças com os Terminators não são mera coincidência

Mas o que torna este Snatcher tão especial? Certamente que é pela sua narrativa, que tem tanto de sério como de cómico, não fosse o ocasional gore causado pelos ataques dos Snatchers, pela narrativa algo dramática em certos eventos chave, mas também no relacionamento de Gillian e Julian. Mas também tem de cómico precisamente pela personalidade bem humorada de Gillian, especialmente quando este tenta a sua sorte com as diferentes mulheres que lhe vão aparecendo à frente. A relação com o seu ajudante robótico, o Metal Gear Mk. 2 também está muito bem conseguida. E Hideo Kojima conseguiu então apresentar uma narrativa muito boa, com um mistério que se vai adensando à medida que vamos progredindo no jogo e deixa-nos sempre presos na envolvência da história e das personagens bastante carismáticas que aqui foram introduzidas. Para um jogo cuja história é originalmente de 1988, está aqui um trabalho fantástico.

O charme de Snatcher está também nos pequenos detalhes. Reparem nos anúncios luminosos.

E o trabalho fantástico está também na atenção ao detalhe e a grande quantidade de conteúdo algo opcional que podemos desvendar, como chamadas telefónicas aos produtores do jogo, ou até mesmo a uma sex-line que nos leva a assistir a um diálogo hilariante entre Gillian e a telefonista. Referências a pop culture não faltam e claro, aos outros trabalhos de Kojima, nomeadamente o primeiro Metal Gear. E essas referências a Metal Gear não se ficam pelo assistente de Gillian, pois Outer Heaven é um local chave que iremos explorar algumas vezes. Referências à Konami e a outros dos seus videojogos como Contra, Castlevania ou Rocket Knight Adventures também podem ser encontradas! Para além disso, o Kojima deu-se ao trabalho de criar muito lore daquele mundo, que pode ser consultado de forma completamente opcional no computador da base dos Junkers. Portanto a atenção ao detalhe é outro dos pontos fortes deste Snatcher.

Gosto bastante dos visuais do jogo e mesmo sendo maioritariamente imagens algo estáticas, a excelente narrativa, banda sonora e voice acting complementam-nos muito bem

A nível audiovisual temos aqui outro ponto muito forte. Tal como é habitual noutros jogos de aventura / visual novel, os gráficos tendem a ser imagens ou estáticas, ou apenas com algum movimento residual. E apesar das imagens serem boas por si, o facto de serem algo estáticas também acontece aqui. Mas sinceramente no fim do dia nada disso importa porque a narrativa absorve toda a nossa atenção e os momentos chave são todos narrados com voice acting. E para um videojogo japonês com uma história tão única e complexa como esta, ter recebido uma localização e voice acting em inglês para uma consola em 1994, é de facto um feito extraordinário. É que o voice acting está de facto muito bom, tornando as personagens ainda mais carismáticas. E todo o som em si também está bem conseguido, desde os pequenos efeitos sonoros que vamos ouvindo, como o barulho de passos, os alertas que Metal Gear vai lançando ou mesmo a banda sonora ecléctica que vamos ouvindo, tudo contribui de forma muito positiva para enriquecer a narrativa e a acção.

O jogo vai tendo também os seus momentos de acção onde teremos de abater alguns inimigos. E a versão Mega CD suporta a light gun Justifier para estas partes!

As primeiras versões deste Snatcher foram lançadas em 1988 para os computadores nipónicos MSX2 e PC-88. Estas versões terminavam a história no final do acto 2, o que é um grande cliffhanger! Em 1992 sai a versão PC-Engine CD, que possui o acto 3 que conclui a história (mas deixando espaço para uma eventual sequela), para além de incluir algumas músicas em formato CD-Audio, voice acting em japonês nos momentos mais importantes e gráficos melhorados no geral, tirando partido da maior palete de cores que a PC-Engine poderia aproveitar. A versão Mega CD, que como referi no início curiosamente nunca chegou a sair no Japão, é baseada na versão de PC-Engine CD, incluindo algumas cenas adicionais. É a única versão que foi oficialmente localizada para o Ocidente, e apesar de ter alguns extras, também perdeu algumas (felizmente muito poucas) coisas nesse processo. Anos mais tarde em 1996 são lançadas as versões Saturn e Playstation que aparentemente são um pouco decepcionantes. Para além de adicionarem uma cutscene em CGI que envelheceu muito mal, muito do gore das versões originais é censurado, especialmente na versão Playstation. Alguns dos gráficos também foram redesenhados, perdendo algum do charme original. É uma pena!

Não há aqui quaisquer pudores em apresentar algum gore, e a versão PC-Engine ainda vai mais longe.

E sendo assim, entende-se perfeitamente o porquê de nenhum fã se ter dado ao trabalho de traduzir as versões PC-Engine, Saturn ou Playstation deste jogo. A sua localização na versão Mega CD já é excelente e a versão da consola de 16bit da Sega, acaba por ser das mais completas e com menos censura, perdendo apenas para a PC-Engine CD num ou noutro detalhe que não justifica de todo o esforço de tradução. Este é então um daqueles jogos que se tornaram caríssimos ao longo do tempo e é fácil de entender o porquê. Snatcher nunca foi um sucesso comercial no ocidente pelo que nunca houve muitas unidades em circulação e para além disso todo o sucesso que Kojima veio a ter com Metal Gear Solid veio atrair uma grande atenção por fãs e coleccionadores a esta pérola da Mega CD. É uma pena que a Konami actualmente não se interessar muito pelo mercado de videojogos, pois um relançamento deste jogo, preferencialmente desta versão, seria excelente, quanto mais não fosse em formato digital! É um excelente jogo que merece ser jogado!

The House of the Dead 4 (Sony Playstation 3)

A série The House of the Dead sempre foi uma das minhas preferidas em arcades. Cheguei a jogar bastante nas arcades o segundo jogo, que acabou mais tarde por sair para a Sega Dreamcast e outras plataformas. O terceiro por acaso ainda não me apareceu a um bom preço e o The House of The Dead 4, que foi lançado originalmente no final de 2005 no então hardware de nova geração da Sega, o Lindbergh, infelizmente nunca chegou a receber nenhum lançamento físico para consolas. Até ao momento, para além da sua versão original arcade, apenas acabou por ser lançado para a Playstation 3 anos mais tarde em 2012 e só num lançamento digital. O meu exemplar foi comprado há uns 2 anos atrás creio, numa promoção que a Sega fez na loja digital da Sony. Acho que nem a 2€ chegou!

E de certa forma compreende-se o porquê da Sega não o ter lançado em formato físico, pois é um jogo arcade que se termina em pouco mais de 40 minutos e o pouco conteúdo adicional que traz provavelmente não justificaria um lançamento físico. Este quarto jogo é na verdade uma prequela do House of the Dead 3, onde mais uma vez encarnamos em 2 agentes secretos que percorrem mais uma cidade em ruínas e repleta de zombies e outras criaturas não muito amigáveis por tudo quanto é sítio. O jogo possui controlos super simples, pois este é um light gun on-rails shooter, onde poderemos usar um comando normal, ou um Move, que como sabem foi a resposta da Sony ao Wiimote da Nintendo. Não sendo tão satisfatório como usar uma light gun a sério, acaba no entanto por ser uma alternativa bem viável ao uso do comando, onde teríamos de controlar a mira com um dos analógicos e usar um dos gatilhos para disparar. Já com o Move, apenas temos de apontar o comando para onde quisermos e disparar com o gatilho. Os agentes estão munidos de armas automáticas, pelo que é só deixar o gatilho pressionado e disparamos imensas balas num instante! Naturalmente que teremos que gerir as munições e ir recarregando, o que com o Move se faz ao abanar o próprio comando, já com um comando normal basta pressionar o botão de círculo. E se por um lado as balas são infinitas, também vamos poder usar granadas, mas estas já vêm em números limitados com 3 granadas por cada crédito. Ocasionalmente poderemos disparar certos objectos no cenário que podem esconder alguns power ups, desde itens que simplesmente nos dão mais pontos, outros já dão granadas ou mesmo vidas extra. O foco em motion controls não se fica no entanto pela animação de recarregar a arma no caso de usarmos o move. Em certas alturas o jogo obriga-nos mesmo a abanar o comando quando somos agarrados por inimigos, por exemplo. E isto tem de ser feito também com um comando normal.

Tendo sido lançado num hardware de nova geração nos finais de 2005, The House of The Dead 4 possui gráficos superiores aos seus predecessores, e um número bem maior de zombies que teremos de atacar

No que diz respeito a modos de jogo, bom temos aqui o free play que é na verdade o modo arcade, que por sua vez está dividido em 6 capítulos distintos que culminam sempre no confronto contra um boss, onde teremos de focar o nosso poder de fogo nos seus pontos fracos e evitar assim sofrer algum dano adicional. Uma vez finalizado o modo arcade desbloqueamos também o The House of the Dead 4 Special, que são na verdade mais 2 níveis adicionais que expandem ligeiramente a história do jogo principal. Estas partidas arcade são excelentes para se jogar com alguém ao nosso lado e podemos customizar não só a dificuldade como o número de créditos e vidas, mas também podemos escolher qual o ponto de partida, sendo que poderemos escolher qualquer nível que já tenhamos desbloqueado anteriormente. E sendo este um jogo arcade, a acção é non-stop mesmo! Ocasionalmente podemos escolher caminhos diferentes a tomar e existem também alguns finais distintos a desbloquear, o que lhe dá também alguma longevidade adicional. Mas para além do Free Play temos também o Ranked Play que sinceramente não cheguei a experimentar, mas é bem mais focado em obter a melhor pontuação possível e sem oportunidade de customizar o número de vidas ou de créditos. É um modo de jogo mais para os veteranos, portanto! Uma vez finalizado a história desbloqueamos também uma curta entrevista com os criadores do jogo, o que para mim é sempre um bónus interessante.

Cada boss possui um ponto fraco que nos devemos focar para evitar sofrer dano

Visualmente é um jogo impressionante tendo em conta que saiu originalmente no final de 2005. Os zombies aparecem agora em muito maior número e possuem bem mais detalhe do que em qualquer outro The House of the Dead lançado até então. Mas naturalmente a Playstation 3 consegue fazer melhor, pois as personagens ainda possuem pouco detalhe poligonal. Mas é um jogo bastante fluído e a banda sonora, com música electrónica e/ou rock bem esgalhado, contribui para todo o ambiente frenético que vamos vivenciando. A história é bastante simples e os diálogos também. A série House of the Dead é especialmente conhecida pelo seu mau voice acting, mas acho que o deste jogo não é tão cheesy quanto o dos seus predecessores.

Ocasionalmente temos alguns caminhos múltiplos a escolher que nos aumentam ligeiramente a longevidade do jogo

Portanto este The House of the Dead 4 é um shooter arcade puro e duro. Quem é fã do género irá sem dúvida passar um bom bocado, mas não esperem por muito conteúdo adicional. Ainda assim, com os seus finais múltiplos, irá obrigar a várias playthroughs até dominarmos o jogo perfeitamente, pois os diferentes finais estão directamente relacionados com a nossa performance ao longo do jogo.

Soleil (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos ficar com um jogo que sempre tive imensa curiosidade em jogar, mas confesso que no final acabou por me desiludir um pouco. O facto de o chamarem de “The Legend of Zelda da Mega Drive” também não ajuda muito, pois as semelhanças entre ambos os jogos acabam por não ser tantas quanto isso. Produzido pela nipónica Nextech, que fez vários jogos para consolas da Sega como o Cyber Speedway que já cá trouxe no passado, este é um jogo de aventura com alguns elementos de RPG e acabou por ter nomes distintos ao longo das diferentes regiões onde foi lançado. Soleil é o seu nome europeu e o meu exemplar veio de uma CeX na zona do Porto, em Agosto do ano passado, creio que por 35€, estando completo e em excelente estado.

Jogo completo com caixa e manuais

A história leva-nos uma vez mais a um mundo fantasioso que havia sido invadido por monstros. E como manda a tradição da cidade de Soleil, quando os rapazes fazem 14 anos, já estão aptos para serem lançados à aventura e combater os monstros que assolam aquele mundo. E isso é o que acontece com a nossa personagem! Entretanto coisas acontecem e ganhamos a habilidade de falar com animais, sendo que isso irá desbloquear a grande mecânica de jogo central em Soleil: podemos recrutar uma série de animais que nos acompanhem na aventura, sendo que estes nos vão conferindo diferentes habilidades, se bem que apenas podemos ter até 2 animais activos de cada vez.

Olhem lá quem fez uma visita!

Os controlos são simples, com o botão A para atacar com a espada, o botão B para saltar (mas inicialmente temos de “aprender” a saltar, o que é uma das coisas que me irritou um pouco) e o botão C tipicamente é usado para activar as habilidades de alguns animais. Outra das habilidades básicas que tem de ser desbloqueada é a de manter o botão A pressionado durante uns segundos para carregar um ataque e ao soltá-lo atiramos a espada como um boomerang, voltando novamente às nossas mãos. Já as habilidades que os animais nos conferem são bastante variadas, como a de conferir poderes elementais de fogo ou gelo à nossa espada, correr e saltar mais longe, outras aumentam a distância que a nossa espada pode ser atirada, já outro animal até nos deixa controlar a direcção da espada em pleno voo, entre muitas outras habilidades. Confesso que este sistema até achei bastante original, pena que em tudo o resto o jogo acabe por ser bem mais mediano do que estava à espera, a começar pela narrativa que não é nada de especial, nem o jogo tem personagens que sejam minimamente memoráveis. Talvez o cameo do Sonic!

Alguns bosses até ficaram bem conseguidos!

A nível audiovisual confesso que esperava um pouco mais. Não acho que os monstros sejam propriamente muito apelativos, nem a maneira como progredimos nas áreas a explorar. Vamos ter inúmeros interruptores e blocos para activar ou mover e que por sua vez nos vão desbloqueando acessos a outras zonas. De certa forma até me fez lembrar um pouco do Startropics nesse aspecto. As áreas que exploramos estão acessíveis através de um mapa mundo à lá Super Mario World, e não propriamente de uma forma contínua e interligada como nos Zeldas em 2D. Vamos tendo áreas com as mais variadas temáticas a explorar, como florestas, desertos, montanhas, cavernas, ruínas, etc, mas sinceramente nunca fiquei especialmente agradado com a sua apresentação, nem da dos inimigos, com excepção de alguns bosses. Por outro lado as músicas são bastante agradáveis!

Temos um mapa mundo onde podemos escolher que áreas visitar

Portanto este Soleil deixou-me um pouco desiludido. Não é um mau jogo, longe disso, mas todo o hype que por vezes os fãs lhe colocam em cima, deixaram-me com expectativas bem mais altas. As mecânicas de jogo com os diferentes animais que podemos vir a recrutar e as suas habilidades até foram uma boa ideia. Mas a história super desinteressante e algumas decisões de game design algo questionáveis foram de longe o que menos gostei aqui. Por clones de Zelda na Mega Drive, o The Story of Thor é muito, muito melhor.

Buck Rogers: Countdown to Doomsday (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos agora ficar com a conversão de um Western RPG produzido pela SSI, a mesma emprea que desenvolveu imensos RPGs com a licença da Dungeons and Dragons e com belíssimas capas as tais Gold e Silver Box. Essa é uma série que tenho mesmo de me aventurar um dia destes! Mas adiante. Para além de Dungeons and Dragons, eles trabalharam também com outras propriedades, como foi o caso do Buck Rogers, um herói de banda desenhada de ficção científica com as suas origens no final da década de 1920! Um herói com quase 100 anos portanto! A Electronic Arts publicou uma versão para a Mega Drive que, apesar de ser uma versão simplificada do original PC, até me pareceu bem competente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Fevereiro de 2020.

Jogo com caixa

Ora este jogo leva-nos ao futuro num conflito interplanetário entre 2 organizações: o império militar dos Russo-American Mercantile (RAM) e a força da resistência dos NEO, ou New Earth Organization, da qual fazemos parte. O herói Buck Rogers irá aparecer algumas vezes ao longo da nossa aventura, mas nós encarnamos numa party de recrutas que iremos precisamente por começar a criar. Podemos então optar por seleccionar personagens masculinas ou femininas, dentro das raças Humana, Tinker ou Desert Runners e posteriormente a classe: Warrior, Rocket Jockey (o equivalente a Engineer), Rogue ou Medic (as personagens da raça Tinker, muito fracas fisicamente, podem ser apenas Medics). Depois lá lançamos os dados para serem atribuidos os nossos stats e felizmente podemos relançar os dados livremente até termos um resultado mais agradável. Em seguida temos 8 skill points que poderemos atribuir a uma série de diferentes skills que serão distintas de classe para classe. Tudo isto para cada personagem que criamos! Todas elas são importantes, mas os Warriors são imprescindíveis nos combates, os Rocket Jockeys para reparar a nossa nave e interagir com computadores ou outros sistemas electro-mecânicos e os Medics… bom, servem para curar os restantes membros da nossa party, pelo que também são muito importantes!

Começamos a aventura precisamente ao criar a nossa party. Atenção ao ícone com os dados, para fazer reroll das características até saírem valores aceitáveis.

Começamos a aventura na superfície do planta Terra, cujo começa a ser atacado pelas forças dos RAM e é aqui que começamos a por em práctica as nossas habilidades em combate! A exploração é feita numa perspectiva isométrica (ao contrário do original PC que possuí exploração em primeira pessoa) e eventualmente lá somos levados para uma série de batalhas, também numa perspectiva isométrica. Estas são batalhas por turnos, onde poderemos, individualmente, controlar cada membro da nossa party, movimentá-lo pelo campo de batalha e atacar o alvo que pretendemos. Também poderemos usar habilidades características de cada classe bem como consultar o inventário de cada personagem e mudar de equipamento se assim o desejarmos. No final de cada batalha ganhamos pontos de experiência e tipicamente itens também, que devemos aproveitar, quanto mais não seja para depois vender os excedentes. Depois desta batalha inicial à superfície da Terra, somos transportados para uma estação espacial que serve de centro de comando dos NEO, onde conhecemos o comandante lá do sítio e que nos vai dando missões para irmos completando, tendo de explorar vários recantos do espaço, desde estações espaciais inimigas em baías de asteróides, ou mesmo colónias em planetas como Vénus e Marte. Para isso vamos explorando o universo a bordo de uma nave espacial e frequentemente vamos encontrando naves inimigas.

A cutscene inicial conta-nos um pouco do que se passa naquele universo. Quais os seus habitantes e intervenientes no conflito!

Sendo este um RPG, podemos tentar a nossa sorte e evitar um confronto, o que irá depender da maneira como evoluímos o carisma do líder da party. Caso tenhamos de batalhar, o jogo assume uma vez mais um sistema de batalha por turnos, onde podemos tentar atingir diversos pontos chave da nave inimiga e caso tenhamos um Rocket Jockey connosco, poderemos também reparar o dano sofrido. Uma vez causado dano suficiente na nave inimiga, podemos invadi-la, matar todos os seus passageiros e conquitá-la, o que nos dará mais pontos de experiência. Evoluir as personagens é algo que não é tão trivial como na maioria dos RPGs, pois mesmo se tivermos pontos de experiência suficientes para subir de nível, teremos primeiro de visitar um ginásio, que aí sim, nos permitirá evoluir e atribuir novos skill points às skills disponíveis. E uma vez mais, sendo este um RPG ocidental, há aqui também um certo nível de não linearidade. Podemos explorar o universo à nossa vontade, desbloquear uma série de side missions que, mesmo sendo opcionais, a experiência é valiosa e para além disso, mesmo quando vamos explorando certos cenários, vamos tendo sempre vários eventos a surgir e que nos dão diferentes hipóteses de escolha, o que por sua vez poderá mudar um pouco o rumo das coisas.

As batalhas são por turnos e podemos controlar cada personagem individualmente

A nível audiovisual acho um jogo bastante simples. As dungeons, como já referi acima, são apresentadas numa perspectiva isométrica e uma boa parte do ecrã é tomada por janelas de texto. No canto superior direito vemos sempre uma representação do cenário onde nos encontramos ou dos inimigos/NPCs que iremos enfrentar ou interagir. E sendo este um jogo baseado numa personagem de banda desenhada antiga, há muito daquele imaginário retro-futurista, que eu pessoalmente até aprecio. A nível de som, bom, é um jogo bastante simples, as músicas não são nada de especial, particularmente as músicas dos combates, que são apenas clips relativamente pequenos com percurssões.

As dungeons apresentam gráficos simples, mas sempre gostei da arte que vai sendo mostrada no canto superior direito

Portanto devo dizer que até fiquei agradavelmente surpreendido por este Buck Rogers. A sua história até que é interessante, até pela quantidade de conteúdo opcional que poderemos vir a descobrir. Para além disso, e da mudança de perspectiva na exploração face ao original de PC, houve uma série de outras mudanças que o simplificaram, tendo em conta que a Mega Drive não tem um teclado. A gestão de inventário e de skills é toda feita usando ícones, o que acaba por ser muito mais cómodo do que se mantivessem a interface original. Por outro lado, a versão PC é também mais complexa, não só no maior número de raças, classes e skills disponíveis, bem como a preocupação adicional das armas de fogo consumirem munição. Portanto, esta conversão para a Mega Drive apesar de ter algum conteúdo cortado, ainda assim me pareceu um jogo bastante sólido. A ver se jogo mais coisas da SSI em breve!