The Callisto Protocol (Microsoft Xbox Series X)

Anunciado originalmente no The Game Awards de 2020, The Callisto Protocol chamou-me imediatamente à atenção devido às suas semelhanças com Dead Space, um dos meus videojogos preferidos da sua geração. Apesar de ter sido lançado também para a Playstation 4 e Xbox One, este foi um daqueles jogos que preferi mesmo esperar por ter uma consola da nova geração para o jogar. É que, visualmente, parecia mesmo incrível nos novos sistemas! O meu exemplar acabou então por ser comprado na Amazon algures em Fevereiro de 2025 por uns 15€.

Jogo com caixa e folheto com código de descarga de um DLC meramente cosmético

A história deste The Callisto Protocol leva-nos até Calisto, uma das luas de Júpiter, no longínquo ano de 2320. Aqui encarnamos no papel de Jacob Lee, um piloto de carga que estava prestes a realizar um último mas bastante lucrativo trabalho para a corporação que explorava essa colónia. Mas se há coisa que aprendemos em todos os filmes de acção, é que o último trabalho nunca corre bem, ou os polícias que se estão prestes a reformar também terão um resto de dia complicado. E aqui não fugiu à regra. A nave de Jacob é assaltada por um grupo rebelde quando se preparava para partir de Calisto e, durante esse confronto, as coisas correm mal e a nave tem um acidente. Jacob é resgatado, mas acaba por ser injustamente encarcerado na prisão local. Felizmente não ficamos presos muito tempo, pois um misterioso surto mutante transforma os prisioneiros em monstros violentos, pelo que precisaremos então de lutar pela nossa sobrevivência e arranjar forma de escapar daquela lua.

As semelhanças com Dead Space são inevitáveis pois The Callisto Protocol foi concebido por um dos seus criadores

Tal como Dead Space, este é um jogo de acção/terror com uma perspectiva de terceira pessoa, um sistema de câmara muito idêntico, mas com um maior foco em combates corpo-a-corpo, apesar de também virmos a ter acesso a armas de fogo. Há aqui uma certa “dança” em esperar que um inimigo ataque, bloquearmos ou esquivarmo-nos dos seus golpes e só depois contra-atacar com um bastão electrificado. Golpes certeiros podem decepar os membros dos inimigos, deixando-os com menos capacidade de nos atacar. Os combos bem sucedidos expõem também as suas fragilidades, que idealmente deverão depois ser aproveitadas com disparos certeiros das nossas armas de fogo para infligir dano crítico. É possível também simplesmente usar as armas de fogo como num shooter, mas a escassez de recursos incentiva-nos a combater de forma mais eficiente. As mecânicas de desvio/bloqueio utilizam o mesmo analógico que serve para movimentar a personagem, o que é um pouco estranho no início, mas depois lá nos acabamos por habituar.

Também aqui temos máquinas de impressão 3D capazes de nos gerar munições, medkits ou melhorar as nossas armas

Também teremos acesso a uma luva GRP que nos dá habilidades de telecinese, permitindo-nos levitar objectos, como caixas ou barris explosivos e atirá-los contra os inimigos, ou mesmo levitar os próprios inimigos para os arremessar contra armadilhas mortais do cenário, como ventoinhas ou espigões. No entanto, o uso destas habilidades consome energia que demora a ser reposta e as baterias de reserva são também um bem escasso. De resto, e também tal como Dead Space, existe todo um sistema de gestão de inventário e melhorias. O espaço do inventário é bastante limitado, obrigando-nos a gerir o espaço entre munições, injectores de saúde e loot. Este último pode ser vendido em máquinas automáticas que nos permitem fabricar munições, medkits, mas também melhorar as características do nosso equipamento. Todas estas semelhanças com Dead Space não são, de todo, uma coincidência, pois a Striking Distance é nada mais nada menos que um estúdio fundado por pessoas que estiveram precisamente na concepção do clássico da Visceral Games.

O jogo é no entanto muito mais simples que Dead Space. Apesar de ser igualmente linear, Dead Space tinha uma estrutura mais labiríntica e coesa. Aqui são mais corredores, o que não é necessariamente uma má coisa.

Visualmente é um jogo muito apelativo, tal como Dead Space também o foi. As criaturas que enfrentamos são cada vez mais grotescas e o jogo mantém uma atmosfera solitária, sinistra e opressora, com os nossos passos são acompanhados por estranhos e distantes grunhidos que põe sempre os cabelos em pé. Ainda assim devo dizer que senti falta daqueles momentos de gravidade zero do Dead Space original. Mas de resto é um jogo visualmente muito competente e aparentemente corre sobre uma versão profundamente modificada do Unreal Engine 4 para conseguir implementar ray tracing e outras inovações técnicas trazidas pela actual geração de consolas.

The Callisto Protocol é, muitas vezes, um jogo asqueroso.

Portanto devo dizer que gostei deste The Callisto Protocol, embora confesse que não tenha causado o mesmo impacto que Dead Space. É um jogo assustador, mas Dead Space conseguia deixar-me de tal forma stressado que precisava mesmo de o jogar em sessões relativamente curtas! Também senti alguma falta de variedade no design dos inimigos algo que, aparentemente, se deveu às pressões editoriais para o jogo ser lançado mais cedo que o previsto. Infelizmente nos anos que se seguiram, a Striking Distance acabou por perder grande parte da sua força criativa, pelo que as chances de uma sequela são diminutas.

Alan Wake II (Microsoft Xbox Series X)

Voltando ao universo da Xbox, terminei muito recentemente este Alan Wake II, o último jogo lançado pela Remedy, pelo menos até ao Outono deste ano, com Control: Resonant já a caminho. Originalmente anunciado como um lançamento exclusivamente digital, Alan Wake II chegou ao mercado em 2023 apenas nesse formato. Entretanto, felizmente, acabaram por anunciar um lançamento físico para o ano seguinte. Decidi então votar com a carteira e comprar o Alan Wake II em formato físico durante o seu lançamento. Tendo em conta que o comprei numa campanha de Leve 3 Pague 2 da Worten que incluía pré-reservas, o jogo ficou-me por pouco mais de 40€.

Jogo com caixa e um folheto com um código de descarga do Alan Wake Remastered.

Alan Wake II começa de uma forma desconcertante. Começamos por controlar um homem de meia idade, todo nu, na margem do lago de Cauldron, completamente desorientado. Os fãs poderão reconhecê-lo como Robert Nightingale, um agente do FBI envolvido nos acontecimentos do primeiro Alan Wake. Após vaguear pela floresta, somos surpreendidos por um grupo de vultos estranhos e mascarados que o prendem numa mesa de campismo e começam a recitar um ritual sinistro. A partir daí, os acontecimentos precipitam-se e a narrativa leva-nos para o dia seguinte e a controlar uma nova personagem: Saga Anderson, agente do FBI que, em conjunto com o seu parceiro Alex Casey, terão de investigar o assassinato do seu colega que havia dado à costa na noite anterior. Não me vou alongar mais, pois a narrativa deste Alan Wake II é de longe o seu ponto mais forte e não quero estragar a surpresa para quem o for a jogar. O próprio Alan é também uma personagem jogável e a narrativa irá acompanhar ambas as personagens, Saga Anderson no plano “real”, e Alan, ainda preso numa outra dimensão e ansioso por voltar.

O sistema de inventário é análogo ao Resident Evil 4 com os slots limitados. Felizmente nas “salas seguras” vamos tendo umas caixas onde poderemos guardar excedentes.

No que toca aos controlos, a jogabilidade de Saga é em (quase) tudo idêntica à de Alan no primeiro jogo. Iremos encontrar toda uma série de criaturas agressivas que precisam primeiro de ser irradiadas com luz intensa para dissipar os seus escudos de escuridão e tornarem-se vulneráveis. Iremos ter acesso a armas como pistolas, shotguns, espingardas assim como flares e granadas de luz, ideais para afastar grupos de inimigos ou torná-los vulneráveis. A grande novidade está na habilidade do “mind palace” de Saga. Aqui podemos organizar todas as pistas que vamos recolhendo ao longo do jogo após falar com outras personagens ou ler os vários documentos espalhados pelos cenários. É aqui que Saga reúne as suas ideias e deduzir qual será o próximo objectivo a seguir. Também no mind palace poderemos traçar perfis das várias personagens com as quais vamos interagindo, ao estabelecer uma espécie de sessão telepática com a mesma.

Os itens pareceram-me mais escassos nos segmentos do Alan, pelo que estes encontros com as sombras se tornavam especialmente inquietantes!

O Alan também possui uma jogabilidade base muito semelhante à do jogo anterior, mas os inimigos de Alan manifestam-se inicialmente apenas como sombras. A maior parte delas até são inofensivas, apesar das coisas menos simpáticas que nos poderão dizer. Mas no meio das inofensivas teremos sombras agressivas, pelo que a mesma lógica se aplica: incandeá-las com luz intensa de forma a revelarem a sua forma e depois enchê-las de chumbo. Alan não tem um mind palace, mas sim um writers room. Como o escritor tem o dom de escrever histórias e elas tornarem-se realidade, à medida que vamos avançando no jogo, teremos também de alterar os “temas da narrativa” de várias áreas chave, transformando os cenários e, desta forma, nos permitir desbloquear certas passagens. Alan conta também com algumas mecânicas de puzzle adicionais: desde cedo que estamos munidos de um objecto que permite absorver luz, algo que devemos fazer entre certas salas também. Tal como mudar o tom da narrativa, transportar a luz entre diferentes salas também altera ligeiramente a disposição do cenário e nos permite avançar por passagens previamente bloqueadas. De resto, o espaço pessoal de Alan e Saga também lhes permite evoluir as suas armas através de vários coleccionáveis, assim como acompanhar o registo de vídeos, textos e audios que vamos encontrando.

Este musical interactivo é uma das experiências mais gratificantes que já vivi num videojogo.

Visualmente o jogo é bom. Muito bom mesmo. Com uma versão modernizada do Northlight Engine, criada especialmente para suportar as consolas da geração actual, o resultado final é muito imersivo. Na campanha de Saga exploramos as densas florestas das imediações de Caldron Lake, ricas em vegetação, a própria vila de Bright Falls e ainda outros locais, como o inusitado Coffee World, um pequeno parque temático repleto de carrosséis e outras diversões dedicados ao café. Já a história de Alan, passando-se inteiramente no dark place, já tem uma maior liberdade criativa a nível de cenários. Por razões que se prendem à narrativa, o Dark Place é inspirado pela cidade de Nova Iorque, embora os cenários que exploramos sejam consideravelmente variados entre si: o interior de um estúdio televisivo, os túneis do sistema de metro ou um hotel sinistro são apenas alguns dos locais que iremos visitar. Graficamente trata-se de um jogo notável não só pelo detalhe gráfico dos cenários e seus efeitos de luz, mas também pelo detalhe nas personagens e suas animações. A narração está muito bem conseguida como tem sido habitual nos jogos da Remedy e a banda sonora é uma vez mais bastante eclética, contendo temas mais ambientais, sinistros, assim como toda uma série de música alternativa de artistas licenciados, ou mesmo da banda fictícia Old Gods of Asgard, que são na verdade protagonistas da banda finlandesa Poets of the Fall.

O mind place da Saga é onde ela reune, mentalmente, todas as pistas recolhidas e reconstrói os casos que vamos investigando

Não consigo deixar de mencionar o quão boa a narrativa deste Alan Wake II é. A influência do imaginário surrealista de David Lynch são bem notórias ao longo de toda a narrativa e sim, apesar de Alan Wake II não ser propriamente um jogo extremamente assustador, é muito mais virado para o terror que o seu predecessor. Ainda assim, não deixa de ter os seus momentos bizarros, absurdos, ou ocasionalmente genuinamente engraçados, como o divertido diálogo entre os dois polícias logo na abertura do primeiro capítulo de Saga, por exemplo. E toda a atenção ao detalhe que a Remedy colocou aqui é de louvar. Sem querer revelar muito, permitam-me só referir que aquele segmento musical do Herald of Darkness foi uma das melhores experiências que alguma vez vivi num videojogo e a possibilidade de assistir a uma curta metragem finlandesa de quase 20 minutos dentro do próprio jogo também era algo que eu não estava nada à espera. E por fim, as ligações ao Control são bastante fortes ao longo de toda a narrativa, fica o aviso para quem ainda não o tenha jogado.

Já Wake, na sua writer room, tem o poder de alterar o rumo da história e assim mudar também os cenários.

Esta edição Deluxe também traz dois DLCs que me surpreenderam pela positiva e não posso também deixar de recomendar de jogar. A primeira expansão, Night Springs, coloca-nos em 3 episódios dessa série televisiva fictícia, claramente influenciada pela clássica The Twilight Zone. Cada um desses episódios conta-nos uma história diferente, com protagonistas distintos. No primeiro controlamos nada mais nada menos que Rose Marigold, a fã número um do Alan Wake, numa aventura completamente tresloucada, pintada em tons de cor-de-rosa onde teremos de salvar o escritor, lutando contra o seu alter ego e um exército de haters que nos atacam com tiradas deliciosas como “Too heavy on the metaphors” ou “why can’t he write a happy story?“. Achei genuinamente um nível hilariante. O segundo nível leva-nos a controlar Jesse Faden, a personagem principal de Control, em busca do seu irmão no parque temático do Coffee World. Já o terceiro, Time Breaker, leva-nos a controlar o Xerife Tim Breaker, protagonizado pelo actor Shawn Ashmore (personagem principal de Quantum Break) num nível absurdo sobre realidades paralelas.

Visualmente este é um jogo incrível!

O segundo DLC, The Lake House, é uma aventura contida e com mais ligações a Control. Isto porque controlamos a agente do FBC Kiran Estevez, que visita a base da fictícia agência secreta norte americana nas imediações do Cauldron Lake, originalmente lá montada para melhor estudar todos os fenómenos paranormais que afectam a região. Kiran encontra a base deserta e com a indicação nos ecrãs de uma “experiência em progresso”. Naturalmente as coisas não correm bem e lá teremos de explorar todos os pisos subterrâneos da base para entender o que se passou por ali. Apesar de as mecânicas de jogo serem muito similares às do jogo principal, esteticamente é uma aventura muito mais próxima do Control, com aquela arquitectura brutalista tão característica desse jogo.

Algo me diz que não será a última vez que nos cruzaremos com Ahti…

Portanto devo dizer que adorei este Alan Wake II. Para além de tecnologicamente ser um jogo muito bem conseguido na altura do seu lançamento, somos também premiados com uma narrativa muito bem pensada e repleta de pequenos pormenores deliciosos e uma grande atenção ao detalhe. Apesar da sua óptima recepção pela crítica e público em geral, é uma pena que incialmente as vendas não tenham sido tão expressivas quanto a Remedy gostaria. De acordo com o estúdio finlandês, só no final de 2024, já depois de a versão física ter sido lançada para o mercado, é que a empresa começou a ter lucro com este jogo. Espero apenas que esse arranque comercial mais tímido não tenha limitado a ambição da Remedy para o próximo Control Resonant, pois seria uma pena ver um universo tão rico condicionado por questões financeiras. Control Resonant parece um jogo muito diferente do seu antecessor e, naturalmente, muito diferente das mecânicas e atmosfera deste Alan Wake II. Ainda assim, depois de terminar Control e agora este Alan Wake II, fiquei com a sensação de que a Remedy atravessa um dos períodos mais criativos da sua história. Planeio, por isso, comprar (e jogar) Control Resonant próximo da sua janela de lançamento e estou genuinamente curioso para descobrir até onde este universo partilhado poderá evoluir.

Terminator: Resistance – Complete Edition (Microsoft Xbox Series X)

Ora cá está um daqueles jogos que, se não me tivessem dito que era bastante competente e interessante, muito provavelmente nunca o teria comprado, já que me passou completamente ao lado. Produzido pelo estúdio polaco Teyon, Terminator: Resistance é um first person shooter baseado na conhecida saga de filmes de acção, lançado originalmente em 2019 para PC, PS4 e Xbox One. Em 2021 surgiu uma versão Enhanced para a PS5, com melhorias gráficas e de performance, além de já incluir um DLC. No entanto, apenas em 2023 foi finalmente lançada uma versão para a Xbox Series, trazendo todas as melhorias da edição Enhanced e incluindo todos os DLCs. Ao saber que esta era a versão mais completa e que contava também com lançamento físico, acabou por ser a que procurei adquirir, o que aconteceu nesta última Black Friday, tendo-me custado cerca de 30€ na Amazon.

Jogo com caixa

A história segue o lore estabelecido nos dois primeiros filmes da saga Terminator. A narrativa transporta-nos para um futuro pós-apocalíptico onde a Skynet se revolta contra a raça humana e, após despoletar um cataclismo nuclear que dizimou grande parte da população, procura exterminar os sobreviventes através de vários tipos de robots criados para esse efeito. Controlamos Jacob Rivers, o último sobrevivente de uma célula da resistência que foi praticamente aniquilada por um novo tipo de exterminador, os infiltradores, indistinguíveis dos humanos à primeira vista, à excepção da sua força devastadora. A aventura começa com o protagonista completamente indefeso, em fuga constante de vários robots, até que, juntamente com outros sobreviventes, consegue chegar a um abrigo seguro. Ao explorar as imediações em busca de armamento e recursos, entramos finalmente em contacto com o resto da resistência, que começa a delinear um plano para atacar a Skynet em força.

Desde cedo que podemos activar um visor que nos permite localizar os inimigos próximos, mesmo que estejam por detrás de paredes.

Estamos perante um first person shooter que integra um conjunto bastante sólido de mecânicas de RPG. Ao derrotar inimigos ganhamos experiência, que nos permite subir de nível e evoluir várias habilidades. Existe também um sistema de crafting, através do qual podemos criar medkits, munições, engenhos explosivos e outras utilidades. Durante a exploração encontraremos portas e baús trancados, que podem ser abertos recorrendo à habilidade de lockpicking. Algumas portas e torres de metralhadoras das instalações da Skynet podem igualmente ser acedidas via hacking. Em ambos os casos, o sucesso depende da resolução de pequenos mini-jogos, sendo que a evolução das respectivas habilidades aumenta as probabilidades de êxito. O mesmo se aplica ao crafting, já que melhorar as habilidades associadas desbloqueia novas opções de criação de itens. As mecânicas de RPG estendem-se também à exploração e à vertente narrativa, permitindo-nos interagir com vários NPCs, cujas respostas podem ter algum impacto no desenrolar da história. Estes personagens oferecem ainda diversas sidequests opcionais, que enriquecem o mundo do jogo.

O jogo tem também várias mecânicas de RPG, incluindo vários NPCs com os quais podemos interagir

O jogo apresenta também uma componente de acção furtiva bastante relevante, sobretudo na primeira metade da campanha. Nesta fase, as armas de fogo convencionais revelam-se pouco eficazes contra os exterminadores, obrigando-nos a avançar de forma mais cautelosa e a evitar confrontos directos sempre que possível. A dinâmica muda significativamente quando desbloqueamos as armas de plasma, momento em que os papéis se invertem e os outrora imponentes T-800 passam a ser adversários bem mais frágeis. Ocasionalmente surgem inimigos de maior porte, como os hunter killers, que exigem estratégias ou armamento específico, mas no geral considero que o jogo consegue equilibrar bem a acção mais frenética típica do género com a furtividade, a exploração e as mecânicas de RPG. Existem níveis bastante lineares e focados exclusivamente na acção, mas também mapas mais amplos, que oferecem total liberdade de exploração e a possibilidade de completar objectivos e sidequests opcionais.

O DLC Annihilation Line coloca-nos a interagir com Kyle Reese, personagem principal do primeiro filme

Tal como referido, esta versão inclui vários DLCs. Annihilation Line é uma campanha adicional que decorre algures a meio da narrativa principal. Aqui voltamos a controlar Jacob Rivers, agora acompanhado por Kyle Reese, protagonista do primeiro filme, e mais duas personagens, numa missão importante e envolta em mistério atribuída pelo próprio John Connor. Trata-se de um DLC com uma duração considerável, composto por seis níveis distintos, alguns deles bastante extensos e recheados de objectivos opcionais. Existe ainda o modo Infiltrator, onde assumimos o controlo de um exterminador. Este modo funciona como uma espécie de roguelike, com um mapa fixo mas povoado de forma aleatória. O objectivo passa por localizar um bunker da resistência e assassinar o seu líder, sendo necessário recolher documentos de inteligência que revelam gradualmente novos pontos de interesse, até que a localização final seja descoberta. Como é típico do género, temos apenas uma vida, sendo que a única forma de recuperar energia passa por recolher peças de outros exterminadores ou robots derrotados durante a exploração.

Já no DLC infiltrator controlamos um exterminador, onde poderemos utilizar o seu típico de infra vermelhos

No que toca ao audiovisual, não considero que este seja um jogo particularmente impressionante. Mesmo na geração da Xbox One ou PS4, e quase arriscaria dizer na anterior, existem vários títulos com uma fidelidade técnica superior. Os modelos poligonais e as animações dos NPCs são bastante modestos e os gráficos, no geral, ficam aquém da média. Apesar de o cenário pós-apocalíptico justificar a predominância de ambientes em ruínas, o principal problema não é a falta de variedade de cenários ou inimigos, mas sim o facto de o jogo ser tecnicamente pouco ambicioso. Já no departamento sonoro, o balanço é mais positivo. O voice acting é competente e a banda sonora inspira-se claramente nos temas dos dois primeiros filmes, algo que pessoalmente me agradou bastante.

No final de contas, apesar de Terminator: Resistance não ser um jogo tecnicamente muito competente, consegue compensar com mecânicas de jogo sólidas, um sistema de crafting robusto, níveis amplos e cheios de conteúdo opcional e, acima de tudo, uma adaptação bastante respeitosa e eficaz ao universo da saga Terminator. O mesmo estúdio, que no passado lançou um shooter do Rambo que foi alvo de duras críticas, acabou por surpreender mais tarde com um outro first person shooter, desta vez baseado na saga Robocop. Deste último também me chegou algum feedback positivo, pelo que deverá ser um jogo a que pretendo pegar em breve.

Call of Duty: Vanguard (Microsoft Xbox Series X)

Vamos voltar à série Call of Duty para aquele que é, no momento, o último jogo da saga que possuo na colecção. Lançado originalmente em 2021, este é mais um dos que volta às raízes da série, focando-se no conflito da segunda guerra mundial, tal como o Call of Duty WWII de 2017 já o havia feito. E tal como todos os outros Call of Duty que já cá tenha trazido no passado, este meu artigo se irá focar unicamente no seu modo campanha. Sei bem que o robusto multiplayer competitivo ou mesmo o modo zombies (cooperativo) são as principais razões pelas quais a maioria das pessoas compram um Call of Duty, mas eu apenas o faço pelas suas campanhas, que tipicamente têm sido bastante curtas. Daí que também evito dar mais de 20€ pelos seus jogos, que foi precisamente o que este me custou, novo, numa Worten há uns meses atrás.

Jogo com caixa e papelada

A história leva-nos a encarnar numa unidade de forças especiais de elite, que são enviadas em segredo para o coração da Alemanha já nas fases finais do teatro de Guerra europeu, de forma a descobrir mais informação sobre um projecto ultra-secreto levado pelos nazis. Apesar de a acção se iniciar já em pleno solo germânico, numa missão empolgante a bordo de um comboio de carga do regime fascista, iremos ocasionalmente revisitar outros teatros de guerra, isto porque iremos também jogar na pele de várias das personagens desse grupo, quanto mais não seja para saber um pouco mais do seu passado. Então se por um lado a linha narrativa principal se passa em diversos pontos na Alemanha já durante o ano de 1945, iremos também visitar outros teatros de guerra como o pacífico, norte de áfrica, operações de sabotagem pré-desembarque da Normandia, ou a própria cidade de Estalinegrado, não fosse a equipa composta por membros de diferentes nações e exércitos. A campanha no entanto é bastante curta, sendo terminada em meia dúzia de horas. E apesar de ter os seus bons momentos na narrativa, creio que haveria potencial para a mesma ser bem melhor explorada, em particular o papel dos vilões envolvidos! Aquele final foi mesmo algo anticlimático…

O jogo abre com uma missão repleta de adrenalina: o assalto a um comboio repleto de nazis!

Na sua génese, a jogabilidade é a mesma de sempre de um Call of Duty, com a sua vida regenerativa, progresso salvo automaticamente através de checkpoints e a impossibilidade de carregar com mais de duas armas em simultâneo, apesar da variedade ao nosso dispor ser bastante generosa. Há no entanto algumas excepções pois como mencionei acima iremos, ao longo do jogo, encarnar na pele de diferentes personagens, cada uma com algumas habilidades únicas e que se diferenciam bastante entre si. O líder do grupo, Arthur Kingsley, tem a capacidade de dar pequenas ordens aos seus soldados, como ordenar fogo de supressão em certos alvos, permitindo-nos flanqueá-los ou atravessar zonas em segurança, um pouco como nos como acontecia nos Brothers in Arms. A única mulher do grupo, a russa Polina Petrova, é uma hábil sniper e também bastante ágil, esgueirando-se facilmente por entre passagens estreitas, assim como tem também a possibilidade de escalar paredes. O norte-americano Wade Jackson (piloto de aviões, onde acabamos por também jogar uma missão na importante batalha de Midway), tem a habilidade de super foco, onde, depois de activada, permite-nos, durante alguns segundos, ter os inimigos salientados no ecrã e, ao aproximar a mira, esta irá focar automaticamente um desses inimigos. Por fim, o australiano Lucas Riggs é especialista em demolições e com isso é o único membro capaz de carregar com 4 tipos de granadas letais (e facas também), enquanto todos os outros apenas podem carregar um tipo de granadas letais, assim como outras tácticas. São pequenas e simples alterações nas mecânicas de jogo, mas acabaram por resultar em alguma variedade adicional na jogabilidade, o que é positivo. De resto, o jogo inclui também mecânicas de abrigos algo evoluídas, permitindo-nos pousar a nossa arma em superfícies para melhor estabilidade de fogo, ou mesmo a de disparar às cegas por cima do abrigo.

Os Wolfenstein deixaram-me mal habituado, mas poderiam ter feito tão mais com estes vilões!

A nível técnico, apesar deste não ser o primeiro Call of Duty a sair numa consola de geração actual, acaba por tirar partido de um ano extra desenvolvimento para essas novas tecnologias e isso é bastante visível no decorrer do jogo. As paisagens são quase foto-realistas e fiquei com muita pena de não haverem quaisquer coleccionáveis para procurar ao longo da campanha, pois neste jogo deu-me mesmo prazer em explorar todos os recantos dos cenários. O facto de também termos umas quantas missões de flashback que nos levam a diferentes teatros de guerra foi também bastante positivo para a variedade de cenários. Explorar a cidade de Estalinegrado antes da invasão nazi foi um mimo! A banda sonora é épica e orquestral como sempre e o voice acting é igualmente francamente bom. No entanto, tive alguns bugs um bocadinho chatos. O primeiro foi numa das missões do americano, onde depois de “limpar” um bunker inimigo nada acontecia para avançar a missão. Recarreguei o último checkpoint e tudo se manteve igual! Ao explorar novamente todo o complexo de bunkers vi dois companheiros meus que estavam parados à entrada. A solução? Dar um tiro num deles, que me pediu para ter mais atenção e tal coisa acabou por os desbloquear, que automaticamente foram ter juntamente com os outros e a narrativa desbloqueou. O outro foi numa das missões do norte de África, onde teríamos de destruir uma série de objectivos. Um desses objectivos, apesar de estar visivelmente destruído, nunca chegou a ficar registado como tal, tendo-me obrigado a jogar a missão novamente.

Visualmente é um jogo de facto impressionante!

Portanto este Call of Duty foi uma boa experiência, apesar daqueles pequenos bugs que mencionei acima e pela campanha ser bastante curta. Acho que o seu antecessor, o Black Ops Cold War, possui também uma história bem mais interessante, assim como a própria campanha ser também ligeiramente mais longa, quanto mais não seja pelas missões opcionais que podemos desbloquear. No entanto, um outro ponto positivo em relação à experiência que tive com o Cold War prende-se com o processo de instalação. Enquanto no Cold War o jogo nem sequer me oferecia a possibilidade de jogar a campanha de início, obrigando-me a instalá-la a partir do menu inicial, o que por si já era um processo longo pois precisava de instalar primeiro todo o conteúdo multiplayer e respectivas actualizações, aqui não tive quaisquer problemas. O jogo instalou-se na sua totalidade e foi só arrancar a campanha.

Scorn (Microsoft Xbox Series X)

Vamos voltar agora à família Xbox para um jogo já exclusivo da actual geração de consolas. É um título curto e confesso que tem alguns problemas, mas também é um jogo marcante. Há aqui coisas que acontecem que dificilmente me irei esquecer! O jogo foi lançado originalmente em Outubro de 2022 para o PC e Xbox Series X, com uma versão PS5 a surgir um ano depois. Optei por comprar a versão Xbox em Março do ano passado visto que ainda não tinha em vista comprar uma Playstation 5 num futuro próximo, pelo que nessa altura infelizmente tive de importar o meu exemplar da Amazon americana, visto que a sua edição física estava já fora de circulação. No Outono desse mesmo ano acabei por comprar uma PS5 e reparei que o Scorn iria receber um reprint da sua versão física na Europa, pelo menos para a PS5, pelo que poderia ter poupado uns trocos e comprar antes essa versão se tivesse esperado, mas não havia como adivinhar, este é um jogo tão de nicho que não estava mesmo a contar que fosse lançada uma nova “fornada”. Ainda bem que o fizeram, é porque havia interesse para tal.

Jogo com sleeve exterior de cartão, steelbook bonito e papelada diversa. Versão norte-americana pois na altura que o comprei foi a única que consegui encontrar disponível para Xbox.

Este é um jogo que é inteiramente jogado na primeira pessoa e possui um conceito bastante peculiar. Basicamente estamos envolvidos num mundo muito estranho e bizarro (notoriamente inspirado pelos trabalhos do já falecido artista suíço Hans Ruedi Giger – criador do design do Alien, por exemplo) e onde encarnamos num humanóide que acorda nesse mundo bizarro e aparentemente abandonado. Grande parte do jogo é precisamente passada a explorar todo esse mundo que nos rodeia, com alguns puzzles ocasionais para resolver e eventualmente teremos alguns encontros com criaturas igualmente bizarras (ou até grotescas) pelo que quando isso acontece o jogo começa a assumir contornos de survival horror até porque os recursos são escassos e as armas que temos para nos defender não são propriamente a melhor coisa de sempre.

O jogo está repleto de momentos bastante perturbadores, este é só um dos primeiros de muitos!

É difícil falar deste jogo com detalhe sem estragar a experiência para quem o vai jogar, mas posso dizer que o mesmo não nos dá nenhuma informação escrita em lado algum. Alguns dos puzzles podem parecer até algo complexos e é precisamente a exploração, observação cuidada dos cenários e tentativa-erro que nos vão permitir avançar na narrativa, ao desbloquear caminhos e habilidades, como a capacidade de abrir certas portas, por exemplo. Até aqui tudo bem, pois o jogo possui uma atmosfera muito bem conseguida e foi de facto um prazer explorar todos aqueles corredores escuros, sinistros e sinuosos. O problema para mim foi mesmo quando o combate começa a ser introduzido, pois este é francamente mau e é mau mesmo por escolha própria dos criadores do jogo, o que eu não concordo a 100% com a abordagem escolhida.

Quando começamos a ter mais que um inimigo para combater ao mesmo tempo (à esquerda e em frente) as coisas começam a complicar bem mais

A primeira arma que desbloqueamos é uma espécie de um martelo pneumático, que tem um alcance muito reduzido e apenas o podemos utilizar duas vezes seguidas, precisando depois de esperar alguns segundos para que o mesmo recarregue. Como nada disto é explicado, é algo que iremos aprender com a tentativa-erro. A arma que apanhamos depois já é uma pistola, mas mesmo essa tem um caveat: precisamos de estar absolutamente estáticos para que a mira se foque e consigamos garantir que o nosso disparo será certeiro. No entanto, os primeiros inimigos “a sério” que encontramos possuem ataques de longo alcance que são bastante fortes e nos retiram uma percentagem elevada da nossa barra de vida e simplesmente demoram bastante a morrer com essas armas que nos dão inicialmente. Visto que as munições (e health kits) são bastante limitados, vamos mesmo ter de avaliar cada encontro se vale a pena ou não. Quando temos de enfrentar um inimigo de cada vez, rapidamente aprendemos que a melhor estratégia é aproximarmo-nos dele, atacar e correr novamente para longe, rezando para que não levemos com um ataque de longo alcance a meio. Quando começam a surgir mais do que um inimigo em simultâneo, a estratégia passa mesmo por usar bem os cantos para evitar os seus ataques e atacar de inteligentemente de forma a poupar munições e vida. Ou mesmo evitar o combate se possível!

Um dos pontos fortes é mesmo o da exploração e o ter que nos desenrascar sozinhos e sem qualquer tipo de ajuda!

Felizmente, as duas armas que apanhamos a seguir são mais poderosas e simples de utilizar, mas temos uma vez mais de ter em conta a pouca munição disponível. Para salientar ainda mais este fraco balanço que existe entre o jogador e os inimigos, lá na recta final vamos ter uns bosses para enfrentar que requerem uma estratégia própria para serem derrotados. Esses inimigos disparam-nos granadas e o dano provocado pelas mesmas é uma fracção do dano sofrido por ataques desses inimigos mais fracos que mencionei atrás. Isto aliado aos poucos checkpoints existentes, causaram-me alguns momentos de frustração, particularmente depois de ter apanhado a pistola, pois é aí que começam a surgir vários inimigos em simultâneo e muitas vezes teremos de passar pelos mesmos corredores estreitos e mais que uma vez, o que não nos dá muita margem de evitar o combate ou até de nos escondermos e atacar os inimigos de forma inteligente. Se as armas fossem um pouco melhores, ou o dano sofrido não fosse tão elevado nos inimigos mais básicos, teria sido uma experiência muito melhor, mesmo com a pouca munição e medkits disponíveis.

Sim, este é o nosso corpo (ou o que resta dele) e o que temos na mão esquerda é uma coisa orgânica que nos armazena sangue (medkit) ou munições para as diferentes armas que iremos eventualmente desbloquear

Mas se por um lado o combate é de longe para mim o ponto mais fraco do jogo, a exploração e toda a parte audiovisual é de longe a melhor e aquilo que me fez mesmo valer a pena o ter jogado, particularmente por ser um fã de toda a arte “biomecânica” que o senhor HR Giger nos trouxe ao longo da sua carreira. Sim, os cenários são sinistros e toda aquela arquitectura parece ter sido “crescida” naturalmente, e não simplesmente construída. Para quem viu o “Alien, o Oitavo Passageiro” (ou até os filmes mais recentes como o Prometheus), a nave onde os ovos dos alien são encontrados ilustra precisamente o tipo de arquitectura que vamos ver aqui. E depois todas as interacções que vamos ter com os cenários são marcantes, até porque o jogo tem vários momentos algo gore e bastante desconcertantes. Aquela recta final então que o diga! Para além de visualmente o jogo estar deslumbrante e representar muito bem esse estilo de arte muito peculiar e que eu tanto gosto, no som marca também pontos. Isto porque não temos quaisquer músicas, mas apenas todo o ruído de fundo de um ambiente sinistro, inóspito e desolador. É um jogo muito bem conseguido na atmosfera opressora que incute, o que acaba por ser ainda mais exacerbado pelo quão mau o combate é.

Visualmente o jogo é fantástico e quando desbloqueamos esta arma, o combate torna-se mais fácil, embora as suas munições sejam muito limitadas.

Portanto sim, este jogo é algo que eu recomende particularmente para quem gostar de Alien e da arte muito peculiar do senhor HR Giger. É uma aventura curta, embora como não há qualquer “ajuda” no que temos de fazer, contem que seja necessário perder umas horinhas extra só a explorar e resolver puzzles. O combate é infelizmente mau e visto que os checkpoints são espaçados, será algo que nos teremos mesmo de habituar, não havendo escape possível. Fico feliz por lançamentos mais de nicho como estes tenham tido direito a um lançamento físico, algo que infelizmente será cada vez mais raro na actual geração, a não ser através de limited runs da vida.