Anunciado originalmente no The Game Awards de 2020, The Callisto Protocol chamou-me imediatamente à atenção devido às suas semelhanças com Dead Space, um dos meus videojogos preferidos da sua geração. Apesar de ter sido lançado também para a Playstation 4 e Xbox One, este foi um daqueles jogos que preferi mesmo esperar por ter uma consola da nova geração para o jogar. É que, visualmente, parecia mesmo incrível nos novos sistemas! O meu exemplar acabou então por ser comprado na Amazon algures em Fevereiro de 2025 por uns 15€.
A história deste The Callisto Protocol leva-nos até Calisto, uma das luas de Júpiter, no longínquo ano de 2320. Aqui encarnamos no papel de Jacob Lee, um piloto de carga que estava prestes a realizar um último mas bastante lucrativo trabalho para a corporação que explorava essa colónia. Mas se há coisa que aprendemos em todos os filmes de acção, é que o último trabalho nunca corre bem, ou os polícias que se estão prestes a reformar também terão um resto de dia complicado. E aqui não fugiu à regra. A nave de Jacob é assaltada por um grupo rebelde quando se preparava para partir de Calisto e, durante esse confronto, as coisas correm mal e a nave tem um acidente. Jacob é resgatado, mas acaba por ser injustamente encarcerado na prisão local. Felizmente não ficamos presos muito tempo, pois um misterioso surto mutante transforma os prisioneiros em monstros violentos, pelo que precisaremos então de lutar pela nossa sobrevivência e arranjar forma de escapar daquela lua.

Tal como Dead Space, este é um jogo de acção/terror com uma perspectiva de terceira pessoa, um sistema de câmara muito idêntico, mas com um maior foco em combates corpo-a-corpo, apesar de também virmos a ter acesso a armas de fogo. Há aqui uma certa “dança” em esperar que um inimigo ataque, bloquearmos ou esquivarmo-nos dos seus golpes e só depois contra-atacar com um bastão electrificado. Golpes certeiros podem decepar os membros dos inimigos, deixando-os com menos capacidade de nos atacar. Os combos bem sucedidos expõem também as suas fragilidades, que idealmente deverão depois ser aproveitadas com disparos certeiros das nossas armas de fogo para infligir dano crítico. É possível também simplesmente usar as armas de fogo como num shooter, mas a escassez de recursos incentiva-nos a combater de forma mais eficiente. As mecânicas de desvio/bloqueio utilizam o mesmo analógico que serve para movimentar a personagem, o que é um pouco estranho no início, mas depois lá nos acabamos por habituar.

Também teremos acesso a uma luva GRP que nos dá habilidades de telecinese, permitindo-nos levitar objectos, como caixas ou barris explosivos e atirá-los contra os inimigos, ou mesmo levitar os próprios inimigos para os arremessar contra armadilhas mortais do cenário, como ventoinhas ou espigões. No entanto, o uso destas habilidades consome energia que demora a ser reposta e as baterias de reserva são também um bem escasso. De resto, e também tal como Dead Space, existe todo um sistema de gestão de inventário e melhorias. O espaço do inventário é bastante limitado, obrigando-nos a gerir o espaço entre munições, injectores de saúde e loot. Este último pode ser vendido em máquinas automáticas que nos permitem fabricar munições, medkits, mas também melhorar as características do nosso equipamento. Todas estas semelhanças com Dead Space não são, de todo, uma coincidência, pois a Striking Distance é nada mais nada menos que um estúdio fundado por pessoas que estiveram precisamente na concepção do clássico da Visceral Games.

Visualmente é um jogo muito apelativo, tal como Dead Space também o foi. As criaturas que enfrentamos são cada vez mais grotescas e o jogo mantém uma atmosfera solitária, sinistra e opressora, com os nossos passos são acompanhados por estranhos e distantes grunhidos que põe sempre os cabelos em pé. Ainda assim devo dizer que senti falta daqueles momentos de gravidade zero do Dead Space original. Mas de resto é um jogo visualmente muito competente e aparentemente corre sobre uma versão profundamente modificada do Unreal Engine 4 para conseguir implementar ray tracing e outras inovações técnicas trazidas pela actual geração de consolas.
Portanto devo dizer que gostei deste The Callisto Protocol, embora confesse que não tenha causado o mesmo impacto que Dead Space. É um jogo assustador, mas Dead Space conseguia deixar-me de tal forma stressado que precisava mesmo de o jogar em sessões relativamente curtas! Também senti alguma falta de variedade no design dos inimigos algo que, aparentemente, se deveu às pressões editoriais para o jogo ser lançado mais cedo que o previsto. Infelizmente nos anos que se seguiram, a Striking Distance acabou por perder grande parte da sua força criativa, pelo que as chances de uma sequela são diminutas.


