Tempo de voltar à Xbox Series X para um jogo que foi seguramente muito aguardado pelos fãs, pois serviu de porta de entrada da série Halo a uma nova geração de consolas. No entanto, este é ainda um título desenvolvido a pensar na Xbox One, tanto que o seu lançamento físico utiliza a tecnologia Smart Delivery, onde o mesmo disco físico permite descarregar a versão correspondente à consola onde é inserido. Já o meu exemplar foi comprado algures nesta Primavera na Cash Converters, tendo-me custado uns 12€.
A narrativa leva-nos uma vez mais a controlar o super-soldado Master Chief que, na cena inicial, se vê deixado à deriva no espaço, às portas da morte, após ter sido derrotado por uma nova facção, os Banished, que invadiram também o Halo Zeta. Com a ajuda de uma nova IA, a nossa missão é sobreviver, procurar o paradeiro de Cortana após os acontecimentos de Halo 5 e combater a ameaça dos Banished nesta região.
No que toca à jogabilidade, na sua essência esta mantém-se idêntica ao que a série já nos habituou: um jogo de acção na primeira pessoa, onde apenas poderemos carregar duas armas de cada vez, para além de uma série de diferentes tipos de granadas, temos vida regenerativa e podemos conduzir diversos tipos de veículos. A grande novidade está, no entanto, na inclusão de elementos de mundo aberto. Tal como na série Assassins Creed, teremos algumas bases inimigas para conquistar que, uma vez tomadas, servem de pontos de teletransporte pelos mapas e onde poderemos também abastecer-nos de armas e veículos humanos. Sempre que conquistamos uma base, o mapa à nossa volta é populado com uma série de outros ícones que tanto podem representar outros tipos de missões opcionais, como resgatar Marines, derrotar certos bosses, destruir grandes bases inimigas, entre outros que representam coleccionáveis.
Alguns desses coleccionáveis são meramente cosméticos, destinados a serem utilizados na vertente multiplayer que o jogo nos oferece, enquanto outros permitem-nos evoluir algum do equipamento que iremos adquirindo à medida que avançamos no jogo. O primeiro, e sem dúvida o que utilizei mais vezes, é um gancho que nos permite não só alcançar superfícies mais elevadas, como também pode ser utilizado para nos projectarmos contra os inimigos, apanhar armas espalhadas pelos cenários ou mesmo arrancar um inimigo do veículo em que se encontra. Outros equipamentos que desbloqueamos incluem um escudo temporário, um sensor para detectar inimigos invisíveis ou um jetpack, óptimo para nos desviarmos do fogo inimigo.
De resto, para além de todo este conteúdo de mundo aberto, completamente opcional na maior parte dos casos, temos também as missões principais que nos vão fazendo avançar na história. Estas são, muitas vezes, passadas em locais especiais no mapa e, tal como tem sido hábito na série Halo, seguem uma progressão linear e apresentam maiores desafios de combate que nos obrigarão a diversificar as armas e estratégias que vamos utilizando. No modo de dificuldade normal, devo dizer que achei este Halo Infinite bem mais desafiante que os restantes jogos da série. Certos bosses deram-me mesmo muito trabalho, até conseguir encontrar uma estratégia que funcionasse minimamente.
Já no que toca ao multiplayer, confesso que não me vou alongar por aí, pois não o experimentei. Supostamente é um modo de jogo bastante robusto, oferecendo vários modos como deathmatch, capture the flag, entre outros que não vale a pena enumerar, pois não os experimentei de todo. Um detalhe curioso, no entanto, é que a componente multiplayer de Halo Infinite é completamente free-to-play, pelo que não precisamos de uma subscrição de Game Pass para a jogar.
Visualmente é um jogo interessante, mas confesso que estava à espera de algo melhor. Não há nada fundamentalmente errado: o mundo artificial de Zeta Halo é variado, misturando montanhas e florestas com as instalações de alta tecnologia de uma antiga civilização, cuja estética já há muito estamos habituados a ver na série. Mas para um jogo de nova geração confesso que estava à espera de um detalhe gráfico maior. Provavelmente por o mundo deste Halo ser ainda mais expansivo, notei, especialmente quando utilizava veículos aéreos, demasiados efeitos de pop-in de polígonos nos cenários, algo que já não via há muitos anos. E o detalhe gráfico em si, apesar de não ser mau, deixou-me a sensação de que poderia ser bastante melhor numa consola de nova geração. Halo Infinite é, portanto, um jogo de Xbox One que consegue correr em resoluções maiores e com framerates mais estáveis nos sistemas da geração actual. De resto, no que toca ao som, nada de especial a apontar. A banda sonora presta homenagem ao que a série Halo já nos habituou, com temas mais ambientais e electrónicos e outros que escalam para contornos mais épicos quando a acção assim o exige. O voice acting é bastante competente, como tem sido habitual.

Portanto, devo dizer que gostei do tempo que passei com Halo Infinite. Acho que a estratégia de mundo aberto é algo que resulta bem em Halo, que sempre teve mapas mais amplos para explorar. Os novos gadgets são interessantes, em particular o gancho, enquanto a narrativa confesso que não a achei assim tão empolgante quanto isso. Mas, apesar de Infinite, a série Halo não se ficará por aqui seguramente. A prova disso é o novo remake do primeiríssimo título da série, Halo: Campaign Evolved, lançado para vários sistemas actuais, incluindo a rival PlayStation 5, há meras semanas. É um título que planearei comprar e jogar assim que o encontrar a um preço mais apetecível. Confesso que estou curioso com este remake, pois acho o primeiro jogo o mais aborrecido de todos.




