Dead Space (PC)

O terror sempre foi uma área que me interessou, seja em que “arte” for. A ficção científica e exploração espacial é outra, e quando misturam as duas o resultado tende a ser bom. Não é por acaso que os filmes clássicos “Alien” de Ridley Scott estão entre os meus preferidos e este Dead Space parece ir beber muitas inspirações a esses mesmos filmes. Dead Space é um third person shooter futurista e assustador, com uma perspectiva over the shoulder, popularizada pelo Resident Evil 4. A minha cópia foi adquirida algures no ano passado na loja portuense TVGames, tendo-me custado algo em torno dos 4€.

Dead Space PC

Jogo completo com caixa e manual

Aqui encarnamos a personagem de Isaac Clarke, um engenheiro a bordo da nave espacial USG Kellion, que tinha como missão responder ao pedido de socorro da nave de exploração mineira USG Ishimura. Chegando ao seu destino, Isaac e restantes companheiros encontram Ishimura deserto e em pantanas, como se um qualquer desastre tivesse ocorrido. Pouco depois são atacados por um grupo de criaturas que lhes destrói a sua nave espacial, bem como apenas deixam sobreviventes Isaac, Kendra e Hammond, líder do esquadrão. O resto do jogo resume-se a desvendar o que aconteceu em Ishimura e procurar também uma maneira de abandonar aquele inferno. A jogabilidade, tal como mencionei no parágrafo anterior, vai buscar inspirações a Resident Evil 4, com a sua perspectiva over-the-shoulder. Isaac vem munido de um fato com uma característica especial: RIG. É uma espécie de visor holográfico onde os audio/video logs são reproduzidos, e onde podemos também consultar informações como o inventário disponível, mapa do local, logs e estado actual dos objectivos em curso. O fato de Isaac tem mais tecnologia embutida, tal como um reservatório limitado de oxigénio ou umas botas xpto que lhe permitem ter os pés assentes na “terra” quando entra nalguma sala com gravidade zero. Todas estas funcionalidades têm as suas próprias artimanhas e apesar de achar que a sua existência tem a sua lógica, a execução não é a melhor. Isto porque acho os controlos de Dead Space exageradamente complicados (falando na versão PC). Tive alguns problemas para ajustar a sensibilidade de movimento, que estava bastante desenquadrada no jogo normal face à navegação nos menus. Para além do mais o próprio combate deixa um pouco a desejar, com a alternância entre o melee e usar-se a arma propriamente dita. Ultrapassadas estas dificuldades de orientação/movimentação iniciais, o jogo foi-se jogando melhor, apesar de achar que ainda poderia ser melhor. Nem tudo o que Isaac pode fazer apresentou-me problemas. Por exemplo, a tecla de atalho que permite que Isaac “ilumine” temporariamente no chão qual o caminho a prosseguir para se concluir o objectivo em curso, achei bastante útil. Os inimigos que enfrentamos foram bem pensados, e maneira que temos de usar para os abater nem sempre é a mais intuitiva. Por exemplo, para quem joga shooters deste tipo está bastante habituado a apontar para a cabeça ou torço. Aqui isso não resulta lá muito bem, serve mais para desperdiçar as valiosas munições. A ideia é mesmo decepar a maior parte dos inimigos dos seus membros, sendo que outros requerem estratégias diferentes. Isto no início realmente dá resultando, a sensação de pânico aumenta quando surgem vários inimigos novos e não sabemos muito bem como sair da situação bicuda, mas com a prática lá se vai.

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Isaac de costas, Kendra e Hammond lá à frente a pilotar a sua nave para se acoplar em Ishimura. Bons gráficos.

Ao longo do jogo vamos encontrando vários items, os habituais restauradores de saúde e munições, bem como dinheiro, garrafas de oxigénio e recarregadores de “stasis“. Começando pelo último, stasis é energia para se poder fazer 2 habilidades especiais: telequinese (pensem na gravity gun de Half Life 2), e abrandar temporariamente máquinas em movimento, bem como outros inimigos. Estas habilidades podem perfeitamente serem exploradas em combate, e há algumas alturas em que tal é mesmo encorajado. O dinheiro como é óbvio serve para se gastar. Ao longo do jogo vamos dando conta com várias lojas virtuais. Nessas lojas podemos comprar todo o tipo de items, de entre os quais armas e upgrades ao nosso fato. Ao longo do jogo iremos encontrar esquemas de circuitos eléctricos, que são automaticamente inseridos na loja virtual no momento da próxima visita, o que permite comprar novos items, armas ou novos updates ao fato. Para além disso vamos descobrindo uns items especiais: “power nodes”. Estes podem ser usados para 2 coisas. Destrancar portas de salas especiais repletas de items, ou serem usados numa das várias “mesa de trabalho” disponíveis ao longo de toda Ishimura para se fazerem upgrades ao fato de Isaac, ou às suas armas, aumentando o dano possível, capacidade de armazenamento de munições, entre outros. As armas em si são variadas e têm sempre 2 modos de disparo, embora nenhuma delas sejam armas “a sério”, são ferramentas utilizadas pela tripulação na sua exploração mineira e outras actividades, que à falta de melhor coisa, vão servindo para as necessidades. Na verdade várias destas armas improvisadas são um mimo para decepar as hordas de mutantes que encontramos.

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Olá bichinho lindo, deixa-me ir só ali e já volto...

A verdade é que a conjugação de todos estes elementos tornam Dead Space num jogo bastante tenso. Irra, até chego ao ponto de acreditar que os controlos um pouco maus foram implementados dessa forma propositadamente, apenas para aumentar a tensão. “In space, no one can hear you scream“, já dizia o outro, e é verdade. O som não se propaga no vazio, e em salas onde exista vácuo realmente deixamos de ouvir a maior parte das coisas, o que não impede os nossos amigos “necromorphs” de nos armarem emboscadas silenciosas. Disse no início que este jogo foi buscar muitas influências à série Alien, e é verdade. A exploração de uma nave espacial gigante e aparentemente abandonada proporciona momentos de tensão já por si, isto em conjunto com uma série de monstros que inteligentemente arma emboscadas em diversos sítios, em conjunto com o ruído ambiental que nos acompanha… bom, é uma experiência muito interessante. Não digo que fiquei com medo pois felizmente não chego a esse ponto, mas de todos os jogos de terror que já joguei (e foram bastantes), este Dead Space foi o que me deixou mais tenso. Tiro-lhes o chapéu.

Graficamente, para 2008, o jogo é muito bom. Os cenários não são muito variados mas cumprem o seu papel. Estamos numa nave de exploração mineira, não num cruzeiro turístico. Se for a ser picuinhas, queixo-me apenas das sombras que são bastante foleiras. De resto a nave está bem “desenhada”. O jogo é dividido por capítulos, sendo que em cada capítulo exploramos uma dada parte da nave, estando divididas por viagens de vaivéns internos a Ishimura. Infelizmente com o desenrolar da história teremos de revisitar locais anteriores, pelo que algumas partes sejam um pouco repetitivas, conforme dei a entender anteriormente. A atmosfera, não me canso de dizer, é óptima. As salas vazias de vida, com imensos cadáveres espalhados pelo chão, os próprios necromorphs, o desenrolar da história e do mistério, gostei. A nível de som, sinceramente não me lembro de ouvir qualquer tipo de música, mas tal nem é preciso quando o que se quer é uma envolvência grande na atmosfera da coisa. O voice acting é excelente, bem como os vários ruídos que vamos ouvindo, sejam os movimentos (algo) longínquos dos Necromorphs que nos mantêm constantemente em alerta máximo, sejam cantos dementes de infelizes sobreviventes, sejam vozes aleatórias que nos fazem duvidar da nossa própria sanidade mental, tal como em Eternal Darkness.

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Ah, também existem quick-time-events de vez em quando somos apanhados de surpresa. Ao menos estes resumem-se a premir a tecla "e" desenfreadamente.

Dead Space é um dos jogos da geração, não há como fugir, assim como Bioshock. Recomendo a qualquer fã de jogos de terror e/ou ficção científica, seja a versão PC, ou a de Xbox 360/PS3, que pelo que me vem sendo dito, têm uma melhor jogabilidade. Certamente que irei comprar o Dead Space 2, assim que surgir uma boa oportunidade, e o Dead Space Extraction para Wii/PS3 também será um jogo a ter em conta.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Dead Space (PC)

  1. Se tivesses jogado isto numa PS3 ou X360 não te queixarias do controlo, é por isso que defendo que TPS funcionam bem melhor com um comando do que com teclado e rato. Anyway, se gostaste, o 2 vai ser ainda melhor. 🙂 Esqueceste-te foi de mencionar que o amigo Isaac faz parte do clube do Link. 😛

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