Vamos continuando pelas rapidinhas, desta vez para uma breve análise à campanha single player do Battlefield 6. No entanto, o forte da série Battlefield sempre foi a sua vertente multiplayer, pela imensidão dos mapas, o tamanho máximo das equipas, a versatilidade na jogabilidade de cada classe de soldado e, claro, a grande variedade de armas, equipamento e veículos que podemos operar. Noutra vida, gastei muitas horas com o multiplayer do Battlefield 3 e tenho vindo a espreitar um pouco dessa componente nos jogos que lhe seguiram. Este Battlefield 6 é a excepção, pois é o primeiro jogo da série que compro para consolas (vamos fazer de conta que o Battlefield 2: Modern Combat não existe) e, como bem devem saber, tanto a Xbox como a PlayStation obrigam a subscrições de serviços para permitir jogar online, algo que eu não me dignei a fazer. O meu exemplar foi comprado no final de Agosto, numa campanha da Worten, por menos de 20€.
Este artigo irá então incidir na campanha e nas mecânicas de jogo no geral que iremos encontrar ao longo da mesma. No entanto, tenho de começar por admitir que me faltou aqui uma peça no seguimento evolutivo da série. Esqueci-me completamente que o Battlefield V existia (e ainda por cima é um regresso ao tema da Segunda Guerra Mundial que tanto gosto), pelo que poderei estar a assumir, erradamente, como “novidade” alguma mecânica que já havia sido introduzida anteriormente. A narrativa de Battlefield 6 leva-nos uma vez mais aos tempos modernos, num conflito global entre as forças da NATO e uma organização militar privada, a Pax Armata, que veio a ganhar muito poder e influência nos anos que antecederam esse conflito. Apesar da “globalidade” do conflito, iremos jogar sempre com um esquadrão de elite de uma unidade dos Marines norte-americanos. Infelizmente, apesar de alguns bons momentos de acção, achei a narrativa muito fragmentada e algo desinteressante. Para além disso, as campanhas de Battlefield tradicionalmente serviram para, no meio de uma narrativa boa ou má, introduzir toda uma série de conceitos que iríamos mais tarde explorar na vertente multiplayer, onde seguramente passaríamos muito mais horas. E isto não acontece totalmente aqui.
No que toca à jogabilidade, Battlefield 6 é um first person shooter moderno com vida regenerativa, checkpoints automáticos e, apesar do extenso arsenal a que temos acesso, apenas poderemos carregar duas armas de fogo em simultâneo. Bom, na verdade, BF6 é um pouco mais generoso pois, para além das duas armas, temos espaço para mais três equipamentos especiais, onde se podem enquadrar diferentes tipos de explosivos, lança-rockets ou equipamentos diversos, como visão nocturna. Temos também um slot para granadas, que pode ser preenchido por granadas de vários tipos, como incendiárias, de fragmentação ou flashbangs. Os controlos em si são tão simples, intuitivos e standard que os botões faciais e gatilhos possuem as funções que esperaria encontrar ao pressioná-los. Uma “novidade” interessante, apesar de já a ter visto noutros jogos de acção tácticos, está no pressionar do botão LB. Este leva-nos a uma interface onde poderemos escolher uma série de acções, como usar granadas nalgum ponto de interesse, fazer spotting de inimigos (assinalando-os na nossa interface), usar fogo de supressão ou granadas de fumo para mascarar os nossos movimentos. Sinceramente, a habilidade que mais usei (sempre que possível) foi a de spotter para marcar os inimigos no ecrã. Muito útil nos tiroteios mais intensos!
De resto, tal como é habitual na série, teremos acesso a uma imensidão de armas diferentes e felizmente não nos faltam pontos de reabastecimento de munições, independentemente das armas que tenhamos equipadas. A condução de veículos também é algo que caracteriza esta série mas, ao longo desta curta campanha, não temos a possibilidade de conduzir todos os veículos disponíveis. Apenas poderemos conduzir alguns veículos ligeiros, como motos, jipes “técnicos” com metralhadoras pesadas montadas no chassis ou, numa missão em específico, um tanque pelas ruas do Cairo antigo. Controlar veículos aéreos, como helicópteros ou caças, uma parte habitualmente integrante das partidas multiplayer na série, está completamente ausente da campanha, infelizmente.

Tecnicamente, Battlefield 6 é um jogo impressionante do ponto de vista audiovisual, como a DICE e o seu motor gráfico Frostbite já nos habituaram desde que foram introduzidos na série. Apesar da curta campanha, a mesma leva-nos por locais algo distintos entre si, desde a cidade mediterrânica de Gibraltar, ao interior da Geórgia, passando pelas ruas do Cairo ou por cenários mais urbanos, como os arredores habitacionais de Nova Iorque. Tudo isto com um excelente detalhe gráfico, tanto nas texturas e modelos poligonais como nas animações, efeitos de luz e física. No entanto, devo dizer que, pelo menos nesta versão Xbox Series X, notei imensos bugs, particularmente no comportamento de certos inimigos, que por vezes ficavam congelados a olhar para o infinito, ou algo ainda mais bizarro: os controlos pura e simplesmente deixarem de responder em certas ocasiões. Já no que toca ao som, nada de especial a apontar. Todos os efeitos sonoros parecem estar spot-on e, apesar de não ter achado a narrativa particularmente empolgante, tal não é culpa dos actores, pois as suas falas são bastante competentes. Tudo óptimo com a banda sonora, apesar de uma colaboração com os Limp Bizkit soar completamente desproporcionada.

Portanto, Battlefield 6 possui uma campanha curta e, infelizmente, não tão empolgante como a de outros videojogos do género, mesmo dentro da própria série Battlefield. Ainda assim, e apesar de alguns problemas ocasionais que revelam uma certa falta de polimento, não deixou de ser uma experiência agradável como um todo. Mas Battlefield é, sem dúvida, muito mais satisfatório no multiplayer e aí acredito que continue a ser bastante robusto nesta iteração.



