Robocop: Rogue City (Sony Playstation 5)

Fui recentemente desafiado, no âmbito da rubrica Backlog Battlers do podcast TheGamesTome a jogar este Robocop: Rogue City, um first person shooter com algumas similaridades com o Terminator: Resistance, pois não só é também um FPS baseado numa propriedade intelectual muito popular no cinema de acção, como foi um jogo desenvolvido pelo mesmo estúdio. O meu exemplar foi comprado algures em Agosto do ano passado na loja PressStart, tendo-me custado quase 16€. Infelizmente só me vim a aperceber, mais tarde, que a Xbox também recebeu uma edição física, não só do jogo base como da sua expansão Unfinished Business. Se tivesse sabido disso, provavelmente teria antes comprado a versão Xbox, meramente por uma questão de preferência pessoal. Entretanto, e tal como é habitual em artigos deste género, deixo-vos abaixo o vídeo do Backlog Battlers onde me poderão ouvir a dar a minha opinião do jogo.

A história deste Rogue City decorre algures após os eventos narrados no Robocop 2, onde Detroit continua a ser uma cidade massacrada por crime violento. O jogo abre precisamente com um desses gangues a invadir o estúdio televisivo transmitia as notícias em directo, fazendo uns quantos reféns. Esta será portanto a nossa primeira missão, que servirá também de tutorial para aprender todas as mecânicas base que o jogo nos oferece. No entanto, no final da missão, Robocop sofre um aparente glitch que deixou as vidas dos civis em risco, algo que manchou a sua imagem no seio da comunidade de Detroit. Ainda assim, esta missão serve então de introdução para o surgimento de novos e violentos gangues de crime organizado, que iremos aproveitar para combater ao longo da aventura.

Jogo com caixa

No que toca às mecânicas de jogo, este Robocop Rogue City é um FPS da velha guarda, com tiroteios violentos, intensos e que consegue mesmo passar a sensação de estarmos a pilotar um autêntico tanque: Robocop move-se lentamente e é capaz de aguentar com bastante dano, o que ajuda com uma jogabilidade mais despreocupada na fase inicial do jogo. Naturalmente, à medida que vamos progredindo, vão surgindo inimigos com armas capazes de nos causar dano considerável, como lança rockets, espingardas de longa distância ou metralhadoras pesadas, que nos obrigarão a jogar de forma mais cuidada. O jogo herda também mecânicas ligeiras de RPG, onde matar inimigos, cumprir missões (mesmo que opcionais) e descobrir certos coleccionáveis nos recompensa com pontos de experiência. Sempre que coleccionemos 1000 pontos de experiência somos recompensados com um skill point que poderá ser utilizado para customizar as nossas habilidades, melhorando características como regeneração parcial de vida, dano infligido, defesa, entre muitas outras possibilidades que acabarão por nos ajudar a ultrapassar certos confrontos mais exigentes. Habilidades adicionais como dodge, câmara lenta temporária, granadas atordoantes surgem através destas customizações.

Com Robocop, temos uma ajuda na mira que salienta os inimigos no ecrã

Por defeito, Robocop está munido da sua pistola Auto 9, com munição ilimitada e poderemos a qualquer momento equipar uma segunda arma. A Auto 9, no entanto, também poderá ser customizada a partir de certo ponto no jogo, ao equipar diferentes motherboards, que poderão ser mantidas e evoluídas com certos componentes electrónicos e que também melhorarão a Auto 9 de diferentes formas. Perto do fim do jogo, a minha Auto 9 possuía munição infinita sem necessidade de a recarregar, disparos automáticos e dano altamente expandido, pelo que praticamente deixei de precisar de usar outras armas.

Tal como o primeiro filme, Robocop é talmbém um jogo super violento!

De resto, a narrativa também nos leva a tomar certas decisões ao longo do jogo, que irão afectar não só o decorrer de algumas das missões, como também o final do mesmo. Por exemplo, é frequente termos de revisitar a baixa de Detroit onde muitas vezes encontraremos cidadãos a infringir algumas leis, sejam carros mal estacionados, sem-abrigo a beber álcool em público, entre muitas outras situações. As escolhas que tomamos, ao multar multar os civis ou deixá-los escapar com um aviso são ambas escolhas válidas e poderão mudar a maneira como os civis nos vêm, influenciar as escolhas possíveis e o decorrer da narrativa. Uphold the law ou serve the public’s trust, são ambas directivas válidas para o Robocop.

Ocasionalmente poderemos revisitar a baixa da cidade de Detroit onde teremos muitas sidequests para fazer em cada visita

Visualmente, a Teyon procurou tornar o jogo o mais fiel possível aos filmes, recuperando a aparência (e vozes) não só do próprio Robocop, como as de várias outras personagens, como é o caso da sua companheira Anne Lewis, o Sargento Warren Reed ou o CEO da OCP, The Old Man. O jogo foi desenvolvido recorrendo ao motor gráfico Unreal Engine 5, e isso nota-se no detalhe visual das personagens e cenários. As animações, no entanto, ainda deixam um pouco a desejar e ocasionalmente encontrei alguns bugs que me levaram a forçar um reset ao jogo. A partir de certa altura começou a ser notório um desfasamento entre as vozes e a acção, e até a degradação progressiva do som como um todo, algo resolvido depois de desligar o jogo e voltar a lançá-lo. O voice acting em si é bastante competente, até por terem recrutado muitos dos actores que personificaram muitas destas personagens nos filmes. Nada de especial a apontar à banda sonora, a não ser a introdução de uma ou outra faixa mais rock que se ia ouvindo recorrentemente e que pessoalmente até me agradou.

Rogue City utiliza o Unreal Engine 5, o que resulta em bonitos gráficos, no entanto as animações estão longe de serem as mais fluídas

Portanto Rogue City também dá a sensação de ser um jogo que tenta fazer muita coisa diferente, mas no fim acaba por não conseguir fazer nada de forma excelente. As suas imperfeições audiovisuais e bugs ocasionais mostram que este jogo é eurojank no seu esplendor, o que não é necessariamente uma má coisa. Ainda assim sinto que a narrativa poderia ter sido melhor conduzida. Suponho que, no entanto, apesar dos seus pequenos problemas, até tenha sido um jogo bem recebido, pois a Teyon acabou por lançar, mais tarde, uma expansão standalone chamada de Unfinished Business, que planeio comprar e jogar em breve, assim que a encontrar a um preço mais apetecível.

Terminator: Resistance – Complete Edition (Microsoft Xbox Series X)

Ora cá está um daqueles jogos que, se não me tivessem dito que era bastante competente e interessante, muito provavelmente nunca o teria comprado, já que me passou completamente ao lado. Produzido pelo estúdio polaco Teyon, Terminator: Resistance é um first person shooter baseado na conhecida saga de filmes de acção, lançado originalmente em 2019 para PC, PS4 e Xbox One. Em 2021 surgiu uma versão Enhanced para a PS5, com melhorias gráficas e de performance, além de já incluir um DLC. No entanto, apenas em 2023 foi finalmente lançada uma versão para a Xbox Series, trazendo todas as melhorias da edição Enhanced e incluindo todos os DLCs. Ao saber que esta era a versão mais completa e que contava também com lançamento físico, acabou por ser a que procurei adquirir, o que aconteceu nesta última Black Friday, tendo-me custado cerca de 30€ na Amazon.

Jogo com caixa

A história segue o lore estabelecido nos dois primeiros filmes da saga Terminator. A narrativa transporta-nos para um futuro pós-apocalíptico onde a Skynet se revolta contra a raça humana e, após despoletar um cataclismo nuclear que dizimou grande parte da população, procura exterminar os sobreviventes através de vários tipos de robots criados para esse efeito. Controlamos Jacob Rivers, o último sobrevivente de uma célula da resistência que foi praticamente aniquilada por um novo tipo de exterminador, os infiltradores, indistinguíveis dos humanos à primeira vista, à excepção da sua força devastadora. A aventura começa com o protagonista completamente indefeso, em fuga constante de vários robots, até que, juntamente com outros sobreviventes, consegue chegar a um abrigo seguro. Ao explorar as imediações em busca de armamento e recursos, entramos finalmente em contacto com o resto da resistência, que começa a delinear um plano para atacar a Skynet em força.

Desde cedo que podemos activar um visor que nos permite localizar os inimigos próximos, mesmo que estejam por detrás de paredes.

Estamos perante um first person shooter que integra um conjunto bastante sólido de mecânicas de RPG. Ao derrotar inimigos ganhamos experiência, que nos permite subir de nível e evoluir várias habilidades. Existe também um sistema de crafting, através do qual podemos criar medkits, munições, engenhos explosivos e outras utilidades. Durante a exploração encontraremos portas e baús trancados, que podem ser abertos recorrendo à habilidade de lockpicking. Algumas portas e torres de metralhadoras das instalações da Skynet podem igualmente ser acedidas via hacking. Em ambos os casos, o sucesso depende da resolução de pequenos mini-jogos, sendo que a evolução das respectivas habilidades aumenta as probabilidades de êxito. O mesmo se aplica ao crafting, já que melhorar as habilidades associadas desbloqueia novas opções de criação de itens. As mecânicas de RPG estendem-se também à exploração e à vertente narrativa, permitindo-nos interagir com vários NPCs, cujas respostas podem ter algum impacto no desenrolar da história. Estes personagens oferecem ainda diversas sidequests opcionais, que enriquecem o mundo do jogo.

O jogo tem também várias mecânicas de RPG, incluindo vários NPCs com os quais podemos interagir

O jogo apresenta também uma componente de acção furtiva bastante relevante, sobretudo na primeira metade da campanha. Nesta fase, as armas de fogo convencionais revelam-se pouco eficazes contra os exterminadores, obrigando-nos a avançar de forma mais cautelosa e a evitar confrontos directos sempre que possível. A dinâmica muda significativamente quando desbloqueamos as armas de plasma, momento em que os papéis se invertem e os outrora imponentes T-800 passam a ser adversários bem mais frágeis. Ocasionalmente surgem inimigos de maior porte, como os hunter killers, que exigem estratégias ou armamento específico, mas no geral considero que o jogo consegue equilibrar bem a acção mais frenética típica do género com a furtividade, a exploração e as mecânicas de RPG. Existem níveis bastante lineares e focados exclusivamente na acção, mas também mapas mais amplos, que oferecem total liberdade de exploração e a possibilidade de completar objectivos e sidequests opcionais.

O DLC Annihilation Line coloca-nos a interagir com Kyle Reese, personagem principal do primeiro filme

Tal como referido, esta versão inclui vários DLCs. Annihilation Line é uma campanha adicional que decorre algures a meio da narrativa principal. Aqui voltamos a controlar Jacob Rivers, agora acompanhado por Kyle Reese, protagonista do primeiro filme, e mais duas personagens, numa missão importante e envolta em mistério atribuída pelo próprio John Connor. Trata-se de um DLC com uma duração considerável, composto por seis níveis distintos, alguns deles bastante extensos e recheados de objectivos opcionais. Existe ainda o modo Infiltrator, onde assumimos o controlo de um exterminador. Este modo funciona como uma espécie de roguelike, com um mapa fixo mas povoado de forma aleatória. O objectivo passa por localizar um bunker da resistência e assassinar o seu líder, sendo necessário recolher documentos de inteligência que revelam gradualmente novos pontos de interesse, até que a localização final seja descoberta. Como é típico do género, temos apenas uma vida, sendo que a única forma de recuperar energia passa por recolher peças de outros exterminadores ou robots derrotados durante a exploração.

Já no DLC infiltrator controlamos um exterminador, onde poderemos utilizar o seu típico de infra vermelhos

No que toca ao audiovisual, não considero que este seja um jogo particularmente impressionante. Mesmo na geração da Xbox One ou PS4, e quase arriscaria dizer na anterior, existem vários títulos com uma fidelidade técnica superior. Os modelos poligonais e as animações dos NPCs são bastante modestos e os gráficos, no geral, ficam aquém da média. Apesar de o cenário pós-apocalíptico justificar a predominância de ambientes em ruínas, o principal problema não é a falta de variedade de cenários ou inimigos, mas sim o facto de o jogo ser tecnicamente pouco ambicioso. Já no departamento sonoro, o balanço é mais positivo. O voice acting é competente e a banda sonora inspira-se claramente nos temas dos dois primeiros filmes, algo que pessoalmente me agradou bastante.

No final de contas, apesar de Terminator: Resistance não ser um jogo tecnicamente muito competente, consegue compensar com mecânicas de jogo sólidas, um sistema de crafting robusto, níveis amplos e cheios de conteúdo opcional e, acima de tudo, uma adaptação bastante respeitosa e eficaz ao universo da saga Terminator. O mesmo estúdio, que no passado lançou um shooter do Rambo que foi alvo de duras críticas, acabou por surpreender mais tarde com um outro first person shooter, desta vez baseado na saga Robocop. Deste último também me chegou algum feedback positivo, pelo que deverá ser um jogo a que pretendo pegar em breve.