Gauntlet IV (Sega Mega Drive)

A história por detrás deste Gauntlet IV é no mínimo curiosa. O que começou por um projecto entre amigos (que mais tarde viriam a ser conhecidos por M2 e responsáveis por algumas das melhores conversões de jogos clássicos da Sega) do Gauntlet original para o computador japonês X68000 da Sharp, acabou por ser reconhecido pela Tengen, que contratou a equipa para produzir esta versão para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado no mês passado numa feira de velharias por 10€.

Jogo com manual português. Não sei o que faziam ao manual multi cá, mas nunca apanhei nenhum com esse.

E apesar deste jogo ter Gauntlet IV no nome, é mais do que uma sequela, pois também inclui uma adaptação do original arcade, que já aqui tinha trazido a sua versão Master System no passado, e agora com suporte a 4 jogadores em simultâneo, tal como o original. Aqui teremos uma enorme dungeon para atravessar, com níveis gerados aleatoriamente e dezenas de inimigos para enfrentar. Sobreviver e amealhar tesouros para aumentar a nossa pontuação é o objectivo, pois supostamente é um jogo sem fim. Como referi acima, teremos dezenas de inimigos para enfrentar em cada nível, cujos vão vazendo respawn constante enquanto não destruirmos os seus respawn points. Para além disso, a nossa barra de vida vai decrescendo continuamente à medida em que caminhamos, sofrendo ainda rombos maiores quando formos atacados, pelo que teremos de ter algum cuidado redobrado ao explorar os níveis. Teremos também vários power ups para apanhar e usar, mas temos de ter cuidado para não os destruir, o que não é fácil visto que temos mesmo muitos inimigos para enfrentar.

Para além do novo quest mode, temos aqui também uma conversão do clássico original

Mas vamo-nos focar no Quest Mode, este que é sem dúvida a razão pela qual o jogo se chama de Gauntlet IV. Aqui podemos escolher uma vez mais o nosso guerreiro de entre 4 classes disponíveis, cada qual com as suas características, e é-nos contada a história por detrás do jogo. Basicamente representamos um aventureiro genérico que vai tentar a sua sorte ao explorar um enorme castelo, repleto de inimigos e armadilhas, em busca de uma misteriosa recompensa se conseguir chegar ao final. Para além de ter uma história, em que mais se diferencia este Quest Mode do original? Basicamente incluiram mais conceitos de RPG, como pontos de experiência, lojas que nos vendem equipamento e mais itens especiais para descobrir e usar. Aqui teremos de explorar 4 torres distintas, dedicadas aos 4 elementos de Terra, Ar, Fogo e Água, cada qual com 10 andares, para desbloquear a dungeon final, também com 10 andares. Tal como na versão arcade as mesmas mecânicas de jogo se aplicam, com a adição dos tais pontos de experiência que nos irá permitir evoluir os nossos stats e o facto de podermos comprar/equipar diferentes armas e equipamento. Creio que é um modo de jogo com níveis ainda mais labirínticos e que nos obrigará a mais backtracking para descobrir todos os seus segredos. Isto com multidões de monstros a quererem-nos limpar o sebo, claro.

No quest mode, ao pressionar o botão Start leva-nos para o Camp Menu, onde podemos evoluir a nossa personagem e verificar o equipamento

Para além destes dois modos de jogo, a M2 presenteou-nos com mais conteúdo ainda. Temos também o Battle Mode que é basicamente o multiplayer competitivo de 2 a 4 jogadores e que nos colocará à pancada entre todos, bem como o Record Mode, que confesso que não perdi grande tempo. Parece ser ainda mais focado na pontuação que a versão arcade.

A nível audiovisual confesso que o jogo foi uma boa surpresa. O Gauntlet original não é propriamente um jogo que seja lindíssimo, mas o seu grande número de sprites no ecrã em simultâneo sempre foi algo que impressionou. E esta versão Mega Drive, para além de ser uma óptima conversão do original, inclui também o Quest Mode que possui gráficos um nadinha superiores. Mas o que mais gostei foi sem dúvida das músicas que ficaram excelentes. Nada a apontar aos efeitos sonoros também, que incluem algumas vozes digitalizadas de boa qualidade.

O dinheiro que vamos amealhando pode ser usado para comprar itens e equipamento em lojas específicas

Portanto devo dizer que este Gauntlet IV acabou por se revelar uma óptima surpresa, quanto mais não seja pelo Quest Mode que o aproxima mais de um verdadeiro RPG de acção. Mas mesmo aí é bastante desafiante e temos mesmo de jogar com uma mentalidade de sobrevivência e apenas procurar o conflito quando estritamente necessário.

Asterix and the Secret Mission (Sega Master System)

Voltando à Master System, vamos agora ficar com o último jogo da saga Astérix a sair para esta plataforma. Ao contrário do Astérix and the Great Rescue, cujo desenvolvimento tinha ficado ao cargo da britânica Core Design, este Astérix and the Secret Mission acabou por ficar novamente com a própria Sega, que já tinha feito um bom trabalho no primeiro Astérix. E este Secret Mission segue precisamente a fórmula do primeiro jogo, o que não é uma má ideia de todo, embora estivesse à espera de mais novidades. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Junho na loja 1Up, tendo-me custado cerca de 11€.

Jogo com caixa

A história por detrás deste jogo é simples: o druida Panoramix ficou sem os ingredientes necessários para produzir mais da sua poção mágica e a dupla Astérix e Obélix irão percorrer meio mundo para os encontrar, antes que as legiões romanas se apercebam e invadam a aldeia gaulesa. Tal como no primeiro Astérix iremos poder optar por jogar com qualquer uma das personagens, que por sua vez possuem diferentes habilidades. Astérix é mais ágil, podendo efectuar duplos saltos, correr, esgueirar-se por passagens estreitas e usar poções mágicas com diferentes efeitos. Já Obélix é mais forte, é capaz de desencadear um poderoso ataque depois de saltar, bem como atirar menires para os inimigos romanos.

Ocasionalmente teremos alguns desafios interessantes

Para além disso, os níveis vão sendo algo diferentes entre si, de forma a usar as habilidades de cada um. Algumas zonas são inteiramente exclusivas de cada personagem, como uns níveis gelados para o Astérix, ou uma pirâmide egípcia no caso do Obélix. De resto, as mecânicas de jogo são as de um simples jogo de plataformas, com um botão para saltar, outro para atacar e algumas combinações de botões que nos permitem usar as habilidades de cada um. Alguns níveis também terão desafios de platforming mais exigentes, ou alguns pequenos puzzles para resolver.

As ondas neste nível ficaram muito bem conseguidas!

No que diz respeito aos audiovisuais, mais uma vez estamos perante um jogo de plataformas muito bem conseguido, repleto de cores vívidas e personagens muito bem detalhadas para um sistema 8bit, embora ainda se note alguns slowdowns quando temos mais que 1 inimigo presente no ecrã em simultâneo. Gosto particularmente do efeito das ondas no nível do surf do Astérix! Já as músicas… bom sinceramente essas já não achei grande coisa.

Portanto este Astérix and the Secret Mission é mais um óptimo jogo de plataformas que recomendo vivamente, particularmente a quem gostou do primeiro jogo! Temos também uma versão para a Game Gear que é virtualmente idêntica, apesar de correr num ecrã menor e com a imagem algo ampliada para melhor acomodar-se num sistema portátil.

Star Wars: Shadows of the Empire (Nintendo 64 / PC)

Ora cá está um jogo que não resistiu bem ao teste do tempo. Lançado originalmente para a Nintendo 64 (supostamente estava para ser um título de lançamento), este é um produto da LucasArts que visava expandir o universo Star Wars nos videojogos e banda desenhada, ao contar uma história secundária, também protagonizando por uma personagem secundária. Lançado próximo da janela de lançamento da Nintendo 64, o jogo acabou por receber também uma conversão para o PC no ano seguinte. O meu exemplar da Nintendo 64 foi comprado online no passado mês de Junho por cerca de 14€, enquanto a versão PC possuo uma cópia digital no steam que veio de algum bundle baratinho.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história decorre algures entre os filmes do Empire Strikes Back e o Return of the Jedi, protagonizando o mercenário Dash Rendar (que muito faz lembrar o Han Solo) e seu robot Leebo. Começamos por participar na batalha de Hoth, onde as forças Imperiais atacam os rebeldes naquele planeta gelado e, tal como no filme, teremos de destruir algumas forças inimigas a bordo de um snowspeeder, incluindo fazer tropeçar uns quantos AT-ST. Depois temos uma secção onde jogamos a pé, defendendo a base rebelde de forças Imperiais, enquanto procuramos alcançar a nossa nave espacial e escapar dali para fora. A fase seguinte do jogo já decorre algum tempo depois, onde estamos no encalço de Boba Fett para recuperar o corpo de Han Solo e pelo meio iremos claro também tropeçar numa grande conspiração montada pelos Sith.

Creio que aqui foi mesmo a primeira vez que pudemos participar na batalha de Hoth desta forma

Portanto este Shadows of the Empire é um jogo de acção, que tanto vai tendo níveis onde controlamos Dash a pé como se um shooter na terceira (ou primeira) pessoa se tratasse, mas também temos outros que envolvem naves espaciais ou outros veículos, como a já referida batalha de Hoth logo no início do jogo, algumas batalhas a bordo da própria nave de Dash, ou uma interessante perseguição de motos em Tatooine. O seu maior problema, tal como muitos jogos 3D desta era, são os seus maus controlos e controlo de câmara, algo especialmente notório na versão Nintendo 64. No PC as coisas são um pouco melhores mas mesmo assim, devo dizer que tive mais dificuldade em controlar os veículos com o rato do que com o teclado. Já no que diz respeito às mecânicas de jogo, Dash não é um Jedi nem nada que se pareça, pelo que não usamos light sabers nem poderes da Força. Começamos por ter à nossa disposição um blaster de munição ilimitada, mas acabaremos por encontrar também outras armas (estas já de munições limitadas) ao longo do jogo, bem como alguns medkits que tanto jeito nos vão dar, especialmente na versão Nintendo 64 devido aos maus controlos. Outros itens que podemos encontrar poderão ser vidas extra ou os tais challenge points, que nos podem desbloquear uma série de batotas, caso os encontremos todos.

A versão Nintendo 64 não possui voice acting nem cutscenes em CGI mas até gostei desta abordagem

Já no que diz respeito aos audiovisuais, vamos por partes. A versão Nintendo 64 apresenta uns gráficos ainda muito rudimentares, com as personagens (principalmente a do próprio Dash) ainda a terem pouco detalhe poligonal. Os níveis, apesar de até serem algo variados entre si nos cenários que nos apresentam, estão repletos de texturas simples, de baixa resolução e com uma geometria ainda muito “quadrada”. Para além disso, muitos dos níveis onde controlamos o Dash a pé, estão repletos de estreitas passagens com abismos profundos, o que, num jogo com mais controlos e má câmara, não é muito boa ideia. Naturalmente a versão PC possui gráficos melhores, com as texturas de maior resolução, embora a geometria algo rudimentar dos níveis ainda se mantenha. A versão PC no entanto não é um jogo que seja suportado nativamente por sistemas operativos modernos e, mesmo no caso das versões disponíveis no steam ou gog terem sido algo optimizadas nesse aspecto, ainda estão longe de estar perfeitas. Escolhendo resoluções muito altas torna o HUD e todas as restantes mensagens de texto que eventualmente poderao surgir no ecrã demasiado pequenas, bem como estragando algumas das cutscenes. Cutscenes essas que são em CGI na versão PC e imagens estáticas ou pouco animadas na versão Nintendo 64, se bem que até nem desgostei do resultado das mesmas na consola da Nintendo. No que diz respeito ao som, esperem pelas habituais músicas da saga Star Wars enquanto vamos jogando, nada de especial a apontar aqui. No entanto, a versão PC leva uma vez mais a melhor, pois para além das músicas terem mais qualidade, esta versão inclui também várias vozes, o que não acontece na Nintendo 64.

Infelizmente nem a versão PC envelheceu tão bem assim. Mesmo a nível de controlos deixa algo a desejar

Portanto este Star Wars Shadows of the Empire já ficou riscado da minha lista. Era um jogo que sempre tive alguma curiosidade em jogar e, embora não tenha envelhecido nada bem, tanto a nível audiovisual como em mecânicas de jogo, é inegável que a LucasArts se tenha esforçado bastante para apresentar um excelente videojogo. Mas jogos de acção em 3D ainda eram algo que a indústria ainda estava longe de encontrar um standard em termos de controlos, mecânicas de jogo e afins, pelo que, a meu ver, muitas das fraquezas deste jogo acabam por ser desculpáveis. Mas serviu de pedra de lançamento para outros jogos bem mais interessantes da franchise que lhe seguiram, como Rogue Squadron ou Jedi Knight.

Zombies (Super Nintendo)

Continuando pelas rapidinhas, embora este jogo até merecesse um artigo bem mais extenso, a razão pela qual não o faço é porque já cá trouxe a versão para a Mega Drive, que analisei mais extensivamente no passado. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Junho, na loja Ingame em São João da Madeira, tendo-me custado 30€ e está completo.

Jogo com caixa e manuais

Recomendo vivamente que leiam o artigo da versão Mega Drive, pois aqui vou fazer apenas algumas breve menções nas diferenças entre ambas as versões. A Super Nintendo foi a consola que serviu de base para a criação deste jogo, e a meu ver acaba também por levar a melhor particularmente nos seus audiovisuais. A nível gráfico como seria de esperar a versão SNES é bem mais colorida e para além disso os níveis possuem um pouco mais de detalhe quando comparados à versão Mega Drive. Mas a diferença mais notória é,  mesmo a existência de uma barra vertical do lado direito, com o radar, a barra de vida e as armas e itens seleccionados no momento, que retira algum do campo de visão. Isto na versão Mega Drive, claro. Na Super Nintendo a barra de vida e armas/itens seleccionados estão sobrepostos à área de jogo na parte superior do ecrã, já o radar teremos de o activar/desactivar manualmente, sobrepondo-se também à área de jogo, se bem que possui um fundo transparente. As músicas e efeitos sonoros também ficaram mais bem conseguidas nesta versão.

A versão SNES é mais colorida, melhor detalhada e joga-se igualmente bem!

Já no que diz respeito à jogabilidade, essa felizmente continua excelente, com as mesmas mecânicas de jogo. Os botões extra no comando da SNES permitem-nos mapear melhor cada acção, embora esse problema deixa de existir na Mega Drive caso usemos um comando de 6 botões. De resto, o único problema que aponto aqui é mesmo no grande número de níveis e, apesar de ser um jogo extremamente divertido pela grande variedade de armas ou itens que podemos usar e segredos para descobrir, o facto de possuir cerca de 50 níveis acaba por torná-lo um pouco repetitivo ao fim de algum tempo.

Jill of the Jungle (PC)

Voltando às rapidinhas, mas agora no PC, vamos ficar com mais um título que marcou a minha infância, a Jill of the Jungle da Epic, quando ainda se chamava Epic MegaGames. Este é um jogo de plataformas com uma protagonista feminina, dividido em 3 capítulos distintos onde o objectivo final será o de salvar um príncipe que tinha sido aprisionado por uns vilões quaisquer. É um twist diferente da habitual fórmula da damsel in distress. O meu exemplar foi adquirido no site do GOG, algures no mês passado. É um título que está (ou estava) gratuito na plataforma, pelo que recomendo que o vão lá buscar.

Jill of the Jungle é um jogo de plataformas algo simples, onde temos um botão para saltar e um outro para atacar, mas apenas podemos atacar quando encontrarmos alguma arma, que pode ser uma faca ou uma espécie de shuriken, que tanto uma como a outra são atiradas e acabam por voltar para as nossas mãos, tal como um bumerangue. Na verdade até podemos ter mais que uma arma ao mesmo tempo e lançá-las consecutivamente! De resto, contem também com a habitual exploração dos níveis à procura de chaves que nos desbloqueiem outras passagens, bem como alguns puzzles que envolvem alavancas ou interruptores. Para além disso, ocasionalmente teremos de nos transformar noutros animais, como um peixe para explorar zonas subaquáticas, um pássaro de fogo que nos permite explorar zonas com lava, ou um sapo que, para além de ser anfíbio, também nos permite saltar mais alto.

Graficamente é um jogo que apesar de colorido, é muito peculiar no seu design

Um outro detalhe interessante é a forma como é feita a progressão entre níveis. No primeiro episódio, temos um nível que serve de hub, onde iremos encontrar e desbloquear as entradas para os restantes níveis. Já no segundo episódio, os níveis vão-se desenrolando de forma sequencial, com passagem directa de uns para os outros. Por fim, no último capítulo, poderemos explorar o mapa mundo numa vista aérea, encontrando e desbloqueando as entradas para os níveis em si.

Ocasionalmente encontramos ícones que nos transformam em animais com diferentes habilidades

No que diz respeito aos audiovisuais, bom este é um jogo algo estranho nesse aspecto. Por um lado já é um jogo que suportava sistemas VGA, com uma palete de cores bem mais rica. Por outro os mundos que podemos explorar são muito… quadrados, com criaturas e cenários algo bizarras. Sinceramente acho que títulos como os últimos Commander Keen ou o Cosmo’s Cosmic Adventure, lançado pela Apogee no mesmo ano que este Jill of the Jungle, apesar de serem títulos que suportem apenas sistemas EGA, logo com uma paleta de cores bem mais reduzida, acabam por possuir níveis bem mais bem desenhados na minha opinião. Os efeitos sonoros e músicas tanto têm de bom, como de bizarro. Por vezes temos algumas músicas que são algo absurdas, outras já acabam por soar muito melhor. É um jogo algo inconsistente nos seus audiovisuais, mas confesso que os meus óculos de nostalgia também me podem toldar um pouco a minha opinião, pois no fundo eu continuo a gostar muito do jogo!