Star Wars: Shadows of the Empire (Nintendo 64 / PC)

Ora cá está um jogo que não resistiu bem ao teste do tempo. Lançado originalmente para a Nintendo 64 (supostamente estava para ser um título de lançamento), este é um produto da LucasArts que visava expandir o universo Star Wars nos videojogos e banda desenhada, ao contar uma história secundária, também protagonizando por uma personagem secundária. Lançado próximo da janela de lançamento da Nintendo 64, o jogo acabou por receber também uma conversão para o PC no ano seguinte. O meu exemplar da Nintendo 64 foi comprado online no passado mês de Junho por cerca de 14€, enquanto a versão PC possuo uma cópia digital no steam que veio de algum bundle baratinho.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história decorre algures entre os filmes do Empire Strikes Back e o Return of the Jedi, protagonizando o mercenário Dash Rendar (que muito faz lembrar o Han Solo) e seu robot Leebo. Começamos por participar na batalha de Hoth, onde as forças Imperiais atacam os rebeldes naquele planeta gelado e, tal como no filme, teremos de destruir algumas forças inimigas a bordo de um snowspeeder, incluindo fazer tropeçar uns quantos AT-ST. Depois temos uma secção onde jogamos a pé, defendendo a base rebelde de forças Imperiais, enquanto procuramos alcançar a nossa nave espacial e escapar dali para fora. A fase seguinte do jogo já decorre algum tempo depois, onde estamos no encalço de Boba Fett para recuperar o corpo de Han Solo e pelo meio iremos claro também tropeçar numa grande conspiração montada pelos Sith.

Creio que aqui foi mesmo a primeira vez que pudemos participar na batalha de Hoth desta forma

Portanto este Shadows of the Empire é um jogo de acção, que tanto vai tendo níveis onde controlamos Dash a pé como se um shooter na terceira (ou primeira) pessoa se tratasse, mas também temos outros que envolvem naves espaciais ou outros veículos, como a já referida batalha de Hoth logo no início do jogo, algumas batalhas a bordo da própria nave de Dash, ou uma interessante perseguição de motos em Tatooine. O seu maior problema, tal como muitos jogos 3D desta era, são os seus maus controlos e controlo de câmara, algo especialmente notório na versão Nintendo 64. No PC as coisas são um pouco melhores mas mesmo assim, devo dizer que tive mais dificuldade em controlar os veículos com o rato do que com o teclado. Já no que diz respeito às mecânicas de jogo, Dash não é um Jedi nem nada que se pareça, pelo que não usamos light sabers nem poderes da Força. Começamos por ter à nossa disposição um blaster de munição ilimitada, mas acabaremos por encontrar também outras armas (estas já de munições limitadas) ao longo do jogo, bem como alguns medkits que tanto jeito nos vão dar, especialmente na versão Nintendo 64 devido aos maus controlos. Outros itens que podemos encontrar poderão ser vidas extra ou os tais challenge points, que nos podem desbloquear uma série de batotas, caso os encontremos todos.

A versão Nintendo 64 não possui voice acting nem cutscenes em CGI mas até gostei desta abordagem

Já no que diz respeito aos audiovisuais, vamos por partes. A versão Nintendo 64 apresenta uns gráficos ainda muito rudimentares, com as personagens (principalmente a do próprio Dash) ainda a terem pouco detalhe poligonal. Os níveis, apesar de até serem algo variados entre si nos cenários que nos apresentam, estão repletos de texturas simples, de baixa resolução e com uma geometria ainda muito “quadrada”. Para além disso, muitos dos níveis onde controlamos o Dash a pé, estão repletos de estreitas passagens com abismos profundos, o que, num jogo com mais controlos e má câmara, não é muito boa ideia. Naturalmente a versão PC possui gráficos melhores, com as texturas de maior resolução, embora a geometria algo rudimentar dos níveis ainda se mantenha. A versão PC no entanto não é um jogo que seja suportado nativamente por sistemas operativos modernos e, mesmo no caso das versões disponíveis no steam ou gog terem sido algo optimizadas nesse aspecto, ainda estão longe de estar perfeitas. Escolhendo resoluções muito altas torna o HUD e todas as restantes mensagens de texto que eventualmente poderao surgir no ecrã demasiado pequenas, bem como estragando algumas das cutscenes. Cutscenes essas que são em CGI na versão PC e imagens estáticas ou pouco animadas na versão Nintendo 64, se bem que até nem desgostei do resultado das mesmas na consola da Nintendo. No que diz respeito ao som, esperem pelas habituais músicas da saga Star Wars enquanto vamos jogando, nada de especial a apontar aqui. No entanto, a versão PC leva uma vez mais a melhor, pois para além das músicas terem mais qualidade, esta versão inclui também várias vozes, o que não acontece na Nintendo 64.

Infelizmente nem a versão PC envelheceu tão bem assim. Mesmo a nível de controlos deixa algo a desejar

Portanto este Star Wars Shadows of the Empire já ficou riscado da minha lista. Era um jogo que sempre tive alguma curiosidade em jogar e, embora não tenha envelhecido nada bem, tanto a nível audiovisual como em mecânicas de jogo, é inegável que a LucasArts se tenha esforçado bastante para apresentar um excelente videojogo. Mas jogos de acção em 3D ainda eram algo que a indústria ainda estava longe de encontrar um standard em termos de controlos, mecânicas de jogo e afins, pelo que, a meu ver, muitas das fraquezas deste jogo acabam por ser desculpáveis. Mas serviu de pedra de lançamento para outros jogos bem mais interessantes da franchise que lhe seguiram, como Rogue Squadron ou Jedi Knight.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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