Robo Pit (Sega Saturn)

Vamos voltar agora para as rapidinhas e desta vez na Sega Saturn para um jogo bastante simples e aborrecido. Produzido pelos nipónicos Altron, este é um jogo onde nós podemos construir um robot à nossa medida para depois o lançar em confrontos de um contra um com outros robots. É só isso. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Março por cerca de 15€.

Jogo com caixa e manuais

O propósito do jogo é mesmo esse que referi acima. Apesar de o menu inicial estar repleto de opções, devemos começar sempre pela primeira, a Robot Making, onde iremos construir o nosso robot. Aí devemos escolher que tipo de corpo, sendo que cada tipo tem os seus próprios stats, qual a base, se com pernas, rodas, lagartas entre outros. Segue-se a escolha de armas, uma para cada braço, podendo estas serem apenas punhos, diferentes tipos de armas brancas ou de fogo. E claro, sendo este um jogo japonês temos também de escolher uma cara, que são todas bastante kawaii. Uma vez criado o nosso robot (podemos criar mais se quisermos), resta-nos então explorar os restantes modos de jogo. O modo principal é mesmo o Fight. Aí vemos que o nosso robot tem um ranking de 101 pelo que temos 100 outros robots acima de nós e o objectivo é os ir defrontando até chegar ao ranking de 1, onde desbloqueamos o boss final. A cada batalha ganha herdamos as armas dos robots que vamos derrotando, bem como ganhamos pontos de experiência que eventualmente nos fazem subir o nosso ranking, bem como pontos de experiência para cada uma das armas que tenhamos equipado. Por outro lado, se formos derrotados não só descemos de ranking mas também perdemos as armas equipadas até ao momento, pelo que é aconselhável ir fazendo alguns combates com outras armas de reserva, para que estas também dêm algum dano considerável. Ao seleccionar o oponente que queremos enfrentar vemos um ecrã que compara as armas de cada um e os seus stats. A excepção são alguns bosses que não têm stats visíveis e usam armas especiais. A vantagem de perder esses confrontos é que ao menos não perdemos as armas. De resto temos também um modo de jogo versus para 2 jogadores que eu nem sequer experimentei e um outro de training, onde poderemos até enfrentar mais que um robot em simultâneo.

Começamos por construir o nosso robot e as possibilidades de customização até são bem grandinhas. Pena que o design dos mesmos seja muito infantil também.

No que diz respeito à jogabilidade, o d-pad move o nosso robot, os botões de cabeceira são usados para movimento lateral e os faciais para as restantes acções: A e B atacam com o braço esquerdo e direito respectivamente, enquanto o C salta. X e Y defendem e o Z altera a câmara. As arenas atribuídas para cada combate são aleatórias, mas tipicamente estas possuem também uma série de objectos espalhados. Caso uma das nossas armas seja um punho simples, estes objectos podem então ser agarrados e atirados contra os nossos oponentes! No topo do ecrã temos algumas informações úteis como a barra de vida de cada robot e o tempo restante do combate. À direita da bara de vida de cada um existe também uma outra pequena barra de energia, sendo esta a dos specials. Quando a mesma se enche, cada robot tem também um golpe especial que poderá executar com uma sequência de botões. E é isto o Robo Pit, só fica mesmo faltar referir que cada combate é vencido por KO, ring out ou no caso de o tempo se esgotar, vence o que tiver mais vida.

É possível jogar cada combate em primeira pessoa o que até é algo engraçado no início

A nível audiovisual é um jogo misto. Graficamente achei super entediante. Os japoneses tipicamente têm muita imaginação para designs de robots e mechas mas estes são demasiados cartoon para o meu gosto. As arenas também são super simples no seu design e nota-se bem que este, apesar de já ter sido lançado em 1996, ainda tem um feeling muito de início de vida de jogos daquela geração. As músicas por outro lado, apesar de não serem assim tantas quanto isso, até que são bem agradáveis, tendo temas que vão desde a electónica ao hard rock. Uma cena bem irritante é a narração final de um combate, onde ouvimos uma voz a dizer “You Win!” mas com ambas as palavras espaçadas uns 5 segundos à vontade.

Antes de cada confronto podemos sempre comparar os stats e fazer algumas alterações. Não recomendo o auto fight a menos que sejamos bem mais fortes que o oponente.

Portanto este Robo Pit é um jogo bem mediano e aborrecido, tanto na jogabilidade por nos obrigar a jogar mais de uma centena de combates para o conseguir acabar, como é também aborrecido nos seus gráficos bem primitivos e datados. Mas deve ter vendido minimamente bem, pois a Altron acabou por lançar uma sequela, desta vez exclusiva para a Playstation e aparentemente até foi bem melhor recebida. Confesso que estou algo curioso e até é um jogo que tenho na colecção, mas não sinto nenhuma pressa em experimentá-lo.

The Curse of Monkey Island (PC)

Depois do final algo confuso do Monkey Island 2 e o facto de uma eventual sequela ter demorado tanto a se materializar, não é de admirar que muitos fãs pensassem que esta série não fosse ter mais nenhum seguimento. E na verdade foram quase 7 anos de espera e nesse período a indústria dos videojogos muito avançou. A proliferação do formato CD-ROM como meio principal de distribuição de videojogos fez com que as restrições de capacidade de cartuchos ou no caso dos computadores, disquetes, fossem uma coisa do passado e no caso das aventuras gráficas, se bem que estas já estariam a entrar num certo declínio, fez com que as empresas conseguissem apresentar mundos com muito mais detalhe, voice acting e sequências cinemáticas. A Sierra capitalizou muito bem essa tecnologia nas suas principais séries e a LucasArts também o fez, com lançamentos como Full Throttle ou The Dig. Mas eis que finalmente já no último trimestre de 1997 sai mais um Monkey Island e sim, a LucasArts conseguiu fazer algo muito especial. O meu exemplar foi comprado no ebay algures em Novembro do ano passado por cerca de 14€.

Jogo com a sua jewel case e 2 discos.

A história leva-nos a encarnar uma vez mais no pirata mais incompetente e sarcástico de todos os tempos, Guybrush Threepwood. Ele estava a vaguear no oceano a bordo de um carrinho de choque, mas sem entender muito bem o que lhe tinha acontecido. As correntes do oceano levam-no no entanto a chegar à Plunder Island, onde o pirata LeChuck estava em plena batalha para conquistar o coração de Elaine, interesse amoroso de ambos. Coisas acontecem, Guybrush é feito prisioneiro por LeChuck mas rapidamente nos desenvencilhamos da situação e derrotamos uma vez mais o capitão. Pelo meio Guybrush rouba a LeChuck um anel com diamante gigante e decide oferecê-lo a Loraine, pendindo-a em casamento. Para seu azar no entanto o anel era amaldiçoado e Elaine é transformada numa estátua de ouro maciça que entretanto é também roubada por outros piratas e LeChuck renasce novamente, agora com uma barba flamejante. O resto do jogo será então passado não só a tentar recuperar Elaine mas também quebrar a sua maldição e claro, derrotar uma vez mais LeChuck.

Logo na cutscene inicial nos apercebemos que o brilhante sentido de humor está intacto.

E este é, tal como esperado, mais uma aventura gráfica do estilo point and click com as habituais mecânicas de jogo deste género: o rato é usado para nos movimentarmos pelos cenários, interagir com personagens e objectos, combinar objectos com outros objectos e por aí fora. A interface foi no entanto simplificada quando comparada com os títulos anteriores. Pressionando o botão esquerdo do rato em qualquer local faz com que Guybrush se movimente para lá, já se passarmos o cursor por alguma personagem ou objecto interactivo, surge no fundo do ecrã uma legenda que os identifique. Clicando no mesmo botão e mantendo-o pressionado faz no entanto surgir um pequeno menu que nos permite seleccionar uma de 3 opções: observar, tocar/interagir ou falar. O botão direito do rato serve para chamar o inventário, onde poderemos seleccionar o mesmo tipo de opções com os objectos lá guardados. Uma novidade aqui introduzida é um nível de dificuldade que poderemos escolher no início do jogo. Não que seja possível morrer neste jogo, mas no nível de dificuldade mais avançado (Mega Monkey) os puzzles são bem mais complexos e com soluções mirabolantes. Por exemplo, a certo ponto temos de encontrar um objecto de ouro e o dono de um “restaurante” tem um dente de ouro. Parte da solução passa por lhe oferecer uma pastilha elástica que lhe faz desprender o dente, rebentar um balão de pastilha elástica com o dente lá solto, apanhar o dente e sair. Na dificuldade mais elevada, toda a solução é bem, bem mais complexa, mas sinceramente preferi-o jogar assim.

Apesar de por vezes estaramos em situações apertadas, não é possível morrer pelo que teremos todo o tempo do mundo para fazer algumas experiências. As soluções dos puzzles é que por vezes são demasiado fora da caixa, o que não é necessariamente mau.

Vamos então ter toda uma série de puzzles elaborados para resolver ao longo do jogo, incluindo um duelo de banjos mas um dos maiores destaques é no entanto o regresso de um puzzle brilhante do primeiro jogo: as lutas de insultos entre piratas! As mecânicas funcionam da mesma forma de antes: há uma luta de espadas e cada insulto proferido terá de ter uma resposta à altura, a diferença agora é que os insultos e respostas têm de rimar, pois as batalhas quase parecem retiradas de um musical. Esses confrontos contra outros piratas são no entanto precedidos de batalhas navais, sendo esses segmentos de acção com uma jogabilidade que não é assim tão boa quanto isso. À medida que vamos combatendo piratas, ganhamos os seus tesouros que podem posteriormente serem usados para comprar melhores canhões e assim enfrentar piratas mais poderosos.

Referências a outras obras da Lucasarts não são assim tão incomuns. E sim, quero muito jogar o Grim Fandango também

Claro que tudo isto é acompanhado de um trabalho audiovisual excelente. Os gráficos e animações parecem retirados de um desenho animado, tal é a sua qualidade. O voice acting é excelente e a banda sonora também. Tudo isto enriquece as personagens, que tal como tem sido habitual nesta série são bastante carismáticas e por vezes bizarras. Os canibais vegetarianos marcam o seu regresso, assim como o irritante vendedor Stan, que agora se torna num mediador de seguros de vida. Mas claro que teremos mais personagens novas notáveis, como a caveira falante Murray, ou o trio de ex-piratas, agora barbeiros, que tentamos recrutar para a nossa tripulação. O bom humor é uma constante e este continua a ser daqueles jogos que nos dá mesmo vontade de explorar todas as linhas de diálogo só mesmo para ver onde é que a conversa nos vai levar.

É impossível não esboçar um sorriso ou soltar mesmo uma gargalhada perante o carisma de certas personagens ou o ridículo de outras situações

Portanto devo dizer que adorei este terceiro Monkey Island e, apesar de Ron Gilbert já não ter estado envolvido no projecto, quem o liderou fez um excelente trabalho. É mais uma aventura gráfica repleta de personagens bizarras e carismáticas, situações ridículas e sempre com muito bom humor. E claro, os visuais 2D de alta definição (para a época) resultaram muitíssimo bem. Em seguida veio o Escape from Monkey Island (cerca de 3 anos depois) e aí já cometeram o erro de apostar em visuais 3D, mas veremos se no resto é uma boa aposta ou não.

Onimusha 3 Demon Siege (Sony Playstation 2)

Já há bastante tempo que tinha este Onimusha 3 em backlog e nestes últimos dias lá me decidi finalmente em jogá-lo a sério, depois de uma primeira tentativa algures em 2013/2014, quando arranjei este meu exemplar algures em local indeterminado e preço também, apesar de ter sido certamente muito barato. Lembro-me de na altura o ter começado a jogar por curiosidade (sempre achei piada ao facto do Jean Reno protagonizar uma das personagens principais) e apesar de estar a gostar, não o queria jogar sem antes terminar os seus antecessores.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Enquanto o Onimusha 2 nos colocou no papel de uma nova personagem, o samurai Jubei, este terceiro capítulo volta a colocar-nos no papel de Samanosuke, o protagonista do primeiro jogo, onde uma vez mais iremos lutar contra as forças demoníacas dos Genma, lideradas pelo tirano Nobunaga. E o início do jogo coloca-nos mesmo perto de defrontar Nobunaga uma vez mais, embora as coisas não corram lá muito bem. É que quando Nobunaga se prepara para nos desferir um golpe fatal, eis que surge um portal que nos transporta para… Paris… em 2004! As forças demoníacas de Genma vêm atrás e a cidade parisiense é atacada, com muitas baixas civis. É aqui que entra Jacques Blanq, um membro da polícia local que se vê envolvido nesses combates e, pouco depois de se cruzar com Samanosuke, Jacques acaba também por ser teletransportado, mas para o Japão, mais precisamente para o mesmo período do próprio Samanosuke. Aliás, é transportado para uns dias antes, pelo que Jacques acaba inclusivamente por conhecer e colaborar com o próprio Samanosuke dessa linha temporal. Sim, as coisas ficam um pouco confusas, mas ao longo do jogo iremos alternar entre ambas as personagens e períodos temporais.

A introdução de Jean Reno foi precisamente para cativar o público europeu, que aparentemente tinha sido o território onde Onimusha 2 vendeu pior.

No que diz respeito às mecânicas de jogo, este herda as mesmas mecânicas bases do seu antecessor. É na mesma um jogo de acção com ângulos de câmara fixos à semelhança dos Resident Evil clássicos e tal uma personagem como a outra vão ter acesso a diversas armas brancas, cada qual com um ataque mágico distinto. Ao derrotar os inimigos estes vão deixando várias esferas de energia que podem ser absorvidas pelo artefacto mágico que tanto Samanosuke como Jacques possuem. Estas podem servir para nos regenerar parcialmente a barra de vida, magia, onimusha ou no caso das mais comuns, as vermelhas, servem como uma espécie de pontos de experiência, que podem ser posteriormente trocados para melhorar cada uma das nossas armas e armaduras. Há pouco mencionei a barra de Onimusha, e esta, quando cheia, permite-nos transformar, se bem que temporariamente, numa forma mais poderosa. De resto o sistema de combate também me parece ser mais complexo, ao introduzirem um sistema de counters e criticals que requerem precisão no timing em que defendemos ou atacamos.

O jogo continua bem voltado para a acção e as armas que ambas as personagens vão ganhando dão-lhes também uma jogabilidade diferenciada

Samanosuke e Jacques possuem habilidades ligeiramente diferentes. As armas de Samanosuke estão mais voltadas para o combate próximo, embora também tenhamos acesso a um arco e flechas (estas com munições limitadas) para melhor alcançar inimigos mais longínquos. Já as armas de Jacques são baseadas em chicotes, o que nos permite atacar com mais algum alcance, bem como alcançar zonas que Samanosuke não conseguiria alcançar, ao usar o chicote para balançando por entre plataformas. Sim, vão haver certas alturas onde teremos de explorar a mesma zona mas em diferentes alturas no tempo e o progresso de uma personagem terá de ser desbloqueado pela outra e vice-versa. Para além disso, temos ainda uma outra personagem jogável, a Michelle, namorada de Jacques. Ela é militar, pelo que nas poucas vezes que a temos de controlar, ela não possui quaisquer habilidades mágicas, mas terá acesso a diferentes armas de fogo modernas. De resto, tal como nos seus predecessores e Resident Evil clássicos, teremos de explorar cada área afincadamente e ocasionalmente resolver um ou outro puzzle para progredir.

É muito estranho ver um samurai numa cidade de Paris moderna, mas sinceramente gostei do resultado desta experiência

No que diz respeito aos audiovisuais, o destaque para mim sempre foi a cutscene inicial em CGI, que era de uma qualidade incrível para a época e estava muito bem feita. O facto de o jogo envolver viagens no tempo e decorrer tanto no Japão feudal como numa Paris moderna, deu-lhe também uma grande diversidade de cenários. Para além de florestas, cidades e castelos japoneses, iremos também explorar o arco do triunfo, a catredal de Notre Dame, o castelo do mont Saint Michel e claro, a torre Eiffel. Os cenários estão bem detalhados e apesar de o jogo herdar os ângulos de câmara fixos, desta vez os cenários não são imagens pré-renderizadas mas sim completamente em 3D poligonal e o resultado final acaba por ser bem satisfatório. O detalhe das personagens principais, sempre foi algo que me impressionou bastante pela positiva nesta série e aqui o resultado final foi também bem satisfatório. O voice acting é bem competente, Jean Reno deu a voz à sua personagem e a personagem de Samanosuke é também interpretada por um conhecido actor japonês, embora aqui não ouvimos a sua voz porque infelizmente a Capcom não nos deu nenhuma opção para activar o voice acting original japonês. As vozes em inglês até que estão bem competentes, mas num jogo com origens e influências nipónicas tão acentuadas, manter as vozes em japonês seria mais autêntico digo eu. Até porque há inclusivamente algum diálogo em francês, pelo menos até que chega ao ponto em que “magicamente” as personagens entendem-se e os diálogos passam a ser todos em inglês daí em diante.

O sistema de upgrades é muito similar ao seu antecessor

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Onimusha 3. Apesar de existirem alguns spin offs como um título da GBA que ainda não me apareceu na colecção e um jogo de luta algo desnecessário, esta série tinha sido idealizada como uma trilogia e este terceiro capítulo fecharia bem a série, a meu ver. Acho que a Capcom foi ousada ao pegar numa série, tão baseada em folclore e factos históricos japoneses e misturá-la com o mundo ocidental moderno, mas no fim de contas acho que o resultado final foi bem positivo. Apesar dos planos iniciais para uma trilogia, isso não impediu a Capcom de lançar uma outra sequela, já em 2006, também para a Playstation 2. Aparentemente muita coisa mudou na jogabilidade desse último jogo, mas isso será tema para um artigo futuro.

Microcosm (Sega Mega CD)

Voltando à Mega CD, ficamos agora com um título da Psygnosis que até possui algumas origens curiosas. No início da década de 90 a empresa britânica estava a fazer experiências em jogos que utilizassem tecnologias de full motion video e/ou CGI, de forma a aproveitar os novos sistemas que suportavam software no formato de CD-ROM. Um esqueleto do jogo foi desenvolvido e mostrado em eventos específicos, o que levou a um financiamento da nipónica Fujitsu para o jogo que se viria a tornar neste Microcosm fosse também um título de lançamento do seu FM-Towns Marty, uma versão consolizada do seu computador FM-Towns, ambos os sistemas exclusivos do mercado nipónico e nem um nem outro atingiram um sucesso considerável. Ainda assim, o acordo nunca foi de exclusividade, pelo que o Microcosm acabou por ser lançado numa considerável panóplia de diferentes sistemas, incluindo a Mega CD. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Março a um amigo meu, creio que por cerca de 20€.

Jogo com caixa e manual embutido, na sua versão big box

O jogo possui uma história bem estranha, tal como podemos observar logo na sua cutscene de abertura. Mas para resumir a coisa, digamos que este é um jogo que decorre no futuro e num outro planeta que não o nosso. Planeta esse hiper poluído, a população não vive em lá muito boas condições e é também dominado por duas mega corporações: a Cybertech e a Axiom. Esta última acusa a Cybertech de ter causado a morte do seu presidente pelo que, para se vingarem injectam no presidente da Cybertech uma nanotecnologia qualquer para o controlar. Então, para salvar o presidente da Cybertech a solução é simples: pegar em poderosos submarinos, reduzi-los a uma escala microscópica, e infiltrar também o corpo do presidente para combater a tal nanotecnologia de Axiom.

Basicamente este é um shooter que se passa dentro do corpo humano

O jogo é então um shmup onde a câmara se posiciona na traseira da nossa nave e, tal como no Silpheed, os cenários são todos clipes de full motion video usando animações em CGI. Mas ao contrário de épicas batalhas espaciais, vamos percorrer várias veias e diferentes zonas do corpo humano, como os pulmões, coração e, por fim, o cérebro. No que diz respeito à jogabilidade a mesma é algo desafiante, mas os conceitos são simples: o d-pad movimenta a nossa nave pelo ecrã, o botão A serve para disparar a arma que tenhamos eventualmente seleccionado (com recurso ao botão B) e por fim o C serve para utilizar as armas especiais, que tipicamente possuem usos muito limitados.

No final de cada nível temos sempre um boss para enfrentar e que até tem algumas animações interessantes

À medida que vamos percorrendo os níveis, dos quais não temos nenhum controlo devido aos cenários serem um vídeo, iremos não só enfrentar uma série de inimigos como poderemos inclusivamente apanhar vários power ups, como munições para armas secundárias (as tais que poderemos equipar com o botão B) ou itens que nos regeneram a nossa barra de vida. A nossa arma principal possui munições infinitas, já as outras não pelo que as devemos utilizar com alguma discrição, principalmente aquando dos confrontos contra os bosses. Estes tipicamente são máquinas monstruosas (à escala microscópica, claro) e que apenas podem ser danificados em certos pontos fracos, onde muitas vezes para os atacar também nos temos de expor ao perigo, pelo que alguns até serão bem desafiantes.

Pelo meio de todo o CGI temos também alguns clipes com filmagens reais. Curiosamente os actores são todos funcionários da Psygnosis

No que diz respeito aos gráficos temos primeiro de constatar o óbvio: o jogo sai inicialmente para o FM Towns Marty algures em 1993 e ainda no mesmo ano para a Mega CD. No ano seguinte sai também para a 3DO, Amiga CD32 e PC, todos eles sistemas bem superiores ao add-on da Sega. A qualidade do vídeo é, como esperado, muito inferior a qualquer uma dessas outras versões, assim como o número de cores no ecrã, algo intrinsecamente associado ao facto da própria Mega Drive apenas poder apresentar um reduzido número de cores em simultâneo no ecrã. Sobre os vídeos em si, bom as cutscenes são bem estranhas mas tal também se compreende visto que a animação por computador estava ainda na sua infância. Existem também alguns segmentos com actores reais, que no caso eram próprios funcionários da Psygnosis. Durante o jogo em si as cutscenes tentam representar o que seria o interior de uma veia ou de outros órgãos do corpo humano mas em vez de vermos glóbulos vermelhos e/ou brancos, vemos inúmeros inimigos. Os inimigos no entanto estão muito bem representados, tirando bom partido das capacidades de sprite scaling e rotation que a Mega CD introduziu no seu hardware. Já no que diz respeito à banda sonora esta é principalmente de música electrónica e bem agradável. Aparentemente é bem diferente da banda sonora original do lançamento do FM Towns Marty.

Ao longo do jogo podemos conduzir três naves distintas mas que não variam assim tanto quanto isso na sua jogabilidade

Portanto este Microcosm é um jogo interessante, principalmente pelos seu conceito e visuais. A nível de jogabilidade não é nada do outro mundo, no entanto. A Psygnosis não terminou por aqui o desenvolvimento de videojogos com este conceito e lança no ano seguinte, também no FM Towns um jogo chamado de Scavenger 4. Esse acabou também por ser relançado para outros sistemas incluindo a Mega CD, mas sob o nome de Novastorm e é um jogo que acabou por ser melhor recebido pelo público que este Microcosm, pelo que gostaria também de o jogar um dia destes.

Outlander (Super Nintendo)

E tal como prometido, cá fica agora uma rapidinha à versão da SNES do Outlander, um jogo lançado originalmente para a Mega Drive pela Mindscape e que era originalmente uma adaptação do segundo filme da saga Mad Max, o The Road Warrior. E se nos primeiros minutos que jogamos esse Outlander nos parece um jogo fascinante, rapidamente nos apercebemos que o mesmo não tem muito mais para oferecer, apesar de todas as suas boas ideias. A versão da Super Nintendo pode não ser muito melhor, mas tem diferenças suficientes para ser considerada e sim, esta ao menos saiu na Europa e o meu exemplar veio de uma loja alemã algures no mês de Dezembro do ano passado por 35€ salvo erro.

Jogo com caixa, manual e papelada. Versão alemã, infelizmente. E infelizmente também não me custou 9€.

Ora a primeira diferença que é logo notória mal começamos o jogo é o facto de a versão SNES se jogar na terceira pessoa. Sinceramente não tem o mesmo impacto pois vemos as sprites dos veículos inimigos mais pequenas, com menos detalhe e sejamos sinceros, vermos em alta definição um punk a sair disparado por cima do nosso carro é algo muito satisfatório. Mas para compensar tem outros detalhes melhores: a informação relevante (combustível, munições, turbos, etc) está apresentada no ecrã de uma forma mais elegante, na parte de cima temos na mesma direito a um espelho retrovisor, agora bem maior e ainda com o reflexo do próprio condutor e que até tem alguns detalhes gráficos interessantes, como o facto de a sua cara se virar para a esquerda ou direita caso disparemos a nossa shotgun nessas direcções.

O facto de as secções de condução serem na terceira pessoa tiram-lhe muito do seu impacto visual, apesar de a informação necessária estar melhor apresentada no ecrã.

De resto é um jogo muito similar, tendo na mesma uma única estrada pejada de inimigos para combater (se bem que com menos inimigos, apenas motards e helicópteros) e sempre que ficamos sem combustível (ou caso estejamos prestes a morrer) devemos parar o que estamos a fazer e sair do carro em busca de mantimentos. Pelo meio iremos ter também toda uma série de povoações para explorar, onde mantimentos são ligeiramente mais abundantes. Mas sim, continua um jogo extremamente repetitivo, apesar de ter algo melhor que a versão Mega Drive, os controlos. Aqui como o comando da SNES como tem mais botões, a função de cada botão está melhor distribuída, com o L e R a terem funcionalidades muito importantes: permitem-nos disparar a shotgun no carro para a esquerda ou direita, ao contrário da versão Mega Drive onde um dos botões faz tudo, mas na ordem que o jogo decidir como lhe apetece, o que muitas vezes não resulta bem, levando-nos a desperdiçar imensa munição.

Por outro lado as secções a pé estão muito similares à versão Mega Drive

Mas o facto de os controlos estarem melhores implementados não chega para tornar esta versão SNES a versão definitiva do Outlander. O jogo continua bastante repetitivo e com ainda menos variedade de inimigos e o facto de as secções de condução se passarem todas na terceira pessoas não têm de longe o mesmo impacto. Portanto, apesar desta versão se jogar melhor devido aos melhores controlos, continuo a achar a versão Mega Drive de longe a mais apelativa devido aos seus visuais mais caprichados.