Space Station Silicon Valley (Nintendo Gameboy Color)

Vamos continuando com as rapidinhas pois o tempo não dá mesmo para mais. Space Station Silicon Valley é um jogo produzido originalmente pela DMA Design, os mesmos que estiveram por detrás da série Grand Theft Auto. Mas ao contrário da violência de GTA, este era um jogo de plataformas em 3D repleto de um bom sentido de humor mesmo britânico. Saiu originalmente para a Nintendo 64 em 1998, com uma versão para a Playstation a sair em exclusivo na Europa 2 anos depois, com o nome de Evo’s Space Adventures. Pelo meio saiu uma conversão para a Gameboy Color que infelizmente não é grande coisa. O meu exemplar veio num pequeno bundle de material de GBA que apanhei numa feira da Vandoma no Porto. Ficou-me bastante barato, apesar de o cartucho não estar nas melhores condições.

Apenas o cartucho

A história é uma rambóia total. Uma estação especial foi criada com o propósito de albergar imensos animais. Depois por algum motivo a mesma desaparece e torna a reaparecer misteriosamente quase um milénio depois. Após várias tentativas frustradas de resgatar a estação especial, os heróis Dan e Evo (um robot) viajam também para a estação especial, de forma a tentar descobrir os seus mistérios. Pelo caminho, após uma discussão sobre qual música ouvir a bordo, a nave despenha-se na estação especial. Dan sobrevive, mas o robot Evo é desintegrado em diferentes peças, sobrevivendo apenas o seu core, que convenientemente possui pernas que o deixam andar de um lado para o outro. Os animais da estação ao longo dos 1000 anos, em vez de morrerem todos de fome acabaram por evoluir, fundindo-se com a tecnologia presente na nave, resultando em ratos com rodas, leões-marinhos com lança torpedos, entre outras mutações bastante estranhas.

A cutscene de abertura é bem humorada e provavelmente a melhor coisa desta conversão

O jogo é passado ao longo de vários níveis onde teremos uma série de objectivos para cumprir. A personagem jogável é o core de Evo, que pode possuir os animais robóticos que vagueiam pela estação especial. Os objectivos podem passar por activar alavancas, destruir objectos ou outros animais, sendo que para isso deveremos usar as habilidades que cada animal pode oferecer. Uns não podem saltar, outros podem, outros voam, outros são fortes o suficiente para destruir objectos grandes, a raposa consegue-se teletransportar, entre outras diferentes habilidades como vários ataques diferentes. Concluídos os objectivos, o portal de teletransporte é activado que nos leva para o nível seguinte.

O maior problema desta versão Gameboy Color a meu ver está mesmo nos visuais. Os cenários, apesar de variados contendo várias paisagens naturais diferentes e zonas mais tecnologicamente evoluídas, os níveis e principalmente as sprites dos animais têm tão pouco detalhe que tornam os níveis muito desinteressantes. As animações de ataque de alguns animais, como por exemplo as ovelhas, são practicamente inexistentes! Se pelo menos as sprites dos animais fossem ligeiramente maiores, talvez o jogo fosse mais agradável. Por outro lado gostei bastante das músicas que vão sendo algo variadas em diferentes géneros. Temos melodias mais jazz outras rock clássico e ainda outras mais cartoonescas que me agradaram.

Infelizmente o design dos níveis não é nada apelativo. Deviam-se ter esforçado mais nesse aspecto.

Portanto, infelizmente este é um daqueles jogos que a parte gráfica acaba mesmo por sacrificar o seu divertimento. Os cenários não são lá muito bem desenhados, tornando-se bastante desinteressantes e as sprites dos animais deveriam ser maiores e melhor animadas. No entanto gostei bastante do conceito do jogo e vou colocar a versão Nintendo 64 debaixo do meu radar, para o caso de um dia me aparecer ao desbarato.

Bubsy 3D (Sony Playstation)

Com o sucesso de Sonic, houve um ressurgir de jogos de plataforma com animais que serviriam de mascote para as suas empresas. A Accolade criou o Bubsy, que depois de alguns jogos de sucesso moderado, tentam entrar no mundo dos jogos de plataforma em 3D com o Bubsy 3D. O resultado final é catastrófico! O meu exemplar veio de uma loja de caridade do Porto. É apenas o disco.

Apenas disco

O restante da minha opinião a podem ler na PUSHSTART #63. Se um dia digitalizarmos alguns desses artigos podem crer que acualizarei aqui o link. De resto, só para terem uma ideia, é sim um jogo muito mau, que sofreu com um desenvolvimento atribulado e teve de sair para o mercado ainda algo inacabado, meses depois da obra prima Mario 64 já estar no mercado. É que os controlos são maus e os gráficos terríveis, mas sabiam que o jogo estava a ser desenvolvido para a 32X? Se o Bubsy 3D tivesse saído para a 32X com aqueles gráficos (que não deixavam de ser horríveis) talvez o público fosse mais compreensivo.

The Legend of Zelda: A Link to the Past (Super Nintendo)

18322_frontEnquanto andam todos entretidos com o novo The Legend of Zelda: Breath of the Wild, eu tenho andado a reduzir o backlog. E um dos que me faltava terminar era precisamente o A Link to the Past para a Super Nintendo. É o terceiro jogo da série, com a Nintendo a regressar à fórmula do primeiro The Legend of Zelda da NES e aprimorando-a de tal forma que se tornou a jogabilidade standard de practicamente todos os outros Zeldas em 2D. O meu exemplar veio em 2 fases. O cartucho foi comprado por 20€ algures no verão de 2016 a um amigo meu. A caixa e manual foram-me oferecidas por um colega de trabalho em Dezembro de 2016, estando impecáveis.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

A história de A Link to the Past decorre muitos anos após as Imprisoning Wars que levaram Ganondorf a invadir o Sacred Realm, recuperar a Tri-Force para si, tornando a aquele paraíso idílico no “Dark World“. Enquanto as suas forças invadiam Hyrule, sete sábios magos conseguiram lançar um feitiço que aprisionou Ganon no Dark World, restaurando a paz no reino. Isto até que o feiticeiro chamado Agahnim ataca a família real de Hyrule, coloca Zelda nas masmorras do seu castelo e começa a planear libertar Ganon da sua prisão noutra dimensão. Eventualmente lá teremos de viajar entre ambos os mundos, de forma a libertar 7 meninas que nos irão ajudar a lutar contra Ganon. Teremos muitas dungeons para explorar e muitos segredos para descobrir ao viajar entre as duas dimensões.

Sim, este é o primeiro jogo em que podemos fazer a vida negra às galinhas
Sim, este é o primeiro jogo em que podemos fazer a vida negra às galinhas

O jogo começa com Link a ser acordado com uma mensagem telepática da princesa Zelda a pedir-lhe ajuda. Quando nos levantamos da cama encontramos o tio de Link, todo equipado para o combate, a mandar-nos de volta para a cama. Claro que desobedecemos e os próximos minutos levam-nos a infiltrar no castelo de Hyrule completamente indefesos. Eventualmente lá encontramos o tio ferido que nos entrega a sua espada e escudo e nos pede para ir salvar Zelda das masmorras. E assim a aventura começa! A jogabilidade é excelente e muito familiar ao que os fãs de Zelda podem contar, desde os corações que podem ser expandidos com os heart containers e os muitos itens que poderemos encontrar e usar ao longo da aventura. Estes podem ser mapeados num botão específico e podemos contar com as familiares flechas e bombas (que podem destruir paredes e revelar passagens secretas), bumerangues, grappling hooks e uma série de itens com propriedades mágicas. Coisas como varas mágicas capazes de expelir fogo ou gelo, ou outras capazes de criar blocos mágicos ou um escudo que protega o Link. Portanto, para além da barra de vida que é medida nos corações que vamos apanhando, Link possui também uma barra de magia que devemos ter em conta.  De resto existem muitos outros itens e também peças de equipamento para descobrir. Espadas como a Master Sword, escudos e armaduras cada vez melhores, ou umas botas que nos permitem correr a toda a velocidade, ou luvas que nos deixam pegar em objectos pesados. O ecrã de inventário de Link não é uma brincadeira!

A Link to the Past possui um inventário bem grandinho e que nos abre muitas possibilidades
A Link to the Past possui um inventário bem grandinho e que nos abre muitas possibilidades

Como sempre há montes de segredos a descobrir e é interessante ver o paralelismo entre as duas dimensões, que possuem zonas muito parecidas entre si a nível de layout do terreno, mas ao mesmo tempo muito diferentes. Depois temos as dungeons, que apresentam uma sólida mistura de combate e puzzle solving. Aqui teremos mesmo de dar uso aos itens que vamos apanhando, seja para ultrapassar os inimigos e outros obstáculos, ou para resolver puzzles de forma a abrir os baús com outros itens. Nas dungeons temos de encontrar chaves para destrancar algumas portas e encontrar o mapa ou a bússola que nos indica onde está o boss daquele sítio são coisas opcionais, mas que dão um jeitaço. As dungeons são também muito mais complexas que aquelas que vimos no primeiro jogo da NES.

As dungeons continuam repletas de perigos e puzzles!
As dungeons continuam repletas de perigos e puzzles!

Graficamente é um jogo bonitinho para a altura em que saiu, e embora a Super Nintendo seja capaz de melhor, também temos de ter em conta que para 1MB de espaço disponível no cartucho, e para a quantidade de dungeons e 2 mundos diferentes para explorar, a Nintendo conseguiu alifazer um pequeno milagre. Os gráficos são coloridos e detalhados quanto baste, tanto que até é impressionante vermos plataformas como a Gameboy ou Gameboy Color a conseguir replicar os mesmos visuais da mesma forma. As músicas são excelentes como é habitual nesta série, com o tema principal do Dark World a ser aquele que mais me ficou na memória.

Este a Link to the Past é um clássico. A Nintendo conseguiu expandir a fórmula do original da NES de tal forma que a sua jogabilidade se tornou nalgo practicamente standard dentro dos Zeldas 2D. O mundo está bem desenhado e repleto de segredos para explorar e o mesmo pode ser dito das dungeons. É também o primeiro Zelda que possui uma narrativa um pouco mais trabalhada, o que me agradou bastante. Existem no entanto outras versões do jogo que podem ser consideradas, como a conversão para a Gameboy Advance que aparentemente possui uma tradução mais fiel ao original, para além do 4 Swords, que em breve também deverei trazer cá ao burgo. Seja como for, joguem-no!

The Smurfs (Sega Mega Drive)

thesmurfs_md_uk_boxA Infogrames durante a primeira metade dos anos 90, para mim era uma empresa conhecida principalmente pelos seus videojogos baseados em personagens de banda desenhada europeia, como era o caso de Astérix, Spirou ou os Smurfs, as estranhas criaturas azuis que muito populares foram durante a década de 80. Embora já tivesse o segundo jogo para a Super Nintendo, o primeiro acabou por me aparecer na sua versão Mega Drive. O meu exemplar veio de um bundle comprado no final do ano passado na Feira da Vandoma no Porto. Ficou-me por cerca de 2€.

Jogo com caixa
Jogo com caixa, na sua versão UK

Neste jogo o nosso objectivo é defrontar o feiticeiro Gargamel e o seu gato Cruel, pois o mesmo raptou uma série de Smurfs, incluindo a única fêmea lá da aldeia, a Smurfette (é fácil de entender porque querem ir todos salvá-la!). Começamos a aventura pela aldeia dos Smurfs e vamos percorrendo a região em florestas, lagos, cavernas ou montanhas. A jogabilidade é simples, como um jogo de plataformas perfeitamente normal. Há botões para saltar, correr ou atirar objectos, quando possível. Isto porque a única maneira de derrotar os inimigos é saltando-lhes em cima, no entanto pelo meio lá vamos salvando outros smurfs, podendo depois jogar com eles nalguns níveis específicos, sendo que cada um possui diferentes habilidades.

Como em muitos jogos de plataforma, temos vários itens para apanhar. Alguns apenas nos dão pontos extra, outros podem restaurar parte da nossa barra de energia
Como em muitos jogos de plataforma, temos vários itens para apanhar. Alguns apenas nos dão pontos extra, outros podem restaurar parte da nossa barra de energia

Um deles é o Fun Smurf que atira presentes que servem de bombas para derrotar alguns inimigos em sítios mais perigosos. O Greedy Smurf possui uma habilidade similar, mas atira bolos em vez de presentes. A diferença é que os bolos explodem logo ao tocar em qualquer coisa, enquanto que os presentes demoram a explodir. Por fim há um outro smurf que podemos salvar e cuja habilidade especial está em iluminar zonas escuras. De resto é um jogo que possui uma jogabilidade bastante simples e competente, e qualquer fã de jogos de plataformas não terá muitas dificuldades em jogá-lo.

Graficamente é um jogo muitíssimo bem detalhado para uma Mega Drive.
Graficamente é um jogo muitíssimo bem detalhado para uma Mega Drive.

A nível gráfico, é um jogo altamente colorido e bem detalhado, seja em que versão for. Esta versão Mega Drive pode-se comparar à da Super Nintendo e apesar de possuir óptimos gráficos, é verdade que a versão SNES acaba por levar a melhor pelos visuais mais coloridos e com alguns efeitos gráficos adicionais. As músicas são bastante alegres em ambas as versões, mas a Super Nintendo possui temas mais orquestrais devido ao seu chip de som mais avançado, pelo que alguns poderão preferir também essa versão. Ainda assim, considero ambas as versões 16bit muito boas do ponto de vista técnico. Um dia ainda me aparecerão as versões 8bit da Sega que também me parecem estar muito boas, mas isso há-de ser tema para outro artigo.

Pete Sampras Tennis (Sega Mega Drive)

pete-sampras-tennisContinuando pelas rapidinhas, vamos voltar aos jogos desportivos para a Mega Drive e o título que cá trago hoje até o primeiro Pete Sampras Tennis, da Codemasters. Este jogo conta também com uma particularidade, pois é o primeiro, ou dos primeiros títulos da Codemasters com os famosos cartuchos J-Cart. Esses cartuchos possuiam 2 entradas adicionais para ligar 2 comandos adicionais. Foram muito usadas em jogos da saga Micromachines! No entanto nem todas as edições vinham com um cartucho J-Cart, pois a minha vem num cartucho normal da Codemasters. O meu exemplar veio de um lote que comprei no final do ano na feira da Vandoma no Porto, com cada jogo a ficar-me por cerca de 2€. Edit: Recentemente arranjei por 7€ uma outra versão, com o J-Cart.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual. Versão normal.
Jog com caixa e manual. versão J-Cart

Pete Sampras Tennis não possui licenças para os nomes dos jogadores, excepto o do próprio Pete Sampras, o que para mim não causa nenhum problema. A jogabilidade é simples e bastante funcional, o que se jogado com 4 jogadores em simultâneo resulta muito bem! Possuimos 3 modos de jogo, o challenge que como o nome indica é uma partida simples, o world tour que é uma espécie de campeonato, onde se vão jogando partidas ao longo de vários courts em países diferentes. Por fim temos o Tournament onde se pode organizar vários torneios. O suporte ao multiplayer pode ser de 2 a 4 jogadores, pois é possível jogar em doubles, ou seja, com 2 jogadores de cada lado da rede. Por fim, o progresso no modo world tour é gravado através de passwords, e com a password ZEPPELIN, desbloqueamos 2 modos de jogo adicionais. O primeiro é o Huge Tour, que basicamente é uma versão extendida do World Tour e o melhor de todos, o Crazy Mode. Este Crazy mode é basicamente um proto-Mario Tennis, pois existem power-ups e golpes especiais, para além de um cameo do Dizzy a andar sobre a rede.

Para além de ser bonitinho, é muito agradável de se jogar!
Para além de ser bonitinho, é muito agradável de se jogar!

A nível audiovisual acho que este Pete Sampras Tennis é bem competente nesse campo. As músicas são alegres e viciantes, mas ocorrem apenas nos menus e afins, deixando as partidas apenas com os sons do público e das raquetes a bater na bola. Os gráficos são bem detalhados, especialmente nos courts de ténis e nas animações dos tenistas. Em suma, Pete Sampras Tennis acaba por ser um jogo bem competente dentro do género, pelo menos na era das 16bit. Foi sucedido pelo Pete Sampras 96 que sinceramente já não cheguei a jogar.