Grandslam: The Tennis Tournament (Sega Mega Drive)

Mais uma rapidinha para a Mega Drive sobre um jogo desportivo e o escolhido de hoje é o Grandslam: The Tennis Tournament, desenvolvido originalmente por um pequeno estúdio nipónico que pessoalmente nunca tinha ouvido falar. Já a Telenet Japan, a empresa que publicou o jogo no Japão, possui uma série de jogos interessantes na Mega Drive e Mega CD, embora infelizmente muitos deles não tenham saído cá na Europa, como é o caso da série Valis. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures no passado mês de Abril, tendo-me custado algo em volta dos 6€.

Jogo com caixa e manual

Então temos aqui o modo Exhibition, que como o nome indica é aquele onde poderemos jogar partidas individuais, tanto em singles como doubles, sozinhos contra o CPU ou contra um amigo. Mas claro que o modo de jogo principal é o Circuits, onde teremos a oportunidade de jogar em diversos torneios (são quatro no total), mas apenas em singles, ou seja um contra um. O modo de treino dá-nos a opção de ripostar contra diferentes estilos de jogadas, ao permitir-nos colocar o nosso treinador numa determinada posição do campo e mandar-nos diferentes tipos de bolas, os tais slices, lobs e afins que sinceramente não conheço os termos em português. Por fim temos o Customize. Aqui podemos criar um jogador de ténis à nossa imagem e atribuir-lhe uma série de características, como esquerdino ou destro e depois atribuir uma série de skill points em diversos campos. A ideia será depois poder usar estas personagens customizadas no modo exhibition ou torneio, onde poderão ganhar experiência e melhorar as suas habilidades à medida que vamos vencendo partidas. Já no que diz respeito à jogabilidade em si, o botão C serve para executar um lob, uma raquetada que dispara a bola em arco e de forma algo lenta, já os outros botões servem para raquetadas mais rápidas e precisas. Sinceramente por vezes parece-me um jogo algo lento, continuo a preferir o Pete Sampras Tennis.

O modo exhibition permite-nos jogar em singles ou doubles, com ou sem um amigo, ou simplesmente ver o CPU a jogar sozinho

Já no que diz respeito aos audiovisuais, estes são bastante simples, embora os tenistas, árbitros e restantes intervenientes no jogo possuam todos um aspecto algo anime, o que não é de estranhar visto ser um jogo de origem japonesa. Nos Estados Unidos, o jogo foi lançado como Jennifer Capriati Tennis, uma tenista conhecida back in the day, pelo que a nossa versão, apesar de não ter sido licenciada pela tenista, continua no elenco de tenistas disponíveis. Já no que diz respeito ao som, vamos tendo algumas vozes digitalizadas que nos vão informando da pontuação de cada partida e pouco mais. As músicas são pequenas melodias que vamos ouvindo nos menus e entre cada partida. Não são más, mas também não são propriamente memoráveis.

Graficamente não é o jogo mais excitante que vão encontrar

Portanto, em suma, este Grandslam é um jogo de ténis que acaba por dar para entreter, embora acho que existam melhores opções na Mega Drive, com uma jogabilidade mais dinâmica, como é o caso do Wimbledon, ou do Pete Sampras que para além de ter uma boa jogabilidade, é o jogo que possui os visuais que mais me agradam também.

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Lost Planet: Extreme Condition (PC)

A série Lost Planet foi uma das primeiras (senão mesmo a primeira) nova franchise da Capcom aquando do início da sétima geração de consolas. Lançado originalmente para a Xbox 360, onde supostamente seria um lançamento exclusivo, mas sem grandes supresas o mesmo acabou posteriormente por receber conversões para o PC e Playstation 3 nos anos seguintes. O meu exemplar foi comprado algures em 2015 numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa. Foi comprado novo por cerca de 2€ se bem me recordo, a um vendedor que confesso que deixou algumas saudades pois já me arranjou muita coisa boa!

Jogo com caixa e manual

Lost Planet decorre no futuro, onde depois da humanidade ter deixado o planeta Terra practicamente inabitável devido a todas as guerras, poluição e consumo excessivo dos seus recursos naturais, a civilização procura então outros planetas para colonizar e repetir os mesmos erros que fizeram no passado. O planeta gelado EDN III é um dos possíveis candidatos, pelo que alguns humanos foram enviados para o começar a colonizar. E depois de já terem construído uma série de estruturas, deparam-se com vida alienígena hostil, os Akrids, que são insectos gigantes e que acabam por escorraçar a maioria dos humanos do planeta, excepto alguns colonos que optaram por permanecer lá. Mas os Akrids tinham uma particularidade muito interessante, eles geram e armazenam energia térmica capaz de os manter quentes naquele clima muito hostil, pelo que os poucos que lá ficaram, principalmente a corporação NEVEC, pretendem explorar essa nova fonte de energia. Nós jogamos com o soldado Wayne Holden, cujo pai morreu a combater um Akrid gigante e ele próprio também não ficou em muito bom estado. Wayne acabou por ser resgatado por um grupo de snow pirates pelo que acabamos por nos juntar na sua missão de exterminar os Akrids, mas com o decorrer da história lá vamos desobrindo outras conspirações pelo meio.

É bom que nos habituemos aos controlos e diferentes armas, pois teremos imensos inimigos pela frente

No fundo, este Lost Planet é então um shooter na terceira pessoa mas com alguns twists. O primeiro que reparamos mal começamos o jogo é um contador de energia térmica que está constantemente a decrescer. Este contador de energia alimenta a própria barra de vida do Wayne pelo que teremos de estar constantemente a abastecer-nos de energia, seja ao derrotar inimigos, seja ao destruir alguns objectos específicos que a armazenam. O outro twist é que ocasionalmente poderemos controlar uma série de mechas, mas estes infelizmente possuem uma barra de “vida” fixa, não regenerável. Para além disso, cada vez que usamos algumas habilidades especiais dos mechas, como saltar ou activar os seus boosters, também consomem a energia que vamos armazenando. Jogando a pé poderemos equipar sempre 2 armas, mais um tipo de granadas. No caso dos mechas não podemos equipar granadas, mas podemos customizar também que armas equipamos e dispará-las em simultâneo! Sinceramente no início do jogo estava a achar a jogabilidade algo repetitiva, principalmente pela pouca variedade nos cenários e inimigos, mas a partir do momento que começaram a introduzir mais e melhores mechas, mais e melhores armas, confesso que acabou por se tornar bem mais agradável. E sim, no final de cada nível teremos sempre um confronto contra um boss, tipicamente um Akrid gigante, ou algum mecha mais avançado, que geralmente são também grandes esponjas de balas. De resto, naturalmente, o jogo também trazia uma vertente multiplayer, mas confesso que nem cheguei sequer a experimentar, duvido muito que existam sequer servidores activos que o suportem actualmente.

Os mechas, aqui apelidados de VS, Vital Suits, são autênticas esponjas de balas. Explosivos ou usar outros VS são recomendáveis.

A nível audiovisual, para um jogo de início de geração, acho que até envelheceu bem, pelo menos no PC, onde conseguimos corrê-lo em maiores resoluções. Os primeiros níveis que exploramos não são lá muito apelativos, consistindo em corredores cinzentos de mega instalações industriais ou militares, cavernas ou simplesmente exteriores cheios de neve. Também vamos visitar cidades em ruínas, mas devo dizer que gostei particularmente dos níveis que se passavam numa zona vulcânica, achei esses níveis muito bem conseguidos graficamente. Já no que diz respeito ao som, nada a apontar, o voice acting é competente, embora a narrativa não seja nada de especial, e as músicas vão sendo mais atmosféricas ou épicas consoante o que a acção assim o pedir.

Portanto este Lost Planet é para mim um jogo interessante, com algumas boas ideias, mas a sua execução a meu ver ainda não é a melhor. Os cenários amplos eram benvindos, mas inicialmente achei a sua jogabilidade e áreas a explorar bastante repetitivos, o que acabou por ir melhorando na segunda metade do jogo. Ainda assim nota-se perfeitamente que a Capcom não tinha acertado bem na fórmula. Estou curioso com as suas duas sequelas, pois pelo que li ainda alteraram uns quantos conceitos na jogabilidade, mas também vou com expectativas algo baixas, pois esta série Lost Planet acabou por cair completamente no esquecimento poucos anos depois.

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Flashback 25th Anniversary (Sony Playstation 4)

Aquando dos 15 e 20 anos após o lançamento do clássico Another World, foram sendo lançadas algumas conversões/remasters para sistemas modernos. Quando Flashback fez 25 anos também teve direito a um lançamento especial, que é o que vos trago agora. Confesso que nunca tinha pegado em nenhuma das reedições do Another World, mas, quando comprei esta edição, estava na expectativa que fosse muito mais do que uma simples conversão com alguns extras, pelo que me desiludiu um pouco. Só depois vim a descobrir que, em 2013, foi lançado, de forma exclusivamente digital, um verdadeiro remake deste clássico. O meu exemplar foi comprado na Worten no final de Abril, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa, manual (!!!),, sleeve e autocolantes

Ora mas em que é que consiste este Flashback, portanto? Já cá abordei a versão Mega Drive no passado e esta reedição traz exactamente o mesmo jogo, mas upscaled para resoluções HD, com a opção de incluir alguns filtros gráficos, bem como novos efeitos sonoros. A nível de jogabilidade em si, a única novidade está mesmo na função do rewind, ou seja, sempre que morrermos poderemos voltar um pouco atrás no tempo (creio que o máximo são 2 minutos) e tentar novamente, sem precisarmos de recarregar o nosso save. E visto que não melhoraram os controlos face ao original, esta adição do rewind acaba por ser muito benvinda. É que o Flashback e Another World originalmente possuem controlos arcaicos e com timings muito próprios, tornando alguns saltos ou mesmo combates algo frustrantes. Naturalmente que com práctica as coisas vão lá, mas seria interessante que aproveitassem estes remakes para também oferecer opções alternativas de controlo, pelo que o rewind foi muito benvindo e usado (e abusado) na playthrough que fiz.

O jogo não possui suporte a widescreen, mas podemos desactivar aquelas barras laterais manhosas

No que diz respeito aos audiovisuais, tanto o Another World como o Flashback eram impressionais. Tal como no Prince of Persia usaram técnicas de captura de movimentos semelhantes para ilustrar as animações das personagens e os cenários eram também muito interessantes e bem detalhados. O jogo possuía também uma série de cutscenes incríveis tendo em conta que em muitas plataformas que os receberam, o armazenamento de um cartucho era extremamente limitado. Não temos voice acting, mas as músicas surgem com um certo peso e medida, com pequenas melodias a surgirem em certos momentos chave do jogo, resultando numa experiência bastante atmosférica e cinematográfica. E tudo isso está aqui representado tal como os criadores ambicionaram originalmente. Como já referi acima temos a possibilidade de alternar entre as músicas e efeitos sonoros modernos e os originais, bem como definir uma série de filtros gráficos. Confesso que no caso desses filtros apenas mantive o das scanlines e desactivei todos os outros, pois apresentavam uma imagem mais “borratada” e eu gosto de apreciar um bom pixel art.

Os filtros gráficos por defeito suavizam os pixeis mas prefiri desactivar essas opções pois não gostei do resultado final.

Portanto tudo isto é muito giro, mas confesso que, para o jogo que é, estava à espera de outro tipo de tratamento. Esperava um remaster com um sistema de controlo mais fluído, e talvez com gráficos 2D mais detalhados, mas sempre com a opção de podermos também jogar uma representação mais fiel ao original. Os filtros gráficos que adicionaram são a meu ver practicamente inúteis tirando as scanlines, já os controlos continuam arcaicos e com timings muito específicos. É sem dúvida uma questão de prática e esta versão física até possui um manual que explica os controlos extensivamente (o mesmo também pode ser visto a qualquer momento no menu do ecrã de pausa), mas a adição do rewind foi sem dúvida muito benvinda. Portanto esta reedição do Flashback é sem dúvida um título feito a pensar nos fãs do original, e não tanto para atrair novos fãs. Confesso que fiquei curioso com o remake lançado digitalmente em 2003.

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Leisure Suit Larry 3 – Passionate Pattie in Pursuit of the Pulsating Pectorals (PC)

Continuando na saga Leisure Suit Larry, ficamos agora com o terceiro capítulo, que curiosamente tinha sido o último que joguei há anos atrás. Tal como os restantes jogos da saga que tenho trazido até então, este veio também na compilação Leisure Suit Larry: Greatest Hits and Misses que comprei ao desbarato no GOG algures em 2013.

A história decorre pouco tempo depois dos acontecimentos do jogo anterior, onde Larry acabou por ir parar à ilha tropical de Nootoonyt, deu cabo dos planos maquiavélicos de um super-vilão e acabou por casar com a lindíssima filha do chefe da tribo local. Entretanto a ilha prosperou economicamente, imensos resorts turísticos foram sendo construídos e Larry era um empresário de sucesso. Isto até um certo dia regressar a casa e descobre a sua esposa no marmelanço… com outra mulher! Larry acaba por ficar divorciado e sem um tostão no bolso, uma vez mais. O resto do jogo será todo passado na mesma ilha, uma vez mais com imensas localizações para explorar, outras mulheres para conquistar em situações hilariantes, até que finalmente conhecemos a Passionate Patti, a “nova mulher dos seus sonhos”. Na última parte do jogo iremos inclusivamente jogar com a Patti, algo que se acabou por repetir no jogo seguinte.

Este novo capítulo usa o mesmo motor gráfico do anterior, com cenários muito detalhados para a época, mas as poucas cores dos sistemas EGA estragam um bocado a magia

A nível de mecânicas de jogo, este usa o mesmo motor gráfico do seu predecessor, incluindo uma interface algo rudimentar com o rato (embora tudo se possa fazer com o teclado, incluindo navegar nos menus) e todas as acções que possamos fazer, devem ser lançadas através de comandos com palavras chave. O problema, tal como no jogo anterior, é que nem sempre o jogo compreende as nossas intenções, pelo que teremos de usar algumas palavras específicas. Para além disso, em muitas das acções o jogo obriga-nos a estar posicionados em coordenadas muito específicas, quase pixel-perfect, o que às vezes também irrita um pouco. Este novo capítulo é um pouco mais não linear que os anteriores, pois temos practicamente todas as áreas abertas logo desde o início. E sim, também teremos várias maneiras de morrer, e ocasionalmente poderemos morrer por não ter apanhado algum item específico muito atrás no jogo, pelo que é recomendado gravar o nosso progresso várias vezes e em ficheiros diferentes. Mas felizmente estas situações não são tão recorrentes quanto no seu predecessor!

Antes de começar o jogo somos confrontados com uma série de questões para averiguar o quão adultos somos

Uma coisa que me esqueci de referir nos jogos anteriores é o sistema de protecção anti pirataria que tipicamente existem nos jogos da Sierra e no caso do Larry, o sistema de verificação de idades. Como os jogos do Larry tipicamente possuem algum conteúdo adulto, como cenas de nudez e inúmeras referências sexuais, até que fazia algum sentido implementarem controlos deste género. No primeiro jogo (e o remake de 1991), antes de começar a aventura é-nos questionada a nossa idade. Se for inferior a 17, o jogo salta logo fora, se dissermos que somos adultos, então teremos uma série questões de cultura geral para responder. Se acertarmos numas quantas, o jogo lá nos deixa começar a aventura, caso contrário, saltamos fora uma vez mais. O problema é que as questões são vocacionadas para adultos norte-americanos da época, pelo que vão haver umas quantas questões que não vamos saber responder. Felizmente que existe forma de fazer bypass a este controlo e, hoje em dia, também facilmente encontramos as suas respostas na internet. O segundo jogo não possui qualquer questionário de verificação de idade, pois as suas referências sexuais são menores, embora ainda existam ocasionalmente alguns pixeis marotos em cenas de nudez. Já neste Larry 3 os questionários de verificação de idade voltaram, mas desta vez não nos atiram borda fora se a nossa performance for má. Basicamente temos 5 questões para responder, uma vez mais de cultura geral nem sempre actualizada e focada no público norte americano. Mediante a percentagem de respostas acertadas, o nível de “censura” vai variando. Naturalmente eu procurei sempre acertar as respostas todas para ter acesso à versão o menos censurada possível e sim, neste Larry teremos muitas mais cenas de sexo e nudez, embora estejamos sempre a falar de coisas muito modestas e altamente pixelizadas.

Se respondermos correctamente às 5 questões iniciais, poderemos ver cenas como esta

Já no que diz respeito às protecções anti cópia, antigamente qualquer pessoa copiava muito facilmente jogos de uma disquete para outras, pelo que a Sierra decidiu incluir, seja nos manuais, seja através de folhetos extra que vinham na edição física dos jogos, uma série de pistas para questões que ocasionalmente o jogo nos coloca. Por exemplo, no remake de 1991 do primeiro Larry, a edição física trazia uma série de planfletos aparentemente publicitários, mas que na verdade eram usados pelo jogo ao questionar-nos alguma informação que poderíamos encontrar nesses planfletos. No Larry 2, em vez de um questionário de idade tinhamos um questionário de números de telefone que se podiam encontrar no manual. Já neste Larry 3, teremos alguns puzzles ao longo do jogo que apenas conseguimos resolver se tivermos os manuais. Felizmente que os lançamentos GOG trazem digitalizações dos manuais e todos estes extras!

O sistema de protecção anti cópia obriga-nos a verificar o manual ou outros papéis que vinham originalmente na edição física

Focando-nos novamente neste Larry 3 e na sua parte mais audiovisual, o jogo usa o mesmo motor gráfico do anterior, ou seja com cenários muito detalhados, mas que sofrem bastante com o facto da tecnologia EGA suportar apenas 16 cores em simultâneo, o que acaba por estragar bastante a “pintura”. Por outro lado, as músicas são ainda mais variadas e com mais qualidade. E mesmo a nível de narrativa, o jogo tem uma certa inspiração cinematográfica, ao apresentar alguns créditos dos principais produtores do jogo nas primeiras cenas.

E pronto, fica assim fechada a trilogia inicial dos primeiros Leisure Suit Larry. O jogo seguinte, Larry 5 pois o 4 nunca existiu, já usa um motor gráfico com gráficos em VGA e uma interface verdadeiramente point and click. Estou muito curioso com os  restantes jogos da série, pois apenas tinha jogado os 3 primeiros até agora. Veremos como se safam!

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PGA Tour Golf II (Sega Mega Drive)

Vamos voltar às rapidinhas a jogos desportivos, precisamente ao revisitar a série PGA Tour Golf, com o segundo jogo desta saga a sair na Mega Drive, tendo em conta que já cá falei tanto do primeiro, como do terceiro também. E este vai ser mesmo uma rapidinha, pois os modos de jogo são practicamente os mesmos do seu predecessor, oferecendo no entanto mais circuitos onde competir. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures no passado mês de Abril, tendo-me custado menos de 6€ creio.

Jogo com caixa e manual

Portanto, tal como no primeiro jogo teremos a possibilidade de treinar uma ronda inteira no modo practice, ou treinar tacadas de longa ou curta distância nos modos de treino Driving Range ou Putting Green. O modo torneio é sem dúvida o principal, onde teremos vários circuitos de golfe (supostamente representações fiéis de circuitos de golf reais) pela frente e competimos contra inúmeros outros golfistas profissionais. Temos também o Skins Challenge, que é um outro modo de competição, mas com a pontuação a ser calculada de forma diferente. A nível de mecânicas de jogo, tal como o seu predecessor teremos de ter em consideração a força do vento e qual o taco a usar em cada situação. Felizmente, ao contrário de outros jogos de golf, à medida que seleccionamos o taco temos uma indicação visual de qual a distância máxima que a bola pode atingir. Isto é muito bom para os leigos do desporto possam fazer a melhor escolha, visto que a nossa distância relativa ao buraco está sempre presente no canto inferior direito do ecrã. Quando estamos no green, ou seja próximo do buraco, podemos também chamar um ecrã que nos mostra a curvatura da superfície à volta do mesmo. Já ao preparar as tacadas, temos o habitual medidor de força e efeito que devem ser seleccionados a 2 tempos.

PGA Tour Golf possui mais golfistas e circuitos mas as mecânicas de jogo são similares e ainda bem

A nível gráfico parece-me ser ligeiramente superior que o seu predecessor, na medida em que as sprites dos golfistas estão melhor animadas e a física da trajectória da bola também me parece mais bem conseguida. Já os cenários, a qualidade gráfica em si é muito semelhante à do jogo anterior. A nível de apresentação como um todo, uma vez mais teremos os conselhos de alguns golfistas profissionais antes de cada circuito/buraco, bem como algumas informações dadas por um apresentador de televisão sobre a performance de outros golfistas. No que diz respeito ao som, a música apenas toca nos menus e outros ecrãs de transição, já durante as partidas apenas temos o som das bolas, seja na tacada, seja quando atingem a superfície ou outro obstáculo como árvores. Ocasionalmente também temos algumas vozes digitalizadas como reacções do público.

Portanto aqui temos mais um simulador sólido, embora não traga muitas novidades a nível de jogabilidade perante a iteração anterior. Pelo que já li por aí, que ainda não experimentei o jogo, o PGA Tour 96 é possivelmente o melhor da Mega Drive até porque foi desenvolvido por uma equipa diferente dos restantes. Mas veremos, assim que deitar as minhas mãos num exemplar.

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Leisure Suit Larry II: Goes Looking for Love (in Several Wrong Places) – PC

Depois do sucesso do primeiro Leisure Suit Larry, Al Lowe e a Sierra não perderam muito tempo para colocarem cá fora uma sequela. Usando um motor gráfico mais recente (a primeira versão do SCI), esta sequela é um jogo mais linear, no entanto bem maior, com muitos mais locais para visitar. O meu exemplar digital, tal como os outros jogos da série, veio na compilação Leisure Suit Larry’s Greatest Hits and Misses que foi comprada no GOG algures em 2013 por menos de 2.5€.

Depois da noite incrível que Larry protagonizou no final do primeiro jogo, a sua aventura começa precisamente na casa de Eve, onde acaba por ser expulso da vida da sua primeira conquista amorosa. Ao vaguear por Los Angeles, acabamos por nos ver envolvidos numa série de eventos bizarros: Larry finge ser o vencedor da lotaria e, enquanto está prestes a ser entrevistado pela estação televisiva local, vê-se agarrado a participar por engano num programa de encontros amorosos, onde, incrivelmente, acaba por ganhar uma viagem num cruzeiro pelos trópicos com a jovem concorrente. Pelo meio vê-se também envolvido, acidentalmente como sempre, no meio de uma conspiração de um vilão à lá James Bond que possui uma base secreta numa ilha tropical, onde naturalmente acabaremos por tropeçar e teremos também à perna inúmeros agentes do KGB à nossa procura.

Como habitual vamos tendo sempre uma narrativa bem humorada

Portanto, sendo este um jogo mais linear, tem no entanto vários pontos sem retorno, o que nos pode levar a avançar na história sem ter coleccionado alguns itens importantes antes, algo que iremos certamente sentir a sua falta mais tarde pois o que não faltam aqui são diferentes cenários de game over. Seja pela falta de algum item específico, seja por não usarmos alguns itens em certos momentos chave (o protector solar é muito importante!), ou se caírmos nalguma armadilha do KGB entretanto, ou simplesmente se formos desastrados em certos momentos do jogo. Tal como o seu predecessor, o interface é todo feito através de comandos que teremos de escrever, pelo que por vezes lá existam algumas falhas de vocabulário. Mover Larry é feito através das setas do teclado, e neste jogo teremos algumas ocasiões onde teremos de mover Larry por caminhos perigosos, como escapar de areia movediça, ou atravessar um perigoso desfiladeiro. Por todas estas razões é muito importante ir gravando o progresso no jogo em vários pontos, seja para voltarmos a uma zona atrás no jogo para procurar algum objecto que tenha ficado esquecido, ou para escapar de alguma armadilha do KGB, por exemplo.

Este segundo jogo está repleto de armadilhas e mortes bizarras! Façam saves frequentes e em slots diferentes

A nível audiovisual, sinceramente prefiro o primeiro Larry. Aqui já jogamos num motor gráfico novo, que apesar de possuir sprites, cenários e animações mais detalhadas, ainda é um motor gráfico com tecnologia EGA com 16 cores em simultâneo. Ou seja, com tão poucas cores disponíveis, sinceramente acho que os visuais mais simples e limpos do primeiro jogo tenham envelhecido melhor. Basta verem screenshots dos ecrãs na selva para terem uma ideia melhor do que estou a tentar dizer. Por outro lado, no som, já temos mais músicas e efeitos sonoros ao longo do jogo, embora ainda existam muitos momentos absolutamente silenciosos.

Esta fase foi muito chata!

Portanto este Leisure Suit Larry é mais uma aventura gráfica repleta de situações caricatas e bom humor. É também um jogo mais linear que o seu predecessor, porém é maior, com uma maior variedade de localizações distintas a explorar. No entanto, exige uma jogabilidade ainda mais cuidada, pois teremos imensas armadilhas e alguns puzzles não muito lógicos, muitas vezes exigindo itens que podemos ter deixado passar despercebidos em áreas anteriores às quais já não poderemos regressar. Uma vez mais, múltiplos saves são absolutamente recomendados, caso não queiram consultar nenhum guia.

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Ring: The Legend of the Nibelungen (PC)

Co-produzido pela Cryo Interactive e pela Arxel Tribe, ambas empresas com bastante experiência em jogos de aventura, este Ring: The Legend of the Nibelungen é uma ambiciosa, porém bastante bizarra adaptação da popular ópera de Wagner com um nome semelhante. Esta que por sua vez conta a lenda do Anel dos Nibelungen e uma série de tramas envolvendo deuses da mitologia germânica. O meu exemplar foi comprado há uns valentes anos atrás, numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado uns 5€.

Versão big box em CD-ROM, com 6 discos, manual, papelada e uma disquete que aparentemente possui um “manual interactivo”. Nunca cheguei a confirmar o seu conteúdo, visto actuamlente não ter nenhum PC com drive de disquetes à mão.

Ora tal como referi acima, este jogo é uma adaptação da ópera The Ring of the Nibelungen do compositor Richard Wagner, que conta a história de um anel poderoso, forjado por Alberich, um anão tirano, que irá despoletar uma série de confrontos entre os deuses e outros heróis mortais, como é o caso de Siegfried. Mas ao contrário da ópera de Wagner, aqui a história possui um grande twist, ao introduzir várias influências de ficção científica, com naves espaciais e afins. Aliás, nós encarnamos num humano chamado Ish, um dos últimos sobreviventes da raça humana, muito no futuro, após o planeta ter sido dizimado por outras civilizações alienígenas. Guiados por Erda, uma deusa, somos convidados a vivenciar a história do anel de Nibelungen ao encarnar em diversos portagonistas ao longo de quatro capítulos.

Os mundos que exploramos e as personagens com as quais interagimos possuem um design muito peculiar

Poderemos jogar qualquer um destes capítulos na ordem que bem entendermos, até podemos se quisermos abandonar um capítulo a qualquer momento e explorar outro, mas é recomendado que os joguemos por uma certa ordem, para melhor compreender a história. Podemos então encarnar em Alberich e acompanhá-lo na sua viagem para criar o tal malfadado anel, ou no deus do fogo Loge, que, a mando de Wotan, o chefe dos deuses, viaja ao mundo de Alberich para o derrotar e roubar o seu anel. Ou poderemos encarnar no filho mortal de Wotan, Siegmund, anos mais tarde, e vingar a morte da sua mãe e irmã. Por fim poderemos também encarnar na valquíria Brunhild, no seu exílio após ter desobedecido a Wotan num dos capítulos anteriores.

Para construir forjar o anel, Alberich teve de ultrapassar muitos obstáculos e tentações

No que diz respeito a mecânicas de jogo, este é um jogo de aventura na primeira pessoa com mecânicas idênticas a jogos clássicos como Myst ou Atlantis, este também da Cryo. Ou seja, teremos lindíssimos (para a altura) cenários com gráficos pré-renderizados, embora aqui possamos olhar livremente em 360º à nossa volta. O ponteiro do rato irá assumir diferentes formas quando podemos interagir com alguém ou algum objecto, ou quando nos podemos mover nalguma direcção específica. Como muitos jogos de aventura deste género, cada vez que nos tentamos mover de um local para outro, é acompanhado de um pequeno clip de vídeo que regista essa deslocação. Ou seja, traduzido em miúdos de 1999, isto resulta numa aventura divida ao longo de 6 CDs. Naturalmente também teremos de resolver alguns puzzles bem como coleccionar objectos para os resolver. Muitos destes puzzles são tão bizarros quanto o jogo em si!

A qualquer momento podemos consultar o nosso inventário e usar os itens que vamos amealhando, bem como habilidades específicas de cada personagem

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo possui um design muito singular, ao misturar mitologia germânica com ficção científica, com naves espaciais, pranchas voadoras, titãs representados como mechas, entre outras escolhas bizarras, a comear pela caracterização de muitas das suas personagens. As músicas, tal como faria sentido que assim fosse, são todas excertos da mesma ópera de Wagner, o que sinceramente me agrada bastante! Já no que diz respeito ao voice acting, apesar deste ter sido criticado em muitas reviews, sinceramente eu gostei. Primeiro porque temos a Charlotte Rampling a dar a voz a Erda, num inglês calmo e perfeito. Por outro lado temos intrerpretações bastante bizarras e exageradas noutras personagens, mas a meu ver fazem todo o sentido, pois é mesmo suposto serem exclamações teatrais.

Portanto devo dizer que achei este Ring muito interessante. Não é um jogo perfeito, longe disso, e de certa forma até entendo algumas das críticas que recebeu. Mas é um título muito ambicioso para a sua era, e leva-nos numa viagem muito bizarra, mas também cativante. A Arxel ainda desenvolveu a sequela Ring 2 que aparentemente possui mecânicas de jogo inteiramente diferentes e recebeu ainda críticas piores, mas estou curioso com a conclusão desta história, pelo que se um dia o apanhar ao desbarato, irei certamente aproveitar.

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