Neon Blood (Nintendo Switch)

Tempo de voltar à Nintendo Switch para mais uma rapidinha, desta vez com mais um título indie publicado pela Meridiem Games, que tem trazido em formato físico vários destes lançamentos em solo europeu. Neon Blood é mais uma aventura gráfica que utiliza o seu aspecto visual retro como principal chamariz. E resultou comigo, pois quando o vi em promoção na Press Start por menos de 18€, algures em Abril passado, acabei por o comprar, mesmo depois de ter lido algumas críticas menos positivas ao jogo.

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, livro de arte e papelada diversa.

Neon Blood decorre num futuro cyberpunk, um mundo ultra poluído, repleto de desigualdades sociais e onde megacorporações têm imenso poder sobre a vida das pessoas. É nesse contexto que encarnamos o papel de Axel McCoin, um detective que caiu em desgraça devido ao seu vício em drogas e que possui um passado misterioso do qual não guarda quaisquer memórias. Começamos por investigar o assassinato de um engenheiro de uma grande corporação, cuja principal área de negócio consiste no desenvolvimento de modificações cibernéticas, amplamente utilizadas pela sociedade. É ao investigar esta morte, bem como outras que se seguem, que vamos conhecendo melhor aquele mundo e, claro, acabamos por revelar uma grande conspiração que envolve corrupção e abusos de poder. Tudo isto, no entanto, com uma narrativa bastante simples.

Visualmente é um jogo bastante apelativo, particularmente pelo seu pixel art num universo cyberpunk

Na sua essência, este é um jogo de aventura onde teremos de explorar afincadamente os cenários em busca de pistas, interagir com objectos e falar com pessoas de forma a avançar a narrativa. Ocasionalmente, no entanto, vamos tendo alguns combates com mecânicas de RPG por turnos, onde poderemos atacar, defender, usar habilidades especiais ou itens. O meu problema aqui prende-se com o facto de os pontos de dano sofridos e causados serem demasiado aleatórios, tanto conseguimos causar/sofrer apenas 1 ponto de dano como 20, o que pode tornar os combates bastante desequilibrados. Felizmente, se perdermos um combate temos direito a um ecrã “You Died”, ao estilo de Dark Souls, e à hipótese de recomeçar imediatamente o confronto, onde poderemos ter mais sorte com o lançamento dos dados.

Ocasionalmente teremos mesmo de fazer trabalho de detective, ao usar um dos nossos implantes para salientar, nos cenários, locais de interesse para explorar.

Infelizmente, é também um jogo com alguns problemas, pelo menos nesta versão da Nintendo Switch. O jogo congelou várias vezes depois de falar com certos NPCs, tive uma ocasião em que o jogo crashou por completo e houve ainda uma outra parte, quando exploramos uns esgotos, em que a minha personagem acabou por cair para fora do cenário, algo que me aconteceu mais do que uma vez nesse mesmo segmento. Em todas essas ocasiões tive de reiniciar a aventura a partir do último checkpoint, que nem sempre estava assim tão próximo quanto isso. Quer dizer, estamos a falar de um jogo que terminei em pouco mais de 4 horas, mas tendo em conta que possui várias secções aborrecidas, como algumas fetch quests algo chatas apenas para queimar tempo, não foi propriamente agradável repetir essas partes devido aos bugs que encontrei.

Esta imagem foi retirada da página do jogo na store da Nintendo. Mostra um menu de batalha ligeiramente diferente do resultado final mas, acima de tudo, mostra batalhas envolvendo outras personagens da história, algo que não presenciei e que duvido que tenha chegado ao produto final.

No entanto, apesar de todos os seus problemas, o jogo é bastante interessante do ponto de vista visual. Possui um grafismo cyberpunk muito bem conseguido, em particular pelas suas sprites em 2D, embora mesmo aí se notem alguns pontos a melhorar. Por exemplo, particularmente após os combates contra bosses, teremos de executar vários quick time events, sequências de acção com óptimas animações, mas que decorrem em completo silêncio. A restante direcção sonora também é boa, com várias músicas de inspiração electrónica a serem ouvidas ao longo da aventura e que se adequam bem à atmosfera que o jogo tenta transmitir. Não existe, no entanto, qualquer voice acting, o que também não é assim tão incomum em lançamentos indie. De notar ainda que adorei as várias sequências animadas com que ocasionalmente somos presenteados, pecando apenas por serem bastante curtas.

Portanto, Neon Blood é uma aventura gráfica bastante simples e com algumas arestas ainda por limar nas suas mecânicas de jogo e performance geral. Ainda assim, para quem for fã de temáticas cyberpunk, não deixo de recomendar que o experimentem, particularmente se o encontrarem em promoção.