Depois do grande sucesso da adaptação de 007 Goldeneye por parte da Rare para a Nintendo 64, eis que os direitos para produzir videojogos desta série passaram para as mãos da Electronic Arts. O primeiro jogo que produziram foi uma adaptação do filme Tomorrow Never Dies, também com Pierce Brosnan com o papel do agente secreto mais famoso de sempre. E qual foi a primeira coisa que a EA fez? Descartar tudo o que de bom a Rare fez com o Goldeneye. Típico! O meu exemplar foi comprado em Maio deste ano na loja online da Mr. Zombie, tendo-me custado uns 3€.
Jogo com caixa e manual
Como seria de esperar, o jogo segue a história do filme, até porque ocasionalmente lá nos mostra alguns clipes do mesmo entre níveis. E começamos precisamente por viajar a uma base militar na fronteira entre a Rússia e a China, onde aparentemente estavam a decorrer algumas negociações suspeitas. Claro que as coisas acabam por escalar para um nível bem crítico e acabaremos por ter de defrontar algum vilão com ideias de começar uma guerra nuclear entre duas potências mundiais.
Com a sniper rifle temos muita mais precisão para atingir os inimigos
Qual foi a primeira coisa que a EA descartou em relação ao clássico desenvolvido pela Rare uns anos antes? A perspeciva passou agora para terceira pessoa, com o jogo a assemelhar-se mais a um Syphon Filter. Apesar do jogo suportar controlos analógicos, a sua implementação ainda está longe do standard que temos nos shooters de hoje em dia, pelo que têm de ter paciência. O D-pad tem os típicos tank controls, sendo que podemos usar alguns dos botões de cabeceira para strafing. Para disparar podemos simular uma perspectiva de primeira pessoa, que nos dá mais precisão para acertar nos inimigos, mas isto só é bom se tivermos a jogar numa abordagem mais furtiva. Para aqueles tiroteios mais intensos felizmente que o jogo tem um lock-on automático se estivermos próximos o suficiente dos inimigos. De resto vamos tendo um arsenal relativamente curto para explorar, sendo constituido por uma pistola (com silenciador ou não), metralhadora ou outras armas automáticas, ou uma sniper rifle. Lá mais para a frente acabamos por conseguir equipar alguns explosivos também.
Ocasionalmente lá teremos de esquiar, onde até podemos fazer acrobacias enquanto saltamos
Felizmente que as missões vão sendo algo variadas, logo no primeiro nível temos de escapar de uma perseguição em skis, ou no segundo nível temos de usar uma máquina fotográfica para recolher evidências. Noutro nível ainda vamos ter de conduzir um BMW todo artilhado e destruir uma série de veículos inimigos. No entanto o jogo acaba por ser algo curto, com 10 missões apenas, onde a maior dificuldade está nalguns bosses que iremos ocasionalmente enfrentar. Estes são autênticas esponjas de balas, pelo que temos de nos manter em movimento e ter atenção aos medkits que nos restem! Tendo em conta que teremos de jogar o jogo em hard (dificuldade 007) para ter acesso à cutscene final vamos ter estas dificculdades acrescidas.
Graficamente sinceramente acho este jogo bastante competente, com cenários bem distintos entre si. Tanto visitamos as montanhas entre a Rússia e China, como em seguida viajamos para o coração da Europa para depois voltar à Ásia. As músicas são agradáveis, embora a maioria sejam diferentes interpretações da música temática da série James Bond, tocada em diferentes géneros, até no Heavy Metal.
Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes em FMV do filme
Portanto este 007 Tomorrow Never Dies apesar de não o achar um mau jogo de todo, acho que a Electronic Arts deveria antes ter mantido uma fórmula mais parecida ao do Goldeneye da Rare que tanto agradou a muita gente. Não só eu pessoalmente prefiro jogos em primeira pessoa, como aqui a Electronic Arts descartou também por completo o multiplayer, algo que foi absolutamente importante no Goldeneye. Mas no próximo James Bond da EA, o The World is not Enough, já temos um jogo em primeira pessoa. A ver como se safaram!
Durante o (curto) tempo de vida da Sega Dreamcast, eu era um ávido fanboy desta empresa nipónica. E mesmo ainda não tendo a consola (não havia €€€ para tudo), sempre tentei convencer os meus amigos que a consola da Sega seria uma excelente alternativa face à Playstation 1 ou mesmo à sua sucessora. Um dos jogos que sempre me impressionou foi precisamente o Shenmue de Yu Suzuki, pela liberdade que nos dava enquanto jogadores (sem dúvida um pioneiro do open world) mas também pelos gráficos extremamente bem detalhados para a época. Entretanto quando consegui realmente juntar dinheiro para comprar uma nova consola (em 2002), já a Dreamcast estava morta na Europa, pelo que optei antes por comprar a Nintendo Gamecube, que também tinha um catálogo de videojogos bastante promissor, bem como alguns clássicos da Dreamcast. Entretanto os preços dos Shenmue começaram a escalar e só consegui comprar o meu bem mais tarde, tendo-me custado 20€ na Cash Converters de Alfragide, assim como o Shenmue II, estando os 2 em óptimo estado. Entretanto, depois do Kickstarter do Shenmue III a Sega anunciou finalmente que iria remasterizar os Shenmue originais para os sistemas mais recentes, sendo que acabei por comprar a versão PS4 algures numa das promoções da Worten de “leve 3 pague 2”.
Jogo com sleeve, caixas, manuais e pequeno catálogo. Por algum motivo tenho 2 manuais idênticos
Apesar de ter experimentado o original, foi precisamente no remaster onde consegui terminar o jogo, pelo vou aproveitar para abrir o artigo precisamente para falar das diferenças entre ambas as versões. O remaster foi upscaled para 1080p, com algumas melhorias mínimas nos gráficos, apresentando no entanto a possibilidade de optarmos pelo voice acting em japonês ou inglês. Sinceramente prefiro jogar com o voice acting original, logo aqui está uma óptima melhoria! Os controlos, apesar de estarem longe de perfeitos, foram revistos, incluindo suporte aos analógicos e a algum controlo de câmara adicional . Podemos também salvar o nosso progresso no jogo a qualquer momento, para além de mais alguns pequenos extras como o suporte a troféus.
Remaster dois dois Shenmues para a Playstation 4
A história de Shenmue leva-nos a Dezembro de 1986 à pequena cidade de Dobuita, no Japão. O protagonista é Ryo Hazuki, um jovem estudante da secundária e também praticante de artes marciais que subitamente vê o dojo do seu pai a ser invadido por mafiosos e o seu pai, Iwao Hazuki, a ser atacado por um misterioso homem chinês chamado Lan-Di, que lhe exige um artefacto que aparentemente estava escondido na sua propriedade. Depois de o obter, Lan Di assassina Iwao e põe-se em fuga. Naturalmente que Ryo quer vingança, começando a aventura precisamente no encalço de Lan-Di nas imediações do Dojo Hazuki, e a pouco e pouco vamos também desvendando um pouco do mistério acerca de Lan-Di, quais os seus motivos, bem como o passado de Iwao Hazuki.
Preparem-se para serem transportados para uma versão realista de uma pequena cidade japonesa em 1986
Shenmue é um jogo de natureza open world, bastante pioneiro no seu género, mas que se divide principalmente em 3 vertentes diferentes de jogabilidade. Por um lado temos as freequests, que envolvem toda a exploração das diferentes localizações que vamos tendo acesso, bem como as interacções com outras personagens. Temos também as sequências de pancadaria, onde o jogo se assume um pouco como um beat ‘em up. Também temos algumas cutscenes com Quick Time Events, algo que acabou por se tornar moda poucos anos depois de Shenmue ter vindo ao mundo. Por fim teremos ainda alguns segmentos de condução de veículos que também usam controlos diferentes.
À medida que personagens nos vão dando pistas chave, estas são registadas num bloco de notas.
A parte de toda a exploração é sem dúvida a que mais impressiona devido à atenção ao detalhe que Yu Suzuki e companhia levaram em conta. Shenmue usa um relógio interno onde o tempo não pára sendo que vamos presenceando transições de dia/noite (se bem que às 23:30 voltamos sempre para casa, afinal Ryo ainda é menor e bom rapaz), assim como diferentes condições meteorológicas. Os estabelecimentos comerciais têm horários fixos, e os NPCs possuem diferentes rotinas: de manhã vemo-los a sairem dos seus apartamentos para irem trabalhar, ao fim do dia vemo-los a voltar para casa, por exemplo. Para avançar na história vamos ter de falar com um infindável número de pessoas, se bem que alguns eventos apenas são despoletados a certas alturas do dia. Visto que no primeiro Shenmue não temos qualquer maneira de controlar o tempo, por vezes teremos mesmo de esperar que seja uma certa hora para entrar num certo local, por exemplo. Felizmente que podemos nos entreter com várias coisas enquanto esperamos, seja coleccionar bonecos, ou torrar moedas em arcades, incluindo jogar partidas dos clássicos Hang-On ou Space Harrier, nas suas versões originais.
As horas passam, as pessoas fazem as suas rotinas, a noite cai e abrem-se um novo leque de oportunidades
O sistema de combate já é algo inspirado em Virtua Fighter, o que sinceramente não resulta tão bem quando temos vários oponentes para defrontar ao mesmo tempo. A movimentação é um pouco lenta, e o problema do controlo de câmara (mais sobre isto em breve) também não ajuda. Temos no entanto muitos golpes e combos diferentes para aprender, algo que o jogo também nos encoraja a fazer no tempo livre: aprender novos golpes, e praticá-los. Isto é também um dos melhores passatempos que podemos fazer, pois à medida que vamos treinando as nossas habilidades (seja no dojo da família ou nalguns espaços abertos como um parque de estacionamento vazio em Dobuita), os golpes practicados vão ficando mais fortes, causando mais dano aos inimigos. Depois temos algumas cutscenes com QTEs e hoje em dia creio que toda a gente sabe a que tipo de jogabilidade se refere, algo que Shenmue foi um dos pioneiros. Eventualmente a história remete-nos para investigar as docas locais, onde teremos de inclusivamente de arranjar um emprego. É aqui que acabamos por ser um operador de empilhadoras, onde vamos tendo como tarefas diárias transportar contentores de um lado para o outro, nunca sem antes termos uma corrida matinal de empilhadoras, o que foi um detalhe muito engraçado.
Felizmente também dá bem para gastar o tempo (e dinheiro) a fazer muitas outras coisas que não seguir a história principal
A partir do momento em que ganhamos este emprego, no entanto, a nossa agenda acaba por ficar bem mais trancada, só podendo explorar Dobuita ao final do dia. É nesta fase do jogo também que eventualmente despoletamos uma série de eventos que nos vão levando para o final da primeira aventura, pelo que se quiserem explorar Dobuita por mais algum tempo, evitem ir às docas. No entanto, apesar de longo, este jogo tem no entanto um prazo para ser terminado. Temos até à primavera para o conseguir finalizar, o que acaba por ser tempo mais que suficiente, permitindo-nos explorar os locais e NPCs bem à vontade.
A nível de controlos, bom aqui é que a porca torce o rabo. A maior falha no design da Dreamcast não foi para mim a não inclusão de um leitor de DVD ao invés do formato proprietário GD-ROM, até porque em 1998 essa era uma tecnologia ainda muito recente e cara. Mas a falta de um segundo analógico na Dreamcast é um detalhe que a Sega deveria ter antecipado e corrigido: a Nintendo 64 apesar de não ter 2 analógicos já tinha o C-button a tomar funções similares no controlo de câmara e a Sony já tinha introduzido o Dual Shock a nível global em 1998. Ou seja, na versão Dreamcast usamos o D-pad para controlar Ryo e o analógico para controlar a câmara, o que no comando da Dreamcast se traduz em usar o mesmo polegar para ambas as funções, o que é chato. Para além disso a movimentação de Ryo é algo estranha, muitas vezes imprecisa, o que me levou no início a andar constantemente colado a paredes. Sim, mesmo na versão PS4 que já suporta 2 analógicos! De resto temos mais uma série de detalhes interessantes, mas também um pouco chatos por vezes. Por exemplo, para inspeccionar objectos nos cenários temos de: pressionar um dos botões de cabeceira para fazer zoom e eventualmente mudar a perspectiva para primeira pessoa. Depois, se já tivermos minimamente alinhados com o objecto que queremos inspeccionar, o jogo é inteligente e tranca a câmara nesse objecto, caso contrário temos de controlar a câmara manualmente para apontar para o objecto que queremos inspeccionar. Depois lá carregamos num botão de acção e vemos a mão de Ryo a pegar no objecto, onde podemos posteriormente rodar a mão com o analógico para melhor inspeccionar o objecto que agarramos. Abrir gavetas ou a porta do frigorífico é feita desta forma, bem como inspeccionar os seus conteúdos. Isto é giro pois oferece um realismo sem precedentes para a época, mas também acaba por irritar um pouco.
Algumas personagens estão incrivelmente bem detalhadas, aqui vemos Lan-Di, o assassino que procuramos.
Por fim, a nível audiovisual. Bom, devo dizer que não gostei muito do voice acting em inglês. Sim, é certo que é impressionante para a época todas as personagens terem as suas próprias falas, mas o voice acting em inglês não é o melhor. A versão PS4 felizmente, tal como já referido acima, permite-nos optar pelo voice acting em japonês o que prefiro até porque é bem mais fiel ao clima do jogo, afinal estamos a viver o dia-a-dia de um jovem japonês. De resto as músicas practicamente só existem em cutscenes, sendo bastante agradáveis. Já quando exploramos as ruas de Dobuita apenas ouvimos o burburinho de uma cidade em movimento, com alguns estabelecimentos a tocarem as suas próprias melodias para a rua. A nível gráfico, para um jogo lançado originalmente em 1999, estava de facto soberbo para a época, principalmente nos detalhes das personagens e suas expressões faciais. Os cenários também estavam incrivelmente detalhados para a época. O remaster é uma mera conversão com poucas melhorias neste aspecto, embora tenha reparado que quando anoitece, o jogo fica bem mais escuro no remaster, por algum motivo.
A versão Dreamcast traz também um disco extra, o Shenmue Passport que traz uma série de extras, incluindo algumas funcionalidades online.
Portanto, depois de ter jogado este Shenmue consigo perceber o porquê da Sega ter depositado tantas esperanças neste jogo, pois foi de facto absolutamente inovador para a época e pioneiro em muitos aspects de jogabilidade que vemos em jogos de aventura open world actualmente. Está longe de ser perfeito, com alguns controlos manhosos e a gestão do tempo não ser a melhor, mas devo dizer que gostei bastante, e vou começar muito em breve a sua sequela. Pelo pouco que investiguei antes de a começar, parece que melhoraram uma série de aspectos. Veremos!
Para os fãs dos desenhos animados South Park, há muito que faltava um videojogo que fizesse realmente justiça à série de animação. Felizmente que alguém teve a brilhante ideia de fazer um RPG baseado na série e, após alguns problemas no seu desenvolvimento, em 2014 este Stick of Truth acabou realmente por sair para o mercado, através da Ubisoft. Produzido pela Obsidian Entertainment, um estúdio com bastante experiência no género, e com uma colaboração fantástica por parte dos criadores da série, o resultado foi um RPG relativamente simples a nível de jogabilidade, mas extremamente divertido. O meu exemplar foi comprado algures em Setembro do ano passado, aquando de uma viagem minha para a Polónia. Custou-me algo próximo dos 5€, e era a versão britânica, visto que aqui em Portugal é bem mais comum encontrarmos a versão espanhola La Vara de la Verdad.
Jogo com caixa e manual
A criançada de South Park estava a fazer um pouco de role play de fantasia, dividindo-se em duas facções distintas: os humanos liderados pelo grande feiticeiro Cartman e os elfos, que mais tarde vimos a descobrir que são liderados por Kyle. Ambas as facções procuram manter o seu domínio do Stick of Truth, um artefacto mágico capaz de controlar todo o universo. Nós controlamos um miúdo novo que acabou de se mudar para South Park e, sendo vizinho do Butters, depressa nos tornamos amigos dele e somos envolvidos para a brincadeira, juntando-nos ao KKK de Cartman – Kingdom of Kupa Keep. Aí somos convidados a escolher uma classe – guerreiro, ladrão, mago, ou judeu, especialista em jew-jitsu. Tendo em conta o humor particular de Cartman em relação aos judeus, claramente que ia escolher essa classe. Cada classe possui diferentes habilidades melee e de longo alcance, que podem ser evoluídas sempre que subimos um nível. No entanto, a nível de equipamento não existe qualquer restrição de classes, sendo um RPG bastante simplificado nesse aspecto. Até porque todas as classes possuem habilidades diferentes entre si, mas que de certa forma possuem o mesmo tipo de efeitos sobre os oponentes.
Claro que a primeira coisa a fazer é criar a personagem à nossa medida
O poder do peido é também uma pedra basilar neste Stick of Truth. Visto como magia – e os nossos MPs podem ser restaurados a comer comida como Burritos, vamos também aprender a dar peidos bastante poderosos que podem ser usados em batalha ou mesmo fora delas. Mas já lá vamos. As batalhas não são aleatórias pois os inimigos estão presentes no ecrã, no entanto são por turnos. Apesar de virmos a ter muitos amigos que passam a ser nossos companheiros nos combates, em batalha apenas temos um companheiro ao nosso lado, que pode ser mudado no seu turno. Portanto em cada turno podemos optar por atacar usando as nossas armas (sendo melee ou de longo alcance), usar skills, itens ou, quando as desbloquearmos, as magias flatulentas.
Ao pressionar o botão select podemos aceder a uma série de menus, todos eles bastante intuitivos
Existem vários estados que podemos vir a sofrer, ou causar aos nossos oponentes, como o enojado, a arder, a sangrar, que acabam por causar de certa forma algum dano agravado no final de cada turno. Alguns inimigos também possuem uma armadura muito alta, pelo que teremos de jogar um pouco com as habilidades que diminuem a armadura dos nossos oponentes e se possível causar algum estado nocivo para causar algum dano agravado adicional. Depois, tal como em jogos como a série Mario & Luigi, para os nossos ataques terem sucesso teremos de pressionar alguns botões, ou efectuar outras acções com os analógicos no momento certo, incluindo para nos defendermos de golpes inimigos. No início pode parecer um pouco estranho, mas depois acaba por ser mais intuitivo.
Graficamente é um jogo competente, muito fiel à série de animação
Agora fora das batalhas também vamos poder usar muitas outras habilidades. Muitas vezes até podemos manipular os cenários de forma a criar algumas armadilhas para derrotar os nossos oponentes sem entrarmos em combate, ganhando na mesma os pontos de experiência. Vamos tendo também várias sidequests para cumprir e podemos inclusivamente customizar o equipamento que encontrando com alguns patches que lhe conferem novas habilidades. Portanto, como um RPG, este South Park é algo simples na sua estrutura, principalmente na customização da nossa personagem. No entanto possui muita variedade na sua jogabilidade, incluindo inclusivamente alguns mini-jogos que por vezes teremos de jogar, mantendo a jogabilidade algo refrescante. Habilidades como o fast travel para vários pontos de South Park são também adições benvindas, embora a cidade não seja tão grande quanto isso.
As batalhas são por turnos, sendo que apenas podemos ter um companheiro activo de cada vez
Mas o que realmente faz a diferença neste jogo, tal como na série de televisão, é mesmo o seu sentido de humor extremamente ofensivo. Jogar este Stick of Truth é quase como se estivéssemos a ver uma série de episódios. Temos imenso toilet humor, até porque podemos atirar um cagalhão em batalha para enojar os inimigos, e muitas situações bizarras, incluindo uma batalha épica contra gnomos enquanto os pais do New Kid estão entretidos na cama a fazer outras coisas. Infelizmente a Ubisoft decidiu censurar a versão europeia, mesmo com o PEGI a não se queixar. Algumas cenas /mini-jogos foram retiradas desta versão, como o “aborto” e outras situações que envolvem o pai de Stan, tendo sido substituídas por um ecrã que ironicamente descreve ao detalhe o que nós europeus estamos a perder. O jogo começa também a dar um certo protagonismo a zombies nazis, que proferem discursos de ódio sempre que abrem a boca, algo que apenas foi censurado na Alemanha, o que se compreende visto eles terem leis para tal. De resto, o restante conteúdo que foi censurado acho que a Ubisoft foi cautelosa demais e se o organismo Europeu que faz este tipo de controlos não se opôs, acho que a Ubisoft deveria ter deixado as versões europeias o mais intocadas possível. Claro que no PC existem patches para remover este conteúdo censurado, mas nas versões para consolas isso não acontece.
Também desbloqueamos alguns summons que podem ser usados em batalhas contra não-bosses. Como o Mr. Hankey, por exemplo. Hooowdy-oh!
A nível audiovisual, nada de especial a apontar. Os desenhos de South Park nunca foram extremamente complexos e o jogo representa perfeitamente um cartoon. Tudo está bem detalhado dentro do estilo da série. Os diálogos estão excelentes e as vozes são as mesmas dos desenhos animados, pelo que se forem fãs da série televisiva não vão notar nenhuma diferença. Na versão PS3 só notei alguns slowdowns ocasionais, especialmente quando o jogo está ocupado a fazer saves automáticos. Em relação a estes saves automáticos, o jogo tem por defeito os 3 últimos checkpoints sempre gravados, o que pode ser interessante caso queiramos restaurar o jogo para algum ponto (não muito) atrás no tempo. Temos também a possibilidade de fazer save do último checkpoint em ficheiros de save à parte,
Infelizmente a versão europeia tem alguma censura
Portanto, se forem fãs da série South Park e também gostarem de RPGs, aproveitem pois apesar de este Stick of Truth não ser perfeito, é extremamente divertido. Claro que se não gostarem de humor negro e se ofenderem facilmente com piadas xenófobas, gay, sexistas e outras, então passem longe do jogo. As mesmas produtoras envolvidas neste Stick of Truth (excepto a Obsidian que foi substituída por um estúdio interno da Ubisoft) lançaram em 2017 a sequela The Fractured but Whole que me deixa bastante curioso. Essa sequela geralmente traz também um código digital para o Stick of Truth, pelo que pode ser também uma alternativa para experimentarem este jogo.
A saga Strider foi uma das mais promissoras da Capcom, com a sua origem no final da década de 80. A mesma decorre num futuro distópico, onde o planeta terra estava dominado por uma ditadura de ferro. Mas um clã de ninjas, os Striders, juraram devolver a liberdade ao povo, libertando-os do seu tirano. A Capcom esmerou-se a construir este mundo imaginário, tendo resultado num fantástico jogo arcade (cuja adaptação para a Mega Drive já a trouxe cá), um outro jogo completamente diferente para a NES e uma manga. A britânica U.S. Gold acabou por produzir uma sequela não oficial para uma série de sistemas e depois disso a série ficou adormecida por alguns anos. Até que em 1999, uma vez mais nas arcades, a Capcom lança uma verdadeira sequela ao clássico e no ano seguinte a Playstation acabou por receber uma conversão. O meu exemplar foi comprado em Maio deste ano, num evento retro gaming. Está incompleto, faltando-lhe o manual e o CD extra com o Strider original de bónus, mas por 2€ não o podia deixar ficar lá.
Jogo com caixa. Fica a faltar o manual e o CD extra.
Este jogo decorre 2000 anos após os eventos do primeiro jogo, onde o feiticeiro Grandmaster renasceu e uma vez mais tomou de assalto todo o planeta. Também uma vez mais caberá a um novo ninja Strider, novamente chamado Hyriu, o papel de o derrotar. Tal como no Strider original, Hyriu é um ninja bastante hábil e atlético, retendo todas as suas habilidades do original. Isto significa que vamos poder dar saltos acrobáticos, escalar paredes ou mesmo tectos. Para além disso temos uma série de novas habilidades, como a possibilidade de correr, slide, ou dar um duplo salto no ar, por exemplo. A nossa arma é uma vez mais uma espada, mas podemos ir encontrando alguns power ups que lhe aumentam o seu poder. Outros itens, para além de itens regenerativos, consistem nos boosts. Estes, quando activados, permitem-nos disparar umas ondas plasma a cada golpe que efectuamos, durante um certo tempo limite.
Antes de cada missão temos um briefing onde ficamos com uma ideia do layout do nível
O jogo em si não é muito comprido, mas como seria de esperar exige alguma perícia. Os primeiros três níveis podem ser jogados em qualquer ordem, sendo bastante distintos entre si. O primeiro decorre em plena metrópole de Hong Kong, já o segundo num grande castelo bem no centro da Alemanha. O terceiro nível passa-se numa base militar da Antárctida, já os últimos 2 níveis são a perseguição final ao Grand Master, um deles numa grande fortaleza aérea (qualquer semelhança com o Strider original não é coincidência) e o confronto final a decorrer em pleno Espaço. Os níveis em si estão divididos em vários segmentos, muitos deles com o seu próprio sub-boss e, sendo este um jogo de acção com as suas origens nas arcades, podem mesmo contar com muita coisa a acontecer. Gostei particularmente das gravidades alternadas nos últimos níveis!
Bosses é coisa que não falta!
A nível audiovisual é um jogo competente, misturando cenários 3D com os personagens principais e outros inimigos a serem sprites em 2D. Pessoalmente acho que preferiria que fosse tudo num 2D muito bem desenhado, mas sinceramente não desgostei do resultado final. Os níveis são muito distintos entre si como já referia acima, e os cenários em 3D poligonal não ficaram mal de todo. A nível áudio também não tenho nada de especial a acrescentar, os sons e as músicas são bastante competentes, apenas acrescentaria um pouco de voice acting ou algumas cutscenes mais trabalhadas. Se o original arcade for um jogo em cartucho, compreendo o porquê da Capcom não o ter feito originalmente, mas seria interessante que a conversão para a PS1 trouxesse mais alguns extras. E já agora falando de extras, para além de uma conversão practicamente perfeita do Strider original num disco à parte, podemos também desbloquear uma personagem secundária, um outro Strider com diferentes habilidades, para jogar na sequela.
A história vai sendo contada ao longo de pequenas cutscenes entre cada nível
Portanto este Strider 2 até que foi uma óptima surpresa ao fim de tanto tempo sem se ouvir nada de novo desta série. A Capcom conseguiu pegar no que fez o original um clássico das arcades e incutir-lhe um toque mais moderno, com ainda mais acção non-stop. Infelizmente depois deste Strider 2, que já tinha saído algo tarde, numa altura em que a Dreamcast já estava no mercado e a Playstation 2 à porta, a Capcom voltou a enterrar a série. Até que em 2014 fizeram um reboot à mesma, lançando mais um óptimo jogo de acção, embora apenas em formato digital (que eu saiba). Mas isso seria assunto para um outro artigo.
Voltando aos jogos da Telltale, no passado mês de Junho acabei por mandar vir do eBay UK o penúltimo capítulo da saga The Walking Dead, o A New Frontier. Foi muito barato, visto que foi comprado novo a menos de 10€ e por cá não encontrava a esse valor nem em segunda mão. Para quem já jogou os anteriores, sabe bem com o que pode contar aqui, pelo que não me vou alongar muito neste artigo.
Jogo com caixa. Comprado novo e nem um panfleto publicitário traz…
Este título conta então mais um capítulo da vida da jovem Clementine, a qual já seguimos desde o primeiro TWD. Visto que joguei os primeiros dois jogos na Playstation 3, não consegui usar o save com as minhas escolhas do jogo anterior, mas a Telltale pensou nesse caso e antes de começarmos uma nova aventura, podemos resumir as nossas escolhas chave dos dois jogos anteriores. As escolhas que tomei no primeiro jogo ainda me lembrava bem, já as do segundo nem por isso, o que também diz muita coisa em relação à sequela não ter sido tão memorável assim. De resto, e apesar da Clementine ser uma personagem importante ao longo deste jogo, na verdade acabamos por controlar antes Javier Garcia, um ex-jogador de basebol, que tenta sobreviver a todo o apocalipse zombie com o que resta da sua família, nomeadamente os seus dois jovens sobrinhos e a cunhada.
Como sempre vamos tendo algumas escolhas para fazer
Javier vem de uma relação complicada com o seu irmão David, algo que também acaba por transparecer para o resto da família e esse é um dos pontos chave no desenvolvimento das personagens nesta aventura. A Clementine acaba por se cruzar com Javier e sua família e a história vai-se desenrolando a partir do momento em que ambos decidem colaborar. Como sempre vamos ter uma série de conflitos pela frente, não só com zombies, mas também com outras povoações humanas, tendo muitas vezes de tomar decisões difíceis que podem resultar na morte de algumas personagens chave, ou no relacionamento que vamos tendo com os nossos pares, pois para agradar a uns acabamos por desagradar a outros e isso reflete-se no desenrolar da história. Como sempre nesta série temos um tempo limite para tomar as nossas decisões, e no caso do diálogos, ficar calado é também uma opção, mas geralmente nunca é muito boa.
Para além dos diálogos vamos tendo aquelas mecânicas típicas dos jogos de aventura point and click, onde teremos de explorar os cenários, interagir com pessoas e objectos. Por vezes la temos alumas situações de combate onde o jogo recorre uma vez mais aos quick time events. A maneira como estes QTEs estão apresentados até é bastante inteligente e natural, pelo que estas secções não são tão chatas assim, como em muitos outros jogos que usam e abusam dos QTEs.
Os QTEs até que são bem dinâmicos
De resto a nível técnico este A New Frontier mantém o mesmo estilo gráfico dos seus predecessores, nomeadamente o cel-shading que lhe dá um aspecto mais saído de banda desenhada, o que é natural pois é mesmo desse meio que The Walking Dead surgiu. A diferença aqui é que este jogo está bem mais polido, com melhores efeitos de luz e definições das expressões faciais de cada personagem. Afinal de contas, joguei os anteriores numa PS3 e aqui notam-se bem alguns melhoramentos. De resto, temos um excelente voice acting como habitual.
Portanto este The Walking Dead é mais um jogo de aventura competente, mas usa uma fórmula que já deixa poucas surpresas a quem jogou os anteriores. Colocaram aqui muito mais drama familiar que nos jogos anteriores para tentar diferenciá-lo, apesar de mais uma vez termos várias escolhas que alteram o desenrolar do jogo, há sempre uma linha condutora para a qual as nossas escolhas vão convergindo no final. Fico curioso no entanto para jogar o último capítulo da saga, quanto mais não seja para ver qual será o destino de Clementine.