South Park: The Stick of Truth (Sony Playstation 3)

Para os fãs dos desenhos animados South Park, há muito que faltava um videojogo que fizesse realmente justiça à série de animação. Felizmente que alguém teve a brilhante ideia de fazer um RPG baseado na série e, após alguns problemas no seu desenvolvimento, em 2014 este Stick of Truth acabou realmente por sair para o mercado, através da Ubisoft. Produzido pela Obsidian Entertainment, um estúdio com bastante experiência no género, e com uma colaboração fantástica por parte dos criadores da série, o resultado foi um RPG relativamente simples a nível de jogabilidade, mas extremamente divertido. O meu exemplar foi comprado algures em Setembro do ano passado, aquando de uma viagem minha para a Polónia. Custou-me algo próximo dos 5€, e era a versão britânica, visto que aqui em Portugal é bem mais comum encontrarmos a versão espanhola La Vara de la Verdad.

Jogo com caixa e manual

A criançada de South Park estava a fazer um pouco de role play de fantasia, dividindo-se em duas facções distintas: os humanos liderados pelo grande feiticeiro Cartman e os elfos, que mais tarde vimos a descobrir que são liderados por Kyle. Ambas as facções procuram manter o seu domínio do Stick of Truth, um artefacto mágico capaz de controlar todo o universo. Nós controlamos um miúdo novo que acabou de se mudar para South Park e, sendo vizinho do Butters, depressa nos tornamos amigos dele e somos envolvidos para a brincadeira, juntando-nos ao KKK de Cartman – Kingdom of Kupa Keep. Aí somos convidados a escolher uma classe – guerreiro, ladrão, mago, ou judeu, especialista em jew-jitsu. Tendo em conta o humor particular de Cartman em relação aos judeus, claramente que ia escolher essa classe. Cada classe possui diferentes habilidades melee e de longo alcance, que podem ser evoluídas sempre que subimos um nível. No entanto, a nível de equipamento não existe qualquer restrição de classes, sendo um RPG bastante simplificado nesse aspecto. Até porque todas as classes possuem habilidades diferentes entre si, mas que de certa forma possuem o mesmo tipo de efeitos sobre os oponentes.

Claro que a primeira coisa a fazer é criar a personagem à nossa medida

O poder do peido é também uma pedra basilar neste Stick of Truth. Visto como magia – e os nossos MPs podem ser restaurados a comer comida como Burritos, vamos também aprender a dar peidos bastante poderosos que podem ser usados em batalha ou mesmo fora delas. Mas já lá vamos. As batalhas não são aleatórias pois os inimigos estão presentes no ecrã, no entanto são por turnos. Apesar de virmos a ter muitos amigos que passam a ser nossos companheiros nos combates, em batalha apenas temos um companheiro ao nosso lado, que pode ser mudado no seu turno. Portanto em cada turno podemos optar por atacar usando as nossas armas (sendo melee ou de longo alcance), usar skills, itens ou, quando as desbloquearmos, as magias flatulentas.

Ao pressionar o botão select podemos aceder a uma série de menus, todos eles bastante intuitivos

Existem vários estados que podemos vir a sofrer, ou causar aos nossos oponentes, como o enojado, a arder, a sangrar, que acabam por causar de certa forma algum dano agravado no final de cada turno. Alguns inimigos também possuem uma armadura muito alta, pelo que teremos de jogar um pouco com as habilidades que diminuem a armadura dos nossos oponentes e se possível causar algum estado nocivo para causar algum dano agravado adicional. Depois, tal como em jogos como a série Mario & Luigi, para os nossos ataques terem sucesso teremos de pressionar alguns botões, ou efectuar outras acções com os analógicos no momento certo, incluindo para nos defendermos de golpes inimigos. No início pode parecer um pouco estranho, mas depois acaba por ser mais intuitivo.

Graficamente é um jogo competente, muito fiel à série de animação

Agora fora das batalhas também vamos poder usar muitas outras habilidades. Muitas vezes até podemos manipular os cenários de forma a criar algumas armadilhas para derrotar os nossos oponentes sem entrarmos em combate, ganhando na mesma os pontos de experiência. Vamos tendo também várias sidequests para cumprir e podemos inclusivamente customizar o equipamento que encontrando com alguns patches que lhe conferem novas habilidades. Portanto, como um RPG, este South Park é algo simples na sua estrutura, principalmente na customização da nossa personagem. No entanto possui muita variedade na sua jogabilidade, incluindo inclusivamente alguns mini-jogos que por vezes teremos de jogar, mantendo a jogabilidade algo refrescante. Habilidades como o fast travel para vários pontos de South Park são também adições benvindas, embora a cidade não seja tão grande quanto isso.

As batalhas são por turnos, sendo que apenas podemos ter um companheiro activo de cada vez

Mas o que realmente faz a diferença neste jogo, tal como na série de televisão, é mesmo o seu sentido de humor extremamente ofensivo. Jogar este Stick of Truth é quase como se estivéssemos a ver uma série de episódios. Temos imenso toilet humor, até porque podemos atirar um cagalhão em batalha para enojar os inimigos, e muitas situações bizarras, incluindo uma batalha épica contra gnomos enquanto os pais do New Kid estão entretidos na cama a fazer outras coisas. Infelizmente a Ubisoft decidiu censurar a versão europeia, mesmo com o PEGI a não se queixar. Algumas cenas /mini-jogos foram retiradas desta versão, como o “aborto” e outras situações que envolvem o pai de Stan, tendo sido substituídas por um ecrã que ironicamente descreve ao detalhe o que nós europeus estamos a perder. O jogo começa também a dar um certo protagonismo a zombies nazis, que proferem discursos de ódio sempre que abrem a boca, algo que apenas foi censurado na Alemanha, o que se compreende visto eles terem leis para tal. De resto, o restante conteúdo que foi censurado acho que a Ubisoft foi cautelosa demais e se o organismo Europeu que faz este tipo de controlos não se opôs, acho que a Ubisoft deveria ter deixado as versões europeias o mais intocadas possível. Claro que no PC existem patches para remover este conteúdo censurado, mas nas versões para consolas isso não acontece.

Também desbloqueamos alguns summons que podem ser usados em batalhas contra não-bosses. Como o Mr. Hankey, por exemplo. Hooowdy-oh!

A nível audiovisual, nada de especial a apontar. Os desenhos de South Park nunca foram extremamente complexos e o jogo representa perfeitamente um cartoon. Tudo está bem detalhado dentro do estilo da série. Os diálogos estão excelentes e as vozes são as mesmas dos desenhos animados, pelo que se forem fãs da série televisiva não vão notar nenhuma diferença. Na versão PS3 só notei alguns slowdowns ocasionais, especialmente quando o jogo está ocupado a fazer saves automáticos. Em relação a estes saves automáticos, o jogo tem por defeito os 3 últimos checkpoints sempre gravados, o que pode ser interessante caso queiramos restaurar o jogo para algum ponto (não muito) atrás no tempo. Temos também a possibilidade de fazer save do último checkpoint em ficheiros de save à parte,

Infelizmente a versão europeia tem alguma censura

Portanto, se forem fãs da série South Park e também gostarem de RPGs, aproveitem pois apesar de este Stick of Truth não ser perfeito, é extremamente divertido. Claro que se não gostarem de humor negro e se ofenderem facilmente com piadas xenófobas, gay, sexistas e outras, então passem longe do jogo. As mesmas produtoras envolvidas neste Stick of Truth (excepto a Obsidian que foi substituída por um estúdio interno da Ubisoft) lançaram em 2017 a sequela The Fractured but Whole que me deixa bastante curioso. Essa sequela geralmente traz também um código digital para o Stick of Truth, pelo que pode ser também uma alternativa para experimentarem este jogo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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