James Bond 007: Nightfire (Sony Playstation 2)

Um ano após o lançamento do Agent Under Fire, a Electronic Arts voltou à carga com mais um FPS sobre as aventuras do James Bond, tendo este Nightfire sido produzido pelos britânicos da Eurocom, pelo menos nas suas versões para consolas domésticas. E este é mais um videojogo que não é baseado em nenhum filme, embora a aparência de Bond desta vez já seja a de Pierce Brosnan, o então actor que representava o papel do espião mais famoso do cinema. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa feira de velharias, lembro-me que me custou 2€.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa, até publicidade

Mal ligamos o jogo e somos logo transportados a um prelúdio, uma espécie de modo tutorial onde Bond trabalha em conjunto com uma agente dos serviços secretos franceses para prevenir um grupo de terroristas detonar uma bomba nuclear na cidade de Paris, em plena noite de comemoração do ano novo. Uma vez completada essa introdução, temos a hipótese de começar o jogo em si. Aqui temos a missão de investigar uma grande corporação internacional, que é a principal suspeita de ter roubado um sistema de guia de mísseis Norte Americano. Ao longo do jogo iremos percorrer diversos cenários, desde as montanhas Austríacas, várias localizações no Japão, ou uma enorme base inimiga em ilhas no oceano pacífico.

A primeira missão a sério leva-nos a um castelo nas montanhas Austríacas.

Tal como o seu predecessor, este jogo partilha muitas das suas mecânicas de jogo, na medida em que teremos ao nosso dispor inúmeras armas de fogo, muitas delas com modo de silenciador, pois teremos várias missões onde uma aproximação mais furtiva é altamente recomendada. Teremos também imensos gadgets diferentes para usar ao longo das missões, desde descodificadores de fechaduras, raios laser, ou óculos especiais que nos permitem activar a visão nocturna ou uma outra que nos permite ver passagens secretas. Tal como no jogo anterior teremos também alguns segmentos com veículos, uns onde alguém os conduz e apenas temos de nos preocupar em ir atirando sobre tudo o que nos ataque, outros onde já somos nós ao voltante. Mas desta vez os níveis onde somos nós a conduzir são bem mais lineares, já não temos aqueles níveis onde poderíamos percorrer várias ruas diferentes nas cidades para alcançar o mesmo objectivo. Para compensar há no entanto uma maior variedade de veículos que teremos de conduzir, incluindo um submarino ou avião ligeiro.

Também teremos algumas missões com veículos, mas desta vez as mesmas são bem mais lineares

De resto, tal como no jogo anterior, a nossa performance é avaliada no final de cada missão através de uma série de parâmetros como a pontaria, o tempo, dano sofrido, entre outros incluindo os tais “momentos Bond”, como usar gadgets de forma inteligente ou causar imensa destruição em certos momentos chave. Ao obter boas performances em cada nível iremos uma vez mais desbloquear imensos extras, como armas douradas, upgrades para armas e gadgets, novas personagens no mutiplayer incluindo mesmo novos modos no multiplayer também. Era uma boa maneira de dar mais alguma longevidade ao jogo, pois tal como no seu predecessor este também não é muito longo assim. Sobra-nos então também abordar o modo multiplayer. Este possui diversos modos de jogo que permitem até 4 jogadores em simultâneo com splitscreen, mas também poderemos incluir bots e customizar alguns dos seus parâmetros como as armas a usar. Os modos de jogo resumem-se a variantes do deathmatch, capture the flag, vários modos de jogo onde temos de activar/defender/destruir objectivos espalhados pelos níveis, entre outros.

Os níveis são bastante diversificados e muito bem detalhados

Passando para os gráficos, esta é uma óptima evolução perante o Agent Under Fire. Os níveis continuam com cenários variados, mas agora acho que possuem muito mais detalhe. As texturas das superfícies são mais complexas, já não temos tantas paredes só com a mesma cor e os oponentes possuem também mais detalhe. No que diz respeito ao voice acting este é bastante competente e as músicas também vão sendo, na sua maioria, remixes das melodias habituais nos filmes do Bond, adaptadas para os diferentes contextos.

Portanto devo dizer que sinceramente até gostei desta nova aventura do James Bond. Não é um FPS que reinventa a roda, mas possui missões interessantes e níveis bem desenhados que nos vão manter entretidos durante algum tempo. Não é um jogo muito longo no entanto, mas oferece muitas recompensas a quem quiser perder mais tempo para dominar bem todas as missões. Não é o meu caso pois tenho muito mais coisas que quero jogar… De resto convém também referir que a versão PC é um jogo diferente, produzido pela Gearbox. Acho que joguei uns 10 minutos disto algures em 2003 em casa de uns primos meus franceses e fiquei com vontade de sacar o jogo quando chegasse a Portugal, o que acabou por não acontecer.

Beyond: Two Souls (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Na altura em que a Revista PUSHSTART era um projecto bem mais activo, recordo-me de ter sido convidado pela Sony para uma apresentação deste jogo em Lisboa, mais concretamente da versão que havia sido localizada para o nosso país, com direito a uma dublagem aparentemente bastante competente. Aliás, não seria caso para menos, pois os jogos da Quantic Dream focam-se numa narrativa muito bem trabalhada e no caso deste Beyond: Two Souls não seria diferente. Pois bem, após ter jogado partes do jogo nesse evento, só no final de 2017 é que arranjei a minha cópia para a Playstation 3, tendo sido comprada numa Cex do Porto por 8€. Mas só agora é que acabei por o jogar, mais precisamente o seu remaster para a PS4, que vem numa compilação com o remaster do Heavy Rain também. Este meu exemplar já foi comprado algures no verão passado, num flea market no Porto por cerca de 5/6€, e estava ainda selado.

Jogo com caixa e manual

Mas então no que consiste este jogo? Aqui acompanhamos a vida de Jodie Holmes, representada pela actriz Ellen Page, que desde cedo não teve uma vida fácil. É que Jodie não está sozinha, desde que nasceu que tem uma entidade sobrenatural, um poltergeist chamado Aiden, ligado (literalmente) a si. Então desde criança que acabou por ser acolhida por um instituto que estuda fenómenos paranormais, liderado por Nathan Sawkins (interpretado por Willem Dafoe), que acaba por se tornar numa espécie de figura parental ao longo da sua vida. As habilidades de Jodie, em virtude do seu amigo Aiden, não passam despercebidas pelo governo norte-americano que a obriga a juntar-se à CIA. E começamos precisamente a aventura a jogar com uma Jodie adulta, fugitiva, a causar todo o caos perante os seus perseguidores. O resto do jogo irá-se desenrolando ao ilustrar os diferentes períodos da sua vida, pelo menos os mais marcantes, sendo que a narrativa não segue necessariamente uma ordem cronológica, mas sim vai saltando por várias fases do crescimento de Jodie, como a sua adolescência, a formação na CIA e algumas das missões que teve de realizar.

Colectânea com versões remasterizadas do Beyond Two Souls e Heavy Rain

Tal como Fahrenheit e Heavy Rain, há aqui um grande foco na narrativa e uma falsa sensação de liberdade, pois muitas vezes podemos vaguear pelos cenários e ir interagindo com uma grande variedade de objectos e pessoas, mas tudo está também de certa forma “no guião” e a certa altura eventos vão acontecer. As acções que tenhamos tomado (ou não tomado) até então terão também consequências na forma como cada capítulo se desenrola. Por vezes teremos também algumas decisões chave para tomar, que poderão não só influenciar bastante o final do jogo, bem como alguns dos seus capítulos intermédios, como a decisão de salvar ou agredir/matar certas pessoas. O jogo vai tendo momentos de pura exploração, mas também momentos de acção, especialmente quando Jodie já é uma jovem adulta, desde o seu treino na CIA. Temos aqui alguns elementos de cover shooting e também jogabilidade furtiva, e claro, tal como nos jogos anteriores da Quantic Dream, teremos também vários quick time events para completar. Felizmente que estes não foram tão frustrantes como nos seus jogos anteriores.

Como habitual vamos tendo várias escolhas para fazer nos diálogos, mas também podemos optar por ficar calados

Quando temos a liberdade de explorar os cenários à nossa volta, podemos ir alternando entre jogar com Jodie ou o seu poltergeist Aiden. Aiden está ligado a Jodie pelo que não se pode afastar muito dela, mas com Aiden poderemos atravessar paredes, interagir com objectos, ou mesmo possuir ou estrangular outras pessoas. Isto é algo que teremos de fazer não só em algumas missões mais orientadas para a acção, bem como para resolver alguns puzzles. Agora, infelizmente a nossa liberdade não é assim tanta, pois Aiden apenas se pode mover ao longo de diversos pontos luminosos espalhados pela área de jogo e os humanos, nem todos podem ser possuídos, ou assassinados, só os que o jogo assim o exige. Ainda assim, mesmo com essa limitação de liberdade, achei as mecânicas de jogo muito interessantes e a relação de Aiden com Jodie está de facto muito bem conseguida.

Com Aiden podemos espiar o que as pessoas estão a dizer de nós noutras divisões

Ao longo do jogo, à medida que vamos explorando os cenários com o Aiden, poderemos também encontrar algumas esferas azuis que se traduzem em conteúdo extra. Estes desbloqueiam não só galerias de arte, bem como alguns vídeos que relatam o processo de criação do jogo. Um dos clips que podemos desbloquear é uma demo técnica do The Dark Sorcerer, uma cutscene renderizada em realtime pela PS4 que mostrava as capacidades técnicas da actual consola da Sony. Este remaster traz ainda mais conteúdo extra, como um modo remix que nos permite jogar os capítulos pela ordem cronológica e não pela ordem original, bem como a expansão Experiments, que nos introduz alguns desafios novos para ultrapassar.

Eventualmente também iremos combater outras entidades paranormais

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo está muito, muito bom, para a consola que foi desenvolvido. Sendo originalmente um jogo de 2013 e tendo sido lançado para a Playstation 3, o nível de detalhe gráfico que aqui incluiram está muito bem conseguido, particularmente na caracterização das personagens, as suas animações fluídas e expressões faciais muitíssimo bem detalhadas. Os diferentes cenários que vamos explorando, para além de serem bastante diversificados, também estavam muito bem representados. O remaster para a PS4 ficou ainda melhor devido à maior resolução de imagem, melhor fluidez performance no geral, bem como os próprios gráficos estarem ainda algo superiores. O voice acting é excelente, pois a Quantic Dream investiu bastante não só na caracterização e animação das personagens, mas também em toda a sua representação. Eu sei que a Sony Portugal também se esforçou por trazer uma óptima localização, mas apenas joguei este jogo com o seu voice acting original.

As interacções que vamos poder ter sobre os cenários são apresentadas muitas vezes com este tipo de pistas visuais

Portanto devo dizer que fiquei bastante agradado com este Beyond: Two Souls. A sua história é de facto cativante, e tecnicamente o que a Quantic Dream conseguiu aqui implementar era de facto tecnicamente impressionante, especialmente pelo detalhe das animações e expressões faciais. As mecânicas de jogo que aqui introduziram, em particular a interacção que podemos ter entre Jodie e Aiden estão muito boas e, mesmo que o jogo nos dê alguma falsa sensação de liberdade, não houve nenhum momento de frustração, nem mesmo durante as cutscenes com QTEs, que desta vez até me pareceram bem mais permissivos a pequenas falhas. A ver como eles se safaram com o Detroit: Become Human assim que o arranjar a um preço atraente.

Giana Sisters: Twisted Dreams (PC / Sony Playstation 4)

Já cá trouxe no passado um artigo do Giana Sisters DS, um sólido jogo de plataformas 2D que acabou por servir de relançamento de uma franquia há muito enterrada, desde o final da década de 80. É que o primeiríssimo Giana Sisters, lançado em diversos micro-computadores da época, mas a sua semelhança bastante óbvia com Super Mario Bros. acabou por o retirar das lojas. Em 2012, após um kickstarter bem sucedido, a Black Forest Games, agora a detentora dos direitos desta série, acabou por produzir um novo jogo de plataformas, tendo sido lançado inicialmente para o PC e outras consolas de forma digital. Anos mais tarde e a Playstation 4 acabou por receber uma edição física que contém o Twisted Dreams, o DLC Rise of the Owlverlord e alguns níveis extra. Eu possuo o Twisted Dreams e o Rise of the Owlverlord na minha conta steam já há alguns anos, tendo vindo certamente de algum bundle barato. A versão PS4 foi comprada na Worten em Março de 2018, não tendo chegado a 7€.

Jogo com caixa e papelada

A história não é muito diferente do Giana Sisters DS. Maria, irmã de Giana foi uma vez mais raptada por um vilão do mundo dos sonhos, pelo que Giana parte uma vez mais para esse mundo fantasioso com a missão de a salvar. Neste Twisted Dreams temos uma vez mais mecânicas de um jogo de plataformas 2D, embora os níveis estejam todos representados em 3D. O subtítulo Twisted Dreams não existe por acaso, pois a principal mecânica de jogo consiste na possibilidade de alternarmos sempre que quisermos entre as 2 personalidades de giana, a sua versão cute, e a sua versão punk, cada qual com mecânicas de jogo distintas e, com os próprios níveis a mudarem entre si sempre que alternemos entre ambas as facetas de Giana. Giana pode andar e saltar, sendo que poderemos derrotar a maioria dos inimigos ao saltar em cima deles. Na sua personalidade cute, ou seja, com os cabelos loiros, Giana tem a habilidade de rodopiar após um salto, podendo planar suavemente em pleno ar e activar alguns interruptores específicos. Já na sua versão Punk, esta habilidade é substituída por um dash attack, algo parecido ao homing attack de Sonic nos Sonic Adventure, por exemplo. Esta habilidade permite também destruir blocos, paredes frágeis e ricochetear em superfícies, permitindo-nos assim subir alguns túneis estreitos enquanto mantivermos o botão dash apertado.

Cada versão de Giana possui diferentes habilidades que teremos de usar com mestria

O jogo vai-nos colocar imensos desafios de platforming onde teremos de ir alternando entre ambas as personalidades de Giana, não só para ir usando as habilidades de cada uma, mas também para manipular alguns elementos dos níveis em si. Há plataformas automáticas que se movem em direcções distintas consoante a personalidade de Giana, outras que aparecem ou desaparecem, passagens que se abrem ou fecham, ou mesmo no comportamento de alguns inimigos, por exemplo. De resto, para além dos interessantes desafios de platforming que vamos encontrando, este é também um jogo que recompensa a exploração, pois existem vários caminhos secundários e passagens secretas, onde poderemos encontrar imagens para desbloquear na galeria de artwork. No fim de cada nível a nossa performance é avaliada pela quantidade de diamantes que apanhamos, imagens desbloqueadas e número de vezes que morremos.

As diferentes personalidades de Giana têm também influência nos obstáculos que vamos enfrentando

O jogo está distrubuído ao longo de várias dificuldades. No caso da versão PS4, o modo normal é o mais fácil, com mais checkpoints espalhados ao longo dos níveis. O modo hard coloca-nos menos checkpoints, o hardcore sem qualquer checkpoint e o Uber hardcore obriga-nos a chegar ao fim do jogo inteiro com uma vida apenas. Caso morremos, é recomeçar do zero. E o jogo apresenta uma jogabilidade bastante sólida, mas não tenho paciência, ou sou masoquista o suficiente para explorar esses níveis de dificuldade mais avançados. Até porque tenho muito mais jogos em backlog para explorar! De resto temos ainda modos de jogo como o Score e Time Attack, onde a nossa performance é avaliada por pontos ou por tempo respectivamente.

Visualmente é um jogo muito apelativo, e sinceramente prefiro estas versões mais coloridas dos níveis

A nível audiovisual, confesso que este jogo foi uma bela surpresa. Os gráficos são bastante bonitos, mas considerem isto uma espécie de um jogo indie de 2012, ou seja, pré PS4 e afins. Os níveis são bastante coloridos e a forma como o mundo nos é apresentado varia consoante a personalidade de Giana que temos activada no momento. Com a Giana loira, os cenários possuem todos paisagens sinistras e inimigos infernais, enquanto que com a Giana punk, tudo isto é alterado por paisagens cheias de vida e cores vibrantes. A banda sonora também tem um tratamento similar, mas ao contrário. Com a Giana loira, as músicas são algo discretas e com melodias “fofinhas”. Ao alternar para a Giana punk, temos versões bem mais rock n roll, cheias de guitarradas das mesmas músicas. E tudo isto alterna suavemente com um toque de botão! De resto apenas tenho a lamentar não existir uma maior variedade de cenários. É quase tudo florestas, castelos, cavernas e o DLC trouxe também alguns níveis com uma temática de piratas. É certo que todos estes cenários possuem diferentes visuais consoante a personalidade de Giana, mas estaria à espera de mais variedade.

Esta versão física possui também uma série de níveis extra, como este dedicado ao Halloween

Portanto este Giana Sisters acabou por se revelar numa excelente surpresa. Esta versão física acaba por ser um mimo interessante para coleccionadores, até porque contém o DLC e uma série de níveis extra tudo no mesmo disco. Mas indepentendemente da versão e plataforma que prefiram, se gostam de jogos de plataforma em 2D, este título é uma aposta ganha.

James Bond 007: Agent Under Fire (Sony Playstation 2)

Agent Under Fire marca a primeira aventura de James Bond numa nova geração de consolas, tendo sido lançado para a Playstation 2, mas também Xbox e Nintendo Gamecube. Produzido uma vez mais pela Electronic Arts, que ainda detinha a licença da série, este Agent Under Fire é mais um first person shooter sem qualquer relação com outros filmes ou livros da saga. O meu exemplar foi comprado numa das CeX da região do Porto, algures em Dezembro do ano passado por 2.5€.

Jogo com caixa e manual

A história coloca um James Bond (sem parecenças com Pierce Brosnan, que até à data era ainda o último actor a representar esse papel), numa série de missões que o irá opor a um grupo terrorista que, com a capacidade de clonar seres humanos, planeava substituir todos os grandes líderes mundiais com clones seus, de forma a controlar os maiores governos mundiais e realizar as suas ambições.

Antes de cada missão vamos tendo um briefing da mesma, como tem sido habitual

E este é um jogo inteiramente jogado na primeira pessoa, onde vamos atravessando várias missões, uma com uma componente bastante furtiva, onde teremos de evitar a todo o custo sermos detectados e/ou alarmes serem activados, missões mais de acção e inclusivamente teremos alguns segmentos onde poderemos conduzir alguns veículos. Ao longo do jogo teremos a hipótese de usar uma grande variedade de diferentes armas como pistolas, armas automáticas, shotguns, ou explosivos como granadas e lança-rockets. E claro, sendo este um jogo do James Bond, teremos também inúmeros gadgets para utilizar. O telemóvel de James Bond possui mais funcionalidades do que um canivete suiço, permitindo-lhe disparar raios laser para destruir cadeados, desencriptar fechaduras electrónicas, disparar um gancho que lhe permite alcançar plataformas de outra forma inatingíveis, entre outros gadgets, como um jetpack, ou uns óculos capazes de detectar passagens secretas e outras áreas escondidas.

Ocasionalmente o jogo vai-nos relembrando dos nossos objectivos ou dar algumas dicas de como prosseguir

Tal como referi acima, ocasionalmente também vamos ter missões baseadas em veículos. Nalgumas teremos alguém a conduzir por nós e teremos apenas de disparar para os inimigos que vão surgindo no ecrã, tornando-se num shooter on rails, enquanto que noutras missões estaremos nós ao volante de carros como o BMW Z8, um Aston Martin ou mesmo um tanque de guerra! Nessas missões tipicamente poderemos nos deslocar algo livremente pelas ruas das cidades em que nos encontramos, sendo que iremos encontrar não só alguns oponentes pela frente, onde poderemos usar livremente as armas que cada carro possui, como metralhadoras, rockets, ou outros dispositivos como deixar poças de óleo na estrada para despistar quem nos persegue. Apesar de podermos navegar livremente pelas ruas, teremos na mesma de cumprir alguns objectivos, estando estes devidamente sinalizados no mapa que surge no ecrã.

Ocasionalmente temos algumas missões onrails, onde alguém conduz um veículo por nós. Aí é só disparar em tudo o que mexa!

O jogo possui também um grande foco nos “Momentos Bond”, seja ao usar os gadgets que temos à nossa disposição de maneira inteligente, seja ao matar uma série de inimigos ao disparar sobre objectos explosivos, ou mesmo interagir com algumas mulheres atraentes que ocasionalmente surgem nas missões. Por exemplo, logo no primeiro nível temos de infiltrar uma base inimiga. E podemos fazê-lo por duas vias: a primeira é desencriptar o código da porta de entrada e assim conseguir entrar. A segunda opção é a de usar o gancho para nos projectar-mos para o telhado e infiltrar na base através das condutas de ar. Noutra missão, onde temos de nos infiltrar numa embaixada britânica algures na Europa de Leste, a certa altura deparamo-nos com uma série de raios laser que devemos evitar para que toque o alarme. Podemos saltar sobre eles, mas se usarmos os óculos especiais, conseguimos encontrar na parede os painéis de controlo dos lasers, que poderemos usar depois os gadgets do telemóvel de Bond para os desactivar. O jogo vai tendo ocasionalmente diferentes possibilidades de alcançar o mesmo objectivo o que é algo interessante, mas não é usado ao mesmo nível que jogos como Deus Ex, por exemplo.

Ocasionalmente também teremos missões onde conduzimos veículos livremente

O jogo possui alguma longevidade devido à quantidade de segredos e desbloqueáveis que poderemos obter em cada missão. Isto porque no final das mesmas, a nossa performance é avaliada numa série de factores: o número de “momentos Bond”, inimigos derrotados, tempo que levamos a completar a missão, dano sofrido, pontaria, ou o grau de dificuldade escolhido são tudo factores que serão tidos em conta na nossa avaliação. Fazendo pontos suficientes poderemos desbloquear novas armas como o caso da icónica pistola dourada, novas skins para o multiplayer, ou mesmo algumas batotas como munições ilimitadas para algumas armas e afins. E sim, o jogo suporta multiplayer com até 4 jogadores em simultâneo, mas confesso que nem o cheguei a experimentar. Aparentemente possui variantes do deathmatch, capture the flag e mesmo um modo de desarmar bombas certamente inspirado no Counter Strike.

Temos inúmeros gadgets à nossa disposição para usar

Já no que diz respeito aos controlos, confesso que estes podiam ser um bocadinho melhores. No que diz respeito a movimentar o Bond, o esquema de controlo já está algo dentro dos parâmetros habituais hoje em dia com o analógico esquerdo a controlar o movimento e o direito a controlar a câmara. Tal como no GoldenEye, no entanto, podemos também estar estáticos no ecrã e deslocar a mira para onde quisermos, ao pressionar o botão R2 em conjunto com o analógico esquerdo. Para disparar não usamos nenhum botão de cabeceira, mas sim o botão X. Para além disso, alternar entre as diferentes armas e gadgets deve ser feito através do d-pad, sente-se a falta de um botão específico para as granadas. É que no meio de uma situação mais bicuda, ter de percorrer as diferentes armas até escolhermos uma granada faz muita diferença. Vá lá que o jogo até é algo generoso no dano que sofremos, bem como na quantidade de medkits (armaduras) que podemos encontrar ao longo dos níveis.

A aventura pode nem ser muito longa, mas possui imensos extras que nos levarão tempo a desbloquear

Graficamente é um jogo competente, usando uma versão modificada do motor gráfico id Tech 3, o mesmo que nos trouxe o Quake III Arena. Ao longo do jogo iremos explorar diversos cenários distintos como cidades, uma plataforma petrolífera, bases subaquáticas, navios de guerra, entre outros. Os níveis em si possuem um nível de detalhe quanto baste, pois as superfícies acabam por ter texturas muito simples. No entanto o jogo possui alguns efeitos de luz interessantes, e boas expressões faciais, visíveis particularmente nas cutscenes. No que diz respeito ao som, nada a apontar ao voice acting, nem aos efeitos sonoros e música que são bastante competentes. Irão ouvir melodias temáticas do James Bond imensas vezes, no entanto.

Portanto devo dizer que até gostei deste James Bond 007 Agent Under Fire. É um FPS sólido, embora não seja muito longo, com missões variadas e imensos gadgets para usar. Para além disso, o facto de terem alternado missões FPS com outras de condução foi também uma jogada inteligente para uma maior variedade na jogabilidade. Apesar de ser um jogo relativamente curto, o mesmo possui uma boa longevidade para quem quiser desbloquear todo o conteúdo adicional. A Electronic Arts não perdeu tempo e no ano seguinte lançou o Nightfire, uma sequela directa deste jogo e uma vez mais no formato de FPS. Planeio jogá-lo em breve!

Final Fantasy Origins (Sony Playstation)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora na primeira Playstation, o artigo de hoje até merecia um texto bem mais longo, pois trata-se de uma compilação que traz os primeiros 2 Final Fantasy para a Playstation, logo a primeira vez que poderíamos jogar ambos os títulos na Europa. Mas, na verdade já cá trouxe artigos que falaram de ambos os jogos, seja na mesma compilação que saiu posteriormente para a Gameboy Advance, sejam nas conversões musculadas, e com muito mais conteúdo do Final Fantasy e Final Fantasy II para a Playstation Portable. O meu exemplar foi comprado algures no início do mês de Maio, numa loja na zona do porto, custou-me 30€ e estava selado.

Jogo completo com caixa, manual e cartões com arte

A Squaresoft, ao longo dos anos, foi lançando várias versões e conversões dos seus primeiros 2 Final Fantasy. Algures no ano de 2000 lançaram um remake com gráficos melhorado, já com uma qualidade 16bit para a extinta portátil da Bandai, a Wonderswan Color, uma excelente portátil que teve sucesso limitado, e nunca acabou por chegar ao ocidente. Essas versões foram usadas nesta compilação para a Playstation, que lhe adicionaram algumas cutscenes em FMV e música com mais qualidade. Posteriormente foram relançados na Gameboy Advance, embora sem estes extras, mas com outros incluindo um bestiário e novas dungeons. Anos depois a Square desenvolveu versões com ainda mais conteúdo para a PSP, como já referi acima.

Pode não parecer, mas este já era um belo upgrade visual considerando os originais da NES/Famicom.

Portanto esta versão acaba por ser algo desactualizada, visto que podemos jogar ambos os jogos, com bem mais conteúdo, incluindo estas cutscenes em FMV nas suas versões PSP. Ainda assim, por motivos de coleccionismo, não quis desperdiçar esta oportunidade de o ter comprado, até porque o jogo possui uma série de pequenos cartões com artwork do jogo que acho muito bons.