Beyond: Two Souls (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Na altura em que a Revista PUSHSTART era um projecto bem mais activo, recordo-me de ter sido convidado pela Sony para uma apresentação deste jogo em Lisboa, mais concretamente da versão que havia sido localizada para o nosso país, com direito a uma dublagem aparentemente bastante competente. Aliás, não seria caso para menos, pois os jogos da Quantic Dream focam-se numa narrativa muito bem trabalhada e no caso deste Beyond: Two Souls não seria diferente. Pois bem, após ter jogado partes do jogo nesse evento, só no final de 2017 é que arranjei a minha cópia para a Playstation 3, tendo sido comprada numa Cex do Porto por 8€. Mas só agora é que acabei por o jogar, mais precisamente o seu remaster para a PS4, que vem numa compilação com o remaster do Heavy Rain também. Este meu exemplar já foi comprado algures no verão passado, num flea market no Porto por cerca de 5/6€, e estava ainda selado.

Jogo com caixa e manual

Mas então no que consiste este jogo? Aqui acompanhamos a vida de Jodie Holmes, representada pela actriz Ellen Page, que desde cedo não teve uma vida fácil. É que Jodie não está sozinha, desde que nasceu que tem uma entidade sobrenatural, um poltergeist chamado Aiden, ligado (literalmente) a si. Então desde criança que acabou por ser acolhida por um instituto que estuda fenómenos paranormais, liderado por Nathan Sawkins (interpretado por Willem Dafoe), que acaba por se tornar numa espécie de figura parental ao longo da sua vida. As habilidades de Jodie, em virtude do seu amigo Aiden, não passam despercebidas pelo governo norte-americano que a obriga a juntar-se à CIA. E começamos precisamente a aventura a jogar com uma Jodie adulta, fugitiva, a causar todo o caos perante os seus perseguidores. O resto do jogo irá-se desenrolando ao ilustrar os diferentes períodos da sua vida, pelo menos os mais marcantes, sendo que a narrativa não segue necessariamente uma ordem cronológica, mas sim vai saltando por várias fases do crescimento de Jodie, como a sua adolescência, a formação na CIA e algumas das missões que teve de realizar.

Colectânea com versões remasterizadas do Beyond Two Souls e Heavy Rain

Tal como Fahrenheit e Heavy Rain, há aqui um grande foco na narrativa e uma falsa sensação de liberdade, pois muitas vezes podemos vaguear pelos cenários e ir interagindo com uma grande variedade de objectos e pessoas, mas tudo está também de certa forma “no guião” e a certa altura eventos vão acontecer. As acções que tenhamos tomado (ou não tomado) até então terão também consequências na forma como cada capítulo se desenrola. Por vezes teremos também algumas decisões chave para tomar, que poderão não só influenciar bastante o final do jogo, bem como alguns dos seus capítulos intermédios, como a decisão de salvar ou agredir/matar certas pessoas. O jogo vai tendo momentos de pura exploração, mas também momentos de acção, especialmente quando Jodie já é uma jovem adulta, desde o seu treino na CIA. Temos aqui alguns elementos de cover shooting e também jogabilidade furtiva, e claro, tal como nos jogos anteriores da Quantic Dream, teremos também vários quick time events para completar. Felizmente que estes não foram tão frustrantes como nos seus jogos anteriores.

Como habitual vamos tendo várias escolhas para fazer nos diálogos, mas também podemos optar por ficar calados

Quando temos a liberdade de explorar os cenários à nossa volta, podemos ir alternando entre jogar com Jodie ou o seu poltergeist Aiden. Aiden está ligado a Jodie pelo que não se pode afastar muito dela, mas com Aiden poderemos atravessar paredes, interagir com objectos, ou mesmo possuir ou estrangular outras pessoas. Isto é algo que teremos de fazer não só em algumas missões mais orientadas para a acção, bem como para resolver alguns puzzles. Agora, infelizmente a nossa liberdade não é assim tanta, pois Aiden apenas se pode mover ao longo de diversos pontos luminosos espalhados pela área de jogo e os humanos, nem todos podem ser possuídos, ou assassinados, só os que o jogo assim o exige. Ainda assim, mesmo com essa limitação de liberdade, achei as mecânicas de jogo muito interessantes e a relação de Aiden com Jodie está de facto muito bem conseguida.

Com Aiden podemos espiar o que as pessoas estão a dizer de nós noutras divisões

Ao longo do jogo, à medida que vamos explorando os cenários com o Aiden, poderemos também encontrar algumas esferas azuis que se traduzem em conteúdo extra. Estes desbloqueiam não só galerias de arte, bem como alguns vídeos que relatam o processo de criação do jogo. Um dos clips que podemos desbloquear é uma demo técnica do The Dark Sorcerer, uma cutscene renderizada em realtime pela PS4 que mostrava as capacidades técnicas da actual consola da Sony. Este remaster traz ainda mais conteúdo extra, como um modo remix que nos permite jogar os capítulos pela ordem cronológica e não pela ordem original, bem como a expansão Experiments, que nos introduz alguns desafios novos para ultrapassar.

Eventualmente também iremos combater outras entidades paranormais

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo está muito, muito bom, para a consola que foi desenvolvido. Sendo originalmente um jogo de 2013 e tendo sido lançado para a Playstation 3, o nível de detalhe gráfico que aqui incluiram está muito bem conseguido, particularmente na caracterização das personagens, as suas animações fluídas e expressões faciais muitíssimo bem detalhadas. Os diferentes cenários que vamos explorando, para além de serem bastante diversificados, também estavam muito bem representados. O remaster para a PS4 ficou ainda melhor devido à maior resolução de imagem, melhor fluidez performance no geral, bem como os próprios gráficos estarem ainda algo superiores. O voice acting é excelente, pois a Quantic Dream investiu bastante não só na caracterização e animação das personagens, mas também em toda a sua representação. Eu sei que a Sony Portugal também se esforçou por trazer uma óptima localização, mas apenas joguei este jogo com o seu voice acting original.

As interacções que vamos poder ter sobre os cenários são apresentadas muitas vezes com este tipo de pistas visuais

Portanto devo dizer que fiquei bastante agradado com este Beyond: Two Souls. A sua história é de facto cativante, e tecnicamente o que a Quantic Dream conseguiu aqui implementar era de facto tecnicamente impressionante, especialmente pelo detalhe das animações e expressões faciais. As mecânicas de jogo que aqui introduziram, em particular a interacção que podemos ter entre Jodie e Aiden estão muito boas e, mesmo que o jogo nos dê alguma falsa sensação de liberdade, não houve nenhum momento de frustração, nem mesmo durante as cutscenes com QTEs, que desta vez até me pareceram bem mais permissivos a pequenas falhas. A ver como eles se safaram com o Detroit: Become Human assim que o arranjar a um preço atraente.

Giana Sisters: Twisted Dreams (PC / Sony Playstation 4)

Já cá trouxe no passado um artigo do Giana Sisters DS, um sólido jogo de plataformas 2D que acabou por servir de relançamento de uma franquia há muito enterrada, desde o final da década de 80. É que o primeiríssimo Giana Sisters, lançado em diversos micro-computadores da época, mas a sua semelhança bastante óbvia com Super Mario Bros. acabou por o retirar das lojas. Em 2012, após um kickstarter bem sucedido, a Black Forest Games, agora a detentora dos direitos desta série, acabou por produzir um novo jogo de plataformas, tendo sido lançado inicialmente para o PC e outras consolas de forma digital. Anos mais tarde e a Playstation 4 acabou por receber uma edição física que contém o Twisted Dreams, o DLC Rise of the Owlverlord e alguns níveis extra. Eu possuo o Twisted Dreams e o Rise of the Owlverlord na minha conta steam já há alguns anos, tendo vindo certamente de algum bundle barato. A versão PS4 foi comprada na Worten em Março de 2018, não tendo chegado a 7€.

Jogo com caixa e papelada

A história não é muito diferente do Giana Sisters DS. Maria, irmã de Giana foi uma vez mais raptada por um vilão do mundo dos sonhos, pelo que Giana parte uma vez mais para esse mundo fantasioso com a missão de a salvar. Neste Twisted Dreams temos uma vez mais mecânicas de um jogo de plataformas 2D, embora os níveis estejam todos representados em 3D. O subtítulo Twisted Dreams não existe por acaso, pois a principal mecânica de jogo consiste na possibilidade de alternarmos sempre que quisermos entre as 2 personalidades de giana, a sua versão cute, e a sua versão punk, cada qual com mecânicas de jogo distintas e, com os próprios níveis a mudarem entre si sempre que alternemos entre ambas as facetas de Giana. Giana pode andar e saltar, sendo que poderemos derrotar a maioria dos inimigos ao saltar em cima deles. Na sua personalidade cute, ou seja, com os cabelos loiros, Giana tem a habilidade de rodopiar após um salto, podendo planar suavemente em pleno ar e activar alguns interruptores específicos. Já na sua versão Punk, esta habilidade é substituída por um dash attack, algo parecido ao homing attack de Sonic nos Sonic Adventure, por exemplo. Esta habilidade permite também destruir blocos, paredes frágeis e ricochetear em superfícies, permitindo-nos assim subir alguns túneis estreitos enquanto mantivermos o botão dash apertado.

Cada versão de Giana possui diferentes habilidades que teremos de usar com mestria

O jogo vai-nos colocar imensos desafios de platforming onde teremos de ir alternando entre ambas as personalidades de Giana, não só para ir usando as habilidades de cada uma, mas também para manipular alguns elementos dos níveis em si. Há plataformas automáticas que se movem em direcções distintas consoante a personalidade de Giana, outras que aparecem ou desaparecem, passagens que se abrem ou fecham, ou mesmo no comportamento de alguns inimigos, por exemplo. De resto, para além dos interessantes desafios de platforming que vamos encontrando, este é também um jogo que recompensa a exploração, pois existem vários caminhos secundários e passagens secretas, onde poderemos encontrar imagens para desbloquear na galeria de artwork. No fim de cada nível a nossa performance é avaliada pela quantidade de diamantes que apanhamos, imagens desbloqueadas e número de vezes que morremos.

As diferentes personalidades de Giana têm também influência nos obstáculos que vamos enfrentando

O jogo está distrubuído ao longo de várias dificuldades. No caso da versão PS4, o modo normal é o mais fácil, com mais checkpoints espalhados ao longo dos níveis. O modo hard coloca-nos menos checkpoints, o hardcore sem qualquer checkpoint e o Uber hardcore obriga-nos a chegar ao fim do jogo inteiro com uma vida apenas. Caso morremos, é recomeçar do zero. E o jogo apresenta uma jogabilidade bastante sólida, mas não tenho paciência, ou sou masoquista o suficiente para explorar esses níveis de dificuldade mais avançados. Até porque tenho muito mais jogos em backlog para explorar! De resto temos ainda modos de jogo como o Score e Time Attack, onde a nossa performance é avaliada por pontos ou por tempo respectivamente.

Visualmente é um jogo muito apelativo, e sinceramente prefiro estas versões mais coloridas dos níveis

A nível audiovisual, confesso que este jogo foi uma bela surpresa. Os gráficos são bastante bonitos, mas considerem isto uma espécie de um jogo indie de 2012, ou seja, pré PS4 e afins. Os níveis são bastante coloridos e a forma como o mundo nos é apresentado varia consoante a personalidade de Giana que temos activada no momento. Com a Giana loira, os cenários possuem todos paisagens sinistras e inimigos infernais, enquanto que com a Giana punk, tudo isto é alterado por paisagens cheias de vida e cores vibrantes. A banda sonora também tem um tratamento similar, mas ao contrário. Com a Giana loira, as músicas são algo discretas e com melodias “fofinhas”. Ao alternar para a Giana punk, temos versões bem mais rock n roll, cheias de guitarradas das mesmas músicas. E tudo isto alterna suavemente com um toque de botão! De resto apenas tenho a lamentar não existir uma maior variedade de cenários. É quase tudo florestas, castelos, cavernas e o DLC trouxe também alguns níveis com uma temática de piratas. É certo que todos estes cenários possuem diferentes visuais consoante a personalidade de Giana, mas estaria à espera de mais variedade.

Esta versão física possui também uma série de níveis extra, como este dedicado ao Halloween

Portanto este Giana Sisters acabou por se revelar numa excelente surpresa. Esta versão física acaba por ser um mimo interessante para coleccionadores, até porque contém o DLC e uma série de níveis extra tudo no mesmo disco. Mas indepentendemente da versão e plataforma que prefiram, se gostam de jogos de plataforma em 2D, este título é uma aposta ganha.

James Bond 007: Agent Under Fire (Sony Playstation 2)

Agent Under Fire marca a primeira aventura de James Bond numa nova geração de consolas, tendo sido lançado para a Playstation 2, mas também Xbox e Nintendo Gamecube. Produzido uma vez mais pela Electronic Arts, que ainda detinha a licença da série, este Agent Under Fire é mais um first person shooter sem qualquer relação com outros filmes ou livros da saga. O meu exemplar foi comprado numa das CeX da região do Porto, algures em Dezembro do ano passado por 2.5€.

Jogo com caixa e manual

A história coloca um James Bond (sem parecenças com Pierce Brosnan, que até à data era ainda o último actor a representar esse papel), numa série de missões que o irá opor a um grupo terrorista que, com a capacidade de clonar seres humanos, planeava substituir todos os grandes líderes mundiais com clones seus, de forma a controlar os maiores governos mundiais e realizar as suas ambições.

Antes de cada missão vamos tendo um briefing da mesma, como tem sido habitual

E este é um jogo inteiramente jogado na primeira pessoa, onde vamos atravessando várias missões, uma com uma componente bastante furtiva, onde teremos de evitar a todo o custo sermos detectados e/ou alarmes serem activados, missões mais de acção e inclusivamente teremos alguns segmentos onde poderemos conduzir alguns veículos. Ao longo do jogo teremos a hipótese de usar uma grande variedade de diferentes armas como pistolas, armas automáticas, shotguns, ou explosivos como granadas e lança-rockets. E claro, sendo este um jogo do James Bond, teremos também inúmeros gadgets para utilizar. O telemóvel de James Bond possui mais funcionalidades do que um canivete suiço, permitindo-lhe disparar raios laser para destruir cadeados, desencriptar fechaduras electrónicas, disparar um gancho que lhe permite alcançar plataformas de outra forma inatingíveis, entre outros gadgets, como um jetpack, ou uns óculos capazes de detectar passagens secretas e outras áreas escondidas.

Ocasionalmente o jogo vai-nos relembrando dos nossos objectivos ou dar algumas dicas de como prosseguir

Tal como referi acima, ocasionalmente também vamos ter missões baseadas em veículos. Nalgumas teremos alguém a conduzir por nós e teremos apenas de disparar para os inimigos que vão surgindo no ecrã, tornando-se num shooter on rails, enquanto que noutras missões estaremos nós ao volante de carros como o BMW Z8, um Aston Martin ou mesmo um tanque de guerra! Nessas missões tipicamente poderemos nos deslocar algo livremente pelas ruas das cidades em que nos encontramos, sendo que iremos encontrar não só alguns oponentes pela frente, onde poderemos usar livremente as armas que cada carro possui, como metralhadoras, rockets, ou outros dispositivos como deixar poças de óleo na estrada para despistar quem nos persegue. Apesar de podermos navegar livremente pelas ruas, teremos na mesma de cumprir alguns objectivos, estando estes devidamente sinalizados no mapa que surge no ecrã.

Ocasionalmente temos algumas missões onrails, onde alguém conduz um veículo por nós. Aí é só disparar em tudo o que mexa!

O jogo possui também um grande foco nos “Momentos Bond”, seja ao usar os gadgets que temos à nossa disposição de maneira inteligente, seja ao matar uma série de inimigos ao disparar sobre objectos explosivos, ou mesmo interagir com algumas mulheres atraentes que ocasionalmente surgem nas missões. Por exemplo, logo no primeiro nível temos de infiltrar uma base inimiga. E podemos fazê-lo por duas vias: a primeira é desencriptar o código da porta de entrada e assim conseguir entrar. A segunda opção é a de usar o gancho para nos projectar-mos para o telhado e infiltrar na base através das condutas de ar. Noutra missão, onde temos de nos infiltrar numa embaixada britânica algures na Europa de Leste, a certa altura deparamo-nos com uma série de raios laser que devemos evitar para que toque o alarme. Podemos saltar sobre eles, mas se usarmos os óculos especiais, conseguimos encontrar na parede os painéis de controlo dos lasers, que poderemos usar depois os gadgets do telemóvel de Bond para os desactivar. O jogo vai tendo ocasionalmente diferentes possibilidades de alcançar o mesmo objectivo o que é algo interessante, mas não é usado ao mesmo nível que jogos como Deus Ex, por exemplo.

Ocasionalmente também teremos missões onde conduzimos veículos livremente

O jogo possui alguma longevidade devido à quantidade de segredos e desbloqueáveis que poderemos obter em cada missão. Isto porque no final das mesmas, a nossa performance é avaliada numa série de factores: o número de “momentos Bond”, inimigos derrotados, tempo que levamos a completar a missão, dano sofrido, pontaria, ou o grau de dificuldade escolhido são tudo factores que serão tidos em conta na nossa avaliação. Fazendo pontos suficientes poderemos desbloquear novas armas como o caso da icónica pistola dourada, novas skins para o multiplayer, ou mesmo algumas batotas como munições ilimitadas para algumas armas e afins. E sim, o jogo suporta multiplayer com até 4 jogadores em simultâneo, mas confesso que nem o cheguei a experimentar. Aparentemente possui variantes do deathmatch, capture the flag e mesmo um modo de desarmar bombas certamente inspirado no Counter Strike.

Temos inúmeros gadgets à nossa disposição para usar

Já no que diz respeito aos controlos, confesso que estes podiam ser um bocadinho melhores. No que diz respeito a movimentar o Bond, o esquema de controlo já está algo dentro dos parâmetros habituais hoje em dia com o analógico esquerdo a controlar o movimento e o direito a controlar a câmara. Tal como no GoldenEye, no entanto, podemos também estar estáticos no ecrã e deslocar a mira para onde quisermos, ao pressionar o botão R2 em conjunto com o analógico esquerdo. Para disparar não usamos nenhum botão de cabeceira, mas sim o botão X. Para além disso, alternar entre as diferentes armas e gadgets deve ser feito através do d-pad, sente-se a falta de um botão específico para as granadas. É que no meio de uma situação mais bicuda, ter de percorrer as diferentes armas até escolhermos uma granada faz muita diferença. Vá lá que o jogo até é algo generoso no dano que sofremos, bem como na quantidade de medkits (armaduras) que podemos encontrar ao longo dos níveis.

A aventura pode nem ser muito longa, mas possui imensos extras que nos levarão tempo a desbloquear

Graficamente é um jogo competente, usando uma versão modificada do motor gráfico id Tech 3, o mesmo que nos trouxe o Quake III Arena. Ao longo do jogo iremos explorar diversos cenários distintos como cidades, uma plataforma petrolífera, bases subaquáticas, navios de guerra, entre outros. Os níveis em si possuem um nível de detalhe quanto baste, pois as superfícies acabam por ter texturas muito simples. No entanto o jogo possui alguns efeitos de luz interessantes, e boas expressões faciais, visíveis particularmente nas cutscenes. No que diz respeito ao som, nada a apontar ao voice acting, nem aos efeitos sonoros e música que são bastante competentes. Irão ouvir melodias temáticas do James Bond imensas vezes, no entanto.

Portanto devo dizer que até gostei deste James Bond 007 Agent Under Fire. É um FPS sólido, embora não seja muito longo, com missões variadas e imensos gadgets para usar. Para além disso, o facto de terem alternado missões FPS com outras de condução foi também uma jogada inteligente para uma maior variedade na jogabilidade. Apesar de ser um jogo relativamente curto, o mesmo possui uma boa longevidade para quem quiser desbloquear todo o conteúdo adicional. A Electronic Arts não perdeu tempo e no ano seguinte lançou o Nightfire, uma sequela directa deste jogo e uma vez mais no formato de FPS. Planeio jogá-lo em breve!

Final Fantasy Origins (Sony Playstation)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora na primeira Playstation, o artigo de hoje até merecia um texto bem mais longo, pois trata-se de uma compilação que traz os primeiros 2 Final Fantasy para a Playstation, logo a primeira vez que poderíamos jogar ambos os títulos na Europa. Mas, na verdade já cá trouxe artigos que falaram de ambos os jogos, seja na mesma compilação que saiu posteriormente para a Gameboy Advance, sejam nas conversões musculadas, e com muito mais conteúdo do Final Fantasy e Final Fantasy II para a Playstation Portable. O meu exemplar foi comprado algures no início do mês de Maio, numa loja na zona do porto, custou-me 30€ e estava selado.

Jogo completo com caixa, manual e cartões com arte

A Squaresoft, ao longo dos anos, foi lançando várias versões e conversões dos seus primeiros 2 Final Fantasy. Algures no ano de 2000 lançaram um remake com gráficos melhorado, já com uma qualidade 16bit para a extinta portátil da Bandai, a Wonderswan Color, uma excelente portátil que teve sucesso limitado, e nunca acabou por chegar ao ocidente. Essas versões foram usadas nesta compilação para a Playstation, que lhe adicionaram algumas cutscenes em FMV e música com mais qualidade. Posteriormente foram relançados na Gameboy Advance, embora sem estes extras, mas com outros incluindo um bestiário e novas dungeons. Anos depois a Square desenvolveu versões com ainda mais conteúdo para a PSP, como já referi acima.

Pode não parecer, mas este já era um belo upgrade visual considerando os originais da NES/Famicom.

Portanto esta versão acaba por ser algo desactualizada, visto que podemos jogar ambos os jogos, com bem mais conteúdo, incluindo estas cutscenes em FMV nas suas versões PSP. Ainda assim, por motivos de coleccionismo, não quis desperdiçar esta oportunidade de o ter comprado, até porque o jogo possui uma série de pequenos cartões com artwork do jogo que acho muito bons.

 

The Last Guardian (Sony Playstation 4)

Vamos agora para a Playstation 4 abordar o mais recente projecto da Team Ico. Anunciado originalmente na E3 de 2009 para a Playstation 3, foi um trailer que deixou muitos de queixo caído pelo seu conceito e detalhe gráfico. No entanto o seu desenvolvimento foi bastante atribulado com o jogo a receber sucessivos adiamentos até que a certa altura desapareceu por completo do radar. Com Fumito Ueda a sair da Sony e fundar o seu novo estúdio GenDesign as esperanças de um dia o jogo sair foram esmorecendo, mas na verdade Fumito Ueda continuou a colaborar com a Sony para o desenvolvimento do jogo. Foi novamente anunciado na E3 de 2015 para a PS4 tendo sido lançado no ano seguinte. O meu exemplar sinceramente já nem me lembro onde foi comprado nem quanto custou, mas certamente não terá sido mais de 15€.

Jogo com caixa e papel promocional ao Horizon

Mas em que é que consiste este The Last Guardian mesmo? O jogo vai buscar inspirações aos títulos anteriores, Ico e Shadow of the Colossus, onde mais uma vez nos vemos a explorar um mundo em ruínas de uma antiga civilização agora com gigantes arranha céus feitos de pedra. Tal como Ico, o protagonista é um jovem rapaz que se vê trazido para aquele estranho mundo e procura regressar à sua aldeia. Mas desta vez como companheiros, em vez de uma indefesa rapariga, temos o Trico, uma gigante criatura meio mamífero, meio ave, algo semelhante a um Grifo. Começamos a aventura com o rapaz a acordar no fundo de um castelo em ruínas, ao lado do Trico ferido, acorrentado e faminto. Depois de o alimentar e cuidar das feridas, o bichinho já começa a confiar em nós e começa a acompanhar-nos por todo o lado. Com a ajuda de Trico iremos conseguir combater os soldados fantasmagóricos que nos vão perseguindo e, ao subir para as suas costas, Trico pode-nos transportar ao saltar longas distâncias ou destruir obstáculos. Por outro lado, por vezes teremos de ser nós a explorar passagens pequenas e interagir com alavancas e outros mecanismos para abrir passagens para o Trico. À medida em que o vamos fazendo, também vamos descobrindo um pouco mais do estranho, porém majestoso mundo em que nos situamos.

The Last Guardian possui belíssimos efeitos de luz e partículas

No que diz respeito à jogabilidade, infelizmente os controlos foi o aspecto que me deixou mais frustrado. Nunca vi um rapaz a correr de forma tão atabalhoada como o protagonista e os saltos são horríveis. Ao longo do jogo vamos ter de percorrer caminhos super estreitos em abismos profundos, felizmente o rapaz não cai das estremidades do caminho a menos que pressionemos o botão de salto, por exemplo. Mas ainda assim aconteceu algumas vezes essa “lei” ser desrespeitada e cair em abismos com o jogo a obrigar-me posteriormente a repetir algumas sequências de platforming mais exigentes do início. Geralmente o jogo vai gravando checkpoints regulares, pelo que quando morrermos, ou formos raptados com sucesso por um dos soldados, nunca ressuscitamos muito antes do que progredimos, o que é bom. Mas tive alguns momentos frustrantes de ter de repetir segmentos de platforming inteiros devido aos maus controlos. E a câmara por vezes também atrapalha bastante infelizmente.

Trico ajuda-nos a chegar a locais que de outra forma seria impossível alcançar

De resto, inicialmente não temos grande poder de controlo perante o Trico, inicialmente apenas o podemos chamar para junto de nós, sendo que a qualquer momento também nos podemos encavalitar nas suas costas, fazer festinhas, e esperar que o Trico nos leve a algum sítio. Mas à medida que o jogo vai avançando e a nossa relação com o bicho vai-se estreitanto, já ganhamos algum poder de controlo sobre o animal, podemos obrigá-lo a sentar-se e manter-se no seu lugar, interagir com objectos, saltar, ou direccioná-lo para onde quisermos, algo muito importante para explorar locais que sozinhos não conseguiremos alcançar. Mas a IA não é a melhor e nem sempre o Trico faz o que pedimos. Uns podem dizer que faz parte de lidar com animais, pois eles têm vontade própria e treinar um animal leva o seu tempo. Concordo com tudo isso, mas não deixa de ser um pouco frustrante por vezes eu pedir ao Trico para saltar para uma plataforma distante e ele fazer outra coisa qualquer.

Já noutras vezes teremos de ser nós a abrir caminhos para o bicho. Muitas vezes sob pressão!

No que diz respeito à apresentação, devo dizer que de facto este The Last Guardian é de facto um jogo lindíssimo, com belos efeitos de luz e partículas, como as penas do Trico e a vegetação ao sabor do vento ou as ruínas monumentais, com paisagens belíssimas e um vasto campo de visão para os exteriores. Mas as expressões faciais de Trico e as suas animações como um todo são muito bem feitas, contribuindo bastante para uma relação de empatia perante o animal. As músicas, como seria de esperar roçam temas ambientais ou mais épicos perante os momentos mais tensos. Nada a apontar aos efeitos sonoros e voice acting que, tal como nos jogos anteriores, baseiam-se em linguagens que desconheço completamente se são fictícias ou não. No que diz respeito à performance, eu tenho uma PS4 normal (não a Pro) e muito perto do fim reparei nalguns solavancos, com o framerate a cair drasticamente. Mas tirando isso pareceu-me bem fluído ao longo de toda a aventura. Presumo que a performance numa PS4 Pro seja ainda melhor.

Ao longo do jogo iremos encontrar barris que podemos dar ao Trico para o alimentar.

Portanto devo dizer que acabei por gostar bastante deste The Last Guardian, mesmo com os maus controlso e eventuais problemas de câmara. A relação e a empatia que vamos ganhando com o Trico ultrapassa tudo isso. Para além do mais, sempre gostei do misticismo que os jogos desenvolvidos pela Team Ico nos traziam e neste jogo conseguiram representar muito bem toda uma civilização envolta em mistério, com mega estruturas para explorar e belíssimos gráficos também. A ver o que Fumito Ueda nos traz no futuro.