Final Fantasy Anthology (Sony Playstation)

Final Fantasy Anthology é uma compilação de dois dos Final Fantasy lançados originalmente para a Super Nintendo. Enquanto a versão Norte Americana possui o Final Fantasy V e Final Fantasy VI, este último acabou por sair cá como um lançamento independente. Portanto, a versão europeia desta pequena compilação, acaba por trazer os Final Fantasy IV e V. O meu exemplar foi comprado algures em Maio de 2017, creio que o encontrei numa das minhas idas à feira da Vandoma e não me terá custado mais do que 7€.

Jogo com caixa, manual e ambos os discos.

Eu já cá trouxe várias versões do Final Fantasy IV, incluindo a versão GBA, que sinceramente acaba por ser uma melhor versão que a que vemos aqui, faltando-lhe unicamente as cutscenes em CGI. Ou mesmo a versão PSP que acaba por ser um pacote muito interessante. Portanto, vou aproveitar o resto deste artigo para abordar unicamente o Final Fantasy V, cuja versão que aqui vemos acabou por ser a primeira lançada oficialmente no ocidente, tanto nas Américas, como na Europa.

Tal como muitos outros Final Fantasy da velha guarda, a história anda à volta de cristais elementais, que neste caso acabam por servir de plataforma para selar o X-Death, um poderoso feiticeiro que havia sido aprisionado 30 anos antes por outros guerreiros. Os cristais começam a ceder, a começar pelo cristal do vento e eventualmente o X-Death ganha novamente a sua liberdade, pelo que iremos jogar com uma party de 4-5 personagens ao longo de toda a aventura para derrotar X-Death de uma vez por todas. Sinceramente não achei a narrativa tão boa assim, gostei bem mais da história do Final Fantasy IV mas também posso estar a ser injusto pois a versão GBA deste Final Fantasy V possui um diálogo revisto e se calhar a narrativa resultará melhor aí. Sinceramente a versão GBA foi a primeira que joguei mas já foi há tanto tempo que já não me recordo bem.

Uma das novidades introduzidas por esta versão são as cutscenes em CGI

No que diz respeito à jogabilidade, estamos aqui perante mais um RPG com batalhas aleatórias, mas em vez de um sistema clássico de turnos, temos aqui novamente o Active Battle System, introduzido originalmente no Final Fantasy IV. Aqui cada interveniente na batalha tem um tempo de espera que terá de ser respeitado até podermos decidir que acções tomar. Esse tempo de espera poderá ser algo variável consoante a classe (job) escolhido. Falando no sistema de jobs, esse foi o que mais alterações sofreu face aos seus predecessores, com a inclusão de muitas mais classes, cada qual com diferentes habilidades que poderemos vir a desbloquear com pontos de experiência. À medida que vamos progredindo no jogo, cada vez mais classes vão ficando disponíveis e temos a liberdade total de mudar de classes sempre que assim desejarmos. Cada classe em cada personagem poderá ser evoluída independentemente e a outra novidade trazida por este jogo é a customização adicional que poderemos ter também em conta em cada personagem. Ou seja, à medida que vamos evoluindo os diferentes jobs em cada personagem, poderemos também ir buscar habilidades de outros jobs que tenhamos evoluído. Por exemplo, se uma personagem já ganhou uma série de habilidades como Black Mage, mas mudar o seu job para White Mage, poderemos também ir buscar uma skill de Black Mage para usar enquanto estamos com um job diferente. De resto, a minha única queixa é mesmo para o elevado rate de batalhas aleatórias que teremos de enfrentar, acompanhadas por pequenos loadings antes de cada batalha.

No FFV, as batalhas são uma vez mais aleatórias e por turnos, através do sistema de combate do ABS

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo é uma adaptação directa do original da Super Nintendo, incluindo apenas algumas cutscenes em CGI que iremos ver apenas no início e fim do jogo. Não esperem portanto por grandes actualizações gráficas, algo que acabamos por ver na versão da Gameboy Advance lançada alguns anos mais tarde. No que diz respeito ao som, as músicas são bastante agradáveis como é habitual na série, mas por acaso não reparei se a banda sonora está em formato CD Audio, ou se é meramente chiptune tal como no original da SNES. Presumo que seja em formato CD Audio, caso contrário não encontraria grandes desculpas para termos ecrãs de loading entre batalhas. Se o jogo estivesse todo carregado na memória da Playstation (o lançamento original da SNES é uma ROM com apenas 2MB) não teríamos tempos de loading e tudo seria mais práctico!

O que mais há neste FFV são meios de transporte!

Portanto este Final Fantasy V devo dizer que, dentro dos clássicos da era SNES, é o que tem a história menos cativante para mim. O facto de o jogo ter tido poucas conversões quando comparado com outros Final Fantasy pré-FF7 talvez seja um indicador que seja um sentimento algo generalizado! No que diz respeito a essas outras versões, poderemos destacar a versão Gameboy Advance, que para além de possuir uma tradução mais fiel ao original, ligeiros updates gráficos, inclui novas classes, dungeons adicionais e claro, o bestiário onde poderemos ver detalhes adicionais dos inimigos que vamos enfrentando. Uma versão remasterizada, com gráficos actualizados foi lançada para plataformas mobile e posteriormente convertida para o steam, mas não me vou alongar nessa versão pois nunca a joguei.

Ronin Blade (Sony Playstation)

Ronin Blade é um título muito interessante produzido pela Konami para a Playstation. Com gráficos pré-renderizados, ângulos de câmara fixa e claro, com a temática dos samurais, ninjas e afins, misturado com samurais zombie e outras estranhas criaturas que teremos de enfrentar, traçar um paralelismo com a série Onimusha que acabou por ser lançada anos mais tarde pela Capcom é uma ligação algo lógica. O meu exemplar foi comprado algures em Março de 2019 numa loja no norte do país. Creio que me custou cerca de 20€, estando completo e em óptimo estado.

Jogo com caixa e manuais

Ao começar a aventura podemos optar por jogar com Kotaro, um ronin, ou seja, um samurai solitário, ou a jovem ninja Lin. Ambos viajam para uma qualquer cidade Japonesa por razões diferentes, mas ambos são rapidamente atacados pela polícia local, que parecem comportar-se de maneira estranha. À medida que vamos avançando na história, vamos começar a enfrentar criaturas cada vez mais bizarras e descobrir uma conspiração que planeia conquistar todo o Japão, com recurso a forças demoníacas.

Podemos encontrar itens pelo caminho e assigná-los a um botão de uso rápido

No que diz respeito à jogabilidade, esta mistura conceitos dos survival horrors da época como Resident Evil, mas a acção de um hack ‘n slash. Vamos ter então cenários pré-renderizados com ângulos de câmar fixos como em muitos survival horrors, mas um sistema de combate mais dinâmico. Certamente este foi um jogo que veio a influenciar mais tarde a série Onimusha, apesar desta ter sido desenvolvida pela Capcom. Até porque vamos tendo também algumas mecânicas de RPG, nomeadamente pontos de experiência que, à medida que vamos subindo de nível, vamos também aprendendo novos combos para usar nos combates. Também temos uma barra de magia que se vai enchendo à medida que vamos derrotando inimigos e esta magia pode ser usada para despoletar alguns golpes mais poderosos.  Kotaru é um samurai que apenas usa espadas, e ao longo do jogo iremos mesmo encontrar muitas espadas que poderemos trocar livremente. Já Lin terá ao seu dispor menos espadas ao longo do jogo (e todas de lâmina curta), mas terá acesso a um arsenal de kunais, shurikens ou até explosivos que também poderá usar. Tanto Kotaru como Lin podem também seleccionar um item do seu inventário para ficar disponível durante o jogo, sendo facilmente usado com um simples pressionar de um botão.

Ocasionalmente temos alguns bosses para enfrentar

É um jogo interessante, que peca principalmente por dois motivos: a jogabilidade não é tão intuitiva quanto isso e o facto dos ângulos de câmara serem fixos e nem sempre os melhores, vai-nos dar algum trabalho a ambientar aos controlos e defender/evadir dos golpes inimigos que também é bem importante. A segunda desilusão passa mesmo pelo jogo ser muito curto. Quando nos habituarmos aos controlos vamos ver que em poucas horas passamos o jogo se bem que, para alcançar o verdadeiro final, teremos de jogar a aventura com ambas as personagens, que vão tendo percursos algo diferentes e explorar algumas àreas comuns, mas também exclusivas a cada personagem. O mesmo para os bosses. Isto aumenta a longevidade do jogo, mas ainda assim pareceu-me bem mais curto do que estaria à espera.

As cutscenes são simples, sem voice acting, infelizmente

No que diz respeito aos gráficos, bom, os cenários pré-renderizados confesso que poderiam estar um pouco mais detalhados. Por vezes é confuso orientarmo-nos, principalmente em salas fechadas. Já as personagens principais e inimigos, parecem-me estar bem detalhadas quanto baste, tendo em conta que estamos a falar da primeira Playstation. Já no que diz respeito ao som, bom, os efeitos sonoros são convincentes, mas o jogo peca também por não ter qualquer voice acting, nem sequer nas cutscenes. As músicas são agradáveis, mas também podem soar um pouco bizarras tendo em conta que estamos a jogar algo que se passa num Japão feudal. Isto porque apesar das músicas terem notórias influências folclóricas nipónicas, misturam essas melodias com ritmos techno ou mesmo rock, o que poderá soar um pouco desajustado.

Portanto este Ronin Blade é um jogo de acção muito interessante da Konami e, tal como já referi acima, parece mesmo um protótipo da série Onimusha que viria a ser lançada pouco tempo depois, pela Capcom. Se gostam de jogos com samurais e com um ligeiro toque de horror, recomendo vivamente que espreitem este Ronin Blade.

Nuclear Strike (Sony Playstation)

Produzido pela mesma equipa que desenvolveu o Soviet Strike, cuja versão Sega Saturn eu já cá trouxe no passado, este Nuclear Strike foi a sua sequela, desenvolvida com o mesmo motoer gráfico, mas desta vez a consola da Sega acabou por ficar de fora da sua janela de lançamento, o que terá sido certamente uma decisão comercial, pois do ponto de vista técnico não haveria nenhuma razão para não haver uma conversão para a máquina da Sega. O meu exemplar foi comprado em Junho numa loja online por 9€.

Jogo com caixa e manual

O jogo coloca-nos uma vez mais no papel de um operativo da equipa Strike, uma unidade militar de elite especializada em operações especiais. Uma vez mais teremos o general Earle, o hacker mais bizarro de todos os tempos e a agente Andrea, que é também reporter televisiva. Basicamente a mesma equipa que nos acompanhou no jogo anterior, embora neste Nuclear Strike, à medida que vamos progredindo no jogo, iremos também ter a cooperação de outros agentes ou mercenários. Mas o objectivo deste jogo é, claro está, o de derrotar um poderoso terrorista e o seu exército, que tem em sua posse uma bomba nuclear. A acção irá decorrer sempre no continente Asiático, começando na indochina, passando por um arquipélago qualquer no sul da China, passando por um grande conflito nas Coreias, até que iremos finalmente enfrentar o arquitecto de toda a destruição numa base secreta da antiga União Soviética, algures na Sibéria.

Tal como nos clássicos, teremos de procurar por mantimrntos espalhados pelos mapas

No que diz respeito à jogabilidade, bom, na sua essência esta mantém-se semelhante à dos clássicos e, particularmente, à do Soviet Strike. No entanto introduziu também algumas novidades que irei referir mais à frente. Em cada campanha teremos então uma série de objectivos para cumprir, tal como destruir radares inimigos ou outras infrastruturas de interesse, resgatar prisioneiros de guerra, aprisionar líderes inimigos ou missões de escolta. Tal como nos clássicos, poderemos cumprir cada um destes objectivos pela ordem que quisermos (embora nem todos possam estar desbloqueados de início), mas é recomendado seguir a ordem que o jogo nos sugere. Tal como nos restantes Strikes, teremos também de ter em atenção a quantidade de recursos disponíveis nos mapas, como combustível, munições, kits de armadura ou mesmo vidas extra, sendo que muitos destes poderão estar escondidos dentro de edifícios que poderemos destruir. As armas do Apache resumem-se a metralhadora, rockets e misseis mais poderosos, porém disponíveis em menores números. Também como noutros jogos da série, poderemos vir a conduzir outros veículos, sendo a maioria outros helicópteros, mas também alguns veículos terrestres ou mesmo um avião VTOL.

Podemos consultar o mapa para verificar a posição dos objectvos ou forças inimigas

Para além do regresso de outros veículos, a principal novidade introduzida neste Nuclear Strike está mesmo nalgumas mecânicas de estratégia em tempo real. Em certas missões teremos algumas unidades militares como tropas de infantaria ligeira, artilharia, entre outras, que poderemos direccionar para atacar áreas específicas controladas pelas forças inimigas, bem como ocasionalmente poderemos/teremos de cooperar mais estreitamente com alguns NPCs que nos acompanham nalgumas missões. De resto, tal como no Soviet Strike, o jogo mantém a mesma perspectiva dos clássicos, mas não temos um ângulo de câmara fixo, bem como a altitude do helicóptero vai mudando a sua altitude automaticamente para não embater em edifícios mais altos.

Tal como no Soviet Strike, teremos várias cutscenes algo bizarras

No que diz respeito aos audiovisuais, não esperem por um jogo muito diferente do Soviet Strike, pois possui o mesmo motor gráfico. As estruturas são modelos poligonais simples e as tropas continuam a ser pequenos bonecos que quase parecem retirados de um Sensible Soccer ou um Cannon Fodder. Daí ter referido que uma conversão para a Saturn seria perfeitamente possível, a EA só não o fez pela Saturn já não ser uma plataforma viável comercialmente na segunda metade de 1997. De resto, a nível de apresentação, esperem também por várias cutscenes em full motion video, tanto no briefing de cada campanha, bem como na descrição de objectivos e de outros locais/pessoas de interesse. Mesmo durante o jogo em si, por vezes a acção é interrompida com algum FMV onde nos revelam alguma coisa importante. Passando para o som, nada de especial a apontar, os efeitos sonoros são competentes assim como o voice acting, apesar dos diálogos e os próprios clipes de vídeo serem um bocado bizarros.

Portanto este Nuclear Strike, apesar de ser mais um jogo sólido na série, nota-se que já estavam a ficar sem grandes ideias, daí terem ter tentado introduzir alguns novos conceitos como os elementos de estratégia em tempo real, que sinceramente já não apreciei muito. A Electronic Arts tinha planeado um outro jogo desta saga chamado Future Strike, cujo teaser podemos até desbloquear neste jogo, mas tal acabou por não suceder. Future Strike foi renomeado para Future Cop LAPD e assim a série Strike, que sinceramente gosto bastante pelos seus primeiros 2 jogos, acabou por ficar engavetada até ver.

Hellblade: Senua’s Sacrifice (Sony Playstation 4)

Ultimamente, com o calor que se tem feito sentir, a minha vontade de jogar alguma coisa em plataformas mais modernas tem esvanecido, pois o calor gerado pelas consolas ou PC em jogar algo mais exigente também não ajuda nada. Entretanto, como houve aqui uma janela em que as temperaturas baixaram um pouco, aproveitei para pegar neste Hellblade da Ninja Theory, um jogo que sempre ouvi falar muito bem e, não sendo muito longo, foi a escolha perfeita. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Junho na Worten do Maia Shopping, depois de muito tempo esgotado, fiquei contente ao ver que voltou a exisitir em stock por 20€.

Jogo com sleeve e caixa

Nem sei bem por onde começar ao falar na história pois não quero mesmo estragar a experiência de quem o vier a jogar, mas basicamente controlamos Senua, uma guerreira de uma civilização Celta algures de uma ilha Escocesa que havia sido invadida por vikings e claro, muita gente morreu, incluindo o seu namorado, o que a deixou especialmente transtornada. Então acompanhamos Senua numa viagem por mundos vikings, onde procura entrar no domínio de Helheim, o reino dos mortos da mitologia viking, e tentar salvar a alma do seu companheiro. Mas o grande selling point do Hellblade era o facto de Senua sofrer graves problemas mentais, nomeadamente psicose, que a levava a ouvir várias vozes na sua cabeça, bem como ter alucinações ou outras deturpações visuais que, naturalmente irão ter um grande foco ao longo de todo o jogo.

Sim, este é um jogo bastante macabro!

No que diz respeito à jogabilidade, podemos dividi-la em duas frentes distintas: a exploração e o combate. Ao longo de toda a aventura iremos explorar diversos locais, como florestas, cavernas, fortalezas e aldeias, tipicamente devastadas pela guerra e repletas de cadáveres em todo lado, representando a violência dos vikings quando invadiam outros povos. Enquanto vamos explorando ocasionalmente teremos uma série de puzzles ou outros desafios para resolver de forma a podermos avançar na história. Muitos destes puzzles giram em torno da maneira “diferente” que Senua (e pessoas que sofrem de psicose) percepciona o mundo. Brincar com ilusões ópticas para mudar o ambiente à nossa volta ou procurar certos padrões visuais nos cenários (como as runas que teremos de encontrar para abrir certas portas) são bastante recorrentes. Mas ocasionalmente lá teremos de enfrentar alguns inimigos, tipicamente representações algo sinistras de guerreiros vikings.

Muitos dos puzzles que teremos de resolver andam à volta de ilusões de óptica e portais que distorcem a realidade

Tanto na exploração como no combate não temos qualquer tutorial que nos explique as mecânicas de jogo, indicação visual do caminho a seguir ou dicas de combate, a não serem as vozes que Senua ouve na sua cabeça, que são muitas vezes conflituosas, mas também nos vão dando bons conselhos, especialmente em combate. Estes decorrem com uma câmara muito próxima de Senua, o que não nos deixa ver se teremos algum inimigo nas nossas costas prestes a atacar, pelo que quando ouvirmos uma voz a avisar Senua que alguém nos está prestes a atacar pelas costas, só temos tempo de fazer dodge. Os botões faciais do comando da PS4 representam então os ataques fracos, fortes, pontapés (muito úteis para desarmar inimigos com escudos) e o tal botão para evadir. Os botões de cabeceira permitem-nos correr, defender ou a tal habilidade de focar, que é sempre necessária para resolver os puzzles de ilusões ópticas e no combate ganha outra importância acrescida. À medida que vamos conseguindo desferir golpes com sucesso nos inimigos, bem como evadir ou bloquear os seus golpes, um counter invisível vai-se acumulando e a certa altura podemos usar a habilidade de focar a nosso favor, ao abrandar toda a acção à nossa volta e deixar os inimigos mais vulneráveis aos nossos ataques. Alguns inimigos podem também ficar envolvidos em sombras deixando-os invulneráveis até que consigamos activar a habilidade de foco em combate, pelo que defender ou evadir são sem dúvida cruciais em todos os combates.

Durante o combate, quando vemos este objecto a brilhar na cintura de Senua, está na altura de activar o focus

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo desenvolvido com recurso ao motor gráfico Unreal Engine 4, pelo que poderão encontrar bons gráficos no geral. Mas eu confesso que gosto da mitologia, folclore e toda a cultura viking, pelo que fiquei agradavelmente surpreendido pela forma como a Ninja Theory conseguiu representá-la. Não só pelos seus cenários tipicamente devastados por conflitos, como as tais aldeias, fortalezas ou mesmo o que resta de uma grande batalha marítima, com navios vikings encalhados numa praia. Mas também por toda a narrativa, puzzles onde temos de procurar por runas ou mesmo aquelas pequenas histórias retiradas da sua mitologia que vamos ouvindo sempre que encontrarmos e interagirmos com alguns pedestais espalhados pelo jogo.

As animações faciais bem como o papel que a actriz aqui representou ficou qualquer coisa fora de série

Mas é mesmo na narrativa bizarra e esquizofrénica induzida pela doença mental de Senua que o jogo brilha ainda mais. Logo no início é-nos aconselhado jogar com um headset, pois o jogo inclui som 3D. Infelizmente não o fiz meramente por uma questão de logística pois não tenho nenhum headset wireless, mas percebo perfeitamente como poderia ter feito a diferença. A percepção de onde vêm os sons terá muita importância nos combates, visto que a câmara está muito próxima de Senua, e, como não nos permite ver todos os inimigos à nossa volta, ter a noção através do som 3D da sua localização daria muito jeito. Aliás, o confronto contra o Fenrir tornou-se bem mais difícil por eu apenas usar o som normal da TV. E depois claro, as diferentes vozes que Senua ouve a ecoarem pela nossa cabeça enriqueceria certamente uma experiência já por si muito bem conseguida.

O único coleccionável são estas runas, espalhadas ao longo do jogo e onde vamos aprendendo algumas lendas da mitologia nórdica

No fim de contas devo dizer que fiquei muito agradavelmente surpreendido por este Hellblade. Tal como a Ninja Theory lhe apelidou, é um jogo com os valores de produção AAA, mas com a liberdade criativa de um jogo indie. Não é um jogo que irá agradar a toda a gente, pois há quem se calhar preferisse um foco maior nos combates, já que estes apenas ocorrem em certos momentos da história e não há como voltar a repeti-los. É certo que no início tive alguma dificuldade a familiarizar-me com as mecânicas dos combates, mas na segunda metade do jogo já andava a distribuir pancada mais à vontade. E tanto a  direcção artística, como a narrativa e mesmo o próprio papel da Senua ficaram mesmo muito bem conseguidos. A ver como irão desenvolver a sua sequela, que terá certamente um maior orçamento.

Uncharted: The Lost Legacy (Sony Playstation 4)

Voltando às rapidinhas, mas agora na Playstation 4, vamos ficar com um breve artigo sobre o último (até agora) Uncharted lançado na PS4. Originalmente planeado como um DLC para o Uncharted 4, acabou por evoluir para um lançamento standalone em formato físico, contendo, no entanto, toda a componente multiplayer do próprio Uncharted 4. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa das minhas visitas à feira da Vandoma no Porto, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa e papelada

Nesta nova aventura, que decorre algum tempo após os acontecimentos narrados no Uncharted 4, possui como principais protagonistas a Chloe Frazer, que já nos tinha ajudado principalmente no Uncharted 2, e nada mais nada menos que a mercenária Nadine Ross, uma das principais antagonistas do jogo anterior. O jogo decorre em pleno coração da Índia, onde Chloe ambiciona continuar a pesquisa do seu pai no encalço da presa de Ganesh, um artefacto valiosíssimo e há muito perdido. Mas como é habitual na série, não vamos estar sozinhos nessa demanda, pois teremos forças rebeldes que também procuram o mesmo.

Apesar de menos variados, os gráficos continuam lindíssimos

Tal como na restante série, este jogo mantém a mesma identidade, pelo seu balanço entre exploração, puzzle solving, tiroteios com mecânicas cover based e algumas sequências de acção bastante intensas, mas num pacote menor. Teremos apenas 9 capítulos para percorrer, todos na Índia, se bem que continuamos com um grande número de segredos e coleccionáveis para descobrir, principalmente no quarto capítulo, que é uma grande área aberta onde podemos conduzir um jipe. Teremos algumas armas novas para experimentar, incluindo explosivos C4 que, ao contrário das granadas, poderemos preparar para montar emboscadas aos inimigos. De resto, tal como referi acima, este Lost Legacy inclui os mesmos modos multiplayer introduzidos no Uncharted 4, se bem que com mais mapas relativos às novas áreas de jogo.

Em vez de um scrapbook, Chloe usa o telemóvel para tirar fotos e talvez partilhá-las na sua conta do instagram assim que tiver sinal

A nível audiovisual, este é um jogo que partilha o mesmo motor gráfico do anterior, pelo que não contem com grandes novidades nesse aspecto. É menos variado a nível de cenários que os restantes jogos, pois decorre todo na Índia, tanto numa zona mais urbana, como nas habituais selvas e templos em ruínas. A narrativa, bem como as estonteantes sequências de acção ficaram uns furos abaixo dos jogos principais, mas ainda assim o seu nível de qualidade é bastante satisfatório. É bom ver a Naughty Dog dedicar um videojogo, se bem que mais pequeno, a personagens que sempre foram algo secundárias em jogos anteriores, ficando a conhecê-las melhor e ao seu passado. A dinâmica entre Chloe e Nadine também vai sendo muito bem explorada, tanto nos seus diálogos, como nos tiroteios, onde Nadine se revela bastante útil quando as coisas começam a apertar.

O quarto capítulo apresenta um mundo aberto que podemos explorar livremente e de forma algo não linear

Portanto, devo dizer que apesar de  ser um jogo mais curto e de certa forma mais contido, tanto na sua apresentação, como na narrativa ou sequências de acção, este Lost Legacy acaba por me satisfazer bastante. Prefiro de longe lançamentos como este (que já sairam originalmente para venda a um valor bem mais em conta), do que qualquer DLC manhoso como muitos que se vê por aí.