Hellblade: Senua’s Sacrifice (Sony Playstation 4)

Ultimamente, com o calor que se tem feito sentir, a minha vontade de jogar alguma coisa em plataformas mais modernas tem esvanecido, pois o calor gerado pelas consolas ou PC em jogar algo mais exigente também não ajuda nada. Entretanto, como houve aqui uma janela em que as temperaturas baixaram um pouco, aproveitei para pegar neste Hellblade da Ninja Theory, um jogo que sempre ouvi falar muito bem e, não sendo muito longo, foi a escolha perfeita. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Junho na Worten do Maia Shopping, depois de muito tempo esgotado, fiquei contente ao ver que voltou a exisitir em stock por 20€.

Jogo com sleeve e caixa

Nem sei bem por onde começar ao falar na história pois não quero mesmo estragar a experiência de quem o vier a jogar, mas basicamente controlamos Senua, uma guerreira de uma civilização Celta algures de uma ilha Escocesa que havia sido invadida por vikings e claro, muita gente morreu, incluindo o seu namorado, o que a deixou especialmente transtornada. Então acompanhamos Senua numa viagem por mundos vikings, onde procura entrar no domínio de Helheim, o reino dos mortos da mitologia viking, e tentar salvar a alma do seu companheiro. Mas o grande selling point do Hellblade era o facto de Senua sofrer graves problemas mentais, nomeadamente psicose, que a levava a ouvir várias vozes na sua cabeça, bem como ter alucinações ou outras deturpações visuais que, naturalmente irão ter um grande foco ao longo de todo o jogo.

Sim, este é um jogo bastante macabro!

No que diz respeito à jogabilidade, podemos dividi-la em duas frentes distintas: a exploração e o combate. Ao longo de toda a aventura iremos explorar diversos locais, como florestas, cavernas, fortalezas e aldeias, tipicamente devastadas pela guerra e repletas de cadáveres em todo lado, representando a violência dos vikings quando invadiam outros povos. Enquanto vamos explorando ocasionalmente teremos uma série de puzzles ou outros desafios para resolver de forma a podermos avançar na história. Muitos destes puzzles giram em torno da maneira “diferente” que Senua (e pessoas que sofrem de psicose) percepciona o mundo. Brincar com ilusões ópticas para mudar o ambiente à nossa volta ou procurar certos padrões visuais nos cenários (como as runas que teremos de encontrar para abrir certas portas) são bastante recorrentes. Mas ocasionalmente lá teremos de enfrentar alguns inimigos, tipicamente representações algo sinistras de guerreiros vikings.

Muitos dos puzzles que teremos de resolver andam à volta de ilusões de óptica e portais que distorcem a realidade

Tanto na exploração como no combate não temos qualquer tutorial que nos explique as mecânicas de jogo, indicação visual do caminho a seguir ou dicas de combate, a não serem as vozes que Senua ouve na sua cabeça, que são muitas vezes conflituosas, mas também nos vão dando bons conselhos, especialmente em combate. Estes decorrem com uma câmara muito próxima de Senua, o que não nos deixa ver se teremos algum inimigo nas nossas costas prestes a atacar, pelo que quando ouvirmos uma voz a avisar Senua que alguém nos está prestes a atacar pelas costas, só temos tempo de fazer dodge. Os botões faciais do comando da PS4 representam então os ataques fracos, fortes, pontapés (muito úteis para desarmar inimigos com escudos) e o tal botão para evadir. Os botões de cabeceira permitem-nos correr, defender ou a tal habilidade de focar, que é sempre necessária para resolver os puzzles de ilusões ópticas e no combate ganha outra importância acrescida. À medida que vamos conseguindo desferir golpes com sucesso nos inimigos, bem como evadir ou bloquear os seus golpes, um counter invisível vai-se acumulando e a certa altura podemos usar a habilidade de focar a nosso favor, ao abrandar toda a acção à nossa volta e deixar os inimigos mais vulneráveis aos nossos ataques. Alguns inimigos podem também ficar envolvidos em sombras deixando-os invulneráveis até que consigamos activar a habilidade de foco em combate, pelo que defender ou evadir são sem dúvida cruciais em todos os combates.

Durante o combate, quando vemos este objecto a brilhar na cintura de Senua, está na altura de activar o focus

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo desenvolvido com recurso ao motor gráfico Unreal Engine 4, pelo que poderão encontrar bons gráficos no geral. Mas eu confesso que gosto da mitologia, folclore e toda a cultura viking, pelo que fiquei agradavelmente surpreendido pela forma como a Ninja Theory conseguiu representá-la. Não só pelos seus cenários tipicamente devastados por conflitos, como as tais aldeias, fortalezas ou mesmo o que resta de uma grande batalha marítima, com navios vikings encalhados numa praia. Mas também por toda a narrativa, puzzles onde temos de procurar por runas ou mesmo aquelas pequenas histórias retiradas da sua mitologia que vamos ouvindo sempre que encontrarmos e interagirmos com alguns pedestais espalhados pelo jogo.

As animações faciais bem como o papel que a actriz aqui representou ficou qualquer coisa fora de série

Mas é mesmo na narrativa bizarra e esquizofrénica induzida pela doença mental de Senua que o jogo brilha ainda mais. Logo no início é-nos aconselhado jogar com um headset, pois o jogo inclui som 3D. Infelizmente não o fiz meramente por uma questão de logística pois não tenho nenhum headset wireless, mas percebo perfeitamente como poderia ter feito a diferença. A percepção de onde vêm os sons terá muita importância nos combates, visto que a câmara está muito próxima de Senua, e, como não nos permite ver todos os inimigos à nossa volta, ter a noção através do som 3D da sua localização daria muito jeito. Aliás, o confronto contra o Fenrir tornou-se bem mais difícil por eu apenas usar o som normal da TV. E depois claro, as diferentes vozes que Senua ouve a ecoarem pela nossa cabeça enriqueceria certamente uma experiência já por si muito bem conseguida.

O único coleccionável são estas runas, espalhadas ao longo do jogo e onde vamos aprendendo algumas lendas da mitologia nórdica

No fim de contas devo dizer que fiquei muito agradavelmente surpreendido por este Hellblade. Tal como a Ninja Theory lhe apelidou, é um jogo com os valores de produção AAA, mas com a liberdade criativa de um jogo indie. Não é um jogo que irá agradar a toda a gente, pois há quem se calhar preferisse um foco maior nos combates, já que estes apenas ocorrem em certos momentos da história e não há como voltar a repeti-los. É certo que no início tive alguma dificuldade a familiarizar-me com as mecânicas dos combates, mas na segunda metade do jogo já andava a distribuir pancada mais à vontade. E tanto a  direcção artística, como a narrativa e mesmo o próprio papel da Senua ficaram mesmo muito bem conseguidos. A ver como irão desenvolver a sua sequela, que terá certamente um maior orçamento.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PS4, Sony com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.