Guilty Gear Isuka (Sony Playstation 2)

Voltando à Playstation 2, vamos ficar com mais um jogo da série Guilty Gear, sendo este Isuka um spin off, não pertencendo à série principal. Parece-me uma experiência pela Arc System Works ao testar novas águas, mas tendo em conta que este foi um filho único, provavelmente a recepção não terá sido a melhor. O meu exemplar sinceramente já não me recordo bem onde e quando o comprei, mas foi dos que deu mais luta para encontrar a um preço apetecível. Sempre que o encontrei em feiras ou lojas de usados a bom preço, ou não estava completo, ou estava em péssimo estado mas creio que no início deste ano lá consegui encontrar um e certamente não terá custado mais que uns 7€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Temos aqui imensos modos de jogo. O Arcade e Versus possuem mecânicas de jogo similares onde poderemos ter até 4 lutadores no ecrã em simultâneo. O versus permite combates de todos contra todos, 2 contra 2 ou até 1 contra 3 o que será um desafio bem acima da média. Aqui as mecânicas de jogo mudaram um pouco pois temos 2 planos de luta, tal como no Fatal Fury, pelo que poderemos alternar entre ambos planos livremente e os controlos tiveram de ser ligeiramente adaptados para isso. De resto contem com a habitual jogabilidade frenética e repleta de golpes especiais, onde as barras de tensão marcam uma vez mais a sua presença e, uma vez cheias, nos permitem desencadear uma série de golpes bem poderosos. E sendo este um modo de jogo muito focado no multiplayer, o jogo inclui também um sistema de souls, que são basicamente o número de vidas que temos num determinado combate. À medida que vamos defrontando inimigos e esvaziamos a sua barra de vida, se estes tiverem souls extra, a barra de vida volta a encher, com o custo de uma soul. Naturalmente que o mesmo também se aplica a nós.

As personagens continuam muito bem detalhadas e carismáticas

Mas temos aqui também outros modos de jogo, de particular interesse o GG Boost e o RKII Factory. O primeiro é um beat ‘em up onde teremos de percorrer uma série de cenários diferentes e cada nível vai sendo dividido em diferentes missões, onde teremos de derrotar uma série de inimigos dentro do tempo limite, sobreviver durante 60 segundos, defrontar bosses, entre outros objectivos. No modo RKII Factory apenas controlamos o Robo Ky II, cujo robot pode ser altamente customizado, nomeadamente nos golpes que poderá executar. Se bem que nem todos os golpes estão disponíveis à primeira, pelo que teremos de ganhar experiência nas mesmas àreas que exploramos no GG Boost. Outras opções e modos de jogo disponíveis são o Color Edit, onde poderemos customizar exaustivamente as cores das sprites de cada personagem, bem como um modo de treino para practicar os seus golpes especiais.

Posso ser uma nódoa neste tipo de jogos, mas ao menos dá para apreciar bem os seus bonitos gráficos

Os audiovisuais, bom, esses felizmente têm sido sempre excelentes e este Isuka não é uma excepção à regra. Contem então com cenários interessantes, originais e cheios de pequenos detalhes. As personagens, sendo todas bastante distintas entre si, estão também muito bem detalhadas e animadas, em particular muitos dos seus golpes especiais. Mas a acompanhar tudo isto está a já típica banda sonora hard rock / heavy metal e repleta de guitarradas bem melódicas, que eu sinceramente aprecio bastante. Existem no entanto alguns temas um pouco diferentes, com menos prevalência nas guitarras, mas nem por isso menos bons! E para além de imensos temas novos, reconheci também uns quantos de outros jogos da série.

A inclusão de um modo beat ‘em up foi muito benvinda

Portanto este Guilty Gear Isuka, apesar de ser um título bastante diferente dos Guilty Gear de 1 contra 1 tradicionais, não deixa de ser uma entrada interessante na série. Eu pessoalmente não sou um grande fã de diferentes planos num jogo de luta 2D, mas não deixa de um jogo divertido e desafiante. E a sua variedade de diferentes modos de jogo também foi benvinda. Mas no fim de contas, parece-me que a Arc System Works não voltou a usar estas mecânicas de jogo (posso estar errado pois não experimentei nenhum dos Xrd) mas não foi a única vez que tentaram reinventar a série. O Guilty Gear 2 que o diga.

Call of Duty Black Ops Declassified (Sony Playstation Vita)

Voltando às rapidinhas, mas agora na Playstation Vita, vamos ficar com aquele que acabou por ser o único título da série Call of Duty a ser lançado nesta consola portátil. E devo desde já dizer que é um jogo que me deixou bastante desiludido. O meu exemplar foi comprado algures durante o ano passado numa CeX, creio que me custou uns 10€ no máximo.

Jogo com caixa e papelada

E porque é que o jogo me deixou desiludido? Porque o seu modo single player é uma miséria. Em vez de ter uma campanha própria, o que aqui temos são um conjunto de 10 missões diversas (algumas com ligações aos Black Ops anteriores) mas que se completam numa questão de minutos. Este jogo foi feito a pensar especialmente em speedrunners, pois o tempo que levamos a completar cada missão é constantemente contabilizado no ecrã. Como as missões são curtas, não há cá checkpoints, pelo que se morrermos a meio teremos de recomeçar a missão de novo. Mas lá está, uma vez conhecendo bem o mapa e a localização dos inimigos, são missões que se completam em meros minutos. Poderíamos rejogá-las para obter melhores tempos ou em graus de dificuldade maiores, mas sinceramente nem me dei ao trabalho. O single player tem também umas missões em time trial que são basicamente aquelas galerias de tiro que costumamos ter como missões de treino nos Call of Duty principais, onde percorremos alguns níveis e teremos de abater uns quantos alvos e poupar alvos civis. O resto já é conteúdo multiplayer que sinceramente nem cheguei a experimentar.

O single player leva-nos a uma série de pequenas missões protagonizadas por algumas caras conhecidas

A nível de controlos, os botões de cabeceira servem para apontar e disparar, os restantes botões faciais servem para recarregar as armas, trocar de arma, alternar a nossa pose entre agachados ou em pé. Para as restantes accões como usar a faca ou granadas teremos de usar o touch screen da Vita, ao pressionando os ícones respectivos no ecrã. No caso das granadas, depois de pressionar o ícone da mesma, basta arrastar o dedo para a posição do ecrã onde queremos que a granada seja atirada. O botão direccional poderá servir para activar algum equipamento especial como é o caso dos óculos de visão nocturna em certas missões. Nada a apontar aos controlos portanto, a não ser que dava jeito os ataques melee terem um botão próprio.

Mesmo no single player vamos ganhando pontos de experiência que presumo que transitem para o multiplayer

Já no que diz respeito aos gráficos, eu ainda não joguei suficientemente na Vita para perceber ao certo quais as suas capacidades, mas não me parece andar muito longe da qualidade do Uncharted Golden Abyss. As personagens estão bem detalhadas, já os cenários notam-se aqui e ali algumas texturas mais fracas, mas no geral é um jogo bem agradável visualmente. O voice acting é o mesmo dos restantes Black Ops, temos os mesmos actores que dão as vozes às personagens principais como o Alex Mason, Woods e Hunter. De resto nada de especial a apontar ao som.

Portanto este Call of Duty Black Ops Declassified é para mim uma oportunidade perdida. Não estaria à espera de um modo campanha tão bom ou intenso como os Call of Duty principais, até porque provavelmente a Activision não quereria gastar tanto dinheiro com isso, mas o single player que aqui nos deixaram é uma miséria. A PS Vita é capaz de muito melhor. Sobra então o multiplayer, que acredito que não seja mau de todo (e até há a possibilidade de jogar em partidas ad-hoc – que não necessitam de servidor), mas aí já é um mundo em que não me aventuro.

The Last of Us Remastered (Sony Playstation 4)

Lançado originalmente para a PS3 em 2013, The Last of Us é um dos lançamentos mais ambiciosos da Naughty Dog e também um dos mais bem sucedidos comercialmente e criticamente aclamados. Naturalmente que um remaster acabou por ser produzido e lançado para a PS4 no ano seguinte, que já inclui também uma série de DLCs, incluindo o Left Behind que também acabei por jogar. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo bem onde e quando o comprei, creio que veio da Worten numa das suas promoções de “leve 3 e pague 2”, tendo-me ficado portanto a menos de 15€.

Jogo com caixa e folheto

The Last of Us é um jogo que decorre num futuro pós apocalíptico, após a raça humana ter sido tomada de surpresa por uma infecção fungal que os transforma numa espécie de zombies. A civilização ainda existe, mas no caso das grandes cidades, estão a ser controlados pelos militares e a Ordem já há muito que se foi. Isso levou ao surgimento dos fireflies, um grupo paramilitar que se revolta contra o exército. Na maior parte do jogo nós vamos controlar Joel, um contrabandista que não toma nenhum dos lados no conflito mas que, relutantemente, acaba por ser encumbido de uma missão muito importante para os fireflies, escoltar a jovem Ellie para o agrupamento dos fireflies numa outra cidade norte-americana. Ellie é uma adolescente muito especial, pois foi mordida, apanhou a infecção fungal, mas desenvolveu uma imunidade que não a transformou num zombie, portanto será a chave para a investigação de uma eventual cura. Digamos só que as coisas nem sempre correm bem e teremos de atravessar uma grande parte dos Estados Unidos, desde várias cidades em ruínas, florestas, pequenas povoações no interior e por aí fora até cumprirmos a nossa missão. Tal como na série Uncharted, há também um grande foco na narrativa e na forma como a relação de Ellie e Joel se desenvolve, mas de uma forma bem mais intensa do que em qualquer Uncharted até à data.

Com recursos muito limitados, manter alguma furtividade é imperativo

No que diz respeito à jogabilidade, confesso que inicialmente me atrapalhei um pouco com os controlos, mas à medida que ia avançando no jogo, as coisas já começavam a fazer mais sentido e no final já era um mestre no stealth e eficiência. Sim, vamos ter confrontos contra outros humanos e/ou zombies, e a furtividade é muito importante não só para poupar recursos (as balas são muito escassas), mas também para evitar que sejamos rodeados por todos os inimigos na área em que estamos actualmente. Em alguns segmentos do jogo somos mesmo obrigados a combater, já noutros se tivermos cuidado podemos atravessá-los sem sermos descobertos e assim poupar recursos bem como a nossa barra de vida, que não é regenerativa automaticamente. O crafting é então outro dos pontos muito importantes no jogo, que nos permitem construir medktis, diversos tipos de bombas ou cocktails molotov, ou facas improvisadas (se bem que bastante frágeis). A exploração dos cenários à nossa volta é então um outro ponto muito importante na jogabilidade, pois não só vamos encontrando ingredientes para o crafting, munições, bem como alguns coleccionáveis ou outros itens que melhoram a eficiência dos produtos do crafting, como as bombas terem um raio de explosão melhor, ou os medkits curarem mais percentagem da barra de vida. Ocasionalmente vamos também encontrar algumas bancas que nos permitem customizar e melhorar as armas que carregamos connosco, como a capacidade de armazenar mais balas, melhorar o alcance ou o dano, entre outros.

Ocasionalmente temos a hipótese de melhorar as nossas armas de fogo com materiais que vamos encontrando ao longo da aventura

De resto temos também aqui incluído um modo multiplayer, que aparentemente nesta versão remastered já traz todos os mapas adicionais dos DLCs lançados previamente para a Playstation 3. Sinceramente nem o experimentei, mas pelo que li teríamos de escolher uma facção e depois teríamos uma série de diferentes modos de jogo para jogar e o objectivo seria o de sobreviver e evoluir essa facção ao longo de um ano. Mas voltando aos DLCs, a principal razão de eu ter comprado esta versão remastered é a inclusão do DLC Left Behind que contém mais conteúdo single player. Aqui controlamos a jovem Ellie, com a narrativa a ser dividida em duas partes. Tanto ficamos a saber um pouco mais do seu passado, bem como vemos o que a Ellie fez numa certa parte da história principal que tinha ficado por contar. Isto sim, para mim são DLCs que fazem sentido, embora ache que a parte do inverno poderia perfeitamente ter sido um capítulo que estivesse incluído no jogo principal também.

Ocasionalmente teremos alguns puzzles para resolver para ultrapassar alguns obstáculos.

Já no que diz respeito aos audiovisuais, bom este é um jogo excelente tendo em conta que foi desenvolvido para uma consola da geração anterior. Para uma PS3, os visuais estão incríveis como a Naughty Dog já nos tinha habituado com o Uncharted 2 e 3. Os cenários estão muitíssimo bem detalhados, as cidades em ruínas e tomadas pela natureza, o detalhe das personagens e suas expressões faciais estão de facto muito bons. Esta versão remastered aumenta a resolução para 1080p nativos, melhora o framerate, as texturas possuem mais detalhe, melhores efeitos de luz e por aí fora. Mas não deixa de ser um jogo da geração anterior. Ainda assim, possui visuais excelentes. A narrativa é igualmente muito boa, o voice acting é mais do que competente e as músicas são na sua maioria temas acústicos e algo melancólicos, o que assenta que nem uma luva à atmosfera mais pesada deste The Last of Us.

Alguns infectados são cegos, porém têm a audição muito mais desenvolvida, pelo que teremos de ter extra cuidado para sermos silenciosos.

Portanto este é um excelente jogo. Um dos melhores títulos da geração da PS3, que tem neste remaster uma maneira bem em conta de ser jogado na consola da geração seguinte, visto que a PS4 não possui retrocompatibilidade. É um remaster que inclui alguns pequenos melhoramentos gráficos e que melhoram a sua fluidez. Mas a inclusão dos DLC, especialmente do Left Behind é, para mim, um ponto muito importante também. Fiquei com vontade de jogar a sequela, mas apenas o farei assim que os preços forem bem mais convidativos.

Steins;Gate Elite (Sony Playstation 4)

Vamos a mais uma rapidinha, desta vez para a Playstation 4 para aquele que é um remake de uma das visual novels mais interessantes que tive o prazer de jogar. O Steins;Gate original, uma visual novel com a temática das viagens fez bastante sucesso de tal forma que chegou a originar um anime que contava a mesma história do jogo. Este Elite é então um remake que conta a mesma história, mas agora com cenas do próprio anime, em vez das típicas imagens estáticas que geralmente nos são proporcionadas por este tipo de jogos. A história e mecânicas de jogo são semelhantes, pelo que recomendo a leitura da minha opinião da versão PS3 do lançamento original. O meu exemplar deste Elite foi comprado numa CeX algures no passado mês de Agosto por 12€, creio.

Jogo com caixa

Ora aqui temos na mesma a narração da aventura de Okabe Rintaro e seus amigos, que por acidente constroem uma espécie de máquina do tempo. As interacções que vão tendo com esta máquina vão ter repercussões no passado e o presente acaba por ser todo reconstruído, sempre de forma surpreendente e com repercussões de “efeito de borboleta” que ninguém estaria à espera. Eventualmente tropeçam também numa grande conspiração onde o SERN (CERN) estaria também a investigar a tecnologia de máquinas do tempo em segredo, com planos de controlar o mundo no futuro. A narrativa inicialmente irritava-me um pouco pela personalidade excêntrica de Okabe, a personagem principal, mas when shit hits the fan, as coisas ganham proporções épicas e isso devo dizer que gostei bastante. Esta versão mantém a história do original quase intacta, tendo sido retiradas algumas partes de certos finais alternativos, mas nada de muito relevante se perdeu. Ainda assim, este é um jogo para perdermos umas boas dezenas de horas, até porque temos uns quantos finais distintos para alcançar se assim o desejarmos.

As animações em vez de backgrounds estáticos dão uma outra vida à narrativa

No que diz respeito às mecânicas de jogo, bom, este é um visual novel, pelo que apenas temos de ler texto na maior parte do tempo. O original tinha um grande foco no uso do telemóvel para ler/enviar mensagens ou receber/fazer chamadas e era aí que poderíamos tomar decisões que levariam a história para finais distintos. Essas mecânicas foram agora um pouco simplificadas na medida em que já não podemos consultar o telemóvel sempre que quisermos. Mas sim é o próprio jogo que pára a história e nos mostra o telemóvel sempre que necessário para tomar acções, ou ignorá-las. Do ponto de vista audiovisual, o jogo possui o mesmo voice acting que me pareceu bem competente já no jogo original. Já da parte gráfica, bom, agora com vários clips do anime a acompanhar a narrativa já lhe dá de facto um outro dinamismo. Era bom que o primeiro já fosse assim, mas compreendo perfeitamente que o budget necessário para este nível de apresentação já seja outro.

A interface com o telemóvel foi simplificada, agora apenas o usamos quando o jogo bem entender

Portanto este Steins;Gate Elite é, para mim, a melhor maneira de apreciar esta história actualmente (devo dizer que não vi o anime). A apresentação bem mais dinâmica com sequências de animação é um ponto positivo que pesa bem mais que o facto de terem feito ligeiros cortes na história em si.

Blade Dancer (Sony Playstation Portable)

A PSP é uma das minhas consolas portáteis preferidas. O seu catálogo de jogos, para além de incluir títulos de qualidade muito próxima à da Playstation 2, o que na altura para uma consola portátil era muito bom, tinha também um excelente reportório de títulos mais retro e/ou uns quantos relançamentos de RPGs, muitos deles que nunca tinham saído antes na Europa. O seu catálogo de RPGs é um dos pontos fortes que mais me agrada, mas nem todos são bons. Infelizmente este Blade Dancer recai mais nesta última categoria. O meu exemplar foi comprado em Maio de 2016 numa CeX por 3.5€.

Jogo com caixa e manual

A (pouca) história leva-nos a controlar o jovem Lance, que parte para a aventura na distante ilha de Foo. Quando lá chega, e após explorar as terras à volta da cidade de Jade, a capital local, começamo-nos a aperceber de uma trama maior e Lance é na verdade um descendente do Blade Dancer, um guerreiro que lutou contra as forças do mal do Dark Lord, muitos anos antes. O Dark Lord que entretanto acaba por ser ressuscitado portanto já estão a ver onde isto vai dar. Presumo que o Blade Dancer era suposto ter uma sequela, pois a história termina num cliffhanger gigante, mas como o jogo não teve o sucesso esperado, a sequela acabou por ficar na gaveta.

Apesar dos visuais não serem os mais bonitos, ao menos temos voice acting numa grande parte dos diálogos

No que diz respeito às mecânicas de jogo, este é um RPG com batalhas por turnos mas com os inimigos visíveis no ecrã, pelo que as batalhas são despoletadas só após entrarmos em contacto com algum inimigo no mundo. Independentemente dos inimigos que iremos defrontar, todos são representados como caveiras azuis que vão vagueando pelo mundo. A partir de um certo ponto na história, essas caveiras azuis podem-se transformar ou fundir com outras caveiras, resultando em caveiras cinzentas que simbolizam inimigos muito mais poderosos. Já nas batalhas em si, esperem pelas opções habituais, mas no que diz respeito às magias e/ou golpes especiais, estas possuem mecânicas algo diferentes. Chamadas de Lunabilities, estas habilidades partilham de uma mana pool que é usada por todas as personagens da nossa party e cuja se vai enchendo à medida que vamos combatendo. De resto, contem também com um sistema de crafting que nos permite criar uma série de itens e equipamento, bem como o facto das armas (e felizmente apenas as armas) possuirem uma durabilidade limitada, pelo que teremos de ter sempre alguns backups em inventário (que por sua vez também é limitado). Ah, e o desgaste das armas não pode ser reparado.

Temos uma mana pool dinâmica que pode ser usada por todos na batalha

Até aqui tudo bem, mas então porque é que o jogo tem má fama? Bom, para além da história não ser nada de especial, nem as personagens carismáticas, o problema principal é por ser um jogo lento e, à falta de melhor palavra, aborrecido como o raio. Vamos ter de andar a percorrer as mesmas regiões vezes sem conta (principalmente se quisermos fazer as sidequests que nos vão sendo requeridas pelos NPCs), mas não temos aqui nenhum mecanismo de fast travel, nem nenhuma habilidade que nos permite teletransportar para as cidades visitadas. Só já perto da fase final do jogo é que desbloqueamos um sistema de portais que nos permite viajar de imediato entre as 3 cidades principais e a Luna Tower, mas mesmo assim não é bom o suficiente.

Tendo em conta que o crafting pode falhar, é sempre bom fazer save antes de tentar

A nível audiovisual, bom sinceramente nem o achei mau de todo. É certo que as localizações que vamos explorar não são necessariamente as mais cativantes, mas não há muito que possa apontar ao detalhe gráfico, pois parece-me ter gráficos bem competentes para o que a PSP pode fazer. Temos é muita pouca variedade de inimigos, o mesmo modelo poligonal é apresentado em múltiplas cores para representar inimigos diferentes. Já no som, as músicas são poucas, mas as poucas que existem não as achei nada más. No que diz respeito ao voice acting, temos disponível tanto o original japonês como em inglês. Gosto do facto de terem mantido o voice acting japonês, que foi o que acabei por usar. Nada tenho a apontar ao inglês pois nem sequer o ouvi!

Outra das coisas irritantes é o facto de termos de seleccionar o alvo a interagir, sejam tesouros, pessoas para falar ou outros objectos para interagir, como portas e portais

Portanto este Blade Dancer é um jogo que infelizmente não resultou tão bem assim. A sua lentidão no geral, as sidequests aborrecidas e as inúmeras viagens que teremos de fazer ao longo do mapa mundo sem qualquer atalho irão sem dúvida testar a vossa paciência. Para não falar das armas frágeis e sem possibilidade de as repararmos, pelo que teremos de ter isso em consideração num inventory management já algo exigente pelo limite de itens que podemos carregar. Mas com aquele cliffhanger, é mesmo a machadada final, visto que a eventual sequela nunca chegou a sair. Dragoneer’s Aria é dos mesmos, mas um jogo diferente.