Sonic Rivals 2 (Sony Playstation Portable)

Confesso que não sou o maior fã do Sonic Rivals pelo seu conceito competitivo em detrimento de um foco mais nas plataformas, pelo que ainda demorei um bom tempo a ganhar coragem para jogar a sua sequela, que pega precisamente nos mesmos conceitos e os expande, tendo agora, no entanto, várias outras personagens jogáveis a ter em conta, assim como outros modos de jogo adicionais. O meu exemplar foi comprado numa CeX algures em 2015 por 4€.

Jogo com caixa e manual

Uma das melhorias deste Sonic Rivals face ao seu antecessor é o maior número de modos de jogo, mas vamo-nos focar no modo história que foi onde eu gastei mais tempo. E a história é uma vez mais bastante básica como tem sido habitual nos jogos do Sonic desta época. Temos 4 histórias separadas para jogar, cada uma com uma dupla diferente de personagens: No caso do Sonic e Tails, estes começam por investigar o desaparecimento de vários Chaos, aquelas criaturas fofinhas que foram introduzidas nos Sonic Adventure. No caso do Shadow e Metal Sonic, este último é enviado pelo Eggman ao Shadow, que lhe pede ajuda (sem dar detalhes) para travar a destruição do mundo. Já o Knuckles anda novamente à procura da master emerald que voltou a desaparecer e a Rouge oferece-se para o ajudar. Por fim temos também a dupla Silver e Espio, já que este último, a pedido do Vector, está também a investigar o desaparecimento dos Chaos. Por outro lado, o Silver acaba por se juntar a Espio e rapidamente nos apercebemos que é com esta dupla que a narrativa nos dá mais detalhes (pelo menos mais cedo que os outros) do que realmente anda a acontecer. As histórias acabam no entanto por se complementarem umas às outras à medida que vamos avançando no jogo.

Estas são as personagens jogáveis e dentro de cada equipa podemos escolher com quem queremos jogar. Mais ou menos.

No entanto, ao contrário de muitos jogos do Sonic desde o Adventure, aqui não temos um grande incentivo em jogar com todas as personagens, visto que os níveis são essencialmente os mesmos independentemente das personagens escolhidas e, caso terminemos a história com toda a gente, não desbloqueamos nenhum nível final. Mesmo dentro de cada dupla, poderemos optar por focar-nos com a história entre uma ou outra personagem, com as personagens que controlamos em cada nível serem diferentes, assim como alguns dos seus diálogos, portanto o incentivo é ainda pior. No que diz respeito à estrutura do modo história, temos 6 zonas para explorar, cada uma com quatro actos. Os actos 1 e 3 são sempre na forma de corrida, a maioria contra um rival onde o objectivo é o de chegar à meta em primeiro lugar. Outros jogamos sozinhos mas com alguns desafios adicionais como terminar o nível dentro de um determinado tempo, ou apanhando um número mínimo de anéis ou outros desafios. Tal como no primeiro Sonic Rivals, ao longo do percurso teremos alguns obstáculos ou objectos que nos aceleram temporariamente, mas para os usarmos temos de acertar num pequeno QTE que nos obriga a pressionar X, O ou ambos, o que sempre foi a mecânica de jogo que menos gostei pois o tempo de reacção é curto e caso falhemos o QTE perdemos balanço e segundos preciosos. Para além disso vamos poder também apanhar alguns power ups que nos podem dar alguma vantagem temporária ou atrapalhar o nosso oponente como congelá-lo temporariamente, lançar um ataque de longo alcance, assim como cada personagem terá também uma habilidade própria que poderá usar mediante uma barra de energia que se vai enchendo à medida que vamos jogando. O nível 2 de cada zona é sempre um confronto contra um rival, a maior parte sendo mesmo confronto físico, mas também poderemos ter alguns desafios adicionais como coleccionar mais anéis ou Chaos que o nosso oponente. Por fim o último acto de cada zona é, como seria de esperar, um boss. Mas para além do boss propriamente dito temos também o rival a atrapalhar e o objectivo é nós conseguirmos derrotar o boss antes do rival. Infelizmente isto também torna esses níveis bastante chatos pois ambas as personagens competem entre si quando deviam era cooperar.

Para além de diferentes cartas coleccionáveis, podemos também desbloquear diferentes fatos para cada personagem. Sinceramente não me cativou nada a ideia.

De resto, tal como já referi, existem muitos outros modos de jogo, embora todos eles reaproveitem os mesmos níveis já existentes. O single event é uma espécie de partida amigável onde podemos competir em qualquer nível e qualquer personagem. Já o Cup Circuit são uma série de 3 desafios seguidos que podem ser desbloqueados à medida que vamos vencendo o modo história com as diferentes personagens. Por fim temos o Free Play que é uma espécie de modo de treino onde poderemos correr sozinhos em qualquer um dos circuitos existentes. Para além do Single Mode temos também o Battle Mode que é unicamente focado no modo batalha, permitindo-nos confrontar outros oponentes em lutas físicas, tag, coleccionar anéis, etc. E para além disto teríamos ainda um modo multiplayer que eu nem sequer testei, mas aparentemente permitia-nos também trocar cartas com outros jogadores. Já agora aproveito então para referir que essas cartas são um dos coleccionáveis neste jogo, onde as obtemos ao cumprir uma série de desafios distintos, como terminar níveis com ranking S, por exemplo.

Aqui até os bosses são uma competição, onde não só temos de lutar contra o Robotnik como também impedir que o rival o vença primeiro que nós.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é, tal como o seu antecessor, um jogo de plataformas com cenários e personagens renderizadas em 3D poligonal, porém mantendo uma jogabilidade puramente 2D. Temos então 6 zonas bem distintas entre si, incluindo aquelas típicas com parecenças da Green Hill ou Casino Night Zone, bem como outras um pouco mais originais como uma que parece inspirada em aldeias mediterrâneas, outra do oeste dos cowboys, uma zona tipo halloween, entre outras. E graficamente, para uma PSP, essas zonas estão bem conseguidas com um bom nível de detalhe, cores vibrantes e uma boa fluidez. A banda sonora é quase toda ela composta por músicas rock e os diálogos têm voice acting com as vozes dos actores habituais da época nas personagens principais… o que não são grande coisa, confesso.

Portanto o meu veredicto final para este Sonic Rivals 2 é simples. Se jogaram o primeiro e gostaram, irão certamente gostar desta sequela por ter mais níveis e personagens jogáveis. Eu pessoalmente não fui o maior fã do primeiro jogo pela sua natureza 100% competitiva, sempre preferi o platforming mais descomprometido dos Sonics tradicionais em 2D. Apesar de termos mais níveis e personagens jogáveis, o único incentivo para jogar o mesmo jogo pelo menos oito vezes seguidas é o de desbloquear algum conteúdo adicional. Os outros modos de jogo são benvindos no que diz respeito à variedade, mas os níveis são uma vez mais os mesmos portanto essa é uma variedade ilusória.

Yakuza 0 (Sony Playstation 4)

Ah, as saudades que eu tinha da série Yakuza! Joguei os Yakuza e Yakuza 2 originais da PS2 em 2012. Só mais tarde é que vim a arranjar as sequelas para a PS3 mas nessa altura com a minha vida profissional mais atarefada fui adiando. Entretanto desde 2015 e o lançamento deste Yakuza 0 que a série tem vindo a ter um certo interesse “revitalizado” no ocidente, recebendo este jogo, remakes dos primeiros Yakuzas, novas sequelas e remasters dos Yakuza 3-5, lançados originalmente na geração da PS3. Então o backlog da série foi crescendo bastante e eu fiquei algo reticente em qual deles começar. Como também possuo os Kiwami na colecção, decidi então recomeçar a jogar a série com este Yakuza 0 que é uma prequela, passando posteriormente para os remakes Kiwami, os remasters dos 3-5 e outras sequelas e jogos secundários. O meu exemplar sinceramente já não me recordo onde nem quando o comprei, muito menos quanto me terá custado. Mas não terá sido caro pois os jogos desta série baixam de preço relativamente rápido depois do seu lançamento.

Jogo com caixa e papelada

Ora como referi acima este Yakuza 0 é uma prequela do primeiro jogo, passando-se algures em 1988 (ano de lançamento da Mega Drive no Japão!) contando com os muito jovens Kazuma Kiryu e Goro Majima como protagonistas principais. Começamos por jogar com Kiryu e no habitual distrito de Kamurocho em Tokyo, e Kiryu acaba por ser acusado de um homicídio que não cometeu. Este decide então sair da família Dojima e limpar o seu nome, agora como civil, onde à medida que vamos progredindo na história vamo-nos apercebendo que Kiryu foi realmente tramado, numa conspiração cada vez maior. Dois capítulos depois somos levados para Osaka e o distrito de diversão nocturna de Sotenbori, onde Majima é o gestor de um cabaret de sucesso. Mas rapidamente nos apercebemos que Majima está em Sotembori de “castigo” por ter traído a sua família yakuza também em Kamurocho, uns anos atrás. Como oportunidade de voltar para a sua antiga família, Majima aceita um trabalho para assassinar uma certa pessoa. As histórias começam de forma independente uma da outra mas à medida que vamos progredindo no jogo, as mesmas vão-se interligando, como seria de esperar.

Cada personagem possuivários estilos de luta. O beast style do Kiryu é simplesmente brutal para enfrentar grandes grupos!

Iremos então alternar entre jogar com Kiryu e Majima a cada dois capítulos, sendo que no capítulo final teremos a oportunidade de alternar livremente entre personagens e ambas as localizações de Tokyo e Osaka. A jogabilidade principal deste Yakuza é a de um misto de um beat ‘em up de rua e de um RPG, na medida em que teremos batalhas aleatórias ao explorar as ruas, bem como poderemos evoluir cada uma das personagens e aprender novas técnicas, assim como equipar diferentes armas, roupa e acessórios que nos modificam os stats ou nos dão outros benefícios. Estou bem ciente que entre o Yakuza 2 da PS2 e este Zero se passaram uns quantos jogos que terão evoluído o sistema de combate, pelo que quando for jogar os Yakuzas 3-5 talvez venha a sentir algumas dificuldades. Ainda assim, o que aqui temos é que cada personagem poderá alternar livremente entre 3 estilos de combate distintos (à medida que forem sendo desbloqueados, claro), com um estilo de combate opcional que poderá ser desbloqueado mais tarde. O dinheiro que vamos ganhando poderá ser utilizado para evoluir cada um destes estilos de combate e para além da barra de vida temos também de ter em conta a barra do “heat” cuja se vai enchendo cada vez que damos porrada com sucesso a alguém e esta poderá ser utilizada para desencadear alguns golpes ultra-violentos e que retiram muito dano aos nossos oponentes. Objectos da rua como cartazes, cones de trânsito, armas deixadas pelos inimigos podem também ser utilizadas no combate, sendo que cada tem também uma ou mais “heat actions” associadas.

A história principal é séria e muito bem escrita. Por outro lado as side quests contrastam bastante, sendo bem humoradas e muitas vezes bizarras!

Tal como os seus predecessores, este é um jogo de acção open world com uma história empolgante e repleta de reviravoltas. No entanto, há muito mais para explorar para além da narrativa principal e cujos objectivos aparecem sempre devidamente assinalados no mapa. Temos também dezenas de sidequests que contrastam bastante o ambiente mais sério proporcionado pela aventura principal: aqui fiz coisas tão bizarras como ensinar uma dominatrix a fazer o seu trabalho, gravar um videoclip com o Michael Jackson e Steven Spielberg ou ajudar a defender um vendedor de cogumelos absolutamente banais que, por ter um aspecto de criminoso e ter a sua loja num beco escuro os seus clientes sempre assumiam que estaria a vender cogumelos alucinogénios e os negócios acabavam sempre em porrada. São bastantes sidequests mas todo o bom humor envolvido fazem com que valha mesmo a pena as fazer. Mas tal como os outros Yakuzas temos também inúmeros mini-jogos opcionais para participar, desde jogar em arcades da Sega, passando por bilhar, dardos, casino, mahjong shogi, entre muitos outros. Para além disso podemos ainda participar em corridas de carros de brincar, pescar, tentar engatar miúdas por telefone entre muitas outras distracções.

Antes do mIRC, aparentemente o que estava na moda eram clubes de telefone para engatar estranhos. E claro que é isso que podemos também fazer

Há pouco referi que poderíamos evoluir as personagens e aprender novos golpes ou simplesmente as fortalecer. No entanto para aprendermos esses novos golpes teremos de gastar dinheiro para os desbloquear, havendo algumas notáveis excepções de técnicas que nos terão de ser ensinadas por diferentes mestres. À medida que vamos tentar evoluir as personagens rapidamente nos apercebemos que a quantidade de dinheiro necessária é bem superior ao que conseguimos ganhar quer por combate, quer por apostas nalguns dos mini-jogos referidos acima. A solução passa por investir algum tempo (e dinheiro) em negócios que ambas as personagens virão a gerir com o decorrer da história. Kiryu torna-se presidente de uma empresa de imobiliária, onde teremos de comprar uma série de edifícios em Kamurocho e eventualmente melhorá-los, para depois podermos colectar uma renda sobre os mesmos. Claro que teremos de defrontar outros bandidos ligados a outras empresas do ramo pelo caminho! Já o Majima terá de gerir um cabaret club, onde não só teremos de contratar (e treinar) raparigas para trabalhar no clube, mas durante os turnos de trabalho em si teremos mesmo muita gestão para fazer: emparelhar os clientes com as raparigas com as características mais adequadas aos seus gostos, assim como atender alguns dos pedidos que vão sendo feitos. Pensem numa espécie de overcooked com turnos de 3 minutos. Ora tanto um negócio como o outro, apesar de serem introduzidos durante a história principal, todo o seu progresso restante é inteiramente opcional, mas altamente encorajado pelos lucros que geram e que nos permitem tornar Kiryu e Majima em lutadores cada vez mais fortes e capazes.

Podemos evoluir cada personagem e os seus estilos de luta ao aprender novos golpes. O problema é que estes são cada vez mais caros!

No que diz respeito aos audiovisuais, este foi o primeiro jogo da série a ser desenvolvido com as consolas da passada geração em mente. Há um bom salto visual perante o pouco que vi dos Yakuzas da geração anterior, no entanto há ainda muita margem para melhorias. Por exemplo, as personagens principais estão bem detalhadas e com óptimas animações faciais, muitas das personagens secundárias apresentam um nível de detalhe bem pobre. Durante a exploração em mundo aberto essa diferença gráfica até pode nem ser muito perceptível, mas nas cutscenes é bem notória. No entanto a atenção ao detalhe por parte da Sega continua incrível! As localizações de Kamurocho e Sotenbori, apesar de a história se passar em 1988, continuam repletas de locais familiares a quem jogou alguns dos títulos anteriores, incluindo muitos dos bares, locais com mini jogos como o bowling, o batting center e as diferentes lojas que poderemos visitar. No caso das lojas de conveniência até podemos explorar as revistas vendidas e ver umas quantas capas de revistas japonesas da época, que eu presumo que sejam reais. Já no que diz respeito ao som, não há muito a dizer: há muitos diálogos, tendo em conta que teremos também imenso conteúdo opcional para experimentar. Portanto, apenas os diálogos mais importantes estão narrados, cuja narração em japonês me parece impecável. A banda sonora é também bastante eclética, com os temas mais rock das batalhas a ganharem, para mim, um maior destaque.

Para ganharmos um bom dinheiro poderemos investir em negócios paralelos. Kiryu torna-se um barão da imobiliária e Majima um gerente de um clube nocturno, que possui um mini jogo associado bastante viciante!

Portanto este Yakuza Zero foi uma óptima experiência que me consumiu mais de 100h do meu tempo e eu não fiz tudo o que jogo me tinha para oferecer. As batalhas do coliseu, os modos de jogo adicionais como o Climax Battle foram dois temas que nem lhes cheguei a pegar e já nem vale a pena referir todos os objectivos de cada mini jogo! No entanto, finalizando a história principal poderemos gravar um save final que tanto poderá ser usado para um New Game Plus como para voltar a Kamurocho/Sotembori depois da história principal ter terminado e fazer todo o conteúdo opcional que quisermos. Portanto, só me resta reafirmar que gostei bastante deste Yakuza Zero e fiquei com o bichinho de jogar os próximos, algo que irei fazer em breve.

Street Fighter EX3 (Sony Playstation 2)

Tempo de voltar aos jogos de pancadaria e à Playstation 2 que recebeu o terceiro jogo da série Street Fighter EX, produzidos pela Arika, empresa fundada por ex-funcionários da própria Capcom. Tal como os seus predecessores este é então um jogo de luta que apesar de possuir uma jogabilidade 2D típica dos Street Fighter tradicionais, possui também gráficos inteiramente em 3D poligonal. Ao contrário dos seus antecessores no entanto, este é um jogo exclusivo da Playstation 2, tendo sido lançado muito cedo no seu ciclo de vida e não teve portanto origens em versões arcade. O meu exemplar foi comprado algures em 2018 se bem me recordo, fruto de um leilão que venci por cerca de 12€.

Jogo com caixa e manual. Muito obrigado ao antigo dono por ter deixado autógrafos

Ora na sua essência este jogo herda o mesmo tipo de controlos dos restantes Street Fighters, onde temos 3 botões faciais para socos de diferentes intensidades e outros 3 para pontapés. Para além disso, existem vários golpes e combos especiais que poderemos desencadear, cujos poderão inclusivamente necessitar de uma barra de energia minimamente preenchida. A grande novidade aqui introduzida são as tag battles, onde em combates de 2 contra 2 poderemos alternar entre ambos os lutadores que controlamos, permitindo aquele que for descansar que recupere parte da sua barra de vida. Para além disso temos uma vez mais o regresso das “dramatic battles” onde poderemos participar em combates de 1 contra 2, contra 3 ou vice-versa, mas com todos os lutadores em questão presentes no ecrã! Para além dos super combos e outros ainda mais potentes, introduziram também os critical parade, que apenas podem ser utilizados em combates tag pois necessitam que ambos os lutadores entrem na arena e tenham, durante alguns segundos, a liberdade de executar super combos livremente. No caso de certas equipas como Ken e Ryu podemos também desencadear os meteor tag combos, super destrutivos e com a colaboração de ambos!

Ver os retratos destas caras conhecidas com esta qualidade faz-me mesmo suspirar por o jogo não ser 2D

No que diz respeito aos modos de jogo temos o original mode, onde começamos por escolher qual lutador queremos representar e somos depois levados para uma série de combates que tanto podem ser os tradicionais 1 contra 1, tag team ou os tais dramáticos onde estaremos quer em vantagem ou desvantagem numérica. Um detalhe interessante é que exceptuando os bosses (terceiro, quinto e sexto combates respectivamente) poderemos escolher quais os adversários que queremos enfrentar, num conjunto de duas opções apenas. Tendo em conta que inicialmente escolhemos apenas um lutador, como fazemos para criar a nossa equipa nos combates que o permitam? Bom, sempre que derrotamos um adversário temos a possibilidade de o recrutar para a nossa equipa, até um máximo de 4 lutadores. No caso de combates contra mais que um oponente em simultâneo, a oportunidade de recrutamento recai sempre no último adversário derrotado, daí que a opção de escolher que oponentes queremos defrontar ser também importante! Até porque também teremos combates do género team battle onde à semelhança dos King of Fighters clássicos são disputados numa lógica de “bota fora”, sem poder trocar de lutador pelo meio.

A principal novidade aqui introduzida na jogabilidade são as mecânicas de tag team

Depois temos também o Arena Mode, onde poderemos combater em partidas únicas sejam tag, dramatic ou team battle. Também poderemos inclusivamente jogar contra um amigo neste modo. Para além de um modo de treino teremos também, por fim, o character edit que é uma espécie de modo RPG. Aqui controlamos sempre um lutador chamado Ace e teremos de cumprir uma série de missões. Por cada missão que concluímos com sucesso, iremos desbloquear novos golpes e combos que poderão ser posteriormente utilizados para customizar a personagem! É um modo de jogo interessante, mas confesso que não perdi muito tempo com ele.

Do ponto de vista técnico é um bom salto qualitativo perante os seus antecessores. Tirando partido de hardware de nova geração, os cenários e personagens estão muito melhor detalhados, embora ainda fiquem longe do brilhantismo que outros fighters acabaram por introduzir anos mais tarde na mesma plataforma. O elenco de personagens é, pelo menos inicialmente mais balanceado, pendendo pela primeira vez para o lado da Capcom. Das 16 personagens iniciais disponíveis, 9 são da Capcom e as restante da Arika. No entanto, cada vez que vençamos o Original mode sem gastar qualquer continue desbloqueamos uma personagem secreta, elevando o total para 25 personagens jogáveis. E aí o balanço reverte para 11 personagens jogáveis da Capcom e 14 da Arika. Existem algumas personagens interessantes como o Skullomania, Hokuto ou a Nanase, mas as personagens da Capcom têm muito mais charme, na minha opinião. Nada de especial a apontar ao som e a banda sonora é agradável e eclética, sendo adequada para cada arena em questão.

No original mode poderemos recrutar os nossos adversários para a nossa equipa até um máximo de 3

Portanto este Street Fighter EX3 é um jogo de luta bastante sólido onde a Arika foi inteligente o suficiente ao manter uma jogabilidade 2D, próxima dos Street Fighter clássicos, em conjunto com os gráficos inteiramente em 3D poligonal. Continuo a preferir o 2D pixel art da série Street Fighter clássica (então o Street Fighter 3 é delicioso nesse departamento) mas este não deixa de ser um jogo bem sólido de luta. Ainda assim continuo a não gostar muito do facto de a Arika ter usado a série Street Fighter para introduzir um grande número de personagens não canónicas e que nunca mais apareceram em mais nenhum jogo da série. Ainda assim para os fãs destas personagens recomendo-vos que espreitem o Fighting Layer EX (sucessor do Fighting Layer, um outro jogo de luta 3D da Arika e exclusivo arcade) e que inclui muitas destas personagens.

Ys: The Ark of Napishtim (Sony Playstation 2 / Portable)

Vamos finalmente voltar à série Ys, já que aproveitei esta semana de férias para jogar mais um RPG que tinha em backlog. Lançado originalmente em 2003 para o PC, o sexto Ys foi o primeiro a utilizar um novo motor de jogo que viria posteriormente a ser utilizado em títulos como o Ys Origin ou Oath in Felghana (remake do Ys III). Em 2005 a Konami decide publicar esse jogo no ocidente, primeiro para a Playstation 2, no ano seguinte para a PSP, cada versão com conteúdo adicional distinto. Apesar de eu possuir ambas as versões na minha colecção, este artigo irá se incidir principalmente para a versão PS2 que foi a que terminei. Irei, no entanto detalhar as suas principais diferenças sempre que possível. A versão PSP foi a primeira que comprei, já não sei precisar quando nem onde mas creio que me custou algo em volta dos 20€. Anos mais tarde, quando me apercebi que a versão PS2 era supostamente superior, lá comecei a procurar essa versão também mas infelizmente os seus preços já tinham subido consideravelmente. Este meu exemplar veio então de uma loja alemã por 30€ em Agosto de 2021. Caixa e manual em alemão, mas era isso ou pagar o dobro por uma versão inteiramente em inglês.

Jogo com caixa, papelada e manual a cores! Pena que esteja em alemão.

A história segue uma vez mais as aventuras do espadachim de cabelos vermelhos, Adol Christin, que se encontrava a beber uns copos com o seu amigo Dogi quando ambos são surpreendidos por soldados do império de Romun e têm de fugir repentinamente. Então metem-se num barco com piratas seus amigos mas que acabam por ser perseguidos pela armada imperial. Aproximam-se perigosamente das ilhas de Canaan que estão rodeadas por uma enorme tempestade, um vórtice que suga tudo o que se aproxima e, naturalmente, Adol acaba por cair ao mar e chegar a uma praia próxima, naquele que é um cliché habitual nesta saga. Lá conhecemos os membros da tribo Rehda, uma espécie de elfos com caudas que nos contam que na ilha vizinha existe uma população humana, formada por várias pessoas que ali também naufragaram. As tensões entre ambos os povos estão altas pois a ponte que os unia foi destruída e um artefacto importante dos Rehda foi roubado. Inicialmente teremos então de tentar apaziguar as coisas entre ambos os povos bem como explorar a ilha e suas ruínas em busca de uma forma de parar o tal vórtice que previne barcos de entrar ou sair das ilhas em segurança. Mais lá para a frente as coisas acabam por escalar como é habitual.

Jogo com caixa e manual, versão norte americana já que o jogo não saiu cá.

Este é mais um action RPG e se jogaram o Ys Origin, Oath in Felghana ou qualquer outro Ys mais recente já sabem mais ou menos com o que contar. Com o novo motor gráfico inteiramente em 3D, os controlos foram adaptados para o combate ser mais dinâmico como a inclusão de combos. Uma habilidade que aqui introduziram foi o jump dash, que consiste em pressionar o d-pad numa direcção e, uma fracção de segundo depois, pressionar os botões de ataque e salto em simultâneo. Isto faz com que saltemos mais longe e embora não seja necessário para terminar o jogo, caso o queiramos completar a 100% e coleccionar todos os itens e power ups teremos alguns desafios de platforming que nos obrigam a usar esta habilidade consecutivamente. O problema é que para a despoletar é um martírio pois nem sempre conseguimos acertar com o timing exigente.

A versão PS2 possui todos os diálogos com voice acting. Infelizmente na versão europeia removeram a opção de ouvir o voice acting original japonês, talvez por terem incluído texto noutras línguas também.

De resto, para além de novo equipamento e armas que poderemos eventualmente encontrar, poderemos também equipar certos acessórios que nos dão importantes benefícios como imunidade a estados como envenenamento, paralisia ou confusão, receber mais experiência, dinheiro ou os cristais emel, uma novidade aqui introduzida. Isto porque Adol vai possuindo espadas feitas com esse material e que possuem também propriedades mágicas. Ao longo do jogo, na aldeia humana, temos quem nos possa melhorar essas espadas a troco desses cristais. Outros itens regenerativos podem também ser coleccionados assim a possibilidade de os assignar a um botão (triângulo) para rápido uso. Tal como referi acima as espadas têm propriedades mágicas que nos permitem executar ataques mágicos. Mas para estes serem usados é necessário que a barra de magia esteja cheia. Felizmente esta vai-se enchendo com o combate ou, à medida que melhoremos as espadas com o emel recolhido, a barra de magia irá-se regenerando sozinha.

O combate continua super intenso como habitual nos Ys e teremos também uns quantos bosses grandes e bem detalhados para combater

A nível audiovisual e também como já referi acima, este é o primeiro jogo da Falcom que utiliza um novo motor gráfico que foi posteriormente utilizado no Ys Origin e Oath in Felghana. A nível poligonal não esperem um motor muito avançado, mas tudo isso é recompensado com texturas bem detalhadas e uma arte muito bem conseguida. Enquanto o original de PC mantinha ainda personagens e inimigos em 2D, estas foram agora mudadas para gráficos poligonais na versão PS2, mas sinceramente não têm o mesmo charme. O facto de a versão PC suportar resoluções muito maiores acaba também por ser um factor importante pois mantêm os gráficos bastante limpinhos. A versão PS2 acrescenta também algumas cutscenes em CGI. A banda sonora é, como vem sendo habitual, agradável e bastante eclética, embora eu sinta saudade dos temas mais hard rock e repletos de grandes guitarradas de outros títulos. Atenção, esses temas mais pesadinhos estão também aqui presentes, sendo tipicamente guardados para alguns bosses, pelo que são músicas que não vamos ouvir muitas vezes. A versão PS2 tem também voice acting para todos os diálogos. No caso da versão norte-americana teríamos inclusivamente a opção de alternar entre o voice acting japonês e inglês, já na versão europeia estamos presos ao em inglês que sejamos sinceros, não é muito bom e repleto de vozes irritantes. Estão a ver quando uma pessoa tem que dar vozes a várias personagens diferentes e então inventa vozes estranhas? É isso que temos aqui. Mas não deixa de ter sido um passo ambicioso o facto de TODAS as personagens terem voz, excepto o Adol, claro.

Estes monumentos azuis servem para nos curar e gravar o progresso no jogo. Na versão PC relançada pela XSeed em 2015 podemos inclusivamente teletransportar entre todos estes marcos já desbloqueados, o que ajuda imenso no backtracking.

Mas quais são as restantes diferenças introduzidas tanto nas versões PS2 e PSP tendo em conta o lançamento original de PC? Na PS2 temos as Alma’s Trials, um conjunto de dungeons adicionais com alguns puzzles, muito dash jumping e alguns bosses reciclados. A versão PSP não inclui as Alma’s Trials mas traz outros extras como uma nova dungeon e uma biblioteca onde poderemos coleccionar imagens e biografias das personagens envolvidas. Apesar de manter as sprites 2D e manter as cut-scenes anime da versão PC, por outro lado não tem o voice acting, e como um todo é uma versão que se joga pior, com loadings frequentes e muito longos, constantemente quebram a acção. Mas sejamos sinceros e coleccionismos à parte, de longe a melhor versão é a que a XSeed trouxe para o PC (steam) em 2015. Para além de melhorias técnicas como o suporte a widescreen e novos modos de dificuldade, há uma mecânica nessa versão que dá um aumento drástico da qualidade de vida: a possibilidade de nos teletransportarmos entre zonas, enquanto que na versão PS2 podemos apenas teletransportar dentro de uma dungeon para o seu início. Com todo o backtracking que teremos de fazer, quanto mais não seja para comprar mantimentos, essa é uma funcionalidade muito benvinda.

Na versão PS2 temos direito a uma cutscene em CGI que conta um pouco do porquê de Adol ter, uma vez mais, naufragado e acordar numa praia aleatória.

Portanto este Ys The Ark of Napishtim é mais uma sólida entrada na série, que, tirando todos os ports e remakes que foram feitos no final dos anos 90 ou inícios de 2000, tinha entrado num longo período de pausa de novos lançamentos. Mas felizmente a Falcom veio com tudo e modernizou a série de forma a torná-la mais atractiva para uma nova geração e este Ark of Napishtm serviu de base para os lançamentos que surgiram nos anos seguintes. E é um jogo bem sólido, embora eu recomende vivamente que joguem antes a versão PC. Os extras introduzidos tanto nas versões PS2 ou PSP não compensam as melhorias de qualidade de vida introduzidas na versão da XSeed de 2015. E os gráficos mais limpos, claro!

Sega Ages 2500 Series Vol. 1: Phantasy Star Generation: 1 (Sony Playstation 2)

Todos sabemos que a Playstation 2 é, até à data, a consola doméstica mais vendida de sempre, com um catálogo de jogos invejável. E com uma plataforma de tanto sucesso é normal que também tenha recebido imensos jogos mais simples e lançados a preços mais económicos devido a custos de desenvolvimento baixos. Desde compilações retro de empresas icónicas como a Sega, Capcom ou Taito, outros títulos de baixo orçamento porém interessantes e claro, muito shovelware também. No Japão, uma das empresas mais proliferas nesse departamento foi a D3 Publisher com as suas séries Simple 1500 e Simple 2000 onde ao longo de quase 10 anos, principalmente em plataformas como a PS1 e PS2, acabaram por lançar mais de uma centena de jogos diferentes. Tanto relançamentos de jogos previamente publicados por outras empresas, imenso shovelware, mas também vários títulos interessantes como os que deram origem às séries Earth Defense Force, Onechanbara ou outros simplesmente bizarros como Demolition Girl. Por sua vez muitos desses títulos foram posteriormente lançados na Europa através de editoras como a 505 Games, Essential Games, Agetec, ou, no caso do lixo, a Phoenix. Mas voltando ao Japão, foi nesse espírito que em 2003 a Sega anuncia uma parceria com a D3 Publisher que iria alavancar muito do seu espólio de clássicos em novos lançamentos a preços reduzidos. Uma nova empresa de nome 3D-Ages (que ao contrário se lê Sega-D3) foi criada para comandar esta iniciativa e assim nasceu a série Sega Ages 2500, que acabou por receber 33 lançamentos no total, contendo remakes, conversões de jogos clássicos, ou compilações. A cargo da D3 Publishing ficaram os primeiros 15 volumes. Já os restantes 18 foram 100% geridos pela Sega, talvez pela qualidade dos jogos desenvolvidos por estúdios afectos à D3 Publisher não ter sido a melhor. Essa segunda metade da colecção Sega Ages 2500 já se focou mais em compilações e conversões mais próximas dos originais, com muitos desses lançamentos a terem ficado a cargo da fantástica M2 (incluindo a Phantasy Star Complete Collection que já cá trouxe no passado).

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, capa de argolas, separador relativo ao PS1, manual e registration card

Introduções feitas vamos ao que interessa e o primeiro jogo desta série a ver a luz do dia foi precisamente este Phantasy Star Generation 1, um remake do primeiro Phantasy Star da Master System com novos visuais e algumas outras melhorias. O jogo recebeu duas edições físicas diferentes no seu lançamento. A que tenho na colecção é esta edição “limitada” que inclui uma caixa exterior de cartão e uma capa de argolas, que serviria para armazenar uma série de separadores alusivos aos diferentes jogos desta série Sega Ages 2500. O meu exemplar foi comprado algures no final de Maio deste ano no eBay por cerca de 50€. Foi um presente de aniversário que decidi oferecer a mim mesmo! Mas voltando ao jogo em si, tal como referi acima este é um remake do original de Master System, pelo que irei-me focar apenas nas diferenças desta versão. Para mais leitura sobre a versão original 8-bit, recomendo que passem os olhos para o que eu escrevi sobre o original, um artigo de 2011, com um estilo de escrita muito diferente ao que practico actualmente. Qualquer dia reescrevo-o!

Phantasy Star, agora com visuais de RPG Maker. Ainda assim lembro-me de ficar super entusiasmado quando soube que isto estava em desenvolvimento

Ora a primeira novidade que notamos é o novo aspecto gráfico. Apesar de se manter com sprites 2D, todo aquele mundo foi refeito com sprites bem mais detalhadas, tanto na exploração de cidades / mapa mundo, bem como nas batalhas. Ainda assim, não se esqueçam que este foi um jogo de orçamento limitado (e produzido pela Japan Art Media que conseguiram arruinar com a série Lunar), pelo que não esperem por um nível de detalhe incrível. O resultado é que este parece um jogo feito em RPG maker mas hey, não deixa de ser uma evolução considerável desde os gráficos 8bit. A navegação nas dungeons continua na primeira pessoa e aí já é toda em 3D poligonal. O problema é que as texturas são horríveis, particularmente nas dungeons com paredes rochosas. Os diálogos com NPCs deixaram de ser na primeira pessoa com um maior detalhe gráfico do NPC em questão e os cenários em plano de fundo, mantendo os mesmos visuais da exploração normal. As cutscenes foram alteradas para usar imagens estáticas no estilo anime, embora a qualidade dos desenhos não seja a melhor. No que diz respeito ao som, a banda sonora foi toda regravada embora alguns temas acho que poderiam ter ficado melhor conseguidos. Particularmente os temas que foram reutilizados no Phantasy Star IV, cujas versões, mesmo em chiptune, ficaram a anos luz do que conseguiram trazer aqui. Um bocadinho mais de energia nas músicas seria bem-vindo. Não contem também com qualquer voice acting.

As dungeons são agora em 3D poligonal, embora com texturas muito fracas. De notar a introdução do item Atlas que nos permite ter acesso a um automap, embora apenas durante 100 passos.

Não foi só uma actualização audiovisual que este jogo recebeu, mas também várias novidades no campo da jogabilidade. A começar talvez pelo sistema de batalha, agora mais próximo dos introduzidos no Phantasy Star II em diante. A câmara deixa de estar na primeira pessoa para se posicionar nas costas das nossas personagens e existem novas acções, itens e armas a ter em conta. Por exemplo, existem armas de fogo capazes de atingir mais que um inimigo em simultâneo, embora causando menos dano. Poderemos comprar e equipar acessórios que nos dão stats adicionais assim como jóias mágicas que nos permitem desencadear ataques poderosos sob o risco de estas partirem com o uso. Muitos dos itens foram também renomeados para os standards de Phantasy Star, como monomates, telepipes ou escapipes. Trouxeram também os fluids que nos permitem regenerar MP, mas o inventário por personagem continua a ser bastante limitado, pelo que quando explorarmos as dungeons cada vez mais labirínticas da segunda metade do jogo, rapidamente teremos de economizar recursos. Um outro item bastante útil aqui introduzido foram os Atlas. Estes devem ser apenas consumidos durante as dungeons e mostram uma pequena janela no canto superior esquerdo com o mapa já descoberto do local onde estamos. Pena que apenas durem 100 passos! De resto o jogo é mais generoso com a experiência e dinheiro que ganhamos no final de cada batalha, pelo que apesar do grinding continuar a ser recomendado para melhor aguentarmos as dungeons e respectivos bosses, não precisa de ser tão longo quanto no original. Ou pelo menos essa foi a minha percepção, visto que já não pego no original há mais de 20 anos.

A única excepção onde falamos com NPCs na primeira pessoa é nas dungeons, mas como podem ver os assets são de muito baixa resolução e qualidade

De resto a narrativa também foi expandida. O Phantasy Star original não tinha propriamente uma plot complexa, mas practicamente nenhum RPG daquela geração a tinha, devido a limitações de armazenamento nos cartuchos. Então aqui temos novos diálogos, bem como a opção de falar com os membros da nossa equipa, o que é útil caso estejamos algo perdidos sem saber para onde ir a seguir. No entanto os novos diálogos também não acrescentam nada de muito valor à história original, sendo na sua maioria conversa de circunstância algo fútil. Mas sim, tendo em conta usei um patch de tradução feito por fãs, é possível que a tradução não seja a mais fiel, embora neste caso não me acredite muito pois a comunidade Phantasy Star sempre criticou as divergências e inconsistências encontradas nas localizações oficiais dos clássicos.

O sistema de combate foi também remodelado, estando agora mais próximo dos Phantasy Star da Mega Drive e com algumas outras novidades de qualidade de vida.

Portanto é isto o primeiro volume da Sega Ages 2500. Por um lado achei de extremo bom gosto terem começado por pegar no primeiro Phantasy Star que há muito que merecia um remake. Alguns melhoramentos na jogabilidade foram muito bem-vindos, mas sendo este um título de orçamento muito limitado, o resultado final está longe da perfeição. Tal como referi acima, particularmente na narrativa que apesar de expandida não acrescenta nada de muito interessante e os visuais, que apesar de serem superiores aos originais em pura qualidade gráfica, artisticamente são inferiores. Mas esta não foi a última vez que o Phantasy Star original viria a ser revisitado. Em 2018 a Sega relança o branding Sega Ages, agora na Nintendo Switch onde entre 2018 e 2020 viriam a lançar digitalmente adaptações de vários dos seus clássicos, todas com a emulação a cargo da M2. O Phantasy Star foi um deles, com vários melhoramentos como um automap nas dungeons ou a possibilidade de alternar entre a banda sonora PSG e FM. Já no que diz respeito à série Sega Ages 2500 ainda foi lançado um remake similar do Phantasy Star II que também gostaria de arranjar e também recebeu um patch de tradução feito por fãs. De resto a esmagadora maioria dos restantes títulos Sega Ages 2500 se ficaram pelo Japão. A excepção está na compilação Sega Classics Collection da Playstation 2, que trouxe vários dos lançamentos ainda supervisionados pela D3 Publisher num único disco. Futuramente hei-de cá trazer essa compilação também.