Martha is Dead (Sony Playstation 4)

O artigo de hoje será uma rapidinha de forma inteiramente propositada. Não porque este jogo não mereça um artigo mais extenso, mas sim porque quero revelar o mínimo possível da sua história para que quem o for a experimentar consiga absorver a experiência da melhor forma. O meu exemplar foi comprado na Amazon Espanha algures em Junho, tendo-me custado cerca de 25€.

Jogo com caixa, papelada, autocolantes e um poster

A história leva-nos a Itália em 1944, algures na região da Toscana, altura em que a região se encontrava ocupada pela Alemanha nazi. Encarnamos no papel da jovem Giulia Kapo, filha de um general alemão e mãe italiana, que descobre que a sua irmã gémea, surda-muda e de nome Martha, morreu. Sem querer revelar mais detalhes, digamos apenas que a família Kapo tem/teve os seus problemas e Giulia terá muito com que lidar no seu luto. O jogo aborda vários temas nada agradáveis e coloca-nos em situações altamente desconfortáveis e também com muito gore.

Nesta aventura iremos passar por inúmeros momentos desconcertantes

No que diz respeito às mecânicas de jogo, esta é uma aventura gráfica na primeira pessoa, onde iremos passar todo o tempo a explorar a casa onde vivemos e as suas imediações, como uma floresta e um lago que será também parte central da história. Tal como noutros jogos do género, iremos coleccionar e/ou interagir com vários objectos, alguns diálogos onde poderemos inclusivamente decidir quais as respostas que queremos dar e vários puzzles também para resolver. Uma das mecânicas de jogo recorrentes é o uso de uma máquina fotográfica vintage e todo o processo de revelar fotografias. Não só em certas partes da história seremos mesmo obrigados a fotografar certas situações, o jogo oferece-nos também a liberdade de fotografarmos livremente tudo o que quisermos, existindo ainda toda uma panóplia de diferentes acessórios da câmara fotográfica que podemos coleccionar, como diferentes rolos fotográficos, filtros ou lentes. Eventualmente poderemos também conduzir uma bicicleta, que nos permite viajar um pouco mais rápido, embora não a possamos usar na floresta, que é precisamente onde iremos perder mais tempo a viajar de um lado para o outro. Conduzir a bicicleta é também um grande desafio, infelizmente.

Como qualquer aventura gráfica que se preze, também teremos alguns puzzles para resolver. Já aprenderam código Morse?

Visualmente é um jogo interessante, não só por todo o trauma e terror psicológico que nos oferece, permitindo-lhe então enveredar por certos caminhos mais extravagantes. Tirando isso não há assim tanto de diferente para ver. Vivemos numa casa de campo antiga e de pedra, embora muitas das suas divisões apenas vão ficando acessíveis com o decorrer da história. À nossa volta é floresta, o lago e pouco mais. A qualidade gráfica fica um pouco a desejar na PS4 (joguei numa PS4 normal, não tenho o modelo Pro) e a diferença perante essa versão e a de PC ou de consolas de nova geração é bem considerável. Para além dessa diferença gráfica entre plataformas, esta versão possui também vários bugs, quebras de framerate e um pop-in dos cenários que quase me faz lembrar os primeiros jogos 3D da Saturn. Por exemplo, quando descemos para a cave, entramos numa sala completamente vazia. Um segundo depois e já aparece toda a mobília e elementos decorativos! De resto a nível audio não tenho nada de especial a apontar. A banda sonora é composta maioritariamente por temas calmos, melancólicos ou outros altamente dissonantes, especialmente quando coisas estranhas começam a acontecer. O voice acting por defeito está em italiano e, tendo em conta que o jogo se passa nesse país, decidi optar por essa via. A qualidade das vozes e diálogos parece-me competente, só é pena que algumas vezes, devido a bugs as legendas tenham desaparecido no início das falas, o que me fez perder algumas frases nos diálogos.

A fotografia é também uma parte central da narrativa. Ao longo do jogo iremos mesmo ser obrigados a tirar algumas fotos com o equipamento da época, sempre com a preocupação de centrar bem a imagem, ajustar o foco, luz, etc.

Portanto este Martha is Dead, apesar de tecnicamente ter os seus problemas, pelo menos na versão PS4, é um jogo super bizarro e desconcertante na sua narrativa. E é precisamente por isso que o recomendo vivamente! As versões Playstation foram no entanto ligeiramente censuradas perante as versões PC e Xbox. Basicamente nas versões Playstation as cutscenes mais gore deixaram de ser interactivas e temos sempre a opção de as avançar. Para além disso, foram retiradas algumas menções a masturbação na narrativa. Sinceramente não se perde muita coisa, mas se quiserem jogar uma versão sem quaisquer cortes então recomendo que testem as versões PC ou Xbox.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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